Million Dollar Man
32 Capítulo 32 - Take me back to the start
Notas iniciais
Gente não está dando, odeio ter sempre que dar desculpas, mas meu tempo está >muito< corrido, nem em casa tenho ficado, prometi para quinta mas minha internet ficou fora do ar e acabei deixando para depois para que pudesse acrescentar algumas coisas para o capítulo não ficar sem graça. Mil desculpas pelos erros de português, é sério, sento de frente ao computador para passar o que escrevo no computar sempre tarde da noite praticamente como uma sonâmbula, então tenho certeza que ficou algumas coisinhas...
Fora, Undisclosed Desires, gente! Vocês têm ideia do quanto estou atrasada? A Wendy vai me matar - ou não. Para as leitoras, desde já peço desculpas e prometo amanhã mesmo dar um jeito nesse atraso D:
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Anne: sua recomendação (finalmente!!!) entrou ♥ Sem palavras para dizer o quanto está linda e o quanto amei. Muito, muito, muuuuuito obrigada eu amor C':
Janacleia Garcia Maciel: Hey, obrigada por todos os comentários, não tive tempo para responder, mas li todos eles, viu? Obrigada de novo por essa recomendação linda, de verdade, amei demais ♥
Recusava-me a acreditar que aquilo estava acontecendo. Depois de um grande esforço para deixar para trás aquele fardo, um dos grandes vilões dessa fase obscura simplesmente resurgira trazendo de volta pensamentos e sensações que evitava há meses. Não havia dor, não havia feridas, apenas nojo. Nojo não só por saber que um homem quem pagava para fazer com que eu realizasse seus desejos exóticos na cama, porém, nojo por saber que mesmo longe, ainda era vista como a mesma mulher.
Damon dirigia em silêncio aparentando ter o sangue fervendo em suas veias. Constantemente, ele tirava uma das mãos do volante para passar por seus cabelos; mesma frequência pela qual ele desviava seus olhos do trânsito para meu rosto com uma expressão preocupada. Queria dizer que estava tudo bem, que aquela irritação e apreensão não eram necessárias, mas, no fundo, sentia como se fosse desabar a qualquer instante, e, ao contrário do usual, não queria estar sozinha quando isso acontecesse.
Passados longos trinta e cinco minutos, estávamos na nostálgica garagem onde ele fez questão da gentileza de abrir a porta do carro para mim e estender sua mão para que eu me apoiasse. Agradeci com um breve aceno e segui mantendo o silêncio ao seu lado até estarmos na exagerada sala de estar do seu tão familiar apartamento. Fiz uma careta ao ter minhas narinas invadidas pelo delicioso cheiro de limpeza, sentia falta de estar ali.
–Vou pegar alguma coisa para você vestir, tu sabes onde é o banheiro e onde encontrar toalha limpa... – disse sem fazer contato visual – Quando sair estará tudo em cima da cama, vou te esperar na sala para podermos ligar para seu pai e comunicar Miranda.
–Ok – disse com a voz fraca e segui o conhecido caminho até o banheiro de seu quarto. – Damon?- chamei antes de bater a porta; ele lançou-me um olhar acolhedor – Obrigada – abri um rápido sorriso – E, não conte nada para Miranda, ainda não... – mordi meu lábio inferior e me arrependi de tê-lo feito no mesmo instante que vi a expressão do moreno vacilar. – Amanhã conto pessoalmente.
–Como quiser – disse despreocupadamente. Fechei a porta e abri um sorriso autêntico, completamente aliviada por estar ali, o que significava estar segura e longe dos olhares críticos do resto do mundo.
–
Damon Salvatore narrando.
Elena encontrava-se sentada no chão da enorme biblioteca em minha casa; não sabia qual fora a ultima vez que a vira ali. Seus olhos semicerrados tinham a atenção voltada para as páginas amareladas do antigo livro cujas laterais estavam borradas com anotações provavelmente desnecessárias. Dei três rápidas batidas na porta entreaberta e adentrei o cômodo em passos lentos. Lentamente, ela virou-se em minha direção sem demonstrar muito interesse. Observei sua expressão cuidadosamente e soltei um suspiro pesado; seus olhos pareciam mal conseguir ficar abertos não sabia eu se por cansaço ou se apenas era mais uma consequência do choro.
–Quer comer alguma coisa? — perguntei num sussurro. — Ou beber? Já arrumei tudo para você dormir no quarto, se preferir ir deitar...
