Meu Lar
4 Capítulo 04
Notas iniciais
Capítulo 04
Chegando ao estábulo Santana pediu ajuda a um dos empregados do local para ajudá-la a remanejar o animal de baia e proceder a devida higienização do local de onde ele fora retirado.
O homem se apresentou dizendo que seu nome era Jesse e que havia começado a trabalhar ali na semana anterior. Falava de forma galante e por várias oportunidade tentara flertar com Santana, que se fez de desentendida e não deu atenção ao assédio.
Sempre que podia soltava alguma gracinha em direção à latina, que continuava dando atenção somente ao seu trabalho e começava a ministrar a medicação e os cuidados necessários ao animal, que era branca e de um porte refinado.
Jesse continuava falando sem parar, sem que Santana ao menos percebesse o que ele dizia. Na verdade o assunto não lhe interessava nem um pouco e somente respondia com alguns monossílabos, ainda concentrada no que fazia.
– Você sabia que a Quinn é uma aberração? – falou de repente, finalmente chamando a atenção da latina, que arqueou uma das sobrancelhas como se não tivesse entendido o que ele dissera.
Vendo que finalmente havia prendido a atenção da linda mulher a sua frente Jesse prosseguiu maldosamente.
– Ouvi os cowboys comentando outro dia que ela tem um pênis. Imagina só, uma mulher linda daquelas com um pau no meio das pernas. – falou grosseiramente, achando que estava agradando – E ainda ouvi dizerem que ela tinha uma noiva que abandonou ela. Só pode, quem ia querer se deitar com uma coisa nojenta dessas. Deve ter deixado ela assim que soube...
O homem não conseguiu prosseguir o que dizia, só sentiu uma dor aguda no nariz e um estalo quando a mão de Santana acertou em cheio um soco no meio do seu rosto. A latina não sabia porque tinha agido daquela forma, mas com certeza não deixaria ninguém falar de Quinn daquela forma, sendo verdade ou não. Aquela mulher que a recebera tão bem e lhe dera uma chance de reconstruir sua vida não merecia qualquer tipo de comentário daquele estilo.
– NUNCA MAIS ABRA A BOCA PARA FALAR DELA ASSIM. – gritou, sentindo seu controle indo por água abaixo.
Tanto que vinha treinando para conseguir mantê-lo, em qualquer ocasião. Há tempos tinha domado seu gênio que achava ser indomável, mas a maturidade e o fato de se tornar mãe a ensinaram muito. Fazia bastante tempo que não sentia vontade de agredir alguém, como fizera naquele momento.
– O que você fez, sua louca? – Jesse segurava o nariz que sangrava – Precisava me agredir só porque eu disse umas verdades? – provocou.
Quando ia partir novamente para cima de Jesse, sentiu duas mãos fortes agarrando seus ombros e a puxando contra um peito forte.
– O que está havendo aqui? – a voz de trovão de Noah soou no local.
– Ela me deu um soco e quebrou meu nariz. – disse Jesse com os olhos em fúria.
– De graça é que não deve ter sido. – falou Noah, experiente – Ele tentou te fazer algum mal? – perguntou direto para Santana que começava a enxergar tudo normalmente, sem os tons de vermelho de a pouco.
– Não, ele não me fez nada. – rosnou ainda tentando se desvencilhar das mãos de Puck que a prendiam.
– Então me explique o que houve. – pediu mais uma vez.
– Esse moleque que veio me falar mal da Quinn e eu perdi o controle. – disse ainda furiosa.
– Falei alguma mentira? – provocou – Ela é mesmo uma anormal.
Diante daquelas palavras, Puck ficou totalmente espantado e afrouxou momentaneamente as mãos que prendiam Santana, que se soltou e sem pensar duas vezes acertou em cheio um pontapé entre as pernas do loiro, que caiu gemendo.
– Eu avisei para nunca mais falar dela assim. – falou entredentes.
– Cara, junte suas coisas. Will vai te levar até a cidade e nunca mais você vai colocar os pés aqui, senão eu vou te deixar muito pior do que a Santana deixou. – disse furioso.
Com dificuldade o homem se levantou se arrastou até onde ficavam suas coisas e juntou tudo com uma expressão enfurecida no rosto, logo partindo sob o atento olhar de Will.
Diante do visível descontrole de Santana, Noah a conduziu até a cozinha da casa grande, onde pediu que Emma desse a ela um chá calmante, pois ela não parava de tremer.
– O que houve? A Quinn passou aqui como uma flecha. – perguntou preocupada.
Diante das palavras de Emma o cowboy saiu desabalado em direção ao quarto de Quinn. Pressentia que ela poderia ter ouvido o que Jesse dissera e se aquilo realmente houvesse acontecido, talvez tivesse aberto antigas feridas que a loira tanto custara a fechar.
Subiu a escada correndo e parou em frente a porta pesada de madeira ao fim do corredor. Bateu esperando uma resposta que não veio, mas entrou mesmo assim. Encontrou Quinn sentada em uma poltrona em frente à janela, com o olhar perdido.
– Loira? Você está bem? – perguntou preocupado.
– Será que as pessoas vão sempre me ver só dessa forma? Como uma aberração? – perguntou com os olhos cheios de lágrimas, cansara de ser forte.
