Meu Sonho
9 Entrega
Notas iniciais
"O olhar entrega o que o coração tentou esconder e a boca insistiu em dizer que não."
—Pequena Sereia
Hinata abriu os olhos devagar e sentiu seu corpo pesar. A noite de sono não foi nada boa e o resultado era uma incômoda dor na cabeça. Podia jurar que ela explodiria a qualquer momento.
Sentou-se na cama e sentiu a dor de cabeça aumentar. Junto com ela, as lembranças da noite anterior vieram à tona. Teve um pesadelo horrível, pior do que todos que já teve desde aquele dia. Quando Hinata sonhava com o dia em que os parentes de Naruto resolveram desligar os aparelhos, quase o matando, ela sempre conseguia chegar a tempo, como aconteceu na realidade. Mas, dessa vez, ela não conseguiu e o menino morreu.
Só de pensar nessa possibilidade, o seu coração apertava. Mas não podia chorar, não agora. Respirou fundo e um cheiro característico tomou conta de todas as suas estruturas olfativas. Sim, não havia dúvidas de que Naruto esteve ali com ela durante a noite. Sentiu algo remexer dentro de si ao lembrar-se de que Naruto dormiu ao seu lado, naquela pequena cama, apenas para atender a um pedido seu.
E, claro, depois de tudo, se o rapaz tinha alguma dúvida de que ela era a garota que o visitava, fora dissipada completamente restando apenas a certeza.
Aquela constatação fez com que Hinata se encolhesse um pouco. Sabia que Naruto iria querer conversar. E não estaria errado em pedir isso. Juntou o que podia de coragem e colocou-se de pé, sentindo tudo rodar. Céus, era como estar de ressaca.
Respirou fundo, de olhos fechados, procurando um ponto de equilíbrio. Quando encontrou, pegou uma roupa e foi direto ao banheiro. Rezou mentalmente, pois não queria dar de cara com ninguém agora. Além de estar cheia de vergonha com o que aconteceu na noite anterior, ela deveria estar horrível por conta da noite mal dormida. E a sua teoria foi confirmada assim que se olhou no espelho. Nem pensar que Naruto a veria daquele jeito.
Passou um bom tempo no banho quente, como se quisesse que a água levasse todos os sentimentos ruins que instalaram em si com o sonho. Aos poucos, sentia a dor de cabeça melhorar, ao passo que os músculos de seu pescoço, nuca e ombros relaxavam. Após retirar todo o creme do cabelo, secá-lo delicadamente e penteá-lo, vestiu a roupa e deixou o cômodo. Ela, Hyuuga Hinata, estava pronta para encarar o que fosse.
xx
Quando chegou na sala, deu de cara com Naruto sentado no sofá. Em seu colo estava uma bandeja de café da manhã e toda sua atenção estava na televisão. A primeira vontade de Hinata foi de fugir. No entanto, quando ela fixou seu olhar em Naruto, tão concentrado, suspirou apaixonada. Tinha que parar de ter medo e, por isso, simulou um pigarro chamando atenção do loiro para si.
— Hinata... — ele disse, colocando a bandeja na mesinha de centro, levantando-se e, logo em seguida, ficando de frente para a menina. — Eu ia levar para você, mas acabei me distraindo e…
— Naruto- Kun… — interrompeu, vendo o loiro arregalar os olhos levemente para si, em expectativa. — Precisamos conversar.
Os dois se encararam, sem desviar o olhar. Finalmente, chegara a hora tão esperada por ele e tão renegada por ela. Dariam início, ali e agora, àquela conversa difícil sobre o passado. Hinata, ao encarar aquelas safiras, sorriu ao perceber como aqueles olhos lhe davam mais coragem para falar tudo o que queria desde o dia que o viu na praia.
— Vamos conversar sim, mas antes você precisa se alimentar. — ele segurou na mão dela e a puxou para sentar no sofá, de frente para a mesa de centro.
— Separei um analgésico também, imaginei que poderia estar com dor de cabeça depois de…
Naruto coçou a nuca, visivelmente sem jeito, e Hinata percebeu que ele queria falar do choro durante à noite, mas tinha medo de tocar no assunto e a ela perder a coragem de conversar com ele, como da última vez.
