Meu Lar

24 Capítulo 24


Notas iniciais
Capítulo especial para minha amiga Asuka que recomendou lindamente a história. Espero que gostem.

– Chega, Quinn. Você já pegou roupas demais. – Santana chamava a atenção da namorada que carregava uma pilha de roupas para Alí, Maribel e ela.

– Amor, você não tem noção do frio daqui. Escuta o que estou te dizendo. – falava enquanto analisava um par de botas infantis, já pedindo para a atendente providenciar uma do tamanho da filha que tinha os olhos brilhantes em direção ao calçado cor de rosa.

– Quinn, me escuta, por favor. – pediu Santana mais uma vez, agora mais séria – Vai ficar muito caro para eu comprar tudo isso.

– E quem disse que você vai pagar? Isso é um presente meu. – anunciou dando as costas a fim de evitar que o assunto se prolongasse, mas Santana seguiu atrás dela.

– Nem pensar. Você não vai pagar por tudo isso.

– Santana, amor, me escuta... – disse parando de frente para a namorada, como se falasse com uma criança – Fui eu quem decidi que íamos comprar mais roupas para vocês e que às trouxe aqui. Então nada mais justo do que eu pagar por tudo.

– Mas Quinn, isso não é responsabilidade sua... – tentou por derradeiro.

– Você até me ofende falando isso. – disse com expressão magoada – Você é minha mulher, Alí é minha filha e Maribel minha sogra, óbvio que são responsabilidade minha.

Santana não esperava por aquilo, ainda mais aquela declaração de que Quinn a considerava sua mulher. Não podia estar mais apaixonada por ela. Com aquela afirmação se deu por vencida, não tinha mais argumentos.

– Está bem, minha mulher. Vou deixar você cometer essa pequena loucura, mas só dessa vez. – disse olhando direto no mar verde a sua frente, arrancando um sorriso bobo de Quinn.

– Sua e só sua mesmo. – falou roubando um selinho de Santana.

– Mama. Mamãe. Olhem que lindas. Eu amei. – chamou mostrando as botas cor de rosa que calçava, com delicados pompons dos lados.

– Ficaram perfeitas, pequena. – Quinn sorriu diante da felicidade da filha – Pode escolher um tênis também.

– Quinn! – ralhou mais uma vez Santana e recebeu um sorriso travesso da outra.

– E você pode escolher o que quiser também. – disse e se aproximou, cochichando – Mas eu ia gostar muito se você escolhesse uma lingerie bem sensual para mim.

– Quiiinn! – se fez de surpresa – Você não tem jeito...

Mesmo tendo reagido daquela forma, Santana se afastou discretamente de Quinn e Alícia e escolheu uma lingerie de renda branca, acompanhada de uma sinta liga que com certeza enlouqueceria a loira. Sorrindo diante do prelúdio do que viria quando vestisse aquelas peças foi sorrateiramente até o caixa e as pagou, colocando rapidamente dentro da bolsa para que a namorada não as visse.

Mais uma vez saíram carregadas de sacolas do shopping, com Santana repreendendo Quinn por aquilo, mas no fundo adorando estar pela primeira vez na vida sendo mimada. Colocaram tudo na camionete e ao saírem do local se depararam com uma forte chuva e a tarde escura como noite.

– Acho melhor não voltarmos hoje. As estradas ficam muito escorregadias com chuva. – disse Quinn preocupada.

– E vamos ficar onde?

– Podemos ficar no hotel da minha família. – informou tranquilamente.

– Vocês são donos da cidade? Primeiro o hospital e agora o hotel? – perguntou espantada.

– Não, San. De toda não, só da metade. – riu ao ver a cara mais espantada ainda da namorada – Brincadeira, boba. Só temos parte do hospital, o hotel e alguns outros imóveis aqui na cidade.

– Nossa, você me assustou. Já estava achando que vocês eram multimilionários. – riu.

– Amor, a gente precisa conversar sobre isso. – Quinn falou incerta e Santana a encarou – Seria um problema para você?

– Vocês são multimilionários? – perguntou insegura.

– Huumm... Sim. – disse simplesmente, olhando-a de canto de olho enquanto conduzia a camionete para dentro do estacionamento do hotel.

– Isso é loucura...

– O que é loucura? – perguntou também insegura.

– Por que você foi se interessar justo por mim? Uma mera empregada sua. – dizia sem entender.

– Você está se ouvindo? Tem noção do que está dizendo? – Quinn falou brava e no mesmo instante lembrou-se de Alí que vinha quieta e constatou que a pequena dormia em sua cadeirinha – Se dá conta do absurdo que acabou de dizer? Por acaso você deixaria de gostar de mim se soubesse que sou rica?

– Nunca. Não me interessei pelo seu dinheiro, mas sim pela pessoa que você é. – declarou sincera.

– E por que você acha que os meus sentimentos com relação a você deveriam ser diferentes? – perguntou mais calma, agora acariciando o rosto da latina.

