Meu cigano
3 Capitulo 2 - A Forasteira de Olhos Azuis

Havia um lindo cavalo branco preso a uma árvore e uma moça ruiva extremamente bela. Aos olhos de Jacob, ele nunca havia visto tal beleza. Porém, havia um corte em sua cabeça, de onde escorria muito sangue. Ela estava desacordada e vestia um vestido de tecido caro; devia ser alguma burguesa rica que se perdera.
— De onde ela veio? — questionou Sam, fitando-a admirado, talvez por sua beleza incomum. Aquilo incomodou Jacob.
— Eu ouvi um grito e corri, encontrando-a assim. — explicou Quil, e todos assentiram.
— Vamos levá-la daqui. — decidiu Jacob.
Paul a pegou no colo com muita facilidade, já que ela era miúda, baixa e magra. Quando chegaram à aldeia, atraíram a atenção de todos. Billy sorriu com o canto dos lábios, aprofundando ainda mais as rugas do rosto. Raquel e Claire correram até Paul.
— O que houve? — perguntou Claire com sua voz calma e doce, tocando os cabelos sedosos da moça desacordada. Ela parecia muito mal.
— Levem-na para minha cabana. — ordenou Raquel.
Paul assentiu.
— Posso ajudar? — perguntou Claire docemente.
— Claro, fique aqui. — respondeu Raquel.
Na cabana ficaram Raquel, Claire e Jacob, que insistiu em permanecer. Raquel passou a noite inteira cuidando dos ferimentos da moça. Jacob e Quil acabaram saindo, e Claire permaneceu, pois ajudou muito Raquel.
Quando já havia amanhecido, Claire estava ajoelhada ao lado da cama, alisando os cabelos ruivos da moça com delicadeza, enquanto Raquel organizava tudo ao redor.
— Ela é bonita, não é? — comentou Claire.
Raquel parou o que fazia e fitou a moça adormecida.
— Sim, muito bonita.
— Você acha que ela vai ficar bem? Ela parece tão pálida… os lábios tão vermelhos. — analisou Claire.
— Não se preocupe, ela está bem. Vai acordar logo. — garantiu Raquel.
Claire sorriu, sapeca, e começou a ajudar a arrumar as coisas.
— Você viu como Jacob olhou para ela? Ele não saiu daqui enquanto você não garantiu que ela estava bem. — comentou, divertida.
— Você está vendo coisas. — respondeu Raquel, ajeitando as luvas e o chapéu da moça ao lado da cama.
— Como será o nome dela? — questionou Claire.
— Por que não para de falar um pouco? — sugeriu Raquel, arrancando uma risada da jovem.
— Está bem, vou pegar água. — avisou Claire, saindo da cabana.
No mesmo instante, Jacob entrou. Seus olhos pousaram na moça adormecida. Os cabelos ruivos espalhavam-se pelos ombros, mais vibrantes do que ele se lembrava. Os lábios rubros contrastavam com a pele extremamente branca.
— Ela não acordou ainda? — perguntou.
— Não. Saia daqui, Claire já vai voltar com a água. — respondeu Raquel, empurrando Jacob para fora.
Ele saiu sorrindo.
Renesmee sentia-se enjoada. Sua cabeça doía intensamente. Não se lembrava de nada além da queda do cavalo. Não sabia de onde viera nem para onde ia.
Abriu os olhos lentamente; a claridade a cegou por alguns instantes, mas logo se acostumou. Ouviu uma voz doce dizer algo como “corre, ela acordou”. Tentou se sentar, mas mãos firmes a impediram.
Olhou para o lado e viu duas mulheres: uma mais velha e outra que parecia ter sua idade.
— Ela tem olhos azuis. — disse a mais nova, animada, fazendo Renesmee se assustar.
— Não precisa se assustar. Quer se sentar? — perguntou a mulher mais velha.
Renesmee assentiu e se sentou com cuidado.
— Qual é o seu nome? — perguntou a jovem, sentando-se ao pé da cama.
Renesmee levou a mão à cabeça, franzindo o cenho.