Para demonstrar como desistir não era mais uma opção, ela abriu o maior sorriso que conseguiu. Ele encarou a menina e, entendendo o gesto, sorriu automaticamente de volta, em sinal de que confiava nela.
Hinata comeu tudo o que Naruto tinha preparado para ela. Naquela altura, já com alguns meses morando juntos, ele havia aprendido que a garota comia bem, então não poupou no café da manhã. No entanto, achava que tinha exagerado como sempre fazia. Mas, bem, se tratava da relação entre Hinata e comida. E ninguém nunca soube entender como ela conseguia comer tanto e, ainda assim, manter a boa forma.
Ele sorriu mentalmente ao vê-la terminar de comer tudo. A menina tomou o analgésico rapidamente e virou-se para ele.
— Espera a sua dor de cabeça passar.
Ela riu devido ao excesso de cuidado dele.
— Eu estou bem, Naruto-kun. Podemos começar a falar agora.
— Antes de mais nada, gostaria de me desculpar por ontem. Eu não queria ter agido daquela forma com você, só que eu estava ansioso demais com o tempo que você ficou sem falar comigo. Confesso fiquei bem chateado. — Naruto dizia, andando de um lado para o outro.
Hinata sorriu mais uma vez e não demorou a começar a falar, ao perceber toda a angústia do menino que havia ganhado seu coração sem nem pedir o mínimo de permissão.
— Eu sou a garota que te visitava Naruto. — disse de uma vez.
Naruto parou de andar e encarou a garota. O silêncio prevaleceu, por mais que já soubesse, aquilo o pegou completamente de surpresa. O que ficou bem nítido em seu olhar e na sua feição.
Ela reparou nas reações: os ombros ligeiramente tensionados, os olhos um pouco arregalados, assim como a boca estava aberta consideravelmente. Focou no olhar e se deparou com um mar agitado, sinal de que ele tinha muitas perguntas a fazer.
Levantou-se com um sorriso nos lábios e se aproximou da janela. Estava nervosa, apesar de tudo e sentia que a respiração havia acelerado um pouco. Nessas horas, suar era inevitável e acreditava que um pouco de brisa a ajudaria a organizar a mente para encarar o que viria.
De onde estava, e pela posição que a menina havia tomado, Naruto tinha a visão privilegiada do perfil de Hinata refletindo com a luz do sol.
Por mais que quisesse falar, as palavras não vieram, porque queria apenas ficar ali admirando o seu anjo. Bom, se as perguntas não viriam, ela prosseguiria com a sua história.
— Minha irmã tem uns problemas de saúde. Ela tem umas crises de bronquite algumas vezes. E esses quadros são tão fortes, que temos que levá-la ao hospital para que possa tomar a medicação e ser acompanhada pelo médico. — Hinata suspirou demasiadamente ao se lembrar de Hanabi e olhou para ele. — No dia que eu te conheci, estava fazendo companhia à minha irmã e procurando o Doutor Lee.
Naruto não disse nada, apenas sentou no sofá e a olhou, incentivando-a continuar. Deixaria ela falar tudo, para depois ser a vez dele de falar.
Hinata começou a andar devagar até ele.
— Eu lembro que quando te vi deitado, senti uma ligação muito forte e… — fez uma pequena pausa, ao sentir as bochechas ficarem vermelhas — Fui acometida por uma curiosidade enorme de saber qual era a cor dos seus olhos. — confessou, sentando-se no sofá ao lado dele.
A imagem de Hinata sorrindo, visivelmente envergonhada, contagiou o menino, que abriu um sorriso também.
— Mas foi quando eu peguei na sua mão… — Hinata segurou a mão de Naruto, repetindo o gesto, e aquele toque era bem familiar.
Era como se ele tivesse voltado no tempo, por mais que não soubesse bem o que estava acontecendo com ele no coma, sabia que tinha sentindo várias vezes o calor daquele toque.
— Eu senti que precisava ajudá-lo. — completou.
O coração de Naruto estava acelerado, poderia dizer que a qualquer momento ia ter um ataque cardíaco.
