Meu amor veste Dior.
9 Vinho, Baseball e Beijo
Notas iniciais
Eu nunca pude imaginar que eu teria uma amizade tão rápida com Jane. Porque no primeiro dia nós já tivemos pequenas “farpas”, eu diria. Mas eu sabia que ela seria uma ótima editora, e eu tive certeza a cada dia que se passava. Já faziam alguns meses no qual Jane estava trabalhando na Império da Moda, e eu soube, mesmo que ela não falasse diretamente para mim, que eu podia contar com ela sempre que eu precisasse. Foi quando precisei dela para fazermos as fotos em LA. Eu sabia que ela iria resmungar, ficar de cara feia e querer me matar, bem, foi isso que aconteceu, ela de ter me provocado abertamente, eu confesso que quase cai na provocação, mas eu não podia dar esse gostunho a ela.
Estávamos no estacionamento do shopping, e estávamos de mãos dadas, e um papparazzi nos fotografou. Eu já não me incomodava mais por conta disso, mas Jane ainda não estava habituada com esse “mundo da fama” afinal, agora ela estava sendo conhecida por conta das maravilhosas fotos que tiramos em LA. Depois das coisas que Jane falou, sobre as especulações da mídia em termos alguma coisa, me anestesiou, sinal que ela não importaria se fosse verdade, pensando bem, nem eu, já somos adultas e donas de nossos narizes.
***
– Entre Jane. Seja bem vinda ao meu lar.
– Eu não preciso tirar os sapatos, né, Maura?
– Hm. Não?!
– Ok, porque eu não iria tirar mesmo – ela sorriu e eu também. Afinal, Jane sendo Jane.
– Fique a vontade. — Me retirei e fui até a cozinha ver o que Mada havia preparado. E ela definitivamente acertou no menu, havia um pequeno bilhete onde estava escrito “fiz espaguete. O molho fica por sua conta, porque fica melhor feito na hora. Um grande beijo, minha pequena, e divirta-se” sorri ao ler o bilhete, voltei para sala e Jane estava sentada em frente à TV, assistindo algum canal de esporte que eu não me lembro qual, e com os pés descalços e cruzados em cima da minha mesa de centro. Fui ao lado dela e também retirei meu sapato de salto, sentei-me ao seu lado.
– Você levou bem à sério o “fique à vontade” né?
– Normalmente, eu faço tudo o que a minha chefe manda.
– Ah, é? — ela balançou a cabeça que sim.
– Então, lembra uma vez que você disse que sua espaguete era a melhor?
– Sim. Isso foi no primeiro dia em que nos vimos, na sala de entrevistas, por que?
– Porque minha babá deixou espaguete pronto, porém, ela não fez o molho, e você sabe que o diferencial em uma macarronada é o molho, exato?
– E...?
– E que você vai fazer.
– Vou?
– Vai.
Nos encaramos por alguns minutos.
– Já foi em algum jogo de baseball, Maura?
– Não! Por que?
– Quer ir esse fim de semana comigo assistir o poderoso RedSox?
– Sim. É legal?
– Demais. Mas já aviso antes – disse se levantado – vá com roupas menos extravagantes.
– Tipo como, Jane?
– Tipo, não ir de saias, ou vestidos, e nem salto alto, sabe como é ne?
– Incomodada com o jeito que me visto?
– Não, mas em um campo de baseball...
– Hm...
– Tem cerveja?
– Não apenas vinho.
Fomos para a cozinha e ela começou a preparar o molho para o tomate. Confesso a vocês que estava realmente cheiroso, e se o gosto fosse semelhança do cheiro, diria que ela já podia casar... comigo.
Com mais alguns minutos, o nosso jantar estava pronto. Peguei o meu vinho favorito e servi para nós duas, a macarronada estava com uma cara muito boa e meu estômago deu sinais de que estava realmente com fome.
Durante nossa janta, Jane me fez rir, me eu a fiz rir, o clima estava tão leve, e parecia que nos conhecíamos há muitos anos, a nossa sintonia era indescritível. Terminamos o nosso jantar, e voltamos para a sala com o vinho e nossas taças, e sentamos lado a lado, e começamos a conversar, mais ainda, enquanto bebíamos mais vinho. Já era tarde da noite, quando eu resolvi assistir um filme com Jane.
