Million Dollar Man

28 Capítulo 28 - Nothing Left


Notas iniciais
Cheguei! Estava >muito< ansiosa para postar esse capítulo e espero, de coração, que vocês gostem!
Link da música que está no capítulo: http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=Z7_FzFRuen0

–Damon? – chamei enquanto observava-o se vestir após um longo banho. Segundos depois, resmungou algo ininteligível em resposta. – Você tem alguma coisa para me contar? – arqueei minha sobrancelha.

–Hm? – se fez de desentendido – Não – sua expressão vacilou. Suspirei alto e cruzei os braços enquanto encarava ao teto contando de um à dez mentalmente terapia que segundo os mais velhos trazia paciência. Não estava funcionando.

–Bom, acho que vou ter que descobrir sozinha – sussurrei dando de ombros.

–Por que achas que estou escondendo algo de ti? – quis saber.

– Vários motivos – fiz uma careta ao me lembrar da breve visita de Katherine – O principal deles se baseia no fato de que te conheço muito bem, Damon. E digamos que você tende a ficar mais nervoso quando esconde algo... Ou mente. Também percebi que Edna anda muito irritada contigo. – dei uma longa pausa – O que houve? Tem algo que te impeça de me contar? – esperei que ele dissesse algo, mas o silêncio se arrastou por um longo momento. – Achei que as evasivas tivessem ficado para trás no início de nossa amizade.

–É complicado – murmurou.

–Ok, agora eu prevejo uma história interessante – desse com a voz carregada de ironia. Sentei-me na cama e cruzei as pernas esperando uma explicação do que era complicado e o porquê de ser complicado.

–Está vendo? Você já está com raiva de mim antes mesmo de saber a história – passou a mão por seus cabelos desgrenhados expondo seu nervosismo.

–Talvez porque eu não goste da idéia de você escondendo as coisas de mim – respirei fundo – Mas... Tudo bem. Você não tem a obrigação de me contar nada, só estava confirmando mesmo minhas suspeitas. – deixei a isca no ar.

–Que suspeitas? – arregalou seu par de olhos azuis. Sua reação o entregada, de fato havia algo.

–Não vem ao caso agora – desconversei. Coloquei-me de pé e caminhei até o guarda roupas onde separei cuidadosamente a roupa que usaria após o banho.

Esperei que ele aproveitasse minha deixa e saísse do quarto, porém, invés disso, passou a caminhar em círculos como alguém disposto a furar um buraco no chão. Continuei fingindo que não dava atenção mantendo o foco na pilha de roupas a minha frente.

–Aonde você vai? – perguntou parando repentinamente.

–Para a faculdade – respondi como se já não fosse óbvio.

–Pode faltar hoje? Assim podemos conversar e esclarecer essa situação toda se quer mesmo saber.

–Sem chances. – disse de imediato – não gosto de perder aulas. E não venha você jogar a responsabilidade para cima de mim, você conta se quiser e não use o tempo como desculpa, se quer uma dica, quanto antes você começar, mais rápido isso termina.

–Fala isso com se fosse a coisa mais fácil do mundo – riu sem sinal de humor – Achei que contar para minha mãe ajudaria um pouco minha situação, e advinha só, a única coisa que ela fez foi jogar na minha cara que eu estava errado e a única preocupação dela era contigo – suspirou – Não me leve a mal, só não quero todos contra mim agora.

–Por que acha que vou estar contra ti? – suavizei minha voz – Nesses meses que nós passamos junto te apoiei em tudo que fizeste, porque essa desconfiança toda agora?

–Não é desconfiança, anjo – suspirou – Sei que estou errado e sei também que assim que eu terminar de te contar a primeira coisa que vai acontecer é você sair correndo por essa porta na primeira oportunidade que tiver. – um tremor desagradável sacudiu meu corpo.

–Damon, posso te fazer uma pergunta? Dependendo de sua resposta nem sequer quero ouvir o resto da história – pedi. Assentiu com a cabeça. – Katherine tem alguma coisa a ver com você agindo estranho desse jeito? – minha voz falhou. Não houve uma resposta imediata o que foi o suficiente para que eu juntasse as peças. Continuei:

–Ok, não precisa me dizer mais nada, até porque eu não quero saber – disse ríspida – Vou tomar um banho.

–Escuta, ela tem sim a ver com isso, mas eu quero que você saiba que não foi minha culpa, eu estava bêbado e... – começou a gritar de maneira desesperada. Parei no meio do caminho até o banheiro e o encarei perplexa.

–E Edna tem razão de estar contra ti, não acha? – mantive minha voz numa falsa calmaria. – E se tu queres saber, assim que nós começamos namorar ela me disse que tinha medo de que você me magoasse assim como fez com Charlotte – abri um sorriso duro – Ela pode não saber o quão profundo seu relacionamento com Katherine é, mas eu sei. E justamente por saber disso que eu me recuso a ouvir uma palavra a mais sobre isso.

