Milagres de Junho
15 Desculpas
Notas iniciais
ROMANCES MENSAIS
LIVRO VI — MILAGRES DE JUNHO
CAPÍTULO XIV — DESCULPAS
— E você deveria pintar o cabelo de rosa e raspar as sobrancelhas. – Afirma Damon, mexendo no copo de refrigerante a sua frente.
— Verdade. – Digo, encarando as duas fatias do sanduíche de Monte Cristo a minha frente, desejando que ele tivesse sido feito de waffles. Com certeza quando eu chegar em casa, irei preparar para comer. No entanto, repasso a frase de meu melhor amigo em minha mente ao ver o sorriso irônico em seus lábios. – Espera. O quê?
— E aqui temos a prova de que você não estava ouvindo nada do que eu estava falando. – Resmunga Damon, suspirando. Ele bebe um pouco de seu refrigerante e rouba uma das minhas fatias do sanduíche. Ele morde um pedaço e devolve ao prato quando nota o meu olhar repreendedor. Meu melhor amigo bufa. Ele sabe a minha principal regra. – Deixar que eu dê uma mordida em seu sanduíche é o mínimo que você tem que fazer depois de me deixar falando sozinho por horas.
— Foi apenas uns vinte minutos e você estava apenas fazendo drama sobre o fato de seu pai ter casado com a mãe da Elena. – Respondo, puxando o meu prato de torta para que ele não pegasse mais. – E você sabe que eu não divido a minha comida. Principalmente se for sanduíche de Monte Cristo. Sem exceções.
— Você é insuportável. É só a droga de um sanduíche. – Meu primo revira os olhos e se joga na mesa, frustrado. – E não é drama. Será que não entendeu nada nesses vinte e quatro anos em que você convive com a gente? Elena e eu não conseguimos nem mesmo respirar o mesmo ar sem que a gente queira se matar. E agora, do dia para a noite, meu pai decide se casar pela sexta vez...
— Sétima. — Corrijo, comendo mais da minha torta.
— Sétima vez com a mãe dela. Isso era a última coisa que poderia acontecer. — Declara o outro em tom choroso.
— Pensei que gostasse da tia Isobel. — Comento, encarando o rapaz de maneira confusa.
— Eu gosto da tia Isobel. — Afirma, suspirando.
— Então qual o problema? — Bufo, sem realmente entender o motivo de tanto alarde de meu melhor amigo.
— Qual parte do sétimo casamento e eu e Elena não nos suportamos você não entendeu? A tia Isobel é uma ótima pessoa, mas não acho que seja uma boa ideia ela e o meu pai se casarem. Eles só começaram a conversar de fato há dois meses! Não quero que meu pai machuque a tia Isobel. Minha relação com a Elena já é um inferno. Não preciso de mais motivos para nos odiarmos. Eu mal suporto o Stefan. Agora eu também terei a Elena como irmã? Isso definitivamente não pode acontecer. — Responde Damon, decidido. Encaro meu primo com tédio. Apesar da pose de bad boy, Damon sempre foi muito sensível e exagerado.
— Por acaso já passou por sua cabeça que essa pode ser a chance de vocês se darem bem? A Elena não é um membro da família Barton à toa e você sabe muito bem disso. Esse ódio nunca fez muito sentido mesmo. Ela é uma garota muito legal e já está na hora de vocês crescerem e aprenderem a conviver. E sobre o casamento do tio Giuseppe, ele já se casou muito mais rápido que isso. Não se lembra da vez que ele casou com a mulher vinte e quatro horas depois de terem se conhecido? E só demorou isso, porque eles precisaram esperar o cartório abrir e aprovar toda a documentação. — Relembro e Damon assente, contrariado. — Apenas pare de ficar se martirizando antes da hora e seja mais aberto e sincero com a Elena. Você tem a irritante mania de afastar as pessoas com a desculpa de que é para protegê-las, quando na verdade você tem medo de deixar elas te conhecerem e acabar se machucando. Você sabe que a Elena não é assim. Então confie mais nela e deixe de ser babaca.
