Meu Lar
30 Capítulo 30
Notas iniciais
– Ó meu Deus, Quinnie. Se você e Santana tivessem se conhecido antes eu diria que a Alícia é filha de vocês duas, porque, sinceramente, ela tem muitos traços de Quinn quando era pequena. – disse espantada – Olá, minha lindinha. Eu sou a vovó Judy e esse aqui é o vovô Russel, e nós estamos muito felizes de finalmente conhecer você pessoalmente.
Judy tinha um sorriso carinhoso para a menina que a encarava com olhos brilhantes. Os adultos estavam em expectativa a fim de ver a reação da criança diante das apresentações e todos, com exceção de Emma e Maribel, espantaram-se quando Alícia estendeu os braços para sua mais nova avó pedindo colo.
– Olá, vovó Judy. – falou com um sorriso no rosto enquanto abraçava a loira mais velha.
– Santana, sua filha é realmente um doce de criança. Ela é mesmo irresistível, agora entendo o encanto que ela exerce sobre Quinn. – Kitty disse espantada, recém saindo do transe que a havia prendido nos olhos de Marley, que ainda a olhava com um sorriso de lado.
– Esse é o charme das Lopes que nunca falha. – brincou Marley, ainda encarando Kitty, que apenas revirou os olhos.
Santana e Quinn, que já haviam percebido aquela estranha reação das irmãs, apenas se olharam e sorriram de forma cumplice uma para a outra.
– A mim, com certeza, esse charme pegou de jeito. – Quinn brincou para descontrair, aproximando-se de Santana e envolvendo carinhosamente sua cintura, selando os lábios da amada.
– Mas o charme das Fabrays pelo jeito não fica muito distante. – Santana provocou e viu um leve rubor tomar conta das faces de Kitty e Marley.
A família sentou-se toda na sala aproveitando o momento para conhecerem-se melhor. Alí tomou conta da situação e em pouco tempo os três Fabrays recém chegados já estavam encantados com o jeito meigo e a esperteza de pequena que se mostrava extremamente receptiva.
Marley sentou-se ao lado de Maribel, no outro extremo de onde Kitty havia se acomodado. Seguidamente lançavam olhares furtivos uma a outra, por vezes seguidos de sorrisos tímidos. Santana e Quinn já haviam percebido aquela súbita timidez que se abatera sobre as respectivas irmãs, que normalmente eram extremamente comunicativas e flertavam abertamente com quem fosse de seu interesse. Eram as legítimas ‘pegadoras’.
A conversa correu de forma leve e divertida. O pai de Quinn mostrou-se um homem carinhoso e protetor com as filhas, além de ser extremamente simpático. Judy e Maribel descobriram uma imensa afinidade, entabulando uma conversa que parecia não ter fim. Santana e Kitty buscavam se conhecer mais, e assim como as duas mais velhas, também descobriram vários pontos em comum. Quinn sorria para as duas e Marley brincava com Alícia, mas observando todos a sua volta e prestando bastante atenção na conversa da irmã com a cunhada.
– Mesmo, eu também adoro frutos do mar. Vamos ter que combinar de ir a um restaurante que tem na cidade que é divino, muito melhor do que muitos de renome em NY. – dizia Kitty entusiasmada.
– Que ótimo, temos que combinar. Minha irmã e eu somos apaixonadas, mas a Quinn não me acompanha muito. – fez questão de incluir Marley na conversa.
– Amor, você sabe que eu prefiro uma boa churrascaria. – disse Quinn divertida diante da tentativa de Santana.
– E quem não gosta de uma churrascaria? – brincou Marley.
– A megera não gostava... – Kitty falou e no mesmo instante se arrependeu, diante da cara de repulsa feita por Santana, mas se espantou por Quinn não ter manifestado qualquer reação de sofrimento, como acontecia até o último encontro com a irmã.
– Mas a megera não está mais aqui, graças a Deus. – Quinn brincou – Agora quem está aqui é a minha deusa, minha rainha, o amor da minha vida. A minha mulher. – completou beijando o pescoço de Santana que riu.
– Também te amo, Quinnie. – Santana disse melosa e as duas mais novas reviraram os olhos, frente ao beijo apaixonado que as duas trocaram.
– Cheguei a ter receio quando vi a Quinn tão apaixonada, mas ver que ela é correspondida à altura me tira um peso do coração. Chega a ser doce demais ver vocês assim e penso se não vai causar uma diabetes em mim e na Marley, que estamos sendo obrigadas a presenciar tanto açúcar saltando dos poros de vocês. – Kitty falou feliz pela irmã e Marley riu.
