Meu namorado é um Dementador
6 Capítulo 6 - Fora das expectativas
Notas iniciais
Miranda se senta de sopetão, encarando ao redor. Havia um lago e um Testrálio a encarava:
—O que... Eu estou na Floresta Proibida? –ela se pergunta, vendo o Testrálio se aproximar –Eu... Fui acertada pelo patrono do Alvo... Não sei bem o que aconteceu depois... –estava confusa, coloca sua mão em seu rosto. O Testrálio chega perto e bufa, passando o focinho em sua bochecha –Hei, o que você quer? Desculpa, não tenho maçãs hoje. –a criatura bufa de novo pra ela, que revira os olhos e se levanta –O que você quer afinal?
Como se quisesse ouvir aquilo, o Testrálio vai para trás de Miranda e a empurra com sua cabeça, fazendo-a caminhar:
—Você quer que eu te siga é? –ela coloca a mão no focinho do animal, que bufa e começa a trotar. Os dois caminham até uma grande árvore, o Testrálio para –O que houve? –ele faz um sinal com a cabeça e ela olha para frente, vendo um vulto negro no leito do lago que se estendia até aquele local –Espera, aquele é... –sua voz some ao entender o que era aquilo –Por que me trouxe até ele? Quer que eu morra?! –ela sussurra para o Testrálio, que revira os olhos e indica o Dementador com a cabeça –O que? Tá me dizendo que esse... Bicho que me trouxe aqui? –ele confirma –Pifou esse seu cérebro de cavalo?!
Um estralo a faz olhar para trás, a criatura agora a encarava. Ela ouve outro som e vê o Testrálio fugindo:
—Filho da puta, me traz até aqui e me abandona desse jeito?! –ela berra, porém paralisa ao sentir uma aproximação gelada, arregalando os olhos e virando lentamente a cabeça.
O Dementador estava na sua frente, um som estranho de respiração soava do capuz que o cobria. Miranda sabia que aquele era o seu fim, e ninguém nem ao menos acharia seu corpo. Ela vira a cabeça de lado e fecha os olhos, como se aquilo a protegesse do Dementador. E espera. Espera mais um pouco... Não ia acontecer nada?
O Dementador pega gentilmente a mão dela, que se assusta e abre os olhos, encarando-o.
Não vou ataca-la. Fique tranquila.
—E-e-essa voz... É você? –ele concorda com a cabeça –C-como que...
O toque, por ele fica mais fácil falar.
—Não vai sugar minha felicidade? –ela engole em seco, querendo muito sair correndo de lá:
Não.
—Foi você que me salvou? Eu só lembro de cair...
Sim. A trouxe para cá para protege-la.
—Me proteger? Do que?
Da luz.
—“Luz”? Fala do Patrono? Aquilo não é capaz de me ferir, ele é feito para repelir vocês, Dementadores. –ela aponta para ele com a mão livre:
Mas o humano que o conjura é capaz de te ferir.
—O que quer dizer com isso? –o Dementador vira a cabeça para o lado, como se enxergasse algo além –Hã, Senhor Dementador? –antes que ela falasse mais alguma coisa, ele a puxa para o canto e os dois ficam atrás de uma arvore de tronco grosso –O que você...
Fique em silêncio.
Vozes são ouvidas, alguém estava por perto. Miranda tenta olhar, vê ao longe duas pessoas caminhando, estavam à procura de algo.
Aqueles são o Hagrid e a Diretora? Ela pensa consigo, tentando escutar o que eles conversavam:
—...Poderia estar em qualquer lugar, você sabe, a Floresta Proibida é imensa e nem um pouco amigável. –Hagrid encara a Diretora:
—Hagrid, você não entendeu, a aluna foi pega por um Dementador. –Minerva o olha com cara de desespero:
—Dementador? Bem, isso complica... –ele coça a barba –É capaz de ela já estar... Você sabe.
—Isso é um desastre! –ela berra, caminhando na frente:
—Minerva, espera! Não se pode ficar sozinha nessa floresta! Minerva! –Hagrid corre atrás dela, os dois sumindo floresta adentro:
—Eles estão me procurando... –Miranda murmura –Eu preciso voltar! –ela se vira e dá de cara com o rosto encapuzado do Dementador, fazendo-a soltar uma exclamação de susto:
Não é seguro você voltar.
—Que? Óbvio que é, é você a ameaça aqui! –ela se arrepende no mesmo momento do que falou. O Dementador agarra seus braços bruscamente, ela tenta recuar, porém sem sucesso:
Você não vai voltar!
Antes eu soltasse um grito, Miranda sente suas forças se esvaírem, seus olhos pesam, e ela desmaia.
~.~.~.~.
Novamente Miranda acorda de sopetão, porém o movimento brusco lhe dá uma dor de cabeça:
—Sério, logo agora? –ela coloca a mão na testa, olhando ao redor. Estava no mesmo lugar que havia acordado antes, e nas margens do lago estava o Dementador, parecia encarar as águas.
Com um suspiro, Miranda se levanta devagar, sentindo dores por todo corpo. Tinha quase certeza que estava com aqueles ferimentos de frio em seus braços devido ao que aconteceu antes. Ela se aproxima do Dementador, que apenas continuava flutuando no mesmo lugar.