Hinata desviou o olhar, já sentia o rosto queimar de vergonha e, por mais que tivesse tido coragem de revelar tudo, ficar olhando demais para ele daquele jeito iria fazer com que toda a coragem caísse por terra.
— Então, eu passei a te visitar sempre. Conversei com o Doutor Lee e ia fora dos horários de visita. Por isso, não cheguei a conhecer a Sakura e nem o Sasuke naquela época.
— Mas você chegou… — o turbilhão de sentimentos que tomava conta de Naruto, fazia com que as palavras ficassem difíceis de sair, não conseguia pronunciá-las. Respirou fundo para acalmar o coração e tentou fazer a pergunta . — Mas você chegou a conhecer meu padrinho?
Hinata sorriu lembrando do divertido Jiraiya.
— Sim. Seu padrinho podia ficar bastante tempo lá com você, mas como seu estado era delicado, não era recomendado ficarmos muito tempo, apesar de eu sempre ficar mais do que deveria.
Foi a vez de Naruto desviar o olhar e tentar fazer mais uma pergunta.
— E o que você fazia nessas visitas?
Hinata fechou os olhos e os seus pensamentos voaram novamente ao hospital e ela sorriu uma uma vez. E sabia que Naruto também sorria mais uma vez desde que começaram o assunto, mesmo sem olhá-lo.
— Eu contava sobre os meu dia, sobre a minha família. Lia livros para você e te fazia perguntas, imaginando todas as suas respostas.
Ele voltou a encará-la, a tempo de vê-la abrir os olhos novamente e captar um brilho novo em seu olhar.
— Depois que eu te conheci, as respostas que eu imaginava não se comparavam ao que você é de verdade. — ela pontuou e divertiu-se com a cara de espanto do menino.
Certamente, Naruto acreditava que aquilo poderia ter um ponto negativo. — Você é bem melhor do que eu imaginava. — sentenciou de uma só vez, mas de forma doce e leve.
Agora, sim, Naruto tinha certeza que iria infartar com Hinata falando essas coisas. Era demais para ele. Uma hora ela fugia, na outra começava a falar tudo que guardara por tanto tempo, sem nem dar-lhe chances ou tempo para de se preparar psicologicamente para a conversa e ainda isso, elogios deliberados. Sentiu que, naquele momento, quem tinha as bochechas rosadas era ele próprio. Até respirar estava difícil.
Ah, se ela soubesse o efeito dessas palavras sobre ele. Ah, se ela soubesse o poder que tinha sobre ele. Hinata tinha seu coração em suas mãos.
Mais uma vez não encontrou palavras, mesmo abrindo a boca algumas vezes. Queria dizer a ela que sonhava todos os dias com a sua voz, porém o que saiu foi:
— Se você se sentia assim em relação a mim, por que fugiu?
“Puta que pariu, seu idiota!”, se reprimiu em pensamento ao ver o sorriso de Hinata morrer instantaneamente e ela ficar séria. Ali, ele soube que tinha acabado de estragar tudo.
Ela levantou rapidamente e se pôs de costas para ele, abraçando o próprio corpo. Percebeu que ela também se encontrava um pouco trêmula. Era um tremendo idiota. Hinata se abrindo e ele não esperou. Como sempre, metendo os pés pelas mãos. Levantou-se preparando para se desculpar, mas Hinata virou-se novamente para ele e ainda de cabeça baixa disse:
— Eu tive medo da sua reação. Não sabia se iria acreditar em mim, então eu achei melhor dar um tempo. — Hinata apertou um pouco o tecido da blusa, aquilo era um sinal de que estava começando a ficar muito nervosa e ele entendeu que teria que ir com calma a partir dali. — Acontece que… foi muito difícil voltar depois do que aconteceu.
Naquele momento, ele percebeu uma fina lágrima caindo dos olhos de Hinata e, então, resolveu se aproximar, com cuidado. Colocou uma das mãos no rosto da menina, limpando suavemente as lágrimas começavam a cair, fazendo com que ela o olhasse.
— Hinata, eu sei que é difícil, mas preciso saber — pausou, escolhendo as melhores palavras. — O que realmente aconteceu?
