Million Dollar Man
18 Capítulo 18 - Geneva
Notas iniciais
O resto do dia juntamente com a quinta-feira se passaram num piscar de olhos. Não havia ligado ou se quer dado notícias a Miranda, e isso ainda não era uma prioridade. April já não andava, praticamente dançava pela casa de tão ansiosa e animada que estava. Não a culpava, meu estado de espírito não era muito diferente.
Verifiquei a mala e não tive muitas objeções a fazer, o gosto de April não era muito diferente do meu. Damon já havia deixado todas suas malas no quarto no intuito de se arrumar assim que chegasse do trabalho. Logo depois do almoço, fiz questão de ligar para Caroline.
–Alô?
–Caroline? – sua voz estava diferente.
–Elena?! – o reconhecimento foi imediato.
–Como você está? – mordi o lábio apreensiva por sua resposta.
–Não sei – suspirou – Ainda não consegui fazer contado com a minha família, eu ligo e ninguém atende.
–Tem algum outro parente que você ainda tem contado? – sentei-me na cama enquanto encarava o chão.
–Não – pausa – não sei o que eu vou fazer.
–Calma, vou ver o que eu posso fazer – vou ver o que Damon pode fazer.
–Queria conversar com você, pessoalmente – choramingou.
–Assim que chegar de viagem, eu prometo – respirei fundo – Onde você está?
–Sua mãe pediu para que eu ficasse aqui na sua casa – deu uma pausa – espero que você não se importe de eu estar usando seu quarto.
–Não, não me importo – abri um leve sorriso. – Sinta-se em casa.
–Obrigada, Lena – disse em meio a uma risada.
–Não há de quê – suspirei – Se precisar de alguma coisa, é só me ligar.
–Ok – pausa – E você, como está?
–Ótima – ótima, bem, feliz, nas nuvens, a lista era longa demais – nem parece que foi essa semana que tudo aquilo aconteceu.
–Não parece para você – murmurou.
–Eu sei – tive que rir.
–O que vou dizer para sua mãe? – quis saber.
–Ela não precisa saber que eu liguei – ergui uma sobrancelha. – E se ela perguntar, diga que não sabe, que não dei notícias.
–Elena... – começou.
–Ela conhece Damon, não me espantaria se ela soubesse o que estou vestindo nesse exato memento – tranqüilizei-a – E não precisa se preocupar, ela sabe que estou viajando hoje.
–Ah! Já havia me esquecido, volta quando?
–Não sei, terça ou quarta – lembrava-me vagamente de April ter falado da data de volta, mas não me apaguei ao dia da semana.
–Seu pai volta amanhã – comentou.
–Ah – mais rápido do que nunca teria de arrumar uma casa para alugar.
–Sei que não deveria, mas ouvi sua mãe conversando com ele pelo telefone – suspirou – foi sem querer, eu juro. Acho que você vai poder ficar aqui.
Ele diria qualquer coisa pelo telefone e quando chegasse arrumaria mil e um motivos para brigar com Miranda e contrariar o que ele mesmo havia dito. Sem chances.
–Não sei, acho que não vai dar certo – admiti. – Car, vou desligar, tenho que ir me arrumar.
–Ah sim, boa viagem – disse e desligou o telefone.
Perambulei pelo quarto até conseguir decidir que roupa iria usar. Escolhi a mais confortável possível e segui para o banheiro onde tomei um longo e escaldante banho. Assim que saí, April estava sentada em frente ao espelho cobrindo seu rosto com uma fina camada de maquiagem.
–Se quiser, pode usar da minha – disse apontado para sua caixinha repleta de cosméticos.
–Vou dormir durante todo o trajeto, porque eu passaria maquiagem? – ergui uma sobrancelha.
–Pelo menos vou chegar no aeroporto apresentável – deu de ombros.
Revirei os olhos e sentei-me na cama encarando o relógio enquanto via os minutos se arrastando de forma monótona.
–Damon já está lá embaixo nos esperando – disse despreocupadamente.
