Era onze da manhã de domingo, Leo olhou para o pub, um pouco desanimado. Ele esperava encontrar Nanami ou Asuka lá, mas a porta estava trancada. Decidiu ligar para o celular de Yusuke , mas foi direto para a caixa de mensagens. O estúdio de tatuagem também estava fechado.A ansiedade crescia dentro dele. Onde estaria Yusuke?

Enquanto caminhava pela rua perto da sua casa, ele viu um homem jovem, aparentemente albino vestindo um terno branco parado na escadaria do prédio .Leo se aproximou cautelosamente do homem, que parecia perdido em pensamentos. O rapaz tinha olhos claros e uma aura misteriosa.

—Ola Leonardo!cumprimentou o estranho, deixando o jovem um pouco assustado.

Leo nunca tinha visto aquele homem antes. Como ele sabia o seu nome?

—Não se assuste, não quero te machucar. Preciso te fazer algumas perguntas." O homem sorriu enigmaticamente. _Você conhece Yusuke, não é?

Leo sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Aquele homem, com seus olhos claros e sorriso enigmático, o deixava desconfortável. Mas a menção de Yusuke o fez prestar atenção.

—Sim, conheço. Por quê? Leo perguntou, tentando manter a calma.

—Sou amigo de família, respondeu o albino, _e estou preocupado com ele. Você sabe onde ele está?

—Eu não sei onde ele está, respondeu Leo, hesitando.

Um homem se dirigiu ao garoto e começou a acariciar seu rosto de forma sugestiva,Leo sentiu um arrepio percorrer sua espinha ao ser tocado pelo estranho. Os olhos claros do homem pareciam penetrar em sua alma, e ele sentiu uma sensação de desconforto, como se estivesse sendo observado por uma criatura de outro mundo.

—Vocês mestiços possuem uma beleza fascinante,_ sussurrou o desconhecido.

Leo, sentindo repulsa, afastou a mão do homem e rapidamente subiu as escadas..

— Você gosta de gatos, Leonardo? Pesquise sobre os nekomatas; tenho certeza de que vai achar bastante interessante,_ comentou o estranho antes de se afastar.

"O que será que há de errado com esse cara?" refletiu o jovem ao entrar no prédio.

Leo trancou a porta atrás de si, seu coração ainda disparado pela interação estranha. A imagem do homem albino não saía da sua cabeça, e a menção aos nekomatas parecia uma advertência mais do que uma simples curiosidade. Ele se jogou no sofá, tentando se acalmar, mas a inquietação não o deixava.

Decidido a descobrir mais, Leo abriu pegou o seu celular e começou a pesquisar sobre nekomatas. era criatura que estava nas pinturas de Yusuke.Ao visualizar a ilustração do monstro, uma estranha sensação de déjà vu o invadiu ao notar os olhos dourados do gato. A situação se intensificou quando ele acessou um site sobre mitologia japonesa e avistou a imagem de uma criatura chamada rokurokubi,era uma mulher que alongava o pescoço e tinha a capacidade de extrair o sangue ou a energia vital de suas vítimas. Imediatamente, o jovem se recordou da mulher esquisita que o abordou dias atrás.

Leo fechou os olhos por um momento, tentando afastar as imagens perturbadoras que surgiam em sua mente.. A descrição dos rokurokubi era inquietante,fazendo ele sentir um formigamento no lado esquerdo do pescoço e uma tremura no corpo todo.De repente, seu celular começou a vibrar; era seu pai enviando novamente o convite para o aniversário de sua madrasta. Ele decidiu ignora a mensagem e ir preparar um lanche.

***

Leo cochilava no sofá quando um barulho de discussão o acordou. Reconheceu as vozes da vizinha, Adaline, e de Yusuke. "Yusuke!", chamou, levantando-se e abrindo a porta. Adaline, com os braços cruzados e o rosto vermelho de raiva, apontava para o corredor.

— É muita irresponsabilidade deixar velas acesas com a casa vazia! Você poderia ter causado um incêndio! – acusou ela.

Yusuke, visivelmente irritado, tentou manter a calma. _ Garanto que essa foi a última vez, tá bom? – respondeu, mas seus olhos denunciavam sua frustração.

— E que tal a gente parar de discutir e tomar um chá? – sugeriu a mulher que ajudou Leo na escola, . – Ah, olá, cachos fofos! – cumprimentando o jovem acenando freneticamente , fazendo Yusuke e Adaline olharem para ele.

