Meu noivo perfeito
17 Eu olho para você.
Notas iniciais
Da empresa, viemos parar na casa da Hinata, tia Tsunade quase teve um troço quando viu aquela magnifica mansão com muros de vidro e hectares de gramado. Ficou besta, e tive que cutucá-la para fechar a boca. Depois de um maravilhoso jantar Hinata nos arrastou para seu closet, que mais parecia uma loja de departamentos, dessas bem chiques.
– Hinata, você vai me ajudar?
– Mas é claro, Saky. Olhe não se preocupe com roupas e acessórios, eu já sei quais os que você vai TER que usar.
Sorri nervosa com a simplória ameaça de Hinata. Ela decidiu se transformar em uma pilha energética depois que contei sobre meu encontro com Sasuke, logo após o jantar arrastou-nos para fora do restaurante. Aquele cômodo de pequeno não tinha nada. Era tão a cara dela que nem fiquei surpresa.
– Eu posso cuidar da maquiagem. — tia Tsunade se ofereceu examinando os estojos de maquiagem de Hinata.
– Ah! Ótimo! — Hinata comemorou.
Minha situação naquele momento era de muita expectativa. Ainda faltava um dia para meu encontro com Sasuke e aquelas duas já estavam com os nervos à flor da pele também. O pior é que o nervosismo delas me deixava nervosa também. A maneira como elas simplesmente decidiam as coisas e colocavam tanta grandiosidade nelas fazia parecer que eu ia a um restaurante luxuoso da cidade. Bom, se tratando de Sasuke em questão podia ser verdade, mas...
– Hinata, onde você acha que ele vai me levar? — perguntei-a. Ela soltou um salto meia pata de cor nude de dezesseis centímetros e se virou para mim. Eu jurava que se ela me fizesse usar algo daquele tipo eu iria de sapatilha e nada mais nos pés.
– Que pergunta difícil, Saky.
– Nenhuma sugestão? — tia Tsunade perguntou se aproximando de nós.
– Bom, considerando a ocasião, acredite que será algo bem marcante. Olha, algo de Sasuke é que ele é imprevisível. — ela riu passando a mão pelos cabelos. — Então, você só deve estar preparada para qualquer coisa.
Cobri meu rosto com as mãos e passei a bater desesperadamente o pé no chão.
– Isso é pior ainda.
– Ei, que nada! — tia Tsunade se manifestou, no seu rosto havia uma expressão distante, como se ela estivesse sonhando. — Mais otimismo, Sakura! Ele poderia leva-la para jantarem ao auto mar, como uma coisa mais íntima, é melhor do que ficar sabendo que vai ter que ir a um restaurante refinado e essas coisas.
– Concordo, olha, amanhã eu vou estar ocupada e não vou poder ir...
– Ocupada? — interrompi Hinata.
– Sim, Naruto. — ela corou quando falou dele. Eu ri daquilo. — Então, eu vou deixar o vestido em suas mãos. Não apronte nada com ele, hein, Saky! — ela repreendeu.
– Obviamente não. Muito obrigada, Hina. — falei enquanto ela corria na direção do tal vestido.
Eu sabia que ninguém tinha um gosto tão apurado de moda quanto Hinata. Então eu podia confiar nela para qualquer coisa. Olhei para tia Tsunade que mais parecia encantada ao estar aqui, arrodeada de vestidos, saltos e os mais variados estilos de roupas.
– Aqui. — virei a cabeça ao escutar a exclamação de Hinata.
Ela caminhava a minha direção com um vestido no cabide. Ao chega mais perto ela retirou o plástico que o cobria e revelou um lindo tecido lilás, a parte de cima dele era colada ao corpo e tinha alguns detalhes; o que era diferente da parte de baixo era solta e leve, com várias ondulações verticais. Apaixonei-me por ele no mesmo instante, não chamava muita atenção e tinha um toque de requinte.
– Hinata, é lindo, lindo. Vou tomar todo cuidado com ele, eu prometo, mas de onde você retirou essa preciosidade? - perguntei encantada segurando as pontas da saia elaborada.
– É um exclusivo Dolce & Gabbana, feito pra mim, mas como temos o mesmo número vai ficar perfeito em você, acho que até melhor, por causa de suas curvas. — brincou Hinata toda feliz colocando-o em minha frente. - Experimente, Saky. E leva os saltos também.
