Meu Lar

33 Capítulo 33


Notas iniciais
"Quando um certo alguém desperta o sentimento, é melhor não resistir e se entregar..."

Quinn foi a primeira a acordar na manhã seguinte. O voo para Miami estava marcado para o começo da tarde e chegariam ao hotel somente à noite. Olhou o relógio e percebeu que ainda era bastante cedo, não eram nem sete horas ainda. Santana estava de costas contra seu corpo, com o bumbum encaixado em seu quadril, ambas nuas. Puxou-a mais contra si, aconchegando-se contra o calor que emanava dela.

Aspirou o perfume que exalava dos cabelos negros e passou o nariz pela nuca da esposa, que mesmo dormindo arrepiou-se levemente. Ainda fazendo aquele carinho alisou o ventre de Santana e sorriu ao sentir o pequeno volume que se formava.

– Bom dia, meu amorzinho. Você dormiu bem? – cochichou enquanto afagava o local – A Mamãe está orgulhosa de você por não ter feito mais a sua Mami enjoar. – dizia com carinho.

Em razão do carinho recebido e das palavras sussurradas perto de seu ouvido, Santana acabou acordando, e mesmo com os olhos fechados ouvia as palavras ditas por Quinn e sentia seu coração quase explodir de tanto amor.

Virou-se vagarosamente nos braços de Quinn e a encarou com seus olhos escuros, tendo um sorriso bailando em seus lábios. Sem permitir que a esposa falasse qualquer coisa, selou carinhosamente sua boca na dela, afastando-se logo em seguida.

– Buenos días, mi amor.

– Bom dia, minha San. – falou, beijando-a novamente – Te acordei? Dorme mais um pouquinho, amor, ainda é cedo.

Enquanto Quinn falava Santana alisava o abdome bem definido desta, mostrando que sua intensão não era nem de longe dormir. Ousou nas carícias até que a esposa se deu por vencida e sucumbiu a paixão que mais uma vez tomou conta das duas.

Uma sucumbia ao desejo da outra, era sempre assim. Provocaram-se até não aguentarem mais. Acabaram por consumar o ato de forma desesperada, sôfrega. Um clímax vertiginoso atingiu as duas quase que ao mesmo tempo. Cansadas e completamente satisfeitas caíram lado a lado. Mesmo com a respiração entrecortada tinham um sorriso no rosto.

Mesmo sem se recompor direito, Quinn levantou-se sob protestos de Santana e dirigiu-se ao banheiro para tomar um banho antes de providenciar com o serviço de quarto o café da manhã de sua esposa, que segundo ela tinha que se alimentar adequadamente, pois estava comendo por dois.

Santana ria do exagero de Quinn e optou por ficar deitada por mais um tempo, caindo novamente no sono, embalada pela voz melodiosa da loira que entoava suavemente uma canção enquanto tomava seu banho.

– San, você quer algo em especial no café da manhã? – falou ao entrar no quarto secando os cabelos.

Ao perceber que a morena havia pegado novamente no sono, abriu um sorriso e escolheu uma roupa confortável para vestir, já pensando na longa viagem de avião que fariam.

Saiu do quarto e foi direto à cozinha, onde falou com o cheff Rupert, que sem esconder a felicidade providenciou um farto café da manhã para sua patroa e sua esposa gravidíssima, como dito por este.

Ainda com um sorriso no rosto Quinn voltou para o quarto e encontrou a cama vazia. Santana saia do banheiro vestindo um roupão branco que contrastava com seu tom de pele. Ao enxergar a loira caminhou em sua direção e a beijou.

– Huuummm, que cheiro maravilhoso. – disse, fechando os olhos.

– É o perfume que você me deu. – respondeu com um sorriso de lado.

– Não é o seu perfume, boba, são esses croissants quentinhos aqui. – falou rindo, colocando um pãozinho na boca logo em seguida. Riu ainda mais ao ver o bico de Quinn – Ai, meu Deus, me deixa desmanchar esse biquinho lindo com beijinhos.

Encheu Quinn de beijos estalados, fazendo com que esta lhe acompanhasse nas risadas. Tomaram o café, feito com esmero pelo cheff, entre brincadeiras. Pareciam duas adolescentes apaixonadas, recém descobrindo o amor.

