Meu noivo perfeito
22 "Ter Você Só Pra Mim"
Notas iniciais
Acordar sozinha mais uma vez, sem ter aquela oportunidade de despertar ao lado de Sasuke, deitada ao lado dele e aproveitando a maravilhosa sensação de sua presença que senti ao dormir, era mais que tudo; decepcionante.
Não fiquei refletindo outra vez em como as coisas haviam chegado até ali, deitada em volta dos lençóis de Sasuke Uchiha. Pelo menos eu sabia que dessa vez ele não apareceria e nem dedicaria mais parte do seu tempo me namorando enquanto um grande império esperava por ele na grande Los Angeles.
Tal império que ele já devia estar comandando neste exato momento.
Sempre ocupado e tão responsável.
Sem esperar por uma repentina surpresa, sentei-me na cama e me pus a sair dela, deixando de lado a irritação na perna e o desconforto do gesso. Mas tirando essas duas partes, o resto do meu corpo inteiro parecia dormente depois de uma noite inteira deitada nesse colchão com um conforto digno de deuses, tão tal no tamanho também. Arrepiei-me por inteira com o simples toque de meus pés no chão gelado. Gelado até demais, mas tão delicioso que não pude resistir e aconcheguei-me logo ali, reunindo forças para levantar e sair, enfim daquele pequeno pedaço do céu.
Antes a extensa parede de vidro havia me encantado o suficiente para não notar com mais afinco o resto do quarto. Coisa meio que imperdoável que acabei cometendo, quem em santa consciência em meu lugar não daria uma análise bastante avaliativa no quarto de Sasuke com uma oportunidade tão única? Ah sim, eu.
Aquele lugar era muito incrível, incrível demais. Não, eu não poderia descrever o tamanho do conforto que um homem ex-solteiro como ele desfrutava enquanto estava aqui sozinho. Luxo e principalmente conforto se distribuíam sem descanso em todos os lugares, do chão bem trabalhado ao teto ricamente iluminado. Todo o espaço, os móveis neutros e escuros exalavam aquele ar típico de masculinidade. Intenso, como só Sasuke conseguia ser, e como apenas ele poderia ser. Sem contar a perfeita dose que o perfume dele percorria em todos os cantos, preenchendo o ambiente com a simples lembrança de como toda aquela essência de Sasuke era capaz de afetar-me.
Quando avistei minha querida bengala logo ao meu lado, repousando sobre um criado-mudo, forcei todo meu corpo entorpecido a trabalhar conforme o devido e mais que depressa a peguei, pensando seriamente em voltar a deitar naquele paraíso que Sasuke chamava de cama e voltar a dormir até o próprio aparecer de novo para me acordar quando chegasse, com suas carícias únicas e irresistíveis que sempre me deixavam à beira de minha sanidade.
Com um gemido de frustração fui em direção à porta do banheiro, descendo devagar os poucos degraus que diferenciavam a área da cama para o resto do quarto. Todo aquele lugar era de um conforto que eu não conseguia me acostumar, o banheiro então. Aquela jacuzzi estava me chamando sem perdão para desfrutá-la, mas ignorei-a com muito esforço e dei um check-up no banheiro também.
Em cima de uma parte da pia estava um conjunto de roupas que provavelmente deveriam ser para mim. Alguns minutos mais tarde eu encarava meu reflexo no grande espelho de parede próximo à prateleira de toalhas. Será que ele havia escolhido essa roupa ou fora apenas uma de suas empregadas?
Por sorte não tive muita dificuldade em por a saia florida, toda leve e solta. A blusa soltinha e sem mangas também havia sido muito prática para mim, meio ofegante pelo trabalho de por aquilo tudo, sorri para meu rosto alegre e usando o apoio da bengala, saí do banheiro e depois do quarto de Sasuke.
Já eram 10:10 e eu não conseguia me sentir mais folgada do que já estava por dormir até essa hora.
Os corredores da casa de Sasuke eram vivos, com cores discretas, mas enfeitados com grandiosos quadros chamativos e elegantes. E em meio àquela exposição de beleza, me vi perdida entre o caminho certo até a cozinha. Desci pelas escadas e me vi em um corredor cercado por um jardim fabuloso. Acabei o reconhecendo de quando Sasuke me carregou por aqui ontem.
