Notas iniciais
Oii Cupcakes ♥! Aqui estou eu com mais uma história Olicity, mas dessa vez em uma série de doze histórias chamada Romances Mensais. Mesmo que essa seja a sexta história, vocês não precisam necessariamente ler as outras histórias para entender. Cada história tem protagonistas diferentes, ainda que todos estejam no mesmo universo. Espero que possam dar uma chance e que gostem. Boa leitura...

ROMANCES MENSAIS

LIVRO VI – MILAGRES DE JUNHO

PRÓLOGO

Seis anos atrás.

Felicity andava pelos corredores do hospital com o coração palpitando de ansiedade. A pediatra nunca se considerou uma pessoa de sorte. Abandonada na porta de uma igreja, Felicity foi criada em um orfanato desde que era recém-nascida. Por ser tímida e possuir uma inteligência acima da média, ela era incapaz de se relacionar com as outras crianças, por mais que tentasse. A garota entendia como ninguém a dor de se viver sozinha. Por isso, sempre sonhou em ter uma grande família. Imaginava-se ainda criança, que quando adulta, trabalharia em um grande hospital, seria uma respeitada pediatra e teria três filhos.

Com sua inteligência e muitas noites estudando intensamente, com apenas dezesseis anos, ela foi capaz de conseguir uma bolsa integral na IU Health University Hospital, a melhor universidade de medicina do estado. Felizmente, ao ser obrigada a sair do orfanato assim que completou seus dezoito anos, a loira havia se tornado monitora do curso de Medicina e com a ajuda de custos que recebia pôde pagar um local para dormir. Não era um dos melhores, mas era melhor que dormir na rua.

Com muito esforço e dedicação, Felicity se tornou destaque e com recomendação de um amigo que frequentou o mesmo orfanato que ela, a loira conseguiu fazer sua residência no IU Health Methodist Hospital, a unidade sede hospitalar da universidade. E agora, aos vinte e cinco anos, ela se tornou a pediatra respeitada que tanto desejava. A única coisa que restava era realizar o seu sonho de ser mãe.

Mas infelizmente, as coisas não saíram como planejado. Após sofrer com dores agudas e sangramentos menstruais exagerados — mais do que o normal -, ela resolveu se consultar com a Dra. Mirela Moon, uma amiga que fez assim que começou a trabalhar no IU Health Methodist Hospital. Irmã de seu mentor, ela era alguém de confiança e sabia que seria capaz de entender o que havia de errado consigo. O que Felicity não esperava era descobrir que seu problema se chamava Adenomiose.

Sendo uma doença frequente, mas dificilmente diagnosticada, a adenomiose é caracterizada por uma invasão de endométrio na musculatura do útero chamado de miométrio. Ainda que benigna e muitas vezes assintomática, a adenomiose é uma doença com um grande impacto na qualidade de vida da mulher e, mais do que isso, pode interferir na fertilidade. Alterações funcionais e estruturais decorrentes da adenomiose interferem na implantação embrionária e consequente na infertilidade.

Em outras palavras, a adenomiose é uma doença com um impacto negativo nas técnicas de reprodução. Conforme se agrava a doença, mais difícil é para a mulher engravidar e, na maior parte dos casos, é necessário realizar a retirada do útero, como Felicity precisaria fazer. Receber essa notícia foi como perder o chão. Ser mãe sempre foi o sonho de Felicity. A pediatra sabia que ainda poderia recorrer a outras formas de maternidade, como a adoção. Ela mesma tinha sido uma das crianças que sonhava em ser adotada. Ainda assim, ela também queria ter a experiência de gerar uma vida.

Não foi nada animador ouvir de sua amiga e médica que se ela quisesse engravidar, teria que fazer isso em no máximo um ano. No estado em que seu útero estava, ele não suportaria uma gestação e teria de ser retirado o quanto antes para o próprio bem dela. Incapaz de desistir do seu maior sonho de vida, ela optou pela única alternativa possível naquele momento: a Fertilização In Vitro.