Naruto colocou algumas madeixas do cabelo escuro atrás das orelhas de Hinata e voltou com uma das mãos em seu rosto. — Eu sei que o seu medo está relacionado a algo muito grave. Aquele pesadelo de ontem não foi por acaso. Não tem como ser. Então, eu preciso saber, porque quero te ajudar.
O desespero tomou completamente conta de Hinata. As lembranças eram muito dolorosas. O exato momento em que acreditou que perderia Naruto para sempre, sem nunca terem realmente se conhecido e conversado, era como se fosse ontem. Todas as vezes que sua mente voltava para aquele dia, ela sentia a adrenalina, sentia o ardor em sua garganta pelos gritos desesperados. Hinata ainda sentia todos os poros do seu corpo clamarem pela segurança e vida de Naruto Uzumaki.
Mas, ela teria que dizer a ele. Essa era uma condicionante importante, se realmente quisesse que todos os medos caíssem por terra, se realmente quisesse ser, finalmente, feliz com ele.
Colocou uma das mãos sobre a mão de Naruto que ainda repousava em seu rosto. Uma tentativa de ter forças para falar. E, quando sentiu o calor de suas mãos unidas, encarou suas safiras favoritas, sem desviar.
— Como eu te disse, quando te vi pela primeira vez, percebi que tínhamos uma ligação muito forte e, bem, quando eu comecei a te visitar, meio que… — Hinata desviou o olhar e corou.
Naruto percebeu que não era medo de falar e, sim, vergonha. Conhecia muito bem seu anjo.
— Você vai me achar maluca … — hesitou mais uma vez. — Promete que não vai rir? — pediu de forma graciosa e Naruto assentiu com a cabeça, tentando acompanhar o seu raciocínio, curioso com o que viria. — Eu me apaixonei por você. — Naruto abriu o seu maior sorriso, enrugando a ponta do nariz. — Eu não sei explicar como, mas só o pensamento de te perder me deixava sem chão. Por isso, com o passar do tempo, eu ficava desesperada para que você acordasse logo, porque eu sabia que seus parentes iriam desligar os aparelhos.
O sorriso, genuinamente feliz e que já evoluía para um riso rouco, cessou. Naruto ficou sério. Então, Hinata sabia sobre isso.
Ela se afastou e lhe deu as costa, mais uma vez, ficando de frente para a janela. Ele respeitou aquele espaço, para que a menina pudesse desabafar de uma vez o que tanto afligia seu coração.
— O dia em que eu teria que me despedir de você e ficar um tempo sem te ver, havia chegado. Então, fui até o hospital. — ela novamente abraçou o corpo e se virou para Naruto. — E quando eu cheguei lá... aquele seus parentes tinham uma autorização judicial para desligar seus aparelhos…
Naruto arregalou os olhos, finalmente juntando as peças daquela história que ainda estavam desconexas. Entretanto, ainda sem acreditar: Hinata presenciou tudo. Isso explicava a noite anterior, o pesadelo.
— Eu corri até o seu quarto, para tentar te acordar mais uma vez… — Hinata já falava com a voz engasgada pelo choro.
Por mais que tentasse segurar, as lágrimas já caíam. Vendo aquela cena, Naruto se colocou no lugar da menina. Conseguia se enxergar em estado de desespero com a possibilidade de perdê-la. E seu coração diminui tanto, que nem parecia haver espaço em seu peito. Lágrimas vieram sem aviso também tomando conta do rosto do rapaz.
— Eu não podia deixar você morrer… eu… eu me joguei em cima de você, te sacudi e você não acordava. Então, eles entraram no seu quarto e o meu desespero só fez aumentar. Eu estava com tanto medo de ter perder.
Hinata fez uma pausa. Os soluços ocasionados pelo choro insistiam em vir, mas ela queria desabafar tudo o que sentiu naquele dia. Precisava contar tudo o que aconteceu sem parar. Por isso, respirou fundo, fechando os olhos com força.
— Eu senti algumas pessoas tentarem me tirar de cima de você. E cada ação das pessoas que estavam ali, servia apenas para potencializar o meu medo, mas também a minha vontade de te acordar. Achei que eu acabaria presenciando a sua morte e eu não iria suportar de forma alguma.
