Milagres de Junho
12 Convite
Notas iniciais
ROMANCES MENSAIS
LIVRO VI — MILAGRES DE JUNHO
CAPÍTULO XI — CONVITE
— Moira questionou sobre suas intenções com Oliver? — A pergunta é feita cheia de surpresa e curiosidade. Mimi me encarava com expectativas, depois de saber sobre a minha rápida conversa com a cunhada no dia da cirurgia de Tony e Oliver.
Estávamos em um restaurante próximo ao hospital, aproveitando o horário de almoço para colocar a conversa em dia, algo que não fazemos há algum tempo devido as nossas conturbadas vidas. Ela estava com a cabeça cheia de problemas por causa do relacionamento do filho que estava com grandes problemas desde que o casamento de seu enteado e uma famosa atriz do país. Todos acabaram descobrindo que Brooke Taylor na verdade havia traído Austin com Aaron, o enteado de Mimi, e a mídia não perdoou.
Eu também estava com a vida completamente ocupada por cuidar de Tony, que passou duas semanas internado no hospital. Por causa disso, não havia tido a chance de contar sobre todos os acontecimentos que abalaram nossas vidas nesses últimos dias.
— O que você respondeu? — Pergunta Peggy com os olhos brilhando em animação. Ela também havia aproveitado o horário de almoço para desestressar e colocar a conversa em dia.
Margaret Elizabeth Carter, ou simplesmente Peggy, é a minha melhor amiga desde que éramos crianças. Ela não é exatamente o exemplo de paciência e delicadeza, mas por detrás de toda a pose de durona, existe uma mulher extremamente doce e de um coração enorme. Peggy é como uma irmã para mim e me conhece melhor do que ninguém. E era exatamente por isso que me incomodava o sorriso malicioso moldado em seus lábios.
Suspiro e bebo um pouco de meu suco, antes de voltar meu olhar para a carne em meu prato. As duas mulheres continuavam a me encarar, esperando que eu respondesse a pergunta. Eu não sabia o porquê, mas não conseguia olhar em seus olhos. Apenas me sentia intimidada e exposta demais ao pensar sobre o assunto, que tem me feito perder diversas noites de sono.
— Eu disse que minha relação com Oliver era apenas de amizade. Nada além disso. — Respondo, cortando um pedaço de carne. Levo-o a boca e levanto o rosto para encontrar os olhares descrentes de minhas amigas. Suspiro, frustrada. — O que foi?
— Se você realmente disse isso, aposto que Moira não aceitou essa resposta. Eu conheço a minha cunhada. Ela não para até conseguir a resposta que deseja. — Mimi me lança um olhar desafiador e cruza os braços. — Anda, conta os detalhes.
— Ela disse que eu não tinha respondido a pergunta dela. — Confesso, envergonhada. Pego um guardanapo e limpo minha boca, ouvindo as risadas divertidas de minhas amigas. — Então, ela voltou a me perguntar sobre o que eu sentia por Oliver. Se eu realmente queria apenas a amizade dele ou sentia alguma coisa a mais por ele.
— E você respondeu que está completamente apaixonada por ele? — Questiona Peggy, rindo junto com Mirela.
— Eu não estou apaixonada por ele. — Digo, determinada e elas trocam olhares como se não acreditassem em mim. — Eu estou falando sério. Oliver é apenas um jovem que coincidentemente é o pai do meu filho. Nada além disso. Somos no máximo amigos. E foi exatamente isso que eu disse a Sra. Queen. Eu não tenho intenção alguma de interferir na vida amorosa de Oliver. Eu nem mesmo tenho direito disso. Já basta ter jogado a responsabilidade em cima dele de se tornar pai da noite para o dia. Então, a única coisa que eu desejo é que ele encontre alguém que possa aceitar meu filho e tratá-lo bem. Seja essa pessoa a Laurel ou qualquer outra mulher que ele venha a conhecer.
— E o que a Moira falou? — Pergunta Mimi, depois de comer um pouco de seu espaguete. Ela limpa a boca com um guardanapo e bebe um pouco de suco, encarando-me com atenção.
— Nada. Ela apenas ficou me encarando por um bom tempo e então sorriu como se tivesse entendido alguma coisa. Acho que aceitou a minha resposta. Deve ter visto que eu estava sendo sincera. — Respondo e Mimi parece pensativa.
— O que foi, Mimi? — Pergunta Peggy com curiosidade.