Para uma mulher na sua idade, as chances do procedimento darem certo na primeira tentativa eram altas. O grande problema é que por causa da Adenomiose, ela estava tendo dificuldades para engravidar e isso estava mexendo e muito psicológica e fisicamente com ela. Para a coleta do óvulo que será fecundado, ela precisou passar pela indução de ovulação feita por medicamentos tanto via oral quanto injeções subcutâneas.

O aumento dos hormônios sendo injetados em seu corpo causavam inúmeros efeitos colaterais, como alterações do humor, dor abdominal e nos seios, insônia, enjoos, vômitos, visão embaçada, dores de cabeça, cansaço e irritabilidade. Tudo piorava com os sintomas da Adenomiose. Tendo que lidar com tudo isso sozinha, além da incerteza de sucesso na fertilização, Felicity decidiu que essa seria a sua última tentativa.

Ela seguia para a sala da Dra. Mirela Moon, pronta para fazer a dolorosa punção ovariana com uma agulha guiada pelo ultrassom transvaginal, onde seria coletado os óvulos para realizar o procedimento de fertilização pelo espermatozoide. Felicity respira fundo, tentando acalmar seu coração. Estava decidida. Ela aceitaria o resultado dessa tentativa fosse positivo ou negativo. Não suportava mais o sofrimento do tratamento e se o seu milagre de julho não aconteceria dessa vez, ela esperaria o momento certo para enfrentar o processo de adoção.

Distraída enquanto andava pelos corredores agitados do hospital, Felicity acaba esbarrando contra alguém no momento em que vira no último corredor que levava a sala da Dra. Mirela. Pronta para sentir o doloroso impacto de seu corpo contra o chão, a loira apenas fecha os olhos e morde o lábio, temerosa. No entanto, ao ver que a dor não a alcançou, ela abre seus olhos novamente, completamente assustada e se depara com um belo homem a segurando pela cintura e com o rosto perigosamente próximo.

— Você está bem? — Pergunta o rapaz de voz grossa e bonitos olhos azuis.

— Sim. — Responde Felicity, atordoada. Ao se dar conta de que ainda era segurada pelo charmoso homem, ela rapidamente se afasta e o encara envergonhada. — Eu sinto muito. Eu estava distraída e acabei não vendo que você vinha.

— Não se preocupe. A culpa é do idiota do meu primo que me empurrou. — Afirma o rapaz, lançando um olhar repreendedor ao outro jovem que o acompanhava.

Nesse momento, Felicity nota a presença de mais dois rapazes tão bonitos quanto o que ela esbarrou. Eles pareciam segurar o riso e mantinham distância do amigo, que estava visivelmente irritado. O jovem se prepara para repreender os outros dois rapazes, mas é interrompido por uma voz bastante familiar.

— O que vocês ainda estão... Ah, Fefeh! Você chegou. Eu estava esperando por você. — Os quatro se viram para encarar a loira de sorriso bonito e olhos castanhos intensos que se aproximava. Felicity sorri aliviada ao reconhecer a Dra. Mirela Moon. — Por acaso estavam incomodado a Dra. Felicity? Eu já não falei para vocês não fazerem bagunça nos corredores do hospital?

— Desculpa, tia. Eu acabei esbarrando nela por causa do Damon. — Explica o rapaz, apontando para o jovem de olhos azuis intensos, cabelos negros e barba por fazer. Damon era um jovem bastante charmoso.

— É mentira do Oliver, tia Mimi. Ele tropeçou no próprio pé e fica me culpando. Tommy está de prova que eu não fiz nada. — Responde Damon, mostrando claramente que estava mentindo. O rapaz que estava ao seu lado começa a rir, divertindo-se com a expressão nada feliz de Oliver.

— Deixa de ser...

— Eu não quero saber. Por acaso vocês são crianças de cinco anos? Na verdade, eu acho que as crianças de cinco anos são muito mais madura do que vocês. — Resmunga Mirela, suspirando. — Apenas vão logo para casa. Vocês já aprontaram demais por hoje.

