Million Dollar Man
16 Capítulo 16 - Past
Notas iniciais
Obrigada Ivana Cecília pela recomendação, muito obrigada mesmo ♥
Ah sim, não consegui arrumar um nome para esse capítulo, aceito sugestões!
–Verde ou azul? – perguntou April segurando cada vestido em uma mão.
–Hmm, azul – pausa – April, estamos em pleno inverno e não vejo como você usar isso na Suíça.
–Mas se surgir alguma oportunidade e eu não tiver levado, vou reclamar – suspirou. Ela estava certa.
Ajudei-a dobrar a maior parte das roupas e as acomodei dentro de uma enorme mala alaranjada. O que fora descartado deixei que ela colocasse em seus devidos lugares no guarda roupa. Arrumei meus pertences no canto ao lado da cômoda e em seguida joguei-me na enorme cama encarando o teto.
Observei April continuar seu trabalho de limpeza e deixei que meus pensamentos vagassem em coisas sem sentido. Por um breve momento consegui visualizar nossa viagem de modo alegre, mesmo tento quase certeza de que não iria, gostava de fantasiar bons momentos.
E é claro que Damon estava de volta me assombrando como um fantasma em minhas memórias. O calor por sua presença – mesmo apenas em pensamento — invadiu meu corpo dilatando minhas veias e aumentando minha pulsação. Respirei fundo e fechei os olhos na tentativa de controlar-me. Não podia agir feito uma idiota durante o jantar, teria gente demais assistindo.
–Vou descer – pausa – pretende ficar aqui no quarto ou vai comigo?
–Vou com você – sussurrei.
Acompanhei-a pelos corredores a passos lentos. O murmúrio de vozes no primeiro andar crescia à medida que nos aproximávamos da escada. Encarei o chão e tentei agir naturalmente não querendo parecer uma adolescente sofrendo de paixonite aguda – mesmo que essa fosse a realidade.
–Já estava subindo para chamar vocês – uma voz extremamente conhecida e rouca fez com que eu erguesse os olhos.
Damon inclinou-se para beijar a bochecha de April e depois lhe dar um beliscão no braço como qualquer criança em seus cinco anos faria. Ela reclamou e revidou com um soco que foi facilmente desviado.
Em seguida seus olhos pousaram em meu rosto. Cerrei os lábios reprimindo um sorriso que repuxava meus lábios. Cruzei os braços e voltei a olhar para o chão. Sua risada fez com que os cabelos de minha nuca de eriçassem. Respirei fundo ouvindo-o se aproximar.
Ele depositou um rápido beijo em minha testa despreocupadamente e abriu um sorriso torto. April lançou-me um olhar malicioso e desceu as escadas de dois em dois degraus. Segurei minhas próprias mãos e finquei minhas unhas em mim mesma numa tentativa de aliviar a tensão.
–Liguei para sua mãe – começou – minha intenção era ter uma longa conversa, só avisar que iria lá para conversar com ela. – minha expressão se alterou bruscamente. Pelo começo, já podia jurar que coisa boa não era. – Miranda esclareceu tudo que eu precisava saber, e a boa notícia é que nós podemos viajar tranquilamente na sexta. – franzi o cenho. Damon gesticulou para que eu esperasse e só então continuou:
–Porém, — óbvio que teria um porém, nada seria tão fácil – existe algumas coisas que você deveria saber. Miranda pediu para que eu conversasse com você e lhe contasse, mas não sei bem como fazer isso. – admitiu.
–Fala de uma vez – disse seca.
–Não é bem assim, Elena – ele suavizou sua voz. – Primeiro vamos jantar e rir das piadas ruins de meu pai, depois nós conversamos.
–Pelo menos me adianta alguma coisa – ergui uma sobrancelha. Caso ele quisesse ter um jantar tranqüilo e descontraído ele guardaria o anuncio da notícia para depois. – É sobre o que?
–Você. Sua mãe. E Matt – fechou a cara ao pronunciar seu nome.
–O que Matt tem a ver comigo e com Isobel? – quis saber.
–Ele é outro assunto – respondeu com desdém.
–Aconteceu alguma coisa? – até onde eu recordava, Damon gostava de Matt.
–Muita coisa. – disse e fez uma careta.