Aquela mansão inteira era tão incrível, com ligação direta com a natureza e ao mesmo tempo com o mundo moderno e com as coisas luxuosas mais recentes das imobiliárias.
Não havia um sinal de vida por entre aqueles corredores, só mesmo os dos passarinhos cantando lá fora. Era tão paradisíaco.
Com cautela continuei andando devagar até avistar a entrada que dava na cozinha, onde eu e Sasuke uma vez cozinhamos juntos. Sorri aliviada por ver um lugar conhecido e rumei a caminho de lá, apreciando maravilhada a beleza que a luz matinal realçava nos cômodos por onde eu passava.
Estar descalça e ao mesmo tempo andando tão livremente na casa de Sasuke me fazia sentir em casa. Não meu antigo apartamento, mas aquela sensação de lar que jamais conseguiria abandonar. Como quando se chega de uma exausta viagem e logo se vai caindo no sofá, relaxada com o clima ao redor.
Foi tão de repente, em um momento eu estava parada com um sorriso no rosto olhando para a entrada da cozinha e no outro eu já me encontrava com o coração aos pulos e usando uma mão na parede como apoio.
– Ai meu Deus... – soltei sem fôlego. Ri um pouquinho para descontrair a expressão assustada da empregada a minha frente.
– Oh, senhora, queira desculpar-me, por favor. – pedia-me ela com as mãos em frente ao busto. – Eu não tinha visto-a.
Abanei a mão dispensando aquilo tudo.
– Não, tudo bem, não se preocupe com isso, por favor.
– Aqui, senhora. – ela falou devolvendo-me minha bengala.
– Obrigada.
Ela anuiu com um sorriso pequeno e falou se recordando de algo:
– O Sr. Uchiha pediu para que a servíssemos assim que despertasse. A senhora deseja tomar seu café-da-manhã logo ou prefere deixa-lo para mais tarde?
Pisquei umas duas vezes antes de respondê-la.
– Acho que toma-lo agora seria melhor.
– Acompanhe-me então, por favor. – pediu indicando com uma mão o caminho.
No meio do caminho eu a abordei com um pouquinho de vergonha:
– Er... Você teria algo para que eu pudesse calçar?
Ela logo olhou para mim e concordou.
– Deseja para usá-lo agora?
Assenti.
– Com licença.
Logo ela sumiu em um corredor com seus passinhos pequeninos e apressados. Enquanto isso encostei-me à parede e fiquei observando o jardim, encantada com as árvores longas e robustas que o circundavam.
A piscina da entrada da casa já era possível ser vista através da grande parede de vidro daqui.
– Apreciando a vista?
Sorri abertamente me virando para trás e dando de cara com meu lindo moreno, que sorria galanteador pra mim.
– Sasuke! – soltei feliz da vida. Quem dirá meu coração.
Observei-o vir até mim, só de calça moletom e uma blusa escura de mangas longas.
– Bom dia. – ele sibilou me abraçando forte e circundando-me com aquele corpo grande e esbelto.
Quase perdi as forças nas pernas, o que já havia virado rotina nessas horas.
– Bom dia. – devolvi. – Pensei que você tivesse ido para a empresa.
– Que desculpa melhor do que cuidar da namorada?
Deixei minha bengala encostada na parede e pus minha mão em seu pescoço o puxando para um beijo, que infelizmente não durou muito, pois é.
– Se sente melhor? – perguntou me dando apoio com seu corpo.
– Sim, e... Obrigada, por tudo.
Era verdade, minha perna só estava dormente e meu braço na mesma. Sem contar meu rosto, que nem ardia mais e tinha até a aparência melhor.
– Não precisa agradecer, sabe que eu faria isso e muito mais se precisasse. – fez um leve carinho na minha bochecha.
Abobalhada, sorri e fitei-o intensamente.
– Você gosta de planejar as coisas, não é? – sussurrei.
– Desde que te encontrei. – respondeu com a voz mais aveludada.
Dei um risinho e mais uma vez falei:
– Eu amo você.
Em resposta, Sasuke beijou cada um dos meus olhos e depois, com a ponta do nariz encostada ao meu, falou com devoção:
– Você não tem ideia do quanto é bom acordar ao seu lado em minha cama e no mesmo dia ouvi-la me dizer isso.