Ela me entregou o vestido e os saltos prateados baixos, e me empurrou para trás de uma arara de roupas. Enquanto eu me emocionava de ansiosidade para ver o resultado e lutava para tomar todo o cuidado enquanto colocava-o, Hinata ficou conversando com tia Tsunade. Ainda estou pasma com a rapidez que se tornaram amigas, não me surpreendi muito já que minha tia era muito carismática, só se retraiu depois daquele trágico dia. Sempre fiquei feliz ao ver seus avanços, como agora quando ela está começando a se abrir de novo.
– Saky, você morreu ai atrás? — pergunta minha tia, deviam estar ansiosas pra me ver.
– Estou saindo, falta só o salto. Vocês estão muito ansiosas, tenha calma, tia! — exclamei.
Terminei de colocar o salto, e antes de sair dali, solto meus cabelos e ponho algumas mechas em frente ao rosto. Ao sair de trás da arara tia Tsunade e Hinata ficam boquiabertas. Ainda não me olhei no espelho, mas pela reação delas já posso imaginar que estou ótima. Elas me indicam para rodar e dou uma volta. Ambas começam a pular e a conversar de um jeito frenético.
– A maquiagem vai ser o toque final, nós olhos um esfumaçado com tons claros de bege e tons escuros de marrom esfumaçado, só para destacar o olhar, e uma boca num tom mais claro, talvez um tom de rosa bem claro ou um tom de cor de boca. E os cabelos escovados e jogados de lado, com ondas na ponta — minha tia descrevia cada coisa segurando meus ombros e pegando em meu cabelo.
– Muito bom. Você entende, não é? — perguntou Hinata impressionada com os conhecimentos de titia em maquiagem.
– Tenho meus truques, muito tempo em casa acaba deixando tempo para muitas coisas.
– Isso é verdade. Eu estou bem mesmo? Ele vai gostar? — pergunto apreensiva.
– Meu bem, quando eu terminar com você ele não vai querer te soltar mais, e não vai querer que ninguém chegue perto.
Depois de minha tia resolver tudo com Hinata sobre meu cabelo e maquiagem, e o look de Hinata para amanhã também, fui me trocar e ela nos acompanhou até a saída. Pediu para que o motorista fosse até a porta da frente.
– O meu motorista, Frendrick, vai leva-las para casa em segurança. Adorei conhecer você Tsunade. — Hinata a abraça e depois se vira pra mim. -Você vai arrasar amanhã, ou não me chamo Hinata Hyuuga Boa sorte amanhã, Saky.
– Você também com o gato do Naruto, diz que mandei um 'oi', Hina. — ela sorriu e assentiu.
– Ok, vou mandar, se ele deixar, né? — ela piscou safada.
Sorrio divertida, já imaginando o porquê dela não poder passar o recado. Uma situação que envolve muitos beijos e pegas. Ela me abraçou apertado, depois virei e que a Mercedes já estava lá a nossa disposição. Entrei no carro depois de minha tia, mas antes mando um tchauzinho para Hinata.
(...)
Não posso deixar de ressaltar que em meu segundo dia de volta à empresa, eu quase tive um ataque ao ver que meu salário havia sido depositado em minha conta no banco. Bom, o salário anterior e o salário adiantado do meu novo cargo, que juntos formavam uma quantia considerável de dinheiro. Eu não poderia estar mais feliz, aliviada com as despesas do AP e meu guarda-roupa. Que agora se mostrou um fato importantíssimo na minha vida com essa viagem de última hora que Sasuke anunciou, que eu instantaneamente aceitei sem pensar muito na verdade.
Aquele incômodo frio na barriga veio outra vez só de pensar que hoje jantaríamos juntos. Sorri sozinha mordendo meu dedão. Oh, se eu já estava assim só de imaginar algo que ainda nem aconteceu, imagina depois. Isso, claro se eu não fizesse nenhuma bobagem. Tudo daria certo, eu daria o máximo de mim para que sim.
Hoje recebi visitas de alguns dos funcionários, que estavam com propostas interessantes para alguns projetos mais baixos, eu ouvia-os com atenção e fiquei tão feliz quanto eles por percebermos que se continuássemos trabalhando daquela maneira iríamos muito longe. Meu dia mais basicamente se resumiu a atender telefonemas de pessoas de alto cargo de outras empresas e trocar algumas ideias, conseguir assessores e coisas do tipo, que em minha opinião era exaustivo.
