Meu noivo perfeito
18 Um grande susto
Notas iniciais
Olhei bem no fundo dos olhos de Sasuke ao me declarar, emoções não tinham de ser apenas ouvidas, elas precisam ser comprovadas. E pelos olhos serem a janela da alma, nada melhor do que Sasuke verificar por conta própria isso. Apesar de não saber se fiz ou não algo errado, foi como se portas enormes tivessem se aberto para mim, como se há muito estivessem esperando para o momento em que eu decidiria meu caminho de uma vez por todas.
E eu havia feito nada menos do que exatamente isso. Com todas minhas certezas vindas do coração, entreguei todos os meus sentimentos para a única pessoa merecedora deles. O aperto de Sasuke ficou frouxo em minha cintura, ele afastou o rosto para me olhar e observei seu pomo-de-adão movimentar-se, indicando seu desconforto.
– Sasuke... ? – sussurrei, com o início de um choro subindo pelo meu peito.
Ele não falou nada, o único som era o da música preenchendo todo o ambiente. Seus olhos ainda estavam fixos nos meus, me olhava de cima sem uma expressão exata em seu rosto.
Um dos piores sentimentos me abateu, remexi minha boca e meu olhar desceu para o seu colarinho. Continuar fitando-o daquele jeito era ainda pior para mim.
– Você... – ele começou a afalar, meus olhos logo foram parar em seu rosto. – Tem certeza do que está dizendo?
Como eu temia, tentei não desmanchar minha expressão passiva e aos poucos fui deslizando minhas mãos de seus ombros até elas caírem ao lado de meu corpo. Ele não havia notado as mensagens em meus olhos? Será que, mesmo tendo notado, ele... Iria recusar? Não havia mais importância, essa confusão precisava acabar logo de uma vez.
– Acredite, eu não estaria dizendo-lhe estas coisas se não viessem de meu coração. – respondi, com as mãos cerradas em punhos e a expressão séria, passando confiança em minhas palavras e junto a tanta confiança, eu mesma pude reparar na pontada de mágoa, que considerei impossível de sair ilesa. – Bom, não estou querendo que... Retribua meu gesto ou algo do tipo, eu...
Sasuke olhou para o outro lado, e aquilo foi tudo que precisei para deixar minhas palavras morrerem.
– Só queria deixa-lo a par disso. – terminei, com a garganta fechada.
Passei a mão em meus braços e recuei um passo. Eu estava agindo como uma fraca. Não receber uma resposta dele não significava que eu devia fazer tanto drama, então com um pouco de coragem levantei o rosto para fita-lo. Ele ainda olhava para a paisagem das árvores lá fora, havia algo diferente em sua expressão.
– Sasuke. – ao chama-lo pelo nome, ele imediatamente voltou seu olhar para mim. Quase desisti de falar, mas algo me fez continuar até o final. – Você sente... O que você sente em relação a mim?
– Sakura...
Ele começou a falar, parecia procurar as palavras adequadas para a ocasião e eu entendia muito bem isso.
– Eu... não sei se posso dizer o mesmo para você.
Apesar de o mundo ter parado de funcionar para mim naquele exato momento, continuei imóvel, esperando-o terminar.
– Desculpa, tenho que ser sincero com você sobre isso. – Ele pôs as duas mãos no bolso da calça e adotou uma postura ereta. A voz cautelosa. – É verdade que não sei bem na realidade o que sinto por você, mas isso não exclui e nem ofusca o enorme carinho que tenho por você. Entenda, eu nunca tive que enfrentar uma situação semelhante antes e... Não pense que estou desprezando seus sentimentos ou coisa do tipo, porque na verdade me importo demais com eles para sequer ousar feri-los.
Minhas mãos estavam suadas e meu peito subia e descia com rapidez.
– Eu preciso pensar um pouco para ter realmente certeza e... Sinto muito se isso a ofendeu. Jamais foi minha intenção.
Apesar de meu peito estar se afogando em lágrimas de sangue, tentei encontrar um lado bom naquilo tudo.