Todo meu interior se derreteu de amor e respondi em uma alerta:
– Precisará de uma aliança se vai começar a falar desse jeito.
Sorri brincalhona e ele ergueu as sobrancelhas, rindo deliciosamente e escondendo o rosto no meu pescoço.
– Você tem razão, eu vou.
Meu coração se inquietou com a resposta dele.
– Enquanto isso não acontece... – comecei trilhando um caminho em seu ombro até o pescoço com meus dedos. — Bom... Você já sabe qual o meu novo endereço.
– E no que exatamente isso pode me contribuir?
Esse tom malicioso dele me deixava voando nas nuvens.
– Ah, você podia ir me visitar sempre que quisesse...
Ele inclinou a cabeça com os olhos cerrados.
– Mas que tipo de visitas?
Aquela mão boba dele subindo em minha cintura estava me deixando louca.
– Visitas produtivas... – respondi, por fim.
– Visitas produtivas...? – ele repetiu, deixando a frase incompleta no ar.
Sasuke ajeitou a coluna, ficando ereto e com um único movimento hábil e forte, apertou minha cintura de encontro ao quadril dele, me fazendo sentir o poder que minhas insinuações causavam nele. Certo, um grande poder, por assim preferir dizer.
– Ou... Reprodutivas? – rugiu baixinho com um sorrisinho safado, me fazendo sentir a potência de sua voz repercutindo em meu corpo.
Gargalhei gostosamente segurando seu braço e pondo o meu outro engessado para o lado.
– Sasuke... – recriminei-o ainda rindo.
– O que foi? – perguntou inocente.
– Só produtivas, okay?
Ele depositou um beijo em minha testa ainda com um grande sorriso que me matava aos poucos de tão belo que ele conseguia ser. Tão lindo e sedutor que me desarmava sem nem mesmo precisar piscar os olhos.
– Como eu disse: qualquer coisa por você. – respondeu descendo a mão pelo meu braço e parando quando segurou minha mão, envolvendo-a inteira na dele. – Com fome? Pedi que preparassem um café da manhã especial para você.
– Especial para mim?
– Sim, você sabe... Algumas coisinhas que você gosta e mais...
– Vou ficar mal acostumada assim, não posso... – ri e olhei para trás dele, onde eu via a empregada de antes vindo até nós com uma caixa de sapatos em mãos.
– Sr. Uchiha. – ela cumprimentou-a e depois de curvar-se estendeu a caixa para mim, abrindo-a. – Espero que seja do seu agrado, senhora. – ofereceu sorrindo.
Uma bonita e detalhada rasteirinha, nova por sinal.
– Oh, obrigada. É muito linda. – sorri e antes de pensar em pegá-la para usar Sasuke o fez por mim.
– Obrigado, Layce. – ele falou se dirigindo a ela. – O café já está todo pronto?
– Sim, senhor. – ela respondeu. – Com tudo que solicitou.
– Ótimo. – ele assentiu e virou-se para mim ainda segurando as rasteirinhas. – Vamos?
– Claro.
Parecia um daqueles passeios normais de casais apaixonados que andam de mãos dadas e abraçadinhos pelo parque. Só que no lugar do parque era uma grande piscina com uma decoração surpreendente e mais grama circundando-a.
– Gostoso?
Fechei os olhos em puro deleite e ao mesmo tempo respondendo a pergunta de Sasuke.
– Mais que isso.
Comecei a comer com muita vontade sob a vista avaliativa dele.
– O que faz para manter esse corpo?
Parei de lamber a colher cheia de recheio de geleia e olhei-o.
– Como assim, você fala como se ele fosse... – Sasuke me interrompeu e completou por mim.
– Perfeito. – inclinando-se para frente e apoiando-se nos joelhos, continuou sério. – E é.
Desviei o olhar para minha colher.
– Claro que não, são só algumas roupas que escondem certas gordurinhas e nada mais.
– Pra mim é perfeito.
Senti minhas bochechas quentes e sorri encarando-o nos olhos.
– Você inteira é.
– O-obrigada... – sorri sem graça.
– E então, o que você faz?
– Normalmente eu corro pela manhã nos finais de semana. Como naquela vez que você me chamou na reunião no Resort.
