Meu noivo perfeito
23 Quero que prove
Notas iniciais
Engoli o nó em minha garganta assim que Sasuke falou aquilo.
Na minha cabeça foi como se milhares fogos de artifícios tivessem sido soltos no meu mundinho particular, uma comemoração com direito até a música como trilha sonora por fundo.
Sasuke estava caminhando em direção ao quarto, com seus passos largos e sempre calmos, demonstrando que ele realmente tinha muita disposição e força para me carregar. No entanto eu ainda mantinha meu foco direto em seu rosto.
Receber uma declaração tão linda de alguém que se ama tanto pode causar fortes efeitos devido à emoção, e meu corpo não fazia a mínima questão de esconder as reações fenomenais que eu estava sofrendo, tipo o modo como meus olhos lacrimejaram quando levantei meu rosto para olhá-lo. Mordi meu lábio inferior sendo cuidadosamente avaliada por ele, cujos olhos transmitiam um grande afeto.
Um riso escapou de minha boca e aproximei-me de seu pescoço, descansando minha cabeça ali, ainda muito abalada por sua declaração.
– Ama é? – perguntei tentando conter um dos sorrisos mais bobos da minha vida.
Ah como eu queria não estar com um braço engessado e enchê-lo de beijos ali mesmo. Por que aquele gesso tinha que atrapalhar um dos momentos mais importantes da minha vida? Por que?
Sasuke não respondeu minha pergunta quase retórica e isso me fez estranhar. Podia ser um pouco maluco, mas vai que ele tinha se arrependido de ter dito aquilo. Quase tive uma batida falha no coração por causa disso.
Levantei meu rosto para olhá-lo e me deparei com o mesmo sorriso que me acalmava não importava sob quais condições eu estivesse.
– Quer que eu prove? – perguntou sem desviar o olhar do meu e se virando para empurrar a porta de seu quarto com o ombro.
Nem mesmo me importei como conseguimos chegar ali tão rápido, minha atenção tinha sido raptada pela resposta dele.
Minha mente se desligou desses pensamentos a partir do momento em que captei os movimentos das cortinas da parede de vidro que estavam sendo abaixadas. Sasuke me pôs no chão estofado do quarto e pediu:
– Consegue ir até o banheiro? – indagou virando-se para mim com um controle pequenino em mãos.
Assenti me apoiando um pouco na parede para ir até a porta roliça do banheiro. Quando enfim passei pela porta senti uma escuridão total dominando todo o quarto atrás de mim. Virei-me para trás agitada e curiosa, ao mesmo tempo poucas luzes postas em lugares estratégicos do banheiro fossem acesas, deixando-o com uma iluminação fraquinha.
Engoli em seco, sentindo minhas pernas meio bambas sem saber o que Sasuke estava planejando de fato.
Observei ao redor, vendo que tudo estava exatamente igual a como vi pela manhã. De repente as altas e largas paredes envidraçadas foram cobertas pelas cortinas que desceram automaticamente, o mesmo sistema usado no quarto.
Quando olhei para a porta do banheiro lá estava Sasuke, com as mangas de sua blusa levantadas até os cotovelos e sorrindo como quem apronta, e aquela falta de iluminação toda até que não havia caído tão mal conforme ele se aproximava, carregando uma sensualidade que me fazia bancar a boba.
– O que... – minha pergunta morreu assim que olhei para o meu namorado.
Eu não sei o que ele queria provar, mas quem era eu para impedi-lo de continuar com aquilo?
Parando na minha frente, ele segurou em meus dois braços com delicadeza, principalmente o com hematomas e começou um carinho que ia subindo até meus ombros.
– Qual você prefere? Chuveiro ou... A jacuzzi?
Olhando para ele pensei duas vezes antes de responder o que realmente me vinha à cabeça.
– Chuveiro... – sussurrei meio debilitada, mas com os pensamentos sóbrios. Por mais tentador que fosse a ideia de outro banho naquela coisa divina e acompanhada de Sasuke, nós dois sozinhos na mesma banheira não ia dar certo.
