Million Dollar Man
13 Capítulo 13 - Carmen
Notas iniciais
Só para esclarecer, o capítulo não está como eu queria, e eu cortei muita coisa por isso o tamanho :3
AAAAAH! Vou postar um capítulo extra no ponto de vista do Damon :) É o próximo para ser mais clara.
Meu corpo inteiro tremia de maneira perturbadora. Roia minhas unhas de modo desesperador: faltavam apenas vinte minutos para que os clientes começassem a chegar. Estava sentada no canto do quarto no qual eu costumava trocar de roupa enrolada numa toalha bege esperando que Stefan trouxesse uma roupa para que eu me vestisse.
Ao mesmo tempo em que queria vestir algo, fazia súplicas mentais para que ele demorasse ou não chegasse. A cada minuto que passava a luta contra as lágrimas teimosas se tornava mais impossível. Ao contrario do que seria racional, não estava prestes a chorar por estar ali e ter de fazer tudo aquilo de novo.
De fato, aquilo me dava muito que pensar, mas a verdade era que eu não queria decepcionar Damon. Eu havia prometido que não deixaria ninguém tocar em mim. Eu havia prometido que não iria desapontá-lo e era exatamente aquilo que eu estava fazendo estando naquele lugar.
Agarre-me a esperança de que ele não se zangaria caso eu explicasse de que estava ali porque Caroline precisava de ajuda. Soltei um suspiro pesado e encarei o relógio em cima da penteadeira. Eu não sabia mais como ser a Carmen. Tinha plena consciência de que pensar em fazer o que era habituada fazer a três semanas era o mesmo que pedir uma criança para usar a calculadora antes que a mesma aprendesse matemática.
Ouvi o murmúrio de vozes no salão e encolhi-me. Minha respiração era ruidosa enquanto meus batimentos cardíacos dominavam todo meu sistema auditivo deixando-me parcialmente surda. Fechei os olhos na tentativa falha de me acalmar assim que escutei a maçaneta da porta girar fazendo seu familiar rangido.
–O que você está esperando? – Stefan perguntou franzindo a testa.
–Você dizer o que vou vestir – murmurei.
–Não vai precisar de roupas – ele riu com humor sombrio – Pegue a lingerie vermelha que está sobre as toalhas no guarda roupas e faça seu cabelo.
–Mas está muito frio – repliquei.
–Você não tem o direito de sentir frio – ralhou. – Não demore, já tem gente te esperando. – disse antes de sair.
Engoli seco e fiz o que me foi dito. Como se fazer já não fosse ruim o suficiente, pensei enquanto vestia as minúsculas peças que deixavam todo meu corpo vulgarmente exposto. Enrolei meus cabelos e passei a maquiagem de costume: lápis preto e brilho cor de boca. Sem muita cerimônia, calcei a primeira sandália que encontrei e espiei por uma brecha na porta.
Todas as mesas estavam em seus devidos lugares juntamente com as cadeiras e em sua grande maioria estava ocupada por um ou dois homens. Meredith começava sua apresentação e era o centro das atenções do público masculino. Stefan estava do outro lado, sentado atrás do balcão do caixa discutindo com Katherine.
Ele que quer que eu faça isso, então ele que venha até aqui – disse em pensamento deixando minha expressão mudar bruscamente.
Dei alguns passos para trás e sentei-me novamente na cadeira. Meu reflexo no espelho deixava-me desconfortável. Não havia feito esforço nenhum para esconder a vermelhidão devido a tapa que Stefan me dera no lado esquerdo de meu rosto. Muito pelo contrário, meu cabelo estava preso do mesmo lado para que a agressão ficasse exposta.
Em meio a milhares de pensamentos de revolta e nervoso, Caroline voltou a minha cabeça. Não Caroline, exatamente. Damon me ligava todos os essa hora, quando não, estava chegando em casa para checar o que eu tinha feito durante todo o dia. A esperança de que talvez ele já estivesse ligado e soubesse onde eu estava inundou meus sentidos.
Não só esperança. Talvez mesmo sabendo dos fatos ele tenha se sentindo traído por eu ter vindo para Coney Island. Suspirei, minha situação era muito pior do que eu pensava. Miranda também estava em questão.
Vinte minutos da escola até minha casa. Esse era o tempo que eu passei sozinha. Tempo o suficiente para que ela chegasse e encontrasse a casa vazia. Sem bilhete, sem aviso, sem um telefonema. Se eu estava a procura de um motivo para Miranda se afastar de novo, já tinha um.
Matt.
Pela primeira pensei sobre a reação dele. O medo de que diante dos fatos ele possa ter recusado ajudar Caroline fez com que um arrepio descesse por minha espinha. Ele não faria isso, Elena. Tentei contentar-me com a voz em minha mente que desmentia meus temores.
–Elena – Stefan estava de volta. Meu estômago se revirou vazio – Carmen. – corrigiu.