Damon me encara por alguns instantes em silêncio, como se estivesse ponderando minhas palavras. Por fim, ele suspira e me encara incomodado. Eu o conhecia bem o suficiente para saber que não era apenas isso que o incomodava. No entanto, uma coisa que aprendi desde que éramos crianças é que não adianta pressionar Damon. Nas poucas vezes que isso aconteceu, tivemos brigas bem complicadas, onde eu me dei muito mal psicologicamente. Meu melhor amigo possui um coração de ouro e uma força brutal. Ninguém em sã consciência o desafia para um combate físico e nem de inteligência, para ser sincero. Além de forte, ele também é conhecido pela inteligência acima da média.
— E o que foi que aconteceu? Ainda se culpando por Tony ter desaparecido enquanto conversava com a bruxa da Laurel? — Pergunta Damon, mudando de assunto.
— Não. — Respondo, voltando a encarar o meu saboroso sanduíche.
— Então o que foi? Você está o dia todo com o pensamento longe. Pensei que estaria feliz depois de ter um dia em família com o amor da sua vida e o seu filho. Por que está com essa cara de enterro? — Questiona o outro, encarando-me com intensidade. Olho em volta, incapaz de sustentar o olhar em Damon. Ele me conhece bem o bastante para ler minhas emoções e saber o que se passa em minha mente. E nesse momento, eu não sei se quero saber o que estou sentindo. — Espera um pouco. Olha para mim, Oliver.
— O que foi? — Indago, virando meu rosto para vê-lo apenas por alguns segundos antes de voltar a minha atenção para meu sanduíche. Faço questão de morder um pedaço maior para não ter que responder as suas perguntas.
— Aconteceu alguma coisa entre você e Felicity. — Supõe Damon e ao ver a minha reação, posso sentir seu sorriso se alargar. — Eu sabia! Vocês se beijaram!
— Não. Nós não nos beijamos. — Sussurro, tenso. Suspiro e finalmente crio coragem para encarar seus olhos azuis, que brilhavam com uma intensidade absurda. Ele realmente estava animado. — Nós quase nos beijamos na roda-gigante. Por causa da maldita... digo, por causa de um raio que caiu, nós nos assustamos e acabamos caindo em si. Logo começou a chover e tivemos que correr para um abrigo com Tony, que estava dormindo na hora.
— Entendi. Então você está frustrado porque queria beijar o amor da sua vida e isso não aconteceu. Ao mesmo tempo está se sentindo culpado porque ainda namorada a pessoa que eu já falei que era para você ter terminado há anos. — E então Damon expõe exatamente o que eu sentia. Esse dom que ele tem de me conhecer tão bem me faz amá-lo e odiá-lo ao mesmo tempo. — E pelo seu olhar de incômodo, eu estou certo. Só queria deixar registrado aqui que eu avisei. Você está apaixonado pela Dra. Felicity. Seus olhos já não conseguem mais mentir, Oliver. Você precisa ver a forma como você a encara. Como se ela fosse... fosse... fosse um sanduíche de Monte Cristo feito com o waffles do jeito que você gosta.
— O quê? — Pergunto, confuso e envergonhado.
— Não vem com essa. Você entendeu o que eu quis dizer. — Acusa Damon, dando aquele sorriso convencido dele. Ele então se ajeita na cadeira e me encara com seriedade. Nervoso, também ajeito a minha postura. — Agora que já sabemos que já esclarecemos seus sentimentos e você finalmente entendeu que você não sente nada pela Laurel, vamos começar a organizar a festa que iremos fazer para o fim do seu relacionamento com ela. Estou pensando em uma festa pequena com umas duzentas pessoas. Espalharemos fotos e montagens dela pelo local e as pessoas poderão perfurar a cara dela ou fazer aqueles desenhos nela. Também podemos fazer uma versão dela em papelão, fazer uma fogueira e queimar a meia-noite. Tipo uma forma de se livrar das bruxas. Por fim, soltaremos fogos de artifícios e beberemos como se não houvesse um amanhã em sua homenagem.
— Você não leva nada a sério. — Resmungo e ele começa a rir.
— Foram dez anos aturando a bruxa. Ela infernizou a minha vida e atrasou a sua. Está na hora de se livrar dela. É o início de uma nova vida. — Celebra Damon, animado. — É um momento histórico, irmão. Eu preciso comemorar.
— Eu não vou terminar com a Laurel. — Dito e ele me encara incrédulo, batendo seu copo de refrigerante com força na mesa.