– Por isso seu visual.
– Fiquei me sentindo tão perdida... – admiti sorrindo.
– Pra mim você estava sexy.
Olhei-o atônita e quase perdi minha próxima fala vendo o semblante dele. Provocador.
– Sexy...? – sorri incrédula. – Como assim? Descabelada, toda suada e amarrotada?
– Você parecia pronta para uma longa rodada...
– Não! – ri alto e engoli mais uma colher inteira de chocolate.
– É verdade... – ele riu e depois pegou uma maçã, dando uma lenta mordida, insinuando coisinhas com aquele olhar quente.
– Que coisa...
Sasuke estava brincando com fogo e nem sabia, e se sabia parecia muito divertido para parar.
– Também é muita covardia sua ficar andando por aí sem camisa, sabia?
Ele levantou a sobrancelha.
– Mas estou com camisa.
– Agora. – enfatizei.
– Então... Você não gosta quando estou sem?
Olhei-o com o rosto um pouco quente.
– Tá brincando. Claro que eu gosto, m-mas... – respirei. – Olha, você já é tentador mesmo embrulhado dos pés a cabeça... – ri com a colher na boca. — Então quando sem camisa eu meio que me sinto a beira de um precipício, entende?
Ele virou-se na minha direção e continuou comendo aquela maçã.
– Tem medo de cair? – perguntou-me sério.
Rodei a colher em meus dedos escolhendo bem as palavras.
– Por um lado sim, mesmo que às vezes eu pense que seria fantástico. Principalmente se fosse com você. – falei impulsionada por uma força de vontade desconhecida. — Mas... Minha força de vontade é maior que isso.
– Não sei se fico aliviado ou angustiado por ouvir isso. – nós rimos, ele parou quando eu me engasguei. – Mas saiba que te admiro muito por isso.
Corei encabulada com aquilo.
– Você vai ficar o resto do dia aqui? – perguntei torcendo pra que a resposta fosse 'sim'.
– É o plano.
Ri me afogando mais uma vez na minha deliciosa calda de chocolate.
– E se alguma coisa inesperada acontecer na empresa?
Ele deu de ombros encostando-se na cadeira acolchoada como um grande magnata.
– Posso resolver daqui. E meu pessoal não é totalmente dependente de mim, em partes, sabem como reagir diante de algum imprevisto.
– Então... Você não é exatamente sempre necessário lá, tanto faz você ir ou não?
– Sim. – ele sorriu e cruzou as pernas. – Mas mesmo assim faço questão de estar lá todos os dias.
– Por mais que pudesse ficar em casa. – complementei.
– Gosto de acompanhar de perto toda minha equipe, saber mais sobre as pessoas a quem eu emprego. Procuro ao máximo evitar pessoas como Karin, você sabe.
Assenti acenando com a cabeça.
– Eu prezo antes de tudo o bom caráter e a honestidade. Claro que tudo depois da competência. Todas aquelas pessoas que estão ali ao seu redor foram selecionadas duramente em várias sessões, e... Obviamente, você foi a única exceção. – ele riu. — Assim que Hinata viu seu perfil ela logo teve certeza que seria capacitada.
– E você... Já sabia sobre mim? – perguntei muito curiosa.
– Sim. Nós dois estávamos juntos avaliando perfis de prováveis candidatos à vaga disponível no setor de engenharia.
– É sempre assim, você sempre avalia todos que vai empregar?
– A minoria.
– Hum... É bem bacana isso da sua parte. Digo, ir todos os dias, acompanhar de perto... Por que, bom... Tenho certeza que um bom por cento das pessoas em seu lugar não fariam isso.
– Você faria se estivesse?
Passei a colher em meu lábio inferior e olhei para cima.
– Sinceramente, não sei. Digamos, se por dia eu ganhasse o tanto que você ganha, não que eu saiba o quanto seja- fui interrompida abruptamente.
– Deseja saber? – olhei-o e desconfiei daquela sobrancelha levantada.
Olhei ao redor da casa, sentindo na pele todo o luxo e engoli em seco.
– Pode não ser uma boa ideia.
Ele riu e se aproximou puxando a cadeira consigo. Pegou meus dois pés e pôs em eu colo, sem falar nada Sasuke começou a por as sandálias neles, com muita calma depois olhou para mim:
– Tá, eu sei que são alguns milhões. – admiti.
