Milagres de Junho

18 Sentimentos


Notas iniciais
Oii Cupcakes ♥! Capítulo curtinho e talvez um pouco corrido, porque a autora está mega cansada e escreveu dois capítulos hoje. Quero agradecer demais pelos comentários do capítulo passado da Suh Souza e da Vee Grey Smoak Queen. Eu espero de verdade que gostem desse capítulo. Boa leitura...

ROMANCES MENSAIS

LIVRO VI — MILAGRES DE JUNHO

CAPÍTULO XVII — SENTIMENTOS

— Confesso que não acreditei quando li a sua mensagem me convidando para um encontro. Achei que fosse algum tipo de pegadinha. — Comenta Cooler, assim que o garçom se afasta de nós, após deixar nossos pedidos. Ele pega a sua taça de vinho e saboreia a bebida com um sorriso satisfatório.

Cooler e eu estávamos em um dos melhores restaurantes da cidade. Depois de passar noites me martirizando com as cenas da última vez que vi Oliver, eu resolvi que a única forma de seguir em frente seria saindo com outra pessoa e o escolhido foi o atraente e doce médico que tem estado ao meu lado desde que retornou para os Estados Unidos.

— Por quê? Não é como se eu nunca tivesse convidado você para um encontro. — Respondo, dando de ombros.

— É verdade. Você já me convidou antes. Acho que foi a oito anos atrás. — Ironiza Cooler, rindo da careta que eu faço.

— Qual o problema de uma mulher solteira chamar um homem solteiro para sair? Você fala como se isso fosse algo de outro mundo. — Comento e o homem ri, voltando a beber mais um pouco de seu vinho.

— O problema não é você, como mulher solteira, ter me convidado para sair, Feli. O problema é você me convidar para jantar em um restaurante refinado e claramente usado para casais quando sua mente está presa em outro homem. — Responde o médico, cortando a suculenta carne que ele havia pedido.

— O quê? Isso não é verdade! — Resmungo, voltando minha atenção para o salmão em meu prato. Ouço Cooler rir, como se não acreditasse em minha fala. — Eu estou falando sério.

— Ah, vamos lá, Feli. Eu te conheço desde que era apenas uma pirralha andando pelo campus da universidade sendo os centros das atenções por ser uma adolescente de dezesseis anos cursando medicina. — O rapaz come um pedaço da sua carne e vejo seus olhos brilharem com divertimento ao notar o meu olhar sobre si. — Seja sincera comigo. Eu vou entender.

— Eu não estou com Oliver na minha cabeça. Eu apenas quis ter um encontro com você. Nada demais. — Mito, desviando meu olhar para minha comida. Como um pouco do salmão com alguns legumes e Cooler ri.

— Em momento algum eu disse nomes. — Comenta o homem, lançando um olhar convencido. Acabo engasgando ao notar que eu realmente havia cometido um erro. Ele ri e me entrega o copo de água. — E parece que minhas suspeitas estavam certas. Você está mesmo apaixonada pelo pai do seu filho. É incrível como você sempre se entrega, Feli.

Bebo um pouco de água e bufo, sem conseguir contestar sua fala. Ele come mais um pouco de sua comida e suspira, pegando o guardanapo para limpar a boca. Seus olhos recaem sobre mim mais uma vez e Cooler dar um sorriso nostálgico. Observo-o com curiosidade, tentando descobrir o que ele estava pensando.

— Sabe, Feli. Eu fiquei realmente feliz em saber que você trabalhava no IU Health Methodist Hospital. Nós sempre trabalhamos muito bem juntos. Você é uma mulher responsável, gentil, extremamente inteligente, divertida, carinhosa e muito bonita. — Conta Cooler, pegando em minha mão livre. Ele abre um sorriso compreensível e eu me sinto desconfortável pela forma como ele parecia ler a minha mente. — Eu nunca te esqueci, Feli. E pensei que essa fosse a chance de vivermos aquele amor que se iniciou em nossa juventude. Mas eu vi a forma como você encarou o filho do Dr. Robert.

— Cop, eu... — Suspiro, sem saber o que dizer. Cooler se afasta e bebe mais um pouco de seu vinho sem desviar o olhar de mim. — Não é como você está pensando.

— Bom, eu estou pensando que você está tentando me usar para ignorar seus sentimentos pelo pai do seu filho. — Responde Cooler, rindo levemente. Encolho-me, porque era exatamente como ele estava pensando. — Parece que você está em uma situação complicada. Qual é o problema?

