Meu marido é uma maldição
4 Capítulo 4
Abri os olhos lentamente sentindo o ambiente a minha volta, estava diferente. Parecia que eu estava no quarto do andar de cima, em uma cama de casal no centro do quarto.
—Andy.—Senti as mãos gélidas de Thomas no meu peito.—Qual o motivo...Dessa foto estar no seu bolso?
Arregalo os olhos me sentando na cama com rapidez.
—Que foto?—Congelo.—Não lembro de ter foto nenhuma no meu bolso.
Olho em volta percebendo que eu estava no maior quarto da casa, na cama de casal.
—Não tinha esses móveis antes.—Mudo de assunto confuso.
—Eu restaurei os móveis pra te fazer uma surpresa, sua cama estava demorando muito pra chegar e eu havia cansado de te ver na boia.—Ele segurava a foto entre os dedos.—Mas não mude de assunto, Andrew.
Ele me encarava, eu não conseguia identificar se ele estava bravo, triste ou preocupado, talvez uma mistura de todos eles.
—Olha, Thomas, eu peguei essa foto nos teus documentos no cartório da cidade, me desculpe.
—Então você já deve saber que ele é meu marido, correto?—O olhar dele se volta para a foto.
—Sim, e eu gostaria de esclarecer umas coisas com você agora, eu não sou ele, mesmo que pareça muito, eu não sou esse cara! Thomas você tem que aceitar que-
Thomas começou a chorar enquanto segurava a foto sobre o peito, me fazendo calar a boca por um tempo.
—Você é sim ele, eu acompanhei cada uma das tuas reencarnações, você é a que mais chegou perto de se parecer com meu Andy...
—Isso existe?—Minha cabeça se inclinou confuso.
Ele olha pra mim e passa as mãos pelas minhas bochechas.
—Eu deveria ter reencarnado com você, eu deveria viver com você, mas eu me prendi a essa casa idiota! Mas tudo bem, contanto que eu ainda possa fazer sua vontade antes da morte.—Ele sussurra me deixando ainda mais confuso.
—Minha vontade antes da morte? Do que você tá falando?
—Andrew, há muitos e muitos anos eu tive um relacionamento escondido com um homem igual a você.—Ele diz se sentando na cama.
-Bem, disso eu já sei.
—Mas um dia, esse homem teve que ir para a guerra e eu não pude acompanha-lo já que não fui aceito no exército por conta de uma doença.—As lágrimas escorriam pela tua face pálida, caindo em cima da foto.—Seu último pedido, era que eu cuidasse da casa, eu lembro você sussurrando isso no meu ouvido como se fosse ontem.
Meu rosto se suavisou.
—Meu mundo se despedaçou quando não te recebi no dia de sua volta, você não chegou, eu esperei 3 dias e você nunca chegou...—Ele soluçou.—Eu me tranquei naquele quarto no porão e deixei com que minha doença me sucumbisse, eu não comi nada, passei os últimos momentos da minha vida em posição fetal dentro daquele quarto.
-—Mas, aquele santuário, quem fez?
—Eu não sei, meu espírito apenas acordou quando a sua primeira reencarnação leu aqueles votos de casamento.
Fiquei em silêncio por alguns segundos e coloquei a mão em suas costas
—Pode me dizer, como era a minha primeira reencarnação?—Esfrego minha mão em movimentos circulares.
—Era uma mulher, linda, com cabelos cacheados curtos que não chegavam no ombro, a personalidade idêntica a sua, quando ela morreu de câncer eu percebi que meu propósito aqui nessa casa era te atrair, atrair todas as tuas reencarnações pra sempre. Até quando você me apareceu como um gato solitário de rua, eu te amei.
—Mas, como você reconheceu que é o Andrew?
—Eu não sei, eu apenas sinto, a maldição só funciona nas reencarnações.—Ele se levanta da cama flutuando.
Ele flutua até a janela olhando a rua lá fora.
—A verdade é que eu não sei como libertar você da maldição, as vezes olhando pro meu espírito morto eu sinto pena das tuas reencarnações...
—Pena? Mas qual o motivo de ter pena?
Thomas se vira chorando ainda mais.
—O motivo foi porque eu te prendi aqui! Eu te prendi comigo, eu virei um imã pra você! Eu não posso evitar, eu te atraio e sinto uma obsessão por você! Se eu pelo menos estivesse vivo isso não seria tão ruim...—Ele treme entre lágrimas.
—Thomas, se liga.
Ele me olha confuso.
—Me ligar? O que você quer dizer com isso?
Bufo hesitando um pouco, mas eu tenho que fazer isso, mesmo que seja contra minha vontade.
—Eu te amo, Thomas e tenho total certeza que o outro Andrew também te amava, então, não acho que essa maldição seja só sua culpa, mas acho que esse sentido de 'imã' é por causa do amor entre vocês e não por conta da sua obsessão!
Os olhos de Thomas se iluminam por um segundo e ele sorri me abraçando.
—Eu...Não entendi nada que você falou, você fala embaralhado.
—Eu sei que você tá falando isso só pra mim falar 'Eu te amo' de novo.
—Hehe, me pegou♡
Sorrio apertando Thomas no meu abraço.
—Andrew, eu vou te dar um tempo sozinho, eu tô precisando pensar um pouco.-Ele passa as mãos pelo meu peito.
—Sem problemas.
Thomas sumiu em um piscar de olhos, eu suspiro me jogando na cama grande novamente.
—Uma coisa que me deixou muito confuso foi essa história do santuário, como pode ele ter aparecido do nada?—Coço a cabeça.
Meu telefone apita ao meu lado, me fazendo pega-lo com precisão, olhando minhs notificações eu percebo uma que pegou toda a minha atenção.
"Ah! Filho, esse homem na foto é o pai do seu tataravó, seu nome foi inspirado nele."
Minhas mãos tremem vendo a mensagem da minha mãe.
-OI!?!?!
As mensagens da minha mãe não pararam por aí, ela mandou um texto, contando uma história que esclareceu muita coisa, aparentemente esse Andrew MacMillan era quase uma lenda na nossa família e aparentemente só eu não o conhecia.
—Isso explica o santuário! E talvez com essa informação eu possa...Tentar libertar o Thomas.—Essa frase sai de imediato da minha boca.
É isso, esse é o motivo da alma do Andrew se atrair pra cá sempre, ele quer libertar o Thomas, é por isso que todas as reencarnações dele acabam aqui, ele deve se arrepender de ter dito aquilo pro Thomas.
—Beleza, mas como eu acho o Thomas? E como eu posso libertar a alma dele daqui?—Olho em volta.—Normalmente em filmes de terror eles queimam as casas.
É, é exatamente isso que eu tenho que fazer, eu tenho que queimar tudo, se esse lugar não existir mais o Thomas vai ser libertado daqui e eu tenho que contar a verdade pra ele.
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