–E você poderia ter me dito isso antes – abri um sorriso duro.
April riu alto.
–Desculpa, — suspirou – já estou pronta. E você?
–Há muito tempo – coloquei-me de pé num salto.
Desci as escadas praticamente de dois em dois degraus, desde terça meu comportamento podia ser comparado ao de uma criança, desde birras e manhas a crises de ansiedade e paixonite que fugiam de minha forte personalidade. Chacoalhei a cabeça deixando minhas paranóias de lado. Tendo mudando ou não, tinha certeza que era para melhor.
Damon estava falando ao telefone, coisa que havia feito demais nos últimos dois dias. Edna veio em minha direção e envolveu-me num forte abraço que tirou parcialmente meu equilíbrio.
–Boa viagem, minha querida – disse ao beijar minha bochecha num gesto de carinho.
–Obrigada – abri um sorriso tímido.
April também se despediu de seus pais. Por um momento pensei que Edna nos acompanharia até o aeroporto, mas ela saiu antes que terminássemos alegando ter compromisso na clinica. Colin, motorista de Damon pelo qual foi me apresentado antes de sairmos, nos levou até o aeroporto fazendo com que o trajeto parecesse menor do que realmente era.
Embarcamos dentro do horário previsto. Pensar que seria um vôo normal seria demais, viajaríamos com o jato da empresa com direito a todo conforto extra, desde cama e filmes bons a comidas de melhor qualidade. Não que fosse desfrutar dos mesmos, não se passaram vinte minutos e já estava encolhida na confortável poltrona usando o ombro de Damon como travesseiro.
Quando chegamos, já era fim da tarde. O vento gélido soprava jogando meus longos cabelos para trás. Olhei a minha volta admirando a linda paisagem. Uma fina camada de neve cobria o chão. A distancia, podia se ver os picos montanhosos cobertos por neve. Abri um sorriso fraco e caminhei ao lado de April até o terminal de desembarque.
Após estar dentro do táxi, foram quinze minutos até o hotel. Minha atenção estava voltada para o lugar que se tornava um borrão ao meu lado. Era tudo lindo demais, frio demais parecia ter saído de dentro de algum dos meus livros infantis de contos de fadas.
–Amanhã, que é oficialmente seu aniversário – começou Damon assim que passamos pela porta do hotel – podemos acordar cedo, passear pela cidade e escolher um bom restaurante para jantar.
–Hoje, podemos comemorar antecipadamente e depois dormir muito – disse April bocejando.
–Vocês decidem – dei de ombros.
–Trouxe sua câmera? – Damon perguntou a April.
–Não vou nem na esquina sem carregá-la – respondeu com um sorriso duro. – E preciso de muitas recordações.
–Que podem me deixar de fora – sentei-me na cama de casal.
–Hm, — Damon mexeu em seu cabelo e olhou para April. – sobre as camas.
Só havia uma cama de solteiro. Não era um problema, eu poderia dormir nela, ou então dormiria com April na de casal, como estava fazendo em sua casa.
–Eu durmo com você – disse ela indiferente.
–Tudo bem – pausa – espero que você não me jogue no chão.
Ela revirou os olhos.
–Onde vamos jantar? – Damon perguntou arrumando nossas malas no canto do quarto.
(...)
Sentei-me na cadeira ao lado de Damon e soltei um suspiro pesado. A sensação de conforto devido nossa proximidade era indescritível, toda a insegurança e medo haviam sido deixados de lado pelo resto da noite. Um largo sorriso esboçou-se em meu rosto ao mesmo tempo em que minhas bochechas assumiam um fraco tom rosado.
–Bom, vou deixar vocês sozinhos – April disse enquanto levantava-se da cadeira.
Ergui uma sobrancelha e a encarei meio confusa.
–Estamos aqui para comemorar seu aniversário – a lembrei.
