Milagres de Junho

13 Parque de Diversões


Notas iniciais
Oii Cupcakes ♥! Hoje o dia foi tão complicado que eu quase não consigo postar o capítulo a tempo. Eu quero agradecer demais a Nanda, Suh Souza e Kaiala de Jesus pelos comentários no capítulo passado. Espero de verdade que gostem desse capítulo. Boa leitura...

ROMANCES MENSAIS

LIVRO VI — MILAGRES DE JUNHO

CAPÍTULO XII — PARQUE DE DIVERSÕES

Eu estava nervoso. Muito nervoso. E isso não fazia sentido algum. Eu apenas irei sair com o meu filho e a mãe dele. Não havia motivo algum para sentir meu coração bater tão forte e nem para minhas mãos estarem tremendo, enquanto eu estacionava o carro de frente a residência de Felicity. Não tinha motivos, mas eu ainda me sentia ansioso, animado, nervoso e sorrindo como um idiota, apenas por pensar como seria divertido ter esse momento com os dois.

Respiro fundo algumas vezes e encaro a minha aparência pelo retrovisor do carro. Ao confirmar que estava com o cabelo arrumado e visualmente apresentável, abro a porta para descer do veículo e acabo sorrindo ao ver meu filho sair da residência correndo em minha direção. Felicity repreende o garoto, avisando que ele poderia cair, mas Tony só para de correr quando alcança as minhas pernas e me abraça de maneira amorosa.

— Papai! — Grita o garoto, animado. — Nós vamos ao parte de diversões!

— Oi filho! — Cumprimento Tony, rindo de toda a sua energia. — Sim. Nós vamos ao parque de diversões. Está pronto para se divertir?

— Sim! — Responde, eufórico.

Sorrio e o pego no colo, logo recebendo um olhar repreendedor da pediatra, que trancava a porta de casa. Observo-a se aproximar e me surpreendo em como ela conseguia ficar bonita com qualquer roupa que fosse. Ela usava uma calça jeans clara, tênis All Star vermelho, uma blusa branca e o cabelo estava preso em um rabo de cavalo. Em suas costas estava uma mochila preta, onde ela provavelmente levava tudo o que Tony pudesse precisar.

— Você sabe que ainda não pode ficar pegando peso e nem dirigindo. — Fala a loira, observando-me com repreensão.

— Oi, Oliver. Como você está? Ah, oi, Felicity. Eu estou bem e você? — Ironizo e ela revira os olhos, pegando Tony do meu colo, mas vejo um pequeno sorriso em seus lábios.

— Você é terrivelmente teimoso. — Resmunga, mas suspira. — Eu estou bem, obrigada. Agora, passa a chave do carro.

— O quê? Acha que é assim? Meu carro é como um filho para mim. Não o entrego a qualquer um. — Brinco e ela ri, abrindo a porta de trás do carro, onde estava a cadeirinha de Tony. Quando confirma que ele está seguro, a loira fecha a porta e me encara com um sorriso presunçoso.

— Eu não sou qualquer uma. — Responde Felicity, surpreendendo-me. E a pior parte era que eu nem mesmo conseguia contestar a sua afirmação. De fato, ela não era qualquer uma. — Ou me entrega a chave do seu carro ou iremos no meu. Não vou deixar você dirigir quando deveria estar de repouso. Já basta você estar contrariando seus pais indo ao parque de diversões com apenas trinta dias de cirurgia.

— Tudo bem. — Suspiro, entregando a chave para ela. Felicity sorri e me lança uma piscadela, antes de ir para o lado do motorista. Sento-me ao lado dela e a observo pelo canto do olho.

Eu odeio que dirijam o meu carro. Provavelmente prefiro emprestar minhas cuecas a permitir que alguém dirija meu carro além de mim. No entanto, lá estava Felicity dirigindo o meu carro, conversando com nosso filho e rindo daquela maneira contagiante e eu, estranhamente, não me sentia incomodado. Parecia que mais uma vez, ela estava sendo a minha exceção.

E em meio a conversas banais, não demoramos a chegar ao nosso destino desejado. Com Tony segurando nossas mãos, Felicity e eu encaramos a entrada movimentada do parque com o nome em letras coloridas na fachada. Nós nos encaramos por alguns instantes e posso ver um certo brilho incomodado em seus olhos.

— Está tudo bem? — Pergunto, tentando identificar o que havia de errado.

— Sim. Eu apenas não me dou muito bem com brinquedos radicais. — Confessa Felicity, sorrindo envergonhada.

— A mamãe tem medo, papai. — Conta Tony com um sorriso divertido.

