Meu Lar
29 Capítulo 29
Notas iniciais
Quinn acordou no dia seguinte sentindo uma sensação de leveza. Uma felicidade plena tomava conta de seu ser. Tinha a mulher que amava aconchegada contra seu corpo e sabia que era correspondida. Ganhara uma filha linda e um bebê já amado a caminho, para completar sua felicidade.
Sorrindo, acariciou os cabelos negros de Santana, afastando alguns que insistiam em cair sobre o rosto de feições tranquilas. Era tão linda que chegava a sentir seu peito quase explodindo diante daquela visão.
Olhou o relógio e viu que eram quase oito horas da manhã. Ambas haviam perdido a hora, mas isso não importava, já que era sábado e queria deixar que sua mulher descansasse.
Sua mulher... jamais esperou ter um amor assim na vida. Tinha se contentado em ser alguém sozinha ou com alguém do seu lado apenas por interesse. Descobrir que podia amar naquela intensidade e ser retribuída da mesma forma era tão bom, tão recompensador, que já não se via sem sua latina a seu lado.
Trouxe o corpo de Santana ainda mais para perto do seu, a aconchegando contra seu peito. A noiva suspirou e abriu levemente os olhos sonolentos, aspirando o cheiro de Quinn.
– Bom dia, mi corazón. – falou entre um bocejo.
– Bom dia, amor. – sorriu admirando Santana se espreguiçar – Como pode ser tão sexy logo de manhã?
– Devo estar linda mesmo, com cara de sono e toda amassada. – brincou.
– Você é linda de todas as formas. – esclareceu, aproximando-se e selando os lábios.
– Ainda não escovei os dentes, linda. – disse, fazendo uma careta.
– Nem eu, então estamos quites. – riu – Vem, vamos tomar um banho para acordar nossa lindinha. Merecemos um café da manhã em família.
– Huuum, que alegria toda é essa? – acompanhou o riso.
– Felicidade por finalmente ter tirado um peso das minhas costas e por ter a família linda que você me presenteou. Feliz por termos nossa filha. Feliz por termos um bebê sendo gerado aqui. – falou acariciando o ventre de Santana, que se emocionou.
– Por que você faz isso comigo?
– Faço o quê?
– Fala essas coisas lindas que me emocionam.
– Falo porque é verdade e é como me sinto.
Santana a beijou enquanto uma lágrima escorria por seu rosto. Assim que se separaram Quinn passou o dedo limpando o local molhado.
– Por que está chorando? – perguntou preocupada.
– Porque eu te amo e você é uma das melhores coisas que aconteceram na minha vida. – disse abraçando-se a Quinn, que riu.
– É, essa coisa de hormônios na gravidez é mesmo verdade. – brincou.
– Para, sua boba. – fungou limpando as lágrimas, enquanto acompanhava a risada da outra.
– Uma boba que te ama loucamente.
– Olha aí. Depois não quer que eu chore.
Ainda rindo da reação de Santana, Quinn a puxou para o banheiro e deu um banho demorado na latina, que em momento algum protestou diante daquele mimo.
Quinn deixou a noiva se vestindo e foi ao quarto da filha, que ainda dormia como um anjo. Acordou a pequena com vários beijinhos pelo rosto. Assim como a mãe latina, a pequena acordou com um sorriso no rosto e logo se dependurou no pescoço de Quinn, em um forte abraço.
– Bom dia, Mamãe. – disse sonolenta.
– Bom dia, minha pequena. Dormiu bem?
– Ahãã. – respondeu com um bocejo.
– Céus, você é a cópia de sua Mama. – riu do jeito fofo da filha – Vem, vamos colocar uma roupinha para tomarmos nosso café da manhã.
– Mamãe, quero cereal com leite e morangos. – pediu.
– Tudo que você quiser, minha florzinha do campo. – riu junto com Alí, diante do apelido inusitado.
– Posso saber do que vocês duas estão rindo? – perguntou Santana ao entrar no quarto.
– Do apelido novo que a Mamãe me deu. – falou sorrindo.
– E qual foi?
– Florzinha do campo.
– Que lindo, parece você mesmo. – riu.
Terminaram de vestir Alí ainda inventando novos apelidos para a menina, que se esbaldava rindo, achando cada um mais engraçado que o outro. Tomaram café ainda naquela felicidade que tomava conta de todas e logo foram se juntar a Maribel e Marley na casa de Santana.
Quinn deixou Santana com as outras e foi ao escritório dar uns telefonemas a fim de resolver algumas questões para o casamento, que seria na próxima semana. Seria uma cerimônia simples e com uma recepção no próprio Rancho Fabray apenas para os mais chegados.
