Notas iniciais
Oii Cupcakes ♥! Hoje eu estou bem cansada, então espero que possam me desculpar pelo capítulo estar um pouco confuso e pequeno. Quero agradecer demais a Nanda, Vee Grey Smoak Queen, Fernanda Mara e Kaiala de Jesus pelos comentários no capítulo passado. Espero que gostem. Boa leitura...

ROMANCES MENSAIS

LIVRO VI — MILAGRES DE JUNHO

CAPÍTULO XV — IRRACIONAL

Minha cabeça parecia pesar cem quilos quando em chego em casa. Havia sido um longo dia com muitas complicações e dores de cabeça. Trabalhar em um hospital sempre rende momentos de tensão, mas em alguns dias, tudo é ainda mais intenso e desgastante, como foi hoje. E geralmente esses dias são aqueles que eu percebo a parte dura da profissão. Ver uma criança morrer, mesmo depois de ter dado o meu melhor para salvá-la.

Abro a porta de casa, desejando tomar um longo banho e ter uma boa noite de sono, mas o agradável odor que invade meu olfato faz meu estômago lembrar que estava a pelo menos doze horas sem comer nada. Deixo minha bolsa e chaves sobre o aparador da entrada do hall e ouço as risadas, que logo reconheço como as de Tony e de Oliver vindas da cozinha. Curiosa e com muita fome, aproximo-me do cômodo.

— Mamãe! — Tony é o primeiro a notar a minha presença, assim que entro na cozinha. Ele corre em minha direção e eu me abaixo para abraçá-lo apertado. Encho seu rosto de beijo, enquanto ele gargalha alto, tentando se afastar. – Para! Faz cócegas!

— Oi meu amor. — Cumprimento a criança, inspirando seu perfume característico. Nesse instante sinto todas as minhas energias de volta e toda a angústia que carregava dentro de mim por causa de um dia estressante de trabalho evapora. — Como foi o dia? Você se divertiu com o seu pai?

— Foi muito legal, mamãe. O papai me buscou com o tio Damon na escola. Aí nós almoçamos na casa do papai. Ele fez a comida, mamãe! Estava muito gostoso. Depois a gente jogou videogame no quarto do papai. Foi tão legal! E eu brinquei com a tia Thea. Ela me deu um carro desse tamanhão, mamãe. — Ele abre os braços o máximo que consegue para mostrar que o carro que ganhou da tia era realmente grande. — Eu vou buscar para você ver.

— Sem correr, Tony. — Alerto o garoto no momento em que o vejo correr para ir atrás do carro. Sorrio e suspiro, desejando ter um pouco da energia inesgotável de meu menino. Nesse momento, noto que era encarada por Oliver e é inevitável não me lembrar do parque de diversões. Acabo engolindo em seco e tento agir naturalmente, ignorando o nervosismo que me atingia. — Olá.

Sento-me no balcão da ilha da cozinha. Nós nos encaramos por alguns instantes e toda aquela eletricidade entre nós volta a aparecer. E por mais que eu quisesse, não conseguia desviar o olhar. Eu me sentia presa nos olhos azuis intensos de Oliver, assim como no dia anterior. Ele despertava algo em mim que estava cada vez mais difícil de ignorar.

— Oi. Chegou mais tarde do que eu imaginava. — Comentou Oliver, voltando a prestar atenção no que cozinhava. — Como foi o dia?

— Difícil. — Respondo, suspirando. Eu estava agradecida por ele não comentar sobre o dia anterior. Ele me encara novamente e assente, como se estivesse me incentivando a continuar. — Um dos meus pacientes faleceu pela manhã. Ele estava em estágio terminal da leucemia, mas ainda é doloroso saber que não o verei mais. Pior ainda é ver o desespero dos pais.

— Leucemia. — Sussurra Oliver em um tom melancólico com os olhos distantes. Ao notar meus olhos sobre si, ele dá um fraco sorriso e volta a sua atenção ao que ele fritava na frigideira. Eu não conseguia ver o que era, mas o cheiro era maravilhoso. — A família dessa criança deve ter ficado arrasada.

