Meu Sonho
4 Notas
Notas iniciais
"Esperança. A única coisa mais forte que o medo"
— Presidente Snow, Jogos Vorazes
As cenas voltaram lentamente a mente de Naruto assim que a menina se virou. Todos os elementos do momento em que ele acordou estavam ali: a luz forte, o reflexo dos cabelos pretos azulados contrastando com uma pele incrivelmente branca. Aquela era a mesma visão, só que com muito mais vida, uma vez que o sol era o protagonista e não a luz fria do hospital. E, dessa vez, havia um bônus: ele podia ver com clareza o rosto da garota que aparecia em seus sonhos.
O misto de sensações que tomava o amigo naquele momento não passou despercebido por Sakura, que ao olhar dele para a outra amiga, pode constatar que a situação de Hinata não era muito diferente. Percebendo a tensão quase palpável, ela resolveu se pronunciar.
— Naruto! — chamou sua atenção, mas ele não desviou o olhar. — Essa é a amiga que eu te falei, o nome dela é Hinata.
— Hinata… — ele sussurrou. Ela, por sua vez, mesmo surpresa, corou. O seu nome sendo pronunciado por ele era tão bonito.
— Sim. E, Hinata, esse é o Naruto. O dono do apartamento!
Ela virou para Sakura com um tom desesperado.
— Ele é o amigo?
Sakura sorriu, tinha alguma coisa acontecendo ali que, por algum motivo, não era capaz de desvendar, mas ela julgou algo muito bonito. Para ela, era como se estivesse acontecendo um reencontro de almas, de duas pessoas que se amaram de uma forma silenciosa. Era visível o desconcerto dos dois.
Naruto, por sua vez, sabia que precisava quebrar aquela tensão. Além disso, havia muitas perguntas para as quais precisava de respostas. Por isso, estendeu a mão sorrindo.
— Prazer, Hinata!
Ela deu um sorriso tímido, enquanto colocava uma mecha do seu cabelo atrás da orelha.
E Naruto apenas observou, seu sorriso diminuiu, mas não perdeu o brilho. Era um simples sorriso de admiração. Ela aquecia seu coração, lhe dava paz e tudo o que ele queria, naquele momento, era ficar ao lado daquela garota para sempre.
Ela levantou a cabeça e o encarou novamente, agora com um sorriso maior, só que ele reparou que as bochechas de Hinata estavam um pouco vermelhas e não era pelo sol. Achou fofo, ela estava com vergonha. Com certeza, o tinha reconhecido.
— Prazer, Naruto-kun!
“Naruto-kun". Aquela era — com toda a certeza — a voz dos seus sonhos, mas ele ainda era levado a crer que sua mente estava lhe pregando uma peça. Seria muita coincidência a sua garota-anjo ser justamente a amiga que Sakura queria ajudar. O destino seria tão bom ao ponto de unir sua melhor amiga com a garota que tanto procurara? Precisava descobrir se aquela garota era realmente a sua Hinata.
Ela estendeu a mão para apertar a dele e o coração de ambos batia em ritmo acelerado, a expectativa. Ele queria muito sentir o toque da menina, acreditava que, com isso, sanaria quaisquer resquícios de dúvidas de que a menina à sua frente era a mesma dos seus sonhos.
Viu o seu aguardado momento escapulir, literalmente, de suas mãos no momento em que Hinata foi puxada por alguém, ação seguida de um grito dado pela menina. Naruto não se moveu, ainda surpreso com o que acabara de acontecer.
— Kiba! — gritou Sakura, dando uns passos à frente.
Naruto olhou em direção ao mar e viu Hinata ser carregada por um cara.
— Kiba? — ele perguntou meio rouco de raiva.
— O idiota do amigo dela. — Sakura respondeu, indo em direção ao Sasuke que tentava montar o guarda-sol.
Ele não tirou os olhos do “casal”. Estava incomodado? Claro que estava. Quem não estaria? O seu momento havia sido estragado. E aquilo só aumentou a raiva que sentia do tal Kiba, sem ao menos entender o porquê de somente a pronúncia do nome dele já lhe agitar os nervos.
A calma só veio quando encontrou aquele olhar ao longe. Mesmo sendo carregada para o mar, Hinata não desviara o olhar de Naruto.