Os pais e a irmã de Quinn chegariam na sexta e o casamento seria no sábado. Santana ainda tentou ajudar nos preparativos, mas a loira proibiu, dizendo que tudo seria uma surpresa para ela. As duas estavam radiantes de felicidade e qualquer um podia notar aquilo. Emma chegou a comentar que a aura de Quinn havia mudado drasticamente após o anúncio do noivado, tendo as noivas trocado um olhar cúmplice que não passou despercebido aos demais.
A semana passou voando e as duas não cabiam em si de tanto nervosismo. Desde o dia do noivado Quinn não deixara mais Santana voltar para a casa que dividia com Maribel, ela e Alí estavam definitivamente morando com ela.
Sexta-feira chegou e Santana conseguiu ficar ainda mais nervosa. Tudo que pegava nas mãos conseguia derrubar, diante da tremedeira que se instalou em seu corpo. Estava ansiosa para conhecer a família de Quinn e ao mesmo tempo com receio que não gostassem dela ou de Alí.
– Pedi para a Emma fazer um chazinho calmante para você. – Quinn falou assim que entrou na sala e viu Santana derrubando um brinquedo de Alí que juntava da sala.
– Mas eu não estou nervosa. – tentou disfarçar.
– Imagina se estivesse. – riu – Por que está assim, amor?
– E se sua família não gostar de mim? Ou pior, e se não gostarem da Alí? – falou num sussurro.
– Eles vão amar vocês, assim como amei desde a primeira vez que as vi. – disse, querendo afastar o temor que via nos olhos de Santana, entendendo perfeitamente que aquilo era reflexo do que ela vivenciara com os Pierce – Amor, minha família não é a família da Brittany.
– Eu sei, mas não consigo não ficar ansiosa.
– Você vai ver o quão amorosos são. Minha mãe é muito parecida com a sua, meu pai é a pessoa mais protetora que conheço na face da terra e Kitty... bem, talvez Kitty fique com um pouco de ciúmes. Ela sempre foi meio possessiva comigo. – preveniu.
– Viu só. É para me preocupar sim.
– Vem, meu bem. Vamos para nosso quarto. Você toma seu chazinho e deita encostadinha contra meu corpo para relaxar. – falou carregando a xícara em uma das mãos e com a outra puxando Santana em direção ao quarto.
Quinn praticamente deu o chá na boca de Santana, que conseguiu relaxar rindo do cuidado exagerado da noiva. Deitaram-se as duas aconchegadas com os braços da loira envolvendo a cintura que começava a ficar com um pequeno volume. Assim abraçadas acabaram dormindo, uma zelando o sono da outra.
Dormiram cerca de duas horas e meia, quando Quinn foi acordada por uma leve batida na porta. Levantou-se vagarosamente para não acordar Santana e deparou-se com sua mãe, que tinha um imenso sorriso no rosto. Abraçou-a cheia de saudade e a puxou para dentro do quarto, onde Santana ainda dormia.
– Vem, mãe. Vou chamar a San. – disse feliz.
– Deixa a minha nora dormir mais um pouco. – riu da ansiedade da filha, que parecia estar querendo mostrar-lhe um brinquedo novo – Nossa, você caprichou, Quinnie. Minha nora é simplesmente linda. – sussurrou e Quinn abriu um sorriso que não cabia em seu rosto.
– Além de linda ela é o amor da minha vida, mãe. Eu nunca estive tão feliz. – olhou boba para a mulher deitada em sua cama, que começou a mexer-se levemente.
– Quinnie... – Santana chamou sonolenta.
– Dorme mais um pouco, amor. Mamãe chegou e não conseguiu se conter em vir te ver, mas nós vamos lá para a sala ver o resto do pessoal e você vai quando acordar. – disse, sentando na cama e acariciando os cabelos negros.
– Dona Judy já chegou? – perguntou ainda tonta de sono, sem perceber que a mais velha a olhava sorrindo.
– Cheguei e realmente não me contive em vir conhecer a minha nora e ver a barriguinha que a Quinnie disse que já está começando a aparecer. – Judy falou e Santana se assustou ao perceber a sogra no quarto, sentando-se rapidamente.
– Não vi que a senhora estava aqui, me desculpe. – falou voltando a ficar nervosa.
– Não precisa se desculpar, meu bem. E pode me chamar apenas de Judy. Vamos deixar as formalidades para os estranhos, agora somos uma família só. – disse receptiva, sentando na beirada da cama, de frente para Quinn e Santana – Agora deixe-me ver essa barriguinha. – pediu com os olhos brilhando.