Naruto teve que limpar o rosto com o braço de tanto que já chorava, a vontade era de abraçá-la, mas esperaria ela concluir tudo para que ele pudesse falar e confortá-la.
— Nessa tentativa de me afastarem de você, algo inesperado aconteceu… — Hinata abriu um sorriso mínimo em meio às lágrimas. — Você segurou a minha mão, mas segurou bem forte, ao ponto de eu me sentir puxada por você naquele momento. Sabe, aquilo foi como se você não quisesse que eu me afastasse, era como se você pedisse a minha ajuda. E… todos ficaram muito impressionados. Eu queria gritar, dizer que você estava bem. Então, me soltaram e eu me aproximei, te chamando. Foi quando... — ela sorriu mais uma vez e, dessa vez, um sorriso maior. — eu pude, finalmente, ver a cor dos seus olhos.
Subitamente, os olhos perolados e banhados foram atraídos por aquele azul que ela tanto amava, que também encontrava-se imerso em lágrimas. Os dois permaneceram em silêncio por um momento, ainda havia muito a ser dito, no entanto, Naruto ainda absorvia cada palavra de Hinata. E ainda tinha mais:
— Acabei sendo tirada de perto de você. Quer dizer, não seria exagero dizer que eu fui praticamente atropelada pela equipe médica. Como disse, todos estavam impressionados por você demonstrar algum tipo de reação tanto tempo depois. Você abrir os olhos triplicou, e muito, isso. Eles precisavam te examinar. Eu sai daquele hospital com a sensação de dever cumprido. Só que, bem, eu não imaginava que o que tinha acontecido naquele dia iria me afetar tanto. Passei a sonhar todas as noites com a mesma cena.
Naruto se aproximou um pouco, estava na sua hora de falar.
— Meu pai estava preocupado com tudo que aconteceu, com meu estado. E seu padrinho quase conseguiu descobrir tudo sobre mim. Chegou bem perto. Então, meu pai pediu ao Doutor Lee que não passasse informações sobre mim, que deixasse eu tomar a decisão de ir te procurar. — Hinata abaixou a cabeça, não conseguia olhar para ele agora, pelo menos não até saber o que ele achava de tudo. — Só que eu nunca consegui ir até você. Com os dias e meses, os sonhos foram diminuindo. Mas, de vez em quando, ainda tenho. Entretanto, nenhum se compara ao dessa noite. Esse foi o pior, porque eu não conseguia chegar a tempo, Naruto.
Ele voltou a tocar o rosto de Hinata para que ela o olhasse.
— O que você sentiu quando me viu na praia? — questionou em visível estado de ansiedade. Por mais que já tivesse ouvido da própria Hinata que se apaixonara por ele ainda no hospital, precisava saber o que ela sentia agora que o conhecia de verdade.
— Eu nunca me senti tão feliz e, ao mesmo tempo, tão sem graça. — riram baixinho. — Mas quero que saiba, Naruto Uzumaki, que eu eu amo você.
Ele sorriu e abraçou sua garota-anjo. Por mais que quisesse beijá-la, não iria fazer agora precisava falar o quanto ela o ajudou de verdade.
— Ah, Hinata, você não sabe o quanto me deixa feliz com essa declaração. Eu te procurei tanto, mas tanto. Você não tem a real ideia da aflição que eu tinha por saber que talvez nunca poderia te encontrar…
— Seu padrinho falou muito bem de mim, então. — ela brincou.
Naruto desfez o abraço, encarou aquele olhar perolado e sabia que ali era o seu porto-seguro.
— Na verdade, meu padrinho pediu para que eu parasse de procurá-la. Não tínhamos sinal nenhum da sua existência, então ele começou a achar que você era, literalmente, um anjo.
Os dois riram de Jiraya.
— Então, por que continuou a me procurar?
— Porque desde que eu acordei, sonho com a sua voz.
Foi a vez de Hinata arregalar os olhos em surpresa.
— Eu sonho com a sua voz lendo para mim, cantando para mim, contando sobre o seu dia. No meu sonho, respondo a cada uma das perguntas que você me faz. E… bem — Naruto coçou a nuca nervoso. — eu era apaixonado por você também.