— Como é que é? Desculpa. Acho que a frase certa era: eu vou terminar com a Laurel. Você é tão engraçado, Oliver. — Ironiza Damon, voltando a se encostar na cadeira. Ele estava irritado.
— Você ouviu direito. Eu não vou terminar com a Laurel. — Repito e Damon urra, frustrado. Ele soca a mesa e me encara em desespero.
— Qual é o seu maldito problema, Oliver Jonas Queen? Você está com a faca e o queijo na mão, ai você me enfia a faca nos olhos e o queijo na bunda? Isso é algum tipo de transtorno psicológico? Porque eu realmente não consigo entender. Laurel já te traiu, destruiu seu carro, sua televisão, seu computador, seu Xbox e os troféus que recebeu das competições que já participou, fez escândalo de ciúmes na faculdade, matou o seu gato, quer controlar cada passo que você dar, falta pisar na sua cara e você continua insistindo nesse relacionamento ridículo. — Meu melhor amigo faltava soltar fogos pelos olhos de tão furioso que estava.
— Damon...
— Não. Para, Oliver. Acabou. Para de ser otário. Está na hora de cada um seguir seu caminho. Não tem lógica você continuar com esse demônio na sua vida quando você tem a possibilidade de viver um grande amor com uma mulher bonita, inteligente e que sua família ama. Vocês têm um filho incrível e podem construir uma família espetacular. Até o Ben conseguiu se livrar da insuportável da Audrey e você continua com a Laurel. Ele pelo menos tinha a desculpa de estar sendo chantageado. E você? Qual é a sua desculpa? Por acaso você é masoquista? — Questiona Damon e confesso que fiquei um pouco intimidado com a fúria de meu melhor amigo. Ele estava se segurando para não não me bater. Eu podia sentir isso.
— Eu... — Suspiro, tentando me recompor. Foram raras as vezes em que vi Damon tão irritado comigo. E nas vezes que isso aconteceu, eu sai com um olho roxo e dores no corpo por semanas. — Quando ela me salvou de mim mesmo assim que... bem, eu prometi que ficaria com ela até que ela se cansasse de mim. Você sabe que eu...
— Ah, pelo amor de Deus, Oliver. Você está me dizendo que eu tenho suportado a cara da Laurel durante todos esses anos por causa de uma promessa que vocês fizeram quando você tinha acabado de perder a sua namorada aos catorze anos? — Damon respira fundo e balança a cabeça, negativamente. — Olha, eu entendo que ela foi importante para você naquele momento. Mas você não pode continuar insistindo em uma relação fadada ao fracasso por causa de uma promessa infantil. É a sua felicidade que está em jogo aqui, Oliver.
— Eu não...
— Eu sei. Eu sei. Você não quebra as suas promessas. — Damon me interrompe mais uma vez e pega em minhas mãos, encarando-me como se eu fosse uma criança do jardim de infância teimosa que precisa entender o que fez de errado. — Mas dessa vez você vai quebrar. Então você vai sair daqui e vai se encontrar com a Laurel. Você vai olhar nos olhos dela e vai dizer: acabou, vadia. Cai fora. Adeus. Goodbye. Au revoir. Arrivederci. Tschüss. Sayonara. Namaste. Annyeong. Selemat jalon. Adiós. Para. Desiste. Desgruda. Desapegar. Desaparece. Me deixa, me erra, me larga, me deixa em paz. Esquece que eu existo. Larga o osso. Game Over. Xeque-mate. Vai embora. Vai para a puta que pariu. Some. E se você ainda não entendeu, eu estou terminando com você. Isso mesmo. Estou chutando você.
— Há quanto tempo você tem decorado esse texto? — Pergunto, assim que noto a velocidade com a qual ele falou todas as formas possíveis de dizer adeus a Laurel.
— Desde que ela chutou um cachorro na minha frente. A partir desse momento, eu decidi que ela é o demônio e a pessoa que eu mais odiaria na minha vida. Então no momento em que você finalmente abrisse os olhos, diria essas lindas palavras para mandar ela ir a merda e se livraria desse espírito maligno que é ela. — Responde Damon, dando um sorriso diabólico. Rio e puxo minhas mãos, voltando a comer meu sanduíche. — Enfim, você vai terminar com ela ou eu terei que fazer isso por você? Pensando bem, eu até gosto da segunda opção. Seria mais cruel. Já sei. Manda mensagem terminando com ela e depois eu vou lá dizer o meu texto de término para ela. Sim. Isso é ainda melhor.