– Vamos assistir um filme?
– Vamos. Duro de Matar 4.0
– Que? Não, Jane. Filme de ação não. Quero os de romance.
– Really? Nicholas Sparks, Maura?
– O que você tem contra o Nicholas Sparks, Jane?
– Ué, que tipo de amor é aquele que ele escreve? O romance dos adolescentes apaixonados nunca dão certo, e quando adultos, já estão com outras pessoas, mesmo que o seu amor não sejam eles.
– Mas ele fala da essência do amor.
– Really? Não consegui ler nem o prefácio daquele livro “Diário de Uma Paixão” meloso demais, chato demais, me deu sono.
Olhei para Jane, e não estava acreditando no que ela estava falando. Eu não era uma boba apaixonada por romances de livros, e na minha concepção, um romance só é bom de viver, quando se há intensidade mútua, brigas e muitas reconciliações. Mas as obras do Nicholas Sparks, eram maravilhosas.
– Como pode dizer uma coisa dessas, Jane?
– Você iria ser feliz em estar ao lado de alguém que te amou a juventude toda, e na velhice, por causa de uma maldita doença, não se lembra mais de você, nem da família que teve?
– Mas ele esteve ao lado dela até o fim, e todos os dias ele contava para ela o romance que eles tiveram. Isso é o amor.
– Ah, Maura. Isso é irreal. — cruzei os braços e me virei, não gostei do que Jane disse, foquei minha atenção para a tv. — Really? Você ficou brava só por causa da minha opinião por causa de um livro besta? Maura...
Continuei emburrada sim, e eu nem sabia o que se passava no filme, mas eu não ia dar o braço a torcer. Jane estava totalmente errada em sua concepção sobre os livros de Nicholas Sparks.
– Maura, eu estou certa. Aquele outro livro dele, “Um Amor Pra Recordar” Maura, aquilo é inversão. Dizem que amar é viver, e ai me vem com “um amor pra recordar”? Desculpa, mas eu quero viver e recordar do meu amor todos os dias.
– Você sabe o que acontece nesse livro, Jane?
– Esse eu assisti o filme, então sim. E no final ELA MORRE. Por que ele não pode fazer um felizes para sempre? Tudo bem que o pra sempre nunca dura muito, só enquanto houver amor, e vida, né. Mas Maur, em nenhum livro dele, o casal vive o amor por mais tempo, sempre um morre, ou um não se lembra do que viveu, ou de quem amou.
A lógica dela estava correta, mas ela tinha que entender que eles amaram de verdade, e foram fiéis a esse amor. Mas a Jane é muito teimosa para entender isso.
– Maura... — ela segurou em minhas mãos e eu a olhei – eu sei que o amor que ele mostra no livro, é o mais puro e sincero que as personagens já viveram, mas eu, Jane, não queria um amor que tenha um fim trágico como o do livro, e eu nem sei por que a gente tá discutindo isso, por que duro de matar 4.0 é um dos melhores filmes de ação que eu já assisti.
Ela sorriu, e meu queixo caiu, Jane não podia estar falando alguma coisa daquelas para mim, tivemos uma longa discussão sobre filme de romance, pra ela voltar para o filme de ação e dizer que era o melhor? Me levantei, brava. Ela me irritou mesmo.
– Então fique com o seu filme de ação, irei tomar um banho. Tchau.
Subi as escadas para o meu quarto, e ainda pude ouvir Jane dando uma risada. Não sei o que tinha de engraçado ali. Mas antes de entrar no banho, separei uma tolha limpa para jane. E voltei para a sala.
– Se quiser tomar banho, aqui tem toalhas limpas, ok? Vai se sentir mais confortável em ver o seu filme de ação.
– Ok. Vou ao carro pegar minha calça de moletom, acho que deixei la. Você me empresta uma blusa?
– Sim. Deixairei no banheiro do corredor, segunda porta à esquerda.
– Obrigada, bravinha.
Jane era muito debochada. Sorri sem ela perceber e voltei para o meu quarto, afim de relaxar e tomar um banho quente. Em meia hora eu já estava pronta, com roupas confortáveis, de banho tomado, e de espírito renovado.