– Tudo bem... – comecei a falar. – Eu não poderia exigi-lo nada disso. – dei-lhe meu melhor sorriso confortador. Engoli em seco e continuei: — Mas, mesmo que o que você sinta não venha a passar de um sentimento de carinho, eu... Prometo que farei de tudo para ajuda-lo a me ver mais profundamente.
Dei um passo em sua direção, sem deixar de fita-lo.
– Posso ser sua conselheira, confidente e amiga de todas as horas. Não importa a ocasião. Até porque na minha concepção namoro envolve mais coisas do que eu mesma posso contar.
Aquilo estava sendo mais fácil do que o previsto e isso me animava, me incentivando a continuar.
– Isso, claro, se você concordar. – soltei um riso nervoso, parando de falar.
A música estava repetindo-se outra vez, mas fora isso não se ouvia nada.
Senti braços fortes largos me apertarem contra um peitoral bem trabalhado. Meu coração parecia ter recebido uma avalanche que limpou todas as incertezas. Sasuke parecia realmente disposto a continuação me abraçando, então eu segurei com as pontas dos dedos a barra de sua camisa.
– Posso entender isso como uma afirmação? – as palavras saíram um pouco abafadas por conta da posição.
Senti uma boca encostar-se ao topo da minha cabeça e lá plantar um beijo demorado. Ah, como não amá-lo?
– Como eu disse: você é incrível. – ele soltou um riso gostoso. – Obrigado, Sakura.
– É o mínimo que posso fazer, Sasuke. – sussurrei emocionada.
– Ei.
Ele segurou com cautela meu rosto, obrigando-me a fita-lo.
– Não quero vê-la cabisbaixa. Já disse que sempre me sinto mal quando a vejo assim? – Sasuke puxou meu corpo para próximo do dele e sussurrou. – Prometo para você que não vou decepcioná-la.
Dito isso depositou um beijo em minha testa.
– Vou confiar, hein! – brinquei, começando a recuperar meu humor natural.
– Desse jeito você nem vai precisar se esforçar muito, estou cada vez mais perdido por você.
Ficamos uns vinte minutos a mais naquele clima, sem mudar uma única vez a música, mas aquilo era o de mínimo, pois ela sempre continuaria sendo perfeita e mais perfeita a cada vez que eu a escutasse. Tenho certeza que ela seria para mim minha marca de Sasuke. Depois, parecia que algo tinha dado em Sasuke, pois ele encerrou o momento e começou a me guiar pelos corredores, até pararmos em uma sala de estar diferente da primeira.
Havia dois enormes sofás vermelhos próximos ao centro e mais ao fundo uma TV sobre a lareira de pedras. Aquele lugar era incrível. Descemos uma pequena escadinha que nos levaria para o centro da sala e lá nos esparramamos em um dos sofás vermelhos. Foi então que começou o questionário pela parte de Sasuke.
Ele perguntou-me quais meus sabores preferidos, meu passatempo preferido, sonhos de adolescência, memórias mais constrangedoras. Este último eu respondi, mas logo enfiei a cara na almofada ao lado, incapacitada de olhá-lo. Como eu pensava ele estava rindo às minhas custas, tive que jogar a almofada nele para parar. Por fim, ele me fez a pergunta mais interessante.
– Qual o seu doce preferido?
– Doce? – ele assentiu. – Brigadeiro! – exclamei me sentando e fechando os olhos ao lembrar a quanto tempo eu não comia minha preciosidade.
– O que é isso, brigadeiro? – ele perguntou.
Eu já imaginava que ele não conheceria esse doce divino, então tentei passa-lo a impressão de algo insubstituível na vida.
– É um doce caseiro... Ele é feito com chocolate, manteiga, leite e.... ahh... – gemi pondo a mão na barriga. – É delicioso.
Ficar imaginando aquele aperitivo me deixava com água na boca. Mas também me fazia ter lembranças maravilhosas da minha mãe, a mulher que me apresentou o brigadeiro e também me ajudou a aprender o preparo.