— Deixa de ser babaca. Eu não vou terminar com ela. Então podemos esquecer tudo o que eu disse e focar no meu trabalho de Traumatologia? Eu vou precisar da sua ajuda. — Peço e ele me encara como uma criança emburrada.
— Eu não. Você que é filho de donos do hospital. Se vira! Você já me ignorou mais cedo, não quis dividir o seu sanduíche, não quer terminar com a Laurel e agora vem querer me obrigar a te ajudar com o seu trabalho? — Resmunga, cruzando os braços.
— Eu faço um festival de fast food para você. — Proponho e ele me encara por alguns instantes com os olhos semicerrados.
— Você acha que pode me comprar com comida? — Questiona o outro com seriedade.
— Você vai poder escolher tudo o que eu vou fazer para você e chamar quem você quiser para participar. — Continuo a proposta, sorrindo como se aquela fosse uma oferta única.
— Tudo bem. Faremos o trabalho amanhã. — Responde Damon, sorrindo animado de novo. Ele é quase como uma criança. — Eu vou chamar nossos primos, Felicity e Tony. E sabe quem não vai?
— Quem? — Questiono, mesmo já sabendo a resposta.
— A Laurel. Aquela com quem você deveria terminar. — Retruca e eu acabo rindo de sua resposta. Antes que eu dissesse qualquer coisa, vejo Tommy se aproximar um pouco receoso. — Tommy Merlyn.
— Oi pessoal. — Cumprimenta Tommy, sentando-se ao lado de Damon.
— Veio mais uma vez agir como um babaca e dizer que Oliver é egoísta por assumir o filho dele? — Ironiza Damon e Tommy suspira, parecendo cansado. — Porque se veio fazer isso, é melhor ir embora, porque eu estou bem irritado hoje e você sabe. Eu posso ser bem cruel quando eu saio do sério. Então pense bem antes de dizer merda.
— Eu vim me desculpar com o Oliver. — Resmunga Tommy, encarando-me com culpa.
— O quê? Você veio se desculpar? Comigo? — Pergunto, surpreso. — Por quê?
— Ontem eu... eu encontrei com a sua mãe no hospital. — Começa o rapaz, parecendo um pouco deslocado. Damon e eu trocamos olhares e voltamos a encarar Tommy. — Nós conversamos um pouco e... — Ele suspira. — Olha, eu sei que estava sendo um babaca e...
— Você jura? — Damon interrompe Tommy com mais sarcasmo que o habitual. — Acho que ninguém percebeu isso.
— O que eu quero dizer é que eu não deveria ter te chamado de egoísta. Você está assumindo a paternidade do seu filho e isso é admirável. Eu só... só fiquei com inveja. — Confessa, desviando o olhar para encarar as próprias mãos. — Eu sei que isso não justifica e também não tenho orgulho de dizer isso, mas eu sempre... sempre amei a Laurel. Mesmo quando vocês começaram a namorar. Eu tentei esquecer meus sentimentos por ela, mas parece que não importa quantos anos se passem, eu continuo gostando dela. E isso é uma droga, porque eu não deveria. Eu sei que eu não deveria, mas...
— Tommy, calma. Respira, cara. — Interrompo Tommy, já não conseguindo entender nada do que ele falava. Ele respira fundo e me encara com preocupação. — Você... quer que eu termine com ela?
— Sim. Todos nós queremos. — Responde Damon, dando um sorriso convencido para mim.
— O quê? Não! Eu sei que a Laurel nunca vai gostar de mim. Ela te ama, Oliver. Eu sei que ela é difícil de lidar, mas a Laurel realmente te ama. E eu quero que ela seja feliz, ainda que não seja comigo. — Afirma Tommy, suspirando.
— O que é que vocês tanto veem na Laurel? — Questiona Damon, entediado. — Tudo bem que ela é bonita, mas a personalidade dela a deixa feia.
— Você não entende! — Retruca Tommy, inconformado.
