Milagres de Junho
11 Ciúmes
Notas iniciais
ROMANCES MENSAIS
LIVRO VI — MILAGRES DE JUNHO
CAPÍTULO X — CIÚMES
Duas semanas se passaram desde a cirurgia e eu não poderia estar mais aliviado. Todo o risco pós-cirúrgico havia passado e Tony finalmente receberia a alta. A recuperação rápida da criança havia surpreendido até mesmo meu pai, que é pediatra há três décadas. Aparentemente, seu frágil corpo havia se adaptado muito bem ao novo órgão, o que nos dava a certeza de que ele poderia ter uma vida normal e ativa como a de qualquer outra criança de agora em diante.
Muitas coisas mudaram desde que recebi a minha alta uma semana depois da cirurgia. Para a minha surpresa, Laurel se tornou bastante solicita. Desde que retornei para casa, ela tem se mostrado mais paciente e compreensiva. Todo o tempo em que eu tive que ficar em casa de repouso, ela cuidou de mim e até mesmo estava tentando ser amigável com Damon, que quase não saiu do meu lado durante esses dias e continuava a dizer que essa era apenas uma tentativa de minha namorada de enganar a todos.
Mas Laurel não era a única que estava diferente. Minha mãe também tem tido um comportamento suspeito desde que fiz a cirurgia. Ela continua protetora e neurótica em diversos momentos, mas ao contrário do que pensei que agiria ao ver Laurel tão presente em minha vida, minha mãe parecia estar sempre nos observando, como se estivesse analisando a situação. Sempre pensativa, perdi as contas de quantas vezes eu a peguei encarando-me com intensidade sem dizer nada. Mesmo que eu a questione, ela apenas dá um sorriso amarelo e desvia o olhar, desconversando.
No entanto, de todas as pessoas que mais me preocupava a mudança, Felicity era a de longe a que mais me causava preocupação. Para me manter informado do estado de saúde de Tony no hospital, nós fazíamos vídeo chamada todos os dias e era sempre animador ver como meu garoto parecia muito mais ativo e saudável, mas havia algo de diferente no olhar de Felicity que me fazia . Era como se ela estivesse me evitando e isso me incomodava muito mais do que eu gostaria de admitir.
Acabo suspirando desanimado e tento afastar os pensamentos sobre a loira de bonitos olhos verdes e sorriso gentil. Vejo Tommy aparecer na sala da minha casa, conversando animado com Laurel sobre a última festa que ele havia ido de um conhecido em comum de minha namorada. Ela ria e parecia se divertir a cada novo comentário que Tommy fazia. Relembro então do comentário de Damon sobre eu não me sentir incomodado com o fato de um dos meus melhores amigos se mostrar interessado em Laurel.
Não é que eu não ligasse, mas eu não me sentia realmente ameaçado. Eu tentava me convencer de que isso acontecia porque eu confiava em Laurel e Tommy, então sei que eles jamais me trairiam dessa forma, mas ainda assim, uma vozinha lá dentro de mim me alertava de que esse não era realmente o problema comigo.
— Já estão prontos para ir? — Pergunta Tommy, encarando-me com um sorriso gentil.
— Você realmente deveria ficar na cama, filho. — Reclama minha mãe pelo que deveria ser a décima vez desde que eu a avisei pela manhã que iria ao hospital para acompanhar a alta de Tony. — Só tem duas semanas que você operou, Oliver. Não é bom você ficar se esforçando demais. Eu tenho certeza de que a Felicity e o Tony vão entender se você ficar em casa.
— Mãe, se por acaso você tivesse doado o fígado para mim e eu recebesse alta depois de duas semanas. Você teria ficado em casa ou acompanharia a minha alta? — Questiono, sabendo exatamente a resposta que receberia de Moira Queen. Ela me encara surpresa por alguns instantes e bufa, insatisfeita.
— É diferente, filho. Eu sou mãe. — Resmunga, sabendo que eu estava fazendo exatamente o que ela faria em meu lugar.
— E eu sou pai. Por isso, eu vou para aquele hospital, abraçar meu filho depois de ficar tanto tempo longe dele, mesmo sabendo que deveria ficar em casa. — Respondo e ela suspira, dando-se por vencida.