– Você sabe fazer? – olhei dentro dos olhos magníficos de Sasuke, o sorriso carinhoso que ele ostentava chegava até eles. – Fiquei muito curioso agora, parece mesmo delicioso.
– Sim, eu sei fazer. Essas gulodices eu sei fazer. – dei um sorriso amarelo. – Brigadeiro, Romeu e Julieta, bolinho de chuva... Tenho que parar de falar, se não vou ficar só na vontade.
Ao meu lado, com o braço passando sobre meus ombros no encosto do sofá, Sasuke parecia em transe. Olhei para seus cabelos que já estavam revoltos e depois para seu rosto. Aquela expressão de alguém que planeja algo muito concentrado.
– Pode fazer parar mim, esse brigadeiro? – arregalei os olhos e depois abri o maior dos sorrisos.
– Jura? Você quer mesmo...? – ele assente embriagado com meu entusiasmo.
– Por favor.
Pus-me de pé no mesmo instante e segurei sua mão, puxando-o eufórica para onde eu lembrava ser a cozinha, porém um pouco mais contida por fora, óbvio. Fiquei feliz quando ele não põe impedimento nenhum.
– Tem certeza, bom, porque é um doce simples, geralmente as crianças são quem mais gostam. – expliquei olhando-o, rezando para que ele não mudasse de ideia.
– Sim, não suporto ouvir alguém falando de um doce tão encantada e não ficar a par.
UH-OH! Eu estava indo fazer brigadeiro para Sasuke Uchiha. O mesmo Sasuke que prometeu tentar me amar. Aquele mesmo cara que a mais ou menos um mês atrás parecia estar a 1000km do meu alcance. Meu Deus! E ele é oficialmente meu namorado! Eram aqueles momentos simples e comuns que fazem eu me apaixonar ainda mais por ele.
– Ok, mãos na massa. – exclamei chegando a cozinha. – Onde tem leite condensado?
Ele indicou o armário ao lado da segunda geladeira.
– Certo, e manteiga, chocolate em pó e chocolate?
Ele veio para o meu lado e pegou cada coisa que eu precisava. No ultimo item ele apontou um armário para mim, quando eu abri quase perdi minhas forças.
Chocolates. Todos os tipos de chocolate que você pode sonhar em ter algum dia na vida estavam reunidos naquele estoque. Recompus-me quando ele chegou mais perto, ficou ao meu lado e pegou um chocolate suíço, o olho da cara, e comentei:
– Parece que alguém aqui não resisti a um chocolate. – implicar com Sasuke é outro nível.
Ele sorri e me entrega as barras.
– Não vejo problemas em ter uma leve quedinha.
Pus a mão na cintura e encarei-o, sorrindo maliciosa.
– Nunca disse que tinha, além do mais, sou uma chocólatra assumida.
Afastei-me dele com as barras e ele parou ao meu lado, depositando os ingredientes que eu pedi.
– Aqui está.
– Me arranje uma panela e um ralador, por favor. – pedi.
Ele prontificou-se em consegui-los. Coloquei a colher de manteiga na panela sobre o fogo baixo e adicionei o leite condensado, Sasuke parecia bastante atento encostado no armário com os braços cruzados, uma visão e tanto, que tive que largar para cuidar do doce. Pus o chocolate em pó e mexi com a colher até que ficasse homogêneo, ralei um pedaço da barra de chocolate e voltei a mexer, apagando o fogo.
– Isso foi bastante rápido. Sem contar que parece ótimo. – comentou Sasuke atrás de mim, olhando para a panela.
– Então vamos comer logo. – falo quase não me segurando.
– Claro. – ele respondeu.
Peguei um pano em cima do balcão e retirei-a do forno, por sorte ela era um pouco pequena então manuseá-la até a sala era mais fácil.
– Aonde vai?
– Para a sala. – falei por cima do ombro. – Traga duas colheres, por favor.
