- Me perdoe por ser tão egoísta e imbecil todos esses anos. – Pediu o ruivo, acariciando a face sorridente do moreno.

- Só se você me perdoar por não ter dito que te amo antes. – Respondeu em tom apaixonado, tomando o menor em um beijo calmo e terno.

- Bom... – Iniciou o menor, finalizando o beijo com um carinhoso selinho. – Isso só vai acontecer se você não me deixar de novo. – Deslizando suas mãos pelos fortes ombros amorenados.

- Eu sempre estive, e sempre vou estar... Aqui. – Respondeu o moreno, tocando o anel no peito de Jaejoong.

- Eu nem acredito que isso esteja acontecendo! – Exclamou o ruivo, abraçando o moreno com um pouco de força, que gemeu de dor. – Desculpa! Desculpa! Desculpa!

Yunho riu e o abraçou novamente. Ficaram ali por momentos incontáveis, sorrindo. O moreno sentia o perfume suave dos cabelos de Jaejoong, sua pele, seu cheiro, até sua respiração em seu ombro o fazia sorrir.

Mas como nada é perfeito, foram “acordados” pela gritaria de ChangMin em frente à casa.

- Yunho! Jaejoong! Alguém!

- Minha nossa, botou fogo na casa! – Exclamou o maior, um pouco irritado.

Antes de abrir a porta, Yunho foi surpreendido pelo menor, que, subitamente, segurou seu rosto e lhe roubou um beijo travesso.

Ao ver a porta sendo aberta ChangMin correu para dentro, e antes de começar a falar, percebeu um clima estranho ente os dois.

- Está acontecendo alguma coisa que eu deva saber? – Os olhando com curiosidade.

- Não. – Responderam em coro, inocentes.

- Não acredito em vocês, mas estou desesperado demais para brincar. – Disse o caçula rapidamente. – Eu sinto que um trator passou por cima do meu peito. – Falando seriamente.

- Como assim Chang? – Indagou o menor, preocupado.

- Eu posso falar com o Yun em particular? – Pediu encabulado.

- Claro. – Sorrindo. – Até mais tarde. – Sorrindo travessamente para o moreno e indo até sua casa.

- Me conta Chang, o que aconteceu? – Perguntou o moreno calmamente.

- Eu acabei de ver o Kevin com um cara. – Respondeu em tom muito triste.

- C-como assim Chang? – Yunho sabia a dor que o amigo sentia.

- Eu estava caminhando no centro, quando vi uma BMW passar por mim. O Kevin estava lá dentro com um cara, sorrindo. – Baixando os olhos para suas mãos inquietas. – Ele parecia feliz. – Sorriu, sentindo uma lágrima molhar sua mão.

- Ah, Chang. – Yunho foi até o maior e o abraçou. Sabia muito bem que dor era aquela. E por sua experiência, também sabia que a única coisa que poderia fazer agora era lhe abraçar. – Eu sei o que você está sentindo. Mas não pode culpar o Kevin. – Explicava, calmo. – Ele nem sonha que você o ama.

- É isso! – Exclamou ChangMin, assustando o moreno. – Yunho, eu te amo cara! – Dando um beijo no rosto do menor e saindo correndo, deixando o menor falando sozinho.

Ao sair da casa do amado, Jaejoong sente seu celular vibrar. “Kevin?” Indagou-se, atendendo logo em seguida.

- Alô?

- Jae! ­– Exclamou ofegante. – Lembra quando eu disse que tinha feito a maior burrada do mundo?

- Lembro. – Confirmou, confuso.

- Bom, eu quase fiz uma mil vezes pior. – Riu.

- E o que te impediu? – Indagou, debochado.

- Meu coração. ­– Respondeu sereno.

- Como assim Kevin? – Jaejoong agora era preocupado e confuso.

Flash Back On

Kevin estava em casa fazendo nada. Na verdade, estava tentando fazer algo que não lembrasse ChangMin, e no caso, nada. Sua casa era a pior coisa para o momento, pois cada objeto lembrava a melhor noite da sua vida. Podia ser coisa de sua cabeça, mas, pela primeira vez, sentiu-se amado.

Tomou um susto quando ouviu seu celular tocando, o atendendo com displicência.

- Hã.

- Kevin? – Indagou a voz grave. — Oi, sou eu, Inoue.

- Ah, oi! – Tentando parecer “feliz” ao ouvir sua voz.

- Oi. – Riu. – Você disse que ia me ligar... – Insinuando que havia esperado muito.

- Poisé, não deu. – Disse o loiro, olhando as unhas. “Porque eu não estava afim.” Pensou.

- Você tem planos para hoje? – Indagou eufórico. – Eu estava pensando se nós poderíamos sair... Jantar...

- Hããã... – Pensando em ChangMin contra a sua vontade. – Claro. Por que não?! – “Ele é gostoso” Lembrou-se. “Talvez isso me ajude a tirar esse abusado da cabeça”.

- Ótimo! – Exclamou, visivelmente feliz. – Passo na sua casa às sete. – Desligando logo em seguida.

Kevin não estava empolgado, muito menos feliz. Na verdade, pela primeira vez, sentiu-se estranho ao marcar um “encontro” com um cara que vira uma vez, e claro, acabara transando com ele.

A passos lentos foi para o banho. Não teve pressa, pois ainda estava cedo. Ao terminar de secar-se, vestiu uma regata branca, jaqueta de couro preta estilo esportivo, calça skinny preta e um Nike “botinha” preto. Preguiçoso, bagunçou o cabelo com a mão, deixando um ar rebelde, mas muito sexy.

A buzina ouvida indicou que seu “par” já havia chegado, descendo as escadas sem pressa. Ao entrar no carro, desviou a boca de Inoue, beijando-lhe no rosto. Kevin não se lembrava, mas o jovem era muito bonito. Cabelos castanhos caídos à face, sorriso conquistador, olhos negros, corpo volumoso e firme. Mas nada o atraía mais. Todos haviam perdido a graça.

Enquanto Inoue conversava, Kevin concordava ou dava respostas curtas, nem prestando a atenção no lindo homem ao seu lado. Ao passarem pelo centro de Seul, Kevin observava todas aquelas pessoas caminhando, que antes o chamavam tanto a atenção, mas agora pareciam todas a mesma.

Ao pararem em frente a um lindo e elegante restaurante refinado, Inoue desceu e abriu a porta para Kevin descer. Ao fechar a porta, o homem tenta beijar Kevin novamente. O loiro realmente tenta, mas não consegue beijá-lo.

- Kevin, o que aconteceu com você? – Indagou o homem de cabelos castanhos, confuso.

- Desculpe Inoue, eu não consigo. – Disse o menor, sério.

- E por que não? – Indagou novamente.

- Porque você não é o ChangMin. – Respondeu, sorrindo tristemente. Após uma breve carícia no lindo rosto de Inoue, foi embora a passos lentos.

Flash Back Off

- Kevin, você não está só apaixonado. – Disse o ruivo, calmo. – Você está amando.

- E o que eu faço Jae? – A voz do loiro era triste e desesperada.

- Ame. – Respondeu Jaejoong, em tom acolhedor.

Kevin sorriu e desligou o telefone. Sabia o que o amigo queria dizer, mas não tinha coragem de fazer. Era preferível sofrer eternamente do que perder ChangMin como amigo.

Não interessava para onde ia. Todos os lugares eram iguais. As vozes ao seu redor não apresentavam diferenças. Os olhares cobiçantes que o queimavam, não o interessavam. As cantadas que ouvia já não tinham graça. Cada vez que fechava os olhos, o sorriso sincero de ChangMin lhe vinha à mente. Seu toque gentil, sua voz rouca, seu beijo carinhoso, a única pessoa que o fez sentir-se diferente.

Ao sentir o vento gelado em seu rosto foi que percebeu as lágrimas que lhe fugiam sem que deixasse. Um sorriso triste fez a despedida daquelas lembranças perfeitas, obrigando-as a tornarem-se apenas um sonho.

Quando olhou em volta, percebeu que voltara ao centro de Seul. Mas o que chamou sua atenção não foi o movimento, mas sim a falta dele. Todas as pessoas que antes caminhavam para todos os lados, apressadas, agora estavam paralisadas olhando para o alto.