–Eu não tenho um relacionamento com ela! Porra, Elena, minha namorada é você, achei que tinha deixado isso claro para ti quando disse que não te trocaria por ela ou por qualquer outra mulher. Abri mão de mil e uma coisas só porque você não era de acordo e eu cometo um deslize e é isso que recebo? – continuou a gritar

–Espera aí – gesticulei – Primeiro fala baixo comigo, eu já disse e repito, odeio que gritem comigo e estou bem ao seu lado; não tenho nenhum problema de audição. Além do mais, Dorothea ou qualquer um dos seus empregados não precisam saber de nada discutido aqui, entendeu? – respirei fundo. – Então para você eu ser sua namorada significa apenas você não ter outra mulher? – ri com deboche. Aquilo havia jogado um balde d’água gelada em cima de mim e de todos os momentos por nós vividos – Você abrir mão do poder que tinha na cama e de seus objetos sexuais é o máximo que você pode fazer por alguém, Damon? – perguntei seca. Antes que ele respondesse, continuei – Bom saber disso, e não precisa jogar na minha cara, não pedi que você fizesse isso.

–Achei que isso significasse alguma coisa para você – ouvindo o que eu havia dito, ele abaixou seu tom de voz. – Achei que mudar e deixar aquelas coisas de lado te fizesse sentir bem.

–E eu achei que você fizesse isso por livre espontânea vontade, sabe... Sinceramente – bufei – Estamos discutindo, coisa que nós não fazemos a meses e veja só, você nem começou a contar o que houve entre você e Katherine – dei de ombros – Não quero brigar, muito menos quero me atrasar para a faculdade, agora se você me dá licença, vou tomar meu banho. Amanhã quando eu estiver menos estressada, nós conversamos sobre o que houve.

–Não, não dou licença, agora você trate de ficar aqui. – pausa – Primeiro, escute tudo que eu tenho para falar, depois você tem todo o direito do mundo de me odiar, mas, por favor, deixe que eu termine de falar.

Eu o encarei sem nada dizer. Parte de mim não queria saber de nada, talvez se Katherine não tivesse aparecido e jogado as cartas na mesa naquele momento estaria tranqüila mesmo que a situação ainda me incomodasse. Outra parte estava em contraditória, não só queria saber daquilo, mas também via aquilo como uma necessidade. Passei a mão por meu cabelo e respirei fundo sabendo que os minutos que estariam por vir sugariam toda minha já escassa paciência.

Tentei relaxar os músculos de meu corpo após minutos e mais minutos seguidos de um silencio enlouquecedor. Se invés de fazer tamanho suspense ele simplesmente minha reação poderia ser um pouquinho melhor, pensei comigo mesma. Finalmente, Damon sentou-se ao meu lado mesmo que ainda mantendo certa distância.

–Até o final, depois... – eu o interrompi.

–Damon, fala o que você tem que dizer uma vez – repliquei irritada – Todo esse seu drama só está servindo para me deixar mais nervosa, o que claramente piora o seu lado, se adiante, prometo que não vou interromper.

–Você se lembra do dia em que meu pai voltou de viagem e nos tivemos aquela briga por conta de nossas opiniões contrárias ao futuro de April na empresa? – Ah, meu Senhor, a história seria longa e minha paciência era curta. Fiz que sim com a cabeça num movimento rápido – Depois, saí para esfriar a cabeça e acabei indo parar em Coney Island – meu rosto se aqueceu devido minha raiva, mas como havia prometido, não proferi uma palavra – Stefan e eu...Nós conversamos bastante, digamos até que demos uma trégua em nossa briga e saímos para beber – encarei o vazio cruzando os dedos mentalmente para que minha expressão não entregasse o que sentia – Bem, quando voltamos, admito que não me orgulho em dizer que bebi demais e estava o mais longe possível de alguém sóbrio, então devo adiantar que minha memória é falha... – suspirei sacudindo a cabeça positivamente – Certo momento, Stefan me deixou sozinho com Katherine em sua casa e saiu para resolver as coisas no bordel, você sabe como funciona, não preciso dizer – fiz uma careta com a lembrança sombria – Não vou depositar a culpa toda em cima dela, mas ela é quem começou, se insinuou para mim e... – Damon abaixou a cabeça demonstrando-se muito envergonhado – Nos transamos, mas eu juro que foi...

–Chega! – gesticulei – Eu não quero ouvir mais nada. – Minha cabeça estava mil por hora. Coloquei-me de pé e passei a andar de um lado para o outro assim como ele havia feito minutos antes. Não sabia ao certo o que dizer ou sequer o que fazer, trinquei os dentes e reprimi as lágrimas que causavam ardência em meus olhos.

