Milagres de Junho
17 Pedido
Notas iniciais
ROMANCES MENSAIS
LIVRO VI — MILAGRES DE JUNHO
CAPÍTULO XVI — PEDIDO
Paro o carro de frente a grandiosa e intimidante mansão de meus avós. Sem dizer nada, Felicity sai do veículo e retira Tony da cadeirinha. Segurando sua mão, ela leva o menino para a entrada da mansão sem nem mesmo me direcionar um olhar. Ela estava frustrada desde que saímos de sua casa. Mesmo ciente de que era alvo de meus olhares, Felicity permaneceu quieta o percurso inteiro, encarando a paisagem pela janela do carro em uma tentativa bem irritante de ignorar a minha presença.
Suspiro e apresso meus passos para alcançá-la. Observo discretamente a mulher de cabelos loiros presos em um rabo de cavalo alto. Ela usava uma calça jeans preta, salto alto da mesma cor e uma blusa branca. Ela ajeita os óculos e finalmente toca a campainha da mansão. Sinto a minha mão ser apertada com delicadeza e ao olhar para baixo, encontro os olhos curiosos de Tony me encarando.
— O que houve, campeão? — Pergunto e ele alterna o olhar entre a mãe e eu.
— Mamãe está brava com você, papai? — Questiona a criança com toda a sua inocência. Felicity observa o filho com surpresa, mas não diz nada, voltando a encarar a porta branca de madeira da entrada da mansão.
— Por que acha isso, filho? — Indago com curiosidade. Eu queria muito saber o que se passava na mente extraordinário de meu filho.
— A mamãe está fazendo a mesma careta que faz quando está brava comigo, papai. — Comenta e preciso me segurar para não ri do olhar repreendedor que Felicity lança para o garoto.
— Eu não estou brava com o seu pai, Tony. — Resmunga a mulher, aumentando seu bico, antes de voltar a tocar a campainha.
Tony não parece acreditar na mãe. O garoto então solta a minha mão e faz sinal para que eu me abaixasse. Aproximo-me da criança e ele leva a mão ao meu ouvido como se fosse me contar um segredo. Felicity nos encara em um misto de curiosidade e preocupação. Provavelmente temia o que nosso filho me diria.
— Papai, você tem que abraçar a mamãe, pedir desculpas e falar que ama a mamãe. — Conta Tony, mas sua fala sai alta o suficiente para que Felicity o ouvisse. Vejo a loira arregalar os olhos e seu rosto fica vermelho de vergonha. — Ela sempre me desculpa assim.
— Anthony Smoak! Já chega! — Braveja Felicity, pegando a criança no colo. Antes que eu dissesse qualquer coisa, a porta é aberta e não demora para que a governanta da casa se revelasse, parecendo surpresa com a nossa presença. — Boa noite, Sra. Agnes. Eu sei que deveria ter avisado antes de ter vindo, mas preciso muito conversar com o Sr. Richard e a Sra. Marta. Eles se encontram?
— Boa noite. — Cumprimenta a mulher, abrindo mais a porta. — Eles estão tomando o chá da noite no jardim dos fundos, mas tenho certeza de que ficarão muito felizes em receber o bisneto. Entrem, por favor.
— Com licença. — Responde Felicity, entrando na casa.
— Oi Agnes. — Cumprimento a governanta, que sorri em resposta. — Como está o humor dos meus avós? Preciso me preocupar?
— Eles estão... irritados. — Confessa a senhora de cabelos negros, sorrindo receosa. — Mas eles sempre ficam animados com a presença de Tony. Então pode ser que o humor deles melhores.
— Alguma coisa aconteceu? — Pergunto, enquanto seguíamos para sala de estar da mansão. Felicity ia com Tony na frente com uma coragem que eu gostaria de ser quando se trata de meus avós. Agnes balança a cabeça, confirmando. — O que houve?
— Desde a semana passada, seus avós estão recebendo as visitas dos seus primos, pedindo para que eles permitissem que Ally e Austin fiquem juntos. — Responde a mulher, surpreendendo-me.