Quando voltamos para o mesmo sofá na sala de estar, deixei que Sasuke fosse o primeiro a saborear minha obra de arte, logo após que ele ligou o display e escolheu uma música aleatoriamente. Nunca imaginei que ele fosse tão vidrado em músicas.
– Que música é essa? – perguntei.
– Acho que é Stay with you. – ele respondeu, observando-me tirar os saltos que a essa altura estavam me incomodando.
Ele demonstrava sua aprovação pelo meu chocolate com grunhidos e exclamações de adoração. Meu doce havia conquistado ele! Eu mesma estava me esbaldando com minha colher, sem dúvidas aquele chocolate que ele me deu havia feito uma magia para a receita. Sorri, percebendo que já estávamos terminando de comer tudo, até Sasuke se aproximar de mim, com a expressão de felino indomável.
Deixei minha colher dentro da panela, abandonada, no exato momento que ele ergueu meu queixo. Fitando minha boca.
– Posso limpar? – sussurrou, me levando à loucura.
Minha respiração, como sempre que isso acontecia ficou pesada e ainda tinha o mesmo frio gostoso na barriga.
Ele aproximou o rosto até seu nariz tocar o meu, depois, fazendo aquele joguinho tentador, aproximou sua boca da minha, sempre atento às minhas reações. Senti sua língua limpar o chocolate no canto de minha boca.
Abri os olhos e peguei-o fitando-me. Ah, tão sensual. Levei minha mão até seu rosto, passando os dedos de leve por sua pele, com o dedão tracei seus lábios, sentindo a textura macia que eu tanto amava beijar. Nem lembro quando eu larguei a panela. Sem esperar mais um segundo, Sasuke levou minha mão aos lábios, depositando um beijo e depois a afastou para me beijar de verdade.
Era algo necessitado, eu podia sentir, com fervor. Ele estava com o gosto do meu chocolate, o que só tornou tudo ainda melhor. Apoiando-me no sofá só com uma mão acariciei seus cabelos enquanto nossas bocas trabalhavam em movimentos elaborados. Senti sua mão pela minha cintura, segurando-a com firmeza. Antes que eu realmente pudesse me importar, ele estava por cima de mim. Parecíamos adolescentes do modo como nos agarrávamos.
Meu vestido havia subido muito. Mas eu nem liguei de verdade para isso. Estava mais preocupada em acompanhar e aproveitar ao máximo daquele momento. Sasuke parou e começou a distribuir beijos lentos pela minha bochecha, seguindo um caminho até minha mandíbula. Minha mão que estava em seu pescoço perdeu um pouco da força, já que a sensação da respiração de Sasuke em uma parte tão vulnerável minha como meu pescoço, era de tirar o fôlego.
Uma de suas mãos que estava em minha cintura, desceu para meu quadril e assim continuou trilhando um caminho, devagar, mas o destino era minha coxa. E apesar de estar sendo quase impossível resistir àqueles toques, e querendo muito continuar, toquei sua mão. Ela também parou de se mexer.
– Sasuke... – chamei em um sussurro. Extasiada com a respiração dele em minha orelha.
Ele voltou o rosto para mim, atendendo ao meu chamado.
– A-acho melhor... Pararmos. – atentei com um fôlego só. Aquele homem sabia como deixar uma mulher sem foco com tanta facilidade.
– Algum problema? – perguntou-me levantando-se um pouco.
Neguei com a cabeça.
– Não é isso, só acho melhor pararmos antes das coisas... – engoli em seco.
As sobrancelhas dele estavam franzidas em preocupação. Não podia culpa-lo.
– Você... está desconfortável? – as palavras saíram bem cautelosas de sua boca.
Corei involuntariamente. Desconfortável com ele faça-me rir.
– É só que eu não... Estou pronta.
Sabe aquela sensação de falta de coragem ao falar? Minhas palavras não passaram de arranhões no final da frase. Eu estava um caco, sem duvidas devia estar corando a essa hora. Sasuke levantou a sobrancelha, piorando a situação. Será que ele não percebia o quanto era difícil falar essas coisas assim do nada?
