Million Dollar Man
11 Capítulo 11 - The Truth (Parte II)
Notas iniciais
De longe, esse é o meu capítulo preferido, logo, leiam com carinho ç.ç
Eu ia perguntar "Vocês não acham que as coisas estão acontecendo rápido demais não?" porém acho que vou levar um tiro no meio da testa rs whatever, espero que gostem :)
Desci do carro dividindo o peso das bolsas nos dois braços. Mesmo com April me ajudando, foram necessárias duas viagens. Não havia dúvidas de que Damon compraria Margareth – literalmente. As bolsas guardavam cada brinquedo e futilidade que Maggie sequer olhara, e por mais que eu pedisse para que ele não a mimasse, estava levando metade do shopping para casa.
Maggie dormia profundamente no colo de Damon, seus cachos pesados serviam de travesseiro enquanto suas pequenas mãos estavam segurando firmemente o casaco – que outro dia eu usara – que ele vestia. Soltei um suspiro quando cheguei a pequena varanda antes de por os embrulhos no chão para ter a pequena em colo.
Com certa dificuldade, consegui fazer a troca sem acordá-la. Damon abriu um sorriso torto convencido e inclinou-se para dar um beijo no alto da cabeça de Maggie. April abraçou-me desajeita logo após se livrar do peso em seus braços. Questão de meio minuto depois, minha mãe nos recebeu na porta.
–Sabia que ela chegaria dormindo – Miranda disse baixo, mas ainda sim rindo.
–Boa noite – disse Damon docemente.
–Boa noite – respondeu ela olhando a sua volta. Depois de uma pausa, Miranda continuou com uma expressão de surpresa no rosto – Elena, você disse...
–Não culpe a mim – suspirei a interrompendo. – Maggie disse que não gostava de Damon e ele a fez gostar – revirei os olhos.
April riu acompanhada de Damon e minha mãe.
–Deixe-me a colocar lá dentro – disse Miranda pegando Margareth adormecida em meu colo. Meus músculos descontraíram de alívio.
Coloquei uma mexa rebelde de meu cabelo para trás de minha orelha e ergui a cabeça, preparando-me para me despedir de Damon e April. Abri um sorriso tímido e comecei pela irmã mais nova, que ultimamente assumira o posto de melhor amiga que eu nunca tive.
–Elena? – ela perguntou à voz baixa assim que Miranda se virou para levar Maggie para dentro.
–Hm?
–Na semana do meu aniversário, hm, eu vou viajar – suas bochechas estavam extremamente coradas – e eu queria muito que você fosse comigo. – sua voz se reduziu a algo mais baixo e suave que um sussurro.
Damon estava tão surpreso quanto eu.
–Ah – não consegui dizer muito, minhas bochechas assumiram o mesmo tom de rosado das dela, apenas com menos intensidade – Não sei bem.
–Meu pai disse que pagaria para mim e para uma amiga, e eu logo pensei em você – suspirou – Damon também vai e ele é irritante demais para pensar em aturá-lo sozinha. – nós duas rimos.
–Se ela disser não, eu a arrasto – Damon não falava comigo. Fechei a cara.
–Não será necessário – encarei-o com desdém. Não pretendia ir, odiava a idéia de dar despesa e sabia que já havia abusado do direito de dar despesa, principalmente a Damon e sua família, porém havia uma coisa que odiava mais: ter que seguir as ordens de Damon. – Eu vou, mas porque estou com pena de fazer você passar seu aniversário com ele – desviei meu olhar para o chão tentando recuperar minha expressão.
–Obrigada – ela abriu um sorriso largo e abraçou-me novamente.
–Eu que tenho que agradecer, baixinha – eu ri.
Miranda estava de volta, e, sem dar muita atenção a gente, levou os embrulhos para dentro antes de direcionar algumas palavras a Damon e April. Ambos sorriram e se despediram educadamente. Com a porta aberta, ela esperou que eu fizesse o mesmo.
Damon hesitou em se aproximar de mim, mas quando o fez, não hesitou em tirar todo o ar de meus pulmões com um abraço apertado. Demorei a ter uma reação coerente, mas ainda era tempo de acariciar suas costas sobre a camisa enquanto era inebriada pelo perfume delicioso e único de seu pescoço.
Esperei que ele se afastasse — o que não ocorreu. Talvez estivesse esperando que eu o fizesse, mas meu corpo era incapaz de se mover um centímetro se quer. Soltei um suspiro pesado sentindo suas mãos brincarem com meus cabelos, aquilo já estava virando um hábito – vício – e não tinha a menor intenção de reclamar.