–Estou bem aqui — cerrou os lábios — Damon? Preciso te esclarecer algumas coisas sobre o que aconteceu, não quero que tu interpretes errado ou... Acabe tirando conclusões precipitadas. — fechou o livro sem marcar a página e colocou-se de pé desajeitadamente.
–Não precisa falar sobre isso agora — comecei — Foi uma longa noite e bem, já está amanhecendo, seu pai disse que vem te buscar para te deixar na casa de Miranda antes das nove, acho que você devia descansar — argumentei.
–Não precisa, além do mais, não acho que eu vá conseguir nem sequer cochilar agora — pausa — Elijah não fez exatamente o que você está pensando que fez, por isso pedi para que você fosse com calma e não agisse no calor do momento — gesticulei para que ela parasse.
–Não importa o que ele fez, Elena — com a volta do assunto, trinquei meus dentes escondendo o nível de minha raiva — Você não queria, certo? E mesmo assim ele fez. Isso já é mais que suficiente para perder o juízo, anjo — mordi o lábio. Sabia que não devia estar a tratando assim, tamanha intimidade já fugia de nossa realidade.
–Importa sim, — suspirou — não quero dar queixa na polícia porque Stefan me ajudou, entende? Sei que ele já fez muita merda contra mim, mas isso não impediu que ele impedisse Elijah de... Enfim, se ele não estivesse lá, teria sido muito pior. — ela encarou o chão. Mesmo que ela não verbalizasse aquilo, apenas julgando sua expressão era possível ver o quão difícil àquela conversa estava sendo. Teimosa.
–O que ele fez? — não me contive. Elena entrelaçou seus dedos um nos outros e encarou os próprios pés. Arrependi-me de ter perguntado.
–Ele não chegou a... — sacudiu a cabeça negativamente — Sim, ele me beijou e... Mas não passou disso — eu a interrompi.
–Beijou e...? — perguntei com azedume.
–Tocou em mim — estremeceu — Só...
–Como assim tocou em você, Elena? — minha voz soou mais áspera do que eu planejava. – Seja específica.
–Preciso? – encolheu os ombros. Cravei as unhas na palma de minha mão e repirei fundo; não podia descontar minha raiva em cima dela. – Escuta, acho melhor mesmo eu ir deitar, isso tudo não está me fazendo bem – cruzou os braços – Por favor, não faça nada, não por enquanto, se disser alguma coisa à polícia... – eu a interrompi.
–Não vou envolver a polícia nisso, satisfeita? – disse seco – Porém, vou deixar bem claro que isso não impede que eu resolva as coisas usando meus próprios métodos. Ok, Stefan não fica mal na história, ninguém fica sabendo o porquê de ele ter feito isso e muito menos o que você estava fazendo no Brooklyn... – deixei a isca no ar.
–Eu peguei o trem errado – me pareceu verdadeiro, mas não convincente. – Estava na casa de Matt, precisava conversar um pouco sobre algumas coisas que aconteceram e acabei saindo de lá muito tarde; admito que estava meio desorientada, quando dei por mim já estava lá... – cerrei os olhos.
–Você bebeu? Seja sincera – depois de perguntar, percebi que não tinha direito de fazer aquele tipo de pergunta. Tarde demais.
–Não estava bêbada – respondeu entrando na defensiva. Sacudi a cabeça positivamente com ironia. Antes que ela continuasse, ergui as mãos como se me rendesse.
–Tudo bem, não tenho nada a ver com isso – dei um passo para trás – Tem algo que queira me contar? – quis saber. Já sabia que ela não me daria grandes detalhes, porém...
–Posso te contar os detalhes outra hora? – pediu usando um pouco de sua manha.
–Quando você se sentir à vontade, — assenti – Tem o tempo que quiser.
–Realmente acho que isso vá levar algum tempo – sorriu fraco – Mas obrigada. De novo; dessa vez não só por ter me ajudado mesmo quando eu não queria olhar na sua cara – riu – mas também por sua paciência.
Abri um largo sorriso como resposta.
Dois meses e meio depois.
As grossas gotas de chuva mesclavam-se com o impetuoso vento que soprava contra minha janela impedindo-me de dormir. Feitos alguns cálculos mentais deduzi que não podia ser mais que três da madrugada, ótimo, disse mentalmente com amargura. Puxando a coberta junto de meu corpo, remexi-me na cama buscando uma melhor posição para desperdiçar o resto da noite. 1...2...3...4...5, contei mentalmente. Vinte sete segundos precisos depois, tornei a mudar de posição. Se já não havia perdido a conta – e o juízo, aquela era a sétima noite consecutiva que não conseguia sequer cochilar, fato que, claramente explicava, o mal humor que assombrava-me dia após dia.
