Meu Lar
19 Capítulo 19
Notas iniciais
Quinn e Puck analisavam uma parte do estábulo que teve o telhado arrancado com a força do vento bem em cima de umas baias. A sorte é que as mesmas encontravam-se vazias e nenhum dos animais que se encontravam ali tinham sido prejudicados. A água da chuva escorria pelo chão e escoava pelos ralos instalados para retirada da água quando da limpeza do local.
– Os cavalos estão todos bem. – anunciou Santana se aproximando, juntamente com Will.
– Isso é bom. Vamos ter que ver se os bezerros estão todos bem no outro galpão. – falou Quinn concentrada, enquanto Puck distribuía ordens a alguns peões que estavam com eles.
Blane entrou pelo portão do estábulo e se aproximou rapidamente de Quinn e Santana, com ar preocupado.
– Uma árvore foi atingida por um raio e cerca de cinco animais que estavam embaixo morreram. Há uma vaca atolada no barro e outra caída no campo. – fez a narração do que havia visto.
– Santana, você e Will vão atender o animal caído no campo. Blane, eu e Morrys vamos desatolar a vaca que está no barro. Depois providenciaremos veremos o que vai ser feito com os animais mortos pelo raio. – determinou Quinn, totalmente profissional.
Em função dos estragos e dos animais machucados todos passaram o dia ocupados e só conseguiram acabar com suas funções quando a noite já havia caído. Santana e Quinn mal haviam se visto durante o dia e com certeza estavam exaustas por todo o esforço que haviam feito. Agradeciam por a chuva ao menos ter dado uma trégua durante a tarde, mas pelo jeito ela viria novamente com tudo durante a noite.
Encontraram-se quando foram fechar o prédio onde ficavam os laboratórios e o escritório de Quinn, sorrindo abertamente quando se enxergaram. Santana ria da situação da loira, que tinha até o rosto sujo de barro.
– Você está uma porquinha, Quinn. – riu.
– E você acha que está muito diferente de mim? – apontou toda a sujeira que tomava conta de Santana.
– Tem razão, estamos precisando de um banho urgente.
– Na sua casa ou na minha. – brincou.
– Eu na minha e você na sua. Hoje só quero colocar Alí para dormir e cair dura na minha cama. – declarou cansada.
– Que pena. Vou sentir sua falta. – disse se aproximando e roçando os lábios no de Santana – Para falar a verdade também vou cair dura na minha cama. Antes posso passar na sua casa e dar um beijo de boa noite na minha pequena? – pediu.
– Claro que pode. Não precisa nem pedir, Quinn. Vou te esperar para jantar comigo. – Santana disse terna, selando seus lábios – Agora vamos que estamos muito imundas.
Quinn tomou um banho correndo após avisar Emma que não iria jantar em casa, levando um sermão da outra que disse em tom de drama estar se sentindo rejeitada. A loira riu muito daquela encenação, vez que sabia que a amiga estava torcendo para que ela se entendesse com a latina.
Santana tomou um longo e demorado banho, surpreendendo-se ao sair do banheiro enrolada na toalha e deparar-se com Quinn cochilando em sua cama, trajando confortáveis roupas esportivas. Certamente Maribel a incentivara em esperar pela filha no quarto, enquanto esta terminava de se banhar.
Ficou por alguns instantes admirando aquele rosto perfeito. Como alguém conseguia ser tão bonita mesmo após um longo e cansativo dia de trabalho. Vestiu-se em silêncio para não acordar Quinn e foi até a cozinha comer um sanduíche e pegar outro para a namorada.
– Madre, vou aproveitar que a Alí já está dormindo e vou deitar. – anunciou.
– E a Quinn, que não veio comer com você? – questionou recém percebendo a ausência da loira.
– Acho que deitou em minha cama para me esperar e acabou dormindo. Fiquei com pena de acordá-la, mas vou deixar um lanche pronto, caso ela acorde. – justificou de forma carinhosa, fazendo sua mãe sorrir.
