Meu Melhor... Amigo... ?

17 Coisas que não se quer ouvir


Jaejoong odiou o fato de ter que concordar com Ajoo. O que ele poderia oferecer à Yunho? Ele não tinha nada. Já Taemin poderia oferecer tudo o que Yunho sonha e almeja com a maior facilidade do mundo.

Fitou o lindo jovem de cabelos vermelhos saindo lentamente do pátio da universidade e ouviu o ronco do motor de sua Ferrari por vários quarteirões, cujo barulho se confundia com a voz ecoando as duras e verdadeiras palavras do moreno que, apesar de cruel, foi o único com coragem o bastante para lhe dizer a verdade.

Jaejoong ficou toda a aula sem se pronunciar. Seus colegas podiam sentir a tensão emanar de seu corpo imóvel, deixando até o professor desconfortável.

Quando o sinal finalmente tocou, o ruivo saiu sem pressa de sua sala, encontrando seus amigos o esperando com certa ansiedade. Yunho não estava lá.

- Jae, meu amor! – Exclamou Kevin, desvencilhando-se do abraço de ChangMin para pular nos braços do jovem, que não retribuiu o abraço. – Nós todos vamos lá para casa, quer vir junto?

- Não. – Respondeu o jovem, secamente.

Sem dirigir o olhar frio para os amigos, Jaejoong sai de perto do grupo e se dirige à sua casa. Ao chegar em sua rua, percebe que o carro de Taemin não está estacionado em frente a casa de Yunho, o que provavelmente indicava que os dois estavam saindo juntos.

No fundo, Jaejoong sabia que nem raiva podia sentir, e se poderia, seria apenas de si mesmo. Entrou em casa, atirou seus livros em um lugar qualquer e foi para o quarto. Ao deitar-se em sua cama, ficou a fitar o céu cinzento que parecia compartilhar de seus sentimentos pesados e tristes.

Enquanto isso, o quarteto jogava videogame na casa de Kevin, enquanto o loiro preparava alguns aperitivos para serem degustados.

- Cara, estou muito preocupado com essa história do Yunho e do Jae. – Comentou ChangMin, enquanto passava o controle à Junsu.

- Eu também. – confessou YooChun, com a voz triste. – A última vez que eu tinha visto o Jae dessa maneira, foi quando o Yunho foi embora.

- Esperem um pouco. – Disse Junsu, pegando seu celular.

- O que você vai fazer Su? – Indagou seu irmão.

- Ssshhhh!! – Ordenou o menor, com o celular no ouvido. – Alô? Taemin?

- Junsu, você tá maluco?! – Sussurrou YooChun, tentando pegar o celular do irmão mais novo, que corria pela casa.

- É... Nós estamos aqui no Kevin e pensamos se você não quer vir aqui se divertir um pouco. – Subindo no sofá e empurrando o irmão com o pé. – Ah, o Yunho está com você? – Fazendo todos presentes prenderem a respiração. – Claro que ele pode vir. Ok, estamos esperando. Bye. – Desligando o celular.

- O que o Yunho está fazendo com o Taemin a essa hora? – Indagou Kevin, olhando para o relógio de parede que indicava quase oito da noite.

- Sinceramente, tenho medo de descobrir. – Confessou ChangMin.

Em poucos minutos o ronco da Ferrari foi escutado e Kevin abriu a porta. O loiro se odiou por sentir seu corpo ferver ao ver Taemin, mas era quase impossível lutar contra. Yunho vinha logo atrás com um lindo sorriso alegre, o que deixou Kevin apreensivo.

- Onde está o Jae? – Indagou Yunho, sentando-se no sofá.

- Finalmente você se lembrou né imbecil. – Murmurou Junsu, recebendo uma forte cotovelada nas costelas de seu irmão mais velho.

- Ele disse que tinha muito trabalho e decidiu ficar em casa. – Inventou YooChun, com um sorriso amarelo.

- Acho que ele não gostou muito de mim. – Disse Taemin, sentando-se ao lado de Yunho.

- Por que será? – Sussurrou Junsu, recebendo um olhar feio de YooChun.

- O Jaejoong só é um pouco tímido. – Disse Kevin, oferecendo alguns aperitivos aos recém chegados.