Depois de respirar fundo e xingar todos os palavrões por mim conhecidos, arrastei meu corpo para longe do calor aconchegante de minha cama. Caminhei trocando os pés devido a sonolência até o banheiro e tranquei a porta. Meu reflexo no espelho era capaz de assustar qualquer um – principalmente eu mesmo. Profundas olheiras instalaram-se ao redor de meus olhos claros destacando-os de uma forma esquisita. Meus fios negros fugiam completamente de sua desordem casual tento então um ar elétrico e desleixado; lavei o rosto com água fria e separei o necessário para um escaldante banho de banheira – talvez isso sirva de distração, pensei com ironia.
Toda aquela agitação e insônia tinham nome e sobrenome: Kol Mikaelson, o novo namoradinho de Elena. Ou talvez apenas pretendente. Ou interesse romântico. Ou amigo próximo. Ou colega – de trabalho. Ou conhecido. Pouco me importava o que, de fato, ele era; o que importava é que agora ela tinha outra pessoa, ocorrência que me tirava de vez da jogada. Fiz uma carranca nada amigável para meus pensamentos enquanto rangia os dentes com a ideia. E há ainda aqueles que achavam que apenas era exagero de minha parte, conhecia Elena muito bem – talvez melhor até que si mesma, para saber que ela despertava interesse em qualquer tipo de homem.
Elena. A falta que ela me fazia não estava nem perto de caber em palavras ou fazer algum sentido para mim. Tamanha saudade devia, aos poucos, se dissipar até que nada além de boas lembranças restassem, mas, o que estava acontecendo era completamente o contrário. Vê-la com mais frequência – principalmente depois do desastroso episódio com Elijah, ter novamente um assunto para conversar sem que o foco se vire para nós, ter de volta aquela sutil liberdade brincalhona entre nós... Tudo nos levava diretamente ao início, quando tínhamos aquela amizade repleta de desconfiança e provocações que via como indispensável em minha vida. Parte de mim estava estagnada numa utopia onde eu me forçava a acreditar que, assim como nossa amizade havia se recuperado, nosso namoro também iria; acreditava que dali a um mês ou dois, estaríamos dando o segundo passo e tudo se acertaria.
Mas minha parte racional puxava-me de volta a realidade. Namorando ou não, ela tinha outra pessoa, e mesmo que ela não tivesse um interesse romântico, não significava que ela estava pronta para me conceder seu perdão e deixar que eu tente, num segunda chance, consertar os erros que havia cometido. E eu não podia me esquecer de minha filha – ou filho, mesmo tentando, não conseguia esconder o desejo de ter uma menina. Não que ela ou ele viesse a ser uma barreira entre nós, só não conseguia colocar tamanha responsabilidade em seus braços; conviver com aquilo, a meu ver, já parecia demais.
Katherine, contrariando todas as minhas expectativas, estava se mostrando paciente e compreensiva – seja lá o que disseram para ela, ou quem quer fosse, mudara completamente seu ponto de vista sobre o bebê e não pude deixar de ficar feliz com isso. De dois meses para cá, até mesmo confidente ela havia se tornado, afinal, grande parte das pessoas pelas quais costumava compartilhar os acontecimentos de minha vida continuavam me ignorando, mesmo quando Elena já havia voltado a olhar em meu rosto e conversar como se nada tivesse acontecido.
Ah, minha morena, seria pedir demais ter sua companhia de novo?
Sentia falta não só de sua companhia, mas também, principalmente, de tê-la... De chamá-la de minha. Sentia falta de ter seus longos cabelos macios cor de chocolate espalhados em meu travesseiro deixando seu cheiro adocicado em minha fronha – mesma que levou cerca de um mês para que eu deixasse alguém trocá-la, talvez aquela fosse a coisa mais próxima dela que restasse comigo na época. Seu cheiro único impregnado em minha pele e em minhas roupas mesclando-se com o meu; lembrava-me claramente de assisti-la dormindo quando vestia uma de minhas camisas que engoliam seu corpo minúsculo. Sua voz infantil e rouca repleta de manha desejando-me bom dia... Ou apenas dizendo meu nome, a simples recordação fez com que um fraco sorriso se espalhasse por meus lábios. Aquela risada contagiosa e sexy acompanhada do seu sorriso tímido – gesto que passei a reverenciar como um deus.
