ROMANCES MENSAIS

LIVRO VI — MILAGRES DE JUNHO

CAPÍTULO XVIII — CHANCE

Quando eu e meus primos éramos crianças, tio Clint sempre nos contava histórias sobre suas viagens recheadas de suas excentricidades e as lendas dos lugares que visitava. Essas eram sempre únicas e fascinantes. Ao redor de uma fogueira, sob o brilho das estrelas e da Lua, durante os acampamentos de tio Clint, eu não me cansava de ouvir as histórias de grandes heróis e os contos de amor impossíveis.

Dentre as inúmeras lendas narradas pelo tio Clint de forma envolvente e cativante, uma delas ficou marcada em minha mente até os dias de hoje. A lenda japonesa que fala sobre o surgimento da árvore de Sakura, uma de suas mais belas árvores. Eu não sabia o motivo, mas havia algo naquela lenda que prendia a minha atenção.

Segundo tio Clint, a lenda se passa no Japão antigo, em uma época em que senhores feudais travaram batalhas terríveis, e muitos combatentes foram mortos, deixando muito vazio e dor nas pessoas que sobreviveram. Nesse cenário caótico, a paz era uma raridade, porque assim que um conflito chegava ao fim, outro se iniciava.

No entanto, em meio a toda essa destruição, havia uma floresta que se mantinha intacta com belas árvores que exalavam perfumes delicados e serviam como uma espécie de consolo para as pessoas que enfrentavam as lutas diárias. O lugar era tão belo que nenhum exército tinha coragem de prejudicar essa linda obra da natureza.

A floresta tinha uma beleza incrível, mas dentre todas as árvores, existia uma que nunca floresceu. Mesmo estando viva, por causa de sua aridez e falta de coloração, muitos a davam como morta. E por causa de sua aparência, a árvore vivia isolada. Os animais da floresta não se aproximavam, com medo de serem contagiados por aquela estranheza. Nem a grama crescia por perto, temendo ser amaldiçoada por sua hediondez.

E foi então que em uma noite a árvore foi visitada por uma fada muito gentil e amável, que tentou entender o motivo daquela árvore jovem aparentar tanta velhice. Com palavras de compaixão, a fada lhe disse que queria vê-la com vida, animada e colorida, por isso iria ajudá-la.

A amável fada fez uma proposta à árvore: usaria o seu poder para criar um feitiço que duraria 20 anos. Durante esse tempo, a árvore teria a oportunidade de experimentar as mesmas emoções que os corações humanos. O objetivo era que isso a inspirasse a enxergar as coisas diferente e a florescer novamente.

A fada ainda disse que o feitiço permitiria que ela assumisse a forma de um humano, sempre que se desejasse. No entanto, se depois de 20 anos ela ainda não fosse capaz de despertar sua vitalidade, ela morreria imediatamente.

A árvore aceitou a proposta e se empolgou com a ideia de poder assumir a forma humana. Aproveitou essa oportunidade e ficou por muito tempo na forma de um homem, para sentir suas emoções na esperança de que encontrar algo que a inspirasse a prosperar. Ainda assim, o começo foi muito difícil, porque tudo o que via ao seu redor era guerra, dor e ódio. Então, voltava a ser árvore para tentar se afastar de todo o mal que a rodeava.

Os anos se passavam e a árvore não encontrava nada que a ajudasse a se transformar. Até que em uma noite, quando estava na forma humana, ela caminhou até um córrego cristalino e lá encontrou uma jovem. Ela se chamava Sakura. A árvore, que agora era homem, se encantou por sua beleza e decidiu se aproximar.

Sakura se mostrou uma pessoa muito simpática e gentil, e para retribuir, ele a ajudou a levar a água até seu lar, que fica nas redondezas. Os dois conversaram e mostravam uma grande sintonia. Falavam sobre como a guerra estava destruindo os sonhos de muitas pessoas e as preocupações que os assolavam.

Sakura perguntou o seu nome, e ele respondeu “Yohiro”, que significa “esperança”. Eles dois se deram muito bem e com o tempo ficaram muito amigos. Se encontravam todos os dias e faziam coisas juntos, conversavam, cantavam, liam poemas e se divertiam. Ele percebeu que seu sentimento por ela estava se fortalecendo, porque sempre que se separavam, ele desejava o reencontro. A árvore se sentia muito mais feliz ao lado de Sakura. Ela lhe trazia paz e felicidade. A fazia se esquecer de toda a dor e a raiva que havia em seu coração.