– Te amo... Te amo... Te amo... – Quinn dizia enquanto salpicava beijos em Santana, que ria boba.

– Regredimos quantos anos agora? – brincou.

– No mínimo uns dez, mas não estou me importando nem um pouco. Contigo quero regredir, quero crescer e envelhecer. Sempre ao seu lado. Te amando. Te respeitando. Te protegendo. Te fazendo feliz.

– Quinnie... Assim você me deixa até sem palavras... – falou emocionada e abraçou a esposa que retribuiu com a mesma intensidade.

...

– San? – Quinn chamou pela segunda vez ao ver Santana se movendo inquieta na cadeira onde estava sentada na sala de embarque.

– Hum? – disse distraída, olhando pelo vidro com os olhos arregalados um avião que alçava voo na pista.

– Você está bem? – perguntou incerta. Estava começando a ficar preocupada.

– Hurrum. – foi a única resposta que recebeu.

– Olha para mim. – falou calma e Santana finalmente a encarou – Você este bem?

– Tenho medo de voar. – despejou num sussurro, como que se falasse aquilo mais alto pioraria a situação.

– Por que não me disse isso antes, amor? – Quinn perguntou preocupada – Ainda falta cerca de meia hora para o voo, podemos ir até a enfermaria e pedir ao médico para te dar um calmantezinho que não prejudique nosso bebê. – disse tentando passar sua calma para a esposa.

– Vou ficar bem, não se preocupe. Sempre fico assim... – tentou explicar, mas não conseguia falar naquelas situações e suas mãos suavam frio.

– Vem cá, meu bem. – Quinn disse, puxando Santana pelos ombros e a acomodando contra o seu, deitando sua cabeça contra o pescoço alvo.

Naquela posição, sentindo o calor de Quinn contra o seu, Santana se sentiu imediatamente mais calma. Aspirou o perfume da esposa e aquilo foi tranquilizando sua respiração e seus batimentos cardíacos.

– Como você imagina que o bebê vai ser? – Quinn puxou o assunto para distraí-la, afagando o ventre num gesto que já tinha virado um costume seu.

– Eu sonhei com ele antes do nosso casamento. Nosso filho vai ser sua cara e vai ter até seu biquinho lindo quando fica chateado com algo. – sorriu com a lembrança.

– Você sonhou com ele? – Quinn perguntou, curiosa por saber mais.

– Sim. Vi ele e Alí em meu sonho. Nossa menina já estava crescida, deveria estar com uns sete anos. Tão linda e tão amorosa com o nosso menininho. – o sonho vinha a sua mente como uma lembrança de algo que realmente vivenciara.

– Será que vai ser mesmo um menino? Não que isso importe, porque independente de ser menino ou menina tenho certeza que vamos amar da mesma forma. Mas sabendo do sexo inevitavelmente começamos a visualizar essa criança em nossas mentes e a fazer planos, a escolher um nome, a imaginar como ele vai ser. – divagou feliz.

– Tenho certeza que vai ser um menino. Eu vi. Ele vai ser a sua cara. – falou agora encarando os olhos verdes de Quinn – Com esses mesmos olhos verdes que eu tanto amo.

– Então vamos ter que começar a pensar em um nome de menino para o nosso filhote.

– A Alí o chamava de Chris em meu sonho... – lembrou – E de ursinho. – riu e Quinn a acompanhou.

– Então nosso menino vai se chamar Christian. – falou alegre – O que você acha?

– Mais que perfeito. Christian Lopes-Fabray. – falou alto – Nome forte. Gostei.

– Eu também. – Quinn falou abaixando o rosto na altura do ventre de Santana, ainda o acariciando – Ouviu, filho, seu nome vai ser Christian Lopes-Fabray, e eu já te amo assim como amo sua irmã.

Quinn percebeu que Santana estava mais calma e quase tinha esquecido o voo e mesmo após a chamada para o embarque esta permaneceu tranquila. Caminharam de mãos dadas até o portão de embarque e fazendo planos para a lua de mel subiram no avião e se acomodaram em suas poltronas na primeira classe.

– Nossa, que poltrona confortável. Nunca tinha viajado de primeira classe. – comentou Santana, acomodando-se ainda mais em seu acento.

– Pois vá se acostumando, porque é só assim que a senhora vai viajar de hoje em diante.

