Notas iniciais
Oii Cupcakes ♥! E aqui vamos nós com mais um capítulo. Eu espero de verdade que gostem. Confesso que ele foi bem difícil de sair, por causa da minha falta de inspiração, mas felizmente consegui terminar. Muito obrigada pelos comentários anteriores da Suh Souza, Drica, alefe, Mikaelly Tessaro Lucas e Vee Grey Smoak Queen. Boa leitura!

ROMANCES MENSAIS

LIVRO VI — MILAGRES DE JUNHO

CAPÍTULO XXII — CONFIANÇA

Tony dormia tranquilamente nos braços de Felicity quando eu terminei de acender a fogueira e preparar os marshmallows para assar. Ele estava exausto depois de ter brincado tanto com o arco e flecha, procurado lenha comigo, pescado e tomado um refrescante banho no lago. Sorrio, observando o leve sorriso em seu rosto. Tony provavelmente estava tendo um bom sonho. Sento-me ao lado de Felicity e trocamos sorrisos, satisfeitos com o extremamente cansativo, mas proveitoso dia.

— Quer que eu o coloque na barraca? — Questiono e Felicity nega.

— Não precisa. Deixa ele ficar mais um pouco aqui. — Responde a loira, acariciando o rosto do filho quase que em uma adoração. Sorrio e levo o espeto de marshmallow a fogueira, observando-a pelo canto do olho. — Sabe, eu tenho que admitir. Esse lugar é mesmo incrível. O ar puro, o lindo céu estrelado, a calmaria e esse ambiente aconchegante criado por estarmos em volta da fogueira em uma noite fria traz um sentimento incrível de paz. É como se só existisse nós no mundo todo.

— Eu disse que você acabaria se apaixonando pelo acampamento. — Digo e ela ri, dando de ombros. — Apesar de ser cansativo, é muito divertido. Acho importante termos esse momento de nos desligarmos um pouco da tecnologia e de toda a loucura do nosso dia a dia para respirarmos o ar puro da natureza.

— Eu me pergunto como Clint e Naty davam conta de tantas crianças cheias de energia juntas em um ambiente tão aberto quanto a natureza. — Comenta Felicity, encarando a fogueira com um sorriso divertido em seus lábios. Retiro o espeto da fogueira e o entrego para a loira que assopra algumas vezes e dá uma mordida, suspirando satisfeita ao sentir o sabor do marshmallow assado. Sorrio e encaro o céu estrelado que se fazia naquela noite.

— Tio Clint e tia Tasha sabiam ser bem intimidadores quando queriam. Eles nos conheciam como ninguém, então sabiam nossos pontos fortes e fracos. Tio Clint também não era bobo. Ele sempre nos colocava para realizar atividades que sugavam todas as nossas energias e nos mantinham entretidos. Então, no fim do dia nós dormíamos como anjinhos. — Conto, rindo nostálgico ao relembrar daquela época. Ela sorri e termina de comer o espeto de marshmallow. — Era como se ele fosse o pai de uma grande família. Com a ajuda de Bernard e de alguns poucos empregados que ele confiava, nós participávamos do preparo das nossas comidas, da limpeza da bagunça que fazíamos e cada um tinha uma responsabilidade diferente na casa. Foi nessa época que eu me apaixonei pela culinária e pelo arco e flecha.

— Uma grande família. — Sussurra Felicity, pensativa. Ela dá um fraco sorriso e encara o filho com o olhar distante. — Quando eu era criança, eu sempre sonhei em fazer parte de uma grande família ou construir uma. Quando eu entendi que jamais seria adotada, passei a planejar a minha vida adulta. Eu me tornaria uma respeitável pediatra, que todos admirariam, me casaria com um homem que eu amasse e que me amaria. Junto, construiríamos uma casa. Teríamos três filhos, um cachorro e dois gatos. E assim, seríamos uma família feliz. Mas assim que me tornei pediatra, eu descobri que jamais poderia realizar os meus outros sonhos.

— E por que não? — Pergunto, confuso. — Você ainda é uma mulher jovem e saudável.