— Não se preocupe, sogrinha. Eu vou cuidar de Oliver e impedir que ele faça qualquer bobagem. — Afirma Laurel, colocando a mão em meu ombro. Minha mãe a encara por alguns instantes, como se estivesse nos analisando.
— Obrigada, Laurel. — Minha mãe agradece com um fraco sorriso, desviando o olhar. Mais uma vez ela agia de maneira estranha. Como se estivesse incomodada com Laurel, o que é algo completamente impensável. Minha mãe era a única pessoa em minha casa que apoiava meu namoro com Laurel, mas agora, ela parece ter dificuldades até mesmo para olhar em seus olhos.
— É, tia Moira. Nós ficaremos de olho nele. Pode confiar em nós. — Concorda Tommy, dando aquele sorriso cavalheiro para minha mãe, enquanto se aproxima de mim. A loira assente, mas a preocupação ainda se fazia presente em seus olhos. Meu amigo me encara e passa o meu braço por cima do meu ombro. — Vamos lá, Oliver.
— Certo. — Respondo, fazendo esforço para me levantar do sofá com a ajuda de Tommy. Resmungo algumas vezes, sentindo dor na região onde havia sido cortado com o movimento. Apesar da boa vontade de meu amigo, naquele momento eu queria ter Damon aqui. Ele parecia ter muito mais delicadeza para me ajudar a levantar e a deitar nos últimos dias. — Tchau, mãe.
— Tchau, filho. E não exagera, por favor. Se você se sentir mal ou algo assim, você...
— Eu procuro meu pai que vai estar no hospital e pode socorrer. — Interrompo a mulher, que me lança um olhar repreendedor. Acabo rindo de sua reação. — Não se preocupe, mãe. Eu prometo que se acontecer alguma coisa, eu ligo. Mas de verdade, eu estou indo para um hospital. É o lugar mais seguro e confiável que eu poderia ir. Eu vou ficar bem.
— Tudo bem. — Concorda minha mãe à contragosto. Ela suspira e me dá um sorriso amável. — Juízo, meu filho. Por favor.
— Pode deixar. — Respondo com sinceridade, acenando para minha mãe. Sigo devagar pela sala em direção a porta da sala. Apesar de conseguir me mover sozinho, eu precisava ter cautela em meus movimentos para não acabar me machucando ou abrindo o corte, que ainda estava cicatrizando internamente.
— Tchau, sogrinha. — Laurel se despede de minha mãe, que acena em resposta.
Assim que chegamos ao carro de Tommy, preciso respirar fundo para não chorar de dor conforme Tommy me ajuda a sentar no banco traseiro. Mentalmente, desejo mais uma vez a presença de Damon. Infelizmente ele teve que ir fazer uma prova importante na faculdade, por isso iria direto para o hospital assim que conseguisse terminá-la.
Laurel se senta ao lado de Tommy e não demora muito que seguíssemos em direção ao IU Health Methodist Hospital. E enquanto os dois continuavam sua conversa sobre a festa que Tommy foi no fim de semana, observo a paisagem pela janela do carro em silêncio. Eu estava ansioso para ver Tony e Felicity. Era estranha essa necessidade que eu sentia de estar sempre por perto dos dois.
Não faço ideia de quanto tempo permaneço encarando a janela, apenas relembrando meus momentos que passei ao lado de Tony e Felicity na primeira semana em que eu fiquei internado no hospital. No entanto, ouço alguém me chamar ao longe, despertando-me de meus devaneios. Desvio o olhar para Laurel e Tommy, que me observavam.
— Ollie? Está tudo bem, meu amor? Você está tão calado. — Comenta Laurel, virando-se para trás para me encarar.
— Está sim. Apenas ansioso para ver Tony. Estou com saudades dele. — Confesso, dando um fraco sorriso para minha namorada, que me analisa por mais um tempo e assente, voltando a olhar para frente.
— Oliver, você vai mesmo... hã... vai mesmo contar para a mídia que ele é o seu filho? — Questiona Tommy com cautela, olhando para mim pelo retrovisor do carro.
— Sim, Tommy. Eu já tomei a minha decisão. Só estou esperando Tony se recuperar mais da cirurgia. — Respondo com seriedade.