Levantando a sobrancelha, murmurou divertido:
– Hum, você que sabe...
Quando menos esperei, ambos já estávamos debaixo do grande chuveiro e uma corrente de água muito fria caia sem piedade sobre nossas cabeças.
Abri minha boca congelada com o que aconteceu. Nós dois, com nossas roupas ensopadas debaixo do chuveiro, ele com um sorrisinho e eu morta de frio.
– F-frio... – gaguejei segurando sua camisa encharcada que definia muito bem seu tronco.
Ele nada fez além de sorrir em puro divertimento.
– Sasuke! – reclamei tentando gritar. E ele só gargalhando a minha desgraça. – P-por favor...
Eu apenas queria que ele mudasse a temperatura da água, mas acho que Sasuke tinha outros planos muito mais interessantes, que exigiam até mesmo uma poderosa insinuação para mim da maneira correta que um homem deve tirar uma camisa para enlouquecer uma mulher. Óbvio que minha respiração havia sido seriamente alterada a partir daquele momento.
Os músculos definidos dos braços dele sendo postos em evidência e todo aquele abdômen trabalhado todo exposto para minha total apreciação. Mas onde eu realmente me perdi foi no bem formado V em seu quadril, que ficou mais visível quando a barra calça desceu um pouco. Cada gotinha escorrendo era meu coração enlouquecendo.
Tentei desviar o olhar daquela vista com todas minhas forças, mas não consegui, era muito mais forte que eu. Quando ele por fim retirou a camisa, e me lançou outra vez aquele sorriso com as mechas do cabelo caindo pelo rosto anguloso, um frio sem tamanho tomou de conta da minha barriga. Só que não por causa da água, era somente o efeito Sasuke.
Será que ele já havia ouvido aquela expressão 'sexy sem limites'?
– Melhorou? – quais as intenções dele com aquela voz rouca?
Tirei alguns fios do rosto e olhei direto em seus olhos. Então ele pensou que aquele corpão aplacaria o frio da corrente de água.
– Na verdade está mais frio. – respondi pondo uma mão em seu peitoral. – Só que... mais suportável... – resmunguei descendo meu olhar por seu tronco igual a uma tarada.
Ele gargalhou baixinho com o rosto em frente ao meu. Nossos olhos se encontraram e sofri um choque de realidade.
Aquilo estava muito perigoso. Engolindo em seco e ignorando meu gesso ensopado, falei com a voz meio fraca:
– Você disse que ia provar... – ofeguei passando a mão em seu pescoço, onde o colar de prata também jazia dando-o um aspecto ainda mais irresistível, e inquieta alcancei sua nuca o trazendo para mais perto de mim. – Que me ama.
Sasuke soltou uma respiração pesada na minha bochecha e me empurrou até eu ir de encontro à parede, e mesmo entorpecida com a água caindo, senti quando seus dois fortes braços se apoiaram na mesma parede, me encurralando de vez.
– Como você... – ele deu um rápido beijo em meu pescoço, subindo a boca até chegar a minha orelha. – Quer que eu prove?
Fechei os meus olhos, apreciando ao máximo aquele momento. Meu maior desejo era beijá-lo da maneira como ele merecia, mas meu gesso, agora danificado, atrapalhava bastante minhas fantasias.
Abri os olhos e olhei para seu rosto bem próximo do meu, Sasuke ainda esperava atenciosamente minha resposta. O que será que ele faria? Tirei alguns dos fios de cabelo que caíam em sua testa e toquei cada cantinho do rosto dele.
– Só você repetir já está bom.
O que era uma verdade absoluta. O que eu gostaria mais do que ouvir o homem que eu amava repetir que me ama com os olhos cheios do mesmo sentimento? Não poderia querer ou exigir algo maior dele, mas Sasuke não parecia pensar assim, pois franziu o cenho na mesma hora e endireitou-se.
– Acha que é o suficiente? – perguntou com um sorrisinho.
Concordei com a cabeça, mas com uma pontada de vontade dentro de mim para que ele fizesse algo imprevisível.
– Só por causa disso vai receber muito mais. – me garantiu e gritei por dentro.