— É que eu estava lembrando que a Moira me perguntou sobre o que eu achava da Fefeh no jantar que teve na casa dos meus pais. Achei que ela estivesse interessada por ser a mãe do neto dela, mas acho que assim como nós, ela deve ter notado o interesse do Oliver pela Fefeh e vice-versa. — Comenta Mimi e eu suspiro.
— Quantas vezes eu preciso dizer que não existe interesse algum entre Oliver e eu. Nós somos apenas amigos. Então parem de ficar imaginando coisas que nunca irão acontecer. — Reclamo e vejo minha melhor amiga me encarar com aquele olhar de quem vai revelar alguma coisa que não deveria.
— Eu acho que ouvi algo parecido sobre Cooper Seldon. — Ironiza Peggy e eu a encaro incrédula. — E o que foi que aconteceu depois mesmo? Ah, é. Vocês namoraram. E acho que até mesmo teriam se casado se ele não tivesse ido para a África.
— Isso é golpe baixo. E a gente não namorou. — Resmungo e Mimi me encara curiosa. Suspiro e bebo um pouco de suco, antes de voltar minha atenção a ela. — Sim. Ela está falando do Dr. Cooper Seldon que começou a trabalhar no hospital.
— Espera um pouco. Você namorou aquele lindo Dr. Cooper? — Questiona Mimi, surpresa. Ela dá um tapa de leve em meu braço e me encara com repreensão. — Por que não me disse isso antes? E ainda me apresentou ele como um amigo.
— E nós realmente éramos apenas amigos. Ele nunca chegou a me pedir em namoro. — Respondo, mas parece que nenhuma das duas ouviam o que eu dizia.
— O quê? O Cooper está trabalhando com você? Desde quando ele voltou da África? — Pergunta Peggy, sorriso divertida. — Sua vida agora vai se tornar um triângulo amoroso? Na verdade, ainda tem a irritante da futura ex-namorada dele. Então isso se tornou um quadrado amoroso.
— O quê? Não! — Resmungo e bufo, enquanto as mulheres começam a rir, divertindo-se com a minha careta. — Cop voltou para os Estados Unidos mês passado. Ele desenvolveu um estudo importante no Cango, que pode ajudar alguns infectologistas do país. O Dr. Robert o convidou para fazer parte da equipe de pediatras do hospital e ele aceitou. E agora nós realmente somos apenas amigos. Eu não sinto mais nada por ele, além de amizade.
— Por que eu não fiquei sabendo que você tinha namorado alguém durante a faculdade? — Questiona Mimi, fazendo sua expressão de decepção. — Quando foi que isso aconteceu?
— A gente não namorou. Vamos dizer que apenas ficamos com um pouco mais de seriedade. — Respondo, dando de ombros. — Passamos a faculdade inteira sendo melhores amigos. Todos esperavam que namorássemos e nós sempre negamos que existia alguma coisa. E foi então que nós fomos a uma festa e a gente acabou bebendo demais. Dormimos juntos e começamos uma espécie de amizade colorida. Alguns meses depois ele recebeu a oferta de ir para o Congo. Nós voltamos a ser apenas amigos. Não conseguiríamos ter um relacionamento a distância e eu não queria atrapalhar o futuro brilhante que ele tinha pela frente. Eu também tinha recebido a oferta de me tornar aprendiz do Dr. Robert, então precisaria me dedicar aos meus estudos.
— Ela decidiu tudo isso sozinha. Cooper tentou convencê-la de que eles dariam certo, mas a Feli sempre foi tão racional que chega a ser irritante. Mesmo quando está apaixonada, ela não consegue agir por impulso, fazer loucuras. — Reclama Peggy, frustrada. Reviro os olhos diante do olhar decepcionado de minha melhor amiga direcionado a mim.
— De qualquer forma, se já não iria acontecer nada entre nós, depois de ontem, acho que isso se tornou realmente impossível. — Comento e elas me encaram com curiosidade. — Tony conseguiu me deixar em uma situação incrivelmente desconfortável.
— O que foi que ele fez? — Questiona Mimi, rindo como uma adolescente prestes a descobrir uma grande fofoca.
— Primeiro ele bateu na mão do Cop, quando ele tentou acariciar a bochecha dele. Precisavam ver a carinha brava de Tony. — Comento, rindo de como ele fica fofo irritado. — Eu já fiquei bem sem graça do comportamento dele. Então Cop tentou se despedir de mim, bagunçando meu cabelo, assim como ele fazia antigamente, e Tony fez uma cena. Exigiu que eu o pegasse no colo e disse que as únicas pessoas que poderiam fazer isso eram ele e o Oliver. O pior de tudo era que o Oliver estava lá também. Eu não sabia onde enfiar a minha cara de tanta vergonha que eu senti tanto de Oliver quanto de Cop.