Eu simplesmente depositara toda minha confiança nele e era esse o troco, parabéns, Elena! Este era o preço por se apegar rápido demais. Havia tantos outros deslizes como ele mesmo chamara que ele poderia cometer, tinha que ser justo o único por mim considerado como imperdoável? Aquilo só podia ser um pesadelo. Tinha que ser um pesadelo, e eu precisava mais do que tudo acordar.

–Elena – Damon correu a mão por seus cabelos negros e fitou-me. Instantaneamente, virei o rosto evitando qualquer contado visual, não sabia se resistiria por mais tempo antes de me entregar ao choro caso visse seus brilhantes olhos azuis. – Sei que eu errei, ok? E no momento não há ninguém se sentindo pior do que... – antes que ele terminasse, eu o interrompi.

–Tem certeza? – perguntei com ironia. – Que engraçado.

–Me escuta, porra! – berrou – Tem mais uma coisa que você precisa saber. – senti o sangue congelar em minhas veias.

–Mais? – minha voz falhou. – Ainda tem mais, Damon? – uma teimosa lágrima escorreu por meu rosto – Confio em ti, passo meses feliz como se tudo estivesse a mil maravilhas, descubro que você me traiu e você me diz que tem mais?!

–Katherine está grávida – sua voz era um mero sussurro.

Meu mundo simplesmente desabou. Sentei-me na cama e levei as mãos ao meu rosto. De fato, aquele era o fim e não conseguia ver modos para concertá-lo. Senti os olhos de Damon em meu rosto, mas continuei com meu doloroso silêncio mesmo que a vontade de gritar crescesse de maneira incontrolada. Grávida. Era muito mais do que eu poderia aguentar.

–Me perdoe, Elena, por favor, juro que eu não queria isso – despejou as palavras rapidamente – Foi uma vez só, nós mesmo já descuidamos várias vezes e isso não aconteceu, não podia imaginar que teria que me sentir culpado duas vezes... Elena, fala alguma coisa, olha para mim – Damon tentou pegar meu rosto, mas esquivei-me. – Não faz isso, não piora ainda mais o que estou sentindo...

–O que você está sentindo? – ri com ironia – Porque você é tão egocêntrico? É só você que importa? Você quem me trai e eu que tenho que ter piedade de você? Que tenho que entender você? Faça-me um favor, Damon – minha vista embaçada informou-me que as lágrimas acumuladas em meus canais lacrimais haviam transbordado – Não sei como você é capaz de me pedir perdão um minuto depois de me contar que você vai ter um filho com outra mulher? – minha voz soou falha.

–Eu não queria que... – gesticulei para que ele parasse.

–O fato de você não querer não muda o que aconteceu! – gritei sendo vencida pela raiva – Poderiam ter sido uma, duas, três ou cem vezes, não muda o fato de que você me traiu, Damon, e nem ouse me pedir perdão porque não vou engolir isso – respirei fundo e, ignorando a dor em minha garganta, continuei: — Invés de se lamentar porque você não simplesmente volta atrás e vai ser feliz? – questionei – Até onde eu sei, ela gosta do jeito que a trata na cama, seria algo a menos a abrir mão, não é mesmo? E não se sinta culpado, não use a gravidez como desculpa para isso, essa criança é única coisa certa no meio disso tudo – minha voz de reduziu a um sussurro – Aproveite, se ajoelhe e agradeça a Deus por ela estar de dando um filho Damon, muita gente queria estar no lugar de vocês dois e infelizmente não pode – não queria levar aquela discussão à diante. Não teria estruturas emocionais para aquilo.

–Sim, mas... – suspirou – Não vejo a criança como um mal, Elena, não foi isso que eu quis dizer, acredite, eu quero sim ser pai – senti um doloroso aperto em meu coração – só não queria isso agora, muito menos com ela. Preferia que isso acontecesse daqui a alguns anos, de preferência quando nós estivéssemos casados e...

Our candle burns away, the ashes full of lies I gave my soul to you and you cut me from behind. Nowhere to run and nowhere to hide your scared of the truth, I'm tired of the lies cause who I am is where you want to be”

–Nem tudo é do jeito que a gente quer, não é mesmo? – chorei – Por favor, agora chega – pigarreei. – Escutei tudo que você tinha que falar, ouvi seu pedido de desculpas, ouvi sua explicação e acho que não preciso repetir minha opinião diante disso. – enxuguei as lágrimas de meu rosto – Vou tomar um banho e vou arrumar minhas coisas – dei de ombros.

–Você está indo embora? – perguntou usando sua expressão angelical. Um nó de formou em minha garganta.