Arregalei um pouco os olhos e iria de encontro ao chão se ele não tivesse segurado minha cintura com suas fortes mãos. E foi com as próprias que ele começou a erguer minha blusa, expondo todo meu abdômen, e quase o deixei continuar se não me lembrasse de um pequeno detalhe.
– Meu sutiã, err... – fiquei sem jeito para dizer que era um top feito de pano, que foi tudo que consegui por facilmente quando me vesti. E que tal top de pano dava uma visão privilegiada de tudo, principalmente agora molhado.
– O que foi? – eu não gostava de vê-lo com o cenho franzido.
Desviei o olhar, mas depois com meu rosto um pouco quente, respondi:
– Eu que pergunto: o que vai fazer?
Nervosa? Não, não era isso, eu não estava nervosa, era só o Sasuke tirando minha blusa e prestes a ver meus seios sob o fino tecido. Meus seios não eram tão grandes, eles eram normais eu acho, não fui muito abençoada com essa parte, mas eu nunca tive nada contra eles, até mesmo gostava do modo que eram: medianos, redondos e macios. Mas de repente tudo parecia uma bomba relógio.
Olhando nos meus olhos e retirando minha blusa mais ainda, Sasuke me respondeu:
– Vou cuidar de você.
Fechei meus olhos e ajudei-o da melhor maneira que pude a retirar minha blusa, o gesso atrapalhou um pouco as coisas, mas tudo foi bem, até eu perceber o olhar avaliativo de Sasuke sobre meu corpo. Minha face instantaneamente esquentou e foi como se algo muito grande tivesse se inquietado dentro de mim quando senti seu abdômen tocando parte do meu. Foi possível até mesmo que eu sentisse sua ereção.
– Você está animado. – soltei esse comentário em forma de brincadeira olhando para seu rosto, evitando com muita força de vontade desviar meu olhar para baixo e conferir se na verdade era tudo aquilo que eu sentia.
Ele fechou os olhos e sorriu curto e rouco me causando arrepios, depois circundou minha cintura com seus braços. Sasuke estava sendo tão perfeito; aquela nossa posição, o clima no ar, tudo. Ele era quente, e todo seu contato comigo me fez esquecer a água fria por um instante. Aquele havia sido um dos nossos momentos mais íntimos até agora, e eu não conseguia imaginar uma situação melhor.
– Adivinha de quem é culpa. – nós dois sorrimos e após uma longa encarada, paramos de enrolar.
Fiquei na ponta dos pés e abracei seu pescoço com meu único braço bom, beijando sua mandíbula, trilhando um curto caminho até a deliciosa boca que Sasuke tinha. Ele entreabriu os lábios molhados e apertou mais minha cintura enquanto nossas bocas brincavam devagar.
Com ele segurando meu lábio inferior com os dentes, abri meus olhos o suficiente para vê-lo me olhando como um predador. Aqueles ônix inundados de desejo.
– Você é tão... – me deu um intenso beijo e completou: — linda.
Fechei os olhos, inebriada. Ouvi-lo me falando coisas assim era tão incrível, meu único problema era não saber reagir diante disso.
– Perfeita, incrível, magnífica...
Minha respiração ficou presa depois disso tudo.
– E-eu... Não sei... – realmente tinha problemas para saber receber essas lindas declarações.
Rindo, Sasuke continuou:
– Mas quero que saiba... – com a boca por cima da minha. – Que eu te amo.
Mais uma vez uma explosão de euforia percorreu casa célula do meu corpo.
Aqueles olhos verdes que me tiravam de órbita me encaravam com tamanho carinho que mais parecia-me um tipo de ilusão.
Segundos depois de um longo e apaixonado beijo com direito até a mãozinhas bobas por ambos os corpos, ele estava com o sabonete em mãos e passando pela extensão da minha barriga, de vez em quando me beliscando.
– Isso faz cócegas... – reclamei em meio aos risos.
– Que bom. – de repente seu tom se tornou mais sério quando ele fitou minha clavícula. – Dói?
Sua mão ensaboada passou de leve por cima do hematoma arroxeado, estremeci quando ele tocou certo ponto.
