Milagres de Junho
22 Acampamento
Notas iniciais
ROMANCES MENSAIS
LIVRO VI — MILAGRES DE JUNHO
CAPÍTULO XXI — ACAMPAMENTO
— Iremos acampar. Iremos acampar. Iremos acampar. Com a mamãe e o papai! Iremos acampar. Iremos acampar. Iremos acampar. Com a mamãe e o papai! — Tony continuava a cantarolar alegremente no banco de trás do carro, enquanto seguíamos para a reserva ecológica que ficava a um pouco mais de cem quilômetros de Hawkins.
Sorrio e me viro para espiá-lo batendo as pernas no ritmo da música, enquanto observava a paisagem pela janela do carro com um grande sorriso em seu rosto. Era incrível como ele estava animado com a ideia de acampar, mesmo que nunca tivesse ido a um antes. Sinto uma mão quente sobre a minha e sorrio ao encontrar os olhos brilhantes de Oliver. Ele dirigia com uma expressão calma e parecia extremamente feliz. Suspiro e entrelaço meus dedos ao dele.
— Ele está feliz. — Comento, sorrindo e Oliver assente, não muito diferente de mim.
— E eu também estou. Obrigado por ter aceitado vir conosco. — Oliver beija a minha mão com doçura. Acabo suspirando, sentindo meu coração dá um solavanco. Seus lábios moldam um sorriso genuíno e ele volta a prestar atenção na pista, apertando mais as nossas mãos.
— Não que você e Tony tivessem me dado muita opção. Eu tenho quase certeza de que vou me arrepender da minha decisão. — Confesso e ele ri, divertindo-se. — Acampamentos têm tudo aquilo que eu detesto. Insetos, mato e muito desconforto.
— Você está sendo muito pessimista. — Responde Oliver, encarando-me em desafio. — Aposto que sairá desse acampamento pensando no próximo.
— Eu não teria tanta certeza. — Resmungo, suspirando por pensar que passaria dois dias tendo que lidar com um dos meus maiores medos. Eu tenho quase certeza de que acabarei chorando como um bebê no momento em que ver uma lagarta rastejando perto de mim.
— Quantas vezes você já acampou? — Pergunta o rapaz com curiosidade.
— Nunca. — Respondo e ele me encara com deboche. — O quê?
— Você nunca acampou e já diz que odeia. Depois eu que sou o infantil. — Provoca e eu puxo minha mão, fazendo com que ele risse e a puxasse novamente. Bufo e isso só faz Oliver se divertir ainda mais.
— Eu não preciso pular de um penhasco sem nenhum equipamento de proteção ou algo que possibilite o amortecimento da queda para saber que é uma má ideia. — Rezingo, mau-humorada. — Além disso, eu te disse. Eu detesto insetos e mato. Como eu poderia gostar de um acampamento? Eu prefiro muito mais a minha confortável cama, na minha confortável casa, na minha confortável cidade, distante de insetos.
— Mamãe tem medo de bichos, papai. Ela chora sempre que aparece uma barata. — Revela Tony, rindo. Encaro o traidor que chamo de filho e vejo Oliver erguer a sobrancelha, segurando o riso.
— Isso não é verdade. — Minto, cruzando os braços. Viro o rosto para encarar a janela e ouço os dois rapazes rindo.
— É verdade, papai. Mamãe chorou ontem. Ai a Mal teve que matar e tirar de perto da mamãe e ela só desceu de cima da mesa quando a Mal jogou o lixo fora. — Conta Tony e isso faz com que Oliver ria ainda mais.
— Anthony! — Repreendo a criança, sentindo meu rosto extremamente quente. — Você não pode contar essas coisas.
— Pode sim, filho. Na verdade, da próxima vez que você ver a mamãe fazendo escândalo por causa de uma barata, você tem que gravar um vídeo e enviar para o papai. — Orienta Oliver, olhando para o filho de maneira cúmplice.
— Para de ensinar coisa errada para o menino. — Digo, dando um tapa no ombro de Oliver, que se encolhe e gargalha, divertindo-se cada vez mais com as minhas reações.
— Pode deixar, papai! — Concorda Tony, rindo com o pai.
Era só o que me faltava. Esses dois se unirem para rir de meu desespero todas as vezes que eu me deparar com um inseto nojento durante esse acampamento. Nós ainda nem chegamos e eu já estou com vontade de ir embora. Por que eu tinha que concordar com essa loucura?
— Eu amava acampar quando criança. — Conta Oliver, finalmente parando de rir. Desvio o olhar da janela para encarar o outro, que sorria nostálgico. — Era divertido estar perto da natureza, participar de competições com meus primos, ouvir as histórias do tio Clint ao redor de uma fogueira, dormir observando as estrelas.