– Ah, desculpe... – por fim ele se pronunciou, me dando espaço para sentar. – Não precisa ficar assim, eu jamais a forçaria a nada disso.
Sorri mais aliviada. Como será que ele reagiria se soubesse de meus planos?
– Hun, eu sei. Obrigada.
Ficamos em silêncio por alguns segundos.
– Você reagiu daquela forma só porque não se sente pronta?
O que eu poderia responder? Fiquei só alguns segundos aproveitando-o mexendo em minhas mechas.
– Eu tenho planos. – era agora ou nunca. Sorri carinhosamente e olhei para ele. – Para após o casamento.
Feitei-o por dois segundo e nada mais, tendo que desviar o olhar para a lareira acessa e me contentar com as melodias da música.
"É uma sensação tão boa e não há qualquer dúvida,
Vou ficar com você."
Eu não sabia o que ele estava pensando, nem sei como ele reagiria a seguir, e meus temores aumentavam conforme eu não percebia nenhum movimento de sua parte.
– Então...
Nada vinha à minha cabeça para que eu pudesse falar.
– Eu a entendo. – ele começou a falar baixinho, segurando uma de minhas mãos. Tive de fita-lo, tão lindo e sempre cavalheiro. – Você deseja esperar, tem muito respeito por si mesma e por seu corpo, essa é uma decisão muito importante e se mantém firme nela.
Ele era tão incrível, eu nem sei por que estava com tanto medo, aquele era Sasuke. Meu namorado, meu gentleman. Seus olhos percorreram todo meu rosto e pararam em minha boca.
– Eu te admiro muito mais por isso.
Alguns dos meus temores tinham sumido por completo. Eu estava preenchida por um sentimento maravilhoso de alívio, sabendo que ele havia de um jeito ou de outro, lidado bem com meus ideais.
(...)
Um bloqueio na no bairro fez com que Sasuke estacionasse o carro há dois quarteirões da minha rua. O relógio do carro indicava que faltavam poucos minutos para às 22:00 e o horário tardio foi uma das coisas que sensibilizou Sasuke a oferecer-me companhia até meu apartamento.
– Não vou deixa-la ir sozinha. – ele falou olhando para as calçadas quase vazias. – É muito perigoso.
Suspirei outra vez, passando a mão pelo meu cabelo e tirando o cinto.
– Seria mais perigoso ainda para você, e além do mais, não tem com o que se preocupar, moro aqui há anos, conheço cada degrau.
Não adiantava, ele não arredava o pé.
– Tem certeza?
Soltei um riso.
– Sasuke... – pus a mão em sue ombro. – tenho. Já vou indo.
Antes que eu abrisse a porta ele plantou um beijo em minha mão.
– Cuide-se. – foi seu aviso final.
Dei-lhe um sorriso apaziguador e sai do carro.
O vento gelado foi um golpe e tanto em mim quando sai do carro. Meus ombros nus foram os mais abatidos, mas ignorei todo o desconforto e fui seguindo o caminho para casa, sem olhar para trás outra vez.
Não tinha mais quase ninguém nas ruas, todos os prédios estavam fechados e um mendigo empurrava um carrinho na outra calçada. Mais uma rua e logo eu estaria em casa. Forcei meus pés a caminharem mais um pouco e abracei a mim mesma a procura de um pouco de calor.
Eu já conseguia sentir o calor do meu apartamento e prever as perguntas de minha tia, só não contava com dois braços longos e fedorentos me agarrando por trás. Arregalei meus olhos no mesmo tempo que uma mão cobria minha boca rudemente.
Tentei me livrar desesperadamente, minha voz saia abafada pela sua mão. Meus olhos estavam ficando marejados. E meu coração fazia um barulho insistente muito irritante.
– Calma, gracinha. – a voz falou no meu ouvido com um cheiro de cerveja horrível antes de me arrastar para o beco escuro mais próximo.
Isso não estava acontecendo! Não podia estar acontecendo! Só podia ser brincadeira! Eu gritava dentro de mim.
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