Depois de beijar gentilmente minha bochecha, Damon se afastou, mas suas mãos continuavam em meus braços prendendo-me, de certa forma, a ele. Seus olhos prendiam minha atenção e logo fui obrigada a quebrar o contado para recuperar a ordem de meu raciocínio.
–Sobre o que eu te disse, a gente discute amanhã à noite – pausa – tem uma coisa que eu gostaria de lhe propor além do emprego – sussurrou.
Apenas assenti.
–Nós vamos jantar na minha casa, ou você prefere sair? – franziu o cenho.
–Não poderia ser aqui? Queria aproveitar o tempo que tenho para ficar em casa – propus mesmo sem conseguir imaginar Damon e todos os zeros de sua conta sentados em uma das cadeiras gastas da cozinha que não combinavam com o restante dos móveis.
–Como quiser, é até bom – ele desviou o olhar para Miranda – que você já conta para sua mãe.
Não pretendia conversar aquilo com Miranda antes de conversar comigo mesma, agora seria obrigada. Dei um sorriso duro sentindo uma pontada de irritação aquecer meu sangue. Por que tão irritante?
Vi a expressão de minha mãe se alterar, mas não dei importância. Cruzei os braços e cerrei os lábios demonstrando minha desaprovação. Ao percebê-la, um sorriso se espalhou por seus lábios iluminando um pouco seu rosto.
–Mais cedo ou mais tarde você terá de contar, só estou adiantando as coisas – pausa – e outra, não aja como se fosse algo ruim.
–Eu deveria impor o tempo e contar, não você – o lembrei.
–Eu sei, só sinto falta de te provocar – e o sorriso canalha estava de volta. Fechei a cara e revirei os olhos.
–Um dia – pausa – Daqui a quinze dias vai expor minha vida ao jornal para ver até onde posso agüentar antes de arrancar cada dente que você tem na boca?
A gargalhada de Damon fez meus ossos vibrarem e virarem borracha logo em seguida. Odiei a sensação, principalmente a de ter os pêlos de minha nuca eriçados.
–Ok, eles vão ficar discutindo a noite inteira – April resmungou recostando-se na parede de madeira desbotada.
Eu ri e suspirei pondo um ponto final em nossa briga fútil e casual.
–Até amanhã então – disse arrastando-me para perto de Miranda que rapidamente envolveu com seus braços.
Ele apenas acenou e virou-se para o jardim.
Evitei Miranda até o resto da noite com medo de suas perguntas. Não que minha decisão pudesse a decepcionar, meu medo estava no depois, caso aquilo não desse certo e tudo perdesse seu rumo novamente.
Depois de tomar um longo banho e lavar meus cabelos com meu xampu preferido de morango, fiz questão de arrumar a maior parte de minhas roupas em minha antiga cômoda. Vesti meu pijama e escovei meu cabelo úmido antes de me deitar.
Maggie e Jeremy mais uma vez ocupavam todo o espaço de minha cama e não pude deixar de rir. Sorrateiramente, peguei meu travesseiro e vaguei pela casa com as luzes apagadas até encontrar a porta destrancada do quarto de meus pais. Com cuidado, deitei no lado desocupado da cama e encolhi-me abraçando meu travesseiro.
Adormeci antes mesmo de puxar a colcha sobre mim.
O som da chuva batendo no telhado soava como uma canção de ninar mesmo que eu já estivesse completamente desperta. Ao julgar pela claridade, já se passavam das dez da manhã. O tempo que passara na casa de Damon trouxe à tona velhos hábitos de preguiça e não ter hora para acordar era um deles.
Tateei a cama ao meu lado esperando a encontrar vazia, mas lá estava Margareth esparramada enquanto abraçava o travesseiro de Miranda ainda inconsciente. Domingo realmente era o dia da preguiça, mas não achava que ainda levassem isso muito a sério.
Espreguicei-me e levantei cambaleando sem equilíbrio. Escovei os dentes e penteei o cabelo sem me dar o trabalho de tomar um banho. Tinha planos de pular de volta na cama assim que tivesse uma oportunidade. Andei pela casa usando apenas meias e ri lembrando-me de como Miranda odiava quando eu fazia isso.
–Bom dia – murmurei em meio a um bocejo assim que entrei na cozinha.
Miranda riu e deixou o que estava fazendo para dar um beijo no alto de minha testa. Abri um sorriso tímido e debrucei-me sobre a mesa esquivando-me do frio e do sono.
–Bom dia – disse ela por fim.