— Tony! — A pediatra repreende o filho, enquanto as bochechas adquirem um tom avermelhado. Tony gargalha, divertindo-se com a timidez da mãe. E tudo o que eu conseguia pensar é em como Felicity fica adorável quando está envergonhada.

— Vamos entrar. – Digo, chamado a atenção de Felicity e Tony. A loira respira fundo duas vezes e assente, concordando. – Não tenha medo, Felicity. Eu estarei com você. Confie em mim.

Ela parece surpresa com a minha sinceridade. De alguma forma, eu sentia que ela precisava ouvir aquelas palavras. Sinto o olhar de Tony sobre nós e ao encará-lo, encontro seu sorriso animado, enquanto seus olhos brilhavam intensamente. Eu não fazia ideia do que se passava em sua mente, mas eu me sentia bem ao ver a sua felicidade.

— Eu confio em você. – Afirma Felicity, surpreendendo-me. — Eu não confio é em mim. Eu só fui ao parque de diversões duas vezes e em ambas, eu passei mal ao tentar andar na montana-russa e nos carrinhos de bate-bate.

— Você consegue. Eu tenho certeza. – Garanto e ela sorri nervosa, voltando a encarar a fachada do parque de diversões.

— Bom, dessa vez eu estou com o meu super-herói, então eu tenho certeza de que se algo acontecer, ele irá me salvar. — Responde Felicity, lançando um olhar cúmplice para Tony, que ri e assente várias vezes.

— Sim, mamãe! Eu vou te proteger de todo o perigo. — Afirma Tony, colocando-se em uma postura séria. Felicity e eu nos encaramos e não demoramos muito para que começássemos a rir.

Um pouco mais calma, Felicity sorri e nos guia para a entrada do parque de diversões. O lugar estava repleto de pessoas, todas animadas com as atrações oferecidas. Observo a loira encarar o parque em deslumbre e receio. Ela apertava com força a mão de Tony e seus olhos analisavam com atenção todos os movimentos de quem estava ao seu redor.

— E então? Em qual brinquedo nós vamos primeiro? — Pergunto, encarando Tony.

— Quero ir no bate-bate. – Responde Tony, dando aquele sorriso caloroso, que era capaz de derreter até mesmo um iceberg. Encaro Felicity com preocupação e ela dá de ombros.

— Você vai com ele e eu fico do lado de fora esperando. — Decide a pediatra e vejo o brilho traquina em seus olhos. — Para que serve o pai da criança se não é para ir nos brinquedos que a mãe não gosta?

— É só para isso que eu sirvo? — Dramatizo, levando a minha mão livre ao peito. Tony ria, divertindo-se com a reação exagerada.

— E para o que mais se não é para isso? — Brinca Felicity, pegando Tony no colo, provavelmente preocupada com a quantidade de pessoas que transitavam pelo parque. Acabo rindo e me dou por vencido. Pelo visto, isso aconteceria por quase todo o passeio.

— Tudo bem. Você venceu. — Respondo e ela ri, lançando-me uma piscadela. — Já que decidimos por onde vamos começar, é melhor trocarmos as cortesias pelos tickets que permitem o uso de todos os brinquedos do parque.

— Oba! Vai ser tão legal, mamãe. Eu vou no carrinho de bate-bate! — Comenta Tony com toda a sua euforia infantil.

— Certo. Mas vocês devem tomar muito cuidado para não se machucar. Entenderam? — Alerta Felicity, enquanto andávamos pelo parque.

— Sim! — Respondemos Tony e eu ao mesmo tempo, fazendo com que ela desse um sorriso divertido. E assim nós seguimos para a fila de ingressos.

Enquanto Tony narrava tudo o que ele pretendia fazer nas atrações que tinha visto pelo parque, eu observo Felicity, discretamente. Mesmo tendo se acalmado um pouco mais, era possível notar a apreensão da loira. Eu realmente esperava que ela pudesse se sentir mais a vontade com os brinquedos e aproveitasse o lugar para se divertir. Ainda que eu não quisesse admitir, no fundo eu sabia que eu queria e muito ver mais de seu lindo sorriso.

Com os tickets para todos os brinquedos do parque em mãos, como pedido por Tony, o primeiro brinquedo a irmos foi o carrinho de bate-bate. Enquanto estávamos na fila, Tony e eu brincávamos e fazíamos comentários bobos, mas que sempre nos fazia rir. Felicity observava a tudo com aquele olhar amoroso, que mexia com o meu coração. Quando chegou nossa vez, Felicity pegou seu celular e passou a nos filmar e tirar fotos, enquanto entrávamos no carrinho.