— Eu não posso mais ter filhos, Oliver. — Responde Felicity, dando aquele sorriso forçado, com a tristeza estampando seus lindos olhos verdes. Aquilo me destruía. — Por causa da Adenomiose, eu precisei tirar o útero um pouco depois de ter Tony. Ele foi o meu milagre e a minha esperança. Eu me tornei mãe solteira sem que o pai soubesse de sua existência. Eu jamais imaginei que eu acabaria revelando a verdade a você e que acabaríamos nos apaixonando. Eu simplesmente não confiava em me envolver com ninguém e não tinha tempo também. Você sabe como a vida de um médico é complicada. E tudo se torna ainda pior quando se tem um filho pequeno com uma saúde frágil.

— Bom, eu sei que não é exatamente como você sonhou na infância, mas podemos adotar quantas crianças você quiser. Nós dois sabemos como existem inúmeras crianças apenas esperando a oportunidade de fazerem parte de uma família que possa dar um lar e muito amor. E eu te amo, Felicity. Eu te amei desde o momento em que esbarramos no hospital por causa do idiota do Damon e eu me perdi em seus lindos olhos verdes. Eu não falei da boca para fora quando disse que quero me casar com você. — Digo, pegando a mão livre de Felicity, onde deixo um selar e a encaro com sinceridade. — Eu posso não ser o homem que você sempre sonhou, mas eu quero ser capaz de realizar os seus sonhos. E eu não consigo me imaginar construindo uma grande família com uma mulher que não seja você.

— Eu também te amo. — Sussurra Felicity, deixando algumas lágrimas descerem pelo seu belo rosto, enquanto dava um lindo sorriso. — E você se tornou o homem que eu sempre sonhei, Oliver. Eu já não consigo me imaginar com alguém que não seja você.

Aproximo-me de Felicity e, com cuidado para não acordar Tony, eu a beijo com carinho, sem pressa algum. Eu apenas queria transmitir todo o amor que sinto por Felicity. Era incrível como não importa quantas vezes eu o beijo, sempre parece a primeira vez. É único e me traz uma euforia que jamais senti com nenhuma outra mulher.

Quando nos separamos, deixo um beijo em sua testa e de joelhos diante dela, passo meus polegares por suas bochechas, limpando qualquer resquício das lágrimas que manchavam seu rosto. Felicity sorri ainda de olhos fechados e quando volta a abri-los, sinto meu coração bater eufórico. Eu conseguia ver todo o amor que ela sente por mim e todo aquele sentimento genuíno e singular que me faz ter a certeza de que nunca me cansarei de ver seu precioso sorriso.

— Eu vou colocar Tony na barraca. — Sussurra Felicity, beijando-me mais uma vez, antes de se levantar com maestria e levar nosso filho para a barraca em que ela dormiria com ele, contra a minha vontade, devo ressaltar.

Observo-a, assando mais um dos espetos de marshmallow. Quanto mais eu conheço Felicity, mais eu me sinto um vínculo único se formando entre nós. Muito além da atração intensa que existe, há um envolvimento emocional incomparável. Eu a amo cada vez mais. Diariamente eu descubro uma nova parte dela que me faz a amar e admirar incondicionalmente a mulher forte e ímpar que é capaz de superar qualquer obstáculo que ela é.

Em momentos como esse que percebo o quanto meus sentimentos por Laurel nunca nem mesmo se aproximaram da intensidade que sinto por Felicity. É como se eu tivesse encontrado finalmente a minha liberdade e o caminho que eu realmente quero seguir. No entanto, eu sabia que ainda precisava resolver um último problema antes de seguir esse caminho: Laurel Lance.

— Está tudo bem? — Pergunta Felicity, aproximando-se com um lençol sobre seus ombros. Ela se senta ao meu lado e passa uma parte do lençol por cima do meu ombro. Ela encosta a cabeça em meu ombro e me encara com curiosidade. — Você ficou sério de repente. Algum problema?

