Michi Yuki - Yuki no Michi
2 Capítulo 1- A Garota-Problema E O Garoto-Prodígio
Notas iniciais
Olhou para os pais com raiva, segurando firmemente as malas em suas mãos e passou pelo portão, atravessando o extenso jardim em direção a porta do “castelo”, o nariz empinado e o queixo erguido, ignorando os olhares curiosos dos estudantes, que relaxam ao lado do gigantesco lago, sob seus ombros, pouco se importando com a presença daqueles que já considerava apenas companheiros de cela, trancafiados no inferno ao qual ela logo iria se juntar.
Sorriu. Um sorriso frio, irônico e sarcástico, que assustou os outros alunos que estavam lá. Já imaginara como seriam os professores, as aulas, os dormitórios, as comidas. “Realmente,” pensou, “Estou no inferno.” Ela estava certa de seu pensamento precipitado.
Seus pais não demoraram para alcançá-la, correndo um pouco para ultrapassá-la; não deixariam a garota pensar que dominava a situação e guiá-los como sempre fizeram... O que resultara na atual garota-problema mimada.
Caminharam em meio a um silêncio incômodo até a sala do diretor. Os pais nervosos, a filha indiferente e ao mesmo tempo raivosa. A estranha família chamava a atenção por onde passava. Nenhum dos alunos parecia acreditar no que viam. Os garotos por nunca terem visto uma garota tão bonita na curta vida deles. As garotas invejosas de sua beleza cochichavam mal dizendo-a. Mas todos os estudantes sem exceção perguntavam-se como uma família podia ser tão diferente. Optaram por nada dizer, ao menos evitar tocar no assunto na frente da morena, uma vez que não sabiam do que ela era capaz de fazer. Ela também estava no reformatório, afinal.
Finalmente o trio chegara em frente a sala do diretor, agora todos receosos, embora por motivos diferentes.
O pai adiantou-se, batendo na porta. Escutaram um “entre” pronunciado em uma voz grave e talvez um pouco rouca. A família prontamente obedeceu, a garota de má vontade. O diretor era, na verdade, a diretora. A voz que escutaram não fora dela, mas sim de um homem que ajudava a secretária.
-Vocês são...?- A diretora loura perguntou, arqueando uma sobrancelha. Seus olhos eram castanhos, um tom de mel amadeirado, e o cabelo estava preso por dois rabos baixos. Suas roupas assemelhavam-se as usadas em artes marciais e suas mãos brancas estavam entrelaçadas em frente ao seu rosto, os cotovelos apoiados na mesa. Possuía também uma pequena marca em forma de diamante azul em sua testa e a face séria. A voz calma e serena demonstrava que era alguém que merecia devido respeito.
-Desculpe-nos por vir sem avisar, mas a situação passou dos limites. Meu nome é Sophie e este é Paolo; nós viemos matricular nossa filha.
A expressão da mais nova fechou-se ainda mais, mantendo o nariz empinado e o queixo erguido.
-Vejo que a ideia não a agradou...- O homem riu um pouco, recebendo um olhar hostil da garota.- Meu nome é Dan e esta é a diretora Mika. Não sou do corpo docente, mas moro aqui por causa da minha esposa.- Ele piscou para a mulher, que sorriu brevemente. “Explicação desnecessária” A morena continuava desgostosa, o sentimento agravando-se com seus pais praticamente babando pelo “colégio” em que estudaria.
-Sou a Yori, apenas a secretária da Mika-san.- Delicada e com voz igualmente suave, a secretária ostentava uma personalidade tímida e graciosa. Parecia gentil, e era bonita; mantinha o cabelo castanho-claro solto, a franja longa dividida no meio para não cobrir os olhos cor de mel e assim atrapalhar a visão dela. As roupas também combinavam com ela; uma saia solta, que ia até pouco acima do joelho, castanha e uma blusa social branca, nos pés sapatilhas também castanhas.
-Agora que já estamos apresentados, vou explicar as normas e o funcionamento da instituição. Preste atenção, odeio repetir o que digo. Nós não toleramos qualquer desrespeito ou brincadeira idiota. As punições variam, embora nenhuma use castigo físico. Os dormitórios são quatro e mistos, mas os garotos são separados das garotas por andares. Se o primeiro andar for de garotos, o segundo será de garotas e assim vai. Uma vez que o Vermelho, o Roxo e o Laranja já estão lotados, você ficará temporariamente no Preto, senhorita...?- A diretora fez uma pausa, esperando a garota responder.
-...Alice.- A morena murmurou a contrariada.