–E comemoramos, foi uma noite maravilhosa e vamos comemorar de novo amanhã, e depois de amanhã e depois de depois de amanhã – deu uma pausa e riu – muito obrigada, obrigada mesmo – disse e inclinou-se para dar um rápido beijo em minha bochecha e em seguida fez o mesmo com Damon. – Agora é a vez se vocês dois se divertirem sozinhos. – abriu um sorriso presunçoso. – Vou deixar a porta destrancada e chave da porta em cima do frigobar. Boa noite.
Assisti enquanto ela se distanciava e depois voltei minha atenção para Damon. Aos poucos, pude notar a atmosfera ao nosso redor se modificando. O local que antes era um ambiente familiar tornava-se um ambiente charmoso, no lugar de crianças jantando com seus pais, havia apenas casais cochichando e dançando a música lenta que tocava ao fundo.
–Posso pedir alguma coisa para nós bebermos? – ele me perguntou com a voz suave.
Apenas assenti.
–Vinho ou champanhe?
–Como você quiser – dei de ombros.
A estranha sensação de nostalgia que a frase me proporcionou acabou por me fazer rir. Damon pareceu não entender, talvez fosse algo que só eu lembrasse. Na primeira noite em que saí com ele foi a sentença mais dita por mim.
Ele chamou o garçom com um gesto rápido e vez o pedido. Seus olhos voltaram a me intimidar. Respirei fundo e acabei com espaço que restava entre nós. Abracei-o e deitei minha cabeça em seu ombro, algo que eu vinha cobiçando fazer por um bom tempo. Automaticamente, ele passou seu braço a minha volta pousando sua mão em meu colo. Um sorriso involuntário brincou em meus lábios.
–Já ligou para sua mãe? – sussurrou enquanto acariciava lentamente minha coxa.
–Não – fechei a cara.
–Pois deveria – a desaprovação era perceptível em sua voz.
–Se eu ligar significa que vou acabar discutindo com ela e no momento, não é o que eu quero – suspirei.
–Você é quem sabe – disse por fim.
O silêncio instalou-se entre nós. Nossas bebidas foram entregues alguns minutos depois e sem dar muita importância, comecei a bebericar o conteúdo de minha taça. Fazia muito tempo que não ingeria álcool, e se não fosse por aquela taça de champanhe não perceberia isso.
E mais uma vez as mudanças que minha vida havia sofrido no ultimo mês pareciam me surpreender. Tinha de admitir para mim mesma que nunca chegaria tão longe. Talvez admitir que eu nunca teria tentado sair de lá com medo de que Stefan fizesse algo comigo. Nesse ponto, estava mais do que certa, minha ultima visita a Coney Island há quatro dias provava isso.
–O que foi? – perguntou-me ao perceber minha mudança de postura.
–Só estou pensando – sussurrei.
–No que, posso saber? – também sussurrou.
–Em como as coisas mudam – ergui uma sobrancelha.
–Há um mês você não conseguia ficar um metro de distância de mim sem que começássemos uma discussão – ele riu.
–Não vejo grandes mudanças quanto a isso – repliquei em meio a uma risada.
–Mas você já aceita ser ajudada e se comporta bem – pausa – deveria colar uma estrelinha na sua testa?
Eu ri.
–E também já não é tão difícil – acrescentou.
–Também não vejo mudanças nessa parte – murmurei – sempre fui uma pessoa difícil.
–Você quis dizer sempre fui uma pessoa difícil para você – disse com certo tom de deboche.
–Não, uma pessoa difícil em geral – franzi o cenho e depois ri de seu modo de falar.
–Não é uma pessoa difícil quando se trata de Matt – não precisava encará-lo para saber que estava fazendo careta.
–Posso saber como Matt veio parar em nossa conversa? – quis saber.
–Porque ele já foi seu namorado, talvez saiba mais coisas de você que eu – deu de ombros. Não fez muito sentido.
Ciúmes? Reprimi a vontade crescente de rir.
–Uma vez que você começou a falar sobre ele, o que eu deveria saber que você não me contou? – ergui uma sobrancelha.