Kevin, curioso, acompanhou o olhar da multidão chegando aos inúmeros painéis digitais espalhados por TODO O CENTRO DE SEUL. O loiro, então, sentiu seu coração sumir. A boca entreabriu-se de incredulidade e o ar falhou de susto.

Todos os prédios, outdoors, letreiros, TUDO. A frase que tanto queria ouvir estava lá, para o mundo inteiro ver.

Kevin,

Me perdoe.

Eu te amo.

ChangMin.

A frase passava lentamente pelos letreiros. Em todas as cores, todas as letras, todos os formatos, tudo diferente, mas no fundo, queriam dizer a mesma coisa.

Kevin não sabia o que fazer. Olhou para todos os lados, a procura do moreno, mas tudo que via era uma multidão extasiada com o ato de amor. Ao tentar se mover, percebeu a grande dificuldade, o tornando lento demais. Quando finalmente conseguiu chegar ao prédio principal, lá estava ele. Lindo, emocionado, paciencioso e nervoso. ChangMin parecia estar rezando enquanto procurava o loiro pela multidão. Seus olhos corriam para todos os lados, e Kevin sentiu um pavor imenso ao ver o moreno mover-se para o lado oposto em que estava.

O medo de perdê-lo foi tão grande que seus pulmões encheram-se e, para seu espanto, ouviu sua voz gritar com todas as forças de seu corpo o nome do maior.

ChangMin estava apreensivo. Era a sua primeira e última tentativa de mostrar ao loirinho que o amava com todas as suas forças. O procurava em meio à multidão incerta e curiosa. Ao ouvir seu nome, seu coração pulou tão forte que a impressão foi que o tivesse perdido. Ao olhar para trás, Kevin sorria radiante. Estava lindo como sempre, mas algo nele estava diferente.

Tentou correr, mas haviam tentas pessoas lá, que sentia como se estivesse nadando contra a maré.

Quando todos perceberam que aqueles eram os donos dos nomes nos letreiros, abriram-se, formando um extenso corredor.

Estavam a aproximadamente trinta metros de distância, mas seus corações batiam tão forte que tinham a nítida impressão de todos estarem ouvindo.

- Você é maluco?!!- indagou Kevin, com a voz esganiçada por sua euforia.

- Sou! – Respondeu o moreno com um sorriso. – Sou maluco! Insano! Louco! Totalmente desconcertado! – Gritava. – Mas é por você Kevin. Você me fez amá-lo de uma forma tão imensa que é impossível guardar só para mim. Quero que o mundo saiba disso. E tudo bem se você não me ama. Eu não tenho vergonha em gritar: KEVIN, EU AMO VOCÊ!

Kevin sorriu de maneira tão graciosa que todos em sua volta suspiraram.

- Sim, você é maluco! – Exclamou, começando a caminhar em direção ao maior. – Mas não é por fazer isso, — Apontando para os letreiros. – ou por gritar para todas essas pessoas que me ama. – Ficando então frente a frente com ChangMin. – Você é maluco por achar que eu não o amo como a forma que me ama. Eu não sei como, ou quando isso aconteceu Chang, mas eu sei que isso é tão forte que não tem como ser arrancado daqui. – Colocando a mão em seu peito. – Eu sei que isso pode parecer loucura, — Rindo. – mas você é o amor da minha vida ChangMin.

- Eu tive tanto medo. – O maior aproximou-se do loiro e o segurou pela cintura, o acariciando no rosto com a mão livre.

- Nunca me senti tão amado e protegido em toda a minha vida Chang. Você me faz sentir como se eu fosse a única pessoa no mundo. – Respondendo a carícia igualmente.

- Mas para mim, você é. – Disse ChangMin, carinhoso. – Você é a única pessoa no meu mundo. – Sorrindo.

Kevin não conseguiu mais aguentar. Entrelaçou seus braços no pescoço do maior e o puxou para um beijo apaixonado.

Todos em volta vibraram e bateram palmas, e o casal sorriu em meio ao beijo. Kevin nunca sentiu sabor tão perfeito e toque tão macio, e ChangMin nunca ouviu seu coração zumbir daquela maneira.

Ambos sorriram carinhosamente após o término do beijo, e juntos, disseram: “Eu amo você.”