Kiba a carregou no ombro direito e a menina apoiava os braços nas costas do rapaz para que sua cabeça pudesse ficar levantada. Percebeu o esforço que ela fazia para encará-lo meio sem graça, mesmo assim, Hinata sustentou o olhar por todo o caminho. E, antes que o amigo a jogasse na água, sorriu e deu um tchauzinho para Naruto, recebendo um sorriso de volta, antes do rapaz afundá-la.
Involuntariamente, levou a mão na altura do coração, ainda tentando entender como aquela garota conseguia lhe causar sensações tão novas e ao mesmo tempo tão familiares. Andou até os amigos para ajudá-los, mas não desistiria de conversar com a Hinata ainda naquela manhã.
Enquanto era carregada para o mar, Hinata pensou em tudo o que tinha acontecido na sua vida durante aquele ano longe de Naruto. Lembrou-se do dia em que ele acordou e, automaticamente, seus olhos se encheram de lágrimas. A dor de quase perdê-lo, a felicidade de poder presenciar seu despertar e o medo que surgiu em seguida.
Sim, teve medo. Naruto não a conhecia e ela não sabia ao certo como ele iria reagir ao vê-la. Por isso, não teve coragem de encará-lo e fugiu. Voltou para a casa aquele dia aos prantos e seu pai, preocupado com toda a história que a filha havia contado, foi ao hospital no mesmo instante pedir sigilo da identidade de Hinata. Uma família capaz de desligar os aparelhos de um adolescente em coma por dinheiro, poderia ser capaz de qualquer coisa nessa vida. O doutor Lee relutou em atender aquele pedido, acreditava que o laço criado entre os dois seria importante para a recuperação de seu paciente, mas entendia a preocupação de Hiashi, era uma situação deveras delicada. Ele acabou acatando a decisão e, quando Jiraiya o procurou, não passou uma informação se quer.
Naquele verão, ela viajou com o pai e a Hanabi. E foram férias muito boas, não podia negar. Hinata aproveitou cada momento com o Hiashi e a irmã, mas sempre sentia falta do tempo que passava com Naruto, de visitá-lo, de ler para ele e dividir pequenas coisas do seu dia.
Estava sendo uma boba em alimentar esses sentimentos? Provavelmente, mas era inevitável, da mesma forma que não conseguiu lutar contra o seu temor pela sua rejeição. Havia se encantado por um menino cujo a voz nunca ouvira, os olhos conheceu por uma fração de segundos e da história dele pouco sabia, mas já o considerava forte por resistir à morte e tudo mais enfrentaria a seguir. Jamais suportaria ser rejeitada por alguém que ela admirava. O seu coração não aguentaria, já estava abalado demais com o fato de quase tê-lo perdido para sempre.
A decisão que tomou foi a que julgou mais certa: entrou para a faculdade e se dedicou ao máximo aos estudos. Teve a sorte em conhecer a Sakura, quando a professora sorteou os trabalhos em grupo e, desde aquele dia, não se desgrudaram.
Em determinada altura, ela ficou sabendo do seu problema com a colega de quarto. Quer dizer, não era bem lá um problema, mas Sakura era sempre muito exagerada e falava que a situação era grave. Hinata gostava de Shion, achava a garota muito divertida e alegre, só que, por ter uma condição financeira boa e não precisar de uma bolsa para se manter na faculdade, não se ligava tanto em ter as melhores notas. Exatamente por isso, eram bem opostos: enquanto Hinata passava os fins de semana estudando, Shion se acabava em festas e isso não seria um problema, se não implicasse em quebra de regras, já que ela sempre voltava com um garoto a tiracolo no meio da madrugada.
Por não querer ser conivente com aquilo — e nem ser obrigada a presenciar as “aventuras” da colega de quarto, Hinata levava seus livros para o corredor e estudava lá. Falava para Sakura que ficava até um horário seguro para que pudesse voltar ao quarto, mas a amiga sabia que as festas da faculdade frequentadas por Shion nunca acabavam em horários seguros para nada.
Moral da história: por mais que gostasse de Shion, foi convencida por Sakura de que realmente precisava morar em outro lugar e foi aí que ela ofereceu o apartamento em que morava com o namorado e o amigo. De início, Hinata relutou, mas depois pensou no assunto e por que não?
E quando Sakura disse que ia lhe apresentar o amigo, nem em seus melhores sonhos ela poderia imaginar que seria o Naruto. O seu Naruto.