Antes de perceber qualquer movimento, a mão do Dementador já estava sobre a sua:
Desculpe, eu me exaltei.
A voz do Dementador soava um tanto triste:
—Hmm... Você sabe que eu tenho que voltar, não é? –ela o encara:
Sim...
—Eu vou estar segura dentro do castelo, quem quer que você diz que pode me machucar, não pode fazer isso no castelo.
Tem certeza?
—É mais fácil dar uma surra em alguém fora do castelo, longe dos olhos dos professores, como a Floresta Proibida. –ela ri, indicando o local em que estavam –Ainda mais que estamos com uma regra agora de não sair do castelo após a noite.
Então seria melhor para você retornar...
O Dementador parecia cabisbaixo, Miranda morde o lábio inferior, xingando-se mentalmente por ter um coração mole:
—Por que você está atrás de mim? Por que quer tanto me proteger? –ela toma coragem de perguntar o que a mais incomodava:
Por quê? Acho que é porque você chamou minha atenção.
—Como?
Dias atrás, quando tentei sugar sua felicidade... Não havia felicidade.
—Ah, então foi por minha vida ferrada que você agora me persegue? É, faz sentido. –ela suspira:
Prometa-me...
—Hã?
Prometa-me que vamos nos ver as noites.
—Oh oh oh, pera aí, vamos com calma! Primeiro, você é um Dementador. –Miranda aponta para ele –Segundo, se esqueceu que eu falei que estamos sob uma regra estritamente restrita sobre os alunos não poderem sair do castelo? E terceiro, quem deu direitos de você mandar em mim? Eu mando em mim mesma! –ela termina bufando, largando a mão dele e cruzando os braços.
O Dementador faz um movimento, ela acha que a princípio ele ia pular encima dela de novo, até que entende aquele levantar e abaixar de ombros. O Dementador aparentava estar rindo:
—Hã... Dementadores riem? Essa é nova... –ela murmura, desconfiada. O Dementador gentilmente pega a mão dela, que o encarava com um olhar suspeito:
Vamos fazer do seu jeito, venha me ver quando puder.
Isso foi mais fácil do que planejei... Miranda pensa, encarando-o:
—Vai parar de me atacar no castelo? –ela levanta uma sobrancelha:
Eu não estava atacando, só estava... Ele se interrompe ao sentir o olhar dela. Certo, vou apenas observar.
—E de preferência de modo que ninguém o veja.
Nas sombras.
Os dois se encaram, e então riem:
—Vou voltar então, antes que façam um funeral pra mim sem meu corpo. –ela sorri e larga a mão do Dementador, que apenas a encara enquanto ela vai caminhando até um Testrálio que resolveu aparecer ali perto. Ela o monta e olha o Dementador –Até a próxima, e obrigado por não sugar minha felicidade, Sr. Dementador! –ela ri, abanando para ele, que faz o mesmo. Com um comando, o Testrálio logo sai galopando pela floresta.
No que eu me meti dessa vez? Conversando amigavelmente com um Dementador, prometendo que o encontraria de novo... Qual é o meu problema?! Miranda pensa enquanto saía da Floresta Proibida, dando de cara com ninguém menos que Hagrid, Minerva e o professor John:
—M-MIRANDA?! –Minerva berra enquanto o Testrálio empinava e derrubava ela, fugindo de volta para a floresta em seguida:
—Valeu mesmo, da próxima não vai ganhar maçãs! –Miranda berra para o Testrálio ainda do chão. Um pigarro a faz olhar para os três adultos que a encaravam –Hã... E aí gente! Não virei comida de Dementador, yay! –ela sorri nervosa para eles. Minerva vai até ela e se ajoelha, abraçando-a:
—Nós te procuramos por toda a floresta! Achamos que você estava morta! –ela se desvencilha e a encara de cima a baixo –O que o Dementador lhe fez? Sugou sua felicidade? Como está se sentindo?
—Eu... Hã...
—Como fugiu? Espera, o que são essas queimaduras?
—Hã...
—Minerva, deixe ela respirar um pouco. –John intervém, fazendo as duas levantarem do chão –Hagrid, poderia levar Miranda até a enfermaria, esses ferimentos parecem ser sérios. –Minerva faz questão de abrir a boca, porém ele intervém –Primeiro vamos cuidar da saúde dela, depois a bombardeamos de perguntas. Devemos saber se ela realmente está bem.
—Você... Tem razão. –Minerva suspira –Saúde em primeiro lugar.
Com isso, Hagrid ajuda Miranda a ir até o castelo, onde os alunos começam a cochichar entre si, espalhando rapidamente a notícia sobre o retorno dela:
—Você vai se tornar a nova celebridade. –Hagrid comenta, dando sua risada característica:
—Claro, adoro. –Miranda bufa. Um aluno passa pelos dois, um frio percorre pela espinha dela. Ela olha para trás, esperando ver quem era o aluno.
Porém ele não estava mais ali.
Será que foi minha imaginação? Um fantasma? Ela pensa, enquanto Hagrid abria as portas da enfermaria.
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