Inúmeras manhãs era a primeira coisa que eu via – e ouvia. Sua pele morena perto da minha formando um contraste admirável enquanto um largo sorriso repuxava seus lábios dando um novo brilho para seus olhos vibrantes. Seus dedos enroscando-se nos meus cabelos enquanto ela, preguiçosamente, apoiava-se em seus cotovelos para depositar um breve beijo em meus lábios e finalmente murmurar um manhoso bom dia. O calor de sua boca contra minha, as milhares de sensações e prazeres que tinha com aquele simples ato... Era simplesmente impossível dizer o que eu sentia mais saudades.
Deitei a cabeça e aproveitei o silêncio da noite para deixar toda aquela angustia que esgotava minhas energias, e várias vezes, me sufocava se esvair para fora de mim. Ao contrário do que costumava pensar há meses atrás, não via naquelas silenciosas lágrimas de humilhante, apenas via nelas uma maneira de expressar o quão frustrado e irritado comigo mesmo estava. Talvez, se pensasse da mesma forma há algum tempo, não estaria naquela situação fodida sem uma luz, nem mesmo de vela, no fim do túnel. O que mais eu posso fazer? Perguntei-me mentalmente repleto de raiva; não havia uma resposta mesmo que no fundo eu soubesse a resposta.
Nada adiantava eu dizer para mim tudo aquilo, ela quem precisava ouvir. Ela que precisava saber o quanto eu sentia sua falta, quanto a queria de volta, quanto estava arrependido e principalmente o quanto eu a amava. Respirei fundo como se, finalmente, conseguisse me livrar do enorme peso em minhas costas; era isso que eu precisava não só dizer a Elena, mas também admitir para mim mesmo. Eu a amava. Amava de maneira possessiva e inimaginável. Amava com tal grau de intensidade que poderia compará-la a algum tipo forte de heroína. Céus, como é bom admitir isso. Não sabia ao certo se não passava-se apenas de uma mera impressão ou se, de fato, parte da angustia alojada em meu interior sumira como um piscar de olhos.
É, eu a amava. E não era de um jeito convencional ou que possa ser considerado normal. Queria estar em sua presença por mais horas que o dia possuía, queria mimá-la e fazer todos os seus desejos, desde os mais fúteis aos grandiosos, tudo para que pudesse me deleitar de seu sorriso. Não parava por aí, sentia uma grande necessidade – talvez a mesma explicasse tamanho estresse, de protegê-la, de fazer tudo, eu não só queria, eu precisava que ela estivesse a minha frente tomando as decisões, coisa que por anos fiz. Eu a queria dominando-me por completo, e isso não se aplicava apenas a experiências sexuais; queria que ela cuidasse de mim, se importasse comigo... Ah, Elena.
Não sabia ao certo quantos minutos – ou horas – haviam se passado desde o momento em que entrara na banheira, porém tinha em mente que os mesmos já eram suficientes e haviam feito nada além do bem. Menos tenso e com as pálpebras pesadas, desobstrui a passagem da água e coloquei-me de pé com meu equilíbrio duvidoso. Uma vez enrolado na toalha felpuda, caminhei de volta ao meu quarto deixando para trás uma trilha de pegadas molhadas; escolhi a primeira calça de moletom que vi pela frente e vesti sem me dar maior trabalho de procurar uma camisa. Joguei-me na cama ainda com meus fios úmidos com meus pensamentos a mil por hora; restavam-me apenas uma hora para dormir contando com o fato de que levaria Katherine para fazer uma ultrassonografia, provavelmente para descobrir o sexo do bebê.
Também me ocorreu que desejava muito além de saber o sexo do bebê. Secretamente queria que tamanho erro fosse cometido com outra pessoa... No mesmo instante em que fechei os olhos deleitei-me de uma imagem surreal; a lembrança inexistente fruto de uma possível irresponsabilidade nossa proporcionava-me a visão de uma pequena menina cuja pele morena formava grande contraste contra minha assim como os grandes olhos azuis cinzentos destacavam-se em seu rosto. Abri um meio sorriso torto com uma falsa felicidade momentânea; sabia que aquilo não aconteceria. Afinal, a mulher que eu escolhera para ser a possível mãe de meus futuros filhos não estava mais comigo, tamanho desejo não passaria de boas doses de imaginação. Uma pena, não me restava resquícios de dúvidas de que Elena seria a melhor mãe do mundo.
(...)