— Oliver, eu... oh, droga, eu não deveria ter falado sobre isso. Sinto muito. — Lamento e ele me encara confuso e surpreso.

— Por que está dizendo isso? — Questiona o rapaz, enquanto coloca o que parecia ser um sanduíche de waffles no prato ao seu lado.

— Sara Hopper. A sua primeira namorada que morreu de leucemia quando tinha apenas treze anos. Seu pai, Clint, Naty e Mimi me contaram o quanto você ficou abalado com a morte dela. Eu não devia ter contado sobre o caso dessa criança. Sei que é um assunto delicado para você. – Comento, sentindo-me culpada. Ele sorri e balança a cabeça, negando.

— Já faz dez anos. – Responde Oliver, colocando o prato com os sanduíches sobre o balcão. – É verdade que é difícil lembrar dela, mas eu estou prestes a me tornar um médico. Leucemia é apenas uma das inúmeras doenças que vou precisar lidar. Então não se preocupe. Eu estou bem. Na verdade, acho que nunca estive tão bem e tenho a impressão de que isso tudo é graças a você.

Arfo ao notar o tão perto ele estava e mais ainda por suas palavras. Seus olhos pareciam carregar o brilho das estrelas. Era hipnotizante e de tirar o fôlego. Mais uma vez, eu me via em uma luta interna, onde tento me afastar, mas parecia que eu não tinha controle algum sobre o meu corpo.

— Olha mamãe! – E para a minha sorte, Tony volta para a cozinha, puxando um carro quase do seu tamanho. – O carro que a tia Thea me deu.

— Uau! Que carro incrível, filho. – Comento, empurrando Oliver para me aproximar de Tony.

A criança abre um grande sorriso e me entrega um controle antes de se senta no carro. Assim que começo a apertar os botões do controle, vejo que ele dava os comandos ao carro que se assemelhava a um daqueles modelos esportivo na cor verde. Eu não entendia nada de carros, mas tinha a leve impressão de que a logo no para-choque do brinquedo era da Mercedes. Era realmente incrível.

— Não é legal, mamãe? – Pergunta Tony, animado. – Ele é verde!

— Não precisava ter dado um presente como esse a ele. Isso deve ter custado uma fortuna. – Digo, preocupada.

— Thea disse que foi para compensar os outros cinco aniversários dele. – Comenta Oliver, rindo. – Ela ficou ainda mais animada quando soube que a cor preferida dele é igual a minha. Então quando viu o interesse no carro de cor verde, ela não resistiu e acabou comprando.

— Dirige, mamãe! – Grita Tony, ansioso para testar o novo brinquedo.

— Agora não, filho. A mamãe... – Antes que eu completasse a sentença, minha barriga ronca alto e eu não sabia onde esconder o meu rosto de tanta vergonha.

— Mamãe tem um monstro na barriga? – Pergunta Tony, assim como eu sempre brincava com ele quando o garoto dizia estar com fome.

Oliver gargalha e me estende o prato com os sanduíches de Monte Cristo feitos com waffles. Sentindo meu rosto extremamente quente e meu estômago se revirando, implorando por um pouco de comida, acabo pegando o prato e volto a me sentar a mesa. Encaro o sanduíche que estava com um cheiro delicioso e incrivelmente bonito.

— Come. – Incentiva Oliver, sorrindo convencido. – Eu tenho certeza de que você nunca comeu um sanduíche tão saboroso quanto o meu.

— Está muito gostoso, mamãe! – Confirma Tony, descendo do carro. – É o melhor sanduíche do mundo!

Desconfiada, pego uma das fatias de sanduíche e depois de encarar os dois rapazes, sou vencida pela fome e dou uma mordida. Suspiro satisfeita ao saborear aquele manjar dos deuses. Oliver tinha razão. Era a primeira vez que eu comia um sanduíche tão saboroso. Eu não sabia dizer se isso era porque eu estava com fome ou se Oliver tem mãos de anjos e talento divino para preparar sanduíches. O fato é que seu Monte Cristo de waffles estava realmente delicioso.