Hoje almocei com uma Hinata eufórica, como costumava fazer antes, só que também no refeitório do quinquagésimo andar. Naturalmente claro que eu percebi o tratamento mais disciplinado à minha pessoa. Talvez fosse pelo meu relacionamento com Sasuke, quer dizer, claro que é por isso, mas... Eu não queria que tudo tivesse feito tanto efeito como estava tendo. Dessa vez até os mais mesquinhos discretamente cochichavam em minha presença, mais ainda a parte da mulherada, já que os homens conseguiam ser bem mais discretos e nenhum pouco preocupados de verdade com o assunto.
Estava uma barra pesada para o meu lado, principalmente depois que vi a manchete nenhum pouco discreto no jornal, logo na segunda folha ocupando quase todo o espaço. Era uma foto minha e de Sasuke no refeitório, estávamos sorrindo e olhando desse ângulo parecia mais uma coisa de filme do que vida real, quer dizer, Sasuke parecia ficar bem de qualquer ângulo que pudessem inventar, mas a maneira como meus olhos brilhavam e minhas bochechas estavam um pouco coradas me deu um ar de certa graça. A franja caía sobre meu olho e por um momento me peguei apreciando a mim mesma, que estava quase tão exuberante quanto Sasuke.
Desde quando havia fotógrafos de plantão aqui, Sasuke permitia ou foi só um engraçadinho que observava que se viu no direito de registrar nosso momento para ganhar uma grana preta com aquilo? Meus pés se embaralharam embaixo da mesa quando li o noticiário.
"Flagrado momento mais íntimo e privilegiado já registrado de Sasuke Uchiha em CIT."
Engoli em seco, me perguntando o que Sasuke deve ter pensado quando viu essa manchete, se é que viu. Logo abaixo do título tinha um trecho que inquietou meu coração.
"Não se sabe ainda ao certo o que ocasionou a aparição do grande CEO em um dos refeitórios da CIT, mas já estava mais que programado que uma hora ou outra ele daria as caras tão informalmente. Porém, para grande surpresa nos deparamos com a brilhantíssima Sakura Haruno ao seu lado, mostrando-se entrosada o suficiente para conseguir a atenção do Uchiha de maneira tão simples e fervorosa."
Eu nem o menos consegui terminar de ler aquele jornal de tanto desconcerto. As pessoas já deviam ter feito mil e uma insinuações, bom, acertaram aqueles que pensaram em um namoro envolvido, mas e os outros de más intenções? Na mesma hora, enquanto andava pelo setor, verificando alguns documentos, notei as revistas próximas à mulher dos bolinhos. Eu nunca teria feito aquilo se a capa da bendita revista não fosse a mesma foto minha e de Sasuke do jornal. Com cautela peguei-a em minhas mãos.
"Sasuke Uchiha, o ex-solteirão."
Hehe, nem fingi uma cara séria, sorri logo com as letras abaixo da imagem. Abri até a página da matéria e nela falava coisas parecidas com a do jornal, só que diferente de lá, aqui enfatizava meu relacionamento com Sasuke. Sem esconder nada. Tinha algumas poucas entrevistas com algumas mulheres, duas delas sendo celebridades. Porém todas diziam estarem decepcionadas e frustradas, algumas alegando que não passava de um farsa e que logo ninguém nem sequer lembraria de nós.
Aquilo podia ser mais divertido do que parecia, as pessoas gostavam de fazer suposições da minha própria vida como se estivessem assistindo todos os momentos de camarote. Mas também era muito assustador saber que você era o principal assunto de milhares de bocas neste exato momento.
Deixei a revista no mesmo lugar, mais despreocupada e começando a ver todos com um ponto de vista um pouco mais diferente. Aquela era minha vida, e pra mim tudo que importava era o que eu sentia, e não o que as ouras bocas maldosas ou invejosas falavam. Venenos destilados para o meu fracasso.
Virei-me em meus saltos e comecei a ir em direção a minha sala. Eu estava ainda mais disposta a colaborar com meu relacionamento, percebi que tenho que me mostrar mais a par das ideias e ações. Deixar que Sasuke fiquei ainda mais sobrecarregado com isso não funciona, ele também precisava conhecer a Sakura cooperativa que existia dentro de mim.
Eu precisava sair mais cedo hoje, tinha noção disso, já que costumo sair sete ou oito horas agora, mas com certeza Sasuke iria compreender, até porque a culpa era dele. Quando o relógio do computador sinalizou 18:30, fechei meus documentos, reuni meus pertences e me dirigi para fora do setor, sob os olhares avaliativos e sinuosos de algumas pessoas.