– Ela não é linda, mãe?
– Para, Quinn. Está me deixando com vergonha na frente de sua mãe.
– Mas eu já disse para ela, Santana, que ela teve muita sorte em conquistar uma mulher linda como você. Tenho certeza que meu neto ou neta vai ser lindo. – Judy falou e Santana sorriu, diante do elogio.
– Assim você me deixa envergonhada, Judy. – corou.
– Por quê? Se é a verdade.
– A mais pura verdade. – disse Quinn, totalmente boba, com a mão sobre o ventre de Santana.
– Meu Deus, Santana. Que magia você lançou em minha filha para ela ficar assim tão boba. – brincou.
– Foi a magia do amor, Mamãe. – disse selando os lábios da noiva, que acariciou bobamente o rosto da loira mais nova.
– Vejo que não foi só a Quinn quem foi atingida. – disse feliz ao ver as duas bem e visivelmente apaixonadas uma pela outra.
Ficaram mais um pouco no quarto, onde Judy mexeu mais um tanto com as duas em função de se mostrarem tão bobas uma com a outra e depois de Santana ajeitar-se foram à sala para que a latina conhecesse o pai e a irmã de sua amada.
Assim que entraram no cômodo o homem grandalhão se levantou e veio abraçar a filha e em seguida a nora, fazendo mil e um elogios a Santana. A irmã de Quinn também havia se levantado, mas ainda permanecia afastada, com feições indecifráveis, o que causou um certo temor em Santana.
– Baixinha, você não vai vir dar um abraço em sua irmã? – Quinn perguntou travessa.
– Pensei que você só ia dar atenção a nossos pais e a sua noiva. – falou fingindo mágoa.
– Nunca que eu vou deixar de dar atenção a minha baixinha amada. – Quinn puxou-a em um abraço apertado, enchendo-a de beijos.
Santana acompanhava aquela interação sem se aproximar, só o faria quando tivesse a deixa de que era bem vinda ali. As duas loiras se afastaram e finalmente Kitty deixou cair as barreiras que tinha tentando armar. Mas vendo a cunhada parada ali, totalmente nervosa e carregando um bebê que seria seu sobrinho ou sobrinha e ainda a felicidade que sua irmã irradiava por todos os poros, acabou por abrir um sorriso acolhedor e sem que ninguém esperasse a puxou e envolveu-a em um apertado abraço.
– Muito prazer, Santana. Bem vinda à família. – disse ainda abraçando a latina, que acabou retribuindo o gesto.
– Obrigada, Kitty. Você não sabe o quanto é importante para mim a sua aceitação. – falou grata.
– Eu só quero que você faça a minha irmã feliz e tire dela todos os estigmas que aquela vagabunda da Rachel deixou. – falou sincera e Santana gostou daquilo.
– Com certeza ela já tirou tudo de ruim que havia em mim. – Quinn disse feliz, o que fez Kitty puxá-la para compartilhar do abraço que ainda prendia Santana.
– Agora eu quero conhecer a minha sobrinha, porque só por telefone eu já não me aguentava mais de curiosidade e vontade de apertá-la e beijá-la. – falou e as duas riram da empolgação da menor.
– Ela está com Maribel e Marley. Vou lá chama-las para que vocês também as conheçam. – Quinn disse animada e saiu praticamente correndo porta a fora.
– Nossa, nunca vi a Quinn assim. – Russel falou espantado.
– Ela é sempre assim com Alí. – disse Emma entrando na sala carregando uma bandeja com sucos e café.
– Sim, é até demais. Muitas vezes tenho que frear a Quinn para não mimar muito Alícia. – Santana falou, revirando os olhos.
– Nossa, nunca imaginei minha irmã agindo assim com uma criança. – Kitty se espantou.
– Lembra, Russel, que ela dizia quando era criança que quando crescesse teria uma filha e seu nome seria Alícia. – recordou-se Judy.
– Sim, verdade mesmo. Agora que você falou, me lembrei também. – disse espantado.
– Pois é, a Quinn me contou. Assim como me contou que sonhava sempre com uma menina parecida com nossa filha e com o mesmo nome. – Santana entrou na conversa.
– Estranho isso. – Kitty falou baixo, mas Emma ouviu e abriu um sorriso que não passou despercebido pela loirinha.
Kitty ia falar alguma coisa para Emma quando ouviu vozes se aproximando e começou a se virar em direção à porta.
– Eis aqui a minha pequena. – anunciou Quinn.
A loira menor se virou para conhecer a sobrinha, mas seu olhar ficou preso na imensidão azul que eram os olhos da morena que vinha atrás de Quinn.
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