Voltei para sala e Jane já estava la, e já havia tomado banho. Estava linda com aquela calça de moletom, uma blusa minha de dormir de seda na cor crème, seu cabelo estava preso num coque no alto da cabeça, e estava toda esparramada no meu sofá, assistindo ao bentido filme de ação que ela queria assistir.
– Maur, tem certeza que essa blusa é de dormir? Porque ela é de seda, e é seda de seda mesmo.
– Sim. Ela é de dormir, e é bem confortável.
– Sério, Maur? Me pinica. É tão sofisticado que me pinica.
– Não acredito que você vive no meio de moda, e não gosta de roupa de seda.
– Não gosto de seda para dormir. No dia a dia eu sou obrigada a gostar de roupa de seda, porque eu preciso me vestir bem para trabalhar naquela agência, se não as pessoas me olham como se eu não soubesse me vestir. — ela se sentou no sofá, e me chamou para eu sentar ao lado dela – vem ca.
E eu fui, ela passou seu braço esquerdo ao redor do meu pesocoço e ficamos juntas, praticamente, e estava uma sensação tão boa. Comecei a prestar a ateção no filme, mas me bateu um cansaço tão grande que eu confesso para vocês que eu dormi o filme todo.
***
Sábado. Dia do jogo do RedSox contra os Yankes, e Jane iria me levar “vá com roupas leves, menos sofisticadas” ela disse. E eu estava a meia hora tentando achar uma roupa “leve” e “menos sofisticada” dentro do meu guarda-roupas. Eu já amanheci animada, não sei se pelo fato de estar indo pela primeira vez a um estádio de baseball, e agora eu não sabia qual roupa usar. Meu nível de amizade estava tão grande com Jane, que ela já havia me dado a chave de sua casa, e eu a minha. Então era capaz dela chegar e eu ainda estar enrolada na toalha.
– Não acredito que você ainda está assim, Maura.
– AÍ! Que susto Jane.
– Maura.
– Ok, eu não sei o que vestir. — Sentei-me desolada na cama. Assisti Jane caminhar em direção ao meu guarda-roupa e bagunçá-lo todinho, eu estava a beira da histeria, quando ela joga pra mim uma calça jeans, voltou a mexer no meu gurda roupa e tirou uma blusa da calvin klein que era azul maarinho.
– Você tem dez minutos para se vestir. Use sapatilha, ou tenis, mas não salto alto. Eu ja venho.
E dito isso, ela saiu correndo não sei para onde, e eu fui me arrumar. Podia admitir que Jane tinha bom gosto para roupas, mesmo que ela tenha bagunçado meu guarda roupa inteiro.
– Vamos? Uau, tá linda hem.
– A pessoa que escolheu tem bom gosto.
– Com certeza tem.
– Aonde foi?
– Fazer xixi – rimos – vamos, estamos atrasadas já.
***
Chegamos ao estádio do RedSox e já dava para ouvir os gritos dos eufóricos torcedores do time da casa. Jane estava bem agitada e parecia uma criança. Entregamos nossas entradas e partimos para a arquibancada, em meia hora o jogo iniciaria, e estavam todas as torcidas torcendo como se cada time já tivesse conquistado a vitória, eu não entendia nada daquele jogo, mas acho que Jane iria me explicar, claro. Os minutos se passaram e com isso o início da partida. Mais gritaria, mais palavrões. Eu até que estava gostando, eu não entendia nada, então, não adiantava gritar também. O Red Sox estava vencendo por 5x2 e já estávamos no intervalo. Jane comprou para nós mini cachorros quentes, e suco de laranja, porque eu não tomo refrigerantes, óbvio. Estávamos sentadas conversando, quando ouvimos todo mundo gritando, e não sabíamos o que era, quando uma moça atrás nos exclareceu:
– vocês estão sendo filmadas na tela do beijo.
– Ah, tá. Brigada. O QUE?! Jane e agora?
– Agora o que? Eu não sei.
“BEIJA, BEIJA, BEIJA, BEIJA, BEIJA, BEIJA, BEIJA”
Estava gritando todos do estádio, e a camera não saia de cima de nós. Eu estava sem reação, quando senti a mão de Jane na minha nuca, e me chamando baixinho, me virei e foi muito rápido, e senti os lábios dela sobre os meus, em um encaixe perfeito dos seus lábios nos meus.
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