— Não seria melhor deixar as coisas do jeito que estão? Quer dizer, a imprensa ainda está em cima da sua família. Principalmente agora que Austin terminou com a namorada dele. Já não bastava a confusão com o casamento do irmão dele, se você contar agora sobre o seu... bom, sobra a criança, a situação pode se tornar estressantes em cima de Laurel e...
— Eu já me decidi, Tommy. — Corto meu amigo, cansado daquela conversa.
— Mas Oliver, o que...
— É por isso que eu queria ir com o Damon. — Resmungo, irritado. — Coloca na sua cabeça de uma vez por todas, Tommy. Tony é o meu filho e eu vou assumir o papel de pai que não cumpri durante os últimos cinco anos.
— Inacreditável... — Sussurra Tommy, frustrado. — Você realmente só pensa em você mesmo.
— O que quer dizer com isso? — Pergunto, elevando o tom de voz.
— Estou dizendo que você é um grande egoísta. Você nem mesmo pensa em como Laurel vai ficar nessa história. Também estou pouco se importando com o que vai acontecer com sua família, que se envolverá em mais um escândalo, depois de três nos últimos dois meses. — Retruca Tommy, visivelmente alterado.
— Egoísta? — Acabo rindo com escárnio. Ele bufa e vejo minha namorada colocar a mão sobre o ombro dele.
— Está tudo bem, Tommy. — Afirma Laurel, suspirando. — Você sabe que Oliver não muda de ideia quando coloca alguma coisa na cabeça. Ele é teimoso demais. Jamais nos ouviria.
— Mas Laurel, ele...
— Eu tenho esperanças de que uma hora ele vai abrir os olhos e perceber que estamos certo. — Responde Laurel e dessa vez sou que bufo. Eu já estava ficando cansado de ouvir o mesmo discurso irritante e incansável dos dois.
O silêncio volta a se fazer presente no carro e eu suspiro aliviado ao ver a grande estrutura do hospital mais a frente. Tommy estaciona o carro e mesmo emburrado, ele me ajuda a sair do carro. E novamente, de uma maneira mais apressada e brutal do que meu corpo ainda afetado pela cirurgia gostaria. Suspiro e sigo um pouco afoito para dentro do IU Health Methodist Hospital. Eu realmente não via a hora de me encontrar com Tony.
Tommy e Laurel vêm logo atrás, conversando em sussurros. Eu sabia que eles falavam sobre minha teimosia em aceitar seus conselhos. Ignorando os dois, continuo a seguir para o quarto de Tony. Cumprimento os funcionários que encontrava no caminho, sorrindo nervoso. Como eu já era conhecido por todos por ser filho do presidente do IU Health Methodist Hospital e estar estagiando no hospital, eu não precisei me identificar e nem informar para onde iria.
Quando chego ao corredor que dava acesso ao quarto de Tony, sinto meu coração bater mais forte ao ver Felicity de longe. No momento em que iria cumprimentar a médica, vejo que ela conversava de maneira animada com um homem que eu nunca tinha visto antes. Por algum motivo, ver aquele bonito sorriso da loira direcionado ao desconhecido me deixa incomodado. Aproximo-me de maneira apressada, observando-a. Ela então encosta no peito dele e gargalha ao ouvir alguma coisa que ele fala.
— O que aquele cara estava falado de tão engraçado para fazê-la rir dessa forma? — Resmungo para mim mesmo, sem acreditar que ela estava tão concentrada na conversa que nem mesmo havia notado a minha presença.
— ... e então ele viu a criança e simplesmente desmaiou antes que a entregássemos para ele. — Fala o homem rindo, acompanhado de Felicity, que se encolhia e limpava as lágrimas em seus olhos de tanto que ria. Noto o jaleco com a logomarca do hospital, o crachá, o estetoscópio ao redor do pescoço e a prancheta em mãos, mas tenho certeza de que nunca tinha visto esse homem antes. Ele provavelmente era um novo médico do hospital. — Nós não sabíamos o que fazer primeiro. Se entregávamos o bebê para a mãe ou se socorríamos o pai colossal da criança.