-Bom Alice, eu ainda não sei o motivo pelo qual você está aqui, mas quero que fique bem claro uma coisa: as regras aqui são levadas muito a sério. No começo, você não terá direito a usar o computador, telefone ou televisão. Se seu comportamento for bom, aos poucos você terá tudo isso, até poderá sair periodicamente do colégio. Agora, se for ruim, você perderá alguns dos direitos que você já tem. Os monitores irão lhe explicar o resto. Há dois em cada dormitório, um garoto e uma garota, que são os melhores alunos de cada prédio. Estes possuem alguns direitos extras em relação aos outros estudantes. Há também os monitores da instituição em si, selecionados do corpo docente. O monitor de seu dormitório é o Rozen, uma vez que o dormitório Preto ainda não possui um nível diferenciado entra as notas das garotas. Ele deve estar chegando para mostrar-lhe a escola e os dormitórios, assim como para explicar-lhe as regras. Você já trouxe seus pertences?
-Trouxemos todas as roupas, alguns livros, os desenhos e o Ipod.
-O Ipod não será confiscado, mas entenda que se seu comportamento e suas notas forem ruins você perderá o direito de carregá-lo, Alice.
A garota revirou os olhos, sua atenção desviando-se para a porta ao escutar leves batidas na mesma.
Após outro entre, desta vez da própria diretora, o rapaz entrou. Trajava uma camisa social de maga comprida, o punho meio dobrado, calça jeans e All Star decano médio, a vestimenta inteira preta. Como a garota, trazia um livro em sua mão. Seu cabelo louro estava bagunçado, os olhos negros mostrava a curiosidade dele em relação a nova aluna.
A diretora levantou-se, postando-se ao lado da mais nova estudante do reformatório “Amai Kirai”, o olhar do garoto pousado na morena.
-Rozen, esta é Alice. Ela ficará no dormitório preto, você sabe o que fazer. Dispensados.
O garoto cumprimentou a garota, revelando que usava em seu pulso direito uma munhequeira preta com um R em Old English vermelho. Saíram juntos do aposento.
-O que você gostaria de ver primeiro, Alice?- Rozen sorriu docemente ao dirigir-se a nova “delinquente”, que ficou espantada. O garoto era mais educado do que imaginara. Além de possuir uma voz linda, com um timbre calmo, doce e gentil, encantando-a com o tom aveludado que usara ao falar com ela.
Em sua resposta muda, a morena fitou o gigantesco jardim. Ele seguiu seu olhar e assentiu, alargando o sorriso ao levá-la para seu lugar preferido daquela escola.
A grama do jardim era bem cuidada, a água cristalina e as árvores as mais belas que ela já vira. Até as rosas próximas ao lago eram mais vermelhas ou brancas, e mais bonitas que as outras. Andou pelo local, indo da borda do lago para a bela cerejeira, que já devia ter algumas centenas de anos, encantada com tudo.
O louro observava a morena, achando cada minimo movimento dela gracioso. O semblante admirado naqueles olhos cinza-chumbo o hipnotizava. Sua atenção concentrava-se apenas na garota. Tudo nela o atraia. Ele ainda não descobrira o porquê, mas logo descobriria se dependesse dele.
Quando ela finalmente resolveu que já ficara ali por tempo demais, embora a morena achasse que não fora suficiente para admirar a beleza do local, eles seguiram para o dormitório.
Alice já esperava que as paredes, o teto e o chão fossem pretos, mas surpreendeu-se ao ver que tudo era preto. Inclusive os talheres.
-Espero que goste de preto, não apenas para se vestir...-Outro daqueles sorrisos. A morena já perguntava-se o que uma pessoa como ele fazia no reformatório. Era mais educado e gentil “sem contar bonito...” que qualquer outro garoto que conhecia.- Aqui está a chave do seu quarto. Cada um tem seu próprio banheiro. Qualquer coisa, o meu quarto é o a direita do seu, número 15.
A garota ficou confusa. A diretora havia especificado que um andar era das garotas e outro dos garotos intercalando-se? Seria ele gay ou...? O louro sorriu novamente ao constatar o estranhamento da garota nos olhos cinza-chumbo.
-A diretora confia em mim. Ela me conhece tão bem quanto eu mesmo. Talvez até melhor.
Ela assentiu e dirigiu-se ao quarto e último andar, procurando entre os números o 14. O garoto acompanhou-a, levando uma das malas até o cômodo para a garota. Recebeu um obrigada murmurado, sorrindo enquanto ia para o próprio quarto. A voz dela, até mesmo no baixo sussurro, era o som mais harmonioso que o músico já ouvira.
A morena ficou parada alguns segundos pensando no simpático louro. Por fim, balançou a cabeça, decidindo arrumar suas coisas. Abriu a abarrotada mala, suspirando cansada ao apenas avistar o número de pertences que possuía. Ao pendurar a primeira roupa no armário, notou um velho livro jogado no fundo do móvel e acabou pegando-o. Leria mais tarde, embora sua curiosidade insistisse para faze-lo agora. Porém, sabia que deveria ajeitar suas coisas antes do jantar; Rozen a acompanharia até o salão. Suspirou novamente, voltando ao trabalho.
Notas finais
Reviews?? *¬* /(-.-)
Kissus
Yuki
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