— O Oliver te viu com o Cooper? — Pergunta Peggy, aproximando-se, interessada. — E como ele reagiu? Ficou com ciúmes de você?
— Ele deve ter ficado morrendo de ciúmes. Oliver é muito ciumento e nem consegue disfarçar. — Comenta Mimi, rindo. — Primeiro ele ajeita a postura para ficar maior e sempre ergue o queixo. Depois ele começa a errar nomes e outras informações que você acabou de passar para ele. Oliver também tem a tendência a se impor de alguma forma.
A descrição de Mimi me faz lembrar do momento em que Oliver conheceu Cop. Ele realmente agiu de maneira estranha. Seu rosto ficou muito mais sério que de costume e ele também errou o nome do país que havíamos falado. Eu também pude ver como ele parecia ter ficado satisfeito quando Tony recusou o toque de meu agora colega de trabalho. Pondero por alguns instantes sobre isso, mas não consigo acreditar que Oliver sentiria ciúmes de mim. Isso não faz sentido.
— Pelo sorrisinho em seu rosto, aposto que ele realmente ficou com ciúmes. E você está mais do que feliz com isso. — Acusa Peggy apontando para mim, rindo com animação. Encaro minha melhor amiga com repreensão e isso só faz ela rir ainda mais. — Não adianta negar, Feli. Eu te conheço muito bem. Você está sim sentindo alguma coisa pelo pai do seu filho, mas é orgulhosa demais para admitir. E pelo visto, ele também gosta de você.
— Para de dizer bobagens. Ele tem namorada. — Resmungo, repreendendo a garota.
— Então o único problema é que ele tem namorada? — Questiona Peggy, sorrindo maliciosa.
— Não. Não é o único. — Respondo, um pouco envergonhada. — Além dele ter namorada, Oliver é mais novo que eu e...
— Lá vem você com essa história. — Mimi revira os olhos e bufa, bebendo um pouco de seu suco de laranja. — Você nem mesmo consegue inventar um motivo plausível, Fefeh. Tudo o que vejo é você criando desculpas para não admitir que você se sente atraída pelo meu sobrinho desde a primeira vez que o viu.
— Vocês são realmente vivem no mundo da fantasia. — Digo, puxando minha bolsa que estava no encosto da cadeira. Pego minha carteira e deixo o dinheiro do meu almoço em cima da mesa. Levanto-me, sendo alvo dos olhares repreendedores de minhas amigas. — Eu vou voltar para o trabalho. Vejo vocês depois.
— Feli. — Chama Peggy, assim que começo a andar para fora do restaurante. Suspiro e me viro para a minha melhor amiga, que me encarava com seriedade. Aproximo-me, para ouvir o que ela ainda tinha para me falar. — Eu sei que você está com medo de acabar com um coração partido, mas você nunca vai saber se não tentar. Você é uma mulher linda, divertida, responsável e extremamente inteligente. Tem um filho incrível e depois de tudo o que viveu, você merece ser feliz. Então me prometa que se você por acaso perceber que ele é o cara que faz seu coração bater mais forte, deixa a sua mente ficar em branco, faz você sentir as famosas borboletas no estômago e te faz flutuar apenas com um simples beijo... enfim, se ele for a pessoa que nós achamos que ele é, você vai lutar por ele.
— Peggy... — Começo, mas ela me interrompe.
— Prometa, Felicity Smoak.
— Tudo bem. Eu prometo. — Respondo e ela abre um grande sorriso. — Satisfeita?
— Muito. — Afirma, rindo.
Suspiro e acabo rindo também. Despeço-me de minhas amigas e resolvo retornar para o hospital. Para a minha infelicidade, mesmo tentando ao máximo me concentrar em meu trabalho, as palavras de Peggy e Mimi sobre meus sentimentos por Oliver permaneceram em minha mente pelo resto do dia, ecoando como uma canção infantil irritante que se prende em sua cabeça e te incomoda por dias.
Eu sabia que não fazia sentido algum. É verdade que eu o acho bonito, então como mulher, eu não podia negar que ele é fisicamente atraente. Mas não passa disso. Eu não estou... apaixonada por ele. Como eu poderia ter me apaixonado? Nós só começamos a conversar há um mês e ele está longe de ser o meu tipo ideal de homem. Então por que continuo a me sentir tão afetada com os comentários de nossos amigos?
