Meu Melhor... Amigo... ?
12 Perdidos
Yunho recobrou o equilíbrio e o ruivo o ajudou a chegar ao banheiro. Após certificar-se de que o maior ficaria bem sozinho, Jaejoong tratou de ir à farmácia.
“Minha nossa, o que foi isso!” Exclamou para si mesmo, relembrando a cena. O perfume suave, a pele quente, a voz rouca, o sorriso perfeito. Um arrepio percorreu seu corpo novamente e o ruivo riu. “Bom, o que seria isso, se não o amor?!” Indagou-se, brincalhão.
Ao chegar, Jaejoong deu leves batidas na porta antes de entrar, para avisar que já chegara.
- Yun, tudo bem? – Indagou o ruivo, fechando a porta atrás de si.
- Tudo. – Respondeu do quarto.
Jaejoong colocou a pomada sobre o balcão em estilo americano e pegou um copo d’água. Enquanto tomava, viu o moreno aproximar-se, e quase se afogou ao vê-lo.
Estava apenas com uma calça moletom preta. Seu tronco perfeito e desnudo estava um pouco molhado, e o cabelo ainda pingava. Seus olhos amendoados eram levemente camuflados pelas madeixas negras, deixando-o com um ar misterioso.
- Jae, está tudo bem? – Vendo o jovem tossir.
- T-tudo. – Gaguejou. – Só me afoguei. – Largando o copo na pia. – Vem, deixa-me colocar a pomada em você.
Yunho aproximou-se do ruivo e levantou o braço direito com dificuldade. Quando Jaejoong aplicou a pomada, sentiu um arrepio, pois o gel era muito gelado, mas em alguns instantes, após seu corpo se acostumar, sentiu a maciez e delicadeza da mão do menor o massagear com suavidade. O ruivo era muito cuidadoso e preocupado para não o machucar, e a sua expressão concentrada fez o moreno rir.
- Do que está rindo? – Indagou Jaejoong, o olhando com curiosidade.
- É que você está com uma cara muito fofa de preocupação. – Explicou com um sorriso gentil.
- Claro! Você manhoso do jeito que é, morre gritando se eu te machucar. – Debochou o menor.
- Eu não sou tão manhoso assim. – Retrucou o moreno, com um bico.
Jaejoong apertou um pouco a mão e ouviu Yunho gritar por quase vinte segundos. O olhou com uma expressão de “eu disse” e voltou à aplicação. Após alguns minutos de massagem, o hematoma já era menos visível, e o moreno parecia mais confortável em seus movimentos.
- Melhor? – Indagou Jaejoong.
- Muito! – Sorriu o moreno.
DING DONG!
- Eu atendo. – Precipitou-se o ruivo.
- Eai galerê. – Anunciou Junsu, entrando na casa. – PELA MÃE DO GUARDA! – Exclamou ao ver o hematoma do amigo. – Vocês brigaram? – Olhando para Jaejoong com perplexidade.
- Não. – Riu Yunho. – Ontem, quando nós fomos embora do restaurante, dois caras tentaram assaltar o Jae, mas eu me meti e os tirei de perto dele. – Olhando para o menor com ternura.
- Super Yunho! – Exclamou o jovem, vibrante. – Mas está tudo bem? Não se machucaram sério?
- Não, não. – Explicou o moreno. – Só alguns socos na cara, mas fora isso tudo bem. – Brincou.
- Tudo bem para você! – Disse o ruivo. – Eu quase morri do coração quando vi o Yun caído no chão. Deus do céu, nem quero lembrar. – Balançando a cabeça.
- Enfim. – Riu Junsu. – Eu fui falar com você na sua casa, mas você não estava então presumi que te encontraria aqui. O Kevin está desesperado atrás de você. Tentou ligar várias vezes para o seu celular, mas só dá na caixa postal. Como eu ia ao mercado, me ofereci para vir ver o que tinha acontecido. – Explicou. – Bom, o recado está dado, e eu tenho que fazer as compras do mês. Até mais gente. – Saindo da casa após um aceno rápido.
- Bom, — Iniciou o ruivo. – Eu vou ver o que o maluco quer. – Brincou. – Você vai ficar bem?
- Vou sim. – Respondeu Yunho em um sorriso. – Qualquer coisa eu grito para o meu vizinho preferido.
- Ok. – Jaejoong corou levemente. – Até mais tarde então. – Beijando o maior na bochecha e saindo para sua casa.
Yunho sentiu os lábios do menor por um longo momento, sorrindo abobalhado. Foi até a janela observar o ruivo em seu leve caminhar, suave e sensual, parecendo flutuar sobre as delicadas flores em seu jardim.
Jaejoong entrou em casa alegre e suspirando. O dia estava perfeito! Ele e Yun finalmente tinham parado de brigar, e até tinha gostado do moreno ter se machucado, pois assim tinha desculpa para ficar ao lado dele. Ao olhar para o celular sem bateria em sua mão, lembrou-se do amigo desesperado, colocando o aparelho para carregar rapidamente. Assim que o celular foi ligado, várias mensagens chegaram, todas de Kevin. “Preciso falar com você! , “Gostosinho, onde você está? Me liga!”, “Jae, pelo amor de deus, aparece!”, entre outras desesperadas. O ruivo esperou alguns minutos e ligou para o amigo, que atendeu quase que instantaneamente.