Encaro os olhos esverdeados da loira, entretanto, a culpa recai sobre mim e eu acabo desviado o olhar para a fogueira. Pondero sobre como deveria contar a ela o acontecimento do dia anterior e como ela reagiria ao descobrir. Eu sabia que já deveria ter dito a Felicity sobre o ataque de Laurel e as ameaças que nosso filho havia sofrido, não me orgulho disso, mas eu estava com medo. Medo de Felicity me odiar ou de não confiar mais em mim para cuidar de Tony. No entanto, não posso mais adiar isso. Assim, respiro fundo algumas vezes e retiro o espeto de marshmallow da fogueira para finalmente a encarar.

— Estou pensando em pedir para tio Clint cuidar da proteção de Tony. — Começo e ela me encara confusa. — Assim que chegarmos em Hawkins, eu vou ligar para ele.

— Vai pedir para Clint cuidar da proteção de Tony? Por quê? Aconteceu alguma coisa? — Questiona a loira, preocupada. Suspiro e sinto meu corpo ficar tenso, prevendo que Felicity não ficaria nada feliz em descobrir sobre Laurel.

— Ontem... bem, ontem Laurel apareceu na minha casa dizendo que queria pegar algumas coisas dela que estavam comigo. Como um idiota, eu a deixei entrar. Tony estava brincando nos fundos da casa e eu tinha pedido a ele para que me esperasse até ver quem estava tocando a campainha. Ela mais uma vez insistiu para que voltássemos. Eu disse não e ela então disse que eu deveria devolver todas as coisas que ela me deu. Enquanto eu ia para o meu quarto pegar uma caixa onde estavam as coisas que Damon e eu separamos em meu quarto assim que eu contei a ele que eu tinha terminado com ela.

"De alguma forma, ela conseguiu atrair Tony para a sala e quando eu cheguei lá, eu a encontrei segurando de forma brusca no colo, enquanto apertava a boca dele, para impedir que gritasse. Consegui pegá-lo de volta e a alertei que se ela sequer pensasse em se aproximar de Tony, ela experimentaria a minha fúria e a de toda a minha família." — Resumo os acontecimentos do dia anterior e Felicity se afasta de mim. Seus olhos estavam arregalados e eu conseguia sentir a áurea assassina da loira.

— Aquela vagabunda fez o quê?! — Grita Felicity e eu quase a via se tremer de raiva.

— Felicity, fica cal...

— Não me manda ficar calma, Oliver. Porque eu juro que eu te jogo nessa fogueira agora mesmo. — Esbraveja a mulher e pela forma mortal que ela me encarava, eu sabia que ela estava dizendo a verdade. — Como você pôde deixar essa maldita chegar perto do meu filho?

— Felicity...

— Eu vou acabar com a raça dessa ordinária! — Vocifera Felicity, andando de um lado para o outro. — Primeiro eu vou quebrar as mãos dela para aprender a nunca mais tocar no filho do outros. Depois eu vou esfaqueá-la diversas vezes para fazê-la sofrer. E por fim, vou levá-la para uma mata longe da civilização e que nunca foi explorada. Lá, eu vou obrigá-la a comer uma mistura de leite e mel, então derramo sobre seu rosto e cabeça. Insetos de vários tipos serão atraídos pela mistura de leite e mel e pelas suas fezes. As moscas vão entrar pelas suas entranhas, então ela será comida até a morte por insetos no interior e exterior ao mesmo tempo.

As ameaças de Felicity estavam começando a me deixar preocupado. A última em especial me lembrou de um dos contos de tio Clint. Conhecida como escafismo, a prática era uma tortura praticada entre os persas da antiguidade.

Para começar, a vítima era colocada em um bote com uma tampa. O bote era feito sob medida e apenas a cabeça e os pés do pobre sofredor ficavam de fora. Antes da prática, ele tomava muito leite e mel até o sistema digestivo ter um longo desarranjo. Dentro do bote, uma grande porção de mel era colocado em cima do corpo dele. A vítima ficava ali, em um lago, tomando sol, enquanto os vermes das próprias fezes dele, além de insetos, iam devorando sua carne. Os executores geralmente davam mais mel para a vítima, como forma de evitar uma morte antecipada e prolongar a dor. Algumas pessoas resistiam até 17 dias antes de finalmente morrerem dessa forma.

— Felicity, eu sei que está furiosa. Não tiro sua razão, mas...

