Meu amor veste Dior.
8 Apenas um sonho?
Notas iniciais
Acordei com o toque leve de alguém sobre meu ombro, e uma voz baixinha chamando por mim. Eu estava ouvindo bem longe, mas aí começou a ficar mais forte o som da voz, reconheci que era Maura que estava me chamando. Acordei com o pensamento de que ela estaria ao meu lado da cama, sorrindo para mim, e me dando um “bom dia, Jay”, doce ilusão. Abri os olhos e levei o maior susto. Maura estava de roupa, um short jeans e blusa branca, olhei para a janela e ainda estava escuro.
– Você estava cansada hem.
– Eu dormi? Onde você tava, Maura?
– Assim que você saiu do banho, e estava lendo, e aí eu me levantei e fui buscar nossa janta, que demorou meia hora para ficar pronta, por sinal.
– Então foi tudo um sonho – murmurei baixinho.
– Oi?!
– Nada, o que você trouxe?
– Salada, arroz integral e frango grelhado.
– Really? Arroz integral, Maura?
Ei já estava brava por tudo o que eu senti não ter passado de um sonho, e um sonho muito real, e ela me vem com folhas e arroz integral? Eu queria mesmo era gordura, carne vermelha, hamburguer. Fiz careta e só comi porque eu estava com fome. Eu estava quieta, mas também, quem não ficaria depois de saber que um sonho gostoso daquele não passou de um sonho? E o que mais me deixava puta da vida, era que eu sentia como se fosse real, com se Maura estivesse me trazendo aquelas sensações maravilhosas, de fato; eu parecia sentir a pele dela roçando na minha, seu cheiro na minha pele, suas unhas me arranhando, parecia tão real, e no entanto, não era.
– Aconteceu algo, Jane?
– Oi? Ah, não, eu só estou pensando. Será que as fotos irão ficar boas? — desconversei. Maura sorriu pra mim de um jeito diferente, seus olhos brilharam antes de falar:
– Tenho absoluta certeza que sim. Ainda tenho certeza que terá foto sua até no TimeSquare.
– Ok, Maura. Isso foi exagerado. — Rimos.
– As fotos ficaram lindas e muito natural, Jane. Acredito que estará nos principais out doors do Estado.
Bom, se Maura estava falando isso, talvez estaria mesmo. Fomos nos arrumar para dormir de fato, a chuva não dava trégua, e iriamos sair assim que as decolagens fossem liberadas, e o meu único desejo aquela noite era que aquele sonho não se repetisse.
***
Havia se passado duas semanas desde as sessões de fotos na praia. Eu estava indo com Maura em um shopping, após o expediente. Era aniversário de casamento dos pais dela no próximo fim de semana, e ela queria comprar algo para eles. Eu não entendo, porque eles têm tudo o que querem, pra que Maura irá comprar um presente para eles? Enfim. Estávamos passando pela TimeSquare, quando eu parei no sinal, eu estava prestando atenção à frente, quando Maura me cutuca, e me mostra uma das placas enormes do TimeSquare mostrando um slide das fotos que eu tirei, e pasmei, gente, era uma sequência de dez fotos, e lindas. Eu fiquei boba.
– Acho que você me deve um jantar, Jane.
– Uau.
– Cara, as fotos ficaram boas mesmo. Nem parece que sou eu.
– Precisamos comprar a revista. Lá deve estar muito mais maravilhosa.
“Muito mais maravilhosa” ok, Maura, se eu estivesse totalmente insana, eu teria beijando aquela boca naquele momento.
Chegamos ao estacionamento do shopping e logo fomos a uma banca de jornal e compramos a revista que Maura estava louca para ver, eu nem tanto. Adentramos ao shopping, e eu senti o peso da fama, ou da quase fama sobre mim. Maura já sabia lidar com isso, mas até ontem, eu era apenas uma editora na revista que dava a minha opinião sobre moda, não uma aspirante à modelo verão Miami Beach. Então, foi aí que eu me tornei uma figura pública, eu sempre fui rabugenta pra algumas coisas, e eu acho que eu teria que ser menos nessas ocasiões, até porque, eu não poderia controlar os outros. Eles iriam tirar fotos com ou sem o meu consentimento, né? Então, o jeito era saber lidar com isso.
Percebi algumas pessoas cochichando e apontando para mim e Maura, ela alheia a revista, e eu incomodada com as pessoas sacando seus celulares e nos fotografando, enfim, assim que era a fama, uma grande chatisse.
***
Maura fez a compra que tanto queria, e só para comprar um presente, passamos horas andando pelo shopping.
– Maura, estou com fome. Ou a gente come um lance, ou vamos embora.
– Calma, Jane. A Mada está com o jantar preparado pra nós.
– Quem é Mada?
– Mada é minha ajudante lá em casa. Ela quem faz as coisas pra mim. Na verdade, ela é minha babá. Não a dispenso por nada neste mundo.
– Você ainda tem sua babá? Que meigo, Maura.
Rimos, e ela me deu um tapa no braço, não doeu, mas eu não deixei de fazer um pequeno drama por isso. Logo senti sua mão deslizar sobre meu braço direito, e sua mão se encontrar com a minha, e automaticamente nossos dedos se entrelaçaram, e para mim, aquilo foi algo tão natural e espontâneo que eu nem percebi. E eu sempre esqueço dos paparazzis dos infernos, e logo um, bem a nossa frente, tirou duas fotos, e saiu correndo. E eu ainda consegui xingá-lo. Maura me olhou com cara feia, mas eu ignorei. Entramos no carro e partimos direto para a casa dela, eu estava com fome, e se tivesse só mato lá, eu iria pedir uma pizza de calabresa.
– Urubus!
– Agora é assim, jane. Só quero saber quem irá pagar mais por essas fotos.
– Eles ganham grana a nossas custas, podíamos muito bem cobrar uma porcentagem, não é mesmo?
– Sério?
– Sério. É só nós duas estarmos juntas que brota paparazzi até do inferno.
– E isso te incomoda?
– O que?
– Estarmos juntas e eles aparecer?
– Que? Não, Maur. Estar com você, seja aonde for, é gostoso, é bom, mas você atraí eles com sua beleza, sei lá. Não gosto deles enchendo nosso saco pra vender as fotos pra revistas de fofoca e inventar especulações sobre o que somos, se somos amigas, namoradas ou qualquer coisa que seja.
– E isso é ruim?
– Só não gosto de especulações, Maura. Se tivermos algo, como eles dizem, pode ter certeza que eu não hesitaria em assumir.
E realmente eu não hesitaria. Até porque, não tinha motivos para hesitar, que o povo falassem o que quisessem falar. Maura e eu somos adultas para sabermos fazer nossas próprias escolhas. E não dizem que o amor vem de onde menos esperamos? Se fosse com ela – Maura – eu iria afundo com toda a certeza e sem medo nenhum de ser feliz.
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