Os guardas fizeram o famoso revistoramento no detector de metais e em fim respirei o ar das ruas da cidade. Eu não podia arriscar, tinha noção disso, então escondi meu rosto com o cabelo ao ir para a beira da calada e chamei um taxi. Antes de ir para casa fui até o banco pegar meu pagamento, aquilo não podia ser deixado para outra hora.
Com o dobro de cuidado que tive ao sair da CIT, fui para casa, agradecendo por ter sido um percurso agradável e calmo. Quando entrei em casa, encontrei tia Tsunade assistindo TV com Lotus ao lado descansando manhosa.
– Boa noite. — falei me jogando no sofá, exausta, mas com um embrulho no estômago.
– Boa noite, o que houve?
Caminhei até a mesa de jantar e depositei minha bolsa lá.
– Boas notícias, recebi meu pagamento.
– Já?
– Bom, o atrasado e o de adiantamento desse meu novo cargo. O que significa que amanhã iremos às compras e essa gatinha aí vai receber os devidos cuidados que merece. — apontei contente para Lotus.
– Oh, Saky, isso é ótimo! — minha tia veio até mim e deu-me um abraço de urso. — Agora, vamos direto ao assunto mais importante... Vá direto para o banho, Sakura!
Assustei-me com o tom autoritário dela e só depois reparei ser 19:10 hr. Nem precisei pensar duas vezes antes de ir às pressas me arrumar.
Demorei mais do que queria no banheiro, o que ocasionou em duas mulheres desesperadas, uma tentando por os saltos e a outra focada em uma maquiagem elaborada. Às 19:34 eu estava preparada e com minha bolsinha de mão sendo apertada sem só nem piedade pelos meus dedos tensos.
– Aja naturalmente, e por favor, não faça nenhuma burrice. — alertava minha tia dando um último toque em minha maquiagem.
– Eu sei, tia. Não precisava lembrar. — resmunguei.
– Eu sei, desculpe querida. — assim que ela terminou de falar a campainha soou. Ela abriu um enorme sorriso e foi se sentar na cadeira da mesa de jantar, sinalizando para eu ir logo atende-lo.
Andei lenta como uma tartaruga, tentando acalmar meu coração, mesmo sobre os sinais escandalosos de tia Tsunade. A situação seria engraçada se meus pelinhos não estivessem todos arrepiados.
Trabalhei uma postura relaxada e abri a porta, dando de cara com o homem mais perfeito do universo. Cabelos penteados e bagunçados, uma camisa azul escura de mangas longas, calças jeans e sapatos sociais pretos. Ele estava tão belo, aparentemente simples, mas... Mais lindo que qualquer modelo de comercial. Dessa vez, suas mãos estavam vazias, bem guardadas dentro dos bolsos da calça e no rosto ostentava meu sorriso preferido. Ah, e aqueles olhos lindos que brilhavam ao me contemplarem.
Não sei quanto tempo passamos ali, parados só a contemplar um ao outro, mas eu precisava falar ou explodiria em uma enxurrada de emoções, e ninguém queria isso.
– Boa noite. — ele respondeu a minha voz como se estivesse sob o efeito de um encantamento.
– Boa noite, minha bela. — ele deu um passo a mais e passou a mão em minha bochecha. Coisa a qual eu estava me acostumando como o gesto marcante dele. — Você está linda.
Fechei os olhos, apreciando a sensação de sua pele quente que gentilmente foi traçando um caminho até parar no meu pescoço. Seus lábios encostaram-se a minha testa e desceram para minha bochecha, demorando um pouco mais lá.
– Sua tia está? — ele perguntou circundando minha cintura com um braço.
– Sim.
– Gostaria de cumprimenta-la, se você não se importar. — sorri.
– À vontade. — dei-lhe espaço para passar, mas ele nem precisou fazer um caminho muito longo, pois minha tia estava logo atrás de mim.
– Sasuke, que bom vê-lo outra vez. — ela exclamou calma.
– Digo o mesmo, Tsunade. — ele segurou minha mão. — Espero não atrapalhar, mas planejo levar Sakura comigo esta noite.
– Por favor, não ligue para essas formalidades. — ela respondeu com modéstia, acompanhando-nos para fora. — Cuide bem da minha menina.
– Claro que sim, tenha uma boa noite.