– Desculpe.
– Tudo bem. – respondi pondo meu cabelo mais para o lado, deixando minha pele e consequentemente meus seios mais à mostra naquele top. – Não dói mais tanto quanto antes.
Eu percebi que ele ainda se incomodava com aquelas marcas em mim. Seu toque mais cauteloso em meu braço era uma prova disso, e sua mandíbula apertada também.
– Ei, amor... – chamei-o com delicadeza.
De imediato seus olhos encontraram os meus, e pareciam tão surpresos quanto alegres pela maneira que eu o chamei. Até mesmo eu estava surpresa, mas tentei sorrir e acariciei sua bochecha.
– Eu estou bem. Estou aqui com você, segura.
Como uma resposta automática, sua boca veio com força de encontro a minha, com uma vontade desesperada para provar a si mesmo que eu realmente estava ali.
– Eu sei... – me disse ainda sem parar com os beijos.
Esse momento iria ficar pra sempre marcado na minha vida. Mesmo que ela fosse ou não ao lado de Sasuke, mas de preferência a primeira opção. A cada segundo interminável que eu passava com ele, sentia a necessidade de mostra-lo o quando eu o amava e talvez por aquela sensação de perda que sempre me inquietava.
– Não quero te perder. – falei com a voz embargada.
Minha única vontade era amá-lo da melhor maneira que eu conseguisse, fosse com ou sem arrependimentos. O amanhã não nos pertencia e essa era uma coisa óbvia.
Ele levantou meu rosto e sorriu.
– Não vai.
– Como pode ter... Tanta certeza?
Minha pergunta com certeza o havia incentivado a ir até o final para conseguir provar, e eu dizia isso só por vê-lo.
– Não tenho.
Em sua expressão facial continha tranquilidade, o que não combinava com sua resposta.
– Mas farei com que isso não aconteça.
Sorri aliviada olhando com encantamento para seu lindo rosto.
– Bobo.
Após tudo isso suas mãos continuaram seu trabalho, ensaboando-me por completa, chegando até a encher todo meu rosto de sabão, o que me fez estapeá-lo e reclamar do sabão em minha boca e em meus olhos. Sasuke tinha certa diversão por me ver sofrer, pois ao mesmo tempo em que ria também ficava se desculpando.
Tudo estava ocorrendo tão bem, só que as coisas começaram a ficarem mais sérias a partir do momento em que retirei minha saia. Eu não queria provar nada fazendo aquilo, tinha sido apenas uma questão de necessidade. Acontece que Sasuke bem que não poderia ver por esse lado, qual é, não teria como ele ver isso com os melhores olhos; sua namorada só de calcinha e sutiã, incluindo um braço engessado em sua frente, debaixo do chuveiro não poderiam mesmo inverter bons pensamentos.
E um lado meu se sentia muito mal por deixa-lo naquele estado. Não era segredo para ninguém que ele tinha um grande autocontrole, e eu coloco grande nisso por todo o tratamento que Sasuke vinha me oferecendo até agora. Mesmo com o grande tesão que devia estar sentindo, uma prova disso sendo o bem visível volume em sua calça molhada, ele em nenhum momento deixou de demonstrar calma e gentileza em suas ações, e só Deus sabe o que ele devia estar passando naquele momento, reprimindo tantas coisas, coisas que eu o estava fazendo reprimir.
– Sasuke, eu... Desculpe. – comecei segurando um de seus braços e mordendo o lábio, eu não conseguia falar aquilo muito bem olhando em seus olhos. – Eu sei que você sendo um homem, um ser humano, tem suas necessidades, e eu estou cruelmente o reprimindo disso, quero dizer, eu sinto sabe? – sussurrei essa última parte, querendo fazê-lo entender sobre o seu volume roçando em minha barriga.
– Você... – ele começou.
Levantei uma sobrancelha.
Ele fechou os olhos, como quem para pra refletir. Por dentro temi que eu tivesse falado algo o desagradou fortemente, e só conseguia pensar nisso até quando enfim o vi abri-los, intimidadores, cheguei a sentir um frio pior que o da água correndo por minhas veias, tanto que meu corpo parecia feito de gelo.