— Isso parece divertido. — Comento, vendo o quanto ele parecia ter carinho por aquela época.
— Era sim. Meus primos e eu passávamos as férias inteiras com tio Clint. Nós acampávamos na casa secreta, em sua mansão ou na casa de lago. — Continua o rapaz, suspirando com um sorriso cheio de saudades em seus lábios.
— Casa secreta? — Questiono, curiosa.
— Sim. É um lugar onde apenas os membros originais da família Barton sabe onde fica. — Responde Oliver, sorrindo enigmático. — Nem mesmo os pais e meus avós sabem onde é. Lá nós aprimoramos nossas habilidades e recebemos treinamentos de tia Tasha e tio Clint.
— Treinamento? O que esses dois excêntricos fizeram com vocês? Conhecendo Naty e Clint, eu não duvido que eles os transformaram em pequenos espiões. — Comento, rindo. Oliver dá de ombros e eu o encaro incrédula. — Está falando sério? Vocês realmente treinaram para ser espiões? Tipo, agentes da CIA como a Naty?
— Sabe o que eu e meus primos temos em comum além da inteligência e teimosia? — Pergunta Oliver, encarando-me com um sorriso presunçoso.
— Beleza? — Suponho, relembrando de todos os membros da família Barton. Fosse os homens ou as mulheres, todos exalavam aquela beleza de atores de Hollywood. Oliver ri e nega.
— Eu sempre soube que você me achava lindo. — Comenta o outro, convencido. Reviro os olhos e dou um tapa no ombro dele. Oliver ri ainda mais. — Mas não é isso.
— Então o que é? — Indago com curiosidade.
— Todos nós temos um dom especial para nos envolvermos em problemas. — Responde Oliver e eu acabo lembrando que Natasha havia mesmo comentado comigo sobre esse problema dos sobrinhos de Clint. — Até a nossa prima mais nova foi adotada depois de ser resgatada de um laboratório maluco. E é claro que ter famílias que são sempre alvos da mídia não ajuda em nada. Existem muitas pessoas que querem nos machucar e atingir tio Clint. Na tentativa de nos proteger de qualquer coisa que pudesse acontecer, ele e tia Tasha decidiram nos treinar. Todos os doze sobrinhos de tio Clint aprenderam a usar diversos tipos de armas, sabemos lutar e táticas de sobrevivência e espionagem. Gostaria de dizer que foi uma perca de tempo esses treinamentos, mas sendo sincero, se não fosse por esse tipo de conhecimento, eu e meus primos teríamos nos dado mal muitas vezes.
— Estou começando a ficar com medo de nosso filho ter herdado mais essa característica de você. — Comento e suspiro, sabendo que ele realmente tinha. — Na verdade, acho que ele herdou sim. A prova disso é a quantidade de vezes que ele quase me matou do coração ao fugir de perto de mim e acabar parando em algum lugar completamente aleatório.
— Sinceramente, eu também preferia que ele não tivesse herdado esse meu dom. — Responde Oliver, preocupado. Permanecemos em silêncio por alguns minutos, até que ele suspira e me encara por alguns instantes. — Felicity.
— Sim? — Respondo, encarando o rapaz que parecia tenso. — O que foi, Oliver? Aconteceu alguma coisa? Você parece tenso.
— Eu... — Ele trava a mandíbula e parece hesitante. Começo a me preocupar. Por que ele estava agindo tão estranho de uma hora para a outra? — Não é nada.
— Tem certeza? Você ficou tão estranho de uma hora para a outra. — Aponto e ele assente, concordando.
— Não se preocupe. Não é nada. — Responde Oliver, um pouco mais confiante. Nesse momento ele sorri e faz sinal para que eu olhasse para frente. — Nós estamos chegando. Daqui até o local são apenas oito quilômetros.
— Oba! — Grita Tony, animado. — Chegamos, mamãe! Chegamos, mamãe!
— Sim, filho. — Concordo, rindo.
— Iremos acampar. Iremos acampar. Iremos acampar. Com a mamãe e o papai! Iremos acampar. Iremos acampar. Iremos acampar. Com a mamãe e o papai! — E lá estávamos nós com a cantoria de Tony de novo.
Entramos na floresta pela estrada de chão que Oliver havia indicado. Como ele disse, não demorou muito para que saíssemos da mata fechada e encontrássemos um lago incrivelmente bonito. Assim que Oliver estaciona o carro, Tony consegue tirar o sinto e descer do carro, ansioso para ver o local onde iríamos acampar. Ao redor do lago, havia diversos tipos de árvores e ainda que estivéssemos em um dia quente de verão, o ar era tão fresco que a temperatura estava agradável.