Kiba a jogou na água, tirando-a de seus pensamentos e ela mergulhou, ficando submersa, pensando em como o destino lhe pregava peças. Primeiro, viu Naruto em coma e, agora, um ano depois, o encontra ali, na mesma universidade que ela e, pelo o que a Sakura disse, frequentando o mesmo curso que elas, sendo o calouro delas.
Ela queria gritar, seu coração ao mesmo tempo que estava aquecido de felicidade estava morrendo de medo. Não tinha como pensar em nada direito, sua mente estava uma bagunça e o sorriso que ele lhe deu antes dela ser jogada na água lhe acendeu a esperança de que ele também sentiu alguma coisa, não sabia exatamente o que, mas ele sentiu. Engraçado, tinha esperado tanto por aquele momento, mas agora não sabia o que fazer.
Voltou a superfície e olhou na direção onde Naruto estava. Só que ele já tinha saído dali e se dirigido até os amigos. Estava sem camisa agora e não tirava os olhos do mar. Ele conversava sim, mas olhava para o mar e ela queria acreditar que era na sua direção.
Ele estava tão bonito, tão diferente do rapaz que encontrou desacordado. Não estava mais pálido, sua pele havia adquirido um tom mais bronzeado. Já não parecia tão franzino, com o corpo bem definido. O rosto corado, os cabelos em loiro tão brilhante e seus olhos, ah, seus olhos… Hinata começou a boiar na água e olhou para céu. Fechou os olhos e guardou a nova lembrança dos olhos de Naruto: um azul tão lindo e cheio de vida.
Ela sorriu como uma boba, uma boba apaixonada.
— Hinata! — gritou Kiba, tirando-a de seus devaneios a tempo de fazê-la perceber que estava sendo puxada para o fundo. Ela nadou de volta em direção ao amigo. — Você quer morrer?
— Kiba, deixa de ser exagerado. Eu ia perceber que estava sendo puxada pela correnteza.
Ele analisou a amiga e percebeu que ela estava diferente. Não parava de olhar para a areia. Olhou na direção em que ela olhava e viu o rapaz loiro encarando-a.
— Você está afim do cara?
Hinata arregalou os olhos e corou. Kiba riu da atitude da amiga.
— Você está afim dele. Se quiser, posso te ajudar! — disse ele, andando em direção à areia. Hinata o segurou pelo braço.
— Você está maluco? — Hinata o afundou na água e depois o levantou. — Vai dizer o que pra ele? “A minha amiga estranha está afim de você?” — disse, engrossando a voz na tentativa de imitá-lo.
Kiba jogou uma grande quantidade de água em Hinata.
— Eu posso ajudar! Sei que você é tímida e ele parece ser um cara legal…
— Você não entende! — Hinata o interrompeu. — É muito mais que isso.
O rapaz olhou para amiga, que agora encarava o horizonte. Ela afundou praticamente todo o seu corpo, deixando apenas a cabeça para fora da água. Ele foi em direção à ela e baixou da mesma forma, imitando-a.
— O que está acontecendo, Hina?
Ela não o olhou. Fechou os olhos com força, tentando criar coragem para contar ao amigo o que afligia seu coração.
— Lembra quando eu visitava um rapaz em coma?
— Aquele que você ajudou a acordar, mas fugiu?
— Eu não fugi, eu só…
— O que tem ele Hinata?
Ela olhou para a areia e Kiba, novamente, acompanhou o olhar dela. Deu de cara, mais uma vez, com o rapaz loiro e, de início, não foi capaz de compreender o porquê dela puxar esse assunto agora. Mas, quando viu o olhar perdido de Hinata, a ficha caiu. Aquele cara era o rapaz que Hinata visitava.
— É sério isso, Hina?
Hinata apenas assentiu.
— Sakura sabe disso?
Ela negou.
— Ela sequer sabe que eu visitava alguém ano passado. — Hinata mergulhou e depois voltou olhando para Kiba. — Eu não sei como agir, estou com medo.
Kiba levantou uma das sobrancelhas questionando a amiga. Ela entendeu a pergunta e riu desanimada.
— De várias coisas! De ele não ser quem eu penso que é, de ele me rejeitar, de simplesmente ele ter me esquecido e…
— Hina, ele nem chegou a te conhecer, como você acha que ele vai lembrar de você?
Hinata já chorava, limpou disfarçadamente as lágrimas que caíam.
