Notas iniciais
Boa leitura! Ellie Goulding - Take Me To Church (https://www.youtube.com/watch?v=yDtR8sn4z-A)

O conforto de estar em volta de todos aqueles lençóis era já mais do que suficiente para me despreparar para qualquer mal. Mesmo com meu rosto um pouco dolorido, virei-me de lado e involuntariamente um sorriso despreocupado tomou conta mim.

Mas toda aquela calmaria acabou assim que me senti deitando por cima de algo duro, tentei mover meu braço esquerdo e com rapidez abri os olhos e me sentei no colchão.

– Meu braço... – sussurrei, abrindo os olhos sonolentos o máximo que podia e verificando o gesso. Apenas quando não notei nenhum dano aparente pude respirar aliviada.

Olhei para frente e vi um dos fenômenos mais lindos da natureza, o nascer do Sol. Aquela enorme parede de vidro com as cortinas erguidas fazia parecer uma tela mais larga de comprida de cinema só pra mim, e isso me fez me sentir privilegiada por poder presenciar aquilo com tanto luxo.

Passei a mão ao meu redor e só então fitei a mim mesma. Meu vestido estava todo amarrotado, os lençóis uma desordem e mais ninguém na cama enorme.

Eu estava sozinha na cama de Sasuke.

Eu acordei na cama dele.

Comecei a sentir meus próprios batimentos acelerando.

Eu dormir abraçada a ele. Meu Sasuke.

Puxei o lençol sedoso até a boca e olhei ao redor, verificando o ambiente antes de abafar meu grito com o pano. Foi sentindo meus pelinhos se arrepiarem com o frio que fechei os olhos quando comecei a senti-los úmidos, o que não fazia sentido, e sem conseguir me conter, soltei uma sonora gargalhada e afundei mais uma vez na cama, me esparramando naquele pequeno pedaço do céu que Sasuke tinha o direito de dormir toda noite.

Pensando bem, recordei o que ele havia me dito ontem à noite. Até agora eu ainda estava sem palavras. Muda até o último fio de cabelo sobre isso. Eu só conseguia repetir e repetir tudo na minha mente como um velho disco e ainda por cima imaginando a trilha sonora mais perfeita.

Se eu fosse reparar bem, tudo aqui nesse quarto tinha o cheiro de Sasuke; a colcha, os travesseiros. Sem resistir fiquei de bruços e sufoquei meu rosto no travesseiro que ele dormiu. Não voltei a respirar até dar o máximo de cheiradas que meu fôlego permitia. Era tão viciante que quase não liguei para minha cabeça ficando pesada.

Se algum dia e já me senti mais feliz? Não. Com certeza não. Tudo o que eu já havia passado até ali, mudança de país, estudos, emprego... Eu podia explodir de tão completa que eu me sentia agora.

Eu tinha plena consciência de que era apenas a namorada dele. Nada de noiva ou coisa a mais. Mas não é como se eu quisesse pensar nisso agora, até porque casamento pra mim já era um tópico muito grande. Ter alguém com poder dividir as escovas de dente permanentemente enquanto durar é de longe o maior desejo da minha vida, mas também o que mais eu temo. Sempre temi não saber faze a escolha certa.

Só que agora era diferente; se algum dia eu toparia casar com Sasuke?

Sorri para mim mesma, sentindo a melancolia me dominar. Mas a resposta seria: sim. Sem hesitação. Não importava se fosse hoje, ou amanhã ou até mesmo daqui vinte anos. Há mil coisas que o amor tem o poder de simplesmente pode superar, e uma delas; é o tempo. Pensar em como eu amava Sasuke era o mesmo que sentir uma chama tomando conta do meu coração. Deixando-o envolvido até a raiz. Com determinação e euforia.

Só que, tinha algo; quando meus pensamentos se voltavam para ele, eu sempre procurava em seus olhos qualquer coisa que me comprovasse que ele me amava, nem que fosse um tiquinho de nada, mas pelo menos algo. Mas era tão difícil de perceber, primeiro tinha aquele nervosismo na barriga e minha timidez que me impedia de passar o tanto de tempo que eu gostaria encarando os olhos dele.

E também, se ele realmente sentisse algo assim por mim, eu precisava admitir que ele escondia muito bem.

Mas ontem, antes de dormir, sentindo o peitoral dele subir e descer aos poucos sob meu braço, notei que; o que eu não conseguia ver em seus olhos, eu podia procurar em suas ações. Era algo muito simples.

E hoje, aqui, abraçando o travesseiro dele embriagada, algo me dizia que o que eu procurava sempre esteve lá, meio escondido, mas estava. Palavras nem sempre foram e ainda não eram tudo para mim, e eu até compreendia Sasuke se ele não conseguia me dizer coisas do tipo ainda, mas o importante de tudo mesmo e que eu já sabia:

Era que ele me amava; amava-me de verdade.