– Quinnie, não fica assim. Só os muito idiotas pensam isso. – disse se aproximando e sentando no braço do sofá, puxando a loira contra seu peito.
– Eu não tenho culpa de ser assim, Noah. – finalmente chorou e colocou para fora a dor e o sofrimento que há muito trazia guardados dentro de si. Somente frente a Noah permitia exteriorizar sua fragilidade. – Mesmo assim as pessoas parecem nunca me aceitar.
– Não fala isso. Olha quantos amigos você tem a sua volta. Quem realmente te ama não dá a mínima importância para isso, pois para mim você é perfeitamente normal.
– Te garanto que nós vamos perder a ótima profissional que conseguimos contratar depois de tanta procura. – lamentou.
– Duvido muito. Você viu o jeito que ela te defendeu sem nem ao menos te conhecer direito? – riu – As bolas do cara devem ter saído pelo nariz quebrado dele.
Com aquelas palavras de Puck, Quinn teve que rir e concordar que Santana agira totalmente contrário ao esperado. Nunca esperaria que uma pessoa que era praticamente uma estranha a defendesse daquela forma.
Para Noah as coisas estavam muito claras e um plano começava a se formar em sua mente. Aquelas duas ficariam juntas, não importava o que fosse necessário fazer.
– Até fiquei com pena dele agora. – disse enxugando as lágrimas entre risos.
Noah realmente era um irmão para ela. Sabia que poderia contar com ele sempre que precisasse. Levantou-se a apertou o amigo em seus braços, mostrando toda sua gratidão.
...
Na cozinha Santana viu Noah saindo em disparada e seguiu por algum tempo tremendo, sendo amparada por Emma.
– O que houve, querida? – perguntou mais uma vez, tomada pela preocupação.
– U-um cowboy veio falar de Quinn e eu não aceitei muito bem. – declarou.
– O que ele disse afinal? – preocupou-se, sabendo o que viria a seguir.
– Coisas horríveis. De uma forma tão grosseira e desrespeitosa que perdi o controle e bati nele. – falou envergonhada.
– Você sabe que pode ser verdade, não é? – testou-a.
– Podem até ser verdade... – encarou Emma – Mas ninguém tem o direito de falar de outra pessoa assim. Isso não muda a pessoa que Quinn é e nem o caráter que ela tem. E se realmente for verdade, não vejo problema nenhum nisso.
As palavras de Santana fizeram com que Emma abrisse um sorriso sincero e puxasse a latina para um abraço apertado.
– Bem vinda à família. – disse feliz – É dessa forma que nós agimos aqui. Uns aceitando as diferenças dos outros e as respeitando. E ainda defendendo os nossos quando necessário.
Frente àquelas palavras Santana se sentiu ainda mais em casa. Será que ali seria mesmo seu lar? Aquelas pessoas estavam começando a lhe mostrar que sim.
– Sabe? – falou envergonhada – Minha mão está doendo. – declarou.
Emma riu diante da declaração de Santana e pegou um pouco de gelo para que a latina colocasse no local dolorido.
– Você botou literalmente para quebrar, heim? – brincou.
– Nem me fale. Fazia muito tempo que não perdia o controle assim. – disse, ficando vermelha.
– Não precisa ficar envergonhada, foi por uma boa causa. – tranquilizou-a, estendendo-lhe uma xícara de chá – Tome. Você ficará mais calma.
– Obrigada. — disse sorvendo o líquido já morno.
Não demorou muito e Noah se juntou a ela na cozinha, a acompanhando logo que ela disse que voltaria ao trabalho. Emma a convidou para voltar para o almoço, mas a latina declinou o convite dizendo que já havia perdido muito tempo naquele dia e ainda havia muitas coisas a serem feitas, porém em outra oportunidade não voltaria a recusar.
Com o auxílio de Noah terminou de acomodar a égua na nova estrebaria e ministrou a medicação necessária. Logo em seguida partiram para os pastos, onde verificou as pastagens e o gado que se alimentava no local.
– Vamos precisar fazer algumas vacinas neste gado, pelo que verifiquei há algumas atrasadas e como estes já estão confinados aqui para serem preparados para o abate tem que ser logo, para se ter tudo de qualidade. – dizia Santana enquanto observava os animais pastando.
– Já faz algum tempo que estamos sem um veterinário no rancho. Quem tem cuidado de tudo somos eu e a Quinn, mas não temos todos os conhecimentos necessários. – falava enquanto cavalgava lado a lado com a latina.
Quando chegaram de volta aos estábulos já havia anoitecido. Puck entregou os cavalos para que outro empregado tirasse as selas e os colocasse nos devidos locais.
Seguiram conversando enquanto se dirigiam até a casa de Santana, despedindo-se logo que chegaram à porta. Quinn observava tudo da janela de sua sala com olhos tristonhos. Tinha medo de encontrar com a latina e ver repulsa em seus olhos, mas mais cedo ou mais tarde teria de enfrenta-la.
Santana tomou um relaxante banho para tirar o estresse do dia de seu corpo. Riu ao perceber que recém era o segundo dia que estava ali e já havia perdido a cabeça sem pensar duas vezes por uma mulher que pouco conhecia, mas que estava começando a querer conhecer mais.
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