Como nosso filho estava ansioso para iniciar as atividades de acampamento, Oliver e eu fomos apressados a montar as barracas e nos instalar o mais rápido possível. Quando terminamos, nós resolvemos lanchar. Para conseguir aproveitar melhor o dia, saímos de casa cedo, então estávamos com muita fome.
De barriga cheia e curiosos para saber o que faríamos, Tony e eu observamos Oliver arrumar espécies de alvos próximo do nosso acampamento. Eu não fazia ideia do que ele planejava, mas algo me dizia que seria bem interessante. Nosso filho observava o pai com fascínio, mesmo sem saber do que aquilo se tratava e nem mesmo piscava de tão concentrado que estava.
Assim que terminou de arrumar os alvos, Oliver aparece com duas espécies de coldre ou estojo, que se eu não me engano se chama aljava, onde carregava diversas flechas. Ele também pega dois arcos e fecha o porta mala do carro. Tony se levanta do meu colo e corre até o pai. Curiosa para saber o que aconteceria, eu também me aproximo de Oliver.
— O que é isso, papai? — Pergunta Tony e Oliver sorri tão animado quanto a criança.
— Hoje nós iremos aprender tiro com arco, Tony. Desde que eu tinha a sua idade, tio Clint me ensinou a manusear o arco e flecha e dessa vez, eu vou ensinar você. — Explica Oliver e eu já me coloco em alerta.
— O quê? Não mesmo! Tony é um bebê. Isso é muito perigoso. Ele pode acabar se machucando. — Respondo, preocupada.
— Calma, Felicity. O tiro com arco é uma modalidade aberta a praticantes de todas as idades. Claro que eu não vou colocar o Tony para brincar com as flechas afiadas. Eu trouxe as mesmas flechas que tio Clint usou para me ensinar. — Oliver ri de meu desespero e entrega a aljava menor junto com um arco pequeno para Tony. — Filho, eu ganhei esse arco do tio Clint e agora eu vou te dar. Isso é um arco recurvo, que se trata de um arco simples com uma corda que prende as duas lâminas junto com uma empunhadura.
— Arco recurvo? — Repete Tony, curioso. Ele pega o arco que Oliver estende para ele e sorri.
— Isso. Esse pequeno arco pode ser bem potente. — Oliver se vira para mim com um sorriso animado. — A média dos arcos recurvos é de 89 pés por segundo, que é a velocidade alcançada pela flecha em pés, e seria o equivalente a 27,12 metros por segundo. Eu sei. Você achou pouco. — Na verdade eu não fazia ideia do que ele estava falando, mas assinto, apenas para não acabar com o sorriso infantil em seus lábios. — Bom, se pensarmos que uma flecha tem em média 20 a 40 gramas, podemos obter outros valores. Se aparecesse o... o... o Exterminador a uns 10 metros de mim, uma flecha desta aqui o acertaria com a força de um pouco mais de 1 Newton. Bem pouco, não? Mas, calma, pois a pressão desta força nessa ponta pequena é incrível. Num ponto como a cabeça de uma flecha, a pressão pode chegar a 4,6 atmosferas! Para você entender, isso é quase o equivalente de pressão que você sofreria estando a 36 metros de profundidade no mar, só que em apenas um ponto! Isso pode chegar a atravessar tapumes de madeira e fazer um buraquinho na parede.
— Legal. — Respondo, sem saber exatamente o que dizer.
— Legal? Isso é incrível! — Continua Oliver, como se estivéssemos falando sobre a descoberta de vidas no espaço. Preciso me segurar para não rir da cara confusa de Tony. Mesmo eu entendendo um pouco das medidas que o Oliver falava, eu já estava perdida, nosso filho encarava o pai como se ele estivesse falado outro idioma. — A velocidade de uma flecha depende da constituição do arco, do material, da aerodinâmica e, naturalmente, do arqueiro. As flechas antigas, feitas em madeira, eram mais pesadas e lentas que as atuais, confeccionadas a partir de leves tubos de alumínio ou de fibras de carbono. As últimas flechas lançadas com bons arcos costumam atingir até 250 quilômetros por hora. Um pequeno arco como esse que o Tony está segurando pode fazer um estrago e tanto quando bem usado.
— Oliver, eu sabia que você era um nerd assim como eu, mas eu nunca poderia imaginar que você ia ser tão fascinado por arco e flecha ao ponto de saber até mesmo sobre velocidade de uma flecha. — Comento, rindo. Vejo que ele fica sem graça e acaba ficando ainda mais fofo. — Agora entendo o porque de Naty te chamar de Arqueiro Verde.