Em uma última troca de olhares com o rapaz que esbarrou em si, Felicity observa o trio ir embora em uma discussão nada madura. Ela escuta a amiga suspirar longamente, chamando sua atenção.

— Você está bem? — Pergunta Felicity a amiga, que dá uma risada anasalada e balança a cabeça positivamente. A obstetra aperta os dois envelopes pardo que segurava contra o peito e encara a colega de trabalho com divertimento.

— Estou. É que não importa quantos anos tenham, Damon e Oliver sempre serão como duas crianças para mim. — Comenta a obstetra, rindo. — Aquele que esbarrou em você é o filho mais velho do meu irmão. Oliver Queen. O outro que ele acusou é Damon Salvatore, amigo de infância de Oliver e filho do meu amigo Giuseppe Salvatore, que você já conhece. O outro rapaz que os acompanhava é Thomas Merlyn, filho do Dr. Malcolm Merlyn.

— Aquele é o filho do Dr. Robert? — Questiona Felicity, surpresa com a informação. O Dr. Robert é o atual presidente do IU Health Methodist Hospital e seu mentor. O homem já havia comentado diversas vezes sobre o filho, mas a maneira como ele falava a fazia acreditar que se tratava de uma criança de doze anos e não um homem de belo porte físico e olhos sedutores.

— Sim. Ele é um bom rapaz de um coração gigantesco, mas tem problemas para lidar com responsabilidades e adora festas. — Conta Mirela, dando um fraco sorriso. — Acredita que ele, Damon e Tommy fizeram uma aposta para ver quem conseguia beber mais durante o trote da faculdade? O perdedor faria uma doação de sêmen.

— Sério? E quem foi o perdedor? — Pergunta Felicity, rindo da infantilidade daqueles rapazes, enquanto caminha ao lado de Mirela em direção ao seu consultório.

— Oliver. — Responde a mulher, divertindo-se ao falar do sobrinho. — Ele nunca foi muito bom com bebidas. Ele acabou de entrar no curso de medicina e já se tornou um alvo fácil dos amigos. Você precisava ver a vergonha que ele sentia por ter que fazer a doação de sêmen.

— E vocês vão usar o material dele? Não acho que o Dr. Robert aprovaria isso. — Comenta Felicity, observando a obstetra.

— Não. E é por isso que nós vamos avisar a Malévola de que ela deve descartar o material coletado dele e separar o do doador que você escolheu. Dessa vez, definitivamente dará certo. — Responde a mulher, pegando no braço de Felicity para guiá-la até o laboratório do hospital reservado para os procedimentos da fertilização in vitro.

Felicity suspira nervosa e permite que Mirela a conduza. A loira estava arriscando tudo nessa última tentativa de fertilização. Dinheiro, emocional e tempo, algo que definitivamente ela não tinha. Tudo para realizar o seu maior sonho. Ao pensar nisso, ela se sentia ainda mais ansiosa. Ela realmente queria que dessa vez desse certo, caso contrário, seria como se todo o esforço e sofrimento pelo qual passou tivesse sido em vão.

A pediatra suspira e tenta manter a calma, enquanto acompanha Mirela pelo hospital. Assim que as duas entram no laboratório onde estava a enfermeira citada pela obstetra, Felicity consegue sentir a aura pesada do ambiente. A mulher de olhos esverdeados e cabelos loiros presos em um coque desvia o olhar dos inúmeros papéis que lia para encarar as duas médicas, assim que ouve o bater na porta. Malévola Faery parecia prestes a matar o primeiro que entrasse em seu caminho.

— Nossa, Malévola, você está péssima. — Comenta Mirela, encarando a enfermeira com preocupação. — Está tudo bem?

— Experimenta pegar três noites de plantão e faça essa mesma pergunta para si mesma. — Resmunga a mulher, mal-humorada.

— Regina ainda não veio trabalhar? — Pergunta Felicity e a enfermeira assente, suspirando. A pediatra dá um sorriso compadecido. Ela sabia bem como três noites sem dormir na loucura daquele hospital com certeza deixaria qualquer um louco. Ela observa a enfermeira pegar a enorme xícara de café e dar um gole generoso antes de se virar para encarar Felicity e Mirela. — Talvez seja melhor você ir para a sala de descanso e dormir um pouco. Essa enorme quantidade de cafeína e as noites sem dormir não vão te fazer nada bem.