– Eu acho exagero, Quinn. Hoje ainda entendo, pois estamos indo para a nossa lua de mel, mas em outras ocasiões é desnecessário. – argumentou.

– Santana, você agora é uma Fabray e os Fabray só viajam de primeira classe, isso quando não viajamos no nosso jatinho particular que está em manutenção. – informou como se falasse de um carro popular que estava na oficina.

– Vocês têm um jato? – perguntou com os olhos arregalados, questionando de quão ricos eles eram, pois a família Pierce mesmo sendo afortunada não possuía sequer um helicóptero, quanto mais um avião particular.

– ‘Nós’ temos um jato. – incluiu Santana – Amor, por favor, não vá surtar agora. – brincou.

– Desculpe, ainda me espanto com o patrimônio de vocês. – disse e em seguida completou – Mas isso não importa, com você eu seria feliz até mesmo em um casebre caindo e com um carro se desmanchando.

Quinn riu daquela declaração e trouxe Santana para junto de si. Logo o avião começou a fazer os procedimentos de decolagem e a loira sentiu quando o corpo da esposa tencionou contra o seu, o que fez a abraçar ainda mais.

– Será que nossa pequena vai se comportar com os avós e com as tias. – Quinn puxou o assunto para distraí-la mais uma vez.

– Ela vai estar perdida quando nos for devolvida na semana que vem. – riu – Vou ter que ser firme para colocá-la nos eixos, porque essa mãe loira dela aqui faz o que ela quer também. – disse dando um leve beliscão na barriga de Quinn que se encolheu e não conteve a risada marota.

– Eu não, amor. Nem faço nada que ela quer... – desconversou.

– Quem foi que comprou aquele monte de livros que ela queria?

– Não sei...

– E aqueles brinquedos?

– Também não sei...

– E aquele monte de roupas e calçados que ela escolheu praticamente sozinha sobre a autorização de alguém?

– Ainda não sei...

– Não sabe, senhora Quinn? – falou fazendo cócegas na esposa que tentava rir baixo para não chamar a atenção dos outros passageiros.

– Está bem... Está bem... Fui eu... Tudo eu. – dizia sapeca – Mas é porque eu amo aquela pequena e a mãe dela mais que tudo.

– Também te amo, bobona. – beijou Quinn – Mas ainda acho que você mima demais nossa filha.

– Deixa, San. – pediu – Ela vai crescer tão rápido que quando nos dermos conta vamos nos perguntar a razão de não temos a mimado mais.

– Eu sei, Quinnie, mas ela tem que aprender a dar valor as coisas. Sei que você tem dinheiro, mas isso não significa que ela pode comprar ou fazer o que quiser em razão disso. – argumentou – Garanto que sua mãe sempre lhe impôs limites.

– “Nós” temos dinheiro, San. O que é meu agora é seu também. E claro que minha mãe me colocou limites, e eu entendo seu ponto de vista. Mas aqueles olhos brilhando são um passo para eu conceder tudo que ela pede e quer.

– Mas vai ter que aprender a dizer não, senão daqui a pouco vamos ter dois demoniozinhos incontroláveis em casa. E eu entendo seu ponto de vista quanto ao patrimônio, mas não quero que você pense que ele me interessa, afinal continuo sendo empregada do Rancho e ganhando meu salário e com ele é que vou ajudar nas despesas de casa e com Alícia.

– Prometo que vou tentar ser mais rígida com a pequena. E você não é mais empregada do Rancho. Sinto lhe informar, mas você foi demitida assim que casou comigo e agora é minha sócia igualitária do local. – falou abraçando Santana ainda mais contra si e não permitindo que ela prosseguisse com o assunto, argumentando que ali não era local para aquela conversa – Agora tenta dormir um pouco que ainda vai demorar algum tempo para chegarmos a nosso destino.

Com a conversa entabulada Quinn conseguiu atingir seu objetivo, que era tranquilizar Santana durante a decolagem. Agora estavam destino a sua esperada lua de mel, onde pretendia agradar sua mulher em todos os sentidos. Por mais que a latina fosse durona, sabia que ela gostava dos mimos que recebia e a loira sabia muito bem como o fazer.

Notas finais
Gostaram? Sei que querem mais ação, mas essa parte mais melosa e doce é importante para o desenvolvimento. :D Gracias pelos reviews, quando puder respondo a todos.