— Tio Clint e eu compartilhamos desde sempre o amor pelo arco e flecha. Bom, acho que você já sabe que a minha cor preferida é verde. Então ela criou esse apelido. — Conta Oliver, dando um sorriso envergonhado. Ele era tão adorável quando estava com o rosto vermelho e era incapaz de encarar meus olhos.
Aproximo-me do rapaz e passo meus braços em volta do seu pescoço, trazendo-o para mais perto. Surpreso, ele afasta os braços para que o arco que ele usava e o aljava em seu ombro não atrapalhasse meu abraço. Ele me encara curioso e eu acabo rindo. Eu o beijo e não demoro a ser correspondida.
— Você fica tão sexy falando nerdices. — Sussurro em seu ouvido e mordo sua orelha. Vejo o rapaz se arrepiar. Sorrio, satisfeita. Ele passa o braço com o arco em volta da minha cintura e me traz para ainda mais perto.
— Se quiser, posso passar horas falando as minhas nerdices hoje a noite, quando o Tony estiver dormindo. — Responde no mesmo tom com um sorriso malicioso.
— Eu vou adorar. — Digo e ele volta a me beijar com ainda mais intensidade e desejo.
— Mamãe e papai estão se beijando. Eca! — Ouvimos Tony grita e acabamos rindo em meio ao beijo. Escondo o rosto na curva do pescoço de Oliver, inspirando seu perfume amadeirado.
— Você acha nojento agora e aos quinze estará querendo fazer coisas mais... Ai. — Oliver se interrompe ao receber um soco meu em sua barriga. Ele começa a ri e me encara divertido. — O quê? Você sabe que é verdade. Sendo sincero, com a beleza e o carisma dele, quinze anos é muito tempo.
— Para com isso! Ele ainda é um bebê e eu tenho esperanças que ele não vai namorar tão cedo. Eu permanecerei sendo a única mulher da vida dele até os vinte anos. — Resmungo e Oliver me encara com aquela expressão debochada. — Não fala nada!
— Doze anos. Acho que essa é a idade que ele vai arranjar a primeira namorada. — Provoca Oliver e eu dou mais um tapa nele.
— Para. — Digo, irritada. — Eu não gosto nem de pensar no meu doce menino na adolescência, tentando que aturar as garotas tentando tirar a inocência de meu bebê.
— Na verdade, eu acho que será ele a tirar a inocência das... ai, eu estou brincando. — Oliver ri, enquanto eu continuava a dar tapas nele. Tony também ri, divertindo-se com a cena. Bufo e me afasto dele. Oliver coloca o arco e o alveja no chão e me abraça por trás, deixando diversos beijos em meu pescoço. — Você fica tão incrivelmente linda e sexy quando está irritada. Isso só me faz querer te tirar do sério.
— Você não vale nada. — Sussurro, inspirando fundo para não acabar deixando um suspiro nada descente sair de minha boca ao sentir o corpo de Oliver tão próximo ao meu e os lábios na pele sensível do meu pescoço.
— Papai, eu quero brincar. — Pede Tony, pegando uma flecha de dentro de sua pequena aljava.
— Continuamos isso mais tarde. — Avisa Oliver, deixando uma mordida em minha orelha, antes de se afastar para explicar a Tony como se usava o arco e a flecha.
Preciso respirar fundo várias vezes, tentando controlar todo aquele calor que sentia. Já fazia cinco anos desde que eu me envolvi com um homem, então qualquer provocação com entonação sexual já era o bastante para me excitar. Mas com Oliver, a situação se tornava ainda mais intensa. Até mesmo a mais ínfimo toque parece ser o suficiente para deixar minha mente em branco e tudo o que sou capaz de ouvir são os clamores de meu corpo, desejando mais do dono de meu coração.
Permaneço distante por alguns minutos, tentando me recompor. Quando acho que já sou capaz de controlar minhas emoções e ações, volto a me aproximar de pai e filho, que brincavam com sorrisos animados no rosto. Oliver orientava Tony em como manusear o arco e a flecha, que ao invés de ter uma ponta afiada, tinha uma ventosa e o alvo estava a uns dois metros de distância de Tony, para que ele conseguisse acertar com mais facilidade. Pego meu celular e faço questão de tirar várias fotos e gravar vídeos daquele momento.
— Mamãe! Mamãe! Eu acertei o meio! Eu acertei! — Grita Tony animado, assim que sua primeira flecha no alvo.