Apenas resmunguei a fazendo rir de novo. Encarei a chuva através da janela por um longo instante antes de tomar coragem para colocar-me de pé e encher um copo duplo de leite. Bebi lentamente entre bocejos e suspiros. Esfreguei os olhos e pigarreei antes de falar:
–Quer ajuda com alguma coisa? – minha soou rouca e arrastada.
–Não, pode voltar para cama se quiser – disse sem olhar para trás.
Não voltei para cama, mesmo que isso fosse minha vontade – o sofá era suficiente. Não se passaram dez minutos e Jeremy estava de pé, andando de um lado para o outro pela casa feito um zumbi. Mais meia hora se passou e eu pude ter certeza de que ele estava acordado – já havia começado a me perturbar.
Ao contrário do que eu esperava, a tarde passou num piscar de olhos. Almoçamos juntos e ajudei minha mãe a arrumar a cozinha, ocupei-me dando total atenção a Maggie e quando dei por mim o relógio já indicava que se passavam das cinco e meia.
A chuva não parara o dia inteiro e uma parte de mim torcia para que Damon usasse isso como desculpa para não vir, mas sua ligação deixava bem claro seus planos. Só então levantei do sofá e tomei um belo banho cogitando a idéia de vestir outro pijama quando terminasse.
Contrariada pela idéia de me sentir ainda mais inferior ao seu lado se usasse um pijama, vesti uma calça jeans e uma blusa de linho azul escuro. Fiz um rabo de cavalo na tentativa de domar meus fios rebeldes e fui até a cozinha onde minha mãe terminava de preparar o jantar.
Mal havia chegado na sala quando ouvi o som de batidas animadas na porta da frente. Respirei fundo e apressei-me para abrir sabendo do mal tempo. Meus batimentos cardíacos como quase sempre demonstravam uma reação exagerada e fui obrigada a contar de um à dez até que a cor de minhas bochechas voltasse ao normal.
Quando abri a porta, uma onda de calor inundou meu corpo fazendo meu sangue ferver em minhas veias. Damon vestia uma jaqueta de couro escura por cima de uma camisa na cor branca de gola V. Sua calça jeans escura encontrava-se molhada assim como seus cabelos negros e perfumados.
Mordi o lábio e engoli seco percebendo que minha noção de juízo estava deixando meu corpo outra vez. Seus olhos azuis se destacavam sob sua pele clara e cabelo escuro parecendo estarem mais vivos do que o comum. Cruzei os braços e encarei o chão.
–Oi – murmurei.
–Oi – respondeu-me com um sorriso na voz.
Sem dizer nada, gesticulei para que ele entrasse e saísse do vento gélido que assombrava o dia. Inesperadamente ele me abraçou e depositou um beijo em minha bochecha, aparentando estar totalmente confortável.
–Damon – Miranda sorriu e o cumprimentou rapidamente.
Cerrei o punho e suspirei alto preparando-me para longas horas de conversa – ou discussão – sobre assuntos que provavelmente me tirariam o sono. Por mais que suas intenções fossem boas, falar sobre certos assuntos que envolviam meu passado, seja ele recente ou não, era desgastante tanto emocionalmente quanto fisicamente e não sabia se estava preparada para aquilo.
–Maggie – Damon abriu um sorriso ao ver Margareth sair do quarto vestindo seu pijama de moletom cor-de-rosa preferido.
Invés de esquivar-se e fechar a cara como no dia anterior, a pequena dos cachos loiros e volumosos abriu um enorme sorriso e praticamente pulou para o colo de Damon. Revirei os olhos. Crianças eram inocentes demais.
Afastei-me com passos lentos e preguiçosos para jogar-me no sofá. Jeremy perecia ocupado demais com seu caderno de desenhos e seus lápis para notar minha presença. Encarei o teto e suspirei sem saber exatamente o que fazer.
–Elena? — olhei automaticamente. Damon havia tirado sua jaqueta e a pendurara no antebraço, sem querer ser uma má anfitriã, o peguei e pendurei junto com os demais casacos atrás da porta esperando que ele continuasse. – Preciso conversar com você.
–Estou ouvindo – disse com educação.
–A sós – ergueu uma sobrancelha. Fingi não me importar e segui até meu quarto sem certificar-me que ele estava me seguindo. Obviamente estava, afinal o interesse era dele e não meu.
Fiz questão de deixar a porta o mais aberta possível antes de sentar-me em minha cama. Peguei o travesseiro e o abracei buscando por uma posição confortável assistindo-o se aproximar. Senti seus olhos em meu rosto e ergui a cabeça para sustentá-lo enquanto ficava ligeiramente ruborizada.
