Meu namorado é um Dementador
7 Capítulo 7 - Desconfianças
Notas iniciais
—Miranda!!! –Travers entra berrando na enfermaria, esbaforido e preocupado.
Miranda estava sentada em uma cama, falando com a diretora e comendo feijões mágicos:
—Já disse, quando acordei não havia mais nenhum Dementador. –ela bufa, parecia que já tinha repetido aquela história antes:
—Miranda! –Travers para na frente da cama dela:
—Ah, oi Travers! Que bom que veio, assim a diretora vai parar de me fazer repetir mais de vinte vezes que o Dementador não estava mais lá quando eu acordei! –ela sorri docemente para ele, o tom meio histérico:
—Não faça parecer que eu sou a vilã, mocinha! –Minerva a olha de cara feia –Estou preocupada com você!
—Mas nós já vimos que eu não tive minha alma sugada pra fora do meu corpo e não tenho nenhum osso quebrado, eu apenas estou cansada e queria descansar um pouco! –ela implora:
—Responda as perguntas e então a deixarei descansar!
—Mas eu já respondi!—Travers, vendo a situação complicada, dá um passo à frente:
—Diretora MacGonagall, se a senhora permitir, eu poderei fazer as perguntas que a senhora deseja para a Miranda, assim as duas poderão descansar e colocar a cabeça no lugar. –ele sugere. Minerva o encara por alguns segundos, até que solta um suspiro:
—Você tem razão, vou deixar com você então. –ela se levanta –Tenha um bom descanso Miranda.
—Obrigada diretora. –Miranda sorri e a diretora desaparece pela porta. Miranda encara Travers –Valeu por tirar ela daqui, eu já estava pirando.
—Miranda! –ele se joga nela, dando-lhe um enorme abraço, fazendo-a rir –Onde raios você esteve?! Não imagina quanto cabelo arranquei porque não me deixaram ajudar a te procurar!
—Calma calma, estou aqui agora, sã e salva, sendo que na realidade quem me resgatou fui eu mesma.
—Como? –ele se desvencilha do abraço, encarando-a confuso:
—Eu acordei na floresta proibida, quando vi que não tinha ninguém ao meu redor, procurei um dos Testrálios, montei nele e fui em direção ao castelo. –ela explica de forma monótona, já que havia repetido essa história diversas vezes pra diretora:
—E o Dementador?
—Sumiu. Evaporou. Não sei porque ele me deixou na floresta. Ou melhor, por que ele me raptou.
—Miranda.
—Sim?
—O Dementador te deixou ir, não é? –o olhar dele dizia que ele não havia engolido aquela história:
—Não! Ele não estava lá! Eu acordei e...
—Miranda.
—Eu.
—Eu te conheço faz tempo, sei quando você está mentindo.
—Eu não estou mentindo! –ela se faz de ofendida, ele lhe lança um olhar –Só... Ocultando certas partes... –ela faz bico:
—Sabe que dá pra confiar em mim, não? –ele suspira –Não vou contar pra McGonagall, vou recitar essa sua versão besta de um Dementador simplesmente desistir de sua presa.
—Não precisa soar tão descrente, eu realmente não sou comida pra dementadores. –ela ri, fazendo-o encara-la –A real é que, de fato, quando acordei, o Dementador não estava lá, mas eu o encontrei e... –ela pausa, não sabendo como continuar:
—Ele tentou te dar o beijo?
—NÃO! –ela fica nervosa –Ele... Não tentou me dar o beijo... Ele... Conversou comigo.
—“Conversou”? Ok, eu já li no livro que eles falam, mas o que um Dementador falaria? “E aí, posso sugar tua felicidade de boas? ” –Travers ironiza:
—Não, ele me falou sobre alguém capaz de me machucar. –ela olha para as mãos –Dizia que iria me proteger dessa pessoa. Aí o Hagrid e a diretora estavam me chamando no meio da floresta...
—E ele não te deixou ir com eles?
—Não, ele pirou quando disse que queria voltar, e desmaiei de novo.
—Você adora desmaiar né? –ele ri:
—Pare de rir! –ela bufa –Quando acordei de novo, consegui convencer ele a me deixar voltar, e é provável que agora os ataques de dementadores terminem.
—Espera, simplesmente você o convenceu? Como?
—Digamos que eu meio que disse que iriamos nos ver de novo...
—É O QUE?! –ele quase pula encima dela –Pirou de vez?! E a regra de não sairmos do castelo?! Sem tirar o fator Dementador!
—Eu sei, eu sei, mas se eu não dissesse isso, ele continuaria me perseguindo e Deus sabe lá quando eu conseguiria voltar pro castelo! –os dois se encaram, até que Travers suspira:
—Nesse ponto você está certa, parecia que era o único jeito... –ele se senta na cadeira –Mas se você for se encontrar com o Dementador, eu quero saber.
—Pra que? Não vai me dizer que você vai lá falar com ele e... –ela vê o olhar dele –Nem a pau! E se ele lhe der o beijo?!
—Ele não deu o beijo em você!
—Mas eu sou um caso diferente!
—E o que a faz ser um caso especial?
—Porque eu não tenho quase nenhuma felicidade na minha vida! –quando Miranda nota o que havia falado, cobre a boca e se encolhe na cama:
—Miranda... –Travers estende a mão em direção a ela:
—Esquece o que falei tá? Eu só não quero que um Dementador maluco deixe uma das poucas pessoas que me importo como uma casca vazia. –ela sente a mão dele fazendo carinho em sua cabeça:
—Não se preocupe, não vou deixar que um Dementador me pegue assim tão fácil. –ele sorri –Mas queria que você confiasse mais em mim para me contar essa história de não ter felicidade nenhuma.