— Eu tenho muito trabalho para fazer. Não posso parar para dormir. Não até a Regina chegar para ficar de olho por aqui. De qualquer forma, o que vocês estão fazendo aqui? — Questiona Malévola, esfregando os olhos.

— Escute, nesse envelope está o nome do doador de sêmen da Fefeh. Separa ele que nós iremos realizar a fertilização mais uma vez. — Responde a obstetra entregando um dos envelopes. Malévola o pega e coloca do lado direito da mesa. — Esse outro é o cadastro do meu sobrinho Oliver. Ele acabou de realizar o procedimento de doação de sêmen. Preciso que descarte o material dele. Robert não vai ficar nada feliz se souber que ganhou um neto sem o conhecimento dele.

— Tudo bem. — Concorda Malévola, pegando o outro envelope e o coloca no lado contrário ao primeiro. — Mais alguma coisa?

— Não. Apenas isso. Obrigada. — Agradece Mirela, dando um sorriso gentil. Malévola apenas assente, massageando o pescoço de maneira cansada. A obstetra suspira e nega, preocupada com a saúde da colega de trabalho. Não sabia muito sobre a vida privada da enfermeira, mas com certeza ela era uma profissional bastante dedicada. Talvez até demais para o seu próprio bem. Mirela então se vira para Felicity e dá um sorriso animado. — Bom, Fefeh, chegou a nossa hora. Está pronta para a coleta?

— Sim. — Concorda Felicity, sorrindo nervosa.

— Então vamos. — Responde Mirela, pegando no braço da amiga mais uma vez. — Tchau, Malévola! Vê se dorme um pouco!

— Tchau, Malévola. Espero que consiga descansar. — Felicity se despede, saindo do laboratório com a amiga.

Malévola suspira e encara os dois envelopes. Estava tão cansada que sentia que poderia pegar no sono a qualquer momento. Talvez fosse mesmo melhor ela ir descansar ou acabaria cometendo erros em seu trabalho e isso seria inadmissível. Ela anota os códigos dos materiais presentes nos envelopes em seu computador e se espreguiça, antes de tomar mais um gole de seu café. Decidiu que assim que a irritante assistente chegasse, ela iria dormir um pouco.

Nesse instante, Regina Sloan, a sua assistente que ela desejava estrangular, entra no laboratório com um sorriso forçado. Além de atrapalhada e desatenta, a residente de enfermagem de cabelos vermelhos extravagantes e olhos cor de âmbar parecia não saber o significado da palavra pontualidade.

— Bom dia, Malévola. — Cumprimenta a jovem enfermeira, vestindo seu jaleco de maneira apressada.

— Está atrasada. — Resmunga a mulher, suspirando. Regina se prepara para dar mais uma de suas desculpas esfarrapadas, quando Malévola levanta a mão a impedindo. Estava cansada demais para lidar com a garota. Precisava dormir. — Poupe os seus discursos. Eu preciso que separe e prepare o material do doador do envelope direito para Dra. Moon usar na fertilização da Dra. Smoak e...

— A Dra. Smoak vai fazer a fertilização mais uma vez? Nossa, ela é persistente mesmo. — Comenta Regina, pensativa. Malévola bufa, irritada.

— Isso não é da sua conta. Foque no seu trabalho! — A enfermeira mais velha repreende Regina, que se encolhe, enquanto coloca as luvas descartáveis. Malévola respira fundo, tentando se acalmar e volta a falar com a garota. — Descarte o material do envelope esquerdo. Entendeu?

— Sim! — Concorda Regina, batendo continência para Malévola, que apenas revira os olhos.

— Ótimo. Eu irei dormir um pouco. — Avisa Malévola, retirando-se do laboratório.