Assim que todos se sentam e colocam o cinto de segurança, não demora muito para que o brinquedo começasse a funcionar. No mesmo instante, eu vou levado ao passado, relembrando as inúmeras vezes que me divertir ao lado de meu pai, Thea e meus primos nas batidas dos carrinhos elétricos. No entanto, estar no parque de diversões com Felicity e meu filho trazia um sentimento novo e único ao meu peito. Tudo parecia ainda mais mágico.

— Foi muito legal, papai. – Confessa Tony, assim que saímos do brinquedo.

— Foi mesmo. — Concordo, andando de mãos dadas com ele até o local onde Felicity nos esperava com um sorriso doce no rosto.

— Mamãe! — Tony corre até a loira e abraça suas pernas, encarando-a com animação. — Você viu a gente batendo? Foi muito legal!

— Eu vi, filho. Vocês foram ótimos. — Comenta Felicity, sorrindo. – E qual será o próximo brinquedo?

Tony se afasta da mãe e olha em volta com uma expressão pensativa. Mordo o interior da minha bochecha, segurando o riso. Ele ficar incrivelmente adorável com aquela expressão madura, que não combinava em nada com a aparência infantil de meu filho. Ele então para o seu olhar em algum brinquedo e sorri.

— Vamos naquele brinquedo! – Dita o garoto, apontando para uma nova atração.

Felicity e eu acompanhamos o dedo de nosso filho e logo vejo que o que havia chamado a sua atenção era o Tilt-a-whirl, um brinquedo composta por uns uns sete ou oito carrinhos que ficam girando em sentido horário e anti-horário. Eu adorava aquele brinquedo quando criança. Não consigo evitar abrir um grande sorriso.

Tilt-a-whirl? Você realmente tem bom gosto, filho. — Elogio e Felicity ri, negando.

Como Tony era muito novo para ir sozinho, mais uma vez eu o acompanho no brinquedo, enquanto Felicity continuava a tirar foto e registrar todos os momentos em que nos divertíamos. Ansiosos para experimentar todas as atrações do parque, Tony e eu íamos em todos os brinquedos que possuía no parque. Vez ou outra, aproveitávamos para comer algumas guloseimas vendidas no parque como uma verdadeira família.

Quando não estávamos nos brinquedos, Felicity e eu andávamos de mãos dadas com Tony pelo parque, comentando sobre as pessoas que agiam de maneira estranha ou sobre as caras e bocas que vimos nos brinquedos radicais. O clima ameno que nos envolvia era reconfortante. Aquilo era tudo o que eu precisava depois de semanas difíceis, trancafiado em casa com Laurel me incomodando o tempo todo.

— Gostaria de comprar algodão-doce para sua esposa e filho, meu jovem? – Oferece um senhor, com um sorriso gentil moldando os lábios.

Aquela não era a primeira vez que algum vendedor nos oferecia seu produto com as palavras "esposa" e "filho" em sua frase desde que chegamos no parque, mas Felicity e eu continuávamos a ficar sem jeito e completamente sem graça. Não que eu não gostasse da comparação. Por mais que tentasse, eu não conseguia evitar me sentir um pouco orgulhoso por saber que as pessoas realmente achavam que aquela linda mulher era a minha esposa.

— Eu quero, papai! — Pede Tony, sorrindo com os olhos brilhando.

— Três, por favor. – Peço, sorrindo para o vendedor, enquanto pego o dinheiro em minha carteira.

— Oliver, deixa que eu pago. Você já pagou tudo hoje. Estou me sentindo mal por tanto prejuízo. – Fala Felicity, colocando a mão em meu pulso.

— Não se preocupe com isso. Não vou deixar você pagar quando fui eu que a convidei. Então, apenas pegue seu algodão-doce e o saboreie. – Argumento com o olhar firme, deixando claro que não permitiria que a loira pagasse qualquer coisa. Pego a guloseima da mão do vendedor e entrego para Tony e depois para Felicity, que aceita ainda bastante insatisfeita.

Pego o meu algodão doce e pago o senhor. Voltamos a andar pelo parque, saboreando aquela guloseima simples, mas que me trazia o sabor da infância. Assim que terminamos de comer, vejo que restava apenas a roda gigante e o tiro ao alvo para que tivéssemos ido em todas as atrações do parque de diversões.

— Que tal irmos à roda-gigante? Depois podemos ir ao tiro ao alvo. Quero ganhar um prêmio especial para o Tony. — Sugiro e a criança me encara com os olhos brilhando em expectativa.

— Eu quero um prêmio! — Afirma Tony, sorrindo animado.

— Certo. Apenas me deixem ir ao banheiro. Depois disso podemos ir a roda-gigante e ao tiro ao alvo. — Responde Felicity, limpando um pouco de açúcar que havia na bochecha do filho.