— Eu sei, eu só… queria que ele… eu não sei bem o que quero… na verdade, quero que ele saiba ao menos quem eu sou.
Kiba estava perplexo, pela primeira vez na vida não sabia como consolar sua melhor amiga. Tinha medo de não usar as palavras corretas e, simplesmente, estragar toda a esperança que Hinata tinha.
Ele olhou para o lugar onde os amigos estavam e deu um sorriso ao perceber que o loiro andava em direção ao mar com uma cara de poucos amigos. Com certeza, havia percebido que Hinata estava chorando e, na certa, achou que ele era o culpado. Kiba ficaria puto em qualquer outra situação, mas não naquela. Ele gostou daquela atitude.
— Está na hora de você parar de fugir e encarar esse seu passado. — Kiba disse levantando, se preparando para sair do mar.
— Do que está falando? — ela o encarou sem entender nada.
— Que o loiro está vindo aí e você vai poder descobrir o que ele sabe sobre você. — disse se retirando do mar, deixando uma Hinata surpresa para trás.
Observar Kiba e Hinata na água era como uma tortura. Sentia raiva do rapaz e nem sabia o porquê. Tinha certeza que Sakura e Sasuke falavam alguma coisa com ele, só não conseguia prestar atenção na conversa dos amigos. Seu foco estava no casal que conversava e nadava despreocupadamente. Pareciam se divertir e pareciam também ter bastante intimidade.
Naruto franziu a testa, sensação estranha. Estava com ciúmes de uma garota que tinha acabado de conhecer, apesar de achar que aquela era a garota dos seus sonhos.
Sua já curta paciência teve fim assim que viu Hinata um pouco encolhida, limpando o rosto. Ah, não! O idiota tinha feito ela chorar e ele jamais poderia tolerar isso.
Levantou, ignorando o gritos de Sakura e foi em direção ao mar. Kiba olhou em sua direção e logo começou a sair da água, deixando Hinata para trás.
Que ótimo amigo ele era, deixava ela chorando e ainda por cima no mar. Se já tinha algo contra o tal Kiba, aquilo só aumentou.
Ele passou do seu lado e Naruto nem se importou com o olhar que sentiu vindo de Kiba, continuou olhando para a morena que encarava o horizonte.
Naruto chegou perto de Hinata e viu ela estava de olhos fechados.
— Não devia fechar os olhos no mar, apesar de lindo, ele é bem traiçoeiro.
Hinata levou um susto e o olhou surpresa. “Ah claro idiota, assusta a menina!” — pensou Naruto, coçando a nuca totalmente sem graça.
— Me desculpe… meu tom de voz é mais alto que o normal.
Hinata não conseguia controlar seu coração, que batia desenfreado. Ouvir a voz de Naruto era como se fosse algo surreal. O timbre era grave, mas ao mesmo tempo empolgado. Era uma voz que passava vitalidade, a aquecia ao mesmo tempo que também causava arrepios e um friozinho na barriga quando lembrava de tudo que ele passara. Por tanto tempo, naquele hospital, desejou ouvir sua voz tanto quanto conhecer a cor de seus olhos, que seria difícil acostumar com ele a olhando tão profundamente e falando com ela de forma tão casual.
— Tudo bem! Eu que estou no mundo da lua hoje.
O silêncio prevaleceu por alguns segundos. Naruto não tinha ideia do que falar e Hinata estava com muita vergonha, era bem mais fácil conversar com ele dormindo.
— Seu namorado é bem estranho! — Naruto disse, olhando na direção onde os amigos estavam.
— Quem? O Kiba? — Hinata fez uma careta. — Nem pensar! Ele não é meu namorado, somos amigos de infância.
A garota começou a rir.
— Por que achou que ele era meu namorado?
Naruto cruzou os braços pensando, não sabia porque — de verdade — tinha achado aquilo e não tinha acreditado na história de “amigos” quando Sakura falou. Por alguma razão, ele sabia que os dois já tinham sido mais que amigos, por isso, tentou arriscar em um namoro atual.
— Sei lá… arrisquei! Vocês parecem íntimos, então…
Hinata ainda ria, achava a situação de Naruto totalmente engraçada. Ele estava muito sem graça e ela achou tão fofo, que resolveu brincar com ele.
— Nós namoramos no Ensino Médio, todo mundo namorava e acabamos confundindo nossos sentimentos.