— Tem razão. Eu não entendo. E sendo sincero, eu prefiro nem entender. — Responde Damon, levantando-se da mesa. — Eu vou procurar a Caroline. Quando for embora, me avisa. Eu vou com você.
— Tudo bem. — Concordo e ele acena em despedida.
Assim que Damon se afasta de nós, Tommy suspira e me encara, como se esperasse uma resposta minha. Eu não sabia exatamente o que responder. A verdade é que eu realmente não estou chateado com Tommy por gostar de Laurel e isso me assustava. Eu sempre fui muito ciumento, mas eu não me importava com o fato de um dos meus melhores amigos gostar da minha namorada.
— Eu... eu realmente sinto muito. — Lamenta Tommy, encarando-me com seriedade.
— Está tudo bem, Tommy. — Afirmo, sorrindo para o rapaz. — Eu...
De repente meu celular começa a tocar. Pego o aparelho no bolso e vejo o nome de Felicity brilhar na tela. Sinto meu coração bater mais forte em meu peito. Respiro fundo e nem mesmo me importo com o olhar curioso de Tommy sobre mim. Eu apenas queria e muito ouvir a voz da loira, que havia trocado poucas palavras comigo desde o final de nosso passeio ao parque de diversões.
— Alô. — Atendo, ansioso.
— Oi Oliver. Você está podendo falar? — Pergunta a loira do outro lado da linha. Ela parecia receosa.
— Estou sim. Aconteceu alguma coisa? Tony está bem? — Pergunto alarmado e ela ri do outro lado da linha. Acabo sorrindo junto. O som de sua gargalhada era como uma melodia para meus ouvidos.
— Não. Ele está bem. Na verdade, eu que estou em apuros. — Comenta, soando risonha.
— O que houve? Tem alguma coisa que eu possa fazer por você? — Questiono, curioso. Na última vez que ela me pediu alguma coisa, eu acabei doando uma parte do meu fígado. Mesmo com seu tom de voz animado ainda me sentia preocupado.
— Mal teve que ficar na escola até mais tarde para fazer um trabalho e eu vou precisar ficar no hospital até mais tarde. Queria saber se você poderia buscar Tony na escola e passar o dia com ele. Se não puder, eu vou...
— Posso. Eu com certeza posso. — Afirmo, sem acreditar que ela estava confiando em mim para cuidar de Tony, mesmo depois de tudo o que aconteceu. — Eu saio da faculdade daqui duas horas. Eu vou com Damon buscá-lo na escola.
— Certeza? Porque se estiver muito ocupado, eu peço para a babá da Holly cuidar dele até a Mal sair da escola. — Sugere Felicity, preocupada.
— Eu posso sim. Não se preocupe. — Respondo, animado com a possibilidade de passar mais um dia com o Tony.
— Tudo bem, então. Eu preciso desligar agora. Tenho que voltar ao trabalho. — Avisa a loira, suspirando cansada. — Qualquer coisa me liga.
— Certo. — Concordo e suspira. — Ah, e Felicity.
— Sim? — Questiona a pediatra antes de desligar a chamada.
— Obrigado. — Agradeço, sorrindo.
— Eu que deveria agradecer por você cuidar dele. — Responde a mulher com sinceridade.
— Não. Mesmo depois do que aconteceu ontem... — Relembro então do nosso quase beijo e acabo me atrapalhando. — Bom, obrigado por confiar em mim de novo.
— Eu confio em você, Oliver. O que aconteceu com você, já aconteceu comigo, com a Mal, com a Naty, com Peggy... Enfim, seu filho é um fujão de primeira. Ele é ótimo para correr de nossas vistas, então não se culpe por isso. Está tudo bem, mesmo. — Explica Felicity com o tom de voz ameno. — Agora eu realmente preciso desligar. Obrigada de novo.
E então ela desliga. Acabo sorrindo, enquanto encaro a tela do aparelho por alguns instantes. Somente quando ouço um longo suspiro de Tommy é que me lembro que ele continuava ao meu lado. Desvio o olhar para encará-lo e encontro uma série de sentimentos, mas o maior deles era a descrença. Sem dizer nada, Tommy se levanta e vai embora. Eu não sabia o que ele havia interpretado de minha conversa com Felicity, mas eu esperava de verdade que isso acabasse me causando mais problemas.
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