Million Dollar Man

12 Capítulo 12 - Impasses


Notas iniciais
Hey! Primeiramente tenho que agradecer MUITO a Anne Salvatore pela recomendação linda ♥ Obrigada, muito, muito, muito obrigada mesmo ♥
Bom, quando pensei "eba, essa semana eu tenho tempo para escrever e postar uns quatro capítulos" a placa do computador da minha irmã queima. Acho que eu tenho algum problema, ultimamente todos os computadores que eu mexo acabam quebrados D: Mas enfim, esse capítulo está pequeno porque ele era para ser pequeno rs Não é bem assim, não acho que ficaria legal jogar toda a informação do acontecimento num capítulo só, ia ficar muito pesado e melancólico.

Depois de uma noite mal dormida, andei pela casa de um lado para o outro antes mesmo de o sol nascer por completo. E realmente mão esperava que isso acontecesse – as nuvens eram escuras e densas e o tempo continuava frio e chuvoso. Pelo menos não estava nevando, pensei positivamente depois de um bocejo.

O café da manhã foi um evento estranhamente silencioso. Jeremy mal terminara de comer e já estava saindo às pressas com a boca cheia de cereal para não se atrasar. Meia hora depois, fui deixada sozinha uma vez que Miranda tinha que levar Margareth para a escola.

Tomei um banho demorado aproveitando para refletir sobre as mudanças que as ultimas semanas significaram para minha vida. Pensar que odiava estar com Damon há pouco tempo provocou-me uma quase interminável crise de risos.

Naquela manha podia dizer que estava mais irritada com Damon do que o de costume. Tinha plena certeza de que ele era o motivo de minha noite mal dormida. Em parte, não era ruim passar a noite acordada quando seus pensamentos eram voltados para seus olhos azuis intimidadores.

Acordar com a cara inchada e com os olhos roxos de olheira era uma conseqüência relevante. Digamos que o único lado que realmente me perturbava, era saber de que estava pulando de cabeça em uma das minhas maiores ilusões.

Depois que entrei para a prostituição, me vi várias vezes pensando sobre o meu futuro e já havia aceitado o fato de que nunca ninguém se interessaria por mim. Qualquer homem teria nojo de ter um relacionamento comigo quando soubesse de meu passado imundo.

Isso nunca importou muito, afinal nunca havia me interessado por ninguém nesses três anos. Tudo não se passava de sexo que eu fazia por obrigação e por dinheiro para que pudesse ver minha família bem. Esperava que se um dia eu mudasse, talvez pudesse adotar gatos para compensar minha solidão.

Damon nunca se interessaria por mim, era um fato consumado. Ele era oito anos mais velho e tinha uma vida perfeita, além de pais carinhosos, uma empresa para cuidar e dinheiro a perder de vista. Estávamos em fases completamente distintas da vida e ainda vivíamos em uma realidade completamente diferente.

Fora que, as chances de um homem como ele se interessar por uma prostituta eram entre uma porcentagem negativa e zero. Isso sem contar que ele se dizia incapaz de amar, o que podia cobrir todos os outros fatores negativos e jogar um balde de água fria sobre meus pensamentos calorosos.

Soltei um suspiro pesado. Não precisa acrescentar que eu não era ninguém – fisicamente falando – a altura dele. Chegava a ser constrangedor pensar no assunto e vale exaltar de que nunca tive uma auto-estima baixa.

Xinguei-o mentalmente. A culpa era inteiramente dele, se tivesse me deixado quieta onde estava isso não teria acontecido.

Não, as mudanças eram boas.

Repensei no que havia dito.

Eu tinha muito que agradecê-lo. Sabia que isso seria uma eterna divida e por mais que tenha odiado quando ele disse “Vai me agradecer por isso depois” já começava a pensar no assunto. Fazer o vestibular realmente era uma boa idéia, finalmente eu poderia ver meu sonho de me formar em direito se concretizando em alguns anos.