— Entendi!
Silêncio mais uma vez. Hinata não estava gostando dessas pausas que eles estavam fazendo. Poxa, era tão bom conversar com ele antes, por que agora seria diferente?
— Acho melhor eu sair da água, já estou muito tempo aqui. — ela disse um pouco cabisbaixa. Tinha certeza que não teria coragem de falar mais alguma coisa.
— Eu vou com você, entrei só para dar um mergulho. — Naruto deu a primeira desculpa que lhe veio à cabeça.
Os dois caminharam lado a lado, em silêncio, até os amigos. Hinata estendeu uma canga na sombra e Naruto impulsivamente sentou ao lado dela.
Hinata corou e, mais uma vez, ele achou fofo. Pensou em algum assunto para puxar, pensou nos livros e algumas conversas que sonhou. Mas a coragem de confrontá-la não veio, dando lugar ao temor de tudo aquilo ser uma peça pregada pela sua mente. Existem várias Hinata no mundo, ele soube ao pesquisar e tudo aquilo poderia ser um grande efeito placebo. Querer encontrar a sua garota-anjo poderia estar fazendo-o acreditar que a voz dela era a que chamava por ele em seus sonhos. Precisava descobrir de alguma forma, ou acabaria enlouquecendo.
— Problemas com a colega de quarto? — ele perguntou.
Hinata bufou olhando para a Sakura. — O que você disse a ele? — perguntou para a amiga, que nem se deu o trabalho de olhá-la para responder.
— Nada demais!
— Ela disse que você tem problemas sérios com sua colega de quarto. — Naruto respondeu, achando engraçado entregar a amiga de infância.
— Sakura! — ralhou Hinata.
Sakura estava sentada em uma cadeira de praia pegando sol e, finalmente, se virou para a amiga.
— Mas é verdade, oras, Shion não deixa você em paz.
Sasuke e Kiba estavam jogando vôlei com um grupo. Sasuke fez um gesto para Naruto, chamando-o para ir também, mas ele negou. Não sairia dali tão cedo.
Hinata voltou o olhar para ele e, mais uma vez, seu coração disparou.
— Não é desse jeito, Naruto-kun... — ela o chamou daquele jeito tão familiar que ele não conseguiu evitar de abrir um sorriso. — Shion é uma boa pessoa, só que gosta muito de festas... e de homens. — disse rindo.
Ela era tão linda, mesmo que estivesse um pouco irritada com Sakura, tinha uma suavidade em sua fala e em sua expressão, que ele até acreditou que a tal Shion não era tão ruim assim.
— Mas você deve concordar: o que ela faz com você é quase desumano. — disse Sakura, levantando-se. Ela tinha percebido o jeito que Naruto olhava para Hinata, então, quis deixá-los um pouco sozinhos. Kiba devia ter percebido isso também, por isso chamou Sasuke para jogar, já que ele era mais lerdo do que ela e não iria perceber nunca o clima entre os dois.
Hinata rolou os olhos para a amiga e Naruto já tinha perdido as contas de quantas vezes a achou fofa só durante aquela hora em que se conheceram.
— Ela não é tão ruim assim, para com isso.
— Que seja! Vou tomar um banho de mar, só de falar o nome dessa garota me causa náuseas. — Sakura correu para o mar, antes que Hinata pudesse falar mais alguma coisa.
— Peraí, estou meio confuso… Isso foi uma cena de ciúmes? — Naruto disse em tom de brincadeira, o que fez com que Hinata risse e ele sentiu-se aliviado por toda a tensão inicial entre os dois estar se desfazendo.
— Eu sei que a Shion não está certa, mas ela não é esse monstro que a Sakura descreve. — Hinata disse ainda rindo, só que dessa vez olhando para ele.
— Sakura não teve muitas amigas, na verdade você é a primeira, então, eu acho que ela se sente ameaçada por qualquer garota que chegar perto de você.
— Eu sei… ela me contou…
Hinata deu um sorriso amarelo e olhou para a amiga, que se divertia na água agora na companhia de Sasuke e de Kiba.
— Eu gosto muito dela. Na verdade, posso dizer que a amo como uma irmã. — Hinata suspirou após dizer tais palavras e aquilo alegrou ainda mais o coração do rapaz.
Ele estava encantado com a garota à sua frente e não saberia dizer se estava demonstrando isso nas expressões do seu rosto, porém, não se importava em mostrar ao mundo que aquela garota era especial.
— Fico muito feliz em saber disso, de verdade. — Hinata voltou a encará-lo e ele sorriu. — E eu devo dizer que Sakura te ama também na mesma proporção.
A menina sorriu e abaixou a cabeça por alguns segundos.
— Só devo te avisar para tomar cuidado. — ela levantou a cabeça sem entender. — Nunca vi Sakura com ciúmes desse jeito, nem com o Sasuke ela é assim, então, peça para a sua amiga Shion se cuidar.
Ela riu mais uma vez e a risada dela era tão contagiante, por mais contida que fosse, que o fez rir também.
— Pode deixar que eu avisarei sim.
Naruto resolveu tocar logo no assunto, seria bom ter Hinata por perto e descobrir mais da menina.
— Mas, mesmo Shion sendo uma boa pessoa, você precisa se mudar, né?!
Hinata apenas assentiu, sabia o que viria a seguir.
— Sei que Sakura te ofereceu meu apartamento e, sim, eu queria te conhecer para saber como você é e se era realmente amiga da Sakura. — foi Naruto que abaixou a cabeça dessa vez, envergonhado por ter passado algum tipo de pensamento ruim sobre Hinata. — Sakura já tinha sofrido muito e eu não queria vê-la sofrer mais uma vez.
Hinata chegou mais perto, ele pôde sentir, e tocou o seu braço esquerdo. Seu toque era quente e por mais que a mão de Hinata fosse pequena, era aconchegante.
— Não precisa se justificar, Naruto- Kun, eu entendo de verdade.
Ele a encarou e só viu em seu olhar uma única coisa: amor.
Hinata, por sua vez, percebeu que o toque foi íntimo demais. Afastou sua mão, mas Naruto a segurou. Foi tomado pela coragem que buscara desde que pôs os olhos nela.
— Eu tenho a impressão de que te conheço de algum lugar. De onde seria, Hinata?
O coração de Hinata disparou. Essa declaração de Naruto dava a entender que ele lembrava de alguma coisa. E não era isso o que ela queria? Que ele sentisse algo ou que lembrasse nem que fosse de alguma palavra?
Lágrimas começaram a se formar nos olhos de Hinata, ela queria poder falar, mas, ao mesmo tempo, temia tanto.
Ela sorriu, abaixando a cabeça para que ele não visse as lágrimas. Mas já era tarde demais, Naruto tinha visto e se viu desesperado para acalmá-la.
Ainda não era o momento e ele — como sempre — meteu os pés pelas mãos.
— Você está bem, Hinata? — ele disse acariciando os braços da menina para cima e para baixo, como se aquilo ajudasse a confortá-la. E, de alguma maneira, realmente ajudou.
— Eu estou bem, Naruto-Kun. — disse em um tom tranquilo, como se tivesse tirado um peso de si.
Naruto resolveu mudar de assunto.
— Quando pretende se mudar?
Ela levantou a cabeça sorrindo e, agora, com o olhar bem mais iluminado. Hinata estava feliz, ele podia ver isso e aquilo só confirmou que ela era mesmo a sua garota-anjo.
— Eu passei no detector da amizade? — ela brincou.
Ele sorriu e aqueceu ainda mais o coração da menina.
— Está aprovada.
— Então, se puder… posso me mudar amanhã mesmo, aproveitar que é domingo então… e também temos que conversar sobre a ajuda nos custos e…
— Amanhã conversaremos sobre isso. — ele coçou a nuca demonstrando vergonha. — Confesso que estou ansioso para você ir morar com a gente.
Os amigos voltaram falando várias coisas, mas Hinata e Naruto estavam presos em um mundo particular e nada ouviram.
Ela queria mais tempo com ele, queria ouvir mais a voz dele e só a dele por algum tempo, por isso, tomou uma atitude inesperada. Levantou e puxou Naruto pelas mãos, conduzindo-o até o mar. Ele apenas a seguiu e antes que ela desse um mergulho, o encarou e disse:
— Eu também estou ansiosa, Naruto-kun. — e afundou na água.
Ele ainda estava surpreso com a atitude? Estava. Mas, a partir daquele momento, ele havia decidido: não iria mais perder Hinata de vista. Justamente por isso, mergulhou atrás dela.
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