Don't act like an angel you've fallen again. You’re no superhero, I’ve found in the end, so lie to me once again and tell me everything will be alright, lie to me once again and ask yourself before we say good bye…”

–Não – mordi meu lábio – Vou ajeitar as coisas para ir para a faculdade – dei uma pausa desnecessária – Mas, não precisa me esperar acordado, porque não vou voltar – suspirei – Amanhã vejo o que eu faço para pegar minhas coisas.

–Não quer pensar? Eu faço o que quiser, mas por favor, — avançou em passos largos em minha direção – Preciso tanto de ti aqui comigo, ainda mais depois de tudo que aconteceu, entendo sua raiva, mas...

–Não, não quero pensar – funguei – Quero ficar sozinha, quero a maior distância possível de ti, e se preferir, procuro outro emprego – murmurei.

“…Well goodbye…Was it worth it in the end?”

–Não, não, claro que não, não quero misturar nossa vida pessoal com trabalho, tudo que disse ainda está de pé – apressou-se em dizer. Apenas assenti.

–Obrigada – foi o máximo que consegui dizer. Apanhei as roupas que havia separado e segui para o banheiro dando adeus ao meu autocontrole. Aquilo não podia estar acontecendo.

You said you were there for me, you wouldn't let me fall, all the times I shared with you, were you even there at all?”

Arranquei as roupas com a maior pressa sem me machucar e entre sob a água fria libertando-me de toda aquela tensão. A pergunta que ecoava em minha cabeça: Por quê? Por que naquele momento? Justamente quando tudo parecia ter encontrado seus eixos... Logo quando tudo pela primeira vez estava dando certo para mim, não podia ser verdade, eu lutava com todas as minhas forças para não aceitar aquilo.

Um filho. Eu não poderia competir com ela, muito menos depois de ouvi-lo dizer que queria ser pai. Quem era para lhe arrancar aquele sonho? Bastava que eu sofresse com aquela deficiência minha, mesmo errado não podia deixar de desejar que ele fosse feliz com algo que eu nunca poderia dá-lo. “... de preferência quando nós estivéssemos casados e” Nós. Aquilo poderia ter saído de boca para fora, mas valeu mais que meio mundo para mim. O simples fatos de saber que ele, em algum momento, fez planos futuros para nós fazia tudo valer a pena.

I want to close my eyes and make believe that I never found you, just when I put my guard away it's the same old story. You left me broken and betrayed…It's the same old story. Don't act like an angel you've fallen again, you’re no superhero, I've found in the end, so lie to me once again and tell me everything will be alright. Lie to me once again and ask yourself before we say goodbye. Well…goodbye, was it worth it in the end? ”

Toda aquela paixão que preenchia meu peito deu lugar a um ódio sem tamanho. Como era possível alguém lhe mostrar todo o lado bom da vida... Mostrar-lhe como se desfrutar cada momento, e depois, em questão de segundos, simplesmente arrancar tudo a felicidade que lhe proporcionou? Com meras palavras destroçar algo que cresceu dia após dia com pitadas doces de gestos e carinhos? Como alguém poderia ser tão egoísta àquele ponto? Eu não queria uma resposta.

Perdi a conta de quantas horas passei sob o conforto da ducha gelada, meus dedos já estavam repletos de rugas quando comecei a lavar meus fios ensopados. Assim que terminei, vesti minha roupa e voltei para o quarto com uma máscara cuidadosamente construída, nada transpareceria por ela, nem mesmo minha imensa vontade de gritar e socar o que quer que fosse. Damon ainda estava sentado na cama, suas mãos no rosto e um copo de uísque ao lado, no momento e nos dias a diante, tinha para mim que aquela seria sua única companhia.

Peguei minha carteira e joguei-a dentro da bolsa sem muitas cerimônias e calcei a primeira sandália que vi pela frente. Olhei para o relógio e suspirei com desgosto, só me restava ir direto para casa de Miranda, uma vez que nem se obtivesse o poder de me teletransportar chegaria na hora para a segunda aula. Permiti-me olhar para Damon por um segundo antes de deixar o quarto; seus olhos estavam marejados e sua expressão expunha seu arrependimento.

Mas não muda o quanto você me machucou, Damon – disse para mim mesma. Coloquei a bolsa em meu ombro e senti as lágrimas rolarem mais uma vez, não me importava que eles as visse, parte de mim sabia que para ele, me ver naquele estado e saber que a culpa era inteiramente sua, só piorava sua situação. Respirei fundo e tomei coragem para dizer algo:

–Parabéns, papai – disse com a voz rouca antes de fechar a porta atrás de mim e deixá-lo completamente sozinho.

“Was it worth it in the end?”


Notas finais
Bem, dependendo do número de comentários, farei um esforço para postar no domingo, mas está na mão de vocês! ;) Recomendações? Faltam só 7 para trinta :3 Prometo fazer uma surpresinha haha C: