Meu noivo perfeito
24 Sasuke
Notas iniciais
Sasuke
Minha mão percorria com lentidão a área exposta do braço de Sakura. Eu podia sentir a suavidade de sua pele, tão macia e vulnerável sob minha palma. O tipo de contato que eu não me importaria de ter sempre ao meu alcance.
Mas isso valia apenas se fosse com Sakura. Porque acordar ao lado dela era algo que não podia ser comparado, não seria igual ao de qualquer outra. Sakura possuía seu jeito de mulher e aquele toque de menina inocente em seu sorriso, ambos com um poder absurdo de me desestabilizar. Conseguindo me cativar sem esforços desnecessários.
Olhando para seus cachos soltos pelo travesseiro lembrei-me de quando a fui conhecendo com o decorrer do tempo. Fiquei particularmente surpreso e admirado por sua integridade, sua dedicação e perfeita eficiência na vida íntima e profissional.
Mas sua feminilidade inocente, que a meu ver superava muitos encantos, era incrível.
Aproximei-me de seu rosto adormecido e com clara devoção apreciei seu perfume natural.
Aquele cheiro era perverso de tão viciado que havia me deixado.
Sem contar que admirar Sakura já podia ser considerada minha nova rotina, além de que zelar por sua proteção agora para mim havia se tornado mais que uma necessidade. Teimosa do jeito que era, eu tinha certeza que alguém devia cuidar para que nada de ruim a abalasse, caso contrário mais encrencas estariam por vir, como essa infeliz abordagem que ela sofreu.
Passei meu braço ao seu redor, sabendo que a única coisa que me acalmava quando eu lembrava do estado em que a encontrei no Hospital era saber do seu bem-estar e senti-la comigo. Segura. Meu corpo exigia mais dela de uma maneira que ia além das necessidades carnais, ou quaisquer outros extintos masculinos.
Em muito tempo eu nunca havia experimentado sensação semelhante ou melhor que aquela paz de estar ali, sentindo cada curva de seu corpo e sua pele quente sob o tecido ridiculamente escorregadio daquele baby doll. Uma maldita peça de roupa que quase me fez ir à loucura momentos antes.
Esta era a primeira vez que eu deixava uma mulher dormir junto a mim, principalmente em minha cama. E justo quando isso acontecia eu tinha de passar por tais coisas, como uma ereção não muito bem-vinda a cada vez que eu pensava no corpo de Sakura.
Ouvi um suspiro vindo dela, meus olhos logo percorreram suas expressões faciais, e suas sobrancelhas franzidas não me passaram despercebido. Algo a incomodava, seu corpo se remexia um pouco, dando a entender também que ela era bem do tipo inquieta na cama, uma graça à parte, mas todo o encanto de seu pequeno corpo se mexendo ao meu lado sumiu, quando após uma virada brusca sua, senti o pequeno joelho acertar em minhas partes baixas.
Puta que o pariu! De imediato levei minha mão a sua coxa e a movi para baixo com a maior delicadeza que meu momento letárgico me permitia. Como ela conseguiu essa proeza? Era tudo o que eu me perguntava enquanto esperava aquela tortura passar com meus olhos fechados.
Aos poucos, eu só conseguia tentar não rir do ocorrido após um resmungo charmoso escapar de seus lábios maravilhosos.
Sakura sempre me surpreendendo aos poucos, o que mais eu deveria esperar se tratando dela? E olha que só estávamos dormindo. Eu precisaria de um maior cuidado na próxima.
Infelizmente eu não poderia ficar ali apenas a observando dormir tranquilamente, como se o amanhã estivesse garantido para seu sucesso. Poder eu até que poderia, mas não, apenas não me arriscaria a levar outra investida como a recente, que já seria um desastre horrível para meu amigo que há um bom tempo está clamando para conhecer mais profundamente a mulher ao meu lado, mas eu precisava resolver coisas rápidas com ele, isso se eu quisesse ousar voltar para o aconchego do corpo de Sakura.
Enquanto isso eu a deixaria descansar mais um pouco, aquela cama poderia fazer milagres em qualquer um e eu tinha plena noção que Sakura merecia desfrutá-la mais que eu. Escorreguei para fora e assim que me firmei sobre o piso gelado, e não pude evitar fazer outra coisa a não ser admirar a deusa que eu tinha enrolada em minhas cobertas.
Aquele comichão no estômago estava lá de novo, me inquietando e fazendo com meus dedos coçassem com vontade de percorrer todo aquele corpo. Apertei os punhos e observei o modo como ela havia ficado deitada por cima de seu braço engessado, com certeza ela amanheceria dolorida, mas eu não faria nada melhor se fosse lá agora. Com uma súbita coragem dei as costas à cama e fitei o horizonte e os hectares de terra sob meu domínio.
Eu não havia escolhido aquela vida isolada em vão, e seria um idiota se não tivesse feito esse grande pedestal, por assim dizer, para apreciar a vista. Minha paixão pela natureza vinha de anos, e nunca houve uma sequer vez que me levantei e deixei de olhar para o Sol que amanhecia junto a mim. E pensar que todo dia eu olhava aquele amanhecer e me perguntava se poderia existir algo mais ou tão magnífico quanto aquilo, a resposta estava às minhas costas, aconchegada em meus lençóis e me tentando a cada segundo.
Sorri e fui em direção ao banheiro fazendo as cortinas baixarem lentamente. Antes de ir direto para o box e relaxar meus músculos tensos, fitei-me no espelho e vi um brilho em meus olhos, tinha alguma coisa ali, fechei-os e balancei a cabeça com um pequeno sorriso, andando na direção do box.
Não havia nada melhor que um bom banho de água gelada no início da manhã e depois de um tesão tortuoso que vim sofrendo nas últimas horas.
Perdi um bom tempo debaixo do chuveiro e quando saí foi como se uma avalanche de renovação me atingisse, grande parte por saber que alguém me esperava há poucos metros, e esse alguém era tão incrível que me parecia mais uma ilusão. Escovei os dentes, fiz a barba e parei com a mão na maçaneta ao escutar uma gargalhada sufocada.
Franzi o cenho e abri a porta aos poucos, Sakura estava acordada e fitava o teto com uma expressão de sonhadora e abraçava com força o edredom. Fiquei apenas lá, maravilhado com aquela criatura, vendo-a virar-se absorta em pensamentos e afundar o rosto em meu travesseiro. Droga, ela não sabia de seu pequeno público, por isso aquela maldição de vestido levantado até a curva sinuosa de seu bumbum não fez nenhuma diferença para ela.
No entanto fez toda a diferença para mim.
Travei a mandíbula na hora e sem me conter imaginei mil e uma coisas que adoraria fazer.
Eu tinha duas opções: ou voltava de onde tinha acabado de sair ou ia até aquela criaturinha que tanto me enlouquecia e resolvia logo isso.
Com passos silenciosos atravessei o quarto e cheguei de supetão por detrás de Sakura, não pude resistir, toquei a extensão mais abaixo de sua coxa exposta, apreciando e me perdendo na textura maravilhosa de sua pele. Meu contato nem tão inocente me fez perceber o exato momento em que ela ficou tensa com minha repentina presença.
– Bom dia. — minha voz matinal repercutiu um grande efeito nela. Senti na palma da minha mão seus cabelinhos arrepiados.
Virou seu tronco para me encarar e dentro daqueles olhos brilhantes vi muito mais do que sua alma apaixonada, vi todo um desejo reprimido aceso como uma lareira.
– Bom dia... — ela sorriu, sexy e bagunçada, respondendo com uma voz capaz de atiçar algo dentro de mim. A representação perfeita da tentação.
Minha maior vontade era de beijá-la até perder o maldito fôlego.
– Acordei? — eu precisava observá-la e estudar mais as reações que eu poderia causar em seu corpo.
Sakura negou de um jeito que apenas ela sabia, um jeitinho meigo que me deixava hipnotizado, os olhos lânguidos e inocentes ao mesmo tempo. Após isso ainda sentia uma chama ardente no local onde toquei sua coxa. Acontece que, nem mesmo se eu não quisesse eu deixaria de apreciar sua silhueta, e era com muito bom grado que meus olhos varreram rapidamente suas pernas esbeltas, e pararam por um instante na barra de seu vestido antes de voltar a encará-la.
Era perceptível o modo como suas pernas estavam um pouco tensas, tentando ajudar puxei a barra do vestido mais para baixo, aquele era um ato necessário se ela quisesse que eu cuidasse dela do melhor modo.
– Não que eu esteja reclamando... Mas você quem sabe. — completei deixando a proposta no ar e esperando divertidamente sua resposta.
Seus olhos se arregalaram e não consegui não sorrir, admirado com seu jeito expressivo.
Sua resposta demorou, mas quando veio estava incrivelmente afetada.
– Assim tá bom.
– Também acho.
Comecei a subir minha mão pelo seu braço bom, a pele clara sem nenhuma escoriação que me fez lembrar de sua clavícula machucada, para a qual olhei no mesmo instante.
– Sente alguma dor?
Mais uma negação. O que eu sabia que não era de todo verdade, aquilo provavelmente devia doer como o inferno se cutucado.
Deitei-me ao seu lado e a puxei com cuidado para meu peito, fazendo-a sentir cada um de meus batimentos cardíacos. Não demorou muito para que eu ouvisse um leve gemido saindo daquela boquinha maravilhosa, desestabilizando meu autocontrole.
Eu amava a fragrância de Sakura, descobri que inalar o máximo de seu aroma era uma das coisas que mais me dava prazer, além de sentir a maciez de sua pele e o calor transmitido por ela. Tudo aquilo me fazia incrivelmente bem, Sakura por inteira era meu porto seguro.
Ainda mais com ela aqui, em meus braços, na minha cama, protegida. Fazia tudo mais real e ao mesmo tempo não, porque Sakura era uma mulher tão incrível e eu duvidava se algum dia me cansaria de pensar assim.
– Tudo bem mesmo?
Por um momento ela ficou em silêncio, apenas me fitando de forma intensa. Pensei ter ouvido outro resmungo, daquele jeito manhoso e charmoso, coisa que me divertia muito. Ao invés de uma resposta recebo outra pergunta:
– Sempre acorda tão cedo assim?
Sim, eu sempre acordava cedo, mas ela não precisava de uma resposta tão clara e seca como essa quando foi seu ato inédito que me fez acordar. Aquele momento marcante me fez querer gargalhar bastante pensando em qual seria sua reação, mas me controlei e o máximo que saiu foi uma risada.
– Não, hoje eu tive um motivo. — usei um tom insinuante de propósito, ela franziu a testa e não consegui me controlar e gargalhei.
– O que foi? — ela perguntou esgueirando-se de mim e deitando na cama, com certa cautela.
Desgostoso com a ideia de tê-la longe, não me contive e aproximei-a de novo. Encostei minha boca em sua bochecha e falei:
– Quase fui chutado para fora da cama.
As palavras mal tinham sido ditas quando seu corpo logo ficou tenso. Procurei o rosto dela achando graça de suas reações, mas logo ela se vira em uma tentativa falha de se esconder do meu olhar analítico, e meio que resmungando.
– Ah! Mentira!
Não pude me conter e gargalhei de novo. Vê-la desestabilizada por algo tão simples me inspirou a querer beijá-la loucamente. Então, com um sorriso maravilhado na minha cara, resolvi mexer mais com Sakura, brincar com a vergonha que ela tinha.
– Mas quer ouvir algo legal? — Sakura me olhou séria. — Foi um chute bem sedutor na realidade, tive que me conter...
De um jeito que não pensei ser possível, seu rosto ficou em um tom avermelhado bastante intenso.
Aquela timidez me deixava louco, como eu não poderia amar aquilo?
– NÃO! — ela vira para se esconder embaixo do cobertor embaraçada.
Ela era tão divertida, com essas reações meio dramáticas, a facilidade com que levava a vida, parecia não ter problemas. Apesar dessa não ser sua realidade.
– Calma. — pedi ainda rindo.
– Que malvado... — outro resmungo.
Meu riso foi morrendo aos poucos, relembrando o que eu tive que passar.
Como assim eu era o malvado agora?! Não era eu que estava seduzindo pobres corpos necessitados e completamente desestabilizados com curvas deliciosas, uma personalidade cativante, a sensualidade enlouquecedora e aquela boquinha inteligente. Essa boca que implorava por beijos, sem contar os cabelos que ficavam bem melhor entre os meus dedos, ou espalhados na minha cama... Jesus!
Eu não poderia ter pedido presente melhor para esse aniversário.
Não pensei muito, coisa que vim fazendo cada vez mais desde que a conheci. Puxei-a para debaixo de mim com cuidado e percorri com pura apreciação a mão em sua coxa até a barra da camisola. Procurei seus expressivos olhos e encontrei ali a mesma intensidade de desejo que me possuía, no entanto, havia algo mais, o costumeiro receio que aprendi a não ignorar. Aquela controvérsia toda que a cada momento aprisionava mais o meu coração, de uma forma tão sorrateira e até impossível de se notar.