– Eu...?
Antes de falar o observei morder os lábios.
– Você se importa de continuar este banho, sozinha?
Eu fiquei sem voz, então só abri a boca e franzi meu cenho. Mas ele nem sequer esperou minha resposta.
Sasuke afastou-se num rompante do meu lado e abriu a porta do box, apanhando com pressa sua camisa do chão, saiu com o corpo todo molhado, até que quando menos esperei ouvi a porta do banheiro bater mais forte que eu imaginava. A água agora, muito mais gelada de nada serviu para me desconcentrar. Retirei o resto de minhas roupas ainda sem conseguir pensar o que de fato aconteceu e terminei meu banho. O mais rápido que pude desliguei o chuveiro e fui cambaleante em direção às toalhas limpas.
Meu corpo todo agora tremia, eu estava em um estado lastimável de tanto frio que sentia. Como eu pude bancar a durona por tanto tempo sob aquela água congelante? Meu corpo agora pagava o papo por tal ousadia minha. Minhas mãos estavam enrugadas e meus pés também. Minha boca tremia tanto que me assustava.
Droga, eu estava quase nua e completamente vulnerável ali, sem alternativas tive que pegar mais uma toalha e enrolá-la em mim. Meu gesso estava um pouco danificado e a meia escuridão ali não parecia mais tão romântica quanto antes.
Tudo por causa da minha boca grande. Com meus dentes ainda batendo me levantei e cambaleei outra vez até o balcão, que dessa vez não continha nenhuma roupa para mim. Agora eu estava fadada a ficar enrolada em duas toalhas e presa naquele banheiro, uma sentença um tanto quando maldosa. E eu nem tinha planos de ir para o quarto de Sasuke e pegar algo para vestir, já que lá com certeza estaria fazendo um frio danado, como sempre.
Cai em cima de um pufe perto da pia com minha vista meio desfocada ainda. Aquela coisa monótona de não conseguir fazer muitas coisas por mim mesma estava me exaurindo. Encostei-me à parede e puxei do melhor modo que pude minhas pernas, abraçando-as com meu único braço livre.
Eu não sabia dizer o que aconteceu com Sasuke. Depois do meu comentário mais do desnecessário ele fugiu de mim com uma pressa desconcertante. Ousaria até dizer que fugiu por causa do próprio motivo de meu comentário, como por exemplo; o de não ter conseguido suportar seu tesão, que parecia eufórico quando em minha presença.
E não poderia culpa-lo por isso, quem era eu para falar-lhe aquelas coisas. Foi algo apenas repentino que tive que por para fora, mostrar-lhe o quando o desconforto dele desagradava a mim mesma. Disse-lhe com a melhor das intenções, e apesar do meu próprio corpo funcionar de maneira diferente, eu compreendia-o.
– Droga... – resmunguei quando sem querer deixei minha mão cair desajeitadamente sobre meu hematoma em minha clavícula.
Doeu mais do que eu queria, mas procurei evitar que meus olhos lacrimejassem e passei a mão em meus cabelos, esperando aquele incômodo que perturbava todo o me corpo passar.
– Senhora! – exclamou May, a empregada de ontem.
Ela estava com o rosto para dentro do banheiro e seu semblante demonstrava preocupação.
– Oi May. – falei sorrindo, quase não consegui pronunciar por causa da tremedeira de meus dentes, e a porta que ela deixou aberta consequentemente fazia o ar frio do quarto entrar no banheiro.
Abracei-me mais ainda, querendo esconder meus pés que já estavam congelados.
– Oh, me perdoe! – exclamou percebendo minha situação e entrando de uma vez no banheiro, fechando a porta.
Aproximando-se mais de mim, ela conseguiu ver meu estado deplorável.
– Está com muito frio?
Acenei com a cabeça. Logo ela mostrou toda sua eficiência.
– Espere-me um pouco, senhora, vou pegar um conjunto perfeito para que você possa usar. Um minutinho. – ela pediu apressada se virando para sair com uma rapidez invejável.
Eu me sentia ridícula por ficar parada.
Em menos de cinco minutos ela já estava de volta, minha tremedeira quase não havia diminuído, mas ainda assim consegui me desenrolar da toalha e vestir o conjuntinho íntimo que May também me ajudou a colocar.
Depois também me ajudou a por uma calça longa e de algodão, que coube sobre medida em mim. Quando estava a me ajudar a por o blusão de mangas longas ficou olhando para meu braço engessado.
– Senhora, o que fará com seu gesso assim?
– Você acha que pode secar ou algo do tipo? – nós rimos. Respondi por fim. – Não sei, May.
– Aqui... – indicou a outra manga, pondo-a em mim com cuidado para não tocar meus hematomas. Foi impossível para eu não sorrir com a amabilidade dela, que parecia mais uma mãezona com seus gestos e feições. – Está confortável, senhora?
Antes de respondê-la, dei-lhe um abraço meio desajeitado que a pegou de surpresa. Mas foi tão bom, porque depois de tanto frio o corpo dela era quentinho e muito confortável.
– Sim, obrigada, May, por tudo.
– Não precisa me agradecer, senhora. Foi um prazer.
Tinha como não amá-la?
– Pare de me chamar de senhora, por favor. – pedi rindo e segurando um de seus ombros.
– Desculpe, mas, as situações exigem isso.
– Que situações? Eu ser a parceira de Sasuke?
– Sim. – ela anuiu com a cabeça.
– Pra você só Sakura.
Ela pensou por um cinco segundos antes de responder:
– Tudo bem, Srta. Sakura.
Bufei abaixando a cabeça ouvindo-a rir baixinho.
Olhei para o meu cabelo escuro e molhado pelo espelho e pedi baixinho para May que o penteasse, ela confirmou de bom grado e me guiou para sentar em um dos pufes. As suas mãos movendo-se pra lá e pra cá eram como mágica, tinham aquele toque fraternal que dava vontade de fechar os olhos e ir para o mundo dos sonhos.
Era como quando minha mãe cuidava de mim sempre que eu pegava um resfriado ou adoecia.
O mesmo tipo de toque.
– May... – chamei-a cabisbaixa demais.
– Senhora? – ela perguntou preocupada abaixando-se ao meu lado e segurando meu braço. – O que aconteceu, senhora?
Um grande dor tomava de conta do meu coração.
– Você sente saudade dos seus pais? – perguntei-a levantando o rosto para olhá-la.
Pega de surpresa pela pergunta, eu pude perceber quando seus olhos vacilaram de encontro a mim, e com uma voz calma me respondeu:
– Eles ainda são vivos, se é isso que a senhora quis dizer.
Levantei minhas sobrancelhas, muito surpresa com a sua resposta.
– Ainda são vivos? – exclamei. – Quer dizer, isso é ótimo, heh, e... Nossa!
– Sim, bom, eles são bem velhinhos. A senhora deve estranhar por causa da idade que minha aparência revela, mas eu só tenho 56 anos, e eles me tiveram um pouco cedo demais, mas ainda tem uma saúde mental muito boa.
– Quem diria. Bom... Eu fico muito feliz por você, May. – lhe dei um grande sorriso.
– Obrigada, senhora.
– Senhorita. – corrigi-a.
– Isso, senhorita. – ela repetiu.
Quando o seu trabalho em meu cabelo estava acabado, perguntei-a:
– Sasuke que mandou você?
Ela com calma guardou o pente sobre a bancada e sorriu para mim, um pouco constrangida de repente.
– Sim, er... Em condições bem inusitadas, para ser sincera.
Não consegui conter a gargalhada gostosa que soltei.
– Só de calção?
– Sim. – ela confirmou. – Desculpe a intromissão, senhorita. Sei que não é da minha conta, mas aconteceu algo entre vocês dois? Quando o vi estava com pressa e quase não consegui entender o que ele me disse, e seu semblante estava meio... Obscuro.