— Eu imagino o quanto... Ah, Oliver. Você não deveria estar em casa de repouso? — Pergunta Felicity, finalmente notando a minha presença. Ela demora um pouco para conseguir parar de rir e me lança um olhar preocupado.
— Eu vim para acompanhar a saída de Tony do hospital. — Respondo, encarando o homem que parecia curioso sobre a minha identidade. Nossos olhos se cruzam e eu permaneço firme, em uma disputa estranha com aquele homem que instantes atrás sorria demais para o meu gosto. — Meu pai me falou que ele sairia hoje, então não consegui ficar em casa.
— Mas você não pode ficar se movendo de maneira tão descuidada, Oliver. Você acabou de passar por uma cirurgia complicada. E se acabar abrindo os pontos internos? — Repreende a pediatra, chamando a minha atenção. Amenizo minha expressão ao ver seus olhos esverdeados tão concentrados em me analisar, quase como se procurasse algum sinal de que eu estava machucado.
— Eu estou bem. Não se preocupe. — Afirmo e ela parece não acreditar em minhas palavras.
— E quem é esse jovem, Feli? — Pergunta o homem, encarado-me com intensidade.
— Feli? — Repito, achando o apelido ridículo. Que intimidade toda é essa que ele tem com ela?
— Ah, esse é... — Felicity começa a falar, mas eu a interrompo. Por algum motivo, a voz daquele cara estava me irritando cada vez mais.
— Eu sou o pai do filho dela. Oliver Queen. E você? Quem é? — Pergunto, observando-o com seriedade.
— Ah, certo. O pai. — Murmura o homem para si mesmo e volta a me encarar. — Eu sou Cooper Seldon. Amigo de faculdade da Feli.
— Eu nem acredito que agora vamos trabalhar juntos! É uma coincidência incrível. — Comenta Felicity, sorrindo. Ela se vira para mim, segurando o braço do amigo. Observo nada satisfeito a naturalidade com a qual ela tocava nele. Comigo, Felicity mal me olhava nos olhos direito e sempre era tão séria. Por que ela parecia tão à vontade com ele? — Nós éramos melhores amigos na faculdade. A dupla perfeita! Infelizmente perdemos o contato quando no último semestre ele se transferiu para uma faculdade em Congo, onde foi ajudar a cuidar de uma pandemia que atingiu algumas crianças da região. Graças a pesquisa dele, conseguiram salvar a vida de milhares de crianças. Isso não é incrível?
— Nossa. Com certeza. — Respondo com dificuldades para esconder a minha ironia.
— A Feli está exagerando. — O homem então aprece se sentir envergonhado pelos elogios de Felicity e eu preciso me controlar para não revirar os olhos.
— Ah, vamos, Cop. Não precisa se fazer de modesto. Sabemos que o que você fez foi realmente impressionante. — Afirma Felicity, sorrindo ao dar mais um tapa de leve no peito do médico.
— Você...
— Papai! — O grito de Tony impede que o médico continuasse a fala dele. Acabo abrindo um largo sorriso ao ver a criança se aproximar na cadeira de rodas com Damon.
— Oi campeão! — Cumprimento, abaixando-me com dificuldade para conseguir abraçar a criança.
— Vai com calma, irmão. — Repreende Damon, ajudando-me. Ele aproxima a cadeira de Tony e finalmente sinto os braços delicados do garoto ao redor do meu pescoço.
Inspiro o seu perfume e sorrio ao sentir todo o carinho de meu filho. Eu realmente estava morrendo de saudades de ser alvo de seus abraços e olhares de admiração. Ainda que eu o visse todos os dias, nada se comparava ao tê-lo em meus braços. Deixo um beijo em sua testa e bagunço seus cabelos sob seus protestos.
— Não, papai! Vai desmanchar. — Resmunga Tony, empurrando minha mão.
— Ele é mesmo seu filho. — Comenta Damon, rindo. Ele me ajuda a levantar e olha em volta. — Cadê a Laurel e o Tommy?
— Provavelmente ainda se identificando na portaria. — Respondo, dando de ombros. — Na verdade, eu até prefiro não vê-los no momento.
— Brigaram de novo? — Sussurra Damon e eu apenas lanço aquele olhar de "depois nós conversamos". Ele assente e se vira para Felicity. Vejo um sorriso malicioso se formar nos lábios de meu melhor amigo. — Você já conheceu o incrível Dr. Cooper?
