Michi Yuki - Yuki no Michi
3 Capítulo 2-O Diário De Nate
Notas iniciais
O jantar fora como previra. O discurso entediante e a companhia agradável. Fizera amigos, mas agora que voltara ao seu quarto sua atenção voltara-se ao livro que achara mais cedo, deixando o seu na cômoda, deitando-se para iniciar a leitura. Olhou atentamente a capa do livro, não achando nada relevante. Resolveu, por fim, abri-lo e descobrir do que se tratava. Surpreendeu-se ao notar que era o diário de um homem chamado Sakuma Nate. Reparando o quão velho era o livro, constatou que já havia de ter falecido ou seria um senhor de idade muito avançada.
O diário era pequeno, a vida dele, se é que estivesse escrita inteira ali, deveria estar simplificada o quanto possível. Folheando-o rapidamente, percebeu que nem completo estava, reforçando sua linha de pensamento. Voltou ao início, começando a ler.
“4/03/1992
Meu nome é Sakuma Nate. Sei que parece meio estranho apresentar-me em um diário, mas sei também que me há pouco tempo até que a Morte me receba em seus gélidos braços; meu estado já é fatal, os médicos ainda tentam, mas deste ano não passarei. Sinto a caminhada fúnebre do anjo chacineiro em minha direção, seus passos lentos como quem lamenta. Eis que nem virei a conhecer meu neto, motivo que faz-me pegar a pena e por-me a escrever minha estória hoje, em meu aniversário de setenta e três anos; sou, portanto, nada mais que um velho decrépito.
Deves querer saber a causa a qual partirei; isto, porém, lhe será contado após minha monótona vida, aqui cingida.
Comecemos, então, em meus onze anos. Período, este, de achamentos. Descobri-me enamorado por Mello, uma bela garota de minha idade. Formosa e educada, parecia até perfeita demais para existir.
Outros acontecimentos são irrelevantes. Uesegi Mello era o que me importava e ainda importa. Três anos após conhecermo-nos, ela chamou-me para uma noitada em sua casa. Eramos, pois, órfãos, portanto ficamos a sós. Beijamo-nos pela primeira vez.
Peço-lhe, prezado leitor, que não se assuste. Sei de nossa ousadia e tenho plena consciência de que muitos se horrorizariam ao saber que dois jovens ficaram sozinhos em uma sala que fosse, quanto mais uma casa inteira a nossa disposição. No entanto, asseguro-lhe que nada fizemos.
Vários anos depois comemorávamos nossas bodas, no dia em que minha desgraça fez-se presente. Tínhamos já uma filha, fruto meu e de Mello, embora tenha sido carregada no ventre de Natalie; Mello não tinha condições de carregar nossa filha, lembro de como ela ficou ao receber a notícia. Mas nosso pequeno anjo tem meu olhos e o cabelo de Mello.
Nossa filha já possuía doze anos completos quando Mello desapareceu. Nevava, e ela insistiu em sair. Dela apenas sobrou uma pequena trilha que maculava a neve pura. Meu coração e minha alma partiram-se e chorei. Sentia-me morto, não o sendo apenas por nosso anjo louro. Nossa pequena princesa.
Sei que ela ainda está viva. Eu sinto. E preciso vê-la mais uma vez para ir em paz.
06/05/1992
Há muito não escrevo; isto, porém deve-se ao fato de que mal posso mover-me. Acabo por lamentar; esta diário deveria conter minha vida e seus pormenores, agora será apenas um breve resumo, uma epítome da mesma.
Ainda não encontrei-a; parece-me que está permanentemente evitando-me., impossibilitando meu último desígnio. Sei que não morrerei sem observar aquelas mechas louras e aquele olhar, mas meu coração já não concorda comigo. Apela por descanso, por paz. Sei também que ele está deteriorado, assim como meu corpo. Ambos anseiam pelo fim, e minha mente resiste. Quero vê-la.
Prossigo, agora, a narrar minha existência. Como sabe, Mello é aquela que amo, e Natalie foi e é minha amiga mais prezada. Ela nunca achou a pessoa certa, e acabou por consentir em carregar meu anjo louro em seu ventre.
Conheci-a em meus cinco anos. Fomos companheiros de risadas, brincadeiras e segredos. A ela contei quando achei-me admirando Mello. Natalie apoiou-nos, sendo o pilar para que nos mantivéssemos.
Antigamente, juraria odiá-la. Esta ilusão foi de minha cabeça. Não assumiria que gostava de Mello, justo ela, a quem todos os pais queriam ver seus filhos desposando-a. O irmão de Natalie, Tom, foi um deles.