Sasuke segurava minha mão enquanto descíamos as escadas do meu prédio. Fizemos um trajeto todo até a rua em silêncio. Então eu vi, uma sofisticada Ferrari 458 preta estacionada em frente a minha calçada. Fiquei bestificada, claro que eu conhecia aquele carro, e saber que Sasuke veio buscar-me naquilo era de outro nível.
Ele abriu a porta do passageiro e entrei com cautela, aguardando-o se juntar a mim naquele carro. Ele deu a partida e começamos a perder a vista da minha rua, o ar condicionado criava um clima ameno e eu apenas observava enquanto Sasuke colocava uma música. Eu estava muito confortável, diferente de alguns minutos atrás, onde eu estava um pique de nervos.
– Confortável? — ele perguntou olhando para mim enquanto estrávamos numa avenida afastada.
– Sim. — assenti observando os prédios se transformarem em árvores altas e formarem uma floresta densa. — Onde você está me levando? — meu nervosismo era evidente.
– Fique tranquila. — ele sorriu. — Vou levá-la a minha casa.
O mundo parecia ter afundado em meu estômago. Como. Assim?
Relaxa, Sakura. Ele só disse que vai leva-la para a casa dele, nada demais...
Olhei para Sasuke, tão lindo e atento enquanto dirigia que eu me apaixonei ainda mais.
– Sua casa? — perguntei emocionada.
Ele sorriu e me olhou.
– Sim.
– Planejou isso desde o início?
– Bom, é verdade. Pensei que gostaria.
Respirei aliviada.
– Então... Eu devo esperar alguma surpresa? — perguntei mais animada com a possibilidade.
Achei muito fofo quando Sasuke deu um sorriso amarelo e pôs uma mão atrás da cabeça.
– Digamos que... sim.
– O que andou aprontando? — perguntei-o divertida.
– Você quer dizer o que eu andei tentando aprontar.
– Não vejo a hora de chegar. — exclamei entre risadas.
Minhas pernas descobertas estavam mais vulneráveis ao frio do ar, então inconscientemente dobrei-as. Eu era bastante observadora, sempre fui, por isso o olhar que Sasuke lançou para elas não passou nem um pouco despercebido por mim. Senti meu rosto corar, ó Deus, o que será que ele devia estar pensando?
Olhando para as mãos dele, percebi como seus dedos estavam um pouco tensos, meu interior vibrou com a possibilidade do que ele podia estar pensando. Eu olhei de relance para o velocímetro e percebi que estávamos andando a uma velocidade quase absurda. 200km/h era sim uma velocidade absurda. Apertei o estofado de couro do banco e me sentei mais ereta, em alerta com o novo rumo que meus pensamentos tomaram. A estrada estava muito escura, e eu não conseguia ver que atravessava as grandes árvores, ou seja, estávamos cercados.
Isso até Sasuke me olhar sorrindo e apertar um pequeno botão de um controle que tirou do bolso da sua calça. Uma luz piscou e vi logo a frente o começo de uma cerca metálica, ela se estendia por um caminho muito longo que ia além da minha vista. Um portão escorregou para o lado à medida que Sasuke começava a adentrar a propriedade com sua Ferrari.
Seguimos por uma estrada até a frente da mansão. Que novidade, Sasuke morava em uma mansão. Mas não era qualquer mansão, onde as paredes são todas pintadas de branco e cheias de colunas. Não, não tinha nada haver. Ela era em sua grande maioria de madeira e vidro. Muito sofisticada, e cheia de estruturas elaboradas, ela se dividia em três partes. Sem duvida a mais linda que eu já havia visto. A de Hinata nem chegava muito perto, por que esta parecia única demais.
Sasuke estacionou de frente para a piscina rasa, retirando a chave do carro e dando a volta nele para abrir minha porta. Esse homem era demais. Ele estendeu a mão para mim, que eu segurei com firmeza ao me levantar.
– Seja bem-vinda ao meu humilde lar. — levantei uma sobrancelha, achando aquilo divertido.
– Muito lindo, seu humilde lar. — falei, olhando ao redor. As árvores pareciam postas todas em lugares elaborados e formavam um clima harmônico, mesmo estando de noite.
– Obrigado. — ele respondeu. — Vamos? — perguntou entrelaçando os dedos aos meus.
Eu estava toda boba. Quem não? Não me sentia acanhada ali, não com ele, era como se eu estivesse fazendo algo certo, algo que eu jamais me arrependeria. Estar com Sasuke era estar completa. Eu me sentia assim.