— Pode doer por algum tempo, mas logo passa. — avisou a mulher.
— Qual é o seu nome? — insistiu a moça.
— Onde eu estou? — perguntou Renesmee, confusa.
— Na aldeia dos ciganos. — respondeu Claire, antes que Raquel pudesse falar.
— Sou Renesmee. — disse por fim.
— Sou Claire Young, futura parteira. — apresentou-se a moça, sorrindo.
— De onde você veio? — perguntou Raquel.
Renesmee tentou se lembrar, mas a dor foi intensa.
— Eu… não me lembro. — confessou, levando a mão à cabeça.
— Tudo bem. Quer um pouco de água? — ofereceu Raquel.
— Sim. — respondeu, tomando alguns goles.
— Seu vestido é tão bonito. — comentou Claire, passando a mão pelo tecido.
— Obrigada. — respondeu Renesmee.
Quando Jacob entrou novamente na cabana, Renesmee o fitou. Ele usava uma calça preta justa, camisa branca com alguns botões abertos e um lenço vermelho na cabeça. Um verdadeiro cigano.
Era absurdamente bonito. Os olhos negros eram profundos, e os lábios, grossos e convidativos. Renesmee sentiu o rosto ruborizar e abaixou a cabeça.
— Quer conhecer a aldeia? — perguntou Jacob.
— Claro que não! Ela acabou de acordar, está louco? — repreendeu Raquel.
— Está tudo bem. Preciso de ar fresco. — disse Renesmee.
Raquel assentiu, mesmo a contragosto.
Jacob estendeu a mão, e Renesmee a aceitou. Ele notou como a mão dela era extremamente macia. Caminharam lado a lado, e ela observava tudo ao redor, maravilhada.
— Qual é o seu nome? — perguntou Jacob.
— Renesmee… é a única coisa de que me lembro.
— Sou Jacob Black. Posso te chamar de Nessie? — perguntou, sorrindo.
— Ficou ótimo. — respondeu ela, com um sorriso doce.
— Você é muito bela. — disse ele, sem pensar.
— Obrigada. — sussurrou Renesmee, ruborizada.
Crianças correram até ela.
— Olha, tio Jack! Achamos uma princesa! — exclamou uma menininha.
Renesmee se abaixou, acariciando o rosto da criança.
— Eu também achei uma princesa. — respondeu, piscando.
— Está com fome, princesa? — perguntou Jacob.
— Um pouco de sede. — respondeu timidamente.
Ele trouxe dois copos com um líquido transparente.
— É melhor tomar tudo de uma vez.
Ela bebeu e fez uma careta.
— Isso é cachaça?! — perguntou, com os olhos marejados.
Jacob riu alto.
— Você disse que aguentava.
Billy se aproximou.
— Fostes aos céus e trouxestes um anjo, Jacob? — brincou.
Renesmee se apresentou como Nessie. Billy ofereceu abrigo, e ela aceitou.
Jasmine surgiu com um sorriso maldoso, insinuando problemas, mas Jacob a repreendeu com firmeza, deixando claro que Renesmee ficaria. Billy sorriu, orgulhoso.
Mais tarde, Jacob puxou Renesmee pela mão e beijou delicadamente a palma dela. O toque quente fez o corpo da moça arrepiar. Ela tentou beijar-lhe a bochecha, mas não alcançou. Jacob abaixou a cabeça, permitindo que seus lábios tocassem sua pele em um beijo suave.
— Até mais tarde. — disse ela.
Jacob a observou desaparecer na cabana de Claire, sorrindo. Permaneceu ali parado, sentindo-se estranho e diferente.
— Está encantado com essa moça? — provocou Quil, aproximando-se.
Jacob voltou à postura séria e o fitou com desprezo, fazendo o amigo gargalhar.
— Você anda muito metido. — resmungou Jacob, entrando em sua cabana.
Sentou-se na cama e soltou um risinho. Ele nunca fora de tratar mulheres daquela forma. Não sabia por que estava agindo assim… mas nunca havia visto alguém tão bela e doce quanto Renesmee.
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