Balancei a colher na direção dele. Percebi o movimento da boca dele.
– Não precisa falar! – levantei a mão.
– Tudo bem. – falou erguendo as mãos em sinal de rendição.
– Mas continuando... Se eu ganhasse isso tudo por dia, nem que fosse apenas um, eu nem sei o que ainda estaria fazendo trabalhando. – gargalhei apoiando meu rosto na mão. – Mas eu entendo que suas motivações são muito diferentes das minhas.
– Temo que sim.
Foi um café-da-manhã muito agradável, Sasuke entrava em qualquer tipo de conversa que eu iniciasse e sempre acabava deixando tudo mais divertido. Porém, hoje eu acabei percebendo um lado muito mais solto dele, onde qualquer assunto, até mesmo sexo era muito bem-vindo para ele.
Foram muitas gargalhadas soltas nesse meio tempo. A sensação era tão boa, eu me sentia livre para ser eu mesma e Sasuke parecia também senti o mesmo. Acabei me embriagando mais que o estimado a cada riso aberto que ele me dava, principalmente quando eram para mim.
O tempo todo Sasuke ficou comigo, sendo o meu braço direito. Aquela dedicação tão grande vinda dele era mais do que eu poderia sequer pedir ou desejar algum dia. Eu só conseguia me sentir em um sonho.
E meu maior medo continuava sendo acordar.
Acontecia que eu precisava parar de pensar essas coisas depressivas e tentar sempre pensar positivo. O que era tão fácil quanto difícil. Diga-se de passagem, que Sasuke havia se tornado parte de mim, uma metade que me faltava e eu não conseguia e nem queria me imaginar sem, tornando esse o lado que me atormentava. A nossa realidade estava além dos contos.
Ele era um dos homens mais visados do mundo. Eu trabalhava para ele e agora havíamos assumido uma relação para toda a mídia mundial.
Mas se dependêssemos do nosso amor, ou pelo menos do meu, em meio a um futuro conflito, eu de certo modo ficava até aliviada por ter uma resposta conclusiva para o final.
Trilhei um caminho de seu queixo até pescoço, apreciando o contato de sua barba nas pontas de meus dedos.
– No que está pensando? – perguntou-me virando o rosto na minha direção.
Nosso café-da-manhã meio que acabou se juntando ao almoço, e agora estávamos em um de suas salas-de-estar, sozinhos e aproveitando a brisa que vinha das árvores lá fora.
Sorri quando minha mão chegou ao cabelo dele. Tão macio e cheiroso.
– Você é muito cheiroso.
Ele riu e endireitou-se no sofá, deitando-se e escondeu o rosto na curva do meu pescoço.
Eu tinha a leve sensação que Sasuke amava meu pescoço.
– Eu amo o seu perfume. – ele confessou baixinho. Quase.
Meus dedos quase pararam o carinho que eu fazia em seu cabelo.
– Só o meu perfume? – brinquei já com o coração mais acelerado e formulando muitas respostas que poderiam me desestabilizar.
– Não...
Fechei os olhos e mordi o lábio inferior, me preparando psicologicamente para o que poderia vir.
– Com licença, Sr. Uchiha. – ouvimos a voz da empregada de mais cedo.
Sasuke sentou-se no sofá e olhou para onde a empregada estava com o semblante neutro e calmo. Mas parecia um pouco envergonhada por ter presenciado nosso momento. Oh meu Deus, nosso momento... Chorei rios por dentro lamentando a interrupção.
Passei uma mão em meu cabelo e arrumei-o no devido lugar dele.
– Pois não? – ele perguntou sério.
– O senhor tem visitas. – ela falou como se quisesse sumir dali. Tadinha, estava até vermelha.
– Visitas?
– Sim, senhor.
– Não estou esperando ninguém. – ele falou sem humor. – Quem são?
– Sr. Obito e Sr. Shisui com suas respectivas esposas.
Sasuke olhou para mim e sorriu, puxando-me para sentar junto a ele.
– Deixe-os entrarem.
– Como queira, senhor. – a empregada fez um leve mensura e saiu com seus passinhos apressados para a entrada da mansão.