— Todos da família Barton vieram? — Questiono e ela assente, concordando.
— Quase todos. Os primeiros a virem foram Barry, Ben, Elena e Cait. No dia seguinte, Damon apareceu aqui. Depois Sam, Beth e Thea vieram juntas. Nancy ligou no mesmo dia. Ontem a sua tia Mirela implorou para que seus avós deixassem os dois em paz. Hoje mais cedo, o seu tio Mike se colocou de joelhos diante de deles e afirmou que assumiria qualquer responsabilidade pelas ações do filho e da nora que o Sr. Richard e a Sra. Marta aprovassem o relacionamento deles. — Revela Agnes e consigo pressentir a irritabilidade do casal de idosos.
— E eles? O que disseram? — Pergunto, observando a governanta. Ela me lança um olhar nada esperançoso.
— Eu não sei. — Responde a mulher que trabalha para os meus avós desde que minha mãe era criança. — Mas creio que as respostas tenham sido negativas. Você sabe como seus avós não gostam de ser pressionados e eles ainda estão lidando com as consequências do casamento de Brooke e Aaron.
— Isso é péssimo. — Sussurro, cansado. — Nós deveríamos ter ligado antes. Meus avós odeiam que a gente apareça sem avisar e ainda mais à noite. E se eles estão tão irritados, será difícil convencê-los a fazer o que queremos. E droga! O Damon devia ter me contado que veio aqui. Eu tinha vindo com ele.
— De qualquer forma, boa sorte. — Deseja Agnes, colocando a mão sobre o meu ombro, enquanto sorri com carinho.
— Obrigado. — Agradeço e deixo um beijo na testa da mulher. Eu tenho um carinho muito grande por Agnes. Ela é quase como uma avó para mim. Ela sorri e acena em despedida, antes de abrir a porta de vidro que levava ao jardim da mansão, provavelmente para anunciar a nossa presença. Aproximo-me de Felicity e suspiro cansado. — Cuidado com a forma como vai falar. Você ouviu o que a Agnes disse. Hoje não é um bom dia. Eles devem estar mais intimidadores e severos que o normal.
— Eu tenho a minha arma secreta comigo. — Afirma Felicity, ainda sem me encarar. Ela então coloca Tony no chão e se ajoelha diante dele para encará-lo. — Filho, você lembra o que viemos fazer aqui?
— Sim. Vamos ser os super-heróis do Austin. — Responde o garoto com seriedade. Mordo meu lábio inferior para não rir. Era adorável a forma como ele levava a sério essa história de ser super-herói. E o pior que eu era exatamente como ele quando criança.
— Isso mesmo. Você vai precisar usar o seu super-poder de ser fofo e pedir muitos "por favor" para os seus bisavós. — Responde Felicity com um sorriso orgulhoso nos lábios, enquanto acaricia o rosto do filho. — Você lembra como você faz para me convencer a comprar as coisas para você quando eu nego?
— Sim, mamãe! — Concorda o garoto, assentindo várias vezes.
— Ótimo. Você vai fazer a mesma coisa com eles. — Explica Felicity, ajeitando a roupa do filho. Ela sorri e deixa um beijo estalado em sua bochecha. — Seja bonzinho e muito amoroso com os seus bisavós. Tenho certeza de que vamos nos sair bem.
— A sua arma secreta é a fofura do Tony? — Pergunto, rindo.
— Você já fez seus avós chorarem e te beijarem como se você fosse um bichinho de pelúcia? — Questiona a loira com um sorriso desafiador.
— Bem... não, mas...
— Então não interfira nos meus métodos. — Retruca Felicity, lançando-me uma piscadela. Acabo rindo em descrença. Ela então pega na mão de Tony e sorri para a criança. — Chegou a hora, meu amor. Vamos salvar o Austin!
— Vamos! — Grita Tony, erguendo a mãozinha livre.
Eles então seguem para o jardim da mansão dos meus avós e tudo o que me resta a fazer é segui-los. Ainda que Felicity não tenha percebido, eu estava feliz por ela ter voltado a falar comigo, mesmo que minimamente. Suspiro, tentando me concentrar na verdadeira batalha da noite que seria enfrentar meus avós.