Ótimo. Conhecia-o muito bem para deduzir que eu não ficaria sabendo nem da sexta parte. Às vezes, sua proteção exagerada me dava nos nervos. Soltei um suspiro e avancei em direção a escada. Já teria muito que pensar, pouparia meu consciente para uma longa madrugada.
–Sem mesa de jantar, isso é formal demais – Robert, pai de Damon, disse ajudando a empregada levar tudo de volta para a cozinha.
Eu ri junto com April e Edna que estavam sentadas prestes a arrumar seus pratos quando Robert tomou sua decisão repentina. Adiantei-me o ajudando a levar o jantar de volta a cozinha. Quando terminado, sentei-me ao lado de April mantendo as mãos em meu colo.
–O que foi? – April perguntou num sussurro.
–Estou sem fome – suspirei.
–O que aconteceu? – cruzou os braços.
–Nada – franzi o cenho. Ainda.
Damon fechou a cara e se sentou ao meu lado. E não via um lugar melhor para que ele se sentasse, ter April ao meu lado já era o suficiente, os dois me controlando e regulando não funcionaria muito bem. Encarei a mesa criando uma bolha ao meu redor.
Obviamente fui obrigada a comer. Esperei que o jantar se tornasse algo agradável, mas não aconteceu, pelo menos para mim. A cada minuto que se passava, minha agonia crescia junto com minha ansiedade deixando-me extremamente tensa, o que já era perceptível.
Por várias vezes Damon analisou minha expressão e xingou-se baixo amaldiçoando sua precipitação. Não o culpava, estava fazendo o mesmo mentalmente. Independente da notícia preferia recebê-la sem um aviso prévio, isso era sofrer em dobro.
–Vou para o quarto – April anunciou arrastando a cadeira causando um som horrível contra o chão. – Tem certeza de que não vai comer nada?
Apenas assenti e levantei-me. Damon segurou-me por meu braço e me puxou de volta.
–Você fica. Primeiro que você não vai dormir sem comer nada, segundo que eu disse que conversaria com você depois do jantar – lembrou-me.
–Eu sei – resmunguei.
Sem dizer mais nada, fui arrastada até a enorme sala de estar. Sentei-me de maneira educada no sofá e cruzei os braços e observei enquanto Damon voltava a cozinha Deus sabe para fazer o que. Revirei os olhos impaciente e comecei a sacudir minhas pernas num ato de nervosismo.
Quando voltou, trazia uma tigela cheia de morangos e um copo com algum suco. Revirei os olhos e virei o rosto para encarar o chão. Ele sentou-se ao meu lado e colocou a tigela e o copo sobre a mesa de centro. Antes que ele se pronunciasse, disse:
–Como eu vou poder viajar, Damon? – perguntei num sussurro.
–Você – pausa – não faz perguntas – ele apontou o indicador para mim – vou tentar explicar da melhor maneira possível, mas eu preciso que você guarde suas perguntas para sua mãe.
Não respondi, apenas respirei fundo e ergui minha cabeça procurando sustentar seu olhar.
–Você não precisa de visto para viajar para Europa – murmurou. Tentei fazer o que ele pediu e manter o silêncio. Sua respiração tornou-se mais pesada – Antes de ter essa conversa, quero ouvir uma coisa de você.
–O que?
–Da ultima vez que sua família contou para você sobre o passado de sua mãe você saiu de casa e começou a se drogar e se prostituir, sei que não é assim tão literal, mas... – suspirou – Promete que não vai fazer nenhuma besteira?
–Prometo – respondi sem pensar suas vezes.
–E quando eu disse besteira inclui crises existenciais e de choro no meio – pausa – Você sabe que se precisar, pode conversar comigo, não sabe?
–Não precisa refazer todo o seu discurso, — suavizei minha voz.
–Isobel não era americana, Elena – se não fosse a proximidade não seria capaz de ouvir sua voz. Senti minha boca se abrir de surpresa. Minha pulsação aumentou seu ritmo juntamente com minha respiração. – Por isso você não conhece ninguém da família dela, por isso você não precisa se preocupar quanto ao seu visto para viajar.
–Mas... – tive que pigarrear para limpar a garganta. – Eu, não – nada fazia sentido em minha cabeça. As palavras de Damon pareciam estar girando fora de sincronia atrapalhando meu cérebro a funcionar.