–Talvez seja melhor você saber por ele mesmo – fechou a cara.
–Hm, mesmo que sinta que você esteja me enrolando, tudo bem – disse sem dar muita importância. Não conseguia imaginar algo, vindo de Matt, que pudesse causar tanto desdém em Damon.
–Por quanto tempo vocês namoraram? – suavizou sua expressão e abriu um fraco sorriso.
–Nem por cinco meses – suspirei.
–Namorou alguém depois dele? – sussurrou.
–Não – disse rapidamente.
–Antes? – usou seu tom desconfiado.
–Também não – minha voz soou quase inaudível.
–Quantos anos você tinha? – era engraçado vê-lo entregando-se a curiosidade.
–Quatorze – fechei os olhos rendendo-me as suas caricias.
Não estava acostumada com aquilo. Com a proximidade, com seus carinhos, sua preocupação e até mesmo sua maneira de demonstrar que se importa. Tudo era novo, desde as sensações à situação que nos encontrávamos e pela primeira vez entendi o que ele realmente queria dizer quando me disse que ainda me restava alguma inocência.
–De quem foi a iniciativa? – perguntou com um meio sorriso no rosto como quem fazia uma pergunta retórica.
–Por que você quer saber? – resmunguei.
–Não posso? – perguntou divertido.
–Dele, é claro – revirei os olhos – Foi engraçado – ri e dei uma pausa – Ele não queria falar comigo e pediu que um dos garotos da escola entregasse um bilhete para mim, sem nome ou qualquer tipo de identificação.
–E você aceitou? – sua voz era de pura surpresa.
–Corrigi todos os erros ortográficos e erros de pontuação e o devolvi – dei de ombros e depois me permiti rir. — No lugar dele, eu teria vergonha de sequer olhar na minha cara mesmo nos dias de hoje.
–Eu iria tirar satisfação com você – riu alto.
–E eu diria que você não tem moral para isso quando nem escrever direito sabe – arqueei uma sobrancelha franzindo o cenho.
Ele riu mais alto ainda.
–Então ele foi seu único namoradinho – comentou – Suponho que também foi aquele que lhe deu o primeiro beijo e tirou sua virgindade.
–Sim e não – era nessa parte que não gostaria que ele chegasse.
–Sim ou não?
–Primeiro beijo, sim – minha voz quase desapareceu – virgindade, não.
–Você nunca transou com alguém que sentisse alguma coisa? – perguntou incrédulo.
Pergunta complicada, responderia não, porém se pensar pelo lado de eu e ele já havíamos transamos me desmentiria. Mas quando isso aconteceu, a única coisa que eu sentia por ele era raiva.
–Não – sussurrei depois de um longo minuto de silencio.
–Foi com um cliente? – ele também sussurrava.
–Não – murmurei depois de pigarrear. Bebi um gole do champanhe e procurei as palavras certas a serem usadas. – Stefan. – parecia o suficiente. Sem que ele perguntasse, completei: — Foi horrível, demorou muito tempo até que eu parasse de sentir dor. – respirei fundo – No começo, muitos se recusavam a pagar falando que eu não sabia fazer aquilo direito e que só sabia reclamar que estava doendo. – sua expressão mudou radicalmente – desculpa, não deveria ter mencionado essa parte.
–Achei que você gostasse – pausa – pelo menos do sexo.
–Não – foram necessários segundos para que eu conseguisse verbalizar meus pensamentos – Sinceramente? Tenho nojo só de pensar no assunto.
–Não sentia prazer? – questionou em dúvida.
–Claro que algumas vezes era melhores que outras, mas... – minha voz caiu algumas oitavas – continuo não conseguindo ver isso como uma coisa boa.
–Porque você não achou alguém que trate você como mereça na cama – havia uma insatisfação em sua voz – que não te chame de vadia e desfrute do dar, que te dê carinho e prazer.