E se desse certo, poderia ajudar minha mãe de um jeito honesto. Dei um breve sorriso com a idéia. Ser alguém que impusesse respeito e fosse respeitada era algo que fazia meu ego inflar só de cogitar a hipótese.

Abracei a almofada do sofá no qual estava sentada e deixei que meus pensamentos vagassem por planos incertos e fantasias sobre Damon que nunca aconteceriam. Afinal de contas, o ato sonhar, até onde me constava, não era cobrado em nenhum imposto.

O toque estridente de meu celular me fez pular. Nem me lembrava da existência do aparelho até que o mesmo vibrasse sobre a mesa agitando meu coração. Respirei fundo tentando recuperar o ritmo harmônico e de minha respiração e estiquei-me para pegar o celular.

–Alô? – disse insegura depois de ver o número desconhecido.

–Elena? – a voz me era extremamente familiar.

–Caroline?! – enrijeci minha postura.

–Ah, Elena! – chorou. Senti um arrepiou descer por minha espinha. – Eu te acordei? Desculpa te ligar assim tão cedo – disse em meio a soluços.

–Não tem problema – dei uma pausa já me sentindo nervosa – O que houve?

–Stefan, ele... Ele – suas palavras soavam enroladas – ele me colocou na rua.

Coloquei-me de pé num salto. Ao julgar pelo seu estado, não sabia se essa era noticia boa ou ruim. Respirei fundo e procurei as palavras certas a serem usadas.

–Calma, não chora – tentei tranqüilizá-la.

–Eu não tenho para onde ir Elena, não ia te ligar, mas você é a única pessoa que eu conheço por aqui – deu uma pausa – meus pais moram no Tallahassee e não tenho dinheiro para voltar... – a interrompi.

–Onde você está? – minha voz era urgente.

–No banheiro, escondida – fungou – achei seu número na agenda dele, desculpa mesmo eu não queria te incomodar.

–Não está incomodando Caroline, — fui até meu quarto a passos largos – arrume suas coisas.

–Já arrumei, ele disse que tenho meia hora para sair daqui – disse num sussurro.

–Ok – suspirei e joguei tudo que julguei necessário em uma de minhas bolsas novas – Não sei se consigo chegar aí em meia hora, mas caso não chegue, vá até o beco atrás do parque, esta bem?

–Obrigada – era possível sentir o alivio através de sua voz.

Não teria tempo para esperar que minha mãe chegasse, logo, saí porta a fora me agarrando na esperança de que ela entenderia a situação. Senti um nó se formar em minha garganta quando passei na calçada da casa de Matt. Já se passaram três semanas. Quase um mês – meu inconsciente teimou em me lembrar.

As gotas gélidas de chuva caiam em meu rosto e parecia ácido quando misturadas ao vento ártico soprado em minha direção. Xinguei mentalmente por ter esquecido de pegar um guarda chuva ou uma capa para que pudesse me proteger da precipitação.

Corri contra o relógio e contra meus próprios pés até chegar ao ponto de ônibus, depois me forcei a me contentar com o ritmo lento no qual o motorista dirigia. Olhava no relógio que piscava na tela de meu celular em um intervalo menor que dois míseros minutos – o que não estava ajudando em nada em minha ansiedade.

Caroline havia sido a única pessoa naquele lugar imundo com quem eu conseguia me relacionar. E ao contrário do que era de se imaginar, ela não estava ali porque queria ou porque gostava de sexo, Stefan a enganara. Ele vendeu-lhe a mentira de que ela viria para Nova York começar sua tão sonhada carreira de modelo, e, no entanto, praticamente a escravizou.

Doía imaginar como ela sofria tendo de mentir para os pais, dizendo que estava bem e ter sempre que inventar uma desculpa quando o assunto envolvia uma visita. Várias vezes eu fui seu alvo de desabafo, e, por mais que ela tentasse se mostrar forte, foi em meu ombro que ela deixou suas lágrimas a acalmar.