—É um assunto... Delicado.
—Quando se sentir à vontade de me contar, estarei à disposição.
—Obrigada. –ela o encara com um sorriso. A porta da enfermaria é aberta bruscamente:
—MIRANDA!
—Se eu ganhasse um real por todas as vezes que gritaram meu nome hoje, tava rica já. –ela suspira, vendo que quem chegava a frente de sua cama era nada mais, nada menos que Alvo Severo Potter –Alvo?
—Você está bem?! Vim o mais rápido possível assim que ouvi que você estava de volta! –ele lhe abraça, fazendo-a encarar Travers com uma cara de socorro:
—Não precisa ficar alarmado, estou bem. –ela lhe dá uns tapinhas nas costas, ele se desvencilha do abraço:
—Me desculpe, eu devia ter a ouvido naquele momento, não achei que ele iria fazê-la cair da vassoura.
—Hã? –então ela entende do que Alvo estava falando. A partida de quadribol. O pomo de ouro. Quando o estranho Dementador a agarrou no céu e Alvo conjurou o patrono, fazendo toda aquela confusão que terminou em seu rapto.
O humano que a conjura é capaz de te ferir.
As palavras do Dementador soam na mente dela. Será que ele falava de Alvo? Seria Alvo na verdade um grande vilão?
—Miranda? Tudo bem? –Alvo pergunta, fazendo-a sair de seus devaneios:
—Ah, claro, eu apenas viajei aqui. –ela sorri:
—Você deve descansar, passou por muita coisa. –Travers segura a mão dela, fazendo Alvo o encara-lo com cara feia –Deixe que eu falo pro Alvo o que aconteceu, já deve estar cansada de repeti-la mil vezes. –Miranda o encara desconfiada, porém ele lhe lança uma piscadinha e um sorriso, ela sabia que ele ia aprontar alguma:
—Espera, eu quero conversar com a Miranda! –Alvo reclama, Travers pega o braço dele e começa a arrastá-lo:
—Claro, claro, faça isso mais tarde, vamos deixar a Mirandinha dormir! –ele o puxava até a porta:
—Espera! Miranda! –e a porta da enfermaria fecha na cara dele.
Miranda fica encarando a porta, e logo começa a rir. Ainda entre risadas, se ajeita na cama e deita, esperando dormir.
~.~.~.~.~.
Um dia depois de seu retorno ao castelo, Miranda finalmente é liberada da enfermaria, se espreguiçando no momento que sai pela porta:
—Ah, liberdade, finalmente! –ela sorri, encarando os alunos que caminhavam em direção ao salão comunal:
—Mas já te liberaram é? –Travers aparece do lado dela, sorrindo:
—É, eu só precisava de um bom descanso e cuidar de alguns machucados de nada!
—Ah claro, descansar, você pediu pra não ser liberada antes das aulas acabarem né?
—Que? Eu faltando as aulas de propósito? Que sacrilégio falar isso de mim! –ela faz uma falsa cara de surpresa e os dois caem na risada:
—Vamos, você deve estar morrendo de fome. –os dois começam a caminhar:
—Com certeza, só me deram sopinha pra comer, e odeio sopa. –Miranda suspira –E como foi com o Alvo? Te encheu muito o saco?
—Se encheu? Ele não calou a boca desde que você sumiu, e só piorou quando não conseguiu falar direito contigo. Tu tá me devendo, e muito pra eu aguentar esse cara.
—Só um abraço não ajuda? –ela sorri:
—Não. –ele a olha sério:
—Quando irmos para Hogsmeade, te compro o que tu quiser.
—Agora está falando a minha língua. –os dois entram no Salão Comunal rindo, porém as risadas morrem quando todos no salão os encaravam, ou mais especificamente, encaravam Miranda:
—Acho que agora sou o novo show de aberrações daqui... –ela murmura enquanto passava pelos diversos alunos que cochichavam entre si:
—Logo logo eles esquecem. –os dois se sentam no lugar de sempre na mesa da Sonserina:
—Espero.
Eles pegam algo para comer, e enquanto comia, Miranda nota Alvo vindo em sua direção:
—E aí Alvo! –ela cumprimenta de boca cheia:
—Cadê os modos? –Travers a encara, ela dá um tapinha nele:
—Miranda, soube que te liberaram, que coisa boa! –Alvo se senta do lado dela que estava vago –Como está?
—Uma dorzinha aqui e ali, mas o importante é estar viva né? –os dois riem:
—Não consegui me desculpar direito pelo que aconteceu...
—Nem te preocupa, sabemos que não dava pra fazer nada. –ela o interrompe, querendo acabar logo com aquela história –Como disse, o importante é que estou aqui agora né? Então vamos seguir em frente. –ela sorri:
—É... O importante é que você está aqui, a salvo. –ele concorda, sorrindo de volta.
Ele é capaz de te ferir.
De novo as palavras do Dementador soam na cabeça de Miranda. Ela queria entender o que elas significavam, se eram realmente sobre Alvo. Até ele me falar de quem estava falando, vou ficar de olho no Alvo. Miranda decide:
—Semana que vem vai ser divertido. –as palavras de Alvo a tiram de seus pensamentos:
—O que tem semana que vem? –ela pergunta:
—É o passeio por Hogsmeade, lembra? Finalmente vamos ver outro lugar que não seja o castelo. –Alvo sorri –Você vai, certo?
—Ah, claro, só tenho que falar com a diretora sobre minha autorização, meu pai disse que ia mandar depois. –ela pega mais um pão de mel, comendo e conversando, feliz.
Mal sabia ela o desastre que a aguardava.
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