Ela fez-o negar desde o início, obrigando-o a recusar o matrimônio apenas em minha consideração. Lembro bem que ela protegia-me de tudo, como uma irmã mais velha faria. Quando novo, nunca tive família, mas imagino ser assim. Sou grato a Natalie e a Tom por tudo. Se estou vivo hoje, foi por causa deles. Principalmente por ela, que ajudou-me a aproximar-me da loura que tirava meu fôlego e meu sono, causando noites de insônia com sua bela face em minha mente.
Nunca vou poder agradece-los. Nunca poderei falar-lhes sobre como eles me são caros. Talvez, quando estivermos juntos no outro mundo, eu possa.
07/07/1992
Tenho, agora, Mello ao meu lado. Ela dorme como uma anjo, e sinto que já posso ir. Não estenderei minha mão a Morte se ela pedir-me para não faze-lo, mas serei arrastado pelo anjo mortífero quando chegar minha hora. A caminhada prossegue em seu ritmo lento, as passadas pequenas e calmas.
Contarei, hoje, mais uma parte de minha entediante vida. Como achei Mello e o motivo o qual sumira narrarei noutro dia.
Na noite que Mello desapareceu, lembro-me de nosso anjo ter ficado doente; febre alta, dor-de-cabeça, ânsia e vômito. Os ouvidos entupiram e ela chorava tamanha era a dor; nunca antes isto havia ocorrido. Abri a porta e chamei por Mello sem resposta. Corri acudir nossa pequena, fazendo tudo o que podia. Ao raiar do dia, ela dormia e eu chorava. Chorava por ela e por Mello; nosso anjo pela dor que sentia e Mello pois ela não voltava.
Durante semanas, procuramos-a, sem sucesso. A tristeza contaminou meu coração, e quis morrer. Não me matei pelo nosso anjo, e pela vaga esperança que existia em mim.
21/10/1992
Hoje, contarei como achei Mello e o porquê de seu desaparecimento. Atualmente, somos dois enfermos; descobri que ela possui leucemia. Nosso tempo é curto, portanto cingirei ao limite nossa estória.
Mello tentou evanescer-se, causando-me dor e sofrimento inigualáveis. Achei a verdade; ela o fizera a contra gosto, forçada a tal para preservar-me. Ameaçaram matar-me. Mello acabou tendo que sumir para que eu vivesse, embora isto tenha matado-me emocionalmente e psicologicamente; apenas era vivo por nosso anjo.
Explico a situação em que ele se encontrava; ela foi obrigada por Vanessa, uma ruiva de farmácia invejosa; chama-la de víbora seria insultar a pobre cobra. Sentia ciúmes de nossa felicidade, necessitada de acabar com ela. Suicidou-se, três semanas antes de encontrar-me com Mello.
Achei-a em meio a neve, chorando. Apesar do tempo distante, reconheci-a e ela a mim. Abraçamos-nos, lágrimas escorrendo de nossos olhos. Mello desculpou-se, postando-se de joelhos e implorando perdão. Envolvi-a em meus braços, apertando-a contra mim, dizendo-lhe que a amava. Voltamos juntos, e agora estamos aqui, ela dormindo próximo a mim, sabendo que podemos morrer em paz.
22/11/1992
Mello e eu nos decidimos; mataremos-nos hoje. Nosso anjo já foi alertado, concordando apenas por saber de nosso sofrimento e desejo de finaliza-lo. Tivemos com ela, explicando a situação em que achávamos-nos.
Aqui, termino minha estória, até porque não viverei mas para contá-la; em poucas horas, já não respirarei, assim como Mello. Ficaremos juntos até na Morte.
Ingeri, agora, o veneno, ao mesmo instante que Mello. Morremos, pois, na mesma hora. Em uma perfeita sincronia, um belo réquiem mórbido em suas últimas notas, os acordes extinguindo-se ao mesmo tempo. A caminhada lânguida chega ao seu fim, os braços da Morte puxando-nos para debaixo de suas negras asas, conduzindo-nos ao desconhecido que é depois da vida.
Sinto não chegar a conhecer meu neto. Sei que seu nome já foi escolhido. Por isto, deixo este diário para você, querido neto. Quero que você saiba quem foram Sakuma Nate e Uesegi Mello.
Com carinho
Para Rozen”
A garota releu a última frase várias e várias vezes, não acreditando em seus olhos. Era impossível. Aquele homem... Se a história fosse verídica... Rozen... É neto de Nate?
Notas finais
eu sei, é curto.
como os outros TToTT
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Kissus
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