Ao contrário do que eu pensei nenhum mordomo ou empregado veio ao nosso encontro. Sasuke foi quem tomou as rédeas da situação e me guiou pela casa. A sala de estar era linda, muito linda mesmo. Uma pena que algumas luzes estavam apagadas então não pude ver muito bem o interior dela. Mas não paramos nela, ele continuou me guiando, calmo, silencioso, e ainda segurando minha mão.
Atravessamos uma porta de vidro e me deparei com uma coisa que tirou meu fôlego com a rapidez de jato. Havia uma mesa à dois toda trabalhado no requinte. Agora eu entendia porque a maioria das luzes dentro da casa estavam desligadas, era para as velas em cima da mesa ganharem mais destaque.
As cortinas estavam abertas e revelava um ambiente todo a luz da Lua.
Os pratos estavam postos, e bem no meio da mesa, dando mais enfeite à mesa, havia um buquê de rosas vermelhas, bem elaboradas e charmosas naquele jarro pequeno.
– Estamos sozinhos na casa? — perguntei-o.
Ao meu lado, Sasuke soltou um tossido, chamando minha atenção.
– Sim, liberei todos mais cedo para que ficássemos a sós. — ele deu um sorriso de lado, os olhos avaliativos. — Desculpa, só tive tempo pra preparar a mesa. — ele suspirou indo para outro cômodo, eu o segui depois de deixar minha bolsinha em cima da mesa, ao lado de meu prato.
Atravessamos a espaçosa sala onde a mesa estava posta e depois me vi dentro de uma das cozinhas mais fantásticas da história. O balcão que arrodeava todo o espaço para preparo da comida era de um tipo de madeira linda. Os bancos eram da mesma madeira e tinham um estofado que parecia bastante confortável.
As cortinas estavam abertas, dando-nos uma visão fantástica da piscina e do restante da casa. Aquela sim era uma mansão deslumbrante. As portas de vidro estavam todas fechadas e nenhum outro sinal de vida na casa.
– Como assim? — perguntei sentando em um dos bancos do balcão enquanto ele rodeava-o para ir ver uma das geladeiras.
– Eu tinha planos de preparar o jantar, mas fiquei ocupado com alguns assuntos da empresa e não consegui tempo o bastante. — ele explicou.
Eu nem ao menos prestei atenção no que ele disse.
– Você também cozinha? — perguntei incrédula.
Aquele homem era pra casar, com certeza.
– Nha, faço o que posso... — suspirei. — E eu não conseguiria fazer mais nenhuma reserva a essas horas.
– Agora fiquei curiosa de seus dotes culinários. — falei com uma cara moleca.
Sasuke me olhou com tanta profundidade que senti minha parte de baixo em alerta, remexi minhas pernas bastante afetada.
– Você se importaria em esperar? — ele veio na minha direção e se debruçou no balcão, ficando cara a cara comigo. Engoli em seco.
– Nenhum pouco.
Com um sorriso de canto ele tirou uma panela da estante debaixo do balcão e pôs-se a arrumar alguns ingredientes. Fiquei observando-o pegar mais e mais ingredientes nas diversas prateleiras e reunir todos na bancada principal. Foi a coisa mais legal vê-lo por o avental ao redor da cintura e ir lavar as mãos.
Meu queixo quase caiu quando ele começou a cortar com muita precisão algumas verduras. Ele parecia até um chefe profissional, concentrado e bem contente por se dispor a fazer aquilo. Ele foi até o forno e começou a por algumas coisas na panela, deixando a água ferver. Como eu gostaria de poder ajuda-lo, mas eu sabia que só atrapalharia, mesmo imaginando que ajuda-lo naquela hora seria uma das coisas mais legais que eu poderia fazer.
– Você está bem? — ao ouvir sua voz, levantei minha cabeça, fitando-o. Nem tinha percebido que meu semblante estava murcho.
– Ah, sim... — sorri para confortá-lo, mas ele não se deu por vencido.
Foi até a bancada da cozinha e pegou a faca de cortar legumes, segurando-a e indicando o cabo para mim.
– Quer me ajudar? — ele perguntou.
Quase me engasguei. Pus as mãos em frente ao corpo e sinalizei negativamente.
– A-ah, não, acho que eu só atrapalharia. — eu estava encabulada. — Não sou boa na cozinha, não... me dou bem.
Ele deu um sorriso simpático e largou a faca. Deu a volta no balcão até parar ao meu lado e segurou meus ombros, me ajudando a ficar em pé.