Ergui a cabeça sem dizer uma palavra.
–Tenho novidades – abriu um sorriso largo.
Novidades que não me interessam, acrescentei mentalmente.
–Você tem cinco clientes – deu uma pausa. Fechei a cara – Mais um que te quer ser seu cliente fixo.
–Não quero um cliente fixo – demorei a encontrar minha voz.
–Mas quem decide o que fazer com você aqui sou eu, docinho – disse depois de afagar meus cabelos. – Quem deixou você cortar? – perguntou usando sua autoridade sem fundamentos.
–Até onde eu sei, o cabelo é meu – dei de ombros.
–Continue com seu abuso – alertou – a palma da minha mão está coçando, sabe que da ultima vez não tive o prazer de lhe dar uma surra por mim mesmo.
–Ah sim, o cinto tem vida própria – debochei.
–Não te bato agora porque não posso te deixar marcada – suspirou – mas fique você sabendo que eu serei o ultimo a transar com você, e claro que depois disso haverá nosso acerto de contas.
Continuei a encará-lo sem nada dizer. Não transaria com ele. E não deixaria que ele encostasse um dedo em mim. Ou um cinto – ou qualquer outra coisa.
–Desça e espere no primeiro quarto – ordenou. – Não sai de lá até que eu permita.
Meu corpo soava. Meu cabelo estava um caos e meu sexo pulsava de dor. A exaustão fazia com que minhas pálpebras pesassem, manter os olhos abertos requeria um grande esforço e luta de minha parte. Minha boca estava ligeiramente inchada e o gosto que sentia era horrível. Pensar nos favores que eu havia feito causa-me ânsia de vomito.
–Pense pelo lado positivo, — Stefan adentrou o quarto pegando todo o dinheiro que estava sobre a cama – Só falta mais esse, sem contar comigo, é claro.
–Você disse cinco – reclamei.
–A culpa não é minha se você tem doce – deu de ombros e me deixou sozinha.
Em seguida, um homem que parecia beirar seus cinqüenta anos entrou no quarto fechando a porta atrás de si. Sem olhar para o meu rosto, ele tirou o paletó e começou a abrir a fivela de seu cinto. Respirei fundo procurando nos pontos mais remotos de meu corpo a coisa que mais me faltava: energia.
Senti suas mãos em minha cintura e fechei os olhos tentando ignorá-lo, o que era impossível. Ele passou os dedos em meu abdômen e subiu lentamente até chegar em meus seios. Depois, senti sua boca contra a minha beijando violentamente.
Não correspondi o beijo, apenas deixei que ele desfrutasse em seus momentos. Tentei concentrar em algo que tirasse meus pensamentos do presente, mas meus sentimentos por Damon pareciam anular meus esforços.
Aquele já era o sexto homem e não estava sendo nada diferente em nenhum aspecto. Se me restava alguma dúvida do quanto gostava dele, não havia mais nem sobre dela. Não estava só o traindo devido a promessa, estava traindo a mim mesma e meus próprios sentimentos.
Não queria homem nenhum me beijando. Não queria homem nenhum me tocando e fazendo-me de brinquedo. Queria ele. Queria que fosse ele ali, mesmo sabendo que isso nunca aconteceria.
O homem por quem o homem eu desconhecia, continuou a explorar meu corpo com toques e beijos ousados. Sabia que eu protestasse, além de ser xingada, aumentaria minha dívida com Stefan.
Inesperadamente, ele agarrou minhas coxas e passou a explorar minha intimidade com a língua. Meu nojo se duplicou. Há alguns meses, eu conseguia sentir algum prazer e tirar certo proveito de algumas situações, mas aquilo estava parecendo uma tortura lenta e infinita. Queria chutá-lo, queria gritar implorando que parasse. Queria ir para casa.
Muito antes do que imaginava, senti a dolorosa penetração. A falta de lubrificação proporcionou-me uma fisgada em meu útero. Soltei um suspiro pesado e mordi o lábio para não gritar. Tinha absoluta certeza de que não seria capaz de me levantar da cama no dia seguinte.
–Mova-se, vadia – disse entre dentes.
Sem a menor vontade, fiz o que me foi dito. A cada investida a dormência se tornava pior. Pensar que depois daquilo eu não poderia dormir e que provavelmente acabaria por ganhar outra surra, fez com que meus olhos se umedecessem.
Assim que terminei meu trabalho, puxei o lençol imundo da cama para esconder meu corpo. Esperei ficar sozinha por alguns minutos, assim poderia respirar e chorar em paz, mas mal a porta se fechou e ela já havia sido aberta novamente.
–Minha vez – Stefan cantarolou.
–Stefan eu preciso dormir – murmurei – por favor, você faz o que quiser comigo amanhã – até levar uma surra parecia compensar.
–Mas eu quero agora – disse largando sua camisa no meio do caminho.