— Tudo bem. Nós iremos te esperar por aqui. — Respondo, pegando na mão de Tony, que sorri para a mãe e passa a encarar as luzes coloridas que se acendiam no parque, conforme o sol ia se pondo. O cenário de cima com certeza seria de tirar o fôlego.

— Eu já volto. — Avisa Felicity, afastando-se para ir ao banheiro que havíamos passado algum tempo atrás.

Quando ficamos sozinho, Tony continua a observar tudo o que o rodeava. Sorrio, sem conseguir esconder a minha felicidade por ter passado o dia ao lado de Tony e Felicity. Era impressionante a forma como eu me sentia completo ao lado deles.

— Papai, olha! — Tony puxa minha mão e aponta para uma barraca que estava próxima de nós. Vejo que se tratava de uma espécie de exposição de filhotes para adoção. O local estava repleto de crianças, que brincavam com os animais, enquanto seus pais conversavam com os funcionários da barraca. Nesse instante, meu celular começa a tocar. — Cachorrinhos!

— Que legal, filho. — Respondo, sorrindo para o garoto, enquanto pego o celular em meu bolso. Suspiro ao ver o nome de Laurel brilhando na tela. — Só me faltava essa.

— Papai, eu posso brincar com os filhotes? — Pergunta a criança com aqueles olhinhos de cachorro sem dono. Alterno meu olhar entre a barraca que estava a uns dois metros de distância de nós e o garoto que balançava a minha mão em um gesto de súplica.

— Tudo bem. Mas não saia de lá. — Respondo, encarando meu celular, incomodado. Eu realmente não queria conversar com Laurel naquele momento.

— Obrigado, papai. — Agradece Tony, correndo para a barraca com os filhotes.

— O que você quer, Laurel? — Resmungo, atendendo o celular.

— Isso é jeito de falar com a sua noiva? — Pergunta Laurel, repreendendo-me com aquela voz irritante.

— Namorada. — Corrijo, fechando os olhos em busca de paciência para lidar com os chiliques de Laurel. — Fala logo o que você quer. Eu estou ocupado.

Ocupado me traindo com a vadia que...

— Eu acho melhor você medir suas palavras, Laurel, porque eu não vou aceitar que você ofenda a mãe do meu filho. — Ao ouvir o meu tom cortante parece deixar Laurel surpresa. Vejo Felicity se aproximar com aquele lindo sorriso em seu rosto. Acabo correspondendo, hipnotizado com a beleza da mulher.

Eu realmente não acredito que...

— Eu vou desligar. — Interrompo Laurel, sem conseguir desviar o olhar da pediatra.

O quê? Não! Espere...

Não permito que ela continue a falar e desligo o celular. Não demora muito para que o aparelho volte a tocar. Bufo e o coloco no silencioso. Laurel não irá estragar o meu dia. Por isso, guardo o celular no bolso no mesmo instante em que Felicity me alcança.

— Desculpa a demora. A fila do banheiro estava enorme. — Comenta Felicity, suspirando. Ela olha em volta e me encara confusa. — Onde está o Tony?

— Ele está na barraca de filhotes. Olha lá. — Aponto para o local onde o garoto tinha ido, mas me surpreendo ao não vê-lo mais brincando com os filhotes. — Ele... ele... ele estava ali alguns segundos atrás.

— Tony... — Sussurra Felicity, arregalando os olhos e corre para a barraca de filhotes. Ela olha em volta, buscando pelo filho. — Tony! Tony!

— Felicity... — Sussurro, preocupado. Ela me encara furiosa.

— Agora não, Oliver! — Resmunga Felicity, dando as costas para mim, voltando a procurar pelo filho. — Tony!

— Tony! — Grito junto com ela, buscando pelo garoto em meio a multidão que andava pelo parque de diversões.

Continuamos a chamar por Tony e a perguntar para as pessoas se eles viram a criança em algum lugar, mas não havia nenhum sinal de Tony em lugar algum. Eu me sentia desesperado e culpado. Por causa da minha falta de atenção, o garoto sumiu do meu campo de visão em questão de segundos e agora, ele estava perdido no meio desse enorme parque aglomerado por desconhecidos. Meu coração estava em pânico. Eu nunca me senti tão inútil como naquele momento. Eu realmente sou um péssimo pai.

Notas finais
Família Cupcake 2.0: https://chat.whatsapp.com/BbOG6KJnuHy2dQIs1sC9Ss Cupcakes da Lara: https://www.facebook.com/groups/677328449023646 Instagram: @_cupcakesdalara