Meu Lar

8 Capítulo 08


Notas iniciais
Esse capítulo vai para as minhas mega leitoras que me deixaram recadinhos muito carinhosos de incentivo a continuar com a fic da forma que planejei no início. Por vocês vou fazer o melhor possível, tanto que estou postando um capítulo surpresa para vocês. :D

Vinte minutos tinha se passado desde que elas entraram com Alí para dentro da casa e explicado o que havia acontecido para Maribel e Emma, que tinha ido levar um bolo de chocolate para a menina.

As quatro tinham o olhar paralisado na criança que brincava distraidamente com uma boneca sentada no colo de Quinn, de quem não desgrudara nenhum momento.

– Mi hijá, vamos lá no quarto que a Mama vai colocar aquele DVD que você adora. – falou Santana a fim tirar a menina da cozinha para poderem conversar.

– Obaaaa. – vibrou Alícia – Você vem também, Mamãe? – falou olhando com expectativa para Quinn que lançou um olhar apavorado para Santana.

– A Quinn não vai agora, meu bem. Ela tem que falar umas coisas com a abuela. – falou a fim de convencê-la.

Santana organizou tudo no quarto da filha para que a pequena ficasse assistindo ao desenho que gostava, sem que interrompesse a conversa dos adultos. Ainda intrigada voltou para a cozinha e encontrou as três mulheres ainda se olhando sem dizerem nada.

– Madre, o que está acontecendo? – questionou ao entrar na cozinha.

– Não sei, mi hijá. Para falar a verdade eu não tenho a menor ideia.

– Mas de onde a Ali tirou a ideia que falou com a BrittBritt e que ela disse que a Quinn ia ser mãe dela? – perguntou exaltada.

Quinn entendeu aquela reação desesperada de Santana como uma confirmação de que ela sentia repulsa por ela, em função de sua condição e que jamais aceitaria uma aproximação dela com a criança. Uma tristeza como não sentira nem ao ser abandonada por sua noiva tomou conta de seu ser e levantou de repente, saindo sem nem ao menos se despedir.

Santana tinha o olhar preso na mãe e não viu que a loira se retirou do local sem ao menos conseguir disfarçar a dor em suas feições. Ao finalmente perceber sua ausência, imaginou que a mesma ocorrera por ela não ter gostado nenhum pouco da reação de sua filha, decidindo manter a criança afastada o máximo possível para não prejudicar seu emprego conseguido a tanto custo.

Emma e Maribel mais uma vez trocaram olhares misteriosos, como se previssem que alguma coisa iria acontecer.

– Mi hijá, com o tempo as coisas se explicam. Vamos deixar tudo assim e quem sabe logo esse mistério terá se encaixado. – falou sabiamente.

– É, Madre. Talvez você tenha razão. Espero que a Quinn não leve isso a mal. Nem vi ela saindo.

– Ela ficará bem. – consolou Emma, levantando-se para partir – Vou indo, pois tenho de preparar o jantar ainda.

– Volte quando quiser, Emma. Tenho certeza que vamos nos dar muito bem. – disse Maribel, com um sorriso acolhedor.

– Voltarei sim. Boa noite para vocês. – despediu-se e saiu.

O resto da noite passou quieto tanto para Quinn quanto para Santana, que estavam perdidas em seus pensamentos. Cada uma havia interpretado a situação de uma forma e estava sofrendo por isso.

Santana deu-se conta que não era somente pelo emprego que havia ficado preocupada. Também havia ficado chateada pelo fato de Quinn parecer ter rejeitado sua filha e não ter gostado nenhum pouco da ideia de ser chamada de Mamãe por Alícia. Mas ela tinha que se dar conta que ela era apenas uma criança, praticamente um bebê, e não tinha noção da consequência das coisas que dizia.

Quinn, por sua vez, sofria por ter sido rejeitada mais uma vez. Afinal, quem iria querer que um anjo como Alícia a chamasse de mãe. Ninguém em sã consciência. Então por que doía tanto? Decidiu que o melhor era se manter afastada para evitar qualquer tipo de mal entendido.

Com esses pensamentos na cabeça as duas custaram a dormir, mas ao fazê-lo já tinham decidido que manter o máximo de profissionalismo, e apenas isso, entre elas era o melhor.

...

Mesmo tendo custado a dormir Santana acordou cedo no dia seguinte e sentou-se à varanda, como já estava virando costume. Não queria admitir, mas intimamente desejava que Quinn aparecesse para tomarem o café juntas, o que não aconteceu.

Não demorou muito e sua mãe apareceu na porta, chamando-a para tomarem o café da manhã juntas. Após a agradável refeição com Maribel, a latina foi até o quarto da filha que ainda dormia e deu-lhe um carinhoso beijo na testinha, saindo logo em seguida.

Partiu direto aos estábulos a fim de iniciar mais um dia de trabalho. Dirigiu-se à estrebaria de Blue Sky e viu que o animal estava mais vivaz que nos dias anteriores. Fez uma nova coleta de sangue e foi em direção ao laboratório preparar as amostras para análise.

Perto das onze horas da manhã foi chamada por um dos cowboys a fim de acompanhar a chegada do gado que havia sido selecionado no campo para as negociações. As rezes foram colocadas no curral para Santana ter uma análise geral do que precisava ser feito e também para selecionarem os animais mais debilitados dos mais fortes para terem tratamento diferenciado.