Vi o semblante alegre de Sasuke e desconfiei.
– Que cara é essa?
– Vou apresenta-la a alguns primos meus. Não ligue para qualquer bobagem que eles falarem.
– Eram eles que estavam no hospital?
– Hinata contou?
– Unhun. – assenti. – Eles sabem sobre nós?
– Sim, por isso peço que se prepare para uma enxurrada de perguntas.
– Sasuke!
Nós dois olhamos ao mesmo tempo na direção da voz alegre.
Primeiro vi um homem com um estilo bem relaxado de mãos dadas com uma morena muito linda e logo após outro casal apareceu por detrás deles. Todos os quatros eram tão perfeitamente belos que mais pareciam manequins de grifes famosas. Mas havia algo muito mais forte que os diferenciavam, a áurea alegre que saia de cada um.
Com certeza toda a família Uchiha tinha uma benção passando pelas gerações. Beleza e dinheiro deviam ser algo que todos tinham de sobra.
– Bom ver que está bem. – falou o segundo primo dele enquanto cumprimentavam-se.
– Isso mesmo. – De repente todos os olhares se voltaram para mim, ainda sentada no grande sofá.
– Ah. – arfei e me pus de pé, ignorando a pontada de dor. Franzi o cenho em uma careta e no mesmo instante o braço de Sasuke estava me dando apoio. – Tudo bem. – falei acalmando-o.
– Pessoal, essa é Sakura. – ele sorriu de canto e olhou para seus familiares. – Minha namorada.
Todos sorriram amplamente me fazendo ter a mesma reação.
– O-oi. – eu não podia ter gaguejado. Acho que conhecer uma parte da família de Sasuke me deixava um pouco tensa.
– Sakura, querida, é um grande prazer conhecer você. – uma das mulheres veio toda sorrisos me cumprimentar com beijinhos. – Eu sou a Tsume, esposa deste destrambelhado aqui. – falou apontando para o homem atrás dela que sorriu com ironia.
– Eu sou Helena, e este é meu marido, Shisui. – falou a outra também cumprimentando e os dois sorriram.
Tão lindas, simpáticas e gentis.
– É um prazer conhecer vocês. – respondi.
– Eu me chamo Obito, okay, só pra constar. – falou o marido de Tsume.
Ri e logo todos nós estávamos acomodados nos maravilhosos sofás de Sasuke.
– Andou reformando o cafofo, Sasuke? – Obito perguntou apoiando os braços no encosto do sofá e olhando ao redor.
– Um pouco. – respondeu Sasuke pedindo um aperitivo para uma empregada que logo sumiu.
– Algum motivo em especial? – o tom ousado de Obito foi muito explícito, principalmente suas encaradas para minha pessoa.
– Não exatamente...
Senti meu rosto um pouco quente.
– Onde você mora, Sakura? – Tsume perguntou.
– No momento estou de mudança. – respondi.
– Ah... – de repente pareceu ter se lembrado de algo. – Como você está?
Levantei as sobrancelhas e sorri.
– Muito melhor.
– Fomos visitá-la. – Helena falou com o semblante amistoso. – Depois que Sasuke saiu da empresa sem dar satisfações a ninguém procuramos saber o que tinha acontecido.
– Não ficamos muito tempo. Mas o que importa é que agora você passa bem. – Tsume completou.
– Obrigada. – agradeci com um sorriso tímido.
– Como sendo uma nova membra da família, ficamos preocupados.
– Mulher de amigo meu também é minha amiga. – Obito acrescentou.
– É tão divertido isso, mais uma brasileira na família. – Shisui, o marido de Helena, falou com um sorriso.
– De todas que poderiam conquistar Sasuke, o destino resolveu jogar mais uma conterrânea.
– Pode ser só coincidência. – Obito comentou pegando uma taça com o aperitivo que a empregada trouxe.
– Bem difícil, hein! – falou Helena enquanto os outros também pegavam uma taça de açaí.
– Aqui, senhora. – a empregada estendeu-me a bandeja onde ainda sobrou uma taça.
– Obrigada. – peguei-a e logo ela se retirou.
– Há quanto tempo mora aqui, Sakura?
Engoli o açaí antes de responder a pergunta de Tsume.
– Há cinco anos, somos apenas eu e minha tia.