–Lembro que uma vez você disse que ela fez coisas certas, mas talvez ela tenha feito – ele suspirou – até onde eu sei – ele ergueu uma sobrancelha alertando-me que perguntas seriam em vão – ela veio para estudar, terminar seu ensino médio e entrar para a NYU.
Ouvir aquilo poderia ser comparado como uma tapa na cara. Não sabia como reagir ou o que sentir. Por inúmeras vezes a julguei dizendo que fazia o que fazia porque gostava e naquele momento não sabia se deveria ter raiva de John, Miranda e Grayson por ter escondido aquilo de mim ou se deveria sentir-me culpada por meus próprios conceitos sobre Isobel.
–Antes que você me pergunte, ela nasceu no sul da França. – ele começou a acariciar meu rosto lentamente enquanto falava – portanto, perante a lei, você é livre para conhecer todo continente europeu por sua descendência.
Não conseguia dizer nada. O estado de choque se misturou com uma sensação desconhecida de saudade e nostalgia. Queria que fosse possível abraçá-la e pedir desculpas por tudo que já havia dito e feito sobre ela. Tentar colocar-me no lugar de sua mãe – minha avó – que perdeu a filha sem ter noção do que se passava não ajudou meu emocional a se estabilizar.
Meus olhos se umedeceram. Eu não queria chorar. Não na frente de Damon. Não queria que ele pensasse que aquilo se tratava de uma crise existencial ou de choro, era apenas culpa e saudade, algo que teria de digerir sozinha. Engoli seco e funguei.
–Elena? – Damon chamou meu nome.
–Hm? – ainda evitava fazer contado visual.
–Olha para mim – sussurrou.
–Não – sussurrei. Sabia que se o fizesse, meu controle seria jogado pelos ares.
O silêncio instalou-se entre nós. Uma vez ou outra o som de nossa respiração irregular preenchia o vazio sonoro. Invés de guardar a emoção para depois, deixei que algumas lágrimas rolassem permanecendo em completo silêncio.
Minhas próprias palavras pareciam chicotes açoitando-me em minha memória. O resquício de raiva que sentia da mulher que me dera a vida se dissipou dando lugar a uma imensidão de ternura que causava uma estranha dor no peito. Solucei e enxuguei meu rosto com as costas de minhas mãos.
–Quer um copo d’água? – Damon perguntou numa voz monótona, porém carinhosa.
Assenti.
Assim que ele se levantou, estiquei-me e peguei a tigela de morangos no intuito de me distrair. A fruta estava deliciosa, doce e suculenta, caiu muito bem em meu estomago vazio. Respirei fundo algumas vezes e cerrei os lábios encarando o sofá.
–Está tudo bem? – Damon perguntou entregando-me o copo com água.
–Aham – disse e dei um grande gole.
–Certeza? – ergueu uma sobrancelha.
–Sim – disse com mais firmeza.
–Não estou perguntando só pelo que eu acabei de te contar – pausa – Estou perguntando no geral, os acontecimentos de ontem e...
–Não lembraria que é tão recente se você não mencionasse agora – suspirei.
Ele abriu um sorriso tímido.
–April vai gostar de saber que não será necessário adiar a viagem – acrescentou.
–Vou gostar de saber o que? – ouvi sua voz vinda da cozinha.
–Ouvir conversa alheia é falta de respeito, ninguém te ensinou isso? – Damon franziu o cenho.
Ela andou animada em nossa direção com um copo do mesmo líquido que continha no que Damon trouxera para mim. Sua expressão sofreu uma brusca mudança ou olhar para mim. Apressei-me para secar meu rosto.
–O que você fez? – ela não falava comigo.
–Eu? – Damon pareceu surpreso. Eu ri.
–April, está tudo bem – sussurrei.
–Olhe para si mesma – ergueu uma sobrancelha.
–Estou tão mal assim? – fingi estar ofendida.
–Depende do que você considera mal – disse enquanto se jogava no sofá ao lado de Damon. – Pretende ficar até que horas? – perguntou ao irmão.
–Não sei, talvez eu durma por aqui – deu de ombros.
Ah, puta merda.
–Estava pensando se vocês não querem assistir um filme comigo – fez uma careta – não curto fazer essas coisas sozinha.