Meu sorriso morreu conforme ela falava. Abaixei meu olhar, mais preocupada ainda. Como tudo foi acontecer? Num momento eram apenas declarações e no outro...
– Perdoe-me, senhorita. Eu apenas fiquei preocupada.
– Tudo bem. – Acalmei-a. – Não se preocupe. Nem eu mesma sei dizer por que ele ficou assim.
May foi até onde nossas roupas estavam jogadas e recolheu-as vindo em minha direção.
– A senhorita vai sair agora?
Sorri, fiz um pouco de esforço e me mantive de pé, sentindo apenas meus pés congelarem na água fria do piso.
– Aqui. – May me entregou um par de pantufas que havia trazido consigo.
– Obrigada.
– Quer ajuda? – ofereceu o braço.
Eu percebi que ela já estava ocupada com as roupas molhadas e nãos quis lhe dar mais trabalho.
– Não precisa, May, eu consigo ir sozinha, mas obrigada.
– Qualquer coisa.
Assenti. Ela foi bem paciente quanto a minha lerdeza, e não fraquejou em momento algum reclamando de demora. Nós saímos do banheiro e fomos até o quarto vazio, em relação à presença de Sasuke.
Não comentei nada com ela e juntas, saímos para o corredor, mesmo sob a insistência dela de que eu deveria descansar coisa que recusei com veemência e por causa disso demoramos muito mais do que o planejado para chegarmos até o local de destino dela, a lavanderia.
– Essa casa é tão grande. – falei olhando ao redor. – E tudo só para uma pessoa.
May abriu uma porta e quando entrei junto a ela me vi rodeada de um completo conjunto de lavanderia.
– Cada um tem seus gostos. – ela respondeu-me oferendo um banquinho de lá, no qual sentei de bom grado. – O que a senhorita faria se possuísse uma riqueza que beira aos trilhões?
Fiquei com meus olhos vidrados em sua silhueta que se movia com destreza pelo recinto e pensei em uma boa resposta.
– Não sei. – apertei minhas coxas. – Mas, é que, bom, você sabe, todos os milionários compram milhares de propriedades por aí, alguns só para se esbanjarem e às vezes não precisam nem de um terço daquilo.
Ela riu com vontade pondo as roupas molhadas na máquina.
– Isso é verdade.
– Eu sempre fico pensando nas pessoas que não têm essa oportunidade e jamais terão.
– Você diz os necessitados?
– Também. – pus uma mão no queixo. — Olhe, nunca tive muito na vida, mas nunca reclamei. E quando imagino aquelas pessoas que precisam mais que do qualquer um, sempre fico com uma enorme vontade de ajuda-los, mesmo sem ter nenhuma condição para isso. É sempre meu lado humanitário falando mais alto que minha realidade.
– A senhorita tem um coração de ouro.
Eu ri um pouquinho.
– Obrigada, May. Mas não sou tão digna assim.
– Claro que é. – ela se virou para mim. – Se o Sr. Uchiha não tivesse me contratado eu nem mesmo sei onde eu poderia estar agora, no mínimo em uma clínica para idosos. Sou muito grata ao Sr. Uchiha, ele é outra pessoa com um grande coração, e não digo isso só pelo o que fez a mim.
Sorri pensando em Sasuke.
– Eu sou uma pessoa suspeita para falar isso, mas a senhorita mais do que qualquer outra seria perfeita para guia-lo pelo tempo que lhes resta daqui pra frente.
Senti meu rosto quente com suas palavras.
– V-você acha? Quer dizer, você não é suspeita coisa nenhuma para isso... – nós duas gargalhamos com vontade.
Sorri mais para mim mesma e abaixei o rosto, aproveitando o conjunto de roupa confortável que May me trouxera para relaxar.
– Mas gostaria muito que você estivesse certa.
Ela parou de se mover para fitar-me, com um sorriso calmante.
– A senhorita verá que sim.
Ela voltou ao seu trabalho me deixando vagar em minhas fantasias particulares. Levantei minha mão esquerda, lançando meu olhar direto para o dedo anelar, imaginando uma simples, mas especial aliança dada por Sasuke ocupando aquele espaço vazio.
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