Meu Sonho
10 Encontro
Notas iniciais
"Por você, faria isso mil vezes."
— O caçador de Pipas, Khaled Hosseini
Não sabem por quanto tempo durou o ato que se iniciou com uma frase simples, mas cheia de sentimentos. Sentimentos que ultrapassavam toda e qualquer lógica conhecida por meros mortais.
Quando Naruto pronunciou aquelas palavras, por mais que não fosse uma pergunta, Hinata assentiu e fechou os olhos lentamente, entregando-se de corpo e alma ao momento.
Devagar, Naruto colou seus lábios nos dela, e sentiu mais uma vez aquele calor familiar aquecer seu corpo. Aprofundou o beijo e foi se movendo com calma, a fim de explorar cada canto da boca de Hinata. Tinha esperado tanto tempo por aquilo, não queria que acabasse tão cedo.
Para Hinata, o seu sonho de beijá-lo de verdade estava se realizando. E ela não conseguia nomear as sensações que essa realização lhe causava. Só tinha certeza que jamais poderia ficar sem os beijos do Uzumaki outra vez.
Pararam o beijo em busca de ar e ele a aconchegou em seus braços.
— Ainda não acredito que você lembra de mim de alguma forma, que sonhava com a minha voz. Eu não sei como… eu… — Hinata não conseguia nem colocar suas perguntas em palavras.
— Eu também não consigo entender, mas acho que tem a ver com essa ligação que nós temos. Sabe, a que você falou que sentiu desde o início.
Hinata levantou a cabeça para encará-lo.
— Quer namorar comigo?
Naruto riu.
— Era para eu pedir.
Ela deu de ombros.
— Você me pede em casamento daqui uns anos — brincou e se sentiu ainda mais divertida ao ver o olhar surpreso do loiro. — Então, aceita ou não?
Ele riu alto e toda aquela tensão da conversa anterior tinha caído por terra. — Claro que eu aceito, Hyuuga — falou com doçura, em meio a algum resquício de risada.
Mas então ele ficou sério de repente. E alguma coisa revirou dentro dela. Expectativa, talvez.
— Eu prometo que jamais vou fazer você sentir aquela angústia de novo, Hinata.
— A culpa não foi sua, Naruto-kun.
— Pode até ser, mas prometo que farei o impossível para você esquecer aquele dia e só ter sonhos bons.
Hinata riu.
— Você não existe, sabia?
Não respondeu, apenas abaixou e tomou os lábios da morena mais uma vez. Facilmente, poderia dizer que já estava viciado.
Até que a porta se abriu de uma só vez. E com força.
— Olha, Sasuke, que bonitinho — disse Sakura, fazendo Naruto e Hinata se afastarem um pouco.
— Sakura, você é uma sem noção! — repreendeu Sasuke. — Só viemos pegar um casaco para a Sakura e já estamos de saída.
Naruto agradeceu ao amigo pelo olhar, já a Sakura não entendeu muito bem.
— Casaco o quê, Sasuke. Tá louco? Com aquele calor insuportável lá fora... — Naruto rolou os olhos quando viu Sakura indo até cozinha para tomar um café. — Não adianta olhar para mim desse jeito Naruto, amanhã eu e Hinata temos uma prova muito importante e não podemos dar mole.
Naruto bateu na própria testa esquecendo da tal prova das meninas.
— Eita! É verdade já tinha esquecido dessa bendita prova
A voz de Hinata saiu em uma mistura de auto repreensão com frustração e divertimento. Com a lembrança, ela ameaçou se afastar de Naruto, mas ele a puxou pela mão, abraçando a menina pela cintura, o que a fez corar.
— Hina, você já estudou a semana inteira! Hoje você poderia tirar o dia de descanso, que tal? — Tentou.
Hinata sorriu e deu um beijinho no biquinho que ele fazia.
— Eu sei, meu amor. — Naruto sorriu com o novo apelido. — Mas com Tsunade não se brinca. — concluiu, desgrudando-se do loiro e dando um peteleco na ponta do nariz do menino, que resmungou. — Eu e Sakura temos que passar um questionário que não passamos esses dias, mas vai ser bem rapidinho.
— Fazer o que, né? O que me resta é estudar junto.
— E eu vou ficar sozinho? — Sasuke questionou o amigo indignado, enquanto os outros arrumavam a mesa para estudar.
— Por que não estuda um pouco? Não sei como consegue tirar boas notas fazendo vários nadas na maior parte do dia — disse Naruto
Sasuke riu ao se jogar no sofá relaxado.