Regina suspira aliviada e encara os envelopes que a enfermeira chefe havia destacado. Quando iria pegar o primeiro, seu celular toca. Ela corre até a bolsa e sorri ao constatar que quem ligava era o seu novo namorado. Durante alguns minutos, eles conversam animadamente sobre o show que planejavam ir no fim de semana. Quando a ligação se encerra, Regina encara os envelopes de novo e tenta se lembrar das orientações de Malévola.

— Descartar o material do envelope direito e preparar o material do envelope esquerdo para a Dra. Moon. — Fala Regina em voz alta, pensativa. Ela sorri e dá de ombros. — Deve ser isso.

Depois de realizar os procedimentos, Regina volta a sua atenção para os serviços do dia. Pouco tempo depois, a Dra. Moon aparece com o material coletado de Felicity. A jovem estudante de enfermagem entrega os materiais necessário para a fertilização para a equipe de embriologistas, que aparece em seguida. Horas depois, Malévola volta para o laboratório e encontra Regina se preparando para ir embora.

— Fez o que eu te pedi? — Pergunta Malévola, observando a assistente, que cantarolava uma música qualquer.

— Sim. Descartei o material do envelope direito e entreguei o material do doador do envelope esquerdo para a equipe de embriologistas junto com o que foi coletado pela Dra. Moon. Essa hora o óvulo da Dra. Smoak já deve ter sido fertilizado. — Comenta Regina, terminando de colocar seus materiais na bolsa. — Tomara que dessa vez, a Dra. Smoak consiga engravidar.

— Espera. Você fez o quê? — Questiona Malévola, alarmada.

— Descartei o material do envelope direito e...

— Não! Você fez o contrário do que eu te pedi! — Afirma a enfermeira, escondendo o rosto nas próprias mãos. — Eu fui bem clara com você quando disse que era para descartar o material do envelope esquerdo e preparar o do envelope direito. Eu perguntei se você tinha entendido e você disse que sim. Como pôde cometer um erro desse?!

— Eu... me desculpa! Eu não... — A assistente se embaralha nas palavras tão desesperada quanto a enfermeira que a encarava em fúria. Regina tenta pensar em uma solução, temendo ser agredida por Malévola. — Talvez não dê certo! É... quer dizer, a Dra. Smoak já tentou três vezes a fertilização in vitro. As chances dela estão diminuindo cada vez mais. Então não precisamos nos preocupar tanto.

— Você é realmente uma irresponsável! Como pôde ser tão inconsequente? — Esbraveja Malévola, apontando para a saída. — Saia! Se você voltar a aparecer na minha frente, eu não respondo por mim!

Ao ver que não adiantaria argumentar com Malévola, Regina pega seus materiais e foge assustada. Malévola leva a mão ao rosto, sentindo uma forte dor de cabeça somente ao pensar na confusão que aquela troca geraria. E no fundo ela sabia que a responsabilidade havia sido dela. Não devia ter confiado as tarefas, ainda que simples, a cabeça de vento de sua assistente. Agora precisaria arcar com as consequências.

Sem escolhas, a enfermeira chefe liga para o laboratório da equipe de embriologistas, na esperança de impedir a fertilização do óvulo de Felicity. Infelizmente, era tarde demais. O procedimento já havia sido realizado. Sentindo o peso que aquela notícia poderia ter sobre a médica que tem tentado com tanto esforço a gravidez, Malévola decide conversar com Felicity e informar sobre o que ocorreu. Aceitaria qualquer que fosse a punição dada pela pediatra.

Com a preocupação da reação da colega de trabalho, Malévola procura a médica no dia seguinte, andando pelos corredores da ala pediatra do hospital. Ao encontrar Felicity conversando com uma outra pediatra, ela sente a culpa se intensificar. Cautelosa, a enfermeira aproxima-se de Felicity, que conversava sobre algum paciente. Malévola respira fundo, antes de tocar no ombro na médica e sorri sem graça ao receber o olhar curioso dela.

— Podemos conversar? – Pergunta Malévola com seriedade.

— Claro. Aconteceu alguma coisa? – Questiona Felicity, encarando a enfermeira com preocupação.