Com simplicidade, afeto, carinho e devoção.

Tudo o que eu poderia encontrar na pessoa que tinha capacidade de me completar, de ofuscar meus antepassados dolorosos, minhas angústias caprichosas, e acima de tudo: de me fazer feliz não importasse sob qual condição; na saúde, na doença, na riqueza, na pobreza, não importava.

Com ou sem declarações mais abertas, eu escolheria Sasuke quantas vezes fosse necessário. Por que enquanto esse amor fosse recíproco, o que de minha parte já é garantido, nada mais importava.

Minha maior vontade naquele momento era ficar naquela mesma posição até apagar e acordar aqui outra vez, só pra ter o luxo de saber que eu ainda estava compartilhando aquele momento tão íntimo com Sasuke.

A sensação da minha pele arrepiada pelo frio do ar condicionado me acalmava. Movi mais minha perna não machucada para que ficasse totalmente por fora do edredom e absorvesse mais daquela sensação. Nem ligando se meu vestido estivesse levantado mais do que o suficiente para chamar de perigoso.

Meu coração quase parou tamanho foi o susto de quando senti o toque de uma mão incrivelmente poderosa se movendo por minha perna exposta. Era quente e bastante tentador. Ao mesmo tempo em que a carícia ia subindo pelo caminho proibido, alertando um sinal vermelhíssimo, senti e ouvi um sussurro mais irresistível ainda em meu pescoço.

– Bom dia.

Só duas palavrinhas dele e meu corpo traidor já dava sinal de ausência de uma vida sexual que nunca tive. Quem eu queria enganar, meu corpo também tinha lá seus momentos de carência, e a maior culpada disso era eu. Até aí eu aceitava.

Mas ao mesmo tempo em que era meu maior aliado nessa batalha, Sasuke também conseguia ser o maior vilão de todos os tempos. A minha Kryptonita em forma humana exalando irradiação por cada poro. Apertei mais as pernas antes de respondê-lo.

– Bom dia... – minha voz rouca logo pela manhã era o fim do mundo. Trágico acontecimento que acabei esquecendo. Droga, eu devia ter aproveitado a chance e treinado um pouquinho antes.

– Acordei? – nossa, que voz, minhas pernas já estavam tensas, ainda bem que eu estava de sutiã.

Bem, eu não me importaria nem um pouco, tipo; nenhum pouquinho mesmo de acordar todos os dias cedinho assim e ter de ouvir essa voz com tanta gravidade perto de mim. Antigamente eu achava a minha sexy e sempre repetia mentalmente como seria quando acordasse pela primeira vez com o grande amor da minha vida, tudo foi por água abaixo cinco segundos atrás. Agora ao invés de sexy, me senti humilhada comparada à dele.

Neguei com a cabeça e olhei para o lado, prendendo o fôlego ao senti-lo deslizar meu vestido para um pouco mais baixo.

– Não que eu esteja reclamando... – falou se explicando do ato. – Mas você que sabe... – aquele risinho.

Eu nem consegui rir de volta. Cacete! Por que ele tinha que ser tão sexy? Maldição... Quer dizer, obrigada de todo o coração meu Deus todo Poderoso, mas... Agora não...

– Assim tá bom... – foi tudo o que respondi. Eu nem ao menos raciocinar direito sabia mais ao imaginá-lo fazendo o movimento contrário ao de agora a pouco, indo para cima. Jesus! Preciso de um banho.

– Também acho. – respondeu alisando meu braço.

Ah! Não tinha uma parte minha não arrepiada. Por que todo aquele momento me fazia imaginar nós dois marido e mulher? Eu só podia rezar para que isso não me fizesse estragar todo o momento na minha cabeça fértil.

– Sente alguma dor?

Por Odin! Vou ter um surto a qualquer momento. O que esse homem todo deus queria provar me abraçando assim por trás e fazendo essas perguntas todas muito amor no meu pescoço?

– Não... – ri e depois gemi baixinho. Ops!

Oh-ow.

WANTED!

Ponto negativo. Eu não devia ter feito isso só porque o senti muito bem encaixado atrás de mim.

Estávamos de conchinha. Eu não conseguia acreditar. Meu coração parecia em uma disputa para ver se podia bombear sangue o duplo de vezes mais rápido que o normal. O deus aqui atrás de mim com certeza também podia sentir isso.

– Tudo bem mesmo?

Não era possível. Como ele podia me provocar com tanta naturalidade de um expert na sedução e não sentir um pingo de pena? Ele nem ao menos se dava ao trabalho de se por em meu lugar.