— Porque sou um gênio e você já foi melhor, seu perdedor.
Naruto entendeu a indireta do amigo. Ele estava com ciúmes de ser “trocado” por Hinata. Mas ele também não tinha sido trocado por Sakura diversas vezes? O loiro fez uma careta debochada para o Uchiha, o que fez Hinata sorrir e achar o namorado um fofo. Já o loiro, aproveitou a distração da nova namorada para lhe roubar um beijo, deixando-a vermelha como um pimentão.
A rotina de estudo demorou mais do que haviam planejado. Da hora que sentaram à mesa até o momento que passaram a última vez o conteúdo, passaram-se três horas inteiras.
— Nossa, finalmente acabamos — disse Sakura, espreguiçando-se.
— Vou pegar um pouco de suco, vocês querem? — ofereceu Naruto.
As duas assentiram. Naruto deu um beijo na testa de Hinata antes de se afastar. Sakura sorriu e se aproximou da amiga.
— Ah! Vocês são tão fofos juntos. — Hinata corou e Sakura riu. — Amiga, eu queria muito deixar vocês sozinhos para aproveitarem, mas eu estou muito cansada.
— Tudo bem, eu também estou muito cansada, acho que vou decepcionar o Naruto hoje. — Hinata dizia recolhendo suas coisas.
— Vocês podiam ficar no quarto dele e…
— Tá doida, Sakura? Eu não posso ir para o quarto do Naruto. — Hinata repreendeu a amiga, completamente corada com a sugestão.
— Qual o problema Hinata? — questionou Sakura sem entender, mas vendo a expressão da amiga, acabou entendendo. — Ah, Hinata para de bobeira. Obviamente, Naruto não vai te forçar a nada e se acontecer vai ser porque os dois vão querer. E nem era isso que estava sugerindo para início de conversa. De qualquer forma, você não é nenhuma principiante para ficar com receios.
Hinata encarou a amiga irritada, adorava a sinceridade da amiga e o jeito de falar tudo o que pensava, mas às vezes ela precisava ser um pouco mais sensível.
— Só porque eu não sou mais virgem, não significa que eu não queira esperar para ter algo especial. Estamos falando do Naruto, afinal de contas — sussurrou.
Sakura riu e Hinata não entendeu.
— Bom, se eu pudesse te dar um único conselho para você, diria: deixa acontecer amiga. Primeiro, tudo em vocês é especial. A forma que vocês se conectaram, o jeito como se reencontraram, tudo é lindo. Segundo, estamos falando do meu amigo hiperativo, cabeça oca e número um em improvisação. Não sei como ele faz essas coisas, mas sempre que parece que vai tudo dar errado, dá certo pra caramba.
A menina riu ao se lembrar de várias situações embaraçosas que Naruto se meteu, levando ela e Sasuke juntos, mas que acabaram tudo bem. Hinata olhava para a amiga questionadora, tentando entender onde ela queria chegar.
— Como eu disse antes: eu não estou dizendo para fazer alguma coisa, só estou dizendo para você relaxar e aproveitar esse momento que vocês dois desejaram tanto. Não pensa muito, não calcule passos meticulosamente, Hina, faça sempre o que seu coração indicar.
Hinata suspirou. Sabia que, de certa forma, ela se preocupava demais.
— Eu tenho medo de as coisas serem rápidas demais.
— Hina, vocês demoraram tanto tempo para se encontrarem que eu não acho que nada vai ser rápido demais. Se vocês se casassem amanhã, eu acharia super normal. — Deu de ombros e as duas riram.
Naruto voltou com o suco e depois pegou o material da namorada para guardar.
— Ei! — reclamou Sakura. — Leva o meu também.
— Pede para o seu namorado — gritou Naruto do corredor.
Sakura olhou para a amiga com um sorriso divertido.
— Imagina se o Naruto descobre que o Kiba foi o seu primeiro?
Hinata riu. De nervoso.
— Ele vai odiar ainda mais o Kiba. Mas uma hora ele vai saber.
— Deixa eu dar essa notícia para me vingar?
Hinata olhou para a amiga com incredulidade e indignação. — Claro que não, né, sua louca! Sakura, quem tem que falar sou eu.
O silêncio reinou por alguns segundos, mas logo após as duas começaram a rir de novo. Sakura começou a formular inúmeras teorias sobre como Naruto iria acabar querer com o Kiba por puro ciúmes bobo.