— Vovô! Vovó! — Desperto-me de meus pensamentos ao ouvir o grito animado de meu filho ao reconhecer os avós sentados no gazebo madeira redondo que havia no jardim. Ele corre animado até os idosos, que deixam suas xícaras de lado e abrem grandes sorrisos ao verem o bisneto ir em sua direção.
O primeiro a ser abraçado é o meu avô, que faz questão de pegar a criança no colo. Ele sorria e apertava as bochechas fofas de Tony com doçura. O garoto sorri e abraça o pescoço do homem com o máximo de força que seus delicados braços conseguiam. Observo a cena um pouco surpreso. Ouço a risada baixa de Felicity ao meu lado e vejo seu olhar de "eu avisei" se tornar presente. Reviro os olhos e dou de ombros.
— Tony, querido! Como é possível você crescer tanto em apenas algumas semanas? — Questiona minha avó, assim que recebe o garoto no colo.
— Eu vou ficar grandão, vovó! — Afirma Tony, arrancando risos de meus avós.
— Boa noite, Sr. Richard e Sra. Marta. Lamento ter vindo sem avisar. — Fala Felicity com um sorriso educado.
— Ah, querida, você não precisa avisar. Vocês estão livres para vir quando quiser. Eu não me canso de receber esses abraços amorosos. — Responde minha avó, apertando o abraço que recebia de Tony, que gargalha alto. — Nós queríamos ter visitado Tony logo após a cirurgia, mas tivemos que resolver tantos problemas com a justiça contra os malditos paparazzis que continuam a incomodar nossa família, que não conseguimos ir.
— Está tudo bem. Nós imaginamos que vocês poderiam estar mesmo ocupados. Dr. Robert me contou sobre os problemas que vocês estão enfrentando. Espero que tudo se resolva logo. — Afirma Felicity, colocando a mão sobre o ombro de minha avó, que sorri, agradecida.
— Obrigado, Felicity. — Agradece meu avô, suspirando cansado. Ele também abre um sorriso e ela aproveita para abraçar o homem, que surpreendentemente corresponde a ação.
E somente nesse momento constato que meus avós não gostam apenas de Tony. Eles também adoram Felicity. Ao contrario de todas as pessoas que Austin, Thea e eu tentamos trazer para a família, eles pareciam estar se esforçando para se dar bem com a pediatra. Eles então se afastam e no mesmo instante me torno alvo de seus olhares.
— Boa noite, vovô e vovó. — Cumprimento o casal, sorrindo um pouco nervoso.
— Boa noite, Oliver. — Responde meu avô, encarando-me com desconfiança. — Deixa eu adivinhar. Você veio aqui para pedir que nós aprovemos o namoro de Austin e Allycia e que ele siga o sonho dele de se tornar cantor.
— Na verdade, eu que vim aqui para pedir isso. — Felicity responde, antes que eu dissesse qualquer coisa. — Mirela me contou sobre o que tem acontecido. Eu conheço Austin há anos e sei o quão especial ele é. Eu entendo que queiram o melhor para ele e estão apenas tentando protegê-lo, mas obrigá-lo a ser médico não vai fazê-lo feliz. Eu sei que nem preciso dizer isso, mas Austin é incrivelmente talentoso. E a Ally também. Ela também é uma garota muito dedicada e trabalhadora.
— Nós sabemos que ela é uma boa garota, mas...
— Eles se amam e são membros da família Barton. Não acham que deveriam dar uma chance para eles? — Continua Felicity, interrompendo meu avô. — Acham mesmo que Clint ajudaria tanto Austin e Ally a ficar juntos se ele não acreditassem que eles foram feitos um para o outro? Clint ama os sobrinhos demais para permitir que alguém que possa prejudicá-los se aproximem e vocês sabem disso.
— Bom... — Sussurra minha avó, pensativa. Aquele era realmente um bom argumento.