Um dia, Yohiro decidiu falar para ela sobre seus sentimentos, pois não conseguia mais guardar dentro de si mesmo. Além disso, também falou quem realmente era: uma árvore que não conseguia encontrar seu propósito e logo morreria porque não conseguir florescer. Sakura ficou muito impressionada com a confissão de Yohiro e se afastou. Ela sentia medo. Medo de seus sentimentos, de tudo o que poderia acontecer.

Mesmo seu coração humano dizendo que deveria ir atrás dela, a árvore respeitou a decisão de Sakura. E foi então que o tempo se passou e os 20 anos de Yohiro estavam acabam. Ele voltou a ser árvore e se entristecia cada dia mais, pensando em seu destino. Por mais que tentasse, não conseguia preencher aquele vazio que Sakura deixou quando foi embora. Aos poucos, toda a esperança foi chegando ao fim. Mesmo a fada tentando animar a árvore, ela já havia desistido de viver.

No entanto, em uma tarde, quando ela menos esperava, Sakura chegou ao seu lado, a abraçou e confessou seu amor. A garota não queria que o seu grande amor morresse e nem sofresse. Ela também havia sofrido muito longe da árvore. Nesse momento, a fada apareceu e cobrou uma escolha de Sakura: permanecer como humana, seguindo sua vida normalmente, ou se unir a Yohiro na forma de uma árvore.

Pensando na decisão que deveria fazer, ela olhou ao seu redor e se lembrou de toda a dor e sofrimento que testemunhava todos os dias. Sabia que não suportaria isso por muito tempo longe da pessoa que ela mais amava, então, superando todo o medo que sentia, ela escolheu se unir a Yohiro na forma de árvore.

E assim aconteceu. Os dois se tornaram um e floresceram juntos, tornando-se uma das árvores mais lindas da floresta. Tio Clint nos disse que desde então, o amor de Sakura e Yohiro se materializa em flores de cerejeira em toda primavera para perfumar os campos do Japão, demonstrar que o amor verdadeiro é capaz de florescer até mesmo nas situações mais negativas e despertar esperança em todos nós.

Por muito tempo, meu mente parece ter guardado essa lenda no fundo da minha memória. Era uma simples história de amor. Mas desde que Tony e Felicity entraram em minha vida, eu passei a me identificar com esse conto japonês. Eu me sentia como Yohiro. Alguém triste e amargurado desde que Sara morreu. Fechado para o mundo, ao lado de Tommy e Laurel, eu passei a frequentar festas e a me envolver em escândalos. Isso fez com que as pessoas se afastassem de mim. Damon sempre me alertava desse problema, mas eu estava cego demais para ver o quanto ao invés de curar, eu estava me afundando cada vez mais em minha tristeza.

Foi então que assim como a fada surgiu para Yohiro, Tony apareceu em minha vida me dando a chance de mudar. Ele me deu uma razão para viver, me mostrou a beleza da vida em meio a toda escuridão que cercava meu coração. Mas mais do que isso, ele me deu a oportunidade de conhecer um amor incondicional que nunca imaginei que seria capaz de sentir.

E enquanto eu aprendia e me descobria ao lado de Tony, eu conheci Felicity Smoak. Ela era incrível. Bonita, inteligente e determinada, eu me sentia instantaneamente atraído por sua personalidade marcante. E foi ao lado desses dois que todos os dias se tornaram coloridos e divertidos. Felicity continuava a me encantar com seu jeito doce e gentil.

Quando eu menos percebi, eu estava completamente apaixonado por ela. Eu já não conseguia mais ignorar aquela atração estranha que existia entre nós. Mesmo sabendo que era errado, eu eu continuei a me envolver com ela. Mas assim como Yohiro, assim que tomei coragem para expressar meus sentimentos, Felicity se afastou e foi por um caminho difícil de alcançar. Ela estava determinada a me esquecer e eu sabia disso.

Naquele momento eu percebi que precisava tomar um rumo em minha vida. Por isso, tentei de todas as formas terminar com Laurel, mas ela continua a insistir que isso é apenas mais uma briga boba nossa. Não importa quantas vezes eu diga que eu não posso mais manter a minha promessa, ela sempre acaba fazendo drama para fazer eu me sentir culpado.