— Sim. — Forço um sorriso, encarando o homem, enquanto me coloco ao lado do meu filho. Troco olhares com a criança, que tinha um sorriso animado em seus lábios. — O incrível Dr. Cooper Seldon, que salvou criancinhas em Gana.
— Foi em Congo, na verdade. — Corrige o homem, dando um sorriso tão verdadeiro quanto o meu. — E é um prazer conhecer o pai desse garoto tão adorável.
O médico tenta tocar na bochecha de Tony, mas ele se afasta, empurrando a mão do homem. Meu filho se aproxima de mim e lança um olhar nada amigável para o Dr. Cooper. Preciso prender o riso ao ver a decepção nos olhos do homem ao ver que não havia conquistado a confiança da criança. Felicity parecia envergonhada pela atitude do filho e sorri em um pedido mudo de desculpa, quando ele o encara de volta.
— Desculpa, Cop. — Lamenta Felicity, forçando um sorriso. — Ele é tímido com quem não conhece tão bem. Logo ele vai agir como se vocês fossem melhores amigos.
Mais uma vez, tenho que me segurar para não rir da mentira descarada de Felicity. Tony pode ser tímido, mas aquela reação não era pela timidez. Ele simplesmente não havia gostado do amigo da mãe. Coloco minha mão sobre o ombro de Tony e sorrio para ele. Esse garoto é definitivamente o meu filho.
— Não se preocupe, Feli. Eu entendo. — Responde o médico, acariciando a cabeça de Felicity.
— Não! — Resmunga Tony, emburrado. Isso chama a atenção de todos. Ele estende os braços para mãe, que lança um olhar repreendedor para o filho, mas acaba o pegando no colo.
— Filho, por favor. — Sussurra Felicity, mas tudo o que Tony faz é se agarrar no pescoço da mãe e lançar um olhar mal encarado para o médico.
— Minha mamãe. — Responde Tony, acariciando a cabeça da mãe e Felicity fecha os olhos, suspirando como se buscasse paciência. — Não pode! Só o papai e eu!
— Tony! — A loira não demora muito a parecer um tomate de tão vermelha que fica. Damon começa a ri e eu não sabia bem como reagir. — Não ligue para o que ele disse.
— Ah, tudo bem. Acho que é melhor eu ir. — O médico parecia também sem graça. Ele me encara brevemente e eu apenas correspondo ao olhar de maneira firme. Por algum motivo, eu me sentia orgulhoso por Tony ter deixado claro que não permitiria que o homem se aproximasse da mãe. Dr. Cooper então se volta para Felicity e planeja tocar na loira, provavelmente em despedida, mas desiste ao ver o olhar nada satisfeito de Tony. O homem me encara mais uma vez e apenas acena para a pediatra. — Bom, a gente se ver depois, Feli.
— Claro. Obrigada mais uma vez, Cop. — Agradece Felicity, acenando para o amigo, enquanto o filho continuava a abraçar a mãe de maneira possessiva. Assim que o homem desaparece de nossas vistas, ela suspira alto e encara o filho com repreensão. — Anthony Smoak. O que pensa que está fazendo?
Felicity entra com o filho no quarto dele, repreendendo-o pelo comportamento nada amigável com o médico, acabo deixando um sorriso nascer em meus lábios, mas logo o fecho ao notar o olhar malicioso de meu melhor amigo.
— O quê? — Pergunto, encarado-o confuso.
— Eu vi! — Acusa Damon, alargando seu sorriso. — Você estava morrendo de ciúmes dela! Ficou todo orgulhoso quando o Tony falou que você e ele são os únicos que podem tocar nela.
— O quê? Está ficando maluco? — Resmungo, dando as costas para entrar no quarto, mas sou impedido pelo braço de Damon. — O que foi?
— Você gosta dela. — Afirma meu melhor e eu o encaro surpreso. Abro e fecho a boca diversas vezes, incapaz de conseguir dizer qualquer coisa. E sem dizer mais nada, Damon pega a cadeira de rodas que usava para locomover Tony e entra no quarto, deixando-me completamente atônito no corredor do hospital.
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