Meu crush sobrenatural
12 Capítulo Onze
O coração de Leo palpitava acelerado. Não era apenas a excitação de visitar a misteriosa livraria de Margot, uma poderosa feiticeira, e desvendar os segredos do mundo sobrenatural. A verdade era que estar de mãos dadas com Yusuke, como se fossem um casal, o deixava completamente nervoso.
—Onde está sua moto? – perguntou Leo, com as bochechas coradas.
Yusuke, com um sorriso enigmático, respondeu: – Não prefere aproveitar a noite? A lua está linda.
A proposta de Yusuke era tentadora demais para ser recusada. A noite se estendia sobre a cidade, um manto de estrelas cintilantes cobrindo o céu. A brisa suave acariciava seus rostos, carregando consigo o aroma de flores e grama úmida.Andando lado a lado, Leo e Yusuke conversavam sobre tudo e nada. A presença do outro o acalmava, e a cada palavra trocada, a conexão entre eles se fortalecia.
Ao chegar ao local, Léo se surpreendeu. Esperava encontrar uma grande livraria, mas deparou-se com uma pequena banca de livros cor de rosa, quase escondida entre as flores vibrantes das jardineiras brancas. A porta de vidro revelava um interior minúsculo e aconchegante, com prateleiras de madeira repletas de livros antigos e raros. Um suave aroma de papel velho e café pairava no ar. No centro, um balcão de madeira rosado abrigava uma caixa registradora antiga, que parecia ter saído de um filme de época.
Um sino tintinou suavemente quando Yusuke empurrou a pesada porta de vidro. Atrás do balcão, uma figura se agitou, revelando um ser bizarro. Leo piscou, tentando processar a imagem: uma criatura estranha, com um único olho gigantesco ocupando quase todo o rosto, careca, de pele acinzentada e com a estatura de uma criança. Vestido com um pijama verde desbotado.
—Boa noite, Hisoka, viemos buscar livros ;Yusuke disse. O ciclope resmungou algo que parecia em japonês e jogou uma chave para Yusuke. Com um gesto brusco, levantou uma alçapão e apontou para a escada abaixo.
Yusuke puxou a mão de Leo, os dois descendo as escadas de pedra úmida que pareciam não ter fim. A penumbra que envolvia o local era cortada apenas por uma tênue luz que vinha de uma janela distante. À frente, o pequeno ciclope, Hisoka, deslizava rapidamente pelos degraus, seu único olho cintilando com uma curiosidade infantil. Yusuke se virou para Leo, um sorriso brincando em seus lábios. _Não se preocupe, sussurrou, notando a expressão cautelosa do amigo. _Ele é um hitotsume-kozo, sabe? São bem inofensivos, geralmente brincalhões. Mas o Hisoka aqui é um caso à parte, um verdadeiro rabugento, explicou o tatuador, a voz carregada de um humor divertido. Leo soltou uma risadinha nervosa, seus olhos fixos no ciclope que já os havia alcançado.
A descida interminável finalmente chegou ao fim, revelando um espetáculo que deixou Léo boquiaberto. Uma biblioteca gótica, com tetos altos e abobadados, estendia-se diante dele. A luz que inundava o ambiente era suave e dourada, similar à do sol, mas impossível de ser proveniente de qualquer astro, já que estavam em um local subterrâneo e a noite já havia caído. Raios luminosos filtravam-se por vitrais coloridos, projetando padrões intrincados no chão de mármore. O ar era perfumado, com um leve aroma de couro antigo e papel envelhecido. Milhares de livros, encadernados em couro e veludo, ocupavam as imponentes estantes de madeira, convidando a serem explorados. Como seria possível construir um lugar tão magnífico nas profundezas de Ottawa? A pergunta ecoava em sua mente, enquanto seus dedos roçavam a lombada de um volume encadernado em couro vermelho, com letras douradas inscritas na capa.
'Alquimia para iniciantes'... A simples frase, inscrita com elegância, despertava em sua mente uma série de questionamentos sobre os conhecimentos ocultos que poderiam estar contidos ali. Yusuke, percebendo a fascinação de Leo, se aproximou e olhou por cima do ombro dele.
—Interessado em alquimia, é? perguntou, inclinando a cabeça. _Esses livros são um tesouro para quem busca desvendar os mistérios da magia. A chave teletransportadora que iremos usar foram desenvolvidas por antigos magos persas, há séculos. Dizem que eles as utilizavam para viajar rapidamente entre os reinos e realizar seus rituais secretos.
Leo sentiu um arrepio percorrer sua espinha ao ouvir as palavras de Yusuke. Ele ficava cada vez mais curioso e fascinado.
Hisoka, resmungou algo e apontou para uma seção da biblioteca. Yusuke sorriu. _Acho que nosso amigo está nos indicando onde encontrar o que precisamos.
Eles seguiram em direção à seção indicada por Hisoka, onde encontraram uma estante repleta de bestiários . Yusuke começou a procurar por um livro específico, enquanto Leo explorava os títulos.
O relógio da parede marcava inexoravelmente o passar do tempo. Meia hora já havia se esgotado e a ansiedade de Leo crescia a cada tique-taque. Com certeza, já eram mais de dez horas e sua tia, não iria perdoar mais um minuto de atraso. _Não vai dar tempo de ler nada, eu posso levar alguns livros?, suplicou, seus olhos fixos nos volumes empilhados na estante. Hisoka, resmungou alto em protesto. Yusuke, observava a cena com um sorriso divertido. _Infelizmente, não dá. Mas você pode voltar aqui a hora que quiser, disse, apontando para o relógio de parede. Seus olhos, no entanto, estavam fixos no hitotsume-kozo, que parecia zangado com a demora.
Leo e Yusuke saíram da biblioteca e seguiram para casa. Ao chegarem à rua do prédio , os olhos do jovem se arregalaram ao ver o carro da tia estacionado. _Ela vai surtar se nos ver juntos, murmurou, nervoso.
Yusuke, percebendo a apreensão do amigo, segurou sua mão. _Leo, você confia em mim? Leo, um pouco hesitante, assentiu. _Então se prepare para uma aventura.
Com um sorriso enigmático, Yusuke se agachou e retirou suas botas. Em seguida, algo incrível aconteceu: suas unhas se alongaram e se curvaram em pontas afiadas, seus olhos brilharam intensamente em um dourado felino, e de sua boca surgiram presas afiadas. Leo observava a metamorfose com espanto e admiração.
—Suba nas minhas costas, ordenou Yusuke, sua voz mais grave do que o normal. Sem hesitar, Leo se agarrou ao pescoço do tatuador e se deixou levar. Com um único salto poderoso, Yusuke impulsionou-se para cima, adquirindo a leveza e a agilidade de um gato. Em poucos segundos, eles estavam na janela do quarto de Leo.
Yusuke abriu a janela com cuidado e entrou no quarto, depositando Leo suavemente no chão. Antes que Leo pudesse reagir, Yusuke o puxou para um beijo intenso. A língua quente e úmida do tatuador explorava a boca de Leo, enquanto suas mãos percorriam o corpo do jovem. Quando se separaram, Yusuke piscou para Leo e disse, com um sorriso malicioso: "Até logo." Em um piscar de olhos, ele já havia desaparecido pela janela.
Leo, corado e ofegante, deitou-se na cama com o seu coração batendo acelerado no peito. Aquela noite seria inesquecível.
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