Infelizmente, essa insistência de Laurel parece estar afetando Tony de maneira negativa. Ele não gosta de ficar sozinho com ela. Diferente do garoto risonho e amoroso, ao lado dela, ele se torna cauteloso e parece estar sempre prestes a chorar, agarrando-se a minha perna. Tony se recusa a olhar Laurel nos olhos e a ficar perto dela. E não importa quantas vezes eu questione sobre seu comportamento atípico, ele permanece calado.

Damon dizia que esses eram os sinais de Tony para me alertar de que eu devo me afastar de uma vez por todas de Laurel. Eu não sabia mais o que fazer e ficar essas três semanas longe dos sorrisos contagiantes e dos olhos verdes fascinantes de Felicity tem me enlouquecido. É como se uma parte importante de mim tivesse sido arrancada e eu estivesse respirando apenas por ajuda de aparelhos.

Mas eu permanecia firme, esperando o momento certo de me abrir com Felicity e declarar o meu amor por ela. Porque ao contrário do que ela diz, eu não acredito que esse magnetismo único que existe entre nós seja apenas uma estúpida atração e a carência que sentíamos. Eu sinto que eu realmente a amo e tenho certeza de que assim como a Sakura da lenda, ela também me ama e está apenas com medo de aceitar seus sentimentos.

E eu provavelmente teria continuado a esperar pelo momento em que ela aceitaria nossos sentimentos se não fosse pela pergunta feita por meu inteligente e impressionante filho. Com toda a sua inteligência invejável até mesmo para adultos, ele me encarou com seus lindos olhos azuis e me mostrou uma expressão séria.

— Quando você e a mamãe vão se casar, papai? A Mal e o tio Damon disse que vocês se amam. Mamãe disse que as pessoas se casam quando se amam. Vocês vão se casar, papai? — Questionou a criança com seus olhos brilhando em esperança.

— Você quer que a gente se case? — Ousei perguntar, curioso por sua resposta.

— Sim! Assim a mamãe e o papai ficarão para sempre comigo. E poderemos viver felizes para sempre. — Respondeu o garoto, animado.

Aquela foi a sua forma de aprovar meus sentimentos por sua mãe, ainda que de maneira indireta. E então, tomado por uma coragem maluca que me atingiu de repete, eu decido ir atrás de Felicity em sua casa. Eu sabia que ela estava de folga. Mas me surpreendo ao chegar em sua residência e descobrir por Mal que ela havia saído.

E não demorou muito para que eu recebesse uma ligação de Thea, que estava em um encontro com Roy, contando que tinha visto a médica entrar no restaurante do tio Clint acompanhada do novo médico do hospital. Sendo conduzido pela raiva e pelo maldito ciúmes, decido deixar Tony com Damon e Elena e sigo para o Sense's, um dos maiores negócios de tio Clint ao lado do Hawkeye, a casa de show burlesca do homem.

E foi assim que vim parar de frente ao restaurante de alta classe. Ignorando a hostess do restaurante que questionava se eu tinha alguma reserva, entro no estabelecimento à procura da loira, disposto a levar Felicity para longe de Cooper Seldon e finalmente revelar tudo o que eu sinto por ela.

— Oliver? O que você está fazendo aqui? — Questiona uma voz masculina colocando a mão sobre o meu ombro. Viro-me assustado e me surpreendo ao reconhecer Mon-El Matthews. Ele usava camisa social em um tom de roxo escuro, colete e gravata pretos e sapatos sociais da mesma cor, não parecendo em nada com o motociclista bad boy que desfila pela cidade com uma Ducati 1098.

— Eu... eu estou procurando uma pessoa. E o que você está fazendo aqui, Mon-El? Achei que estivesse trabalhando como bartender e gerente no Hawkeye. — Digo, voltando a buscar por Felicity em meio aos clientes de alta classe que frequentam o negócio de tio Clint.

— Eu também me tornei uma espécie de gerente do Sense's, então alterno os dias entre o Hawkeye e o restaurante. — Conta Mon-El, suspirando cansado. Não devia estar sendo fácil dos dois negócios de sucesso de tio Clint.

— Você parece cansado. — Comento e ele dá uma risada irônica. — Como estão Mike e Holly?

