O sábado havia chegado de repente, e Leo mal podia esperar para sair do trabalho. A ansiedade o corroía enquanto ele olhava para o relógio, cada segundo parecendo uma eternidade. Camilla, sua colega de trabalho, o observava com um sorriso irônico. _Parece que alguém está ansioso para ir embora, hein?, provocou ela, sua voz carregada de deboche. Leo revirou os olhos, tentando ignorá-la. A última coisa que ele precisava era de uma discussão com Camilla, principalmente depois de ouvir de Yusuke que ela vinha mandando mensagens picantes para ele nas redes sociais.

Finalmente, o expediente chegou ao fim. Leo saiu correndo da cafeteria, aliviado por deixar aquele ambiente para trás. Ao chegar em casa, encontrou sua tia Mandy e Shion conversando animadamente na sala de estar, tomando chá. _Olá, querido! Como foi o trabalho?, perguntou sua tia com um sorriso acolhedor. Mas havia algo estranho naquela voz... Era a mesma entonação que Shion usava quando falava com ele. Um arrepio percorreu a espinha de Leo. "Será que ela já a hipnotizou?", pensou ele, observando Shion com desconfiança. A mulher piscou um olho para ele, como se tivesse lido seus pensamentos.

Leo engoliu em seco, tentando manter a calma. A situação era mais estranha do que ele imaginava.

—Tudo bem, tia. Foi um dia normal, respondeu ele, forçando um sorriso.

—Que bom que você está bem, querido. Mas, e aí? Já arrumou as coisas para ir dormir na casa do Robin?

A pergunta o pegou de surpresa."Casa do Robin? ela não confiar no Robin!"pensou Leo ,Shion não havia pensado em uma mentira melhor?

Leo respirou fundo, o peito apertado pela culpa. Enganar e manipular a sua tia era a última coisa que queria, mas não via outra saída. Com a voz embargada, forçou um sorriso: _Sim, tia, só vou tomar um banho rapidinho e o pai do Robin já vem me buscar._A mentira ecoou em seus ouvidos, deixando um gosto amargo.

A expressão de Mandy iluminou-se. _Ótimo! O Robin sempre foi tão gentil com você. Aproveite bastante!

Leo assentiu, mas a sensação de estar em um labirinto sem saída crescia dentro dele. Ele se dirigiu ao banheiro, tentando processar tudo. Enquanto a água quente escorria pelo seu corpo, sua mente vagueava.A ideia de viajar para o Japão através de um portal mágico o enchia de pavor. Uma tatuagem de proteção, com Yusuke ao seu lado... era uma aventura, sem dúvida, mas o medo de algo dar errado o consumia.Vestiu-se rapidamente, as roupas preparadas para a jornada. Uma viagem inesquecível, com certeza, mas também um salto no escuro.

Leo olhou para o celular: eram 21h30. Despediu-se de sua tia, que ainda conversava animadamente com Shion, e saiu do apartamento. Ao chegar ao apartamento de Yusuke, bateu à porta, que foi aberta imediatamente.

— Está pronto? – perguntou Yusuke, com um sorriso nos lábios.

Leo assentiu com a cabeça e entrou. Yusuke, então, retirou de sua mochila uma chave antiga, com um brilho dourado.

— Está na hora. Segure firme.

Leo entrelaçou seus dedos aos de Yusuke, e juntos, eles giraram a chave na fechadura. A porta, antiga e de madeira escura, começou a emitir uma luz lilás intensa, e símbolos estranhos se materializaram em seu batente. De repente, a porta se abriu, revelando um quarto aconchegante e familiar. Yusuke puxou Leo para dentro, e o jovem se viu em um dia ensolarado. Olhando para o relógio digital sobre a escrivaninha, constatou que eram 10h30 da manhã.

— Bem-vindo a Kyoto e ao meu antigo quarto – disse Yusuke, jogando sua mochila sobre a cama.

Leo não conseguia acreditar no que acabara de acontecer. Viajou de Ottawa a Kyoto em questão de segundos. A porta do quarto se abriu e uma garota, com menos de um metro e sessenta, adentrou o cômodo. Seus longos cabelos negros, emoldurados por uma franja, balançavam enquanto corria em direção a Yusuke. Vestida em um delicado vestido floral rosa, ela o abraçou com força. _Onii-san!, exclamou.