Dessa vez não fui capaz de responder. Se sua intenção era fazer com minhas esperanças de aquilo dar certo se multiplicassem por números assombrosos, ele havia conseguido porque não havia nada que eu quisesse mais naquele momento do que sentir seu carinho e ter prazer como nunca antes.
–E você? –perguntei quebrando o silêncio desconfortável – Como foram suas primeiras experiências amorosas? – mordi o lábio reprimindo um sorriso.
Ele riu.
–Sempre fui cafajeste – admitiu. Essa parte eu já havia imaginado – Meu primeiro beijo foi aos onze anos com uma menina de dezesseis.
–Não vejo o porquê desse interesse – ri alto.
–Só andava com garotos mais velhos e populares na escola e ninguém sabia minha idade – deu de ombros – Minha primeira vez, eu acho, não lembro, que foi em uma festa de uma das meninas do time das líderes de torcida. Eu tinha treze.
–Com quem?
–Com a aniversariante, é claro – abriu um sorriso malicioso.
–Que vadia – comentei – e que precoce.
–Não me lembro de ter feito comentários negativos sobre você – disse sinicamente.
–Seria falta de cavalheirismo – o alertei.
Ele abriu meu sorriso preferido e depositou um beijo casto em meus lábios fazendo meu coração saltar em questão de segundos. Enterrei minha cabeça em sua camisa rendendo-me ao seu perfume único. Agradeci mentalmente April por nos ter deixado à sós mesmo que estivéssemos ali por causa dela.
–Quer dançar? – sussurrou roçando seus dedos em toda extensão de meu braço.
–Não sei se ainda sei dançar – murmurei.
–Por favor?
–Ok – era desnecessário levar a discussão a frente sabendo quem ganharia no final.
Gentilmente, desvencilhei-me de seu abraço e coloquei-me de pé lentamente. Tirei a jaqueta escura uma vez que o ambiente era climatizado e não pedia tanto agasalho. Damon fez o mesmo e pegou em minha mão conduzindo-me até onde os outros casais dançavam.
Apoiei minha mão sobre seu ombro no mesmo tempo em que a sua encontrava minhas costas gentilmente. Segurei sua outra mão e deixei que ele conduzisse a dança no ritmo lento da música agradável que tocava ao fundo.
A pouca distancia entre nós podia ser comparada à um grande abismo. À medida que a melodia alterava seu ritmo sentia-me prestes a acabar com o espaço mínimo que restava para que pudesse deitar minha cabeça em seu ombro.
Depois de soltar um suspiro pesado, Damon abriu um sorriso e entrelaçou nossos dedos. Meu coração disparou mais uma vez tendo uma reação exagerada. Também sorri e sustentei seu olhar por um longo instante.
Seus dedos começaram a fazer leves caricias em minhas costas sob o tecido fino de minha blusa. Antes que eu fizesse por vontade própria, ele me puxou para mais perto de si, deixando nossos rostos colados lado a lado enquanto eu desfrutava de seu carinho.
(...)
–Onde ela disse que deixaria a chave mesmo? – Damon me perguntou num sussurro assim que passamos pela porta de madeira da suíte que nos instalamos.
–Em cima do frigobar – respondi da mesma forma.
Rapidamente, ele fechou a porta e voltou ao meu encontro. Sem hesitar, passou suas mãos por minha cintura e selou seus lábios nos meus. Passei a mão por seu rosto tento a palma espetada por sua barba sem fazer. Seus dedos ágeis seguiam a linha de minha coluna causando-me arrepios por todo o corpo. Aprofundei o beijo e fiquei na ponta de meus pés para que pudesse abraçá-lo como bem desejava. Vendo meu esforço, Damon deu uma risada em meio ao beijo e sentou-se na enorme cama de casal que estava atrás de nós.
Fui presa entre suas pernas enquanto explorava seu pescoço com beijos úmidos. Ouvi-o suspirar uma ou duas vezes o que me proporcionou uma sensação de prazer totalmente desconhecida. Enrosquei meus dedos em seus fios e colei meus lábios nos seus novamente. Damon por sua vez continuava a explorar meu corpo com as mãos. Mesmo por cima da densa roupa de agasalho, seu toque era capaz de fazer minha pele se aquecer. Deixei que meu corpo se entregasse as milhares de sensações desconhecidas causadas pela presença de Damon deixando meu juízo e razão para depois.