- Graças a Deus! – Exclamou o jovem. – Onde você estava?!
- Eu... Bem... – Jaejoong não sabia por onde começar.
- Deixa pra lá! – Interrompeu. – Preciso muito falar com você! Posso ir até a sua casa? – Sua voz parecia apreensiva.
- Claro Kevin... Pode sim. – Estranhando a atitude do amigo.
- Ok, até daqui a pouco. – Desligando o celular.
“Nossa. O que será que houve?” Perguntou-se. Em poucos minutos, para o espanto de Jaejoong, Kevin apertava sua campainha incessantemente.
Ao abrir a porta, o loiro o abraçou com força, em sinal de desabafo e desespero. Jaejoong fechou a porta e puxou o amigo para o sofá, para que ficassem mais à vontade.
- Kevin, o que aconteceu? – Perguntou o ruivo, muito preocupado.
- Ai Jae, eu fiz a pior coisa da minha vida! – Exclamou o loiro, desolado e inconformado.
- O que você fez? – Já pensando em possibilidades horrorosas.
- Eu e o Chang transamos. – Respondeu quase chorando.
- E... Foi tão ruim assim? – Indagou confuso.
- Não Jae! Esse é o problema! – Kevin parecia perdido, desconsolado. – O Chang foi maravilhoso! Perfeito! Eu nunca me senti assim antes! Parecia que eu estava enfeitiçado por ele!
- E desde quando isso é ruim? – Jaejoong sentiu-se mais calmo, mas mais confuso.
- Jae... Eu estou apaixonado! – Exclamou Kevin, parecendo engolir o choro.
- Mas Kevin, isso é maravilhoso! – Vibrou o ruivo. – Finalmente você encontrou alguém que o fez amar!
- Jae, você não está entendendo o real problema aqui. – Disse o loiro. – O Chang é que nem eu! Ele não se apaixona! Ele vive do momento... Eu... Eu não sei o que fazer Jae. – Abraçando-se no amigo.
- Kevin, calma... – Afagando o amigo nas costas. – Você conversou com ele sobre isso?
- Não. Quando acordei hoje de manhã, ele não estava mais lá. No travesseiro onde ele dormiu tinha um bilhete dizendo: A noite foi maravilhosa. – Explicou.
- Só isso? – Indagou o ruivo, preocupado.
- É Jae, só isso. – Lamentou o loiro.
- Olha Kevin, — O segurando pelos ombros para manter um contato visual. – Eu não sei como o Chang é hoje. Quer dizer, eu sei o que você sabe, mas a pessoa que o conhece como ninguém é o Yunho. Eles continuaram convivendo depois que foram embora.
- Jae, eu não me sinto à vontade para me abrir assim com o morenão. – Explicou o jovem.
- Bom Kevin, então o que eu posso fazer é te aconselhar a agir normalmente... Ou pelo menos tentar.
- Obrigado por me ouvir Jae. – Kevin Sorriu. – Sei que o meu segredo está bem guardado com você. – Abraçando o amigo.
Enquanto isso, na casa ao lado, ChangMin batia freneticamente na porta.
- Já vai! – Anunciou Yunho. – Chang! – Abraçando o amigo ao abrir a porta.
- Yun, você precisa me ajudar! – Exclamou o maior, desesperado.
- O que foi? – Indagou preocupado, fechando a porta.
- Eu fiz a maior burrada da minha vida! – Jogando-se pesadamente no sofá.
- Como assim Chang? – Sentando-se ao lado do maior.
- Eu e o Kevin transamos! – Exclamou desesperado.
- E foi tão traumático assim? – Indagou, brincando para tentar descontrair o amigo.
- Não Yunho! Esse foi o problema! – Explicou inconformado. – Foi... Perfeito! Parecia que o Kevin tinha o controle do meu corpo. Eu não respondia mais por mim!
- Eu não entendi onde entra a burrada na história. – Disse o moreno, confuso.
- Yunho, o Kevin não ama, lembra? Ele acha o namoro uma perda de tempo, não se apega a ninguém! – Explicou entristecido.
- Chang... Pode ser que não seja sempre assim... Você conversou com ele?
- Não. Deixei um bilhete dizendo que a noite tinha sido maravilhosa. – Olhando para o chão.
- SÓ ISSO?! – Gritou o moreno. – Você quer que o Kevin seja vidente para suspeitar que você está apaixonado por ele, só pode!
- E o que mais eu poderia colocar? – Indagou o maior. – Se eu ficasse ali, esperando ele acordar, ia dizer que estou apaixonado por ele e estragar tudo! Não posso fazer isso! Vou o perder para sempre! – Com o choro preso à garganta.