– Por favor. — ele sussurrou com o rosto perto do meu.
Ah não. Ele estava jogando totalmente baixo. Proíbo isso.
– Eu... — minhas forças estavam se esvaindo. Não tinha como contrariá-lo.
– Eu vou ajuda-la, não me importo. — fita-lo dentro dos olhos era como viajar para outra dimensão.
Suspirei.
– Tudo bem. — confirmei, andando na frente dele para o outro lado do balcão.
Ele me convenceu, eu não podia ficar para trás, então fui até a pia e valei minhas mãos. Sasuke apertou um controle e a música I Look To You da Whitney Houston começou a soar. Eu amava aquela música. Quando me virei ele me estendeu um avental cheio de florzinha, que achei singularmente fofo. Ele me ajudou a pô-lo, amarrando atrás do meu vestido e no final depositou um beijo em minha nuca.
Esse pequeno gesto, além de me deixar toda arrepiada, me lembrou de que eu não havia trocado nenhum beijo com ele até agora.
Sorri quando o encarei. Sasuke pediu que eu continuasse a cortar os legumes que ele não havia terminado, olhei para os pedacinhos que ele havia cortado e tentei ao máximo deixa-los parecidos. Não era fácil, por isso fui um pouco mais lenta no processo, eu só podia torcer para que ele tivesse paciência.
– Que prato é esse?
– Peito de frango ao vinho do porto.
– Parece interessante. — falei notando minha fome.
Nós estávamos um ao lado do outro, cada um com funções diferentes, mas não havia momento mais perfeito que aquele, ainda mais ao som de I Look To You. Olhei-o no mesmo instante em que o refrão havia começado, ele também me olhou fixamente e sorri, voltando a fitar a faca, com medo de acabar decepando um dos meus dedos com aquela coisa afiada.
Quando acabei com meus legumes, fiquei encarregada de cortar as tiras de frango. O problema é que não sabia a maneira correta como deveria cortá-las, eu sabia que o corte era algo muito importante. Então hesitei até ele voltar da panela que havia deixado no forno. Sasuke percebeu de imediato minha incerteza.
– Qual o problema? — como dizê-lo?
– Como eu devo cortar? — minha voz estava envergonhada. Apontei com a faca para o peito de frango e fiquei balançando-a no ar.
Ele riu do meu embaraço, me deixando ainda mais sem jeito. Mas foi tão fofo quando ele se pôs atrás de mim e passou seus baços por cima dos meus, encaixando suas mãos nas minhas, fazendo o movimento certo com a faca. Minha respiração estava muito bem presa em meus pulmões, nem prestei atenção nos movimentos com a faca, eu só conseguia me concentrar no toque de seu peitoral em minhas costas.
Meu coração acelerou, mostrando o quanto ele era incontrolável. Sasuke continuava fazendo os cortes no frango, eu tentei, juro que tentei prestar atenção, mesmo sendo quase impossível. Um pouco depois, pude sentir a própria respiração dele ficando mais pesada, então, um pouco hesitante, ele saiu de trás da minha pessoa e sorriu, os olhos estavam inundados de algo que parecia desejo. Um bolo e formou na minha garganta com a perspectiva.
Eu não podia mais enganar ninguém, não dava para resistir, tomada pelo impulso e pela necessidade, larguei a faca na tábua de corte e com um passo um pouco vacilante fui até ele. Levei minha mão até seu rosto, ficando o máximo que o salto me permitia na ponta dos pés, e puxei-o pela nuca até em fim encostar seus lábios nos meus em um beijo há muito desejado.
Quando seus braços arrodearam minha cintura e suas mãos me firmavam ainda mais, mostrando com certa gentileza o quanto ele também estava desejando aquilo. Esse era meu lugar preferido no mundo, sem sombra de dúvidas. Passei meus braços pelo seu pescoço e mordi o lábio superior dele, aproveitando o máximo do momento. Com muita facilidade Sasuke me levantou e pôs-me sentada peto da tábua de corte.
Segurei os dois lados do seu rosto, sentindo-o se ajeitar entre minhas pernas, que já estavam mais expostas do que antes, já que a saia do vestido havia sido levantada para muito acima da metade de minhas coxas. Não sei se ele havia notado esse detalhe, mas parecia compenetrado demais em minha boca, puxando de leve meus lábios. Suas mãos apertavam gostosamente minha cintura, fazendo leves movimentos.