– O dia que você se apaixonar de verdade vai entender... – Quinn falou dando uma piscadela sapeca para Marley, que ficou completamente corada, assim como Kitty, que entendeu perfeitamente a indireta.
– O jantar já está pronto, só vou arrumar a mesa. – Emma falou ao entrar na sala.
– Quer ajuda, Emma. – Quinn perguntou já levantando, seguida por Kitty, que impediu Santana de acompanhar a noiva, alegando que ela devia repousar em função do casamento.
Kitty seguiu Quinn até a cozinha, apreciando a leveza da irmã, que praticamente flutuava em sua frente.
– Então, Kitty. Você não veio atrás de mim apenas para me ajudar. – concluiu Quinn com um sorriso no rosto
– Nada não.
– Desembucha logo, baixinha.
– Está bem, só queria dizer que eu vim preparada para infernizar a vida da Santana, mas eu amei a minha cunhada assim que vi vocês entraram na sala de mãos dadas e ela tinha um olhar de devoção dirigido para você. – falou envergonhada por ter pensado mal da latina – Me desculpe, Quinnie. Mas eu não aguentaria te ver sofrendo mais uma vez, como te vi por causa da megera da Rachel.
– A Santana não é a Rachel, Kitty. Nunca senti nem um terço do que sinto pela San por aquela interesseira mal intencionada. E tenho certeza que ela me ama da mesma forma que a amo. Fui presenteada com a família que sempre sonhei e posso amar a minha futura esposa sem ter restrições e sem medo de ser rejeitada.
– Oh, Quinnie. Você não sabe o quanto fico feliz em te ver assim: completa, realizada, amando. – falou se aproximando da irmã e a envolvendo em um apertado abraço – Um dia quero encontrar um amor assim.
– Quem sabe ele esteja mais perto do que você imagina. – Quinn disse, se afastando levemente e dando um sorriso maroto para a irmã, que apenas ficou parada tentando digerir as palavras que lhe foram ditas.
...
– Podemos ir deitar, Quinnie? Nossa menininha já está dormindo e eu estou morrendo de sono. – convidou Santana totalmente sonolenta.
– Vamos sim, San. Amanhã temos que acordar cedo para nos arrumarmos para o momento mais importante da minha vida. – respondeu sorrindo abertamente, completamente feliz.
– Das nossas vidas... – sorriu.
– Não, senhoras. A Santana vai dormir na casa dela e a Quinn aqui. – determinou Judy – As senhoritas não podem se ver até o momento do casamento.
– Mas, mãe... – Quinn tentou argumentar.
– Mas nada. Santana vai com Maribel e Marley e você fica aqui.
As duas se agarraram feito duas crianças, já haviam se habituado a dormirem juntas, aquela noite não seria fácil. Santana fez cara de quem ia chorar, derretendo o coração de Quinn, que mais uma vez buscou ser ouvida.
– Mas nós temos que dormir bem. A San e eu não conseguimos dormir direito se não for abraçadinhas. – falou apertando a latina em seus braços, que se aninhou contra o pescoço de Quinn.
– Vão dormir bem sim. Deixa de manha, garota. – Kitty falou rindo do exagero de Quinn.
– Você sabe que vou me vingar quando for sua vez, não sabe?
– Isso está longe de acontecer. – falou corando.
– Vamos ver...
Muito a contragosto conseguiram separar as duas e Santana encarregou Quinn de cuidar Alí durante a noite, pois a menina já estava dormindo no respectivo quarto.
– Vou sentir sua falta. – Quinn disse contra os lábios de Santana.
– Também vou, mi amor.
– Se eu conseguir fugir durante a noite vou ir para lá, juntinho de você. – cochichou de forma que só a noiva escutasse, já que os demais estavam distraídos conversando.
– Vai mesmo. Não vou conseguir dormir sem você contra meu corpo. E amanhã tenho que estar bem dormida para ficar bonita para você.
– Você vai ficar linda de qualquer jeito. – sorriu.
– Boba.
– Você que me deixa assim. – completou a declaração com um beijo apaixonado.
– Ok, agora chega vocês duas. Ninguém está indo viajar. Amanhã na hora do casamento vocês vão se ver de novo. E para não ter perigo eu vou dormir com a Santana. – determinou Marley.