– Porque eu não tenho nada para te oferecer. – baixou os olhos.

– Que bobagem você está dizendo, Santana. – falou séria – Você tem tudo a me oferecer. Tem seu carinho, sua companhia e principalmente seu amor. E ainda me deu os dois maiores presentes que alguém poderia me dar: nossos bebês. Fala como se só o dinheiro importasse numa relação.

– Desculpe, Quinnie. Por um momento me vi no passado de novo e sendo acusada de me aproximar de Brittany em função do dinheiro da família dela. – seus olhos estavam rasos de lágrimas.

– Oh, meu bem, não fique assim. Minha família não são eles. E por mais que eu agradeça a Britt pela filha que ela me enviou, não sou ela. Eu não preciso que você seja forte por mim o tempo inteiro. Você pode se apoiar em mim também.

– Te amo tanto, Quinn. – chorou e foi abraçada pela loira.

– Também te amo, San. Mais que tudo. – afagou os cabelos escuros – Deixa eu limpar esse rosto que eu gosto é de te ver sorrindo.

Após Santana se acalmar e limpar as lágrimas que teimaram em escorrer, Quinn pegou Alí adormecida em seu colo e rumou à recepção do hotel.

– Oi, Christie. – cumprimentou alegremente a recepcionista.

– Quinn, quanto tempo. – falou sorridente e dirigiu o mesmo sorriso a Santana, que correspondeu – E essa pequena quem é?

– Minha filha. – anunciou feliz – Na verdade ela é filha da Santana, minha namorada, e nós nos adotamos como mãe e filha.

– Que linda ela é, Santana. – disse simpática encantada com a pequena que dormia – É muito parecida com você.

– Obrigada. Minha pequeña é muito linda mesmo. – respondeu no mesmo tom, simpatizando instantaneamente com Christie.

– O que é esse sotaque, mulher do céu? Se Quinn não tivesse chegado primeiro com certeza eu tinha investido. – brincou, dando uma piscadela para Santana.

– O que é isso, Christie? Quer perder o emprego, é? – brincou a loira – Essa aqui é minha. Vá procurar uma para você.

– Possessiva, heim chefinha?

Santana riu de Quinn que ficou totalmente corada. Não pode resistir e a beijou carinhosamente, demonstrando que não precisava ter qualquer preocupação quanto a ela. Alícia acordou com o barulho das risadas e logo estava sentada no balcão da recepção ganhando balas de Christie, que a achou ainda mais encantadora.

– Vou ligar para mi madre avisando que vamos ficar na cidade hoje. – falou Santana afastando-se um pouco com o celular.

Quinn conversava com Christie, inteirando-se sobre o movimento do hotel, enquanto Santana conversava com a mãe e Alícia brincava com uns folhetos. A menina levantou os olhos automaticamente quando o elevador se abriu, deparando-se com a morena de olhos azuis, que primeiro se espantou e depois abriu um sorriso em sua direção.

– Mamãe Quinnie, me põe no chão. – falou ansiosa e ainda conversando com Christie atendeu ao pedido sem perceber o que ocorria.

Assim que encostou os pés no chão Alícia correu em direção à mulher, que apenas estendeu os braços e a amparou, pegando-a no colo e dando um forte abraço na criança.

Percebendo a atitude de Alícia sair correndo acompanhou-a momentaneamente sem reação e logo saiu atrás dela, deparando-se com ela abraçada àquela estranha.

– Filha. – chamou.

– Quem é você? – perguntou a morena misteriosa ainda com Alí aconchegada em seu colo.

– Eu é quem deveria perguntar isso, já que está com minha filha no colo. – desafiou, arqueando a sobrancelha.

– Filha? Desde quando... – ia prosseguir mas foi interrompida pela voz de Santana.

– Marley? – Santana perguntou incrédula.

– San...

Mais uma vez não conseguiu prosseguir, pois a latina correu em direção à mulher abraçando-a com força, prensando Alícia entre elas. Quinn olhava a cena sem entender o que acontecia, sentindo um pequeno ciúme brotando dentro de si.

– Que saudade. Que saudade. – repetia ainda abraçada a Marley.

– Não aguentei longe de vocês. – declarou a outra.

– Por que não avisou que estava vindo? – perguntou se afastando encarando Marley e acariciando seu rosto.

O ciúme que Quinn sentia com pouca intensidade naquela hora tomou proporções quase que incontroláveis. A loira olhava aquilo de cara fechada, não demonstrando qualquer tipo de simpatia ao que via.

– Queria fazer uma surpresa para vocês. Nunca imaginei que ia dar de cara com você e a princesinha aqui. – riu.

Princesinha? Quem aquela mulher pensava que era para chamar sua pequena de princesinha?

Não aguentando mais ficar de fora daquele momento e vendo o quanto sua namorada estava derretida pela outra a sua frente, pigarreou, chamando a atenção das outras duas.