Hinata ficou meio desnorteada, do que ele estava falando? Ele sonhava com a sua voz?
— Então… você sempre…
— Sim. Na verdade, quando nos conhecemos, eu reconheci a sua voz, mas não conseguia ter certeza. Desconfiei que você era a pessoa que eu tanto procurei. Com o tempo, convivendo com você, a certeza tomou conta de mim e só foi crescendo. Mas quis te dar espaço para falar, agora entendo porque era muito difícil para você.
— Espera. — ela o interrompeu, parecendo começar a entender algo. — Por isso você sabia tanta coisa sobre mim. — constatou, colocando as mãos sobre a boca, completamente assustada. — Você… lembra de tudo?
Naruto tentou entender a expressão de Hinata, achou que ela iria ficar feliz com esse fato. Porém, a menina à sua frente parecia totalmente perdida, em um misto de vergonha e incredulidade.
Esforçou-se consideravelmente para entender essa atitude repentina. Eis que lhe veio a ideia de que algo aconteceu durante os encontros para que pudesse deixá-la daquela forma. Tentou puxar na memória algo e veio à sua mente a lembrança de um calor em seus lábios, seguida de uma frase. Naruto abraçou Hinata pela cintura e, com um sorriso travesso, disse no ouvido dela:
— Sim, lembro de tudo. Sabe, está muito claro em minha mente de um dia, a uma voz dizer, de uma forma bem fofa e reclamona, que não era a minha princesa. — como se fosse impossível, a menina ficou ainda mais vermelha de vergonha. — Diga-me, Hinata, nesse dia você me beijou? — questionou lentamente.
As reações foram muito claras. Naruto viu os fios pretos da nuca da menina arrepiarem, sentiu que a mesma coisa aconteceu com os pelos do corpo pequeno, assim como pode perceber os músculos tensionarem quase que um por um, ao passo que a respiração foi praticamente cortada, antes que se tornasse mais descompassada do que a sua dona gostaria. Ele poderia jurar que a garota iria desmaiar, se não estivesse segurando a sua cintura.
— Entendo. Mas, quero que saiba Hinata Hyuuga — ele passou uma das mãos pelo rosto da menina. — Você não é só a minha princesa, é a minha garota-anjo. E eu quero dizer que eu te amo, tanto. Quero te dizer que não te acho doida, porque acho que te amo mesmo sem ter te visto uma única vez. Desde que você, para mim, era só uma voz. Depois, te vi não mais do que um minuto, mas me encantei por esses olhos tão diferentes e que me atraem tanto, esse rosto perfeito, essa pele que fica linda corada quando algo te envergonha. Eu me apaixonei pela sua voz, pelo seu cheiro, pelo contato da sua pele com a minha, mesmo sem consciência de que tudo era real. E, como você não entende, eu também não faço a mínima ideia de como isso é possível. Eu sempre fui apaixonado por você, acho que por isso sua voz nunca saiu da minha cabeça.
Antes que pudesse beijá-la como queria, Hinata o abraçou pela cintura e perguntou:
— Você não ficou decepcionado quando me encontrou?
Ele olhou para o rosto da menina, procurando algum traço zombeteiro. — Você tá brincando, né!? — indagou, ainda continuando sua investigação.
Levantou uma das sobrancelhas, ainda sem acreditar na pergunta, mas viu apenas serenidade no olhar de Hinata. — Quando te vi lá na praia, antes mesmo de você pronunciar uma palavra, a primeira coisa que me lembrei foi do seu rosto. A sua imagem de quando acordei naquela sala de hospital. Isso o que me veio em mente. Finalmente, naquele momento, o anjo que me visitava nos sonhos tinha um rosto e era o mais bonito que eu já tinha visto na vida. Quando ficamos mais próximos, eu percebi que realmente te amava. Esse sentimento não demorou para florescer no meu coração e só cresceu. — Naruto colou sua testa na da garota. — Você me salvou, Hinata Hyuuga, e eu te amo.
Ela sorriu e ele sentiu que não poderia esperar mais.
— Agora eu vou beijar você.
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