–Tem certeza que não quer que eu marque essa consulta para outra hora? – perguntou Katherine com uma expressão de preocupação no rosto. – Você me parece muito cansado, e bem, a doutora disse que estava tudo bem, não acho que em dois dias isso tenha mudado... – argumentou.
–Não, não; está tudo bem – garanti. Bocejei involuntariamente e servi-me uma xícara de café sem nenhum tipo de adoçante. Quantas horas eu havia dormido? Uma? Talvez nem quinze minutos.
–Certeza? Aconteceu alguma coisa para você estar assim? – reduziu sua voz a um sussurro e empoleirou-se na cadeira mais próxima. Respirei fundo e dei meia volta buscando ficar de frente para ela. Dei um cole no líquido escuro em minha caneca e deixei a xícara sobre o balcão de mármore da cozinha.
–Às vezes não é preciso que nada aconteça para você cair na real – dei de ombros e dei alguns passos em sua direção. – Como está se sentindo? – perguntei calmamente – Ainda tem sentido muitos enjoos?
–Demais! – exclamou de maneira frustrada. – Nada para no meu estômago e ainda sim continuo engordando desenfreadamente – eu ri.
–Não desmaiou outra vez não, né? – ajeitei alguns fios desordenados de seu cabelo e sentei-me ao seu lado entregando-me ao cansaço.
–Não, mas fiquei tonta quando levantei – fez uma careta – A doutora disse que isso é normal, logo, não precisa vir com suas milhares de recomendações porque isso é chato demais, basta se meter em minha dieta – ergui uma sobrancelha.
–Fique você sabendo que só faço isso porque não te quero doente – suspirei – Stefan falou mais alguma coisa depois do estresse de segunda passada? – quis saber.
Desde que instalara Katherine no apartamento vago poucos quarteirões de distância do meu, Stefan demonstrou sua verdadeira opinião sobre nossa atual situação. Não estava com raiva só de mim, parte de mim tem certeza que se não estivesse sobre minha vigilância, à essa altura, ele já teria posto Katherine na rua para caçar seu próprio rumo. Tudo bem, pela primeira vez ele faria uma merda tendo um bom motivo por trás da mesma – não que eu concordasse com suas medidas drásticas.
–Não, se quer saber, ele está viajando – disse erguendo suas sobrancelhas – Parece que estão perto de descobrir as besteiras que ele têm feito, logo, ele fugiu para os braços da mãe na Pensilvânia. Pelo que sei, ele voltaria no inicio do mês que vem, mas Meredith disse que ontem mesmo foram no motel fazer uma vistoria para ver do que se tratava, por sorte não encontraram nada.
–Por sorte – disse com um sorriso irônico – Seria melhor para todos se achassem algo de um mês e ele fosse preso, não acha? – perguntei.
–Não, eu iria junto como cúmplice – lembrou-me choramingando.
–Porém eu pagaria um advogado para ti, em questão de semanas você estaria livre e ele pagaria por tudo que fez, a você, a Elena, a Caroline e todas as outras meninas que já passaram por lá – argumentei. –Mas esse não é o caso, Stefan é esperto demais para ser pego a essa altura do campeonato.
–Isso é verdade – comentou. — Damon, posso ser sincera? – fiz que sim com a cabeça – Estou meio indisposta, não é nada demais, juro, não chega ser um mal estar, só estou meio cansada, me sentindo pesada... – franzi o cenho – Importa-se de eu desmarcar para segunda? – mordeu o lábio inferior.
–Não, tudo bem, como quiser, talvez seja mesmo o melhor a ser feito. – apressei-me para responder – Também não estou nos meus melhores dias – admiti. – Quer que eu faça a ligação para desmarcar ou...? – perguntei. Ela negou rapidamente e sacou o celular do bolso para que fizesse o que era preciso. Deixei o café de lado e parti para o bar servindo-me uma boa dose de uísque. Sem hesitar, virei todo o conteúdo do copo em minha boca e tornei a repor o líquido. Beber de manhã não era a coisa mais sábia a se fazer, mas algo precisava compensar aquela noite mal dormida.
Derramei mais uma vez o conteúdo em minha boca e repeti o processo antes de sentar-me no sofá encarando o teto. Minhas mudanças de humor estão acabando comigo. Bufei. Como conseguira aquilo? Ao mesmo tempo estar feliz alimentado por falsas esperanças e irritado comigo mesmo por deixar-me iludir pelas mesmas falsas esperanças. Se aos vinte cinco anos já encarava daquela forma uma turbulência, não queria imaginar como lidaria com uma situação daquela aos quarenta...