— Sim. – Responde Malévola, suspirando. Ela sorri sem graça ao ver que era encarada também pela outra médica que acompanhava Felicity. – Podemos conversar em particular?

— Tudo bem. — Concorda Felicity, virando-se para a colega de trabalho. — Dra. Hannah, Envie os resultados dos exames atuais e os do anteriores para o Dr. Merlyn. Faça uma Ressonância Magnética e repita os exames de sangue. Quando estiver com os resultados desses novos exames, leve na minha sala.

— Certo, Dra. Felicity. Farei isso agora mesmo.

Assim que Malévola e Felicity ficam sozinhas, a pediatra faz sinal para que a enfermeira a seguisse até seu consultório. Ao se sentar de frente para Felicity, Malévola suspira e a encara a médica com uma expressão tensa, que deixa a jovem pediatra ainda mais preocupada.

— Como você sabe, eu não gosto de enrolação, por isso irei direto ao assunto. — Começa Malévola e Felicity assente, concordando. — O seu óvulo foi fecundado pelo material coletado de Oliver Queen ao invés do doador selecionado por você. Eu estava cansada e pedi para que Regina cuidasse do descarte do material dele e preparasse o que seria usado para a fertilização. O problema é que ela entendeu errado e fez exatamente o contrário do que eu pedi. Eu tentei entrar em contato com a equipe de embriologistas, mas eles á haviam realizado a fecundação. Como é necessário o prazo de cinco dias até a realização da transferência embrionária, você pode realizar o pedido de cancelamento do procedimento. Eu sei que palavras não mudam o que aconteceu, mas eu peço perdão pela minha falha. Eu assumirei a responsabilidade e arcarei com todas as consequências.

Felicity observa Malévola de cabeça baixa, parecendo realmente se sentir culpada pelo que aconteceu. A pediatra não consegue ter qualquer reação a princípio. Ela relembra de todas a dificuldades que enfrentou nos últimos oito meses, tentando engravidar. Essa era a sua última tentativa. Não poderia desistir tão fácil assim.

— Está tudo bem. Eu não vou desistir do procedimento e não pretendo informar a ninguém sobre a paternidade da criança. – Responde Felicity com determinação, surpreendendo a enfermeira. – E sendo racional nesse momento, pode ser que não ocorra a fecundação. Essa é a minha terceira tentativa. Quanto mais tempo passa, menos chances eu tenho de engravidar. É por isso que eu vou continuar com o procedimento mesmo que isso vá contra os meus princípios. Se eu conseguir engravidar, eu cuidarei do bebê sozinha assim como eu já planejava.

— Mas e se o Dr. Robert descobrir? – Pergunta Malévola, preocupada.

— Mais alguém sabe sobre isso além de nós duas? — Pergunta Felicity, observando a enfermeira, que balança a cabeça, negando.

— Não. Nós duas somos as únicas que sabem a identidade do seu doador. — Responde Malévola, suspirando. — Mas...

— Então está tudo bem. Assim como ocorre normalmente, manteremos isso em sigilo. — Afirma Felicity, encarando a mulher decidida. — Ninguém além de nós duas saberá que Oliver Queen é o pai do meu bebê.

Ao ver a maneira como Felicity parecia determinada a continuar o procedimento, Malévola não tem escolha além de aceitar a decisão da médica, sentindo que aquele segredo ainda causaria grandes problemas no futuro.

Notas finais
Olá! Como eu disse no início do capítulo, essa história faz parte de uma série de 12 histórias, onde cada mês tem seu casal diferente. Espero que tenham gostado do capítulo e que possam deixar a opinião de vocês. A fanfic será atualizada diariamente, mas não tem um horário definido. Deixarei o link abaixo da história anterior, caso queiram conhecer. Eu também tenho um grupo com meus leitores, então se quiserem conhecer mais pessoas apaixonadas por fanfics, será muito bem-vindo. Obrigada por chegar até aqui e até amanhã.

Família Cupcake 2.0: https://chat.whatsapp.com/BbOG6KJnuHy2dQIs1sC9Ss
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