- Espera... O Jae... É o Jaejoong? – Indagou Taemin, perplexo. – Quer dizer... “O” Jaejoong?

- O dono do coração do Yunho? É ele sim. – Disse Junsu, com um discreto ar triunfante.

- Yun, como você não me disse nada!?! – Exclamou o jovem de cabelos vermelhos, parecendo feliz.

- Ué, pensei que você ligaria o apelido ao nome. – Riu o moreno.

- Nossa, eu conheci o anjo da sua vida e nem pude conversar com ele. – Refletiu o jovem, com um sorriso no rosto. – Ele é lindo e muito simpático. Não é à toa que você o ama Yun.

- Ama tanto que quase o chutou para fora de casa quando você chegou. – Cochichou Junsu, recebendo um beliscão do irmão.

- É uma pena que ele não esteja aqui. – Disse Taemin.

- Claro, eu imagino o quanto você está desapontado. – Murmurou Junsu, sentindo um tapa na cabeça vindo de YooChun.

Apesar de Taemin agir naturalmente, o jovem ouvia tudo que Junsu dizia. O jovem de cabelos vermelhos não tinha percebido como estava fazendo mal aquelas pessoas, e sentiu-se horrível por isso. Levantou-se, mentiu ir buscar um refrigerante e dirigiu-se para casa de Jaejoong. Chegando lá, começou a buzinar e gritar o nome do jovem incessantemente, até ver a porta se abrir lentamente.

- Taemin? – Jaejoong pareceu surpreso. – Aconteceu alguma coisa?

- Por que não me contou que você é o Jaejoong? – Taemin possuía uma expressão misteriosa, mas sua voz era serena.

- Como assim? – Fechando a porta atrás de si e se aproximando do jovem que estava escorado em sua Ferrari.

- Por que você não me disse que era você o anjo da vida do Yun? – Dando o lado para o ruivo escorar-se também.

- Porque eu tenho dúvidas quanto a isso. – Cruzando os braços e olhando para a lua cheia. – Eu nunca vi ele tão feliz como no dia em que viu você.

- E eu nunca vi ele tão triste como em todos os dias que ele estava longe de você. – Taemin contemplou a lua também. – O sorriso do Yun quando ele me recebeu foi o primeiro sorriso sincero dele.

- Como assim? – Jaejoong desviou seu olhar para Taemin.

- Arrancar um sorriso de alguém é muito fácil Jaejoong. Basta apenas você saber do que essa pessoa gosta ou lhe dizer algo engraçado. Mas fazer uma pessoa chorar com tanta dor como você fez o Yun chorar... Eu nunca vi tanto amor preso em um ser humano. Eu o impedi de fazer coisas cujo se arrependeria pelo resto da vida Jae, estive do lado dele quando ninguém mais esteve, dei o abraço apertado que ele queria que fosse o seu, afaguei seus cabelos com uma mão que ele desejava que fosse a sua, sorri por coisas que ele queria que fosse a sua alegria... Ele sorriu pela primeira vez daquele jeito porque ele sabe que eu nunca vou abandoná-lo. – Explicou Taemin sem desviar seu olhar do brilho prateado. – Mas com você, tudo muda. – Sorrindo e olhando para suas mãos.

Flash Back On

- Tae! Mas... Mas o que... – Gaguejava o maior, aproximando-se da máquina.

- Entra. – Convidou Taemin. – Eu te levo para a aula hoje.

Taemin seguia para a Universidade, mas Yunho pediu para irem a outro lugar. Ao seguir as coordenadas, os dois jovens chegaram até o farol da cidade, que agora não passava de um monumento histórico.

Ao saírem do carro, subiram no farol e ficaram a contemplar a dança das ondas em silêncio, quando, após longos minutos, o moreno se pronunciou.

- Foi aqui que eu vim quando percebi que estava apaixonado pelo Jaejoong. Era um final de tarde e o sol estava se pondo. Diante de toda essa beleza, a única coisa em que eu conseguia pensar era nele. – Sua voz era calma, mas parecia triste.

- Foi por isso que se mudou? – Indagou o jovem de cabelos vermelhos, observando a expressão do moreno.