— Por isso, mesmo não sendo da minha conta, eu vim aqui pedir para que deem um voto de confiança em Austin e Ally. — Insiste Felicity e ela encara o filho por alguns instantes.
— Nós prometemos pensar no...
— Por favor, vovô. — Pede Tony com a carinha de cachorrinho que caiu da mudança. — Por favor!
— O quê...? — Balbucia meu avô, surpreso.
— O Austin está triste. Eu não gosto de ver o Austin triste, vovô. — Continua a criança e nesse momento eu me perguntava se meu filho tem mesmo cinco anos.
— Ah, Tony... — Minha avó sorri e suspira.
— Por favor, vovó! Por favor! Por favor! Por favor. — Implora a criança, abraçando a mulher.
— Por favor, vovô. — Continuo, chamando a atenção do casal. — Eu vou assumir a presidência do hospital. Não se preocupem. Apenas permitam que Austin possa ir atrás dos sonhos dele.
O casal se encara surpresos. Eles me analisam por alguns minutos como se quisessem ter certeza de que eu não estava brincando. Na verdade, até mesmo eu estava surpreso por estar desistindo do meu sonho de tornar médico voluntário para ajudar regiões com poucos recursos para assumir os negócios da família. Mas depois de descobrir sobre Tony, ir para longe é a última coisa que desejo fazer.
— Por favor, vovô. — Insiste Tony mais uma vez fazendo os seus olhinhos pidões que são praticamente impossíveis de resistir.
— Ah, tudo bem. Ele pode se tornar cantor e ficar com Allycia. — Concorda minha avó, suspirando. Ela sorri e beija a bochecha do Tony, que sorri docemente. — Não é como se nós conseguíssemos dizer não a essa carinha fofa.
— Obrigado. — Agradeço e meu avô se aproxima de mim, encarando-me com seriedade.
— Mas você estava falando sério, certo? Vai mesmo assumir a presidência do IU Health Methodist Hospital? — Questiona meu avô com seriedade.
Desvio o olhar do homem para encarar Felicity, que me observava atentamente. Aquela era uma decisão importante. Respiro fundo, ponderando sobre minhas escolhas. E no fim, eu chego a mesma conclusão. Eu não quero ficar longe de meu filho e de Felicity.
— Sim. Assim que eu terminar a minha especialização, eu assumirei a presidência. — Respondo e meu avô sorri, satisfeito.
[...]
Depois de resolver os últimos detalhes do que eu devo fazer para me preparar para me tornar presidente do IU Health Methodist Hospital, finalmente meus avós nos liberaram. Enquanto seguíamos para a casa de Felicity, vejo que ela não estava feliz. Eu sabia muito bem disso pela forma como ela mordia os lábios e batucava seu joelho impaciente. Felizmente, Tony dormia no banco de trás, cansado pelo dia agitado. Ele havia brincado bastante com Damon e Thea de dia e agora a noite com os meus avós. O som do carro tocava uma música qualquer em volume baixo. O clima entre nós não era um dos melhores.
Cada um perdido em seus próprios pensamentos, eu me questionava o que eu deveria fazer. A cada dia que se passa, mais difícil está sendo controlar essa estranha e intensa atração entre nós. Meu coração continua a descompassar todas as vezes que escuto sua voz, que vejo seus sorrisos, que eu a toco. É alucinante e inexplicável.
Ao mesmo tempo, sei o quanto isso o é errado e entendo o motivo dela querer se afastar. Apesar de tudo, eu tenho namorada. Não é justo fazer isso com Laurel, não importa o quão... difícil ela seja. No entanto, por mais que eu repita isso em minha mente centenas de vezes, eu continuava a insistir em me manter por perto. Continuo a me aproximar, quando o que eu devia fazer era me distanciar. Insisto em me hipnotizar por seus cintilantes olhos verdes, quando deveria evitá-los. As minhas emoções continuam em conflito com a razão.