Tento ignorar todos aqueles pensamentos ridículos que eu sabia que tinham sido influenciados por Peggy e decido concentrar meus pensamentos em Tony. E assim, quando eu finalmente estaciono meu carro de frente a minha casa, suspiro aliviada. Depois de passar tantos dias ao lado de meu menino no hospital, eu me sentia como se estivesse voltado a cinco anos atrás, quando precisei retornar ao trabalho, seis meses depois dele ter nascido. Eu havia chorado diversos dias, sentindo-me culpada por não poder ficar com ele e precisar ter que trabalhar. Era doloroso ficar longe de meu doce menino, mesmo sabendo que Mal cuidaria dele melhor do que qualquer outra pessoa.
Ansiando por sentir o cheiro suave de morango de seu shampoo favorito e o calor do abraço amoroso de meu filho, desço apressada do carro. No entanto, assim que encaro a rua de minha casa, vejo um carro semelhante ao de Oliver estacionado próximo. Estranhando, abro a porta de casa e não demoro a ouvir a risada gostosa de meu filho e as vozes graves masculinas vindas da sala de estar. Coloco minha bolsa no aparador da entrada do hall, junto com a chave do carro e me aproximo do cômodo de onde vinha a algazarra.
Surpreendo-me ao encontrar Oliver jogando vídeo-game com Tony, enquanto Damon estava ao lado da criança, torcendo como se estivesse vendo um jogo de futebol emocionante. Mal assistia a tudo, rindo do comportamento infantil dos dois adultos. Ao notar minha presença, ela sorri e se aproxima. Os três rapazes nem mesmo piscam diante da corrida que se passava na televisão da sala.
— Felicity! Que bom que chegou. Como foi o trabalho? — Pergunta a adolescente de cabelos roxos, encarando-me com um sorriso gentil.
— Foi... bom. Há quanto tempo eles estão aqui? — Questiono, apontando para Damon e Oliver.
— Eles chegaram um pouco depois do horário de almoço. — Responde a garota, rindo. — Ele disseram que estavam entediados e com saudades de Tony, por isso queriam passar a tarde com ele. Desde então, eles já contaram histórias de super-heróis e do passado deles, assistiram dois filmes de animação, mostraram fotos da infância deles e agora estão jogando o jogo favorito do Tony. Acho que nunca o vi sorrir tanto como eu vi hoje. Foi realmente difícil mantê-lo quieto de tanto que ele estava se divertindo com o pai e o tio.
— Eles passaram a tarde toda aqui? — Indago, surpresa com a atitude dos dois rapazes.
— Por quê? Eu não deveria ter os deixado entrar? — Sussurra a babá de Tony, preocupada.
— Não. Não é isso. — Respondo, rindo. — Não se preocupe. Você não fez nada de errado.
— Então...
— Mamãe! — Grita Tony, animado ao notar a minha presença. Ele tenta se levantar, mas Oliver o impede, segurando-o. Sorrio agradecida ao rapaz, que apenas nega e volta a encarar o filho.
— Vai com calma, campeão. Você ainda não pode fazer movimentos bruscos. — Alerta Oliver, preocupado. — A sua mãe vem até aqui.
— Oi meu amor. — Cumprimento a criança, enchendo seu rosto de beijos. Tony gargalha, abraçando-me com carinho. Inspiro seu perfume e me sinto muito mais calma. Com cuidado, pego o garoto no colo e encaro os dois rapazes. — Estou surpresa que estão aqui. Não sabia que viriam nos visitar.
— Oliver não parava de choramingar que estava com saudades do filho. Tive que trazê-lo de qualquer jeito. — Conta Damon de forma dramática. Acabo rindo da expressão envergonhada de Oliver. — Era de partir o coração ver um homem desse tamanho, chorando igual uma criança.
— Para de falar idiotices. — Resmunga Oliver, dando um tapa no amigo, que rir. O Queen então me encara, sorrindo sem graça. — Espero que não tenha problema.
— De forma alguma. Vocês são sempre bem-vindos. — Respondo e dou mais um beijo estalado na bochecha de Tony, antes de colocá-lo de volta no sofá. — Parece que o dia de vocês foi bem produtivo.
— Foi muito legal, mamãe! — Exclama Tony, dando um enorme sorriso. — Papai e tio Damon me contaram a história de super-heróis e a gente assistiu o filme do Homem-Aranha e do Batman. E agora eu estou ganhando do papai no vídeo-game, mamãe!
— Eu estou deixando você ganhar. É diferente. — Corrige Oliver e Damon gargalha.