– Quinn, amor, essa aqui é a Marley. – apresentou Santana, feliz.

Quinn deixou toda a insegurança de lado quando Santana a chamou de amor na frente da outra, que a olhava com curiosidade, sem tirar o sorriso do rosto.

– Amor? – perguntou Marley, não contendo a curiosidade.

– Sim. Ela é meu amor. – falou olhando boba para Quinn, que sorriu de volta da mesma forma – Marley, essa é minha namorada Quinn.

– Então é um prazer te conhecer, Quinn. – disse Marley enquanto entregava Alí para Santana e se aproximava da loira – Espero que você faça minha irmã muito feliz, cunhadinha. – abraçou Quinn, que se surpreendeu com a informação.

– Cunhada? Não sabia que você tinha uma irmã, San. – falou confusa.

– Sim, essa peste é minha irmã por parte de pai. – riu aproximando-se para abraçar Marley.

– Ei, só de pai não. Se a Madre te ouve já te corrige. Sabe que ela me considera tão filha quanto você e para mim ela é a minha mãe. – fingiu-se de ofendida.

– Eu sei, Marls. Mas como irmã mais velha não posso deixar de implicar com você. – riu.

Quinn estava encantada admirando a felicidade de suas duas meninas junto de Marley. Santana agia espontaneamente e cumpria verdadeiramente o papel de irmã mais velha. Alícia tinha voltado ao colo de Marley e a abraçava pelo pescoço.

– Tia Marley, você vai ficar aqui morando com a gente? – Alí perguntou com os olhinhos brilhando.

– Acho que sim, princesinha. Se a titia conseguir um emprego aqui na cidade vai ficar aqui, mais perto de vocês.

– O que houve com seu emprego em Ohio? – Santana perguntou confusa, mas ao mesmo tempo feliz por poder ter a irmã mais perto.

– Aconteceu um probleminha...

– Que probleminha, Marley? – exigiu saber.

– Hum... O mesmo que aconteceu no seu. – falou finalmente, não sendo mais explícita em função de Alícia, mas tanto Santana quanto Quinn entenderam na hora o que havia ocorrido.

– Não acredito que aqueles desgraçados fizeram isso... – esbravejou – Será que eles não têm limite nas suas atitudes?

– Você sabe que eles não têm escrúpulos nenhum. Ainda mais aquele Sam. – falou séria – Mas vamos deixar isso para lá. Foi até bom que eles tenham feito esse favor para mim. Já não aguentava mais de saudades de vocês, mas principalmente da minha princesinha aqui. – falou beijando e abraçando Alícia com força, que estava adorando ter sua tia ali com ela.

– Podemos seguir conversando no restaurante. Pedi para Christie reservar uma mesa para nós. – anunciou Quinn, querendo acabar com a tensão que tomou conta das duas, mas principalmente de San – E você não comeu direito hoje. – falou para a namorada.

– Estou bem, Quinnie. Não precisa se preocupar. – Santana disse, selando levemente os lábios da namorada.

– Me preocupo sim. Com você e nossos bebês. – estavam novamente só as duas dentro de sua bolha – E Alí também tem que jantar bem antes de dormir.

– Posso dormir com a tia Marley hoje? – a pequena perguntou feliz, tirando as duas de seu momento.

– Você está hospedada aqui, Marl?

– Sim, coincidência maior ainda. – riu.

– Era para nos encontrarmos hoje mesmo então.

– Posso, Mama? – insistiu Alí.

– Só se sua tia concordar.

– Claro que sim. Vou dormir bem agarrada no meu ursinho aqui. – disse abraçando Alícia – Aí vocês aproveitam o momento a sós.

– Pode ter certeza... – sorriu Quinn.

– Quinn... – disse Santana, dando um tapinha no braço de Quinn que riu mais ainda.

– Tia Marley, você ainda vai gostar de mim quando o bebê nascer? – a pequena a olhava inocentemente.

– Que bebê, princesinha? – questionou confusa.

– O bebê que a Mama tem na barriga.

Imediatamente Marley lançou um olhar indagador a Santana, sem entender o que aquilo queria dizer, recebendo um sorriso feliz da irmã.

– O que significa isso, Santana Lopes?

– Isso mesmo que a Alí está dizendo. Dentro de alguns meses você vai ser titia novamente. – disse animada.

– Mas isso é sensacional. – disse abraçando Santana com carinho – E posso saber como isso aconteceu?

– Do jeito tradicional, oras. – riu.

A outra a olhou confusa, não conseguindo entender o que ela dizia. Vendo aquela reação Quinn explicou sucintamente toda sua história e sua diferença, ficando extremamente contente quando a cunhada não esboçou qualquer reação de repulsa.

Realmente aquela era sua família.

Notas finais
Desculpem os erros, não corrigi o capítulo antes de postar. :P