– Bastante tempo. – concluiu Obito devorando todo o açaí. – E seus pais, moram no Brasil?
Mexi um pouco com a colher antes de responder:
– Eles faleceram faz muito tempo já, quando eu ainda tinha 13 anos. – minha voz soou muito calma até para mim e sorri para todos. Falar sobre meus pais me dava nostalgia e junto com ela uma grande melancolia.
Os anos que se passaram depois da morte deles me ajudaram a aceitar minha vida de garota e órfã, mas não havia nada no mundo que poderia substituir o lugar que um dia foi deles. Mas fazer-me sentir outra vez a felicidade que somente eles um dia me proporcionaram, isso apenas Sasuke seria capaz.
Olhei-o ao meu lado. Ele sorriu e passou seu braço sobre meus ombros, depositando um beijo em minha têmpora. Dei um grande sorriso, já nem ligando para os outros presentes.
– Sentimos muito. – Obito falou por todos.
Assenti e agradeci.
– Então você veio morar junto a sua tia? Nós a conhecemos ontem no hospital. Muito adorável ela.
Olhei-os maravilhada.
– Unhun, desde então sempre fomos apenas nós duas contra o resto do mundo.
Eles riram.
– Só até agora. – Sasuke destacou. – Me acrescente em sua pequena lista.
– Sim... – falei rindo.
Meu corpo e minha alma estavam tão relaxados com todo esse momento em família.
Mais de uma duas horas depois de pura conversa eu descobri que a família de Sasuke era ainda mais incrível do que pensei que eram. Tantas pessoas maravilhosas em uma só família eram de se admirar. E eu já me sentia parte deles.
– Obito e eu temos uma rede de Hotéis na América e na Europa, aliás estamos instalados em um deles que fica aqui em Los Angeles. Qualquer dia desses vá nos visitar se puder, ficaremos aqui durante um bom tempo pelo menos até o aniversário de Sasuke passar.
– Aniversário? – perguntei me virando para Sasuke. Pus minha mão em meu rosto, desacreditada que eu havia me esquecido. – Eu havia me esquecido completamente, Hinata tinha comentado comigo.
– Com tudo que veio acontecendo não é de se admirar que tenha esquecido. – ele falou calmo. – Não tenho nada planejado, antes que pense nisso. Mas eles... – apontou para o restante. – Não vão deixar isso passar em branco.
– Mas não vamos mesmo. – Obito anuiu e depois olhou para mim. – Eu iria arrastá-lo para um de meus clubes... – levantei uma sobrancelha e logo Sasuke o interrompeu:
– Como se você fosse capaz. – sua voz continha puro desdenho.
Óbito semicerrou os olhos.
– Continuando, ia ser uma noite baseada em pura curtição, mas... depois que você apareceu tive de pensar em outra coisa.
– Esse 'você' teve de pensar é um resumo sobre nós? – Tsume perguntou. – O que ele quis dizer na verdade é que NÓS estamos tendo mais trabalho para elaborar um aniversário inesquecível para Sasuke.
Ela me olhava sorrindo e depois Shisui se manifestou:
– Tão inesquecível quanto o de dezoito anos.
Os três homens da sala soltaram altas gargalhadas, fazendo com que nós mulheres os olhássemos com grande desconfiança.
– Você nunca me disse o que aconteceu nesse dia tão... Inesquecível. – recriminou Helena para Shisui.
– É o seguinte, para comemorar com grande estilo a grande virada do nosso primo, primeiramente: nós fugimos do estado. – Helena se engasgou e Tsume bufou mexendo em sua taça de açaí, ela já parecia saber da história.
– Assim, de primeira? – eu perguntei com a boca aberta.
Sasuke, rebeldia e fugir do estado eram algo surreal demais. Não se encaixavam de nenhum ângulo.
– Que história é essa? – Helena exigiu.
– E não foi tudo, nos embebedamos tanto... – Obito soltou um riso antes de continuar. — Que quando acordamos só conseguíamos pensar em como três gostosas foram para dentro do nosso carro, aí depois disso eu tive que fazer dois testes de paternidade de duas delas.
– Que? – Tsume gritou incrédula. – Você não me contou essa parte!
– Calma, amor, nenhum deu positivo. – Obito tentava tranquilizar Tsume.