– Está bem, mi hijá. Boa noite para vocês. – disse dando um beijo no rosto da filha que se dirigiu ao quarto.
Santana deixou o lanche de Quinn na mesa de cabeceira do lado em que ela estava deitada. Sem pensar duas vezes, abriu o casaco de moletom que a outra usava e cuidadosamente o tirou. Descalçou os tênis e em seguida despiu-lhe as calças.
Observou por uns segundos Quinn de regata branca e cueca samba canção preta e mais uma vez se perguntava: como podia ser tão bonita? Cobriu-a com o lençol sem que ao menos se mexesse, devia estar realmente cansada, havia trabalhado parelho com os cowboys durante todo o dia.
Trocou a própria roupa e se acomodou contra o corpo inerte, que instintivamente a envolveu com os braços. Santana relaxou ao se sentir protegida naquela redoma que Quinn criava ao seu redor quando estava com ela, e dormiu profundamente.
Na manhã seguinte Quinn acordou na mesma posição do dia anterior, deitada de bruços com um leve peso do lado direito de suas costas. Quase que inconscientemente sorriu e virou o rosto em direção à vasta cabeleira negra que cobria o rosto perfeito de Santana.
Lembrou que era domingo e que no dia anterior haviam feito todos os consertos possíveis pelo Rancho. Poderia então ficar mais um tempo na cama e aproveitou para ajeitar-se e puxar o corpo da namorada contra o seu. Santana imediatamente se aconchegou contra Quinn, sem acordar.
Quinn voltou a cochilar e acordou com uma leve batida na porta. Parou para ouvir e aquele som baixinho soou novamente. Levantou-se procurando não acordar Santana e abriu a porta, deparando-se com uma pequena e sonolenta criatura agarrada a um bichinho de pelúcia e seguida por seu fiel escudeiro.
– Bom dia, minha pequena. – falou se abaixando e pegando o pequeno corpo no colo. A menina sequer demonstrou qualquer espanto por Quinn estar no quarto de sua mãe.
– Bom dia, mamãe Quinnie. – murmurou sonolenta.
– Por que acordou tão cedo? – questionou já indo em direção à cama, deitando Alí entre ela e Santana.
– Queria minha Mama. – respondeu levantando o braço de Santana que ainda dormia e se acomodando, fechando os olhinhos e pegando novamente no sono.
Mesmo em um sono profundo Santana a trouxe para mais próxima de si, como se protegesse um tesouro. Quinn achou aquela a visão mais linda do mundo e acomodou-se junto a elas, abraçando-as e também voltando a dormir.
Não demorou muito e Maribel levantou, indo até a cozinha preparar o café da manhã passou no quarto de Alícia para ver se a neta ainda dormia e não a encontrou na cama. Olhou na sala e também nem sinal dela ou de Tobby. Foi então que resolveu ir até o quarto de Santana e abrir a porta levemente, deparando-se com as três dormindo aninhadas profundamente e Tobby deitado no tapete ao lado da cama.
Sorriu feliz diante daquela cena, que mais uma vez lhe confirmava que Quinn era a pessoa de Santana e que finalmente aquela família estava completa novamente. Saiu discretamente e foi preparar seus famosos quitutes dominicais.
...
Cerca de uma hora e meia depois Santana acordou envolvida por um abraço protetor e sentindo um suave calor encolhido contra seu corpo. Alícia dormia confortavelmente contra seu peito enquanto Quinn abraçava a ambas, carinhosamente. Foi invadida por uma felicidade como a muito não sentia. Sem dúvida nenhuma queria acordar sempre daquela forma.
Sentindo um olhar analisando seu rosto, Quinn despertou vagarosamente, deparando-se com duas orbes negras e um sorriso branco em sua direção. Não resistiu àquele momento extremamente intimista e as apertou ainda mais contra si, retribuindo sonolenta o sorriso que recebia.
– Bom dia, princesa.