Afundei-me em sua maciez, apoiando pouca parte de meu corpo no seu, coisa que eu precisava fazer a um bom tempo, mostrá-la o efeito que conseguia me causar. Continuei mantendo a farsa de sério e zangado.
– Eu vou falar o que foi malvado. — sussurrei com calma. — Senti-la quente e completamente confortável dentro desse vestidinho durante uma noite inteira e depois de sair para tentar dar uma respirada, mínima que fosse; encontra-la chamando-me em volta dos meus lençóis... — pensei em uma comparação mais ridícula e soltei com deboche para amenizar. — Como uma sereia que hipnotiza o pescador até capturá-lo sem piedade.
Ela arregala levemente os olhos.
– Você sabe ser bem maléfica quando menos precisa, querida Sakura. — sorri aproximando minha boca da dela... Só mais um pouco. — Tenho que tomar algumas providências quanto a isso...
Mas ela me surpreendeu ainda mais ao passar o braço bom pela minha nuca e me puxar para um beijo apaixonado. Sua boca macia ficou a disposição da minha, e fiz o máximo para aproveitar, provei-a com gosto, acariciei e apreciei o seu sabor. Sakura tomou a iniciativa, porém fui eu que tomei o controle da situação.
Apoiei-me em minhas pernas e sem precisar colocar muita força puxei-a para os meus braços, encaixando em meu colo, seu gesso atrapalhava um pouco, mas ela nem parecia se importar com isso, tanto que com muita facilidade envolveu-me com suas pernas tentadoras, deixando a proximidade de nossos corpos bem grande, principalmente seu centro em mim, causando uma grande onda de calor no meu interior.
O bom era que eu sabia que ela estava tão abalada quanto eu. Eu enlouqueceria se continuasse naquele ritmo.
Dei leves mordidas em seus lábios e só parei por um momento para sorrir, e olhá-la com um desejo sufocante, que não fiz questão de esconder. Ela retribuiu o olhar com ainda mais intensidade a partir do momento que subi com as mãos em suas coxas firmes. Não pude deixa-la continuar apenas me olhando com os olhos nublados de desejo e tomei sua boca mais uma vez.
Continuei arrastando minhas mãos preguiçosamente por seu corpo, com uma longa e deliciosa parada em sua cintura esguia, começando a sentir a pulsação de meu membro quando minhas mãos desceram e brincaram com o cós de sua calcinha.
Que vontade infinitamente fodida de atravessar a linha que ela impôs e realizar todos os pensamentos que já tive.
Sakura mordeu meu lábio inferior e colocou a mão por baixo da minha camisa, acariciando e inconscientemente me puxando para mais perto dela. Sem dúvida era muito lindo vê-la se transformar nessa mulher sensual e gulosa. Que exige mais; mais beijos, mais carícias.
Logo que o beijo termina um sussurro entrecortado escapa de seus lábios inchados:
– Tão meu...- aquela afirmação me deixou louco.
Daria de tudo para ver esse lado possessivo de Sakura mais vezes.
Ela com certeza não tinha noção de como conseguia transmitir tanta luxúria ao ponto de me deixar duro.
Eu a faria despertar esse lado mais ousado, já estava na sua alma a dominação, ela emanava possessividade. Me beijou na bochecha, na boca, no maxilar e aproveitei para acariciar mais suas coxas.
Puxei-a para mais perto, o que sem dúvidas me fez ficar muito mais animado, eu já estava em meu limite.
– Tá frio, né? — ela falou constrangida.
Me imaginei fazendo um milhão de coisas que fariam o corpo dela pegar fogo.
Acontece que eu seria um canalha se a assustasse nessas condições, e só me controlei por causa daquela manha toda. Não resisti, eu precisava mimá-la depois daquela, por mais que não fosse a melhor ideia para meu estado. A pior ideia na verdade.
Mas ignorei meu sofrimento, estiquei o braço e segurando firme o cobertor enrolei-o sobre seus ombros com cuidado.
– Ainda está? — perguntei sorrindo.
– Não, não está. — ela falou suspirando.