— Por que não me contou antes? — Questiona a loira, ignorando minha tentativa de acalmá-la.

— Eu não podia contar isso por telefone e ontem foi uma loucura, por isso pedi que Damon levasse Tony em casa. Hoje de manhã eu tentei te contar, mas eu... eu fiquei com medo da sua reação. — Confesso e ela ri, incrédula.

— Medo? Ah, faça-me o favor! — Bufa Felicity, jogando o lençol que estava sobre si para longe.

— Eu pensei que você me odiaria e pararia de confiar em mim para cuidar do Tony. — Digo e ela mais uma vez volta a andar de um lado para o outro.

— Esse tipo de atitude é que me faz perder a confiança em você, Oliver. Como pôde esconder algo tão sério assim de mim? Quem não me garante que essa naja não fez mais alguma coisa com o meu menino? — Questiona Felicity, passando as mãos pelos cabelos, desesperada.

— Ela já vinha dizendo coisas horríveis para Tony há algum tempo. Ele me contou que ela até mesmo dizia que ele iria morrer. — Revelo e a fúria de Felicity se eleva ainda mais. — Laurel é uma pessoa mentalmente instável e possui muita influência na justiça, Felicity. Mais de uma vez eu a vi escapar de atitudes que a levariam facilmente para a prisão. E é por isso que eu pretendo entrar em contato com tio Clint para nos ajudar a controlar ela.

— Controlar? — Felicity ri com sarcasmo. — Não. Controlar não. Eu vou destruir a vida dessa maldita que ousou machucar meu filho. Nem que eu tenha que ir para a prisão, isso não vai ficar assim. Eu vou até o inferno se for preciso para garantir que essa prostituta pague de maneira dolorosa tudo o que ela fez. E não vai ter ninguém que possa me impedir de fazer isso.

E sem olhar para mim, ela segue para a sua barraca onde Tony dormia. Penso em ir atrás dela, mas algo me dizia que era melhor deixá-la se acalmar. Do jeito que Felicity estava possessa, eu me tornaria alvo fácil de seus métodos de tortura.

[...]

Pela manhã, nós fomos surpreendidos por uma forte tempestade repentina. Sozinho em minha barraca, tento enxergar o que acontecia do lado de fora e se Tony e Felicity estavam bem, mas era difícil ver alguma coisa em meio a forte chuva que caia. Eu ainda me sentia mal por não ter conseguido conversar com a loira e por causa disso não consegui pregar os olhos à noite. Agora, eu me encontrava incerto sobre o que deveria fazer para fazer Felicity me perdoar.

— Papai! Papai! — Ouço o grito desesperado de Tony vindo de longe. Assustado, abro a entrada de minha barraca e encontro Felicity segurando o garoto, enquanto tentava se protege da chuva.

— O que houve? — Pergunto preocupado, enquanto ajudo os dois a entrarem em minha barraca.

— A nossa barraca desmontou com a força da chuva. — Explica Felicity, suspirando frustrada.

— Droga. — Resmungo, procurando toalhas em minha mochila. Assim que encontro duas, entrego uma para Felicity e passo a secar Tony. — Essa chuva não estava prevista para cair.

— Acho melhor nós... — Felicity para de falar ao ouvir o alto estrondo do trovão ecoando pela floresta. Tony grita e me abraça, assustado. Vejo a pediatra se encolher e morder o lábio inferior para não gritar também.

— Calma. Está tudo bem. O papai está aqui. — Consolo o garoto, abraçando-o fortemente.

— Temos que ir embora. — Afirma a loira, voltando a se secar. Ela estava tremendo de frio. — Estou preocupada com o que pode acontecer com essa barraca com a chuva que está caindo e estou com medo que Tony acabe adoecendo.

— Tudo bem. Vamos começar a arrumar as coisas por aqui. — Oriento e ela assente, concordando.

Por causa dos barulhos altos dos trovões, Tony ficou o tempo todo grudado em meu corpo, apertando os ouvidos, choramingando. Felicity suspira e encara o filho com preocupação antes de começar a arrumar as minhas coisas. Felizmente, ela acaba encontrando dois carrinhos de Tony que Damon havia dado. O garoto tinha esquecido em minha casa e eu tinha trago para entregar a Tony.