Para a minha surpresa, Mon-El é tio da melhor amiga de Tony e o funcionário de maior confiança de tio Clint. Apesar de toda a sua excentricidade e de ser bastante conhecido, tio Clint é extremamente desconfiado e cauteloso quando se trata de seus negócios. Mon-El está ao lado de meu tio desde sua adolescência, quando começou a trabalhar para ele. Depois de enfrentar alguns problemas, ele foi embora de Hawkins, retornando apenas recentemente para assumir a guarda dos sobrinhos, que foram separados dos pais depois de diversas confusões envolvendo a família Wheeler.

— Eles estão bem. E como está sendo a sua vida de pai? — Questiona o homem, sorrindo divertido. — Parabéns pela paternidade.

— Obrigado. — Respondo, sorrindo ansioso. Apesar de gostar muito de Mon-El, naquele momento eu apenas queria encontrar Felicity. — Está sendo uma experiência incrível.

— Tony é um pirralho incrível mesmo. Eu...

— Com licença, Mon-El. — Um dos garçons se aproxima com um sorriso fraco. Viramos nossa atenção para o homem. — A mesa cinco está solicitando falar com o gerente.

— Tudo bem. Eu já estou indo. — Responde Mon-El, suspirando. O garçom assente e se afasta, deixando-nos sozinhos. Mon-El se vira para mim e coloca a mão em meu ombro mais uma vez. — Bom, fique à vontade, Oliver. Eu preciso voltar ao trabalho. Mas vamos marcar um dia para bebermos. Temos muito assunto para colocar em dia.

— É claro. Apenas me avise quando tiver alguma folga nessa sua vida agitada. — Digo e ele ri, afirmando antes de se afastar para ir atender ao cliente que havia solicitado sua presença.

Sozinho novamente, continuo a perambula por entre as mesas do restaurante de alta classe. E é então que encontro aqueles olhos verdes que continuavam a me tirar a razão. À princípio, a saudade fala mais alto e a minha vontade era de correr até ela e a abraçar até ter certeza de que ela desistiria da maldita decisão de se afastar de mim.

Mas logo esse sentimento se transforma em um aperto em meu coração ao ver que como Thea havia dito, ela estava acompanhada do Dr. Cooper Seldon. Eles já haviam notado a minha presença e ao notar a mão do Senhor Perfeição sobre a de Felicity, sinto o gosto amargo do ciúmes em minha boca.

Tomado por aquele sentimento truculento, aproximo-me de Felicity e Cooper a passos largos. Minha respiração se torna pesada e eu nem mesmo sabia o que eu deveria dizer. Eu sentia o medo se misturar a raiva. Eu odiava sentir aquela insegurança e a sensação de que ele não demoraria muito a levá-la para longe de mim.

— Oliver? O que você está fazendo aqui? Onde está o Tony? — Questiona Felicity com preocupação, assim que os alcanço. Notando meu olhar nada amigável, o acompanhante da loira solta a sua mão e me encara com curiosidade.

— Eu... eu preciso que você venha comigo. — Informo e ela me analisa, como se tentasse entender o que estava acontecendo.

— O quê? Por quê? — Pergunta a pediatra, levantando-se.

Eu não sabia o que dizer. Minha mente não fazia sentido algum. Eu sabia que estava agindo de maneira infantil e não era certo atrapalhar o encontro deles, mas mais uma vez eu me sentia sendo guiado pelo ciúmes que corria meu coração e qualquer resquício de racionalidade que poderia existir naquele momento.

— Apenas... apenas venha comigo. — Digo, pegando no pulso de Felicity, puxando-a para que ela me seguisse, mas a loira puxa o braço de volta e me encara intensamente.

— O que aconteceu? Onde está o Tony? — Questiona Felicity com preocupação.

— Ele... — Vejo o Dr. Cooler se levantar e mais uma vez aquele sentimento angustiante me atinge. Viro-me para Felicity, determinado a ir embora com ela. — Ele está doente.

— Doente? O que ele tem? — A loira se alarma no mesmo instante. Não era certo usar nosso filho dessa forma. Eu sabia muito bem disso, mas eu conhecia Felicity o suficiente para saber que ela não iria embora se eu apenas pedisse para ela deixar esse doutor perfeitinho para trás e finalmente voltar a prestar atenção em mim.

— Eu... ele, bem... — Gaguejo sem saber como responder. O Dr. Cooper se aproxima com preocupação.

— Quais são os sintomas? Onde ele está? — Questiona o homem, encarando-me com seriedade.

