Meu Lar
31 Capítulo 31
Notas iniciais
Santana entrou no banheiro e, perdida em pensamentos, preparou a banheira com os sais que sabia agradarem Quinn. Aquele era o dia delas e queria mimar a futura esposa em todos os sentidos.
Com um sorriso iluminando seu rosto chegava mais uma vez à conclusão que amava aquela mulher com todas as forças de seu ser e que ter ido procurar emprego naquele Rancho tinha sido a melhor decisão de sua vida.
Mergulhou na água morna e deixou a sensação de relaxamento tomar conta de seu corpo. Sentiu seus músculos aliviarem. Foi tomada pelo ambiente. O perfume que saía da água, o calor que envolvia seu corpo e a música que preenchia o ambiente complementaram o momento e acabou cochilando com a cabeça apoiada na borda da banheira.
– Mama. – ouviu uma voz infantil que não era a de Alícia chamando e abriu os olhos, deparando-se com um par de olhos verdes a encarando.
– Oi? – foi só o que conseguiu dizer frente a imagem do menino a sua frente, ele devia ser um pouco mais velho que Alí.
– A Mamãe vai demorar a chegar? – perguntou curioso, com os olhos cravados em Santana, que continuava estática. Sem obter qualquer resposta prosseguiu: — Ela disse que traria um presente para mim.
– Chris? – ouviu uma voz de menina chamando e logo uma menina de cabelos negros e olhos azuis, aparentando ter uns seis ou sete anos entrou no banheiro – Ursinho? Eu disse para você deixar a Mama tomar o banho dela tranquila.
– Eu sei, Alí, mas eu queria saber que hora a Mamãe vai chegar com meu presente. – falou com um biquinho lindo, igual ao de Quinn.
Santana olhava encantada para as duas crianças. Só podia estar sonhando, mas aquilo parecia extremamente real para ser apenas um sonho.
– Não precisa ficar assim, Ursinho. A Mamãe Quinnie não demora chegar, não é mesmo Mama? – a pequena falou olhando diretamente para Santana, que os olhava encantada. O menino era a cópia de Quinn, enquanto Alí ainda tinha a carinha de anjo, só um pouco mais crescida.
– Não vai demorar não, filhotes. – foi o que conseguiu dizer, mesmo sem saber ao menos onde Quinn havia ido.
– Viu só? A Mamãe não vai demorar com nossos presentes...
A menina ia seguir falando algo, mas a imagem foi ficando nublada até que sentiu alguém a sacudindo pelo ombro.
– Acorda, San. – chamava Marley.
– Marley? – disse sonolenta – Cadê as crianças? – perguntou confusa.
– Que crianças?
– Meus filhos?
– Que eu saiba você, por enquanto, só tem a Alí e o bebê a caminho. – explicou – Do que você está falando?
– Acho que tive um sono... – disse confusa – Mas pareceu tão real...
– O que você sonhou? – perguntou curiosa.
Santana sacudiu a cabeça para afastar a nuvem de sono que ainda a envolvia. Por mais que Marley fosse sua irmã que amava de todo o coração, não queria compartilhar aquelas lembranças com ela antes de contar para Quinn.
– Nada não... – deixou no ar.
– Então apressa aí senão você vai deixar sua noiva que já está surtada ainda mais nervosa. – riu.
– Você viu a Quinnie?
– Sim, fui até a casa de vocês buscar a Alí para se arrumar e a Kitty mal consegue acalmá-la. – riu mais ainda – Queria a todo custo vir aqui te ver e a Judy e o Russel não deixaram.
– Que falta de respeito é essa de chamarem meus sogros pelo nome. – falou indignada – Olha que garota mais folgada é essa minha irmã caçula.
– Eles que mandaram... – deu de ombros – Vem, vamos dar início a sua preparação para o grande momento.
Mais do que rápido Santana saiu da água e se enrolou no roupão que Marley abria. A mais nova a sentou em uma cadeira e com toda a paciência do mundo começou a preparar a irmã para a cerimônia que se aproximava.
...
– Calma, Quinn. – Kitty tentava fazer com que a irmã parasse de andar pelo quarto de um lado para o outro.
– E se ela desistir? – perguntava insegura.
– Ela não vai desistir. – garantiu.
– Mas e se...
– Não tem de ‘e se’. A Santana te ama, Quinnie. Ela tem o mesmo olhar bobo para você que você tem quando olha para ela. – garantiu – E vocês têm uma filha linda e um bebê que em breve estará aqui conosco.
Quinn abriu um sorriso um pouco mais tranquilo, diante das palavras da irmã. Apesar de saber que Santana a amava ainda temia que sua latina desistisse em cima da hora e a abandonasse no altar.
– Ela não é a megera. Quando você vai se convencer disso? – perguntou em tom de censura.
– Eu sei disso. E nem por um momento me lembrei daquela criatura do terror. – disse fazendo careta – Não me lembre dos demônios no dia mais feliz da minha vida.
– Desculpe, Quinnie. Não queria te chatear.