–Hey – Katherine disse sentando-se ao meu lado tirando o copo com a bebida alcoólica de minhas mãos – O que houve? Aconteceu alguma coisa? – perguntou rompendo minha linha de pensamentos.
–Acontece que eu cansei disso tudo, sabe? – comecei – Posso estar errado, mas não acho que mereço esse julgamento – sua expressão era confusa – Nunca fui tão rabugento e ranzinha quanto nos últimos meses e, te pergunto: a troca de que? Elena voltou a falar comigo, mas é só, não vou conseguir recuperar a confiança dela e ainda sim fico me remoendo por isso. É deprimente – desabafei – Tem horas que me sinto aliviado por de fato saber como estou me sentindo, mas outras vejo que isso não vale de porra nenhuma, ela já tem outro e não há sombra de dúvidas que tem uma enorme fila atrás dele para no primeiro erro, tomar seu lugar. – ergui uma sobrancelha.
–Damon, quem cansou de ouvir a mesma ladainha fui eu – disse revirando os olhos – Ok, você errou, eu errei... Ela então nem se fala, algum momento você a julgou por isso? Não, pois é. Invés de gastar sua saliva para se lamentar, vá atrás dela caralho – disse com rispidez – Já te disseram que quando uma mulher diz que não é para você ir atrás é porque é exatamente o que ela quer e espera que você faça? Se toca, a Elena é o que todos os homens querem e está estampado na cara dela que gosta de ti e você está perdendo seu tempo reclamando de um dos seus empregados dar em cima dela? Se quer saber, sei dessa história muito antes de você, Kol é do tipo que não desiste, porque os foras que fiquei sabendo... – eu a interrompi.
–Ah ta, falar é muito fácil. O que você espera que eu faça? Levante do sofá, vista a melhor roupa que tenho no armário e vá atrás dela me rastejar por perdão? Não vou fazer isso Katherine – disse irritado – Não tenho a mínima vontade de levar outro fora e ouvir todos os motivos de Elena outra vez. Fiz merda e estou aguentando as consequências, ok?
–Mas você é muito idiota – enfatizou o adjetivo – Esquece isso, quem vive de passado é museu, meu querido, caso você fique se prendendo a isso, dará carta verde para que ela siga em frente sem remorso. – suspirou – Não faz essa cara, estou falando isso porque aprendi a me importar contigo, Damon. Posso estar sendo rude, mas é a verdade. Para de ser tão cabeça dura, isso está te machucando muito, dá para ver só de olhar na sua cara.
–Eu a amo, Katherine – sussurrei – Isso não seria o suficiente para que ela me perdoasse?
–Então – ela abriu um fraco sorriso – Eu que te pergunto, isso não seria um motivo para você tomar uma iniciativa? Para quantas mulheres você disse isso? – antes que eu respondesse ela deu risada – Converse com ela, se abra, diga que sente falta... Ou pelo menos diz que está disposto a começar tudo de novo e reconquistar a confiança dela. E, você pode ter certeza do seus sentimentos avassaladores – debochou – mas ela não tem. Cabe você arrumar um jeito de contar – cruzou os braços.
–Você é genial, Katherine – ri – Vou simplesmente telefonar e dizer isso. Meia hora depois, precisarei de tratamento psiquiátrico.
–Não assim, besta – cerrou os lábios – Convide-a para sair, de preferência para algum lugar que ela goste ou que signifique algo para vocês, depois, aos poucos, vai deixando isso vir à tona sem ter que ir direto ao ponto – gesticulou.
–Você é um anjo, sabia? – disse enrolando meus dedos em seus cachos.
–Ora, essa é novidade – riu alto – Não precisa ser carinhoso comigo, sei que você está carente, mas eu não sei lidar com demonstração de afeto.
Ri alto e gentilmente a puxei para meu colo abraçando-a fortemente. Depositei naquele gesto toda gratidão que sentia por ter sua companhia – e conselhos, mesmo que tortos e rudes muitas vezes. Beijei sua bochecha dei-lhe um beliscão carinhoso que lhe fez sorrir no mesmo instante.
–Obrigada – disse – Muito obrigada – sussurrei. – A essa altura já estaria fazendo vudu se não fosse sua companhia.
–Poupe-me e me agradeça depois – disse com manha – Isso é, se depois que vocês se acertarem, sobrar algum tempo para mim...
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