Meu cigano
2 Capitulo 1 - A Noiva Que Escolheu a Liberdade

Seu corpo era embalado por um sono leve. Não sonhava; apenas dormia. Sua respiração calma e o rosto sereno demonstravam que ela apenas descansava. Era fim de tarde quando Ângela, sua ama, entrou no quarto sem cerimônias e abriu todas as cortinas, revelando as enormes janelas. O sol, ainda que fraco, refletiu na pele pálida de Renesmee, fazendo-a comprimir os lábios em um muxoxo e tentar abrir os olhos sem sucesso. Quando finalmente conseguiu, viu Ângela parada à sua frente, com as mãos na cintura e uma expressão de desaprovação.
— Vosmecê tens que levantar. Já está tudo pronto para o seu noivado. — declarou Ângela, suavizando a expressão.
A ama era jovem e muito bela. Renesmee respirou pesadamente; algo a impedia de desejar aquele casamento. Não estava feliz com aquilo.
— Isso é tão injusto. — reclamou a ruiva, passando os dedos entre os enormes cachos e fitando o chão.
— Vosso pai acredita que seu casamento trará bons frutos. — Ângela tentou animá-la, sem sucesso, conseguindo apenas arrancar de Renesmee um longo suspiro.
— Quero casar-me com amor, não assim. — Renesmee levantou-se e se colocou diante do enorme espelho que havia em seu quarto.
— Se houvesse algo que eu pudesse fazer para ajudar… — Ângela tentou se mostrar útil.
Renesmee então a fitou, um sorriso começando a surgir em seus lábios.
— Vosmecê podes ajudar. — virou-se para ela. — Ajude-me a fugir.
A ama arregalou os olhos.
— Como assim? A senhorita enlouqueceu? Não posso fazer isso.
— Podes sim. Mande preparar meu cavalo. Irei me aprontar. Vosmecê não podes contar a ninguém. — avisou Renesmee, enquanto Ângela ainda tentava acreditar que aquilo não era brincadeira.
— Não podes me pedir isto. O que direi aos seus pais? — Ângela começou a se desesperar.
— Faça o que estou mandando. Não posso casar-me com Dylan. Queres que eu me ajoelhe?
Ângela suspirou, cansada.
— Farei o que vosmecê pediste. Sei que quando colocas algo na cabeça é difícil lhe fazer mudar de ideia.
Renesmee sorriu e foi até ela, abraçando-a.
— Obrigada. Mande preparar o cavalo e volte para ajudar-me a me arrumar.
Quando Ângela saiu do quarto, Renesmee sentiu o coração bater mais rápido. Sabia que o que estava prestes a fazer era errado, porém não sentia que seu futuro estivesse ali. Havia algo mais para ela, fora das propriedades dos Cullen.
Enquanto isso, Jacob Black observava o pôr do sol sentado sob uma árvore, comendo uma maçã, perdido em seus pensamentos. Sua vida estava mais monótona do que nunca, e uma ansiedade estranha o consumia quando Quil se aproximou e sentou-se ao seu lado.
— Então, por que estás tão quieto?
— Estou apenas a pensar. Sinto-me estranhamente ansioso hoje.
Quil sorriu.
— Seu pai nos avisou que não iremos fazer festa esta noite.
— Por quê?
— Ele disse que os ventos trarão algo para nós esta noite. Palavras dele.
Jacob riu.
— Seu Billy é assim mesmo.
— Jasmine está cada vez mais cabisbaixa. Vosmecê não vais assumir?
O suspiro de Jacob foi pesado.
— Não pretendo fazer isso.
— Mas pretende deitar-se com ela mais vezes.
— Ela deita-se comigo porque quer. Eu não a obrigo. E vosmecê não tens nada com isso.
— Meu casamento está por chegar. — comentou Quil, risonho.
— Pelo que percebo, estás quase a desonrar a moça.
— Mas vou me controlar. Claire é direita, e pretendo mantê-la honrada.
— Faz bem.
Os dois sentaram-se à frente do grande lago. Jacob fitou o sol se pondo e suspirou fundo, sentindo-se inquieto.
Renesmee já estava arrumada. Vestia um belo vestido azul-claro; as luvas e o chapéu eram da mesma cor. Seus cabelos ruivos caíam soltos, com cachos perfeitamente definidos, e seus olhos azuis brilhavam intensamente.
— Está tudo pronto. A senhorita tem certeza disto? — perguntou Ângela.
— Sim. Vosmecê fostes um anjo em minha vida.
— Está fazendo uma loucura.
— Minha mãe sempre me falou que o mundo é para os loucos. Fique tranquila, eu ficarei bem.
Saíram pela porta dos fundos. Já era noite, e o som dos convidados ecoava dentro da casa. Renesmee montou no cavalo branco, recebeu as rédeas e partiu.
O vento de liberdade batia em seu rosto enquanto o cavalo corria em disparada. O coração pulsava forte, o sangue fervia em suas veias. Pela primeira vez, sentia-se livre.
Após horas, o cavalo diminuiu a velocidade em um local desconhecido. Entre as árvores, uma cobra caiu à sua frente. O animal se assustou, empinou, e Renesmee caiu, batendo a cabeça com força contra uma pedra.
Na mansão, Esme subiu ao quarto da filha, sorridente. O sorriso morreu ao ver o quarto vazio.
— Nessie? Renesmee?
Desesperada, correu até a cozinha e segurou Ângela pelo braço.
— Onde está minha filha?
— Eu não sei, senhora.
— Se estiver mentindo, sofrerá consequências.
— Não estou a mentir. Sinceramente, não sei.
Esme seguiu até Carlisle e Dylan.
— Renesmee sumiu.
Edward, Emmet e Dylan se prontificaram a procurá-la.
— E tragam minha filha de volta. — ordenou Carlisle.
Na aldeia, todos estavam reunidos ao redor da fogueira, ouvindo as histórias de Billy, quando ouviram Quil gritar por ajuda. Jacob, Sam e Paul correram em sua direção, desaparecendo na escuridão.
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