— Felicity, eu... — Suspiro, sem saber o que dizer. Eu apenas não queria continuar naquele clima estranho. Mesmo sabendo que eu deveria deixá-la em paz, eu ainda desejava ouvir sua voz, ser alvo de seu olhar intenso e o motivo de seu bonito e contagiante sorriso. — Olha, eu sei que...
— Não, Oliver. — Felicity me interrompe, ainda com os olhos fixos na paisagem que passava pela janela do carro. — O que estamos fazendo não é certo. Você está com a Laurel. Eu sou apenas uma mulher que pela primeira vez na vida teve sorte e engravidou de um homem com uma família maravilhosa. Desde o início eu disse que não queria interferir em sua vida, mas aqui estou eu me envolvendo em algo que vai contra todos os meus princípios, por causa de... carência, desejo. Eu não sou assim, Oliver. Desde cedo eu aprendi que pessoas como eu não tem direito de se deixar levar pelas emoções. Precisamos ser racionais se quisermos sobreviver nesse mundo.
— Pessoas como você? Do que você está falando? — Questiono, sem entender aonde ela queria chegar. Ela finalmente me encara e vejo toda a sua hesitação e amargura.
— Pessoas sem família. Ao contrário de você, eu nunca tive pai, mão, irmãos. Até ter o Tony, eu não tinha ninguém, Oliver. Eu estava sozinha no mundo. — Responde com a voz embargada. Ela parecia fazer um esforço grandioso para não chorar. Aquela cena faz meu coração se apertar.
— Você não está mais sozinha, Felicity. — Coloco minha mão sobre a dela, mas ela se afasta e suspira, balançando a cabeça de maneira negativa. — Tony e eu...
— Tony é a minha família. Eu sou a você por ter me dado a oportunidade de ter uma família, de ter alguém para cuidar, alguém por quem eu mataria e morreria se fosse preciso. Só que não podemos continuar desse jeito, Oliver. Quando estou ao seu lado, eu me torno irracional, vulnerável, incontrolável. Essa não sou eu. Sendo mãe solteira, eu não posso me dar ao luxo de agir de forma tão inconsequente, Oliver. Eu não tenho uma mãe ou um pai para me amparar ou consertar meus erros.
— Felicity, eu não... — E mais uma vez sou interrompido pela pediatra.
— E é por isso que devemos manter o mínimo de contato possível. A partir de agora, nós apenas conversaremos a respeito de Tony. Você poderá visitá-lo quando quiser, mas procure ir quando eu estiver no hospital. Assim como a lei recomenda, você poderá levá-lo para passar o fim de semana em sua casa a cada quinze dias. Eu vou consultar um advogado para saber como fazemos para você registrar a paternidade de Tony, assim como o seu desejo. Provavelmente você será obrigado a pagar pensão alimentícia, mas ao invés de me dar o dinheiro, você deverá depositar em uma poupança no nome de Tony, que usarei para pagar a faculdade dele. E...
— Então é isso? Eu serei apenas um conhecido que coincidentemente é o pai do seu filho? — Questiono, frustrado.
— Sim. — Responde Felicity, decidida. E por algum motivo, eu me sinto como se tivesse acabado de levar um soco em meu estômago. — Eu pensei que poderíamos ser amigos, mas... acho que já deu para perceber que jamais conseguiríamos nos ver assim.
Abro e fecho a boca algumas vezes, mas acabo bufando frustrado. Eu sabia que ela tinha razão. Aquilo era o melhor a se fazer. Se todas as vezes que ficamos sozinhos, nós precisamos nos controlar para não acabar caindo em tentação, então nós realmente não conseguimos ser amigos. Eu sabia que ela estava certa.
Ainda assim... uma vozinha irritante continuava a gritar para que eu não concordasse com seu desejo. Algo que por mais que eu tente ignorar, continua a me machucar, mostrando que Damon tem razão. Estaciono o carro de frente a casa da loira, incapaz de dizer qualquer coisa. Ela não demora a descer e com uma agilidade impressionante, ela pega Tony no colo e vai embora sem olhar para trás. Eu me sentia destruído. E naquele momento eu decido de que talvez seja mesmo hora de mudar o meu destino.
Fale com o autor