Deitada em sua cama após o banho, Hinata pensava em como dormir não seria a tarefa mais fácil naquela noite. Hinata estava preocupada com a prova. Mas muito mais do que isso, estava eufórica com os últimos acontecimentos. Mesmo aquela altura, ela não acreditava em tudo que acontecera até ali. Se a história sobre como conheceu e se apaixonou por Naruto parecia inacreditável demais, a forma como eles se reencontraram era ainda mais.
Inquieta, ela se remexia sobre o colchão confortável, ainda sentindo todas as sensações incríveis que o beijo e os carinhos trocados ao longo daquele dia com o rapaz causavam em seu corpo, em sua mente e em seu coração.
E se…
E se Naruto conseguindo provocar tudo isso com apenas um beijo, um abraço, um carinho ou a forma de falar, era capaz de despertar coisas tão boas, do que mais ele seria capaz nas mais diversas situações?
Balançou a cabeça afastando aqueles pensamentos. Mas, no fundo, sabia que o rapaz por quem se apaixonara era uma grande caixinha de surpresas desde sempre. Na verdade, ele era muito melhor do que ela havia imaginado ao longo dos anos, desde o dia que despertara a curiosidade genuína de saber qual era a cor dos olhos daquele menino.
Então a voz de Sakura invadiu sua mente, junto de seus conselhos. E por que não?
Por que não seguí-los? Por que não ser menos cautelosa apenas uma vez na sua vida? Por que não se entregar a um sentimento tão grande e recíproco? Por que não se despir de todos os medos alimentados desde sempre em relação a eles?
Naruto era real. O seu amor por ele era real. E o amor dela por ele também.
Colocou o travesseiro sobre o rosto para abafar o grito que estava prestes a dar. Com ele a decisão veio: seguiria o conselho da Haruno, sua amiga tão maluca.
A passos tímidos, saiu de seu quarto e foi até o de Naruto sem um plano formulado. Faltava muito ainda para dormir e, bem, gostava muito da companhia de Sakura e Sasuke, mas queria ficar com o seu garoto o resto daquela noite. Talvez madrugada adentro.
Então, apenas bateria na porta, esperaria ele abrir, olharia em seus olhos, diria o quanto estava feliz e o que tivesse que acontecer dali por diante, ela estaria pronta sem mais ressalvas.
Chegou à porta do rapaz e antes mesmo que conseguisse ouvir o barulho oco da madeira, sentiu seu braço sendo puxado de uma forma não tão delicada. Em seguida, o que sentiu foi o sabor mentolado da boca da qual queria tanto provar e a força daqueles braços que pareciam nunca mais deixá-la sair de perto.
A verdade é que Naruto também estava inquieto em sua cama após o banho, pensando em tudo que aconteceu, nos relatos de Hinata, nos anos que a procurou, em como queria estar com ela e nada mais.
E acima de tudo, estava completamente viciado no doce beijo daquela menina e, depois de sentir uma vez, não queria parar mais de provar aqueles lábios.
Nada mais precisava ser dito, só precisavam colocar em dia todo os beijos que deveriam ter sido trocados durante todo esse tempo separados.
Ao pararem por um momento, Naruto deu alguns passos para trás, levando a menina junto consigo. Sentou-se na cama encostando na cabeceira e sem pensar duas vezes, Hinata sentou entre as pernas dele, abraçando-o forte. E assim ficaram por um tempo, em silêncio.
Apenas sentindo a textura da pele um do outro, o calor emanava de seus quando estavam juntos, os cheiros naturais de cada um, as sensações, das vibrações, as respirações.
Naruto, naquela altura, trajava apenas uma calça de moletom, estava sem camisa e ainda era possível sentir a pele úmida do pós-banho. Hinata, por sua vez, encontrava-se com um vestido de alças e tecido fino, que deixava a sua pele evidente.
Praticamente, ficaram assim pelas próxima hora seguinte, curtindo-se. Às vezes, voltavam ao assunto das lembranças de Naruto, de como era inacreditável elas existirem, dado à sua condição na época. Outras vezes, o rapaz soltava alguma coisa embaraçosa que foi dita por Hinata durante as visitas e que vinha à sua mente, deixando-a totalmente desconcertada. Entre esses diálogos, claro, estavam os beijos, ora doces, ora com certa dose de luxúria, assim como as carícias que trocavam.