—Yā, imōto, genki?, respondeu Yusuke, retribuindo o abraço. Olhando para Leo, soltou a irmã. _Leo, esta é minha irmã, Ayako.

Antes que Leo pudesse dizer qualquer coisa, Ayako já o envolvia em um abraço apertado. _Muito prazer em te conhecer, Leo, e bem-vindo à família! Suas palavras, junto com o abraço caloroso, fizeram Leo corar.

—Ayako, por favor, não envergonhe nosso convidado – interveio uma mulher, que parecia uma versão mais velha de Ayako, com cabelos castanhos curtos e um vestido preto elegante.

—Oi, mãe, disse Yusuke, um pouco tímido. _"Oi, mãe"? Não fique aí parado, venha me dar um abraço! A mulher abriu os braços, e Yusuke a abraçou, lançando um olhar para Leo. Em seguida, a mulher se aproximou de Leo e o cumprimentou com um sorriso gentil. _Olá, Leo. Sou Riko Iekami.

Leo sorriu timidamente para Riko, sentindo-se um pouco deslocado._ É um prazer conhecê-la, senhora Iekami.

—– Por favor, me chame apenas de Riko. Não sou casada e nem sou tão velha assim. – Riko sorriu, colocando Leo à vontade

— Ela só tem cento e cinco anos! — exclamou Ayako, rindo.

Riko lançou um olhar sério para a filha. — Para uma hanyō, eu ainda sou jovem.

Leo arregalou os olhos. A ideia de que Yusuke e sua irmã poderiam viver por séculos enquanto ele, um simples humano, envelheceria e morreria o deixava perplexo.

— Então, vocês irão na casa do Shiyoku? – perguntou Riko, seus olhos brilhando de curiosidade. A casa antiga, com suas paredes de madeira escura e janelas com vidros coloridos, era um lugar cheio de mistérios.

— Sim, iremos agora. Só passamos aqui para o Leo conhecer vocês. – Yusuke sorriu, passando o braço pelo ombro de Leo, que corou levemente. O jovem parecia um pouco intimidado pela atenção de todos, mas tentou disfarçar com um sorriso tímido.

Leo, por sua vez, sentia o coração acelerado. A ideia de conhecer o sensei tengu de Yusuke era empolgante e ao mesmo tempo um pouco assustadora. Afinal, o que esperar de um mestre tão poderoso e reservado?

Yusuke tirou a chave de metal incrustada de pedras preciosas do bolso e a examinou com cuidado. Era um objeto antigo e cheio de poder. – E melhor irmos. Passaremos aqui quando voltarmos. – Ele inseriu a chave na fechadura da porta, e um portal mágico começou a se formar, revelando uma floresta exuberante, com árvores gigantescas e uma luz verdejante que filtrava pelas folhas.

Ayako sorriu, seus olhos brilhando de admiração. – Vai usar magia estrangeira para ir até a montanha do seu sensei tengu? Isso vai irritar um pouco ele, não acha?

Yusuke deu de ombros, um sorriso divertido nos lábios. – Ele é apenas um pouco... reservado. Mas não se preocupem! – Ele estendeu a mão para Leo, que a pegou com firmeza.

Ao atravessarem o portal, uma brisa fresca e perfumada os envolveu. O canto dos pássaros e o som de um riacho próximo criavam uma melodia suave. Leo sentiu uma sensação de paz e aventura ao mesmo tempo.

— Vamos! – exclamou Yusuke, puxando Leo para dentro da floresta. Riko e Ayako acenaram para eles, seus olhos cheios de orgulho e expectativa.

Ao adentrarem a floresta densa, Leo e Yusuke pararam por cerca de dez minutos, sentando-se à beira de um riacho cristalino. A tranquilidade da natureza contrastava com a ansiedade de Leo, que, após um longo suspiro, indagou: _Não vamos em direção à casa do seu mestre? Lembro-me de sua mãe dizendo que ele tinha uma casa. Yusuke, com um olhar distante, respondeu: _Sim, ele tem, mas Shiyoku não aprecia visitas inesperadas. É melhor aguardarmos que ele nos encontre.