Tsc. Maldito gesso que deixava meus movimentos mais limitados. O que ele faria se de repente eu me pusesse por cima dele? Ficaria constrangido? Não... Excitado?

Infelizmente não fiz tal coisa por conta do gesso que me deixaria mais atrapalhada e... Bom, eu não queria sair dali do conforto de seus braços, nem morta mesmo.

– Sempre acorda cedo assim? – perguntei com a voz doce.

Nada de taquara rachada logo quando você quer agradar o cara. Já bastava minha cara arranhada, meio inchada e o cabelo pós furacão. Um ponto positivo meu era não ter hálito matinal.

– Não, hoje eu tive um motivo. – ele gargalhou gostosamente se divertindo às minhas custas, eu tinha certeza.

– O que foi?

Não aguentei, me virei de frente pra ele como pude e franzi o cenho, curiosa.

– Quase fui chutado para fora da cama. – silabou com os lábios sobre minha bochecha e depois me fitando com aqueles olhos. Tão felinos.

– Ah! – rosnei me virando de lado outra vez. – Mentira...

Escondi meu rosto vermelha. Sempre soube que eu era o ser mais inquieto desse mundo quando ia dormir na cama.

Pelo menos ele estava se divertindo. Ouvi-lo gargalhar era tão único que fiz como pude para gravar na memória interna do meu sistema.

– Mas quer ouvir algo legal? – continuou me virando de lado mais uma vez, sempre atento com meu braço. Fitei-o séria, assim como ele, cara a cara. – Foi um chute bem sedutor na realidade, tive que me conter...

– NÃO! – interrompi dando um gritinho indignado e me cobrindo de uma vez por todas com o edredom.

– Calma... – ele continuava rindo. E muito na verdade.

Fazer Sasuke feliz era o que eu mais almejava nesse mundo, mas assim não dava pra prosseguir.

Eu chutei ele, chutei ele, aarr, eu queria sumir agora. Como eu faço uma coisa dessas? Será que não acerto nem dormindo?

– Que malvado... – resmunguei fazendo bico e tirando o cobertor do rosto, ainda de costas para ele.

Assim que pronunciei isso, os risos pararam e fui pega de surpresa quando ele me puxou e depois se posicionou por cima de mim. Perna contra perna, braços lado a lado com meu rosto e movimentos nada inocentes com os quadris. Fazendo meu mundinho medíocre de autocontrole desmoronar.

Centímetros separavam nossos narizes, as bocas então; quase lá. Mas o momento na verdade pertencia aos nossos olhares. Ônix com verdes. Presa e predador. Lobo e ovelhinha. Aquela áurea mais sádica ao redor de Sasuke estava me assustando, sem brincadeira, mas sinceramente eu nunca havia me sentido tão excitada perto dele. Quem sabe fossem nossos quadris encostando-se ou o resto de nossos corpos roçando tão tentadoramente mesmo.

Socorro... Minha voz perdia-se aos poucos até na minha mente.

– Eu vou falar o que foi malvado. – primeiro ele começou sussurrando baixinho.

Levou uma de suas mãos a barra do meu vestido e ficou passando-a entre o polegar e o indicador.

– Senti-la quente e completamente confortável dentro desse vestidinho durante uma noite inteira e depois de sair para tentar dar uma respirada, mínima de fosse; encontra-la chamando-me em volta dos meus lençóis, como uma sereia que hipnotiza o pescador até captura-lo sem piedade...

Oh, meu...

– Você sabe ser bem maléfica quando menos precisa, querida Sakura. – deu um risinho rouco perto da minha boca. – Tenho que tomar algumas providências quanto a isso...

Ele mesmo deixou a fala no ar a partir do momento que encarou meus lábios. Aquele era o sinal que eu tanto esperei.

Não dei brecha para que ele escapasse, passei minha mão direita por sua nuca e uni mais ainda nossas bocas. O gosto da língua dele era de menta, o que ainda não fazia o menor sentido, mas isso era só mais um dos motivos pelos quais eu não queria mais terminar aquele beijo.

Como se entendesse exatamente o que eu estava sentindo, Sasuke passou os braços em volta da minha cintura e com facilidade me puxou para junto de seu colo. Colando meu tronco ao dele. Para um melhor apoio envolvi-o com minhas pernas, juntando-me ainda mais. Meu braço direito infelizmente teve de ficar de lado, incomodando um pouco, mas essa era uma coisa tão trivial que simplesmente esqueci ao sentir suas duas mãos curiosas movendo-se pelas minhas laterais.