Nas vezes em que sentia que poderia não conter a intensidade dos seus beijos e ações, Naruto fazia um esforço enorme para não agir na impulsividade e nem induzir Hinata a isso. Não queria arrependimentos, jamais.
Então, pensava em alguma coisa que pudesse deixar as coisas mais frias um pouco, por assim dizer. Momentos esses em que conversavam sobre a infância, o colégio, coisas que ainda não tinham compartilhado. Era como se estivessem se conhecendo naquele dia.
A certa altura, Sakura bateu na porta avisando que tinha pedido uma pizza com Sasuke, que logo iria chegar. Naruto respondeu qualquer coisa, a fim de dispensar sua amiga. Ela que o perdoasse em alguma época da vida, mas não queria mais ser interrompido. Sentia que tinha perdido tempo demais quando o assunto era sua garota-anjo.
Logo após, iniciaram mais um beijo, só que dessa vez foi Hinata quem o beijou, pegando-o de surpresa. Ainda mais porque quem tornou o ato mais ousado foi ela. Naruto sempre tentava se controlar para não avançar o sinal, mas quando ela sentou em seu colo, de frente para si, ele não resistiu. Pegou na cintura da menina e a deitou na cama com rapidez, invertendo as posições. Analisou a sua expressão para ter a certeza de que tinha lido da forma correta os sinais da menina. Hinata riu e Naruto seguiu em frente, num beijo avassalador.
Porém, mais uma batida na porta os interrompeu.
— Naruto e Hinata a pizza chegou — disse Sakura.
Naruto olhou frustrado para a namorada, que sorriu e lhe deu um beijo, levantando.
— Vamos, eu estou com fome.
Naruto riu.
— Novidade, estranho seria se você não estivesse com fome.
Hinata deu um soco no ombro de Naruto e logo após o beijou.
— Assim fica difícil sair daqui — disse o menino assim que se separaram.
Ela pegou em sua mão e o puxou para fora do quarto.
Naruto olhava admirado para Hinata, pensando que finalmente tinha sua garota-anjo consigo e que nunca mais iria deixá-la partir. Hinata o salvou, mesmo que achasse que não tinha feito muito por ele, como ela disse algumas vezes naquele dia. Mas ele sabia que aquela doce voz foi motivo dele ter superado a morte. E acreditava que o destino assim quisera, para apenas conhecê-la.
Depois de várias risadas, os dois casais resolveram que era hora de dormir e, mesmo não querendo se separar de Hinata, Naruto sabia que esse momento chegaria.
Ele a levou até o seu quarto e a beijou intensamente, separando-se dela devagar, com pequenos beijos.
— Se você sentir medo ou se achar que vai ter aquele pesadelo outra vez, não deixe de me chamar, tudo bem?
Hinata sorriu, acariciando seu rosto.
— Eu não tenho controle sobre os sonhos, não sei quando irá acontecer.
— Eu sei, mas… se precisar, qualquer coisa… eu venho, tudo bem?
Hinata deu um beijinho na ponta do nariz do rapaz, após assentir e com muita dificuldade se afastou de Naruto para entrar no quarto, sabendo que ele não iria se afastar tão cedo.
Após fechar a porta, Hinata se jogou na cama não acreditando em tudo o que tinha acontecido. Seu coração batia acelerado e, apesar de tudo, seu corpo estava relaxado e leve. Era como se um peso tivesse sido tirado de cima e de dentro de si. Essa leveza, típica das felicidades genuínas, fazia com que ela não parasse de sorrir.
Ainda não acreditava que teve coragem para falar tudo aquilo. Nunca tinha falado sobre os seus sentimentos em relação à Naruto ou sobre toda a situação vivenciada na época do coma, para ninguém. Mas a relação entre os dois era diferente. Hinata sabia que Naruto confiava nela e, isso, era o suficiente para que ela se sentisse mais forte ou corajosa para fazer o que quisesse. Ele tinha esse efeito sobre ela e ninguém mais. Aquele rapaz lhe passava segurança e que os sentimentos dele eram os mais sinceros.
Hinata sentou na cama, instintivamente, e lembrou da decisão que havia tomado mais cedo. “O que eu estou fazendo?” pensou.
Entre o tempo que se despediu de Naruto e até aquele instante, deveria ter se passado meia hora ou um pouco mais, calculou.
Pegou um pijama, apesar de talvez não precisar, e novamente foi até o quarto de Naruto. Sorriu travessa ao ver que a porta do quarto dele estava entreaberta.