- Foi. – Respondeu. – Senti que não podia fazer isso com o Jaejoong, eram muitas coisas a serem enfrentadas... Então fugi.

- Você se arrepende?

- Não. – Yunho sorriu tristonho. – Agradeço muito por ter ido embora. Dei à Jaejoong a chance de viver sem se lembrar de mim, dei chance à mim de esquecê-lo, e ainda conheci você.

- E...Você conseguiu esquecê-lo? – Indagou Taemin, encarando o mar.

- Nem que eu vivesse mil anos... O rosto dele está nos meus olhos, o cheiro dele está na minha pele, a voz dele está nos meus ouvidos, ele... Está aqui. – Apontando para seu peito.

Flash Back Off

- Ele até pode fugir de você Jae, mas ele não pode fugir dele mesmo. – Taemin sorriu para o jovem, que o escutava perplexo.

Ao olhar para o chão, Jaejoong sentiu seus olhos ofuscados pelo brilho que a lua proporcionava a seu precioso anel, que nunca o deixara. Segurou o objeto com delicadeza e sorriu ao lembrar do dia em que o ganhou. Ao olhar novamente para Taemin, o jovem o contemplava com um olhar encorajador. Um abraço silencioso, mas profundamente agradecido foi dado no jovem de cabelos vermelhos segundos antes de Jaejoong começar a correr em direção à casa de Kevin.

- Não se esqueça Jae: E sempre vou estar do lado dele, então não o faça sofrer novamente. – Gritou Taemin com um sorriso sincero no rosto, sendo retribuído com um olhar agradecido e obstinado.

Enquanto isso, os quatro jovens conversavam descontraidamente na casa do loiro.

- O Taemin está demorando, não acham? – Comentou Yunho, olhando para o relógio.

- Escuta aqui Yunho, o que você tem na cabeça? – Disse Junsu, levantando-se com raiva. Seu irmão tentou impedi-lo, mas o menor puxou seu braço com brutalidade. – O Jaejoong está lá na casa dele se consumindo em dor por sua causa, e tudo o que você sabe fazer é pensar no Taemin?

Jaejoong finalmente chega à casa de Kevin, mas instantes antes de apertar a campainha, ouve a voz de Yunho.

- Durante todos os dias da minha vida, eu odiei o dia em que ajudei Jaejoong a levantar.

Esse foi o dia em que nos conhecemos!” Refletiu o ruivo, sentindo algo semelhante a um tiro em seu peito. O anel que tanto lhe protegeu parecia fogo em seu peito, sendo arrancado com brutalidade.

Uma lágrima violou seu rosto e o jovem correu o mais longe que conseguiu.

- Mas quando o vi novamente, — Continuou o moreno. – Agradeci a Deus por ele ter colocado aquele anjo no meu caminho. – Sorrindo tristemente. – Não me preocupo com Taemin porque ele é mais importante que o Jae, mas me preocupo com ele porque ele foi o único que se preocupou comigo quando a única coisa importante para mim era o Jaejoong.

Todos ali ficaram em silêncio. Junsu ainda estava parado de maneira imponente, mas o arrependimento consumia suas palavras já ditas.

Yunho levantou-se e foi até a porta, parando com a mão na maçaneta.

- Se o meu erro foi amá-lo demais Junsu, então o Jaejoong é um erro que eu quero continuar cometendo pelo resto da minha vida. – Fechando a porta atrás de si.

Após dar dois ou três passos, um barulho estranho é ouvido e Yunho sente pisar em algo estranho. Ao olhar para o chão, sente um desespero tomar conta de seu corpo. O anel que havia dado ao seu anjo estava jogado ao chão, e a corrente, arrebentada.

Olhou para todos os lados, mas nada encontrou, aumentando o medo incomensurável em seu peito.

Um ronco familiar foi ouvido antes de ver Taemin estacionando o carro em sua frente.

- Tae.. Eu... O Jae... – Balbuciava o moreno, com o anel repousando sobre sua mão trêmula.

- o Jae percebeu o erro dele a tempo. – Iniciou o jovem, descendo do carro. – Será que você percebeu? – Fitando o moreno o olhar com desespero instantes antes de correr para a escuridão atrás de seu anjo sem asas.