— Ele... ele apenas está doente. — Respondo e se eu tivesse o poder de raio laser do Super-Homem, eu tenho certeza de que Cooper Seldon já estaria morto. Por que ele está interferindo tanto? Será que ele não se tocou que essa conversa é entre Felicity e eu? — Eu... digo, o Tony precisa de você.

— Ah... entendo. — Cooper sorri de maneira discreta e me observa por alguns instantes, parecendo se divertir comigo. — O Tony precisa de você.

— Mas eu não entendi nada. O que ele tem, Oliver? — Insiste Felicity, desesperada. — Onde o Tony está? Por que você está aqui?

— Acho melhor você ir com ele, Feli. O Tony parece estar precisando e muito de você. — Recomenda Cooper, ainda me observando. Eu não fazia ideia do que se passava em sua mente. De repente ele fica sério e me lança um olhar intimidador. — Eu espero que o Tony conserte todos os erros que ele cometeu e finalmente aja como um homem, afinal, a mãe dele é alguém muito especial. Alguma pessoa pode aparecer de repente e levá-la para longe.

Nesse momento, eu percebo que ele tinha entendido as minhas intenções e que sabia que eu estava mentindo. No entanto, parecia que havia decidido me ajudar. Eu não sabia se eu me tornava grato por isso ou se daria um soco nele por nem mesmo esconder o interesse dele em Felicity. Eu sabia que não dava para confiar nesse maldito!

— O quê? Ele só tem cinco anos, Cop. — Responde Felicity, confusa. — Por que ele teria que agir como um homem? E de que erros você está falando? Tony é só um bebê. E eu sou a mãe dele. Ninguém seria capaz de me afastar de meu menino.

— Apenas vá, Feli. — Resmunga Cooper, revirando os olhos, enquanto empurra a loira.

— Tudo bem. — Concorda a pediatra, respirando fundo. Ela dá um fraco sorriso e parece lamentar a situação. — Eu sinto muito, Cop.

— Não precisa se desculpar. E lembre-se, apesar de tudo, eu ainda sou o seu amigo. Você merece ser feliz, Feli. — Cooper então beija a testa da médica e entrega a bolsa que estava no encosto da cadeira para ela. A loira parece confusa, mas não diz nada. O pediatra então se vira para mim e me observa com atenção. — Cuide bem dela ou eu farei questão de fazer isso.

— Não será preciso. — Retruco, voltando a pegar no pulso de Felicity.

E sem dar chances a Felicity de se despedir de Cooper, conduzo a garota para fora do restaurante. A loira continuava a me questionar sobre o que estava acontecendo, mas eu estava atordoado demais para responder qualquer coisa. Minha mente parecia ter entrado em um curto-circuito. Eu apenas queria levá-la para longe daquele homem que parecia estar disposto a fazer de tudo para reconquistar o coração de Felicity.

— Oliver! Onde está o Tony? — Questiona a loira, assim que chegamos ao meu carro e eu finalmente solto seu braço. Entro no carro, sem responder. Ela parece ficar ainda mais angustiada com a minha falta de respostas. — Oliver!

— Ele está com Damon e Elena. — Respondo, finalmente a encarando. Aperto o volante do carro, observando sua expressão preocupada.

— E por que ele está com eles quando deveria estar ido para o hospital? — Indaga a pediatra, confusa. — O que está acontecendo, Oliver? Como você descobriu que eu estava aqui? Por que está agindo de maneira tão estranha?

Incapaz de responder aos seus inúmeros questionamentos, eu simplesmente levo minha mão a nuca de Felicity e a puxo para mim. O primeiro toque dos lábios foi intenso e brusco. Sinto o corpo da loira tenso, mas em momento algum ela parece querer se afastar. E aos poucos, o desejo por mais contato foi se tornando mais forte e somente o selar não era mais o suficiente. Trago-a para mais perto de mim, repousando a minha outra mão em sua cintura.

Diferente do que eu imaginava, Felicity não demora a abrir levemente seus lábios e aprofunda mais o beijo. Prontamente correspondo, tentando conduzir aquela loucura. Meu corpo parecia estar em chamas, meu coração palpitava em êxtase. Tudo era novo e ao mesmo tempo excitante. Eu estava experimentando emoções que jamais havia sentido.

Quando sento que o ar em meus pulmões se esgotaria, nós nos afastamos somente o suficiente para recuperar o folego. Nossas testas continuavam coladas, nossos hálitos se chocavam e permanecemos com os olhos fechados, aproveitando os efeitos que aquele beijo teve sobre nós.