— Aqui, filho. Brinca com os carrinhos que o tio Damon te deu. — Fala Felicity, entregando os brinquedos a Tony, que hesitante, acaba pegando.

Quando a chuva diminui um pouco e Tony parece mais calmo, entrego nosso filho a Felicity e saio da barraca com uma capa de chuva para tentar desmontar o nosso acampamento. Como a loira havia dito, a barraca deles estava desmontada e se não fosse pelo peso das coisas de Felicity e Tony, ela provavelmente havia sido levada pelo vento.

Trago o carro para mais perto das barracas e com o máximo de agilidade que consigo, coloco as bolsas de roupas de Felicity e Tony no porta mala do carro. Esvazio o colchão inflável que eles usavam e tento arrumar os lençóis que estavam completamente encharcados. Não foi fácil guardar a barraca deles e a chuva, que começava a engrossar de novo, não ajudava em nada.

De repente vejo uma caminhonete passando por perto. O veículo estaciona próximo ao meu e vejo um homem alto e que parecia ter uns cinquenta anos descer. Ele tinha os cabelos e a barba grisalhos. Aparentava ter mais de um metro e oitenta e a barriga saliente se destacava em seu casaco. O homem corre em minha direção, parecendo lutar contra o vento. Observo a tudo com desconfiança. Eu não fazia ideia de quem era aquela pessoa e nem o que ele queria, mas estava pronto para lutar se ele apresentasse alguma ameaça para nós.

— Oi amigo! Você parece estar com problemas. — Comenta o homem, passando a me ajudar.

— Obrigado. — Agradeço, assim que terminamos de dobrar a barraca. Estendo minha mão para ele e o homem sorri, apertando a minha mão. — Eu sou Oliver Queen.

— Paul Gleason. — Responde o homem, soltando a minha mão. — Eu e minha família estávamos acampando aqui perto quando essa tempestade nos atingiu. Alguns moradores da região nos avisaram que ocorreu um deslizamento em Crown Hill e que aqui não é seguro. Esse lago costuma transbordar em chuvas intensas como essa. Então nos alertaram que deveríamos ir embora. Quando vi você lutando contra essa barraca e a segunda ao lado, imaginei que não estivesse sozinho e, assim como nós, resolveu ir embora.

— Sim. Estou com meu filho e a minha noiva. Obrigado por me ajudar e avisar sobre o deslizamento. Eu vou para Hawkins, então pode ser que eu tenha problemas para chegar a cidade. — Conto e ele assente, concordando.

— Não há de quê. Eu vou chamar o meu filho mais velho para nos ajudar a guardar suas coisas. Acho que tem um guarda-chuva no meu carro. Assim podemos levar sua noiva e filho para o carro. — Avisa Paul, correndo até seu carro.

Com a ajuda de Carl e Paul, não demoramos muito a desmontar o acampamento. Agradecido pelo que havia feito por nós, despeço-me de Paul e sua família, logo após trocarmos contato. E assim, cada um seguiu em direção a sua cidade de origem. Depois de quase duas horas de estrada, nós finalmente chegamos a Crown Hill.

A chuva caia sem piedade pela cidade, tornando quase impossível enxergar o que ocorria do lado de fora. Pelo retrovisor do carro, observo Tony brincar quietinho com os dois carrinhos que ganhou de Damon. Ao desviar o olhar para a loira ao meu lado, vejo que ela continuava a buscar informações sobre o deslizamento que interditou a passagem da cidade que nos levaria de volta a Hawkins. Volto minha atenção a pista, esforçando-me para enxergar alguma coisa.

— Acho que teremos que passar a noite aqui. — Avisa Felicity, ainda encarando o celular. Ela suspira e desvia o olhar para a paisagem da janela. A loira ainda estava chateada comigo. — Pelo visto a pista só será liberada amanhã de manhã. Felizmente o deslizamento apenas deixou dois feridos, mas por causa dessa forte chuva, eles temem que ao mexer nos escombros e acabar fazendo com que ocorra mais um deslizamento.