Deitamos e sem esperar a puxei para os meus braços. Seria uma tortura sem piedade fazer aquilo, mas que outra opção eu tinha além de dormir ali mais uma vez? Sorri com o pensamento. Caralho! Ela com certeza não poderia ter escolhido lugar pior para por aquele joelho.
– Vem, volte a dormir. — falei tentando manter a voz estável.
Aquele olhar brincalhão estava lá de novo.
– Bons sonhos, e desculpa pelo vestido.
A provocadora!
– Você ficou ótima nele. — Nem fiz questão de esconder o tesão que eu sentia naquele momento.
Beijei sua testa e passei o resto de tempo que pude a observando tentar dormir, completamente fascinado.
Enquanto isso eu só precisaria ficar atento ao mínimo movimento de sua perna.
Não consegui dormir muito como já era de se esperar, e nem ficaria ali por mais tempo para descobrir o que eu seria capaz de fazer.
Saí do quarto decidido que ficaria em casa hoje, fui para o escritório olhar meus e-mails, nada muito importante; uns documentos que eu tinha que revisar, uns projetos para validar, um deles era o de Sakura, simplista, com baixo custo, qualidade superior, bem estruturado e com 70% de chance de estourar como novidade e revolucionar o mercado informacional. Ela com certeza sabia como se destacar com tão pouco tempo em uma empresa.
Havia sido uma decisão mais que sábia promovê-la ao cargo de diretora. Ela ia conseguir fazer com que o setor se destacasse depois de tanto tempo parado nas mãos da antiga diretora, essa era uma coisa que eu não tinha dúvida, seria complicado no início, mas eu estaria lá para ajudá-la no que precisasse.
A única coisa era que no momento eu não iria preocupar Sakura com assuntos do trabalho agora, o que incluía a viagem que devíamos ter feito. As coisas tiveram uma grande reviravolta. Grande parte dos meus planos tiveram de ser modificados, o que foi horrível, mas isso não importava no momento, apenas a recuperação de Sakura.
Alguns minutos depois fui até meu quarto, não sem antes passar na garagem e pegar a bengala que havia deixado ontem lá. Entrei de supetão no quarto só para me deparar com uma cama completamente bagunçada e belas pernas enroladas em meus lençóis.
Pus a bengala ali próxima à cama e não me contive, precisei parar para admirá-la mais um pouco.
Uma grande cortina de cabelos rosados e brilhosos desalinhados soltos pelo travesseiro. O gesso a impossibilitava de ficar em uma posição mais agradável. Incapacitado de acordá-la, saí dali sem fazer muito barulho. No corredor encontrei uma das poucas empregadas.
– Bom dia, Layce. Sakura ainda está dormindo, quando acordar leve-a para servirem o seu desjejum e me chame, estarei no escritório.
– Sim, Sr. Uchiha. — ela diz prontamente.
– E tem uma muda de roupa na lavanderia para que ela possa usar, e sandálias também. Hinata trouxe-os ontem. Entregue a ela, por favor.
– Sim, senhor, tenha um bom dia. Com licença. — Layce saiu com seu andar peculiar.
Retornei ao escritório, recebi alguns relatórios financeiros e propensões para o próximo bimestre de crescimento. Ter uma empresa daquela estirpe para controlar era muito complicado. Precisava o quanto antes manter contato com os organizadores do projeto das filiais.
Fiz uma chamada para minha secretária.
– Temari, entre em contato com os principais organizadores do Projeto e remarque tudo o mais rápido possível para daqui duas semanas. — eu havia pensado um pouco no assunto e decidi que dentro deste prazo seria uma ótima oportunidade para Sakura se recuperar o suficiente e quem sabe visitar minha família no dia do meu aniversário.
– Providenciarei imediatamente, Sr. Uchiha. — com a agilidade e competência que Temari tinha eu poderia apostar que em menos de meia hora já teria todas as informações que precisava. — Senhor, se me permite perguntar, como a Srta. Sakura está?
Aquilo foi curioso, mas resolvi responder.
– Ela está se recuperando bem, Temari. Mais alguns dias e poderá voltar à empresa.
– Que bom que ela já está melhor. Obrigada. — Eu sabia que ela não era a pessoa mais sociável com as outras, mas uma coisa eu tinha plena certeza, Temari não era falsa.
– Não há de quê.
– Era apenas isso, Sr. Uchiha?
– Sim. Estou aguardando.
Encerrei a chamada e continuei lendo outros milhares de relatórios até que Layce falou no interfone.