Suavemente, abriu a porta do quarto do namorado, que se encontrava entreaberta. Algo que ele mantinha desde que Hinata mudou-se para lá e ele soube de seus pesadelos. Ela riu ao perceber isso. Uma vez dentro do cômodo, fechou devagar a porta atrás de si, evitando fazer barulhos.
Andou na ponta do pé até a cama de Naruto, que estava virado para o lado contrário a porta. Ele ocupava o meio da cama de casal e, ao pé do móvel, era possível contemplar as costas desnudas do rapaz e todo o resultado dos exercícios físicos a qual ele se submetia. A pele bronzeada, de quem curtia nadar em uma praia ou na piscina nas horas vagas para relaxar da tensão do curso de Medicina. Uma figura muito diferente do rapaz pálido e franzino na cama do hospital, mas tão bonita quanto.
Devagar, subiu na cama do rapaz e passou suavemente as mãos nas costas dele, tendo o seu punho firmemente segurado em poucos segundos. Assustou-se quando o menino rapidamente se virou.
Os dois se encararam. O olhar de Naruto era penetrante. A sua respiração estava ofegante e acabou induzindo a de Hinata se tornar igual ou até mais. Ela não conseguia decifrar o que se passava pela mente do garoto a sua frente, que estava com um semblante sério, um pouco contorcido, talvez. Foi tomada pela expectativa.
— O que a senhorita pensa que está fazendo, Hyuuga?
Hinata respirou com dificuldade ao perceber o tom de voz de Naruto, que estava um tanto mais rouco que o comum. Deveria ser por causa do sono, já que acabara de acordar.
Não, havia algo mais, ela sabia.
— Eu quero ficar com você essa noite, Naruto-kun.
Naruto observou Hinata atentamente, sabia bem o que estava prestes a acontecer. Procurou por algum sinal de dúvida.
— Olha, Hina…
E não achou. Pelo contrário.
— Eu quero.
Ele colocou o dedo indicador em sua boca, em sinal para que escutasse o que ele tinha para falar, enquanto suavizava ainda mais a sua mão no entorno do punho da menina.
— … eu estava sonhando com você. Mas não era o tipo de sonho com o qual estou acostumado a ter. — Pela pouca luz que entrava pela sua janela, Naruto conseguiu ver Hinata abrir um pouco a boca em sinal de surpresa e a respiração pesar um pouco, ao mesmo tempo que o incentivava a continuar com o olhar. — Diria que estávamos bem diferentes, um pouco suados, produzindo calor demais.
Ele deu um sorriso com um quê de malícia, enquanto passava o dedo indicador pelos lábios da namorada, que fechou os olhos, aproveitando aquela carícia e a vibração que o tom da voz dele produzia contra a sua pele, estando assim tão perto.
— Já perdemos tempo demais, não acha, Uzumaki?
Ela o questionou com um tom de voz que Naruto nunca tinha ouvido, enquanto começou a dar pequenos beijos no dedo do rapaz, tombando a cabeça um pouco para o lado, dando-lhe completo acesso a seu pescoço.
Com o sorriso já largo, Naruto puxou Hinata para si, beijando com vontade o seu pescoço, não se controlando nem por um minuto. Apertou a sua cintura e puxou ainda mais o corpo dela contra o seu.
— Tem certeza? — perguntou mais uma vez.
— O amor que eu sinto por você é muito forte, Naruto-kun. E eu sei, finalmente sei, que o que você sente por mim também é. E eu quero senti-lo de todas as forma possíveis — disse uma Hinata decidida, beijando-o com ainda mais volúpia, arranhando as costas do rapaz que amava.
Aquela atitude o pegou de surpresa, mas bastou para que ele afastasse qualquer receio, se entregando ao desejo e deitando a menina em sua cama. Ele também queria sentir aquele amor transbordar do seu peito e amá-la com tudo que podia.
Naquela noite, Naruto e Hinata entenderam que mesmo que demorasse, iriam ficar juntos. Além da ligação de alma, eles tinham uma ligação de carne. Sentiram que, de alguma forma, eram o encaixe perfeito um do outro.
Poderia ser até meio clichê, mas não havia outra forma de explicar todas as coisas que possuíam em comum, os chamados mudos de um pelo outro, a atração poderosa que sentiam. Um completava outro.
A primeira vez em que a porta do quarto de Naruto ficaria fechada durante uma noite inteira, marcaria a vida dos dois jovens para sempre.
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