- Olha Chang... – Iniciou Yunho, com a mão sobre o ombro do amigo. – Se você tem tanto medo de perdê-lo, então acho melhor fingir que nada aconteceu, pois se tocarem no assunto, você vai dizer que o ama. Eu conheço você.
- Obrigado Yunho. – Abraçando o moreno. – Sabia que podia contar com você para compartilhar esse segredo.
Ao sair da casa do moreno, ChangMin da de cara com Kevin na porta da casa ao lado, conversando com Jaejoong.
- Ai meu Deus, o que eu faço?! – Indagou para o amigo, desesperado.
- Vai lá conversar com ele! – Exclamou baixo. – Se você fugir ele vai suspeitar!
ChangMin respirou fundo e caminhou vacilante até o vizinho.
- Ai meu Deus, Jae, ele tá vindo para cá! – Disse Kevin, em pânico.
- Calma Kevin, haja com naturalidade! Quer que ele suspeite que você o ama?! – Indagou o ruivo.
- Oi. – Disse ChangMin com um sorriso natural.
- Boa tarde bonitão. – Brincou Kevin. “Meu Deus, estou sendo ridículo.” Pensou.
- Boa só depois que eu te vi. – Disse o moreno, em tom descontraído. “Caramba, vou estragar tudo!” Exclamou para si.
- Bom... – Iniciou o loiro, desajeitado. – Eu tenho que... Ir... Para... Lá... – Apontado para um lugar qualquer.
- Ah, claro. – Sentindo que Kevin o estava evitando. – Eu também tenho que... Ir. – Disse um pouco triste. – Até, mais. – Indo embora.
- Meu Deus, que patético! – Kevin esmurraçava sua cabeça.
- Calma Kevin, não foi... Tão... – Jaejoong tentava mentir. – Tá, foi péssimo.
- Bom, eu vou para casa descansar um pouco. Nos vemos mais tarde. – Dando um sorriso triste para o amigo indo embora logo após.
Antes de entrar em casa, Jaejoong percebe Yunho entrando em casa com um pouco de dificuldade. “Ele esqueceu a pomada.” Pensou, indo em direção à casa vizinha.
Bateu duas vezes na porta e entrou, vendo o moreno sentando no sofá com dificuldade.
- Eu sabia que você ia esquecer de colocar a pomada. – Disse o ruivo, ajudando-o a sentar.
- Não esqueci. – Explicou. – Apenas não lembrei. – Em tom brincalhão.
O ruivo foi até o balcão e pegou o gel, sentando-se ao lado do maior para a aplicação.
- Levanta. – Pediu Jaejoong.
Yunho o obedeceu e levantou-se. O menor imediatamente sentiu seu rosto ferver, pois o abdômen perfeito do maior estava a centímetros de seus lábios. Ao sentir a respiração quente de Jaejoong em sua barriga, Yunho contraiu-a instantaneamente, deixando-a ainda mais definida.
O ruivo respirou fundo e girou o corpo do moreno para aplicar o gel. Após alguns minutos de massagem, Yunho já respirava com tranquilidade e sua musculatura já estava um pouco mais relaxada.
Jaejoong levantou para guardar a pomada no armário, mas Yunho estava muito próximo do sofá, encontrando seus olhos amendoados muito perto dos seus. Sentiu seu corpo cambalear para trás ao perder o equilíbrio, mas os braços fortes do moreno o puxaram para si, impedindo sua queda.
As mãos frias encontraram o peitoral firme e quente, levemente arrepiado pelo choque térmico. Ao erguer o rosto novamente, encontrou o olhar penetrante e gentil do maior. Com a boca entreaberta, Yunho aproximou-se lentamente do menor, cujo coração zumbia de euforia.
A boca macia e carnuda de Jaejoong tinha um sabor incrivelmente doce e suave. Tímido, Yunho tentou aprofundar o beijo, e foi acompanhado pelo ruivo. Aos poucos, as línguas se tocaram e puderam sentir todo o sabor um do outro, e logo travaram uma luta saborosa por prazer.
O moreno firmou seu abraço na cintura frágil do menor, que por sua vez, segurava os ombros salientes do maior, que o beijava com paixão e amor.
O beijo que durou minutos, pareceram segundos para ambos, que almejavam o sabor maravilhoso de seus lábios trêmulos.
- Jae... Desculpa... Eu... – Yunho tentava se desculpar de algo que não se arrependia.
Jaejoong, que estava ao mesmo tempo assustado pela ação do moreno e hipnotizado por seu sabor, o tomou em um beijo apaixonado, deixando-o mais calmo por ver que o ruivo também queria isso tanto quanto ele, mas também mais eufórico por aquele sabor tão divino.
Ao sentirem seus pulmões vazios, foram obrigados a se afastarem, compartilhando um olhar amoroso e brilhante.
- Me perdoe por ser tão egoísta e imbecil todos esses anos. – Pediu o ruivo, acariciando a face sorridente do moreno.
- Só se você me perdoar por não ter dito que te amo antes. – Respondeu em tom apaixonado, tomando o menor em um beijo calmo e terno.
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