– E eu durmo com a Quinn. – completou Kitty.
Diante daquilo as duas viram que seu plano tinha ido por água abaixo e só restava se despedirem para encontrarem-se na manhã seguinte, apenas na hora do casamento.
...
Apesar de ter se revirado um pouco na cama, após um tempo Santana acabou dormindo. Sua irmã a abraçou como ela própria costumava fazer quando eram criança e aquilo acabou a acalmando.
Acordou cedo na manhã seguinte, com braços a envolvendo, mas ainda que confusa por recém estar despertando, sentiu que não eram os de Quinn. Abriu os olhos lentamente e se deparou com a irmã a abraçando protetoramente. Sorriu e passou a recordar de sua vida desde o momento em que a conheceu. Inegavelmente o amor foi imediato e aquela criatura passou a ser essencial em sua vida. Sentira muito sua falta desde que fora morar no Rancho e a irmã ficara em Ohio, agora esperava sinceramente que ela pudesse ficar mais perto.
Movimentou-se para ir ao banheiro e acabou acordando Marley, que abriu um sorriso sonolento.
– Bom dia, noivinha. – falou com voz rouca.
– Bom dia, irmãzinha.
– Feliz?
– Como nunca estive antes. – afirmou.
– A família de Quinn pareceu ter gostado de você.
– Eu gostei muito deles. E você o que achou?
– Achei os pais de Quinn bem simpáticos,
– E a irmã? – perguntou marota.
– Achei ela meio antipática, mal falou comigo. – falou simplesmente.
– Como se você tivesse falado com ela. – riu e Marley fez cara de ofendida.
– Eu até tentei travar uma conversa com ela. — se justificou.
– Perguntar se ela queria mais café não é propriamente uma conversa. – provocou.
– Que culpa eu tenho se não achei nenhum assunto para conversar com ela. Aquela garota parece ser bem metidinha.
– Marley Rose sem assunto? Essa é nova. – brincou, mas logo ficou séria – Não vá machuca-la, Marley.
– Não sei do que você está falando. – tentou desconversar.
– Sabe muito bem. Não quero que você a magoe. Se você não pretende nada mais sério nem chegue perto dela. Não quero ver a Quinn chateada com você depois. – preveniu.
– Não vou magoá-la, San. Até porque nem pretendo chegar muito perto dela.
– Você sabe que agora somos da mesma família, não é?
– Sim, mas isso não significa que não posso manter a distância dela. – falou tentando parecer convicta, mas nem ela mesma conseguia se convencer de suas próprias palavras. Alguma coisa naquela loirinha a atraía... – Vá tomar seu banho relaxante para começarmos a arrumar a bela noiva latina.
– Nossa, eu vou casar. – riu, como se a ficha recém tivesse caído – Marl’s, eu vou casar com a mulher da minha vida.
– Isso mesmo. Você vai casar com a mulher da sua vida e em breve terão mais uma pestinha correndo por aquela casa. – completou, contente pela felicidade da irmã.
– Eu nem acredito.
– Você merece, San. Sei que não é o momento, mas a Britt nunca foi a mulher certa para você. Eu a amava como uma irmã, mas ela nunca conseguiu te dar o amor que você realmente merecia. Vejo tudo que você precisa na Quinn e olha que faz apenas uma semana que eu a conheço, mas ela já me surpreendeu tantas vezes com relação a você, a Alícia e até mesmo a Madre, que não tem como não se encantar por ela. – falou sincera.
– Eu sei de tudo isso, mas não me arrependo em nenhum momento do meu casamento com a Britt. Eu a amo até hoje, percebi depois que conheci a Quinn que esse amor era uma coisa totalmente fraterna, muito diferente do que sinto pela minha loira. Pela Quinn eu sinto um amor que me deixa completa, que me faz sentir protegida e que me faz ter vontade de proteger. Com ela eu tenho vontade de fazer tudo, em todos os sentidos. Não há limites para o que ela me faz sentir e sei que ela também sente isso. Não sei se não estou sendo repetitiva e se consigo me fazer entender. – falou incerta.
– Eu te entendo, San. Isso que você sente é amor. A mais pura e bela forma de amor. – sorriu carinhosa – E sinceramente espero um dia também poder me sentir assim.
– Quem sabe isso esteja mais próxima de você do que espera. – concluiu e logo foi em direção ao banheiro, deixando uma Marley pensativa, com o olhar perdido, deitada na cama.
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