— Eu imaginei que isso poderia acontecer. Essa chuva está realmente perigosa. De qualquer forma, eu acho que vi um hotel por aqui quando passamos pela cidade. Vamos dormir aqui e amanhã de manhã nós retornamos para Hawkins. — Respondo e ela apenas assente, voltando a mexer em seu celular.

Eu odiava essa sensação de insegurança e culpa. Eu sabia que se não fosse por minha idiotice, Tony não teria sofrido mais uma ameaça de Laurel. Eu também tenho ciência de que se eu tivesse ouvido as pessoas a minha volta, principalmente o Damon, Tony jamais teria sido vítima da louca da minha ex-namorada. Mas mais do que isso, eu me odiava por não conseguir nem mesmo dar um jeito sozinho nessa situação.

Encaro meu filho pelo retrovisor do carro mais uma vez. Ele sorri ao notar que eu o observava e acena, antes de voltar a sua atenção aos carrinhos em suas mãos. Suspiro e retorno minha atenção para a perigosa pista, tentando encontrar o hotel que sabia que havia próximo ao local em que estávamos.

— Eu vou estacionar aqui perto. É melhor você descer com Tony aqui para não se molharem. — Sugiro, assim que estaciono o carro na entrada do hotel onde havia uma cobertura. Ela assente e desce do carro.

— Vem, filho. — Pede Felicity, abrindo a porta traseira. O garoto se solta do cinto de segurança e sai da cadeirinha, indo até a mãe com os dois carrinhos que se tornaram dois dos seus brinquedos favoritos.

— Tchau, papai. — Despede-se Tony, balançando os carrinhos em suas mãos.

— Tchau, filhão. — Respondo, sorrindo para Tony. Felicity fecha a porta do carro e eu sigo para o estacionamento que havia ao lado do hotel.

Pego nossas mochilas e corro para a entrada do hotel. Assim que entro, vejo que a loira já conversava com a recepcionista. Tony sorri ao me ver e acena várias vezes, ainda com os carrinhos em mãos. Correspondo ao aceno e me aproximo para saber se havia algum quarto. Coloco as nossas mochilas no chão e acaricio o rosto de Tony.

— Papai! — Cumprimenta Tony, erguendo os braços para que eu o pegasse do colo da mãe. Felicity suspira e me entrega a criança, antes de voltar a atenção para a recepcionista.

— Então só tem um quarto? — Questiona Felicity, parecendo insatisfeita.

— Sim, senhora. Por causa do deslizamento, muitos viajantes nos procuraram para se hospedar essa noite. O quarto sobrando tem uma cama de casal e um sofá cama. Nós também oferecemos o café da manhã. — Responde a mulher, encarando-me intensamente com um sorriso sugestivo.

— Meu noivo, nosso filho e eu com o quarto. — Afirma Felicity, entrando na minha frente. Seu tom de voz era um pouco irritado e eu não sabia dizer se era por causa do fato de haver apenas um quarto e ela claramente estava me evitando ou se era pela forma como a recepcionista me encarou. A mulher dá um sorriso sem graça e volta a encarar a tela do computador.

— Certo. Apenas preciso dos documentos de vocês para realizar o cadastro. — Explica a recepcionista e assim que entregamos o que ela havia pedido, não demora muito para eu receber um olhar mal-humorado de Felicity. Preciso me segurar para não rir. Ela definitivamente estava com ciúmes. — Prontinho. O quarto de vocês é o 306. Aqui está a chave. Se precisarem de alguma coisa, vocês podem...

— Nós sabemos nos virar. Não se preocupe. — Felicity corta a mulher e me encara. — Vamos.

Apenas assinto e colocando Tony no chão, volto a pegar nossas mochilas para seguirmos para o quarto. Penso em me desculpar com a recepcionista sobre a atitude de Felicity, mas ao notar que era observado de maneira assassina, decido que tenho amor a minha vida e que é melhor não desafiar a fúria de Felicity Smoak. Ela já estava com raiva de mim desde ontem, então o melhor a fazer é me manter quieto se quiser sobreviver a essa noite.

Notas finais
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