Não gastei meu tempo com mais argumentos.
Stefan passou suas mãos por minhas pernas, as subindo lentamente até chegar em minha cintura. Esquivei-me de seu toque, o que só lhe fez rir. Ajeitei meu corpo na cama contando até dez mentalmente para não perder o controle.
Ele posicionou suas pernas prendendo-me e impossibilitando-me de me mexer. Contra minha vontade, Stefan selou sua boca contra minha.
Esperei um beijo bruto, mas fui surpreendida por sua delicadeza. Suas mãos deixaram minha cintura para que pudessem acariciar meu rosto lentamente. Deixei meus braços ao lado de meu corpo surpresa demais para reagir.
–Se você não retribuir, vai ser pior – pelo que eu conhecia, suas palavras eram para ser uma ameaça, mas não se passaram de uma súplica.
Senti seus lábios contra os meus de novo, e dessa vez fiz um enorme esforço para não empurrá-lo. Retribuí o beijo com o pavor de meu ato percorrendo minhas veias. Stefan soltou um suspiro pesado e passou a me beijar com mais intensidade. Sua língua acariciava a minha do mesmo modo que suas mãos continuavam a afagar meu rosto.
Virei o rosto afastando-me. Seus olhos queimavam em meu rosto e sua respiração estava descontrolada. Ele afrouxou seu aperto e aos poucos me libertou. Ouvi o som de seus passos e o encarei sem nada entender.
–Dorme – murmurou se aproximando da porta.
Minha boca se abriu em choque. Estava esperando levar uma surra, não dormir.
Uma vez sozinha, passei a mão por meus cabelos e bocejei involuntariamente. O minúsculo relógio indicava que já se passavam das quatro da manhã. Minha cabeça latejava e meu estômago doía, já não estava mais habituada a passar tanto tempo sem comer nada.
Joguei o lençol puído no chão e enrosquei-me abraçando o travesseiro. Fechei os olhos e senti o prazer de poder descansar. Estava frio, muito frio, só percebi que meus dentes estavam batendo quando o som afastou o sono.
Usei o outro travesseiro como coberta e fui nocauteada pelo cansaço.
–Elena? – uma voz extremamente familiar chamou meu nome me trazendo de volta ao presente.
Abri os olhos. A claridade do dia já era perceptível através da porta entreaberta. Forcei meus olhos a entrarem em foco e procurei por quem havia me chamado. O dono do par de olhos azuis analisava meu rosto com uma expressão preocupada.
–Damon – murmurei em reconhecimento.
Ele soltou um suspiro pesado. Não conseguia pensar em nada coerente, ainda estava cansada demais. Apenas o observei enquanto ele tirava seu blazer cinza e sentava-se na beira da cama.
–Vem cá – sussurrou puxando-me para que eu me sentasse.
Damon me vestiu mais rápido do que eu seria capaz de fazer no momento. Seu perfume deixou-me mais desperta, mas ainda sim meus olhos estavam pesados demais. Assim que ele terminou de fechar o ultimo botão, deitei novamente.
–Onde está a sua roupa? – perguntou. Ainda não havia se passado na minha cabeça de que estava usando apenas uma calcinha.
–N-Não sei – gaguejei corando.
Damon franziu o cenho.
–Vamos embora – disse e se colocou de pé.
–Eu vou, eu só preciso dormir – disse em meio a um longo bocejo.
–Não vou deixar você dormir aqui – replicou ele um pouco mais alto.
–Por favor – resmunguei – estou muito cansada.
–Você pode dormir no carro, — suas palavras estavam começando a se dissipar, meus olhos se fechavam por vontade própria já que o frio não me atormentava com a mesma intensidade. – Elena?
–Hm? – murmurei de olhos fechados.
Ele não respondeu. No minuto seguinte, estava deitada na base de seu pescoço enquanto seus braços me envolviam sustentando todo meu peso. Segurei-me em sua camisa e inalei seu perfume inebriante. Mesmo meio adormecida, um leve sorriso brincou em meus lábios.
–Ai – choraminguei assim que seus braços apertaram minhas pernas.
–Desculpa – sussurrou.
Não era possível dormir sabendo que estava em seu colo. Sem hesitar, passei um de meus braços em volta de seu pescoço e aproximei-me ainda mais, até que sua barba mal feita roçasse deliciosamente em minha bochecha.
Ouvi-o falar com alguém, mas não prestei atenção. Damon sentou-se e aconchegou-me em seus braços de modo que minha cabeça deitasse em seu peito. Abri os olhos lentamente e soltei um suspiro pesado. Por mais irônico que parecesse, sentia-me perfeitamente segura.
–Pode começar a reclamar, brigar, gritar ou seja lá o que você vá fazer – suspirei encolhendo-me.
–Depois – disse acariciando meus cabelos.
Fechei os olhos e me rendi ao sono.
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