Antes que Leo pudesse fazer outra pergunta, um estrondo ensurdecedor ecoou pela floresta, acompanhado por uma violenta rajada de vento que sacudiu as árvores. Virando-se rapidamente, os olhos de Leo se arregalaram ao avistar uma figura imponente emergir das sombras. Era um ser humanoide de pelo menos dois metros de altura, com a pele avermelhada e um nariz comprido e curvado, características marcantes de um tengu. Seus olhos, escuros como a noite, emanavam uma aura de poder. Vestindo um kimono preto que esvoaçava ao vento, a criatura tinha longas asas negras estendidas, que pareciam prontas para o voo. Era Shiyoku.

Shiyoku parou em frente a eles, uma presença tão poderosa que fazia o ar ao redor vibrar. Leo prendeu a respiração, sentindo seu coração acelerar. O tengu olhou fixamente para Yusuke antes de desviar o olhar para Leo, seus olhos penetrantes como se quisessem desvendar os segredos mais profundos de sua alma.

— Você trouxe um humano até aqui? — a voz de Shiyoku era grave, cada palavra carregando um peso que fazia a terra tremer levemente sob os pés de Leo.

Yusuke, imperturbável, respondeu: — Sim, mestre. Leo é meu amigo e precisa de uma tatuagem de proteção. Kirio está caçando-o.

Ao ouvir o nome de Kirio, a fúria cintilou nos olhos de Shiyoku. Seus punhos se fecharam com força, as veias saltando em seus braços. — Esses lobos malditos! Sempre causando problemas e perturbando a ordem natural das coisas.

Shiyoku fitou Leo com determinação, respirando fundo. _Vou realizar a tatuagem nele à meia-noite. Mas antes, precisa descansar e se alimentar bem. O ritual exigirá muito de seu corpo. Yusuke assentiu, e o tengu, com um agudo chilrear, alçou voo _Agora podemos ir para casa dele, afirmou Yusuke, guiando Leo pela trilha.

Após uma longa jornada, a casa de Shiyoku surgiu à vista. Uma construção tradicional japonesa, toda em madeira, erguia-se imponente às margens de um lago sereno. A água, refletindo o céu azul, criava um ambiente místico e pacífico. Yusuke e Leo entraram em casa, tirando os sapatos na entrada. _Vem, Leo, vou te mostrar onde você vai dormir.' O quarto era pequeno e aconchegante, com paredes de papel e um futon macio no chão. _Deita aí, vou pegar uns cobertores. Tenho certeza que ess diferença de fuso, você provavelmente vai dormir feito uma pedra . Leo sorriu e deitou-se, observando Yusuke se movimentar pelo quarto.

Leo começou a tirar a camiseta, a impulsividade o consumindo. Antes que pudesse pensar duas vezes, já estava nu, deitado no futon. Yusuke, ao retornar com os cobertores, parou abruptamente ao ver o jovem exposto. Um misto de excitação e vergonha percorria Léo, mas foi a preocupação de Yusuke que o interrompeu.

— O sensei disse que o ritual exigirá muito do seu corpo, então você precisa descansar — disse Yusuke, ajoelhando-se ao lado do futon.

Leo sentiu-se um completo idiota. A ideia de transar naquele momento, enquanto deveria estar se recuperando, era de uma depravação absurda. Ao se levantar para pegar a cueca, Yusuke o impediu, segurando-o gentilmente pelo braço.

— Não precisa se mover. Apenas relaxe — murmurou Yusuke, deitando Leo novamente

Um beijo profundo e intenso se seguiu, as línguas se entrelaçando em uma dança frenética. Yusuke explorava cada centímetro da boca de Léo, descendo em seguida para beijar seu pescoço com ardor. Seus lábios quentes traçavam um caminho até o torso do jovem, provocando arrepios por toda a sua pele. Com um movimento suave, Yusuke separou as pernas de Leo e, com a destreza de um artista, levou seus lábios à virilha. Leo arquejou, sentindo um prazer intenso que o tomava por completo. Cada sucção, cada toque, o levava mais perto do clímax. E quando finalmente chegou, Yusuke ,limpando os vestígios do gozo, o segurou em seus braços, acalmando-o com beijos suaves. o segurou em seus braços, acalmando-o com beijos suaves.

— Agora você precisa dormir — sussurrou Yusuke, envolvendo Leo em um abraço protetor.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.