Eu já estava no céu, mas sabia que mais um pouco e eu atingiria outros níveis. Porém, foi o próprio Sasuke quem parou aos poucos, lambendo de leve meu lábio inferior. Quando abri os olhos, peguei-o fitando-me de forma intensa e encostou sua testa na minha. Nossas respirações fora de controle de mesclavam.
– O que você faz comigo? — ele sussurrou.
Sorri corada e dei um rápido selinho em seus lábios. Em seguida ergui meus ombros, respondendo sua pergunta.
Sasuke foi descendo suas mãos, até chegarem a barra da minha sala levantada e puxou-a para baixo, a fim de cobrir mais minhas coxas. Um gesto que simplesmente ganhou minha admiração.
– Obrigada.
– Temos que continuar. — ele me pôs no chão outra vez.
– Sim.
O resto do preparo do jantar foi cheio de piadinhas e momentos cúmplices entre nós dois. Eu percebi que ele havia posto a música para repetir, o que foi melhor ainda. Não nos beijamos mais, porém houvera algumas provocações vindas das duas partes, um roçar de braços, pequenas beliscadas e coisas mais bobas.
No final levei os pratos para Sasuke servi-los e fui esperar na mesa, como ele me pediu. O bom é que a música havia ficado mais baixa, causando uma trilha sonora perfeita para nosso momento. Sasuke vinha equilibrando perfeitamente os pratos, e por um momento imaginei ele como garçom, ar, ficaria perfeito do mesmo jeito.
Depois ele voltou sem o avental e com uma garrafa de vinho na mão. Primeiro encheu o meu copo e por fim o seu próprio, sentando-se na cadeira.
– Bom apetite. — ele falou levantando sua taça para um brinde.
Eu vou admitir, aquela foi simplesmente uma das melhores comidas que eu já havia provado em toda minha existência. A prova disso foi meu gemido de contentamento depois da primeira garfada. Sasuke também parecia estar aproveitando muito a refeição.
– Preciso admitir: isso está muito melhor do que eu imaginava. Você é fantástico... — falei já comendo outra garfada.
– Não se esqueça que você me ajudou.
– Com coisas muito simples para serem consideradas. — ele movimentou negativamente a cabeça, sorrindo de lado.
– Você é incrível.
Aquilo me pegou de surpresa?
– Huh? — indaguei corando com o elogio. — Na... Obrigada, rs.
Ficamos comendo em silencio.
– Me acompanha? — perguntou-me levantando e estendendo a mão, sorrindo galanteador.
– Para onde vamos?
Pus minha mão sobre a sua, sentindo-o segurar a minha com gentileza e firmeza.
– Quero te mostrar um lugar.
Passamos pela passarela de madeira, ao lado da piscina e fomos para outra parte da mansão. Ele abriu a porta e revelou um salão enorme, todo branco e com grande maioria das paredes de vidro. Não havia nada no local, somente um piano e grandes caixas de som embutidas na parede. Sasuke fechou com um baque suave a porta atrás de nós e foi para perto do piano, por um momento pensei que ele iria tocá-lo, mas tudo o que fez foi pegar um controle em cima do piano e apertou algum botão.
Todo o quarto foi preenchido com a melodia do piano de I Look To You. Eu estava me sentindo em um sonho, principalmente quando Sasuke veio até mim e me convidou para uma dança. Mesmo nervosa, aceitei e ele me puxou para perto do piano. Estávamos mais colados do que no dia do coquetel. E o momento era muito melhor não só por causa da música, mas também eu podia fazer tudo o que não me foi permitido naquele dia.
Deitei minha cabeça em seu ombro. Embalamos em um momento só nosso, onde não existia mais nenhum comentário ofensivo, insinuações ou curiosos. Ele apertou minha cintura com suas mãos grandes, demonstrando seu lado protetor e possessivo. Que eu amava, apesar de não ter visto muitas vezes.
Delicadamente ele segurou meu queixo, puxando-o na sua direção. Primeiro ele plantou um beijo em minha testa, com cuidado, depois minha bochecha, meus olhos e então, por último, ficou brincando com o pequeno espaço que separava nossas bocas.
– Isso podia durar pra sempre. — sussurrou.
Brincando com minhas mechas, ele sorriu, dominando minha boca de uma vez por todas.
Em busca de fôlego e tomada pelo meu lado emocional, acabei soltando palavras que vinham do fundo do meu ser, prontas para serem soltas a muito tempo:
– Amo você.
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