— Não é nada, Cop. Não se preocupe. — Digo, suspirando. Ele me encara como ele fazia quando ainda estávamos na faculdade e alguma coisa me incomodava. Era incrível o dom de Cooper em me fazer falar.

— Vamos lá, Feli. Você sabe que pode me contar tudo. Eu sei que você vai se sentir bem melhor colocando tudo o que está sentindo para fora. Você sempre teve a preocupante mania de querer guardar tudo para si mesma. Reprimir tantos sentimentos assim não faz bem. Uma hora você vai acabar estourando e sofrendo ainda mais. — O pediatra dá aquele sorriso encorajador e sinto a imensa vontade de falar. Bufo e ele ri ao ver que tinha me convencido. Apesar de anos afastados, ele ainda me conhecia muito bem, quase como se pudesse ler a minha mente.

— Eu acho que... que eu gosto dele. — Confesso com muita dificuldade. Suspiro mais uma vez e fecho os olhos, tentando exteriorizar todos os sentimentos complicados que mexiam comigo desde que Oliver passou a fazer parte de minha vida. — Mas isso é errado, Cop. Não deveria ser assim. Achei que tudo não passasse de carência, já que não me envolvo com nenhum homem desde antes de engravidar de Tony. Mas então... bem, eu me afastei dele. Nosso único vínculo atualmente é o nosso filho. Eu tenho evitado ao máximo me encontrar com Oliver nessas últimas três semanas. Achei que assim pudesse me livrar de todo esse caos que me aflige desde que eu o conheci de verdade. Mas... você sabe.

— Mas você percebeu que está sendo muito mais difícil lidar com a saudade do que com a forte atração que você tem por ele. — Completa Cooper e eu acabo assentindo. Eu não aguentava mais essa vontade insaciável de ir atrás de Oliver, de ligar para ele, mandar mensagem, de ouvir a sua voz. Era torturante e enlouquecedor tentar lidar com todos essas novas emoções que eu sinto todas as vezes que penso em Oliver. — E por que você não vai atrás dele? Eu sei que você quer, Feli. Posso ver em seus olhos o quanto tem lutado contra seus sentimentos.

— Eu não posso, Cop. — Sussurro, afetada. Eu já nem fazia mais questão de esconder o quanto tem sido difícil para mim e o quão fragilizada eu me sinto. — Ele tem namorada e ainda é jovem.

— A primeira parte eu até entendo, mas qual é o problema dele ser jovem? — Pergunta o homem, encarando-me com intensidade.

— Oliver tem apenas vinte e quatro anos, Cop. Ele ainda é um garoto, aprendendo sobre a vida. Ainda precisa amadurecer e...

— E você está apenas criando desculpas para fugir da realidade. — Cooper me interrompe, balançando a cabeça negativamente. — Eu te conheço, Feli. Você sempre tenta passar essa imagem de que sempre age da maneira mais racional possível, mas a verdade é que você tem medo de se entregar. O problema não é a idade dele e nem mesmo a suposta namorada dele. Tudo bem. A namorada dele pode ser um problema. Mas o que realmente tem te impedido de lutar pelo pai do seu filho é que você está assustada com a intensidade de seus sentimentos.

— E o que você quer que eu faça? — Questiono, bebendo um pouco de vinho em seguida. — Eu não consigo evitar. Eu estou apavorada. Mas não somente com a força desses sentimentos que me martirizam dia após dias. Eu tenho medo de acabar machucando Tony se as coisas não derem certo entre nós. Você já viu o quanto ele é louco pelo pai e por toda a família dele?

— Eu sei que isso vai te surpreender, mas acredita que existe casais de pais separados e que apesar disso as crianças continuam a conviver com as duas famílias? — Ironiza Cooper e eu reviro os olhos.

— Eu estou falando sério, Cop. Eu sou mãe solteira. Não posso me deixar levar pelas minhas emoções. Tudo o que eu faço reflete em Tony. Essa situação inteira já é bastante complicada de se explicar a ele. Não quero magoá-lo. — Resmungo e ele suspira.