Tony pega o controle do carro que ganhou da tia paterna e começa a conduzir o brinquedo pela casa, animado demais para se importar com o que acontecia. Enquanto o garoto desaparece em algum cômodo da casa, continuo a comer aquele sanduíche delicioso.

— Isso... – Engulo o sanduíche e deixo um gemido de prazer sair por meus lábios. – Uau! Esse sanduíche está realmente saboroso, Oliver. Eu não sabia que você cozinhava.

— É um dos meus muitos talentos. – Brinca, dando uma piscadela.

— Sei. – Murmuro, voltando a devorar de maneira desesperada o delicioso sanduíche. Ele ri e vai para a cozinha. Depois de pegar um pouco de suco, ele coloca o copo a minha frente e me senta ao meu lado. – Obrigada.

— Há quanto tempo você não come? – Pergunta o rapaz, rindo. Tento dar um sorriso enquanto comia e isso faz com que Oliver ria ainda mais. – Você parece uma criança. Vem cá.

Oliver se aproxima e leva uma mão ao meu pescoço, puxando-me para mais perto com delicadeza, enquanto a outra vai na minha bochecha, provavelmente limpando alguma sujeira que havia no local. Paro de mastigar no mesmo instante e fico tensa. Eu me sentia como uma adolescente idiota que nem mesmo consegue controlar as emoções. Ele não estava fazendo nada demais e ainda assim, meu coração continuava a bater descompassado.

— Eu... – Minha voz sai muito mais fraca do que eu gostaria e isso parece nos deixar ainda mais nervosos. Minha pele parecia em chamas e até mesmo respirar parecia ser uma tarefa meio complicada. Ele alterna o olhar entre meus olhos e meus lábios. Sinto minha boca ficar seca e era como se a temperatura da cozinha tivesse aumentado dez graus de uma hora para outra. – O que... estamos fazendo?

— Eu não sei. – Sussurra Oliver em resposta, sem se mover.

Seus olhos pareciam mais escuros. Minhas mãos tremiam e eu estava fraca demais para conseguir escapar daquela situação. A verdade é que eu queria fazer aquela loucura. Mesmo sendo errado, eu desejava sentir os lábios de Oliver, ter suas mãos deslizando pela minha pele. Pela primeira vez em minha vida, as minhas emoções pareciam falar mais alto que a razão.

— Você tem namorada. — Afirmo, tentando colocar essa mesma frase na minha cabeça e me fazer entender que eu não poderia estar desejando ter uma noite intensa de prazer com um rapaz que é bem mais novo que eu e comprometido. Eu realmente devo ter perdido a cabeça. É verdade que ele é muito bonito e tem um corpo incrível, mas isso não é o bastante para me fazer parecer uma adolescente cheia de hormônios.

— Sim. A Lana. — Fala de forma aérea, enquanto continua a encarar a minha boca.

— Laurel. — Corrijo, presa em seu olhar.

— Isso. Laurel. — Concorda, acariciando meu rosto. Ele começa a se aproximar e eu finalmente me lembro que isso não poderia acontecer de maneira alguma.

— Tudo bem. Já chega. — Empurro Oliver e me levanto. — Eu vou... eu dar banho no Tony. É isso.

— Banho? — Questiona Oliver, ainda atordoado. — Ele já tomou. Um pouco antes de você chegar.

— Eu quis dizer que ele precisa se arrumar. Nós iremos sair. — Afirmo e ele parece ainda mais confuso.

— E para onde vocês vão? — Pergunta o rapaz, finalmente se recompondo.

Permaneço parada por alguns instantes, pensando no que eu deveria fazer. Olho em volta, tentando encontrar alguma desculpa que pudesse convencer Oliver. É então que meus olhos recaem sobre o quadro que Mimi trouxe de sua última viagem a Veneza. Relembro de nossa última conversa, quando ela me contou sobre Austin ter terminado com Ally e como se culpa por achar que o motivo tinha a ver com a pressão que os patriarcas da família Queen estão colocando sobre o garoto.