– Sei que não. Estou nervosa, só isso. – falou também em tom de desculpa e se aproximou da irmã, a abraçando.
– Está mais tranquila agora. – perguntou enquanto a apertava fortemente no abraço, como se quisesse a proteger de qualquer mal.
– Agora sim. Seu abraço tem um efeito que só o de Santana também consegue em mim.
– Iiihhh, até meu abraço milagroso aquela latina teve a petulância de roubar de mim. – fingiu-se de brava – Só perdoo porque sei que te faz bem.
– Não fale da minha San. – ralhou.
– ‘Não fale da minha San’. – imitou rindo – Vem cá, bobona. Vamos te arrumar para a ‘sua San’.
– Mas você é mesmo atrevida, heim baixinha? – brincou, mas seguiu a irmã até o local onde esta faria seu cabelo e maquiagem.
...
Quinn contratara uma empresa especializada em organizar casamentos e o responsável e seus funcionários tinham se esmerado para fazer tudo que a loira exigira em apenas uma semana. Os custos realmente haviam sido caros, mas a ocasião exigia nada menos do que aquilo.
A decoração era toda em branco com detalhes na cor champanhe. Flores do campo e lírios decoravam o ambiente. Um tapete vermelho havia sido colocado entre as fileiras de cadeiras, conduzindo até o altar onde o juiz de paz realizaria a cerimônia. O caminho por onde passariam estava coberto de pétalas de rosas brancas e vermelhas.
Os convidados já estavam acomodados em seus lugares. Era uma cerimônia íntima, onde só os mais chegados haviam sido convidados. Acordes de uma suave melodia começaram a tocar e Quinn foi conduzida por seu pai até o altar. Tinha um sorriso nervoso no rosto.
O vestido branco que usava era discreto, mas ainda assim muito bonito. Era de manga longa, e uma renda delicada predominava em todo o modelo que chegava até os pés, que tinham um belo sapato de salto fino da mesma cor. Os cabelos brilhantes arrumados impecavelmente em coque, do qual não escapava sequer um fio.
Era olhada pelos convidados com admiração. Ninguém conseguia esconder que estava embevecido diante da beleza da loira, que sequer se dava conta, praticamente saltitando de um pé para o outro.
– Calma, filha. Sua noiva já vai entrar. Eu mesmo verifiquei que ela já estava pronta antes de entrarmos. – tranquilizou Russel.
Quinn só conseguiu abrir um sorriso mínimo, diante do nervosismo que sentia. Sabia que Santana jamais seria capaz de abandoná-la, mas mal podia esperar para que a união das duas fosse finalmente formalizada.
Quando os primeiros sons da marcha nupcial foram entoados os olhos de Quinn se cravaram no local por onde Santana entraria e seu queixo praticamente caiu ao se deparar com a latina entrando sozinha e trajando o vestido branco que Marley, Maribel, Judy e Kitty haviam escolhido escondido das duas.
O vestido tomara que caia deixava os ombros desnudos, onde uma trança muito bem feita repousava. A peça realçava perfeitamente as curvas de Santana, que praticamente deslizava pelo tapete vermelho.
Alícia vinha à frente da mãe com um enorme sorriso no rosto, carregando as alianças em uma almofadinha vermelha. Seu vestidinho era uma mistura do vestido das duas mães. A menina estava literalmente uma princesa.
Quando Santana estava perto o suficiente Quinn estendeu a própria mão e pegou gentilmente a mão fria da futura esposa. As duas olharam dentro dos olhos da outra de forma intensa por alguns segundos e finalmente viraram-se para o juiz de paz que deu início a cerimônia.
As duas entreolhavam-se de canto de olho a cada segundo, abrindo discretos sorrisos. A voz do juiz de paz ressoava pelo lugar e suas palavras descreviam perfeitamente o amor que uma sentia pela outra, parecia que ele havia feito um histórico de suas vidas e a partir dali escolhera as frases perfeitas que dizia.
– Lucy Quinn Fabray, você aceita Santana Lopes como sua legítima esposa, para amá-la e respeitá-la, em todos os momentos de sua vida?
– Sim, aceito. – disse rapidamente, encarando Santana.
– Santana Lopes, você aceita Lucy Quinn Fabray como sua legítima esposa, para amá-la e respeitá-la, em todos os momentos de sua vida?
Santana abriu um sorriso iluminado para Quinn e demorou alguns segundos a mais para responder. Adorava a carinha que ela fazia quando se sentia insegura.
– Sim, aceito. Para todo o sempre. – falou e mesmo sem o juiz de paz autorizar, beijou Quinn apaixonadamente.
– Pelos poderes a mim conferidos pela legislação em vigor, eu as declaro casadas. – disse sorrindo, sem se importar pela antecipação do momento.
– Eu te amo, Santana Lopes-Fabray.
– Eu te amo, Lucy Quinn Lopes-Fabray.
E com mais um beijo apaixonado sob aplausos dos convidados e de sua filah que as abraçava pelas pernas, aquela promessa foi firmada para todo o sempre.
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