–Eu sei que te ofereci o emprego – começou com a voz calma. Apenas assenti. – Mas, — ele sentou-se na cama a pouca distância de mim – não acho que isso seja o suficiente.
Fitei-o, confusa.
–Elena, você é – pausa. Damon pareceu procurar as palavras certas. – impossível. – meus lábios se curvaram num meio sorriso de aprovação a sua escolhe de adjetivo. – Por mais que você aceite e seja minha assistente na empresa, prevejo que futuramente você irá arrumar uma desculpa esfarrapada para voltar para aquele inferno – cerrou os lábios.
Continuei em silêncio apenas absorvendo o que ele estava a dizer.
–Conheço você o suficiente para saber que faria qualquer coisa por sua família, desminta-me se eu estiver errado – ele deu outra pausa esperando que eu dissesse alguma coisa. Antes de continuar, abriu seu sorriso tímido que havia se tornado o meu preferido – Eu quero que você me prometa uma coisa.
–Que coisa? – perguntei já na defensiva.
–Não é bem uma promessa, é uma troca – explicou.
Fechei a cara.
–Não estou aberta a negociações – murmurei.
–Por favor? – sussurrou.
–Fala – respirei fundo.
–Você promete para mim que não vai deixar ninguém tocar em você contra sua vontade? – abri a boca para falar, mas as palavras pareciam não ter sentindo. – Promete que não vai mais vender seu corpo? Por favor, promete que não vai mais deixar o Stefan lhe dizer o que fazer?
Minha boca estava entreaberta de surpresa. Debati-me mentalmente para conseguir responder, mas não conseguia compor uma reação ou sequer uma frase coerente. Cerrei os lábios e ergui a cabeça para lhe olhar diretamente nos olhos.
–Você não merece isso – suspirou – não precisa ser assim... – passou a mão por seus cabelos. – Não sei se estou usando o jeito certo – admitiu.
Ainda não sabia como responder.
–Por favor, Elena – sussurrou.
E então, milhares de idéias fizeram minha cabeça girar.
–Se eu prometer, você me responde uma pergunta? – mordi o lábio.
–Qualquer pergunta – respondeu rapidamente.
–Então, sim – encolhi-me meio sem graça – eu prometo.
–Em troca – ele pareceu mais relaxado – lhe darei um milhão de dólares em troca.
Fiquei totalmente paralisada.
–Você o que?! – era para ser um grito, mas minha voz saiu estrangulada e aguda.
Ele arqueou uma sobrancelha.
–Vou te dar... – eu o interrompi.
–Eu ouvi! – disse com mais firmeza – Eu não quero dinheiro.
–E eu não quero que você faça nada que te prejudique por dinheiro, então... – deu de ombros.
–Damon não é assim que as coisas funcionam, você não pode simplesmente chegar e me oferecer dinheiro para que... – eu mesma não acreditava no que estava dizendo. Fechei os olhos e tentei acalmar minha respiração. – Eu não vou aceitar.
–Elena, eu não preciso de mais dinheiro – exibido.
–Eu não quero seu dinheiro – disse um pouco mais incisiva.
–Você poderia, por favor, deixar sua teimosia de lado pelo menos por dois minutos? – Damon disse usando seu tom autoritário.
–Não, do mesmo jeito que você não pode deixar de ser autoritário por dois minutos – abri um sorriso duro. – Cumpro a promessa e não aceito o dinheiro, ou isso ou nada – cerrei os lábios.
Damon relaxou e se acomodou na cama tomando o travesseiro de mim. Puxei de volta e lhe dei uma tapa com vontade.
–Meu travesseiro – o alertei – Minha cama – ergui uma sobrancelha – Meu quarto.
–Vou lembrar-me disso quando você dormir no meu apartamento – ele sorriu.
Depois de um minuto de silêncio, a atmosfera voltou a ficar tensa. Encarei o chão de madeira e apoiei o queixo sobre o travesseiro esperando que ele dissesse algo para que eu pudesse fazer minha pergunta.
–Qual é a sua pergunta? – perguntou parecendo ler meus pensamentos.
–Quem é ela, Damon? – sussurrei.
–Já esperava que fosse isso – sua expressão não era uma das melhores.
–Se não quiser falar, ou se for algo pessoal demais... – eu não tinha pensado por esse ângulo – não precisa me contar.
–Mais cedo ou mais tarde você vai ficar sabendo – deu de ombros.
–Então... – incentivei-o ficando impaciente.
–O nome dela é Melanie – sussurrou.
Melanie. Suspirei. Não era muita coisa, mas saber o nome com certeza era o suficiente, além do mais, não queria pressioná-lo. Encerei minhas mãos esperando que ele continuasse.