— Desta vez passa, mas se eu sentir cheiro de fumaça vindo desse apartamento ou te pegar fumando, chamo a polícia!, ameaçou Adaline, antes de se afastar.

Léo e Yusuke trocaram olhares. O jovem percebeu uma tristeza nos olhos do tatuador. Finalmente o havia encontrado, mas as palavras o falhavam. A mulher que acompanhava Yusuke aproximou-se, estendendo a mão.

— Oi, querido. Nunca nos apresentamos. Eu me chamo Shion e sou a tia de consideraçao do Yusuke.

Leo forçou um sorriso, sentindo-se um pouco aliviado por ter encontrado Yusuke, mas a tensão no ar ainda era palpável.

—Oi, Shion. Prazer em te conhecer, _ respondeu Leo, tentando esconder a inquietação.

Yusuke aproximou-se de Leo e, fungando, cheirou seu rosto como se sentisse um mau cheiro.

Leo ficou paralisado, a confusão se espalhando por seu rosto. _Yusuke, o que você estáfazendo? perguntou, sua voz saindo um pouco mais alta do que pretendia.

Yusuke se afastou rapidamente, com uma expressão que misturava desconforto e curiosidade.

—Desculpe, eu só... Aconteceu algo estranho hoje? A pergunta ecoou na mente de Leo, trazendo à tona a lembrança do homem estranho.

A tensão pairava no ar enquanto Leo tentava processar a pergunta de Yusuke. Ele hesitou, os eventos da manhã ainda frescos em sua mente.

—Acho que sim...começou Leo, sua voz hesitante.um homem me abordou na escadaria.Ele... era estranho e sabia o meu nome e também perguntou por você.

Yusuke franziu a testa, seus olhos cor de mel se estreitando.

—O que mais ele disse?

—Ele... Leo hesitou, tentando encontrar as palavras._Ele mencionou nekomatas e... falou sobrecomo os mestiços têm uma beleza fascinante. Ele sentiu um arrepio ao recordar o toque do homem.

A expressão de Yusuke mudou para uma preocupação profunda,Shion, que escutava atentamente, interveio.

—Querido, que tal entrarmos para tomar um chá?

Com um sorriso convidativo, Shion abriu a porta do apartamento de Yusuke. Leo, um pouco hesitante, cruzou a soleira , seguido de perto pelo tatuador.

O garoto sentou-se em um sofá de couro no canto, admirando a decoração. A parede verde-clara estava repleta de quadros que, Leo tinha certeza, foram pintados por Yusuke. Em dois deles, aparecia o mesmo nekomata laranja que havia nos quadros do pub.

Shion pediu pra Yusuke preparar o chá, ela sentou ao lado dele, sua expressão suave, mas seus olhos revelando uma intensidade que Leo não conseguia ignorar.

— Então, você disse que esse homem sabia o seu nome... _ Shion começou, seu tom era calmo, quase hipnótico.

—Sim, ele parecia... _ Leo hesitou, buscando as palavras certas. _ Como se soubesse tudo sobre mim. E ele falou sobre nekomatas.

Com uma voz suave como seda, Shion sussurrou: _Leo, o que você sabe sobre nekomatas?

A voz da mulher estava ecoando na cabeça de Leo: _ Na internet, li que são gatos monstruosos com a cauda bifurcada e que manipulam cadáveres", respondeu o garoto, sentindo uma estranha sonolência.

— Sobre o que mais você pesquisou, Leo?O tom de sua voz, suave como uma canção de ninar, fazia com que as palavras escapassem dos lábios do jovem quase involuntariamente.

—Sobre... rokurokubi..., murmurou ele, com a mente nublada.

—Você se lembra daquela noite, Leo? A noite em que você foi atacado por uma rokurokubi ?, insistiu Shion, e um arrepio percorreu a espinha do garoto.

Leo assentiu lentamente, a memória daquela noite horrível voltando à tona. A pele arrepiou e o coração acelerou._Sim... eu me lembro.

—Se lembra de Yusuke te ajudando depois do ataque? A mulher continuou, sua voz suave como uma canção de ninar. _Se lembra dos olhos de Yusuke? Como eram os olhos dele, Leo?

Leo hesitou, a mente nublada. As imagens daquela noite voltaram com força. A criatura horrível, a dor, o desespero... e então, os olhos de Yusuke, brilhando intensamente na escuridão.

— Ele estava lá... ele tem olhos... olhos de... – A voz de Leo falhou. – Ele é um nekomata.