– Sr. Uchiha, a srta. Sakura despertou, irá juntar-se a ela no café?
– Sim, irei.
Deixei meu escritório com um suspiro cansado, já fazia um bom tempo desde que eu trocara um dia de trabalho na empresa pelo conforto do lar. No caminho para a sala de jantar encontrei Sakura parada, parecia hipnotizada com a paisagem. Usava uma blusa confortável e uma saia florida, descalça, como quem se encaixava sem problemas a esse lugar. E, porra, ela ficava tão irresistível daquele jeito.
As únicas coisas que não combinavam ali eram seu gesso e a bengala.
Ela nem havia percebido minha presença.
– Apreciando a vista?
Seu corpo se vira para mim rápido e sem nem hesitar seu rosto inteiro se ilumina. Sou agraciado com um dos sorrisos mais incríveis que existem e o único que conseguia me deixar com o estômago bagunçado.
– Sasuke! — o que eu não daria para tê-la ali sempre me recepcionando com aqueles olhos brilhantes.
E inferno! Só ela pra me fazer sorrir por tão pouco.
– Bom dia. — aproximei-me impaciente para senti-la logo entre meus braços.
– Bom dia, pensei que você tivesse ido pra empresa. — sua voz mostrava o quão contente ela estava simplesmente com minha presença.
Ela era bem baixinha ao meu lado, e isso me fazia querer sumi-la sob meu abraço e impedir que qualquer outra coisa ousasse machucá-la. Sakura sempre precisava ficar na ponta dos pés para me abraçar, e dessa vez não foi diferente.
– Que desculpa melhor que cuidar da namorada? — brinquei perdido no cheiro de seus cabelos.
Ela exigiu meu olhar, e assim que o conseguiu sem hesitação me beijou, como quem almejava fazer isso desde o início.
Só Deus sabe o quanto eu queria mais que beijá-la, mas por hora aquilo já era o suficiente.
– Se sente melhor?
– Sim e... Obrigada por tudo.
A tamanha gratidão refletida naqueles olhos me comoveu.
– Não precisa agradecer, sabe que eu faria isso é muito mais se precisasse. — Acariciei-a tentando passá-la um pouco de confiança em minha palavras.
Ao invés de olhar com dúvida, responder com sarcasmo ou tentar fazer graça, Sakura apenas sorriu e me respondeu num olhar que transparecia todo o seu amor, ternura e um pouco de desejo, que caralho, me deixava com um puto tesão.
Sakura significava muito pra mim, mas o quanto? Eu gostava dela, muito, só que era mais que isso, bem mais.
– Você gosta de planejar as coisas, não é? — me perguntou.
– Desde que te encontrei. — na verdade acontecia ao contrário, pois somente ela me fazia perder a linha de raciocínio e do equilíbrio da sanidade.
E mais uma vez as mágicas palavrinhas que faziam meu cérebro pifar:
– Eu amo você.
Por mim eu repetiria aquelas palavras milhares de vezes para ela como resposta. Mas eu não ousaria me precipitar. Era um passo muito grande, e eu só estava precisando do impulso necessário, que ainda não havia chegado.
O que me deixava aliviado era que Sakura não exigia que eu respondesse o que todas gostariam de ouvir, e ela só me falava sobre isso porque era mais forte que ela, como uma necessidade. Havia muito mais que ela sabia sobre mim mesmo que eu poderia imaginar.
– Você não tem ideia do quanto é bom acordar ao seu lado em minha cama e no mesmo dia ouvir você me dizer isso.
Meu psicológico estava em jogo desde o momento em que a trouxe pra cá. Era um jogo árduo, difícil, e uma mulher daquela estava me fazendo ficar sob ataque, tudo indicava que eu iria perder mais cedo ou mais tarde. Caso fosse preciso, eu poderia me render até mesmo antes disso.
– Precisará de uma aliança se quiser continuar falando isso.
Ela estava brincando, óbvio, mas não era exatamente isso que o seu olhar refletia. Eu tinha certeza que sua alma resplandecia só com a possibilidade.
Minha Sakura era uma mulher ímpar e a cada gesto ou palavra sua só mostrava ainda mais o quanto merecia ser respeitada e cortejada como mandava o figurino.
Pro caralho o que os outros pensariam, se ela queria um cara que a devotasse acima do resto e abaixo de Deus, eu iria ser ele.
– Você tem razão, eu vou.
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