Seus lábios deixaram os meus para beijar meu rosto e meu pescoço em todos os ângulos possíveis. Cravei as unhas em seu ombro tento todo meu corpo consumido por chamas de desejo e prazer. Soltei um gemido involuntário no momento em que senti seus dentes roçando em minha orelha. Inesperadamente, ele pegou minhas mãos e entrelaçou nossos dedos enquanto deitava-se na cama levando meu corpo junto ao seu.
Tendo o privilégio de estar por cima, ajoelhei-me na cama e continuei a beijar todas as partes de seu corpo que eram possíveis. Desabotoei o primeiro botão de sua camisa e depositei um demorado beijo antes de fazer a mesma coisa o próximo. Aquilo era algo que eu estava cobiçando fazer desde o momento em que percebi que sentia ao mais por ele, sentir a textura macia de sua pele contra meus lábios e o calor seus braços a minha volta ao mesmo tempo.
Suas mãos se firmaram em meus quadris e me jogaram contra o colchão fofo. Seu corpo roçava contra o meu tornando difícil de respirar. Fechei os olhos e relaxei meus músculos o máximo que conseguia esperando por seus lábios contra os meus. O beijo começou urgente e voraz e logo pude sentir um formigamento começando a se espalhar por toda região de minha intimidade. Arfei tentando repor o ar que faltava em meus pulmões e continuei a beijá-lo avidamente. Aos poucos, o ritmo foi diminuindo, até que ele finalizou um longo beijo com um rápido e carinhoso selinho para me encarar.
Meu rosto estava em chamas. Não só meu rosto, mas era a única parte que era visível. Damon sentou-se ao meu lado na cama e ajudou a me erguer. Arrumei meu cabelo que mais parecia um ninho de rato e respirei fundo ainda sem fazer contado visual.
–Vou tomar um banho – disse a meia voz.
Assenti e inclinei-me para lhe dar um breve beijo nos lábios.
Assim que a porta do banheiro se fechou percebi o quanto minhas mãos tremiam. Obviamente não era de frio, mesmo que a temperatura do lado de fora estava abaixo de zero. Soltei um suspiro pesado e tirei meus calçados ficando apenas de meia. Encolhi-me na cama e encarei April adormecida na única cama de solteiro do quarto.
O combinado era que eu dormiria na cama de solteiro. Devia ter imaginado que sua brecha para que nós nos divertíssemos à sós fosse algo que implicava conseqüências depois. Sorri maliciosamente para situação. Não fazia idéia do que havíamos acabado de fazer, mas tinha absoluta certeza de que havia adorado.
Depois de muito tempo encarando o nada, levantei-me preguiçosamente e caminhei até o canto onde estavam nossas malas. Tentando não fazer muito barulho, procurei por pijamas quentes. Assim que os encontrei, coloquei-me de pé e esperei que Damon saísse do banheiro.
–Quer que eu acorde April? – foi a primeira coisa que disse quando passou pela porta enrolado na toalha.
Revirei os olhos para sua idéia.
–Não vou te dar uma resposta – disse e bati a porta do banheiro.
Tomei um rápido banho sentindo os reflexos do dia dentro do avião se arrastando em minha direção. Calcei duas meias protegendo meu pé da friagem e andei na ponta dos pés tentando não escorregar no chão de madeira.
Damon já estava deitado no lado esquerdo da cama. Apaguei a luz e deitei sem fazer grande cerimônia. Mantive uma distancia segura entre nós, mas ele arrastou-se até poder deitar sua cabeça na base de meu pescoço.
–Boa noite – sussurrou e deu um breve beijo em minha bochecha.
–Boa noite – sussurrei com um sorriso tímido no rosto.
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