A latina estava concentrada analisando os animais e não percebeu que Quinn havia se aproximado para acompanha-la naquela função, assustando-se quando a outra falou seriamente com ela.

– Vamos separar os animais mais fracos e os mais fortes amanhã mesmo serão banhados e encaminhados para o pasto número quatro. Os mais fracos ficarão uns dias confinados aqui no pasto número um e receberão forragem extra para se fortificarem e pegar peso. – orientou sem olhar para Santana.

Vendo que algo errado estava ainda acontecendo Santana decidiu que o melhor a fazer era realmente manter o profissionalismo.

– Tudo bem. Vou passar as orientações para o Puck e já vou preparar os medicamentos necessários para o banho e vacinas de amanhã. – disse séria olhando diretamente para Quinn que não lhe dirigiu o olhar por nenhuma vez.

– Ótimo. Faça o que tem que ser feito. – falou rude e saiu, deixando uma latina boquiaberta para trás.

Santana pensou seriamente em ir atrás de Quinn e dizer uns bons desaforos para ela deixar de ser grosseira, mas enfim se deu conta que ela estava se mostrando exatamente como sua reputação dizia que ela era. Mesmo constatando isso a morena bufou de raiva e se prometeu que da próxima vez não a deixaria trata-la daquela forma.

O resto do dia passou voando, em função das inúmeras tarefas que surgiram para que fossem resolvidas por Santana. Finalizava a análise dos exames de Blue Sky, onde constatou estar tudo em ordem com o animal e dentro de pouco tempo poderia voltar a socializar com os demais cavalos.

Saía da sala de análises dando por encerrado seu dia, quando se deparou com Quinn a esperando na porta do próprio escritório, com os braços cruzados em frente ao peito.

– Passe aqui na minha sala. Preciso falar com você. – sua voz apesar de séria demonstrava um tom de preocupação, o que intrigou Santana que a seguiu sem pestanejar.

– Algum problema, srta. Fabray. – decidiu que a trataria formalmente, já que esta resolvera a tratar daquela forma.

– Por que essa formalidade agora? – arqueou a sobrancelha.

– Pelos recentes acontecimentos percebi que devo manter um tom profissional no tratamento com a senhora. – provocou.

– Deixe de bobagem, Santana. Todos os meus empregados tem liberdade de me chamar pelo nome se assim eu autorizar. Você nunca teve restrições. – informou.

Empregados. Santana não entendia porque ser tratada por aquela terminologia havia a ferido tanto, mas com certeza não havia gostado. Será por que por um instante considerara Quinn como uma amiga?

– Mas eu prefiro assim. – teimou.

– Como queira. – disse Quinn impaciente – Não foi para discutir isso que a chamei aqui. Ligaram-me da oficina para onde sua caminhonete foi encaminhada e o mecânico constatou que o motivo dos pneus estourarem não foram acidentais.

– O que isso quer dizer? – perguntou surpresa.

– Parece que alguém plantou um líquido corrosivo na borracha, sendo que seu efeito é acelerado pelo aquecimento do pneu com o atrito do asfalto.

– Céus, mas quem nessa cidade iria querer me fazer algum mal? – perguntou assustada e seu pensamento voou para quilômetros de distância dali, onde com certeza haveria várias pessoas que poderiam ser suspeitas de um ato assim.

– Já liguei para o delegado local, que é meu amigo. Broddy vai cuidar pessoalmente de tudo e refazer seus passos na cidade. – foi dizendo – Informei os locais que sei onde esteve, mas ele pediu que você fosse o quanto antes até a delegacia para fazer um boletim de ocorrência formal e para lhe dar mais detalhes.

– Claro, assim que possível eu irei.

– Como amanhã é domingo que seria seu dia de folga, mas já programamos o tratamento do gado e sua presença é indispensável, proponho que você tire a segunda de folga para resolver tudo e aproveitar um tempo com sua filha. – seus olhos demonstraram dor ao dizer essa última parte, mas a latina não percebeu, ainda assustada com as informações de que seu veículo havia sido sabotado.

– Se você não se importa prefiro fazer isso na terça. Já havia programado de fazer uns exercícios com Blue Sky antes de dar-lhe alta total na segunda. – falou com um leve sorriso nos lábios ao falar da égua, o que não passou despercebido para Quinn.

– Como você preferir. – disse e ficou encarando Santana, tentando decorar todos os traços daquele rosto.

– Já posso ir ou ainda precisa de mais alguma coisa?

– Isso é tudo. — falou simplesmente.

– Eu agradeceria se você não contasse nada para minha mãe. Não quero preocupa-la. – pediu.

– Não se preocupe. Manterei segredo. – garantiu e observou a latina saindo sem dizer mais nada.

Quando atendeu o telefonema da oficina mecânica sentiu uma raiva que tomou conta de seu corpo como nunca ocorrera antes. Tinha que descobrir quem tinha feito aquilo contra Santana. Iria até o fim do mundo para descobrir. Em um ato impulsivo havia até ameaçado Broddy, que tinha levado na brincadeira por ser seu amigo. Mas descobriria quem fez aquilo e não se tranquilizaria até que ele fosse punido da forma adequada, ou tomaria as próprias providências.

Notas finais
Gostaram??? Até quarta, minhas lindas.