–Por mim tudo bem – falei com a boca cheia.
–Não sei, vocês duas são muito mal educadas, não costumo andar com gente desse nível.
–Cala a boca – April disse por mim.
–Gosto de estressar vocês – Damon riu.
–Que filme vamos assistir? – perguntei.
–Entrevista Com Um Vampiro – abriu um sorriso largo.
–De novo? – Damon resmungou.
–Já decorei as falas – fiz uma careta.
–E não vai deixar de ser bom por causa disso – replicou.
–Na verdade, vai sim – objetivei – não agüento mais, sempre que vou assistir um filme com Jeremy eu me lembro da vez em que assistimos esse filme e... Melhor não.
–O que houve? – quis saber.
–Primeiro a TV deu problema e tivemos que nos virar para consertar, quando fomos assistir de novo Margareth fez o favor de puxar o fio do aparelho de DVD e jogar tudo no chão porque queria assistir desenho – ergui uma sobrancelha – a lista de memórias ruins relacionadas a esse filme é interminável.
–Ok – April suspirou. – Já que não vamos assistir ao filme, posso saber o que eu gostaria de saber? – se não a conhecesse tão bem, poderia até acreditar que existia um interesse em assistir o filme.
–Não vamos precisar desmarcar a viagem – eu mesma disse.
–Sério? – seus olhos azuis brilharam. Assenti dando-lhe a confirmação.
–E eu vou dar um aviso prévio, sou o único maior de idade, portanto sou o responsável de vocês – pausa – se não me obedecerem, vão voltar no meio do caminho.
–Não me dê uma surra, mas eu tomei liberdade de arrumar sua mala – April disse ignorando-o completamente.
–Você realmente merecesse uma surra – arqueei uma sobrancelha.
–Não queria que você arrumasse uma desculpa em cima da hora para não ir – sua expressão podia ser comparada a de um gato manhoso – desculpa.
–Ok – suspirei. – Não tem problema? Espero que não tenha — eu ri.
–Você não tem problema com roupas, tudo fica bem em você – revirou os olhos – Esse é o mal de ser bonita.
–Minha beleza se resume a roupas vulgares e indecentes – ergui uma sobrancelha.
–Não diga isso – Damon alertou-me com uma expressão séria.
–É a verdade, Damon – revirei os olhos.
–Óbvio que não é. – respirou fundo antes de continuar – Você não se vê dormindo, toda encolhida abraçada com o cobertor, muito menos se vê enquanto está lendo desesperadamente um livro com os olhos brilhantes tentando deduzir o desfecho da história. – suas mãos acariciavam minhas bochechas num ritmo lento – Você não pode ver seu rosto quando olha para alguém que realmente se importa e duvido que você já tenha experimentado se olhar no espelho quando sorrindo por motivos reais de felicidade. E devo acrescentar nenhuma dessas vezes você estava usando uma roupa vulgar ou indecente. E muito menos usando maquiagem.
–E com isso, eu vou me retirando – April disse e colocou-se de pé se adiantando para sair da sala.
–April – disse segurando seu braço.
–Vá dormir – Damon a empurrou e fez uma careta enquanto gesticulava para que ela saísse. – Para começar ninguém te chamou aqui.
–Não era minha intenção interromper – ela reclamou e deu uma longa pausa – Na verdade, era sim.
–Sim, já havia percebido isso – ele abriu um sorriso duro – Estou dando a você a oportunidade de sair antes que eu faça você sair.
–Aproveitem – ela deu de ombros com um sorriso malicioso no rosto antes de sair da sala.
–Como você consegue ser amiga dela? – Damon perguntou fazendo uma careta.
–Como você pode ser irmão dela? – perguntei incrédula.
Ele riu e ajeitou-se no sofá terminando com a cabeça em meu colo. Tentei não parecer surpresa e agir normalmente, mas meu coração dava saltos fugindo de seu ritmo deixando-me mais ruborizada do que já estava.
–O que você tem para me falar sobre Matt? – perguntei depois de checar que April estava longe o suficiente para não ouvir.
–Importa-se de eu lhe contar isso outro dia? – fez uma careta.
–Por quê? – franzi o cenho.
–Porque eu não quero falar sobre isso agora – murmurou.