Depois de vinte minutos, finalmente, finalmente, finalmente eu estava em Coney Island. Senti um frio na barriga e uma onda de culpa invadir meus pensamentos. Eu havia prometido a Damon que não voltaria naquele lugar e ali estava eu, mesmo que não fosse pelos mesmos motivos, eu tinha voltado.

Fechei a cara para a paisagem nebulosa e familiar enquanto descia do ônibus. Andei, mais uma vez, depressa demais, meu peito doía em protesto ao meu ritmo, mas ignorei a dor e a falta de respiração para continuar andando. Olhei no relógio mais uma vez e concluí que teria de ir direito ao Motel, uma vez que ainda não tinha se passado meia hora.

Quando cheguei, Katherine estava debruçada sobre o balcão da recepção. Ela abriu um sorriso largo e olhou-me com olhos curiosos. Fechei a cara com o impulso que o ciúme me proporcionava, Damon podia não sentir nada por ela, mas mesmo assim transava com ela Deus sabe lá quantas vezes por semana.

Subi as escadas de dois em dois degraus torcendo para não dar de cara com Stefan, tinha plena certeza de que não estava preparada emocionalmente para vê-lo novamente. Atravessei o salão bagunçado ignorando o murmúrio de vozes femininas que vinham do lado oposto ao que eu seguia e abri a porta do tão familiar quarto.

–Elena! – Caroline jogou os braços a minha volta envolvendo-me num abraço apertado.

Abracei-a de volta sentindo um pouco do alivio causado pela sensação de dever comprido. Sequei suas lágrimas assim que ela permitiu que eu me afastasse e vasculhei a minha volta à procura de seus pertences.

–Calma, — disse tentando parecer calma – Nós não podemos demorar aqui, Stefan não pode saber que eu estive aqui.

Ela assentiu. Minha respiração não teve tempo de se acalmar, o pensamento de Stefan me encontrando perturbava meus pensamentos da mesma maneira que a lembrança da surra de três semanas atrás.

Caroline havia acabado de por a bolsa no ombro quando o som da porta se abrindo fez com que nós duas pulássemos. O sangue fugiu de meu rosto deixando-me pálida e ofegante. As palavras de Damon se tornaram uma oração em minha cabeça tornando o momento ainda mais difícil.

–Estava com saudades docinho – ele sorriu para mim.

–Se alguém me ligar, diga onde estou e o que aconteceu – sussurrei e entreguei meu celular para Caroline – vai embora, não precisa me esperar.

–Para onde? – tive de fazer leitura labial para identificar o que ela tentava dizer.

–Vá para a casa do Matt – disse sem pensa r- ligue para ele, seu número está na lista de contatos, diga que fui eu que pedi – mesmo com raiva, não conseguia ver Matt não me ajudando numa situação como essas.

Caroline assentiu e saiu do quarto em silêncio. Stefan acompanhou seus passos com o olhar até que ela descesse pelas escadas do outro lado do extenso cômodo. Cruzei os braços e cerrei os lábios preparando-me para o que estivesse por vir.

–Onde você estava? Perdeu a noção do juízo? – praticamente rosnou.

–Não te interessa – respondi friamente ignorando o medo que fazia minhas pernas vacilaram. – Não, muito pelo contrário, nunca tive tão ajuizada.

Ele riu sem nenhum sinal de humor e deu um passo em minha direção.

–Ou esqueceu o que eu costumo fazer quando uma de vocês esquece como se comportar? – seu tom era ameaçador.

Engoli a seco e franzi o cenho sem deixar que minha expressão demonstrasse o medo de corroia minhas artérias.

–Não, também não me esqueci – murmurei – Não sou uma delas. Não mais.

–Quem te disse? – Stefan deu uma gargalhada – Damon?

Trinquei os dentes quando ele tocou no nome de Damon.

–Mais uma vez, isso não te interessa – dei de ombros.