— Não seja boba. Seu filho é uma criança incrivelmente inteligente e já deixou claro diversas vezes o quanto ele quer que você e o pai dele fiquem juntos. A Felicity que eu conheço e por quem me apaixonei jamais fugiria de seus sentimentos assim por causa de medo. — Responde o médico e acabo ficando envergonhada por causa de sua sentença. Eu não sabia como reagir diante de sua sinceridade.

— Cop, eu sinto...

— Antes que você se lamente pelo que não tem culpa, quero que você me diga com sinceridade, Feli. Você realmente acha que vai conseguir esquecer o Oliver se continuar longe dele? — Questiona Cooper, encarando-me com seriedade.

— Eu não sei. — Suspiro, passando o dedo pela boca da taça com o pensamento distante. — Sinceramente, eu não sei de mais nada. Oliver é como a minha kriptonita. Ele me enfraquece e me deixa vulnerável. Eu não consigo pensar direito e nem agir como eu normalmente agiria. Acho que essa é a primeira vez que me sinto tão perdida. E o pior disso é que eu tinha que me... apaixonar por uma pessoa que já pertence a outro alguém.

— "Meu amor não tem razão. Tampouco explicação. Meu amor não é mensurável. Ele é daqueles que não se ajustam. Não pertenço à irritante prudência dos amores modernos. Nunca me dei a esses sentimentos contidos.

Meu amor não foi feito para ser entendido. Ao seu lado minha alma se torna confusa, insana e errante. Meu amor não vai embora quando é preciso. Ele fica, bate, insiste.

Meu amor não procura as virtudes, não pondera, não te espera no altar, não analisa teu boletim, não aceita o teu portfólio. Você me ganha nos detalhes.

Meu amor renasce toda vez que você sorri bonito, meio de lado, como quem não espera muito do dia seguinte. Ele dança cada vez em que os nossos passos cambaleantes se encontram. Ele me anestesia os sentidos, me confunde as certezas, arrebata a minha consciência. Ele não aprende os passos, te tira pra dançar num supetão, num descompasso.

Meu amor não se esconde em nenhuma máscara de pureza. Se mostra inteiro, altivo, vivo. Antes de se explicar, ele te confunde. Mostra a que veio, descalço, despido. Eu apenas te amo sem razão." — Cooler termina sua declamação, sorrindo docemente e eu não consigo não corresponder.

— Esse texto... — Suspiro. Cooler havia o escrito para um festival de literatura que ele participou. Apesar de ter ficado em segundo lugar, eu havia me apaixonado por ele. Agora, anos depois, eu me via odiando o texto simplesmente por me identificar tanto com ele. — Você sempre foi bom em criar texto românticos que fazem qualquer mulher suspirar. Foi por ler os textos que você criava que eu me apaixonei por você.

— Não tente fugir do assunto, mocinha. Eu estou apenas queria mostrar para você que não tem motivos para tentar explicar o que sente. Você deveria mesmo aceitar seus sentimentos e agir. Pare de ficar se lamentando. Aja! Tome uma atitude! — Incentiva meu amigo, sorrindo da maneira encorajadora.

— Na teoria é tudo muito simples e fácil de resolver. Na prática, ele continua namorando e eu estou aqui agindo como uma idiota. — Resmungo, frustrada.

— Eu não sei se é verdade, mas ouvi alguns boatos de que Oliver tem tentado terminar com Laurel. O problema é que ela não tem aceitado e desde então tem tornado a vida dele ainda mais complicada. — Conta Cooler, pensativo. Ele então sorri e me dar uma piscadela.

— Quem te contou isso? — Pergunto, curiosa.

— Eu ouvi sem querer uma conversa da Dra. Mirela com a enfermeira Malévola e a Dra. Moira. — Responde o pediatra, sorrindo como uma criança traquina.

— Isso significa que...

— Que ele provavelmente está tentando abrir caminho para que vocês fiquem juntos. — Supõe o rapaz, encarando-me com aquele olhar significativo. Antes que eu dissesse qualquer coisa, Cooler parece surpreso com alguma coisa. — Aquele é...

— O quê? — Pergunto, virando-me para trás. Arfo assustada e arregalo meus os olhos ao reconhecer quem andava olhando em volta, como se tentasse encontrar alguém. — Oliver?

Notas finais
Família Cupcake 2.0: https://chat.whatsapp.com/BbOG6KJnuHy2dQIs1sC9Ss Cupcakes da Lara: https://www.facebook.com/groups/677328449023646 Instagram: @_cupcakesdalara