– E depois descobrimos que todas as três eram prostitutas e nos drogaram sabendo quem nós éramos. – Shisui continuou. – E também haviam sido elas que nos levaram até Oregon.
– Oregon? – eu estava tão besta quanto Helena.
– E no final todas foram presas e nós voltamos com a equipe de segurança rígida do pai de Sasuke como escolta. – Shisui concluiu a grande aventura que aqueles aprontaram.
Ninguém falou mais nada.
– Nossa... – sussurrei abestalhada olhando para Sasuke com pura incredulidade. – Você... – abaixei minha taça vazia. — Quem diria.
– Eu não esperava um aniversário de dezoito anos menos inesquecível vindo de vocês.
– Que culpa temos? Éramos mais rebeldes do que somos, acha que jovens como nós, cheios de hormônios à flor da pele e filosofias diferentes deixaríamos com o tanto de dinheiro que tínhamos algo assim passar com menos estilo?
– O que aconteceu depois? – perguntei. – Foram castigados?
– Ugh, nem me lembre. – Obito falou fingindo um arrepio. – Meu pai me mandou de volta para o Brasil e tive que servir como ajudante em um restaurante durante quatro meses. Onde acabei conhecendo essa daí. – apontou para Tsume.
– É uma longa história, mas resumindo: meu pai era dono do restaurante e tive que servir de instrutora para esse filhinho de papai. O resto você já pode imaginar.
Gargalhei enquanto assentia.
Alguns minutos depois tivemos que nos despedir deles.
– Foi ótimo conhece-la, Sakura. – Obito e Tsume se despediram de mim antes de Helena e Shisui.
– Sakura, amanhã Tsume, Hinata e eu iremos dar umas voltinhas pelos shoppings e saiba que sua presença é mais que desejada. – Helena sorriu desfazendo-se de nosso abraço. – Qualquer coisa nos avise, e não se preocupe com nada. Até mais, querida.
– Até. – acenei observando-os sumir em seus carros em pleno pôr-do-sol.
Assim que passamos da porta de entrada Sasuke me puxou para seus braços e beijou o topo de minha cabeça.
– Divertidos, não?
Abri um grande sorriso levantando meu rosto para ele.
– Sua família é demais! – falei encantada. — Eles são incríveis!
– Não mais que você... – ele sussurrou me enchendo de beijos, um atrás do outro.
– Também não é pra tanto... – consegui falar entre aqueles beijos.
Sasuke parou com a respiração entrecortada e me olhou:
– Não se subestime... – pegou uma de minhas mãos e plantou um beijo nela. — E não estou exagerando. – disse acariciando meus braços. – Quer tomar um banho?
Meus olhos estavam cegos para algo que não fosse ele.
– Unhun... – balbuciei acenando com a cabeça e mordendo meu lábio inferior.
Ele sorriu malicioso.
– Espera... – sussurrei sem forças quando o senti mais colado a mim. – C-com você?
Ele soltou um riso rouco, se deliciando com minhas reações.
– Por que não?
Todo meu corpo se ascendeu como um fósforo aceso jogado sobre gasolina.
Soltei um gritinho quando me senti sendo erguida em seus braços fortes.
– Você não se cansa... – indaguei-o aproximando meu rosto do dele e circundando-o seu pescoço com meu braço. – De me erguer?
Mais uma vez tive um de seus maravilhosos sorrisos direcionados somente para mim. Ah, aqueles lábios avermelhados e suculentos. Não tinha como eu resistir. ELE ERA MEU!
Senti uma forte conexão assim que nossos olhos se encontraram.
– Se você estivesse com cem quilos eu ainda te pegaria. – aquele modo tão apaixonado que ele falou foi como um incêndio total em mim, meu coração parecia até mais disposto a trabalhar com mais urgência.
Senti meus olhos arderem e mordi meus lábios.
– Isso foi tão romântico. – admiti rindo e abaixando a cabeça.
Eu nem mesmo senti que estava prestes a chorar, só fui perceber quando ele beijou o canto de meus olhos e depois sussurrou em meu ouvido.
– Vem, vou te mostrar o quão incrível... – me deu um selinho longo e depois sussurrou sobre meus lábios. — ... É a mulher que eu amo.
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