–Hm, está bem – dependendo o que fosse, nem eu estava querendo saber (no momento).
Sem ao menos perceber, levei a mão em seus cabelos e comecei a afagá-los lentamente. Um arrepio desceu por minha espinha assim que percebi a naturalidade com que fiz aquilo. Desviei o olhar e continuei a sentir seus fios macios fazendo cócegas na palma de minha mão.
–Stefan me ligou hoje – Damon comentou, sua voz parecia distante.
–Stefan? – deixei que a surpresa fosse expressa em minha voz.
–Queria falar com você – ele riu.
–Não tenho o que falar com ele. – disse com azedume.
–Não tenho certeza – pausa – Talvez você deva esclarecer para ele, a distância, que não quer mais ficar sendo usada como um brinquedo.
–Tenho medo de ele acabar descobrindo onde eu estou e... – suspirei.
–Ele não vai vir atrás de você – seu tom expressava convicção.
–Se eu fosse você não teria tanta certeza – repliquei.
–Conversei com ele, Elena – suspirou – se quiser, pode ir para Coney Island ou até mesmo para aquele motel imundo, ele não vai forçar você a fazer nada.
–Prometi que não iria para lá – sussurrei.
–Prometeu, mas estou dizendo que pode ir – ele sorriu.
–E quem é você para me dizer o que eu posso ou não posso fazer? – revirei os olhos.
–Minha resposta, com certeza, não vai lhe agradar – disse como desculpa.
–Quando é que suas respostas me agradam? – ergui uma sobrancelha.
–Quando é que você não discute comigo? – fechou a cara.
–Quando é que você não me dá motivos para isso? – argumentei.
–Quando é que você não vê motivos onde não tem? – arqueou uma sobrancelha.
–Eu vejo motivos onde não tem? – fechei a cara.
–Sim – cerrou os lábios.
–Dê-me um exemplo, Sr. Salvatore – disse com petulância. Damon mordeu o lábio fortemente.
–Gostaria que você não me chamasse assim se não quisesse conhecer o lado de mim que provavelmente não irá gostar – abriu um sorriso duro.
–Não sabia que gostava de algum – minha voz entregava minha ironia.
Ele riu descaradamente.
–Você mente muito, muito, muito mal.
Não respondi. Sabia muito bem disso.
Continuei a afagar seus cabelos percebendo os minutos voarem. Nenhum de nós dois se mexeu por um longo período de tempo. Não via mais motivos para desviar o olhar, apenas permiti-me admirar seu rosto com a expressão serena.
–Damon?
–Hm?
–April está sozinha lá, e eu vim para ficar com ela – disse rindo de minhas próprias palavras.
–E eu tenho que ir embora – suspirou.
–Achei que fosse ficar – mordi o lábio.
–Eu poderia, mas... – abriu um sorriso malicioso – não.
–Perguntaria o porquê, mas... – ergui uma sobrancelha – não.
Ele se levantou silenciosamente, recolheu os copos e a tigela vazia e as levou até a cozinha. Coloquei-me de pé e arrumei o lugar onde estava sentada procurando não deixar absolutamente nada fora do lugar.
Quando voltou, carregava seu casaco pesado. Arrumei meu cabelo e cruzei os braços. Damon abriu um meio sorriso cafajeste e veio em minha direção.
–Devo me certificar que você realmente esteja na cama antes de sair ou posso confiar? – perguntou sinicamente.
–Procure uma coisa melhor para fazer, esse é o meu conselho – disse com deboche.
Ele riu e inclinou-se para dar um demorado beijo em minha bochecha. Fechei os olhos e o abracei deixando a insegurança de lado. Seu perfume invadiu minhas narinas despertando instintos primitivos e desconhecidos em diversas áreas de meu corpo.
Suas mãos afagavam meus cabelos sem deixar que eu me afastasse. Seus lábios roçaram contra minha testa antes de dar outro breve beijo. Abri os olhos e deparei-me com os dele olhando com uma intensidade desconhecida para meu rosto.
Um sorriso tímido brincou em meus lábios enquanto minhas bochechas ganharam um rubor forte. Afastei-me e dei um passo para trás em direção a escada.
–Boa noite – sussurrei.
–Se cuida, Anjo – disse com um sorriso nos lábios.
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