Interrompemos o beijo aos poucos, mesmo sem desencostar nossos lábios completamente. Olhei-o dentro dos seus olhos e depois sentir meu rosto esquentando quando uma áurea mais safada foi dominando as belas esmeraldas do meu namorado.

Senti duas mãos bobas trajando um caminho pelas minhas coxas, adentrando o vestido com dedicação e antes que eu perguntasse o que aquilo significava mais uma vez meus lábios estavam sendo dominados pela boca de Sasuke.

Mesmo perdida na euforia do beijo eu ainda sentia toda minha pele queimando por onde as insistentes mãos dele continuavam trafegando. Até que um parou no cós da minha calcinha e resolveu ficar por ali mesmo. Mas logo acompanhou a outra e ambas pararam sobre minha cintura desnuda, subindo lentamente, queimando aos poucos cada pedacinho do meu abdômen.

Mordi fraquinho o lábio inferior dele, e ainda com a respiração acelerada aproveitei para passar a mão mais abaixo, sentindo os músculos bem definidos embaixo daquela regata escura que ele resolveu por em algum momento durante a noite. Ideia ridícula. Ele era tão absurdamente gostoso que me contive para não ofegar enquanto tocava-o.

Como ele podia ser meu? Tão glorioso e... Tão meu. Dava vontade de chorar.

Melhor pergunta: como eu ainda não havia jogado meu autocontrole pro infinito e além?

– Tão meu... – escapou da minha boca. Cacilda!

Disfarcei olhando-o nos olhos e depois beijando sua bochecha, canto da boca, queixo. Até parei um pouquinho mais ali sentindo o aroma gostoso de sua barba rala.

Ele riu e foi descendo as mãos pelo mesmo caminho que tinha ido. Dessa vez com mais carícias. Apreciando o local com aquela devoção que eu sempre sentia em seus toques.

– Tá frio né? – sussurrei quando do nada uma brisa de ar gelado passou pelo meu braço, me fazendo ter um calafrio.

Mesmo que estar com Sasuke me enchendo e completando com seus calorosos toques, a natureza humana do meu corpo molenga para o frio ainda era mais forte.

Meu namorado aparentemente imune ao frio sorriu e me deu um beijo castro nos lábios. Pegou o enorme cobertor atrás de mim, e com suavidade passou-o por cima de meus ombros, embrulhando-me com carinho e depois me abraçou bastante apertado enquanto me puxava para voltar a deitar junto a ele.

– Ainda está? – perguntou.

Olhei sorrindo para ele e suspirei apaixonada.

– Não, não está...

Mais quente impossível, meu joelho estava meio que tocando o membro dele por cima da bermuda. Ai meu Deus!

– Vem, volte a dormir.

Olhei tentada para sua boca corada, devido aos beijos anteriores, e sorri maliciosa.

– Bons sonhos, e desculpa pelo vestido... – falei me referindo à insônia dele por causa da tensão sexual que sentiu durante a noite, hehe.

– Que nada... Você ficou ótima nele. — aquele tom.

Depois me deu um beijo na testa e me envolveu mais apertado naqueles braços maravilhosos.

Sasuke me amava.

Isso eu podia sentir na pele.

Notas finais
Foi uma coisa bem relex, só para curtir e saciar a sede de quem ainda sentia falta de um pouco mais de SasuSaku. Espero que tenha dado para o começo e... Desculpa se, alguns ficaram frustrados com a tensão sexual que foi a única coisa que teve, mas não posso mudar os planos. Foi bem quente né? Kkkk. E outra: ELES SE AMAM! Pronto, finalmente! Aeeee. Pelo menos é o que a Sakura sabe e... Bom, err, acho que o Sasuke também, sem dúvidas. Uma 6° recomendação. :´) Fico tão emocionada que eu nem sei como agradecer, sabe. Tudo graças à Nay170, você me deu a 6° recomendação, eu fico tão feliz, primeiro porque eu já quase não tinha muitas esperanças de chegar pelo menos até aqui e... ai Meu coração. Nay, suas palavras foram tão encorajadoras, nem sei como agradecer, buáa, mas mesmo assim, obrigada, obrigada e obrigada. Você foi tão assustadora naquela recomendação, kkkkkk, e bom, ainda bem que estou do lado de cá e não do de lá. Mas saiba lindinha, que de todo o coração estou muito feliz, todo aquele seu textão foi uma luz nas sombras. Sempre fico babando essas pessoas que me fazem recomendação, mas não posso evitar. Você foi mais uma vítima do meu bajularismo... cof. É isso aí galera, hehe, eu realmente espero que esse capítulo tenha agradado vocês, de verdade! Não sei quando sairá o próximo, mas darei o máximo de mim ;D Um grande abraço, para todos, e que tenham uma ótima semana. S2