— Eu vou visitar seus avós. — Respondo, cruzando os braços.

— Meu avós? Por quê? — Questiona o outro, confuso.

— Mimi me contou que eles estão interferindo na relação de Austin e Ally. Então eu vou levar Tony e usar a fofura dele para convencer os dois a deixar ser livre para escolher o destino dele. — Digo com tanta firmeza, que até mesmo eu acredito que esse era o real motivo de estar indo a casa de Richard Queen e Marta Allen Queen em plena segunda-feira à noite sem ser convidada e não porque eu sou patética demais e estou tentando de todas as formas fugir de Oliver.

— Eu vou com você. — Declara Oliver com determinação.

— Não! Você não pode! — Digo, imediatamente. Ele me encara surpreso e vejo aquele brilho teimoso, idêntico ao que tenho lidado há cinco anos com a criança que parece ser a cópia do pai.

— E por que não? — Questiona, cruzando os braços. — Estamos falando sobre o meu primo. Se ele está com problemas por causa dos meus avós, eu tenho que ir.

— Você só atrapalharia a nossa conversa. É melhor você ir para casa. — Argumento, saindo da cozinha para ir atrás de nosso filho. — Tony, meu amor, onde você está? Precisamos te arrumar.

— E por que eu atrapalharia? Eu sou o neto mais velho deles. Tenho certeza que posso usar esse fato a meu favor. — Responde, vindo atrás de mim.

— Ou você só complicaria a situação. Então é melhor que eu vá sozinha com o Tony. — Retruco de maneira nervosa. Eu nem mesmo estava conseguindo pensar direito e ter ele tão perto de mim tornava essa tarefa cada vez mais impossível. — Tony! Tony, filho! Venha aqui, por favor!

— Como eu complicaria mais a situação? — Indaga Oliver, pegando em meus ombros para que eu o encarasse.

— Eu não sei, Oliver! — Bufo, atordoada. Minha mente estava em branco. Eu não conseguia pensar em nada. Essa é a primeira vez que me sinto tão instável, irracional. Meu coração e minha mente travavam uma dura batalha para ter o controle sobre mim e ter os lindos olhos de Oliver sobre mim não estava me ajudando em nada. — Apenas... não sei.

— Então...

— Oi, mamãe. A senhora me chamou? — Pergunta Tony, aparecendo na sala. Suspiro aliviado e quase choro de emoção por mais uma vez meu menino ter aparecido no momento em que eu mais precisava dele.

— Sim. Vamos nos arrumar. Nós iremos na casa da bisavó Marta e do bisavô Richard. — Explico para a criança, que abre um largo sorriso.

— Oba! — Comemora Tony, sorrindo de maneira radiante. Ele realmente ama a família do pai. — Nós vamos visitar a vovó Marta e o vovô Richard, papai!

— Sim, filho. Nós vamos. — Enfatiza Oliver e o encaro inconformada. Ele então passa por mim e pega Tony no colo. — Agora vamos colocar uma roupa bem bonita. Eu vou trocar a sua roupa enquanto a sua mãe vai se arrumar.

E sem dizer mais nada, Oliver sobe as escadas em direção ao quarto de Tony. Observo-o desaparecer e levo as mãos ao rosto, tentando me acalmar. Bufo, sem acreditar que mais uma vez eu estou agindo como uma idiota e que pelo visto serei incapaz de ir contra a teimosia de Oliver. Decido então tomar um banho gelado. Quem sabe assim eu não consiga voltar a ser eu mesma?

Notas finais
Carro do Tony: https://cdn.awsli.com.br/600x450/968/968707/produto/36038414/8e75de8cd3.jpg Carro do Tony: https://youtu.be/lcKvFullf6s Família Cupcake 2.0: https://chat.whatsapp.com/BbOG6KJnuHy2dQIs1sC9Ss Cupcakes da Lara: https://www.facebook.com/groups/677328449023646 Instagram: @_cupcakesdalara