–Ela, hm, era muito teimosa – senti seus olhos em meu rosto. Não pude evitar de abrir um sorriso. – Não só teimosa, mas também muito difícil.
–Não sou difícil – protestei.
–Só não gosto de você – repetiu a frase de Margareth me arrancando uma gargalhada.
–Não disse isso – defendi-me.
–Mas pretendia – pausa – Melanie também era muito linda – seus olhos varreram todo meu corpo, e, ao mesmo tempo senti-me completamente em chamas. – Vocês têm o mesmo tom de pele e a mesma cor de cabelo.
Abri um sorriso tímido e o ouvi suspirar.
–Ela também fez muita coisa errada – mal havia percebido que nos estávamos mais próximos – mesmo que com boas intenções. Não que eu a veja em você, não é isso – tentou se explicar – mas é como se eu tivesse a obrigação de não deixar que você me decepcione como ela.
–Desculpe-me se eu... – sussurrei, mas fui interrompida.
–Não se desculpe, você não fez nada – tragou saliva – Quando eu disse que te ajudaria, foi porque eu não aceitaria ver outra pessoa acabar como ela, entende?
Assenti.
–Queria que alguém tivesse feito para ela o que eu tenho feito para você – sua voz foi diminuindo – Tenho certeza de que Mel ainda estaria aqui comigo.
–Você a ama. – não foi uma pergunta. Ignorei a pontada de ciúme e esperei por sua resposta.
–Amava. – corrigiu.
–Você disse que não sentia isso por ninguém – o lembrei. – É por isso que não a ama mais? – depois de perguntar que percebi que havia feito uma pergunta pessoal demais.
–Não – ele não pareceu se importar com a pergunta – Melanie morreu.
Senti um calafrio assaltar meu corpo.
–Sinto muito – murmurei.
Ele assentiu. Se não fosse pela claridade, não notaria seus olhos marejados. Senti-me completamente desconfortável. Não devia ter começado o assunto. Não devia ter perguntado nada.
–Damon... – o chamei. Estiquei os braços e o puxei para um abraço carinhoso.
Ele não estava esperando, logo, demorou um tempo até que ele me abraçasse de volta. Apoiei sua cabeça sob meu queixo e acariciei levemente suas costas. Vê-lo daquele jeito fez com que eu mudasse totalmente minha lista de adjetivos dele, colocando protetor acima de todos.
–Não vou te decepcionar – sussurrei quase inaudível. Senti-me na obrigação de dizer aquilo.
–Eu sei – podia jurar que ele estava sorrindo.
–Convencido – revirei os olhos.
–Você é melhor que ela, Elena, isso torna as coisas muito diferentes – murmurou.
–Não sou melhor que ninguém – parecia estar resmungando.
–Eu pedi para que você se cuidasse, e você o fez – começou – deixou que eu soubesse de sua vida e me deu liberdade para ajudá-la mesmo sem acreditar que precisava de ajuda – pausa – isso te faz uma pessoa melhor.
–Você mesmo disse que ela não tinha ninguém para fazer isso para ela, então não a julgue – estranhei o fato de estar defendendo uma estranha.
–Mas ela tinha filhos, isso deveria contar – disse e deitou sua cabeça em meu ombro.
–Toda mãe ama mais os filhos do que a si mesma – continuei a defendê-la.
–Amar os filhos conta estar presente, e não morrer por vícios imundos e os deixar sozinhos – murmurou.
–Ela...? – senti um aperto no coração.
Ele resmungou algo e assentiu.
–Isobel também – comentei – esconderam isso de mim até eu completar quinze anos. – fechei a cara com a lembrança – mas isso não me faz pensar que ela me amava menos.
Não houve resposta, então continuei.
–O que ela fazia era sim errado, e por muitas vezes eu me vi seguindo seus passos – dei uma pausa para recompor minha expressão – mas ela também não tinha ninguém para fazer nada por ela. Meu pai nunca gostou dela de verdade – eu ri sem nenhum humor – nem de mim para ser sincera, depois que ela morreu a primeira coisa que ele fez foi se mudar e me deixar para trás com meus tios... Pais.
Não sabia mais que palavras usar, mas sabia que ainda havia muito a ser dito.
–Melanie amava seus filhos muito mais do que você a amava – disse com certeza.
–Discordo – murmurou.
Eu ri.
–Obrigada – ele sussurrou ainda deitado em meu ombro.
–Por que está me agradecendo? – ri outra vez sentindo-o me abraçar mais forte.
–Por me ajudar – sussurrou em resposta.
Fale com o autor