— Parabéns, meu amor! Você é incrível! — Elogio e ele sorri animado, voltando a tentar acertar o alvo mais uma vez, só que agora ele iria sozinho.
E como a mãe boba que eu sou, registro o máximo daquele momento. Ele ficava tão fofo com a expressão séria e a forma atrapalhada que segurava o arco com a flecha. Oliver orienta Tony mais uma vez. Surpreendentemente, depois de umas três tentativas sozinho, nosso filho acerta o centro do alvo com precisão. Oliver comemora e exibe seu sorriso orgulhoso, jogando Tony para cima diversas vezes. A criança gargalhava e comemorava com o pai o seu sucesso.
— Agora é a mamãe! — Grita Tony de repente, assim que Oliver o coloca no chão.
— Eu? Não. Eu sou péssima com arco e flecha. Cop já tentou me ensinar diversas vezes, mas eu fui uma negação. Ele era ótimo, mas acho eu realmente não levo o jeito para isso. — Conto e Oliver me encara com ironia.
— O Dr. Cooper tentou de ensinar? Como ele fez isso? – Pergunta Oliver, franzindo o cenho. Tento me lembrar de como Cop havia feito.
— Ah, ele ficava atrás de mim e guiava os meus braços para ficar na posição certa de acertar o alvo. Naquele momento eu acertava, mas depois, quando eu tentava sozinha, eu sempre fracassava. – Explico a Oliver, que bufa e revira os olhos. — Oliver?
— Escuta, Felicity, esqueça tudo sobre o que o doutor perfeição te ensinou. Na verdade, esqueça o Dr. Cooper para sempre. – Orienta Oliver e eu acabo rindo de seu evidente ciúmes. – Eu vou te ensinar a praticar arco e flecha. Você vai ficar tão incrível no tiro com arco, que as pessoas vão achar que você é uma profissional. Eu me recuso a perder para aquele perfeitinho maldito.
— Deixa de ser bobo. — Respondo, rindo e dou um beijo em sua bochecha. — Não precisa se preocupar com isso.
— É uma questão de honra. — Resmunga o homem de olhos azuis quase em chamas.
E não adiantou dizer que não precisava daquele esforço todo, mas Oliver não ouviu. Sendo o cabeça dura que ele é, eu não consegui o fazer mudar de opinião. No fim, ele me deu uma aula extensa sobre como se deve segurar o arco e a importância da posição da flecha. Quando eu demonstrei que já era capaz de puxar a flecha e a corda ao mesmo tempo, ele me colocou de frente para um dos alvos que ele tinha trago, que estava a uns quatro metros de distância.
— Respire fundo e se acalme. Coloque a flecha e se concentre no alvo que está a sua frente. É necessário que seu braço esteja no ângulo perfeito para conseguir acertar o meio. Então flexione um pouco mais os joelhos e levante mais o seu cotovelo direito. Mantenha sua coluna reta e contraia levemente o seu abdome. Isso deve te dar um pouco mais de segurança e fará seu corpo se tornar mais rígido. – Assim como ele havia me orientado, tento repetir suas ações e me concentro no alvo a minha frente. – Solte a flecha quando se sentir pronta.
Inspiro profundamente antes de soltar a flecha. Surpreendentemente, eu vejo a flecha ir velozmente contra o alvo e acertar o centro. Tony grita animado e bate palma diversas vezes, dando pulos de alegria.
— Você acertou, mamãe! — Tony abraça as minhas pernas em comemoração. Sorrio animada e acaricio o cabelo de meu menino, que me encara com seus lindos olhos azuis brilhantes. Eu não sabia que podia ser tão divertido assim acertar um alvo idiota.
— Parabéns! Você foi ótima. – Elogia Oliver, beijando minha testa. – Agora vamos para as outras quatro flechas. Depois de conseguir acertá-las, você estará pronta para competir nas olimpíadas.
— Exagerado. — Comento, rindo.
Tony se afasta para que eu pudesse voltar a lançar as flechas. Oliver continua a me orientar sobre a minha postura e aos poucos eu já conseguia assimilar a maneira correta de lançar. Não era algo extremamente fácil, mas para alguém que tem uma péssima coordenação motora, eu não tive tanta dificuldade. Das cinco flechas, eu consigo acertar três no centro e duas atingem a região vermelha do alvo.
Depois disso, nós três passamos a brincar com o arco e flecha. Oliver e Tony esboçavam uma alegria tão contagiante que era impossível não entrar na brincadeira. Ao lado dos homens que mais amo nessa vida, eu me sentia completa. E naquele momento, sinto que nada pode estragar a minha felicidade.
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