— Mentira! Você está levando uma surra do seu filho! Admite! — Aponta Damon, fazendo Tony rir alto. O melhor amigo de Oliver coloca as mão sobre os ombros de meu filho e encara o garoto como se eles fossem cúmplices de um crime. — Esse garoto é um prodígio. Ele com certeza puxou ao tio dele.
— Até parece. — Resmunga Oliver e eu acabo rindo mais uma vez. Ele parecia uma criança naquele momento, sem aceitar estar perdendo no jogo de vídeo-game.
— Vocês parecem mesmo estar se divertindo. — Comento, sentando-me no braço do sofá.
— Mamãe! Mamãe! — Chama Tony, atraindo minha atenção. — O papai disse que vamos ao parque de diversões assim que o meu dodói sarar.
— É mesmo? — Pergunto, encarando Oliver, que sorri sem graça.
— Sim! Vamos você, o papai e eu. — Conta a criança e essa informação me pega de surpresa. — E nós vamos poder ir no carrinho de bate-bate, no carrossel e... e... e onde mais nós vamos, papai?
— Na montanha-russa e na roda-gigante. — Completa Oliver, fazendo Tony balançar a cabeça de maneira animada. Ao ver minha expressão contrariada, o rapaz se ajeita melhor no sofá e parece um pouco sem jeito. — Na verdade, eu vim aqui para fazer o convite. Damon ganhou três convites para o parque de diversões no próximo fim de semana, mas ele vai estar ocupado organizando o casamento do pai dele, o que eu ainda acho impressionante.
— Que coincidência. Você ganhou exatamente três convites para o parque de diversões e não vai poder ir, porque justamente nesse dia você vai estar organizando um casamento? — Ironizo, encarando Damon, que faz uma expressão de falsa inocência.
— Não é? Eu também estou impressionado com tamanha coincidência. — Responde Damon e era óbvio que de coincidência, essa situação não tinha nada.
— Enfim, eu acho que seria bem legal levar o Tony. O que você acha? Aceita ir comigo? — Pergunta Oliver, parecendo um pouco nervoso.
— Mas e a sua namorada? Ela não vai ficar chateada por você ir comigo e com o Tony ao invés de ir com ela? — Questiono e ele desvia o olhar, parecendo incomodado.
— Bom, ela recusou o convite. — Conta Oliver, soando um pouco frustrado.
— Não se preocupe. Laurel é fresca demais para gostar de parque de diversões. — Comenta Damon, não perdendo a chance de alfinetar a namorada do melhor amigo. — E vocês terão um dia de família. Ela não se encaixa nesse cenário.
— Damon! — Oliver repreende o primo, que dá de ombros sem se importar.
— Por favor, mamãe! Por favor! Vamos, mamãe! Eu quero ir com você e com o papai no parque de diversões. — Insiste Tony, encarando-me com seus lindos olhos pidões. Era como se eu estivesse diante de uma versão ainda mais adorável do Gato de Botas. — Por favor, mamãe! Eu vou me comportar e serei um bom menino.
— Viu, Felicity? Ele será um bom menino. — Enfatiza Damon, colocando-se ao lado do garoto.
— Você não vale nada. — Resmungo para Damon, que ri, divertindo-se. Desvio o olhar para Oliver, que me encarava em expectativa.
— Por favor, Felicity. Eu acho que seria realmente divertido e seria a nossa comemoração pela cirurgia ter sido um sucesso. — Argumenta Oliver, dando aquele mesmo olhar de Tony.
— Eu... — Tento negar, porque eu sabia que isso com certeza traria problemas para Oliver. Laurel não ficaria nada feliz em saber que o namorado foi ao parque de diversões com outra garota, ainda que o filho dele esteja junto. No entanto, quanto mais eu olhava para seus olhos tão semelhantes ao de meu menino, eu me sentia incapaz de proferir a palavra "não". Suspiro e acabo me dando por vencida. — Tudo bem.
— Oba! — Grita Tony, animado. — Eu vou ao parque de diversões com o papai e a mamãe, tio Damon!
— Eu disse que daria certo, carinha. — Comenta Damon, fazendo um "high five" com o garoto.
Encaro Oliver, que sorria como uma criança que acabou de ganhar o melhor presente do mundo. Ele me dá uma piscadela e, por algum motivo, sinto meu coração bater mais forte. Desvio o olhar para o lado e encontro Mal me encarando com um sorriso malicioso. Lanço o meu olhar de "não começa" e ela levanta as mãos em sinal de redenção. Suspiro e acabo sorrindo, observando a felicidade de meu filho, que continuava a comemorar com Damon. Talvez não fosse tão ruim assim um dia em família.
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