Stefan agarrou meu braço com uma força inacreditável. Contorci-me e consegui escapar de seu aperto e aproximar-me da porta planejando escapar assim que me surgisse uma oportunidade.

–Não encosta em mim – alertei.

–Aham, obrigada por avisar – sua voz estava carregada de ironia.

Ignorando o meu alerta, ele segurou meus pulsos e os prendeu ao lado de meu corpo. A essa altura, já estava implorando mentalmente para que Damon resolvesse ligar para mim no intuito de me acordar com alguma piadinha e Caroline dissesse que eu estava aqui.

–Caroline foi embora – fingiu tristeza – Ela era uma de minhas preferidas, você sabe.

Não respondi, estava secretamente satisfeita por saber que ela estaria bem longe dali nos próximos anos.

–E você também sabe que não dá para ficar com duas a menos – ele riu – Óbvio que sabe. Presumo que você também saiba que eu não te deixaria sair.

–A questão é – dei uma pausa – não estou pedindo sua permissão.

–Cala a boca – disse com autoridade. – Caroline não serve para nada, você vale por duas e vai ficar, queira você ou não.

–Sinto muito te decepcionar, mas não vou ficar em lugar nenhum – libertei meus pulsos e o empurrei.

–Ah vai, com certeza vai – disse agarrando meus cabelos.

–Ai! – protestei.

–Três anos e seu ponto fraco continua o mesmo – riu com deboche.

–Eu disse que eu não vou ficar – gritei e dei-lhe um soco com toda a força que tinha em seu maxilar.

Stefan pareceu vacilar, seus olhos estavam em mim, sua expressão demonstrava o quanto ele estava incrédulo. Dei um passo para trás temendo sua reação, mas ele continuava a me encarar sem nada dizer. Dei outro passo e coloquei a mão na maçaneta da porta.

E então senti o peso de sua mão contra o lado esquerdo de meu rosto.

–Filha da puta! – gritou – Você está maluca? Andou exagerando na dose de seu coquetel?

–Sai de perto de mim – disse com violência.

–Ai Elena, pelo amor de Deus, olha para você, realmente acha que tem alguma moral sobre mim? – com o impulso de raiva que se originou em suas palavras, levantei a mão para lhe socar novamente.

–Não – ele segurou minha mão a centímetros de seu rosto. – Não ouse fazer isso de novo. Essa tapa foi um alerta, e fique você sabendo que não tenho medo de fazer outra cirurgia no nariz – disse com deboche – Você vai ficar.

–Não – minha intenção era que minha voz soasse ameaçadora, mas mais parecia uma súplica.

–Não? – ele riu. – O que aconteceu com a Carmen? A mulher que todos os homens pagavam muito bem para ter?

Não respondi.

–Quem te iludiu, docinho? – provocou – Quem disse para você que eu deixaria você ir embora?

Irritado com meu silêncio, Stefan voltou a puxar meu cabelo com o dobro de força.

–Parece que alguém aqui voltou muito abusada – riu com desprazer – Acho que devo lhe informar que não tolero abusos.

Abri a boca para protestar, mas rapidamente ele soltou meu cabelo para calar minha boca. Mordi sua mão, mas só consegui lhe causar mais raiva que foi descontada do outro lado de meu rosto.

–Não te perguntei se você quer ficar. – ele olhava diretamente em meus olhos – Eu disse que você vai ficar no lugar da Caroline. – Stefan tirou a mão de minha boca. Dessa vez, eu não tinha argumentos para continuar a discussão.

–Ah sim, — ele riu – ela nunca teve os mesmos luxos que você. Logo, sugiro que você se acostume com homens beijando você e tocando lugares de seu corpo que talvez possam não lhe agradar – senti um arrepio descer por minha espinha. – Sexo oral também, minha querida, e como você andou muito tempo longe, hoje você vai tirar o seu atraso. – Stefan abriu um sorriso duro e me deixou sozinha no quarto.

Notas finais
Não deixem de comentar, amo saber a opinião de vocês ;)