– Bom dia, Quinnie. – respondeu Santana manhosa, enchendo a loira de felicidade por ela ter usado seu apelido pela primeira vez.
– Tão bom acordar assim. – Quinn falou feliz, acariciando os finos cabelos de Alí, que ainda ressonava.
– Com toda a certeza. – disse inclinando-se para dar um pequeno beijo em Quinn e sair lentamente da cama, espreguiçando-se antes de levantar.
Quinn admirava embevecida o corpo da mulher diante de si. Como podia esbanjar tanta sensualidade apenas com aquele gesto totalmente inocente. Aquela, sem dúvidas, tinha sido uma das melhores noites de sua vida, e surpreendeu-se ao se dar conta que nela não ocorrera qualquer momento sensual.
Assim que Santana saiu do banheiro entrou no cômodo e a latina se arrumou, para em seguida acordar a filha, que despertou extremamente feliz por estar na cama da mãe, ficando ainda mais ao ver Quinn saindo do banheiro e se juntando a elas.
– Mamãe Quinnie, você vai morar aqui com a gente? – perguntou esperançosa.
Tanto Quinn quanto Santana se espantaram com a pergunta da criança. Mas era lógico que ela estava agindo de uma forma totalmente precoce para uma criança de apenas dois anos e meio, perguntando aquilo.
– Quem sabe daqui a algum tempo você, a Mama e a Abuela possam ir morar com a Mamãe. – olhou esperançosa para Santana que fez cara de espanto, diante daquela declaração – Por enquanto a Mamãe vem dormir aqui de vez em quando, você deixa?
– Claro, Mamãe. – respondeu feliz e parou para pensar – E eu posso dormir na sua casa de vez em quando, também?
Sem conseguir conter a felicidade e o sorriso, Quinn a abraçou com força.
– Sempre que você quiser, minha pequena.
– Hoje então? – perguntou esperançosa.
– Se a Mama deixar... – Quinn lançou a pergunta muda para Santana, que cada vez mais se espantava com a ligação daquelas duas.
– Só se eu puder ir também. – concluiu, para alegria das duas que vibraram felizes.
O dia pode ser considerado como um domingo em família. Até um passeio à cachoeira fizeram com Alí, sendo que a pequena insistiu em ir a cavalo com Quinn. Aproveitaram que o dia ainda estava quente e se banharam nas águas cristalinas e a pequena fez muita bagunça junto com o casal de namoradas.
Alícia ficou encantada por Quinn ter começado a ensiná-la a nadar, enquanto Santana a incentivava de perto. Felicidade. Essa era a correta descrição do que elas sentiam. Trocavam beijos e carícias a toda hora. Nada muito sensual, apenas carinhos entre um casal visivelmente apaixonado.
Observavam Alícia catando algumas pedrinhas na beirada do lago, enquanto estavam sentadas abraçadas em uma colcha que haviam levado para fazer um piquenique. Santana divagava em seus pensamento quando Quinn disse de repente:
– Esse está sendo o melhor dia da minha vida.
Santana a encarou por alguns instantes e antes de beijá-la não pode deixar de declarar:
– O meu também... Espero que ainda tenhamos muitos desses... – falou encarando aqueles olhos verdes que a encantavam.
– Estou apaixonada por vocês, Santana. – disparou, calma.
– Por nós? – não conseguia disfarçar a felicidade.
– Sim, por você e por aquela pequena ali. – apontou para Alí com a cabeça e a pequena como que se tivesse sido chamada olhou para as duas sorrindo e abanou feliz – Vocês estão se tornando a cada dia mais importantes para mim...
Santana não conseguiu conter uma lágrima que escorreu por seu rosto. Uma lágrima de pura felicidade. Num impulso abraçou Quinn e a derrubou sob a colcha que cobria o chão, cobrindo seus lábios